fisioterapia na compressÃo medular metÁstatica...

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    INTRODUO

    OBJETIVO

    RESULTADOS

    METODOLOGIA

    CONCLUSO

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    FISIOTERAPIA NA COMPRESSO MEDULAR METSTATICA NO CNCER DE MAMA: RELATO DE CASO

    Entre as mulheres, o cncer de mama representa a principal causa de morte por cncer sendo, no Brasil, a forma de cncer que apresenta maior taxa de crescimento e mortalidade atribudos ao atraso no

    1diagnstico e na instituio de teraputica adequada .A deteco precoce do cncer um fator imprescindvel para a eficcia do tratamento e para a maior

    2sobrevida das mulheres acometidas . De acordo com dados de registros hospitalares de cncer do Instituto 3Nacional de Cncer, o diagnstico da doena realizado nos estdios III e IV em 60% dos casos . Estima-se

    4que 30% a 80% das metstases no cncer de mama sero estrutura ssea durante o curso da doena . O acometimento de corpo vertebral pela doena ocasiona instabilidade gerando fraturas e possvel

    5acometimento da medula espinhal com Sndrome de Compresso Medular (SCM) .

    Descrever, atravs de um relato de caso, a evoluo da sndrome de compresso medular e a proposta de tratamento fisioteraputico.

    Tipo de estudo:Fonte de dados:

    Anlise dos dados: Aspectos ticos:

    Estudo de caso Anlise de pronturio das avaliaes de seguimento da fisioterapia, conforme rotina

    institucional.descritiva.

    Fornecido termo de consentimento informado, conforme resoluo 196/96. A imagem foi realizada com autorizao e cedida pelo HCIII/INCA. O presente estudo foi enviado para a aprovao do Comit de tica e Pesquisa do Instituto Nacional de Cncer.

    Dados demogrficos:Histria clnica:

    Paciente VLR, 51 anos, residente em Nilpolis/RJ. Compareceu no HCIII/INCA/RJ, apresentando cncer de mama esquerda, sendo

    estadiada como T4bN1M1. Internou por suspeita de SCM devido dor lombar associada a parestesia e paresia de membros inferiores (MMII) com incio h dez dias, sendo solicitados exames de reestadiamento, iniciado tratamento clnico com corticides e encaminhada para avaliao da Fisioterapia, Oncologia Clnica e Radioterapia.

    Observado dficits no controle do tronco superior e inferior; paraplegia crural simtrica com automatismo, hiperrreflexia e descontrole esfincteriano, Sinal de Chadock positivo, Sinal de Babinsky bilateral, sinal de Hoffman bilateral e pares cranianos preservados. Com a suspeita de leso ssea cervical e torcica, estabilizaram-se os dois segmentos, com colar cervical e cinta colete semi-rgido tipo Putti, enquanto aguardava a realizao de exames complementares.A ressonncia nuclear magntica revelou sinais de compresso medular nos nveis D6 e D10 por colapso parcial de corpo vertebral (Figura 1). No foram observadas alteraes cervicais que justificassem a estabilizao cervical sendo, ento, retirado o colar. O trabalho realizado pela fisioterapia, diariamente, consistia em treino proprioceptivo, de controle motor e de tronco inferior em postura sentada no leito. Foi iniciado tratamento oncolgico com Bifosfonatos, Hormonioterapia e Radioterapia. O uso de sonda vesical foi indicado pelo descontrole esfincteriano.Aps uma semana de tratamento, foi observada melhora da fora muscular em MMII, grau I esquerda e grau III direita, e do automatismo, sendo ento acrescentados ao tratamento exerccios isomtricos e ativo-assistidos dos MMII. Aps quinze dias de internao, fazia uso de sonda vesical somente SOS, apresentava fora muscular grau II proximal e grau IV distal nos MMII. Mantinha Sinal de Babinsky bilateral e melhora do controle de tronco inferior. Diante desta evoluo satisfatria, foi solicitado colete rgido tipo Taylor sob medida para estabilizao de coluna traco-lombar (Figura 2).No momento da alta hospitalar, dezoito dias aps a internao, apresentava fora muscular grau V para os membros superiores, alterao de sensibilidade (hipoestesia) superficial e profunda no abdmen e membros inferiores, no sustentava a posio de p e no tinha queixas lgicas. Foi realizado treino de equilbrio de tronco com colete Taylor e encaminhada para tratamento fisioteraputico externo prximo ao domiclio e retorno ambulatorial no Hospital do cncer III em 30 dias.

    Dois dias depois da alta hospitalar internou em estado grave, com Glasgow 15 e tetrapartica. Foi definido o quadro de sepse urinria e celulite no membro superior esquerdo. Novamente foi acompanhada pela Fisioterapia durante sua internao e em nove dias apresentava fora grau III para membro superior esquerdo associado ao linfedema, fora grau II para musculatura proximal e grau III para musculatura distal nos membros inferiores. Devido ao edema generalizado, o colete sob medida ficou apertado, sendo substitudo pela cinta colete tipo Putti alto. Foi priorizado o estmulo posio sentada e fisioterapia respiratria.No momento da alta hospitalar foi orientada a continuar tratamento fisioteraputico perto de seu domiclio e retorno ambulatorial no HCIII em 30 dias.

    Interveno fisioteraputica hospitalar

    Interveno fisioteraputica ambulatorial Aps 30 dias da alta, chegou ao ambulatrio da fisioterapia na maca, usando colete putti alto, controle de esfncteres preservados, ausncia de parestesias, fora grau IV nos membros superiores, grau III nos membros inferiores, Sinal de Babinsky bilateral, ausncia de edemas e lcera de decbito na regio sacral, foi solicitado o conserto do colete Taylor. Aproximadamente trinta dias depois, retornou para readaptar colete Taylor e durante a consulta foi descrito pela paciente melhora da dor, iniciando marcha a pequenas distncias.Sete meses aps a primeira internao, a paciente chegou ao ambulatrio de Fisioterapia por meios prprios, fazendo uso alternado do colete Taylor e putti alto, marcha arrastada e lenta devido diminuio da fora muscular, grau IV para membros inferiores exceto glteo mdio que apresentou grau III, fora muscular abdominal preservada, parestesia eventual em pododctilos esquerda, continncia fecal e urinria. Foi orientada a realizar exerccios isomtricos com msculos abdominais e paravertebrais com uso de colete, e manter Fisioterapia externa, onde realiza exerccios com carga de 1 a 2 Kg de membros inferiores duas vezes na semana. Permanece em consulta de rotina no servio de Fisioterapia do hospital.Foi realizada nova ressonncia nuclear magntica, quatro meses aps a primeira, que evidenciou colapso parcial de corpos vertebrais de D4, D6, D9 e D10 com medula torcica e cone medular sem compresso. Atualmente a paciente apresenta um ano de leso medular e mantm seu tratamento oncolgico.

    Figura 1 Ressonncia Magntica evidenciando SCM a nvel de T10

    A abordagem da Fisioterapia no paciente paliativo pouco descrita pela literatura, sendo necessrios estudos sobre o uso de rteses e os exerccios teraputicos na metstase ssea da coluna vertebral. O caso clnico discutido pode apresentar a boa evoluo da paciente diante do tratamento proposto e a importncia da interao entre servios de Fisioterapia.

    1. INSTITUTO NACIONAL DE CNCER. Ministrio da Sade. Estimativa 2008. Incidncia de cncer no Brasil. http://www.inca.gov.br2. SAINSBURY, JRC.; ANDERSEN, TJ.; MORGAN, DAL. Clinical review ABC of breast diseases - Breast cancer. BMJ 2000; 321:745-750 (23 September ). 3. INSTITUTO NACIONAL DE CNCER. Ministrio da Sade. Registro hospitalar de cncer [intranet]. Rio de Janeiro (Brasil): INCA; 2003. [citado em 30 mai 2006]. Disponvel em: http://lotus_inca.inca.local/calandra/calandra.nsf.4. HAMAOKA T; MADEWELL JE; PODOLOFF DA; HORTOBAGYI, G. N.; UENO, N. T.. Bone imaging in metastatic breast cancer. Journal of Clinical Oncology, 2004;22(14):2942-50.5. ABDI S, ADAMS CI, FOWERAKER KL, O'CONNOR A. Metastatic spinal cord syndromes: imaging appearances and treatment planning. Clin Radiol. 2005 Jun;60(6):637-47.

    Figura 2 Ortese estabilizadora tipo Taylor

    Fonte: Hospital do Cncer III/INCA

    Fonte: Hospital do Cncer III/INCA

    1 2 2 3 3Mariana Almeida ; Elisangela Pedrosa ; Erica Fabro ; Ricardo Dias ; Ana Carolina Padula Ribeiro ;

    3 2Luiz Guilherme Branco ; Luiza Ferrari4; Claudia Britto1 Especializandas de Fisioterapia em Oncologia do INCA.

    2 3Servio de Fisioterapia Hospital do Cncer III / INCA, 3 Treinamento em Pesquisa Oncolgica (INCA/CNPQ), Servio de Oncologia Clnica Hospital do Cncer III / INCA,

    fisio.hc3@inca.gov.br

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