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ISSN 1516-8832

Estudo de Solos do Municpio deTiradentes do Sul - RS

Resumo58

Pelotas, RS 2007

Circula

rTcnic

a

Autores

Noel Gomes da Cunha

Eng. Agrn., M.Sc.,

Pesquisador

Embrapa Clima Temperado.

Cx. Postal 403, 96001-970

Pelotas, RS

Ruy Jos da Costa Silveira

Eng. Agrn. Dr., Prof. Adj.

do Depto. de Solos

UFPel-FAEM,

Cx. Postal 345, 96001-970

Pelotas, RS.

Carlos Roberto Soares

Severo

Eng. Agrn. M.Sc. Prof.

Subst. do Depto. de Solos

UFPel-FAEM,

Cx. Postal 345, 96001-970

Pelotas, RS.

O municpio de Tiradentes do Sul, situado no noroeste do Planalto do RS, faz parte da atual autodenominada regio Celeiro, que engloba vrios municpios da antiga regio do Alto Uruguai. As terras locais, situadas sobre derrames fissurais de rochas baslticas de natureza alcalina, que foram estratificadas ao longo de sucessivos eventos, so produtos de alta meteorizao desses basaltos e total remoo dos resduos antigos laterizados. Localmente, houve rpida e intensa dissecao da borda de um planalto imenso, a partir da individualizao da bacia hidrogrfica do rio Uruguai, desde o perodo Tercirio. Pela natureza homognea e alcalina das rochas bsicas e a ampla extenso regional, verifica-se um modelamento local, nas formas de relevo, muito semelhante ao da regio circunvizinha do Alto Uruguai, onde o rio Uruguai e seus afluentes lajeados Grande e So Francisco, dissecam o que resta dessa estrutura rochosa, spera e ngreme nessa parte do planalto.

As formas ngremes e agudas acentuadas atuais do relevo iniciaram o seu modelamento a partir de um planalto, atravs dos processos erosivos naturais. Por se situarem prximo ao rio Uruguai (alta carga hidrulica), foram se individualizando rapidamente em espiges esquelticos (rochosos), que se estreitaram pelo alto fluxo erosivo das fortes correntes de gua (alta carga hidrulica). As depresses de drenagem, que se sucedem entre espiges, formam inicialmente ravinas profundas, com vales ngremes, profundos e estreitos. Com o tempo, a remoo constante dos restos rochosos dos vales passou por um gradativo aplainamento e alargamento dos vales e dessas

Solos muito frteis,cascalhentos, pedregosos e rochosos, com pequenas superfcies abauladas homogneas, restos de mata dispersos nas bordas das rochas e lajeados, so o suporte de uma prspera agricultura familiar.

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2 Estudo dos solos do municpio de Tiradentes do Sul, RS

superfcies expostas. Os vales representam uma drenagem atual, que est sendo sulcada pelos processos erosivos aluviais, formando drenos naturais de escoamento muito rpido. As encostas possuem altos declives (>45%) que se abrandam, no tempo, nas superfcies mais antigas que restam dos espiges. As formas brandas de relevo, que formaram um planalto e posteriormente se assemelharam s coxilhas em climas passados, j esto extintas. J no restam pequenas mesetas e espiges lisos, estreitos e aplainados nos topos, como no restante dos municpios vizinhos. Os solos profundos e intemperizados que ocorrem nas regies prximas j foram removidos.

A vegetao composta inicialmente por uma floresta denominada pelo IBGE (1986) como Floresta Estacional Decidual Submontana, est sendo removida no municpio. Nas pequenas propriedades (totalidade), a vegetao est sendo estirpada gradativamente, restando ainda agrupamentos, e, ocasionalmente, pequenas reas isoladas nos vales de drenagem. As culturas, principalmente de soja e milho no vero, trigo e azevm no inverno, cobrem quase integralmente a paisagem em sucessivos cultivos.

Os solos foram antes denominados de Brunizm Avermelhado e Solos Litlicos por Costa Lemos, em Brasil (1973) e IBGE (1986). Atualmente, por apresentarem processos intensivos de corroso e desagregao das superfcies, constituindo solos rasos e muito frteis nas bordas dissecadas, denominam-se de Neossolos Litlicos Eutrficos fragmentrios e tpicos e Cambissolos Hplicos Ta Eutrofrricos chernosslicos e fragmentrios Embrapa (2006). Constatam-se, apenas nos pequenos, vales superfcies residuais ainda existentes, com ocasionais sedimentos de solos mais antigos, como os Nitossolos Vermelhos Eutrofrricos chernosslicos e solos pouco evoludos como os Chernossolos Hplicos Frricos saprolticos e Cambissolos Hmicos e Hplicos.

Quanto ao uso agrcola, o sistema de classificao (capacidade de uso das terras), que se propunha inicialmente a uma ordenao do controle da degradao das terras, para uma agricultura desenvolvida (mecanizada), nesta agricultura familiar tpica, estabelecida (modelo local), tem a finalidade de caraterizar a potencialidade agrcola local (alta fertilidade dos solos), alm de acentuar as limitaes ao uso (alta suscetibilidade a eroso

e solos rasos e pedregosos). No caso as poucas terras mais aplainadas e com solos muito frteis e profundos esto situadas nos vales em pequenas

2 dimenses segmentadas classe IIse (57,95 Km -23,63%). Outras terras que podem ser aproveitadas ocasionalmente em pequenas lavouras (50%) esto nos espiges degradados

2 (P ). So terras das classe IVse (85,00 Km -234,66%) que se inserem na classe VIse sem que se possa estabelecer limites entre elas. Os espiges (P ) de nvel superior, muito rochosos, 1comportariam sistemas de silvicultura, ou cultivos perenes (frutferas em geral). So terras da classe

2VIIse-1 (37,17 km - 15,16%). As terras das encostas ngremes tambm esto nesta classe

2VIIse-2 (65,12 km - 26,55%).

Os processos de degradao pela eroso provocada e sustentabilidade desta agricultura, baseada hoje principalmente na produo de cultivos anuais, muito produtiva devido alta fertilidade dos solos e dependente da adio de produtos qumicos, para controle de pragas e doenas das plantas, esto abertos para a pesquisa de novas tecnologias.

Introduo

At onde registra a histria, a regio em que se insere o municpio de Tiradentes do Sul teve atividades na economia que comearam no sculo XVIII, com a explorao da erva-mate entre ndios Kaingangs e Guaranis. Os mesmos Kaingangs transitaram o produto por picadas na mata, at o lado oposto do rio Uruguai, na Argentina. A implantao de uma agricultura de subsistncia veio por volta de 1939, com o povoamento esparso por imigrantes alemes, italianos e poloneses, que ocuparam as terras, onde se estabeleceram em pequenas roas, com cultivos de trigo e milho, destinados criao de aves, sunos e a produo de leite. Posteriormente, os cultivos da soja, trigo e milho, em maior escala, cresceram progressivamente. A evoluo drstica e intensificada, j na dcada de 70, das atividades do uso da terra, trouxe, gradativamente alm das variaes econmicas positivas, prprias das rendas dessas culturas, uma contribuio de aspectos negativos, como infestaes de doenas (trigo) e saturao do mercado dos seus produtos (sunos). No geral, houve um crescimento

econmico regional, pelas novas atividades relativas intensidade do uso da terra, mas o surgimento acentuado dos processos erosivos e a tendncia atual da monocultura da soja tm tornado as economias regional e local instveis.

Nos municpios prximos ao rio Uruguai, na borda da regio Celeiro, o processo erosivo natural h milhares de anos vem removendo as superfcies aplainadas do planalto antigo com solos profundos, deixando um relevo spero, rochoso e muito ngreme. Estes municpios no comportam uma agricultura desenvolvida de produo de gros ao nvel empresarial. Os agricultores esto ajustados a um processo natural local em uma agricultura familiar de pequenas propriedades, onde o modelo produtivo das reas aplainadas vizinhas tende a ser copiado.

A eroso nas terras muito ngremes, que chegou regionalmente a nveis acentuados, foi atenuada, em parte, no incio, pelos meios de controle usuais, prprios da poca, at ser melhor controlada, pelos mtodos de plantio direto, no final da dcada de 80. Entretanto, como se tratam de reas ngremes, o processo erosivo ainda estar sempre ativo com a erradicao da floresta, embora as pequenas dimenses das reas de plantio facilitem o controle atual da eroso.

A erradicao sucessiva de invasoras com uso de produtos qumicos dessecantes nas culturas, sem se preocupar com os resduos desses produtos, questionamento para uma nova gerao, j que esta que combateu com bravura uma floresta, est absorvendo essas facilidades atuais. A sociedade atual deve buscar outras solues para conviver com restos de uma floresta, onde a incrementao de cultivos perenes uma necessidade prioritria. A longo prazo, outros rumos econmicos podem ser criados. O imediatismo da dinmica econmica moderna imposta a esta regio tem de ser reavaliado pela populao que sabe que seus recursos de terras, apesar dos solos muito frteis, so limitados pela suscetibilidade eroso.

O estudo dos solos do municpio de Tiradentes do Sul, ao nvel de reconhecimento, faz parte das proposies da Embrapa Clima Temperado para fomentar o desenvolvimento regional, alm de, tambm, responder ao questionamento dos

produtores rurais e de seus rgos representativos que, ao atravessarem ciclos contnuos com culturas ou atividades agrcolas que gradativamente deixam de ser rentveis, procuram novos parmetros para a diversificao com outras culturas, como se verifica atualmente com a cultura da soja.

Este estudo pretende fornecer um conhecimento regional das paisagens fisiogrficas locais e suas relaes com os solos e seu uso potencial, definidos dentro das taxonomias usuais e passadas que, pelo uso regional, ainda so marcantes.

Reviso bibliogrfica

Aspectos locais A constituio da Sociedade do Noroeste Colonial teve seu incio a partir de 1801 quando Portugal, definitivamente tomou posse do territrio das Miss