ESPECIAL vItAmInAS E mInErAIS ESPECIAL BEBIDAS ?· de estudos de consumo ali-mentar e testes bioquímicos;…

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  • ESPECIAL BEBIDASESPECIAL vItAmInAS E mInErAIS

    Pessoas cuja dieta consiste principalmen-te de cereais, razes, tubrculos e legumes, podem comer o suficiente para satisfazer a sua fome, mas devido a sua limitada inges-to de alimentos ricos em micronutrientes (como carne, peixe, frango, ovos, laticnios, frutas e legumes) podem desenvolver defi-cincias de vitaminas, minerais e protenas que usam energia ineficientemente. Essa carncia de micronutrientes, conhecida como fome oculta, pois muitas vezes no clinicamente evidente, um problema de sade pblica e um dos principais obstcu-los ao desenvolvimento scio-econmico no mundo.

    A fome oculta pode ser evitada ou eli-minada consumindo uma dieta equilibrada (diversidade) ou alimentos fortificados, ou na falta deste, atravs de suplementao de

    vitaminas e minerais. Para mudar os hbitos alimentares podem ser necessrias medidas para a educao nutricional, como de sade pblica e segurana alimentar.

    A fortificao de alimentos bsicos pode trazer uma contribuio significativa para a reduo da carncia de micronutrientes. uma forma socialmente aceitvel e eficaz em termos de custos, para atingir grandes populaes em risco, tambm no requer mudanas nos hbitos alimentares, uti-lizando canais de distribuio existentes para a indstria de alimentos e sistemas de comercializao local e pode produzir benefcios nutricionais rapidamente.

    O combate fome oculta no de hoje. A fortificao de farinhas com as vitaminas do complexo B tem sido aplicada com su-cesso em pases industrializados desde os

    Combate fome oCulta na

    amriCa latina

    ADItIvoS & IngrEDIEntES

    nA InDStrIA DE vItAmInAS E mInErAIS

    ESPECIAL vItAmInAS E mInErAIS

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    o espectro dos aditivos e ingredientes utilizados no setor de vitaminas e minerais bastante amplo. neste Caderno especial, apresentada uma coletnea de technical papers redigidos pelo departamento competente de algumas grandes empresas atuando neste ramo especfico. alguns deles so mais tcnicos, enquanto outros tm um discreto toque promocional. aditivos & ingredientes no interferiu no contedo nem na redao dos artigos, somente tentou dar uma apresentao grfica mais amigvel. o leitor poder tambm observar que, fiis aos nossos princpios, a publicao destas matrias no foi vinculada publicao de anncios.

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  • anos 1940. Sua e EUA introduziram a iodizao do sal no incio dos anos 20, muitos pases agora adicionam vitamina A e D ao leite e margarina.

    ALgunS nmEroS munDIAIS

    Cada dia que passa nos surpre-ende fatos e nmeros sobre a fome oculta: 2 milhes de crianas podem mor-

    rer desnecessariamente a cada ano por falta de vitamina A, zinco e outros nutrientes.

    18 milhes de bebs nascem com algum distrbio mental a cada ano, devido deficincia de iodo.

    A deficincia de ferro prejudica a sade e energia de 40% das mulhe-res no mundo em desenvolvimento. A anemia grave mata mais de 50 mil mulheres por ano durante o parto.

    A carncia de micronutrientes pode chegar a reduzir o PIB de um pas em 2% a 3%;

    As deficincias de vitaminas e minerais so responsveis por aproximadamente 7,3% das doen-as globais.

    As deficincias de ferro, vitamina A e zinco esto no ranking das 10 principais causas de morte por doenas em pases em desenvol-vimento.

    A carncia de iodo a maior causa individual do mundo de retardo mental e danos cerebrais - redu-zindo a capacidade intelectual por 10% a 15%.

    PIonEIrA DA fortIfICAo

    Como pioneira da fortificao de alimentos bsicos nos pases em desenvolvimento, a Amrica Latina tem feito grandes progressos na preveno e eliminao da fome oculta. A fortificao da farinha de trigo com ferro e vitaminas do complexo B comum na regio, en-quanto a fortificao do acar com vitamina A obrigatrio em todos os pases da Amrica Central e est sendo considerada em muitos outros

    Em 1993, a Venezuela comeou a fortificao de farinha de milho pr-cozida e farinha de trigo, estes dois cereais cobrem 45% da ingesto calrica da populao objetivo. Esta medida melhorou significativamente a adequao de micronutrientes da populao venezuelana (veja Figura 2) e diminuiu a prevalncia de de-ficincia de ferro e anemia entre as crianas pobres da cidade de Caracas (veja Figura 3).

    Na dcada de 1990, a Amrica Central revisou a lei de forti-ficao de farinha de trigo, in-cluindo cido flico e vitaminas B1 e B2, niacina e ferro, e tam-bm alterando a fonte de ferro de ferro reduzido para fumarato ferroso. Posteriormente, um padro regional centroameri-cano foi estabelecido em 2002. Colmbia, Bolvia e Equador comearam a fortificao de fa-rinha de trigo com as vitaminas B1 e B2, niacina, cido flico e ferro em 1996. Em 2010, aps

    muitos anos de um acordo de cavalheiros de sucesso entre o governo e a indstria, o Mxico finalmente introduziu a fortifi-cao obrigatria das farinhas de trigo e milho.

    LDErES nA fortIfICAo Do ACAr E Do Arroz

    Costa Rica e Guatemala comearam a fortificar a-car com vitamina A em 1974, devido comprovao da defi-cincia desta vitamina atravs de estudos de consumo ali-mentar e testes bioqumicos; o acar era o nico alimento bsico consumidor por todos os grupos alvo nestes pases em questo. No perodo de dois anos, a prevalncia da de-ficincia, com base nos nveis de retinol plasmtico (me-nos a10mg/100ml) em crianas da Guatemala, j reduziu de 3,3% para valores abaixo de 0,2% (veja Figura 4).

    As mes que amamen-tam que consumiram acar fortificado passa-ram, atravs de seu leite, a quantidade adequada da vitamina para seus lactantes. Uma outra des-coberta surpreendente aps a fortificao do acar com vitamina A foi a melhora nutricional do ferro (veja Figura 5). Atualmente, ampla-mente constatado que o ferro no pode ser absor-vido, transportado e me-tabolizado otimamente se h uma deficincia de vitamina A e de outras vitaminas.

    A Costa Rica foi o primeiro pas do mundo a regulamentar por lei um programa nacional de fortificao de arroz.

    pases. Atualmente, cada pas da regio tem fortificado pelo menos um alimento bsico que consu-mido amplamente, alm do sal j fortifi-cado (veja tabela na pgina 62).

    O Chile j forti-ficava, em 1951, a farinha de trigo com as vitaminas B1 e B2, niacina e o mineral ferro. A baixa pre-valncia de anemia no pas em 2001 (crianas e adoles-centes: 1%; adoles-centes grvidas no primeiro trimestre: 2%; mulheres em idade frtil: 10%) foi atribuda em parte a esta iniciativa. En-tretanto, as crian-as menores de dois anos, cujo consumo de farinha de trigo insignificante, no se beneficiaram at 1999, quando ini-ciou um programa de suplementao alimentar com base na fortificao do leite. Aps a implementao da fortificao de farinhas com cido flico em 2000, o Chile tambm tem apresentado uma reduo acentuada na incidncia de defeitos do tubo neural (NTDs, de acordo com sua sigla em Ingls), e riscos vitais (veja Figura 1), alm de uma reduo nos nveis de homocistena no sangue, que um marcador de doenas car-diovasculares.

    Desde 2006, exige que as vitaminas E, B1 e B2, cido flico, niacina, zinco e selnio so adicionados ao arroz.

    O Panam seguiu este exemplo e o congresso aprovou uma lei reque-rendo fundos oficiais para iniciar o programa em 2009. Equador e a Repblica Dominicana esto imple-mentando ou considerando a possibi-lidade de introduzir vrios programas de fortificao.

    ABErturA PArA novAS ABorDAgEnS

    Reconhecendo que a alimentao complementar pode ser um excelen-te veculo para os micronutrientes, a Amrica Latina tem implementado um sistema amplo de alimentao complementar nas ltimas duas dcadas. No programa de merenda escolar no Peru, que comeou em 1993, as crianas recebem diaria-mente 100 g de biscoitos fortifica-dos com vitaminas B1, B2 e niacina, ferro e 250 mL de substituto de leite

    FIGURA 2 - A AdeqUAo de nUtRIentes de bAIxo vAloR scIo-econmIco dA popUlAo venezUelAnA FoI sIGnIFIcAtIvAmente mAIoR Aps A FoRtIFIcAo de FARInhA de mIlho pR-cozIdA e FARInhA de tRIGo.

    FIGURA 1 - A pRevAlncIA de deFeItos do tUbo neURAl cAIU 40% no chIle Aps A FoRtIFIcAo de FARInhAs com cIdo FlIco

    FIGURA 3 - A FARInhA de tRIGo e de mIlho FoRtIcAdAs bAIxoU pelA metAde A deFIcIncIA de FeRRo e AnemIA em 307 cRIAnAs de GRUpos scIo-econmIcos bAIxos em

    FIGURA 4 - A FoRtIFIcAo de AcAR bAIxoU A pRevAlncIA dos nveIs de RetInol em

  • ESPECIAL BEBIDAS

    Programas de fortificao na amrica Latina

    Pas alimento Bsico fortificado* micronutrientes agregados

    Argentina O Farinha de Trigo B1, B2, cido flico, niacina, ferro

    Bolvia O Farinha de Trigo B1, B2, cido flico, niacina, ferro

    BrasilO Farinha de Trigo cido flico, ferro

    O Farinha de Milho cido flico, ferro

    ChileO Farinha de Trigo B1, B2, cido flico, niacina, ferro

    O Margarina A

    ColombiaO Farinha de Trigo B1, B2, cido flico, niacina, ferro

    O Margarina A

    Costa Rica

    O Farinha de Trigo B1, B2, cido flico, niacina, ferro

    O Farinha de Milho B1, B2, cido flico, niacina, ferro

    O Acar A

    O Arroz E, B1, B2, cido flico, niacina, zinco, selnio

    O Leite A, ferro, cido flico

    Cuba O Farinha de Trigo B1, B2, B6, cido flico, niacina, ferro

    Repblica Dominicana O Farinha de Trigo B1, B2, cido flico, niacina, ferro

    EquadorO Farinha de Trigo B1, B2, cido flico, niacina, ferro

    O Margarina A

    El Salvador

    O Farinha de Trigo B1, B2, cido flico, niacina, ferro

    O Farinha de Milho B1, B2, cido flico, niacina, ferro

    O Acar A

    V Margarina A

    Guatemala

    O Farinha de Trigo B1, B2, cido flico, niacina, ferro

    P Farinha de Milho B1, B2, cido flico, niacina, ferro

    O Acar A

    HondurasO Farinha de Trigo B1, B2, cido flico, n