Coleção Gestão Empresarial - A Economia Na Prática

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  • livro08_01-05 31.08.06 15:44 Page 3

  • A Economia na Prtica

    COLEO

    Como entender o mercado

    GESTO EMPRESARIALEficincia e Sucesso para seus Negcios

    livro08_01-05 31.08.06 15:44 Page 2

  • SUMRIO

    Apresentao ............................................................................. 5

    Captulo 1Economia na ponta do lpis ...................................................... 6

    Captulo 2Demanda e oferta .................................................................... 10

    Captulo 3Causas e efeitos da inflao .................................................... 28

    Captulo 4Juros, emprstimo e crdito .................................................... 40

    Captulo 5O PIB e seu negcio ................................................................ 54

    Captulo 6Exportaes e importaes ..................................................... 68

    Captulo 7Altos e baixos do Brasil ............................................................ 74

    Sobre a autora ......................................................................... 94Referncias .............................................................................. 95

    livro08_01-05 31.08.06 15:44 Page 3

  • Coleo Gesto EmpresarialComo motivar sua equipe Publicado

    Como garantir a eficincia Publicado

    Como deixar as contas em dia Publicado

    Como cuidar de seu dinheiro Publicado

    Como gerenciar pessoas Publicado

    Como vender seu peixe Publicado

    Como planejar o prximo passo Publicado

    Como entender o mercado Publicado

    Como usar a matemtica financeira Prximo

    Como ser um empreendedor de sucesso A publicar

    livro08_01-05 31.08.06 15:44 Page 4

  • APRESENTAO

    Para seu empreendimento prosperar, no basta ter dinheiro para

    investir. preciso saber como, quando e onde investi-lo. Da

    mesma forma, no basta ter clientes hoje. necessrio projetar

    como ser o comportamento do mercado amanh.

    Como entender o mercado A Economia na Prtica funciona

    como guia de referncias bsicas sobre a economia brasileira para

    que o pequeno e mdio empreendedores entendam as nuances

    que podem fazer a diferena no sucesso do negcio.

    Tudo de uma forma clara, com uma linguagem simples e, ao

    mesmo tempo, envolvente.

    A Coleo Gesto Empresarial foi especialmente desenvolvida

    para auxili-lo a aprimorar a gesto de seus negcios. Elaborados

    e supervisionados por especialistas, os livros visam proporcionar

    conhecimento em Finanas, Contabilidade, Marketing, Recursos

    Humanos, Planejamento Estratgico e em muitos outros temas

    fundamentais para a administrao eficaz do negcio prprio.

    livro08_01-05 31.08.06 15:44 Page 5

  • ECONOMIA NA PONTA DO LPIS

    Como empreendedor, por

    que preciso conhecer os

    conceitos de economia?

    Como este livro vai ajudar

    meus negcios?

    1

    6

    Economia um tema com o qual a

    maioria das pessoas tm pouca

    familiaridade, mesmo sendo afeta-

    das diretamente por ela no dia-a-

    dia. Portanto, no pense que voc

    o nico a navegar com dificulda-

    des num mundo que parece ser

    formado exclusivamente por nme-

    ros, conceitos e siglas que tentam

    explicar o vaivm econmico.

    De longe, tudo parece complicado.

    Mas voc vai ver que de perto no

    um bicho-de-sete-cabeas. Os

    conceitos esto bem relacionados

    com dinmicas que qualquer um

    de ns vive todos os dias.

    Por que os preos sobem? Como

    empreendedor, a quais aspectos

    devo ficar atento? Por que o gover-

    no aumenta ou reduz os juros?

    Qual a importncia do comrcio

    internacional? Como o Brasil se

    comporta em busca da almejada

    estabilidade econmica?

    O objetivo deste livro responder

    a perguntas como essas por meio

    de uma linguagem didtica para

    que, ao final da leitura, os princi-

    pais conceitos de economia passem

    a fazer sentido para voc e sejam

    teis para seu empreendimento.

    Para comear, vamos discorrer

    sobre os objetivos das polticas eco-

    nmicas. Em tese, a economia no

    livro08_06-09 25.08.06 17:04 Page 6

  • 7tem mistrio, uma vez que seu

    objetivo geral promover o cresci-

    mento da produo e dos empre-

    gos e melhorar a vida das pessoas,

    os agentes e objetos diretos das

    polticas econmicas.

    Alis, por causa de nosso bolso

    que voltamos a ateno para

    assuntos econmicos principal-

    mente ao considerar que no Brasil

    o funcionamento da economia no

    um exemplo de perfeio.

    Faltam empregos, h grande con-

    centrao de renda e o crescimen-

    to da produo de bens e servios,

    que compem o chamado Produto

    Interno Bruto (PIB), tmido.

    Logo conclumos que, para ns, as

    questes econmicas esto mais

    ligadas a nosso bem-estar do que

    compreenso dos objetivos ou con-

    ceitos em si.

    No ponto de vista do governo

    que se situa o n econmico.

    No fcil encontrar o ponto de

    equilbrio entre o bem-estar geral

    da populao e a manuteno das

    contas do Pas em dia, com a meta

    de atingir supervit fiscal, gastar

    menos do que a arrecadao.

    Para tentar encontrar o ponto de

    equilbrio, o governo tem em mos

    determinados instrumentos, como:

    Poltica monetria, com a qual

    controla o crdito ou o tanto de

    dinheiro que circula na economia.

    O estabelecimento da taxa de

    juros o principal instrumento das

    polticas monetrias.

    Poltica fiscal, pela qual h

    aumento ou reduo de impostos,

    constante alvo de crtica do empre-

    sariado brasileiro, que considera a

    carga tributria do Pas abusiva. A

    poltica de gastos pblicos, que

    define os investimentos e gastos

    do governo, tambm faz parte da

    poltica fiscal.

    Poltica cambial e comrcio exte-

    rior, que define os pilares das tran-

    saes comerciais entre os pases.

    Poltica de rendas, que estabele-

    ce os critrios de reajuste de pre-

    os e salrios.

    livro08_06-09 25.08.06 17:04 Page 7

  • 8mveis sofisticados e um tanto

    de gente querendo vender as

    empresas , surge o preo. A preci-

    ficao dos bens econmicos ,

    portanto, o objeto da microecono-

    mia. O captulo 2 explicar quais

    so as regras tericas desse movi-

    mento de demanda e oferta.

    Outros captulos do livro situam as

    principais questes da macroeco-

    nomia, o terreno no qual os

    governos atuam para fazer com

    que as dinmicas da relao com-

    prador-vendedor, caracterstica da

    microeconomia, funcionem sem

    maiores sobressaltos para a estru-

    tura econmica geral.

    Por exemplo: a procura por deter-

    minado bem pode ser to maior

    do que a oferta, terreno da micro-

    economia, de modo que haja uma

    presso grande nos preos capaz

    de dar incio a um processo infla-

    cionrio. A inflao, como vere-

    mos no captulo 4, um dos fan-

    tasmas da economia. Esto nas

    mos das polticas pblicas, no

    campo da macroeconomia, os ins-

    trumentos para frear a ameaa

    Para nos localizarmos como agen-

    tes e objetos das dinmicas econ-

    micas, bom explicar a diviso da

    economia em seus dois segmentos:

    micro e macroeconomia.

    Micro e macroeconomia

    Na microeconomia onde nos

    relacionamos. Esse segmento da

    economia diz respeito ao compor-

    tamento dos consumidores e das

    empresas, fabricantes de bens e

    prestadores de servios. Da rela-

    o entre essas partes, surgem os

    movimentos de procura e oferta e

    a formao dos preos.

    Do lado da demanda, indivduos e

    famlias com necessidades de con-

    sumo diversas e, em muitos casos,

    limitados pela renda; do lado da

    oferta, empresas produtoras, s

    vezes tambm com recursos escas-

    sos de produo, tendo de traba-

    lhar de forma a atender quelas

    necessidades de quem procura por

    seus produtos e servios.

    Nesse jogo entre um tanto de

    gente querendo comprar seja o

    alimento de cada dia, sejam auto-

    livro08_06-09 25.08.06 17:04 Page 8

  • 9inflacionria. No Brasil, o mais

    tradicional instrumento para

    conter a inflao o aumento

    das taxas de juros.

    Apenas por esses primeiros ele-

    mentos, possvel concluir que o

    mundo da economia , por natu-

    reza, um universo de contradies

    contradies de objetivos e con-

    tradies das prprias medidas em

    si. A alta das taxas de juros, por

    exemplo, desestimula o consumo

    e, portanto, o processo inflacion-

    rio ao mesmo tempo que inibe os

    investimentos. Sem investimentos,

    no h crescimento econmico,

    nem aumento de empregos e

    muito menos possibilidade de

    melhorias na distribuio de

    renda, entre outros.

    Em muitos momentos, optar por

    um caminho para atingir determi-

    nado objetivo significa sacrificar

    parte dos outros. De nossa parte,

    como donos de empresas ou can-

    didatos a empreendedor, o impor-

    tante conhecer minimamente

    esses movimentos para fazer

    nosso negcio prosperar.

    O que voc viu no captulo 1

    > O panorama geral do universo damicro e da macroeconomia.1

    > A importncia de conhecer conceitoseconmicos para administrar seu negcio.2

    livro08_06-09 25.08.06 17:04 Page 9

  • DEMANDA E OFERTA

    Qual o melhor posicionamento

    de meu negcio num mercado

    de alta competitividade? Quais

    os pontos a observar em um

    planejamento empresarial?

    2

    10

    Como vimos no captulo 1, a

    microeconomia trata do compor-

    tamento dos consumidores e das

    empresas em seus mercados.

    Procura identificar, de um lado, as

    razes que levam pessoas a com-

    prarem determinado produto e a

    pagarem certo valor por ele; e, de

    outro, o que leva uma empresa a

    produzir maior ou menor quanti-

    dade de uma mercadoria e de que

    forma seus preos so determina-

    dos. Considera tambm as tecno-

    logias de produo das empresas

    e os tipos de mercados nos quais

    elas e os consumidores atuam.

    Um dos pontos importantes dessa

    relao consumidor-produtor a

    teoria da demanda. Qualquer pes-

    soa, mesmo que no seja especialis-

    ta em economia, j ouviu a frase

    Quanto maior a procura, maior o

    preo. Essa expresso familiar sin-

    tetiza a relao das foras oferta e

    demanda, localizadas numa espcie

    de jogo em que o flego de um

    lado interfere nas aes do outro.

    Se h muitos consumidores vidos

    por comprar um mesmo produto e

    no existem unidades suficientes

    para atender todos, a tendncia

    o preo do bem subir. Se os preos

    sobem demais, diminui o nmero

    dos interessados em compr-lo.

    Quem decidir investir numcarrinho de cachorro-quentedeve saber primeiramenteonde ser seu ponto-de-venda, qual a quantidade de po e salsicha a ser comprada para atender procura diria, que preo cobrar.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 10

  • 11

    Por outro lado, se h um excesso

    de produtos nas prateleiras ou em

    estoque sem consumidores interes-

    sados em adquiri-los, a tendncia

    o preo deles cair. o desejo do

    consumidor e sua disposio de

    compra que devem orientar as

    decises de produzir. O empreen-

    dedor precisa ficar atento para

    decidir o que e quando produzir,

    onde ofertar e quanto cobrar.

    Quem decidir investir num carri-

    nho de cachorro-quente deve

    saber primeiramente onde ser seu

    ponto-de-venda, qual a quantida-

    de de po e salsicha a ser compra-

    da para atender procura diria,

    que preo cobrar, considerando

    que nas imediaes h outras

    opes de refeio.

    Mas quais fatores interferem no

    fato de o consumidor demandar

    ou desejar mais ou menos determi-

    nado produto?

    aqui que a teoria da demanda

    tenta responder e sistematizar a

    chamada lei da demanda. Claro

    que no h um nico fator respon-

    svel pela demanda maior ou

    menor por um produto.

    A preferncia do consumidor, o

    preo do produto comparado a de

    outros do gnero, a renda, a dis-

    ponibilidade de crdito, as polti-

    cas de incentivo ou a restrio ao

    consumo so fatores que se inter-

    relacionam e fazem com que, ao

    fim do ms, cada setor da econo-

    mia tenha tido certo resultado e

    vendido mais ou menos.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 11

  • 12

    de suficiente para todos que que-

    riam levar melo e blablabl.

    Mas quem manda o bolso da

    dona de casa, que decide levar

    abacaxi em vez de comprar melo.

    Afinal, o que ela tem condies

    de comprar com seus 10 reais.

    O preo do melo para o consumi-

    dor final subiu porque o caminho

    ficou atolado na estrada e o preo

    na central distribuidora tambm

    aumentou, num tpico movimento

    da lei de oferta, que veremos

    adiante. A dona de casa, no

    entanto, reagiu dentro de suas

    possibilidades, principalmente de

    renda. Com a mesma quantidade

    de dinheiro, optou por levar pro-

    dutos mais baratos e que ela

    pudesse comprar em quantidade

    suficiente para servir famlia.

    Se ela dispusesse de mais dinheiro

    do que na primeira semana, talvez

    levasse o produto sem se incomo-

    dar com o preo ou talvez at

    optasse por uma fruta mais sofisti-

    cada, j que parte de sua renda

    destinada aquisio do bem

    frutas estava maior.

    Lei da demanda

    A lei da demanda se baseia na

    relao entre preos e quantida-

    des de mercadorias ou servios.

    Essa relao se estabelece de

    forma inversamente proporcional.

    Veja por que: quanto maior o

    preo do produto, menor a

    quantidade que os consumidores

    vo poder ou querer comprar.

    Imagine que uma dona de casa

    encontre melo, sua fruta preferi-

    da, a 5 reais na feira. Ela resolve

    levar dois. Na semana seguinte,

    vai mesma barraca e constata

    que a fruta subiu para 7 reais.

    O feirante pode at explicar que o

    preo do melo aumentou porque

    a chuva impediu que um carrega-

    mento chegasse ao centro de dis-

    tribuio, onde ele se abastece de

    frutas, e ali o preo j estava

    maior, porque no havia quantida-

    Produtos so concorrentes ousubstitutos quando, diante doaumento do preo de um,sobe a demanda pelo outro.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 12

  • 13

    Complementar ou concorrente

    Em relao procura por um pro-

    duto e seu condicionamento ao

    preo de outros similares, pode-

    mos classificar os bens como com-

    plementares ou concorrentes.

    So complementares quando o

    aumento do preo de um bem

    determinar a queda da procura

    por outro. Por exemplo: se os pre-

    os de computadores subirem,

    ser menor a procura por seus

    programas. Ou, mesmo, se tiver

    aumento nos preos dos pacotes

    de viagem para o Carnaval do Rio

    de Janeiro, haver queda no

    movimento do setor de turismo

    como um todo naquele feriado.

    Os produtos so concorrentes ou

    substitutos quando, diante do

    aumento do preo de um, sobe a

    demanda pelo outro.

    o caso do melo e do abacaxi.

    Ou, ainda, se o preo do po de

    queijo subir no bar onde o cliente

    toma um cafezinho todos os dias,

    ele pode optar pelo po de batata

    se o preo deste for mantido.

    Agora, digamos que o dono da

    barraca de melo encerrou seu

    expediente na feira vendendo

    apenas metade da quantidade da

    fruta, porque muitos de seus clien-

    tes cativos resolveram trocar o

    melo pelo abacaxi a ponto de

    esta fruta acabar nas primeiras

    horas. Na semana seguinte, se o

    preo do melo ainda estiver alto

    na hora da compra, o feirante

    deve levar menos melo e mais

    abacaxi, porque j sabe que a 7

    reais os consumidores no vo

    quer-lo. Para um empreendedor,

    a compreenso desses movimentos

    sutis do mercado, seja vendendo

    melo, carros ou computadores,

    de extrema importncia.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 13

  • 14

    Elasticidade

    Outro conceito econmico que

    contribui para a anlise da deman-

    da e as decises empresariais o

    de elasticidade da demanda.

    O termo elasticidade da deman-

    da que tambm pode ser esten-

    dido para elasticidade da oferta

    a relao entre as diferentes

    quantidades demandadas (ou ofer-

    tadas) de um produto em funo

    das alteraes de seus preos ou da

    renda do consumidor.

    Sob o conceito de elasticidade-

    preo da demanda, qualquer mer-

    cadoria pode ser classificada como

    bem de demanda:

    Inelstica.

    Elstica.

    Inelstica

    Os bens de demanda inelstica so

    aqueles de primeira necessidade,

    indispensveis, dos quais os consu-

    midores no abrem mo, mesmo

    diante do aumento do preo ou do

    barateamento de outros produtos.

    A gasolina um bem de demanda

    inelstica. Trata-se do combustvel

    da maioria dos veculos, e o consu-

    midor que tem um carro movido a

    gasolina pode at reduzir o consu-

    mo, mas no substitu-lo.

    Ento, a percentagem de queda no

    consumo menor do que a percen-

    tagem do aumento do preo.

    Outras caractersticas fazem com

    que o produto tenha uma deman-

    da inelstica: falta de similares,

    casos em que o consumidor valori-

    za o desempenho do produto, pro-

    duto diferenciado ou sob medida,

    fidelidade marca, entre outros.

    Elstica

    J os bens de demanda elstica so

    aqueles que no se consideram

    indispensveis ou que podem ser

    substitudos por similares.

    Sua demanda declina substancial-

    mente com o aumento do preo, e

    o percentual da queda ser maior

    do que o percentual do aumento

    de preos. Haver, portanto, queda

    na receita da empresa.

    Os bens de luxo so um exemplo

    clssico de bens com demanda els-

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 14

  • 15

    tica. Esse conceito, porm, abarca

    uma vasta gama de bens e servios.

    Variao de renda

    Para um vendedor ou empreende-

    dor, muito relevante o fato de se

    trabalhar com um bem ou servio

    de demanda elstica ou no.

    A elasticidade serve de base para a

    poltica de preos e para estabele-

    cer a estratgia de vendas.

    A elasticidade-renda ocorre diante

    da variao de renda do consumi-

    dor, e sob esse conceito os bens

    podem ser classificados como:

    Normais.

    Inferiores.

    De luxo.

    De primeira necessidade.

    Normais

    O produto que registra aumento de

    demanda quando h crescimento

    de renda chamado bem normal.

    Inferiores

    O produto que apresenta queda de

    demanda quando a renda aumenta

    o bem inferior. Nesse caso, os

    consumidores tendem a querer

    bens melhores se tiverem mais

    recursos disponveis.

    De luxo

    Os bens de luxo so aqueles que

    registram aumento de demanda

    acentuado quando a renda do con-

    sumidor cresce.

    De primeira necessidade

    Os bens de primeira necessidade

    quase no apresentam alterao de

    demanda conforme a variao da

    renda. Como se trata de produtos

    realmente necessrios, j faziam

    parte do consumo mnimo das

    famlias e dos indivduos.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 15

  • 16

    Lei da oferta

    Enquanto a lei da demanda descre-

    ve o comportamento dos compra-

    dores, a lei da oferta trata do com-

    portamento dos vendedores, que

    variam sua disposio de vender

    mais ou menos um produto a

    determinado preo.

    Diante das variaes do preo e da

    renda, os vendedores possuem uma

    atitude diferente da dos compra-

    dores. Se o aumento de preo

    desestimula os consumidores a

    comprarem, j os vendedores e

    fabricantes ficam animados a pro-

    duzirem e a venderem mais.

    Quando o preo de um produto

    cai, mantidos os custos da produ-

    o, h tambm uma queda da

    margem de lucro, e os vendedores

    concentraro seus esforos na pro-

    moo de produtos que apresen-

    tem maior lucratividade.

    A oferta influenciada tambm

    por fatores como tecnologia de

    produo, preos dos insumos,

    nmero de concorrentes no merca-

    do, subsdios ou tributos usados

    pelo governo para regular o mer-

    cado. O mote que rege essa situa-

    o conhecido por todos: se o

    preo de um bem sobe, aumenta a

    quantidade desse bem ofertada no

    mercado. a lei da oferta.

    Elasticidade

    A elasticidade-preo da oferta de

    um produto apresenta comporta-

    mento bastante diverso no curto e

    no longo prazo.

    Na maioria das vezes, ela mais

    elstica no longo prazo, pois, nesse

    caso, as empresas tm mais tempo

    de se organizar e se adaptar para

    aumentar a produo e a oferta de

    um produto que passou por uma

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 16

  • 17

    elevao de preo.

    Muitas vezes, a elasticidade res-

    trita pela falta de investimentos,

    sobretudo no curto prazo. Porm,

    os empresrios podem amenizar

    esse quadro com o aumento de um

    turno de trabalho ou pagando

    hora-extra.

    H setores em que a oferta extre-

    mamente inelstica no curto prazo,

    como o da construo civil.

    Apartamentos e casas demandam

    um tempo predeterminado de

    construo, independentemente de

    a procura ser enorme ou os preos

    dos imveis alcanarem as alturas.

    Equilbrio de mercado

    Os preos no mercado tendem a

    chegar a um valor que equalize as

    quantidades ofertadas e as deman-

    das de um produto.

    A dinmica do equilbrio funciona

    da seguinte forma: para qualquer

    nvel de preo mais alto, haver um

    excesso de oferta de bens, o que

    estimula uma queda nos preos

    praticados no mercado. Por sua

    vez, com qualquer nvel de preo

    abaixo do de equilbrio, os indiv-

    duos passam a consumir mais,

    aumentando a demanda, e, por

    conseqncia, os preos.

    Mercado e limitao tecnolgica

    D-se o nome de mercado rela-

    o entre a oferta o desejo de

    vender bens e servios e a procu-

    ra o desejo de comprar os mes-

    mos bens ou servios. Assim, toda

    vez em que esto presentes a com-

    pra e a venda de algum bem uma

    situao de mercado. Juntamente

    com as limitaes tecnolgicas de

    produo, o mercado um ele-

    mento que, de certa forma, restrin-

    ge a maximizao do lucro, confor-

    me veremos a seguir.

    Muitas vezes, a elasticidade restrita pela falta de investimentos, sobretudo no curto prazo. Porm, osempresrios podem amenizaresse quadro com o aumentode um turno de trabalho oupagando hora-extra.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 17

  • 18

    Como o prprio mercado restringe

    a obteno de lucro? Fcil: se no

    houvesse restrio, uma empresa

    poderia vender uma quantidade

    fabulosa de um bem ou produto

    por um preo exorbitante, fazendo

    o empresrio chegar rapidamente

    ao maior lucro possvel. Porm,

    diante da restrio de mercado,

    numa situao hipottica, uma

    empresa at poderia produzir o

    quanto quisesse, mas s seria capaz

    de vender a quantidade que seus

    consumidores quisessem comprar.

    Quanto s restries da tecnologia

    de produo, esses fatores so rela-

    tivos ao desempenho de equipa-

    mentos e oferta de insumos que,

    por exemplo, impem um limite

    em sua capacidade de produo.

    Estrutura da concorrncia

    Na economia, a concorrncia um

    mecanismo de organizao dos

    mercados e uma forma de regular

    o preo e a quantidade de equil-

    brio de produtos e servios.

    Em relao ao tipo de concorrncia

    possvel ou mesmo sua existncia

    ou no, o mercado se divide em

    diferentes tipos de estruturas.

    Entre eles, destacam-se:

    Mercados de concorrncia perfeita.

    Monoplio.

    Oligoplio.

    Cabe ressaltar que os conceitos

    acima so idealizados, sobretudo o

    que trata da concorrncia perfeita.

    Porm, vale a pena ter uma breve

    noo sobre eles.

    Mercados de concorrncia perfeita

    Um ambiente no qual existam

    tanto compradores quanto vende-

    dores, de modo que nenhuma das

    partes exera influncia sobre o

    preo, o chamado mercado de

    concorrncia perfeita.

    A oferta, a demanda e opreo de um produto numasituao de concorrnciaperfeita so determinadospelo mercado. Cada empresaaceitar o preo como umdado fixo.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 18

  • 19

    As caractersticas desse tipo de

    mercado so:

    Homogeneidade do produto.

    Transparncia do mercado.

    Liberdade de entrada e sada

    de empresas.

    A homogeneidade do produto

    ocorre quando no h diferenas

    significativas entre os produtos de

    diferentes fabricantes. Se no mer-

    cado de cera de pisos de madeira,

    por exemplo, todas as marcas

    caracterizam-se por oferecer um

    produto com cheiro forte e difcil

    de espalhar, ento nenhuma delas

    conta com um diferencial que ala-

    vanque suas vendas em detrimento

    das vendas da concorrente. O

    preo de todas ser similar.

    Numa situao de transparncia do

    mercado, supe-se que todos os

    participantes tm pleno conheci-

    mento das condies gerais em que

    opera o mercado. Nenhum dos

    fabricantes de cera fica sabendo

    antecipadamente do aumento do

    preo de um de seus insumos para

    fazer um estoque antes de seus

    concorrentes. Para a concorrncia

    continuar sendo perfeita, neces-

    srio que uma nova fbrica de cera

    no encontre dificuldades para

    comear a operar e a vender seus

    produtos no mercado.

    A oferta, a demanda e o preo de

    um produto numa situao de con-

    corrncia perfeita so determina-

    dos pelo mercado. Cada empresa

    aceitar o preo como um dado

    fixo sobre o qual no pode influir.

    A partir desse preo, cada uma pro-

    duzir a quantidade estabelecida

    por seus custos de produo. As

    margens de lucro das diferentes

    empresas tendem a ser iguais.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 19

  • 20

    Monoplio

    No monoplio, o cenrio outro.

    Nesse tipo de mercado, a estrutura

    econmica composta de apenas

    um vendedor e muitos comprado-

    res. Dessa forma, o preo de venda

    ser determinado pelo vendedor.

    A regra geral : o preo ser maior

    do que o preo de mercado em

    concorrncia perfeita, e o nvel de

    produo inferior. Os consumidores

    sairo perdendo diante das amplas

    possibilidades de lucro da nica

    empresa vendedora.

    Oligoplio

    Consiste na forma de mercado em

    que existem poucos vendedores e

    um grande nmero de comprado-

    res, de forma que os primeiros

    exercem grande controle sobre os

    preos dos produtos.

    Se no houver produtos similares

    importados, fica muito difcil para

    os consumidores terem qualquer

    influncia sobre os preos.

    Nesse cenrio, a fatia de mercado

    de cada fabricante bastante

    determinada, estabelecida numa

    relao de interdependncia entre

    as organizaes.

    Essa interao comercial pode at

    dar origem a um cartel, que o

    acordo entre empresas visando a

    fixao de preos e, eventualmen-

    te, fatias de mercado, anulando a

    evoluo dos preos pela lei da

    oferta e procura.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 20

  • 21

    Da teoria prtica

    Em meio a essas estruturas de

    mercado, os empreendedores tam-

    bm devem conhecer detalhes do

    mercado consumidor, concorrente

    e fornecedor. So tpicos que tra-

    tam das orientaes voltadas para

    o empreendedor que viro nos

    pontos a seguir.

    Descritos alguns dos conceitos

    bsicos de microeconomia, veja-

    mos a partir de agora questes

    mais prticas e, ao mesmo tempo,

    fundamentais para orientar as

    estratgias de um empreendedor.

    Afinal, no podemos esquecer que

    o Brasil registra uma taxa de mor-

    talidade empresarial bastante ele-

    vada. O ndice chega a 49,4% entre

    as empresas com at dois anos de

    existncia e de 56,4% entre as que

    tm at trs anos. A porcentagem

    das que no sobrevivem quatro

    anos de 59,9%.

    Tipos de mercado

    Vamos conhecer os trs mercados

    com os quais o empreendedor lida

    no dia-a-dia:

    Mercado consumidor.

    Mercado fornecedor.

    Mercado concorrente.

    Mercado consumidor

    O objetivo de estudar o mercado

    consumidor identificar os prov-

    veis compradores e clientes de seu

    negcio, suas necessidades e seu

    poder de compra.

    Com base nessa caracterizao,

    torna-se mais fcil agir para aten-

    d-lo, sabendo o que produzir ou

    vender, qual a demanda potencial

    para o produto e qual o local ade-

    quado para seu negcio.

    O Brasil registra uma taxa de mortalidade empresarial bastante elevada. O ndicechega a 49,4% entre asempresas com at dois anos de existncia e de56,4% entre as que tm attrs anos. A porcentagemdas que no sobrevivem quatro anos de 59,9%.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 21

  • 22

    Mercado fornecedor

    formado pelo conjunto de

    empresas que fornecem equipa-

    mentos, mquinas, matria-prima,

    mercadorias e outros materiais

    necessrios ao funcionamento de

    qualquer negcio.

    Para exemplificar, vamos analisar o

    dia-a-dia de um restaurante, um

    ramo de atividade que precisa lidar

    com diversos fornecedores.

    s vezes, o mercado fornecedor do

    produto principal de um restauran-

    te pode se concentrar numa cidade

    do interior de difcil acesso.

    Digamos que os fabricantes de

    um delicioso tipo de lingia, que

    caiu no gosto da clientela do

    restaurante, morem na zona rural

    de uma pequena cidade sem

    estrada asfaltada. De posse dessa

    informao, o empreendedor ter

    de escolher entre:

    Criar condies para manter o

    fluxo da entrega da mercadoria.

    Aprender a fazer a lingia por

    conta prpria.

    Adaptar seu cardpio.

    Ou seja, o dono do restaurante

    precisa bolar uma estratgia. Do

    mesmo modo, faz uma grande

    diferena saber se seu fornecedor

    de matria-prima trabalha numa

    estrutura de oligoplio, com ampla

    margem de manipulao dos pre-

    os. Se assim for, deve-se estudar a

    busca por produtos importados

    caso seja possvel. Como?

    Para responder, vamos analisar

    outro exemplo: o ramo grfico.

    Esse tipo de negcio depende do

    fornecimento de papel, um pro-

    duto produzido e distribudo no

    Brasil por meio de uma estrutura

    de mercado oligopolizada. So

    poucas e grandes as empresas que

    comandam os preos no mercado.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 22

  • 23

    Nesse caso, o dono da grfica sabe

    que, por vezes, pode ter margem

    de manobra quando o governo

    reduz a tarifa de importao do

    papel. Assim, torna-se mais vanta-

    joso buscar o produto importado

    em vez de optar pelo nacional.

    Mercado concorrente

    Empresas concorrentes so aquelas

    que oferecem mercadorias ou servi-

    os iguais ou semelhantes aos de

    seu negcio. Sabendo quais so

    essas empresas e onde elas esto,

    deve-se procurar alternativas de

    super-las, com base na avaliao

    dos pontos fortes e fracos seus e

    delas. Com esse mapeamento,

    possvel traar estratgias de como

    operar melhor os processos inter-

    nos e ganhar mercado.

    Domnio da atividade

    Uma pesquisa que mede as taxas

    do empreendedorismo mundial,

    realizada pela Global

    Entrepreneurship Monitor (GEM) e

    divulgada no incio de 2006, reve-

    lou que o Brasil o stimo pas

    mais empreendedor do mundo.

    De acordo com o levantamento

    da GEM, o setor de alimentao

    o principal ramo do empreende-

    dorismo brasileiro, seguido pelo

    setor de vesturio.

    Essas informaes sinalizam que o

    empreendedor que comea uma

    atividade empresarial no Pas

    encontra desde cedo uma forte

    concorrncia. mais um motivo

    para que se planeje bem um neg-

    cio antes de iniciar um projeto por

    conta prpria.

    Para isso, o passo fundamental

    conhecer bem o prprio ramo de

    atividade, alm de dominar nos

    mnimos detalhes o produto ou

    servio que ser oferecido.

    O empreendedor que comeauma atividade empresarialno Pas encontra desde cedouma forte concorrncia. mais um motivo para que seplaneje bem um negcioantes de iniciar um projetopor conta prpria.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 23

  • 24

    Para ilustrar com um exemplo do

    setor mais procurado pelos

    empreendedores brasileiros, o

    ramo de alimentos, vamos verificar

    as condies de produo de ali-

    mentos congelados.

    Primeiramente, o empresrio tem

    de saber que a tcnica de acondi-

    cionamento e display de seus

    produtos no so meros detalhes,

    mas sim requisitos fundamentais

    para sua conservao.

    O tamanho correto das embala-

    gens e a variedade de cardpio

    devem atender s necessidades de

    seu mercado. Essas informaes

    podem ser obtidas, por exemplo,

    com base numa pesquisa entre os

    prprios consumidores.

    Nessa pesquisa pode ser detectado

    que a maior parte do pblico-alvo

    formada por pessoas que moram

    sozinhas e que tendem a optar

    pela praticidade da comida conge-

    lada. possvel descobrir que esses

    consumidores prefiram pores

    unitrias, pequenas quantidades

    sortidas de salgadinhos, entre

    outras particularidades.

    Planejamento operacional

    O empreendedor deve planejar

    muito bem a gesto operacional

    do negcio: qual o trabalho que

    ser feito e quem o far.

    necessrio identificar e estabele-

    cer as etapas do processo de fabri-

    cao do produto e de sua comer-

    cializao, o que inclui a forma de

    prestao do servio e do atendi-

    mento ao cliente. A parte opera-

    cional deve se encarregar da sele-

    o e da organizao do material

    que ser usado e dos equipamen-

    tos necessrios. Se alguma dessas

    questes ficarem sem respostas na

    fase de planejamento, necessrio

    busc-las com urgncia para evitar

    que sejam respondidas quando o

    avio j estiver no ar.

    Nada pode ser realizado semque seja feita uma anlise doscustos da abertura do negcioe dos custos futuros, levando-se em conta investimento emlocal, equipamentos, materiaise despesas diversas.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 24

  • 25

    Produo e vendas

    O mesmo planejamento deve ser

    considerado com variveis como

    projeo do volume de produo,

    de vendas ou de servios.

    Para realizar esses clculos com boa

    margem de preciso, dois itens

    bsicos tm de ser avaliados:

    A capacidade de produo da

    estrutura da qual dispor.

    A necessidade e a procura do

    mercado consumidor por seu tipo

    de servio ou produto.

    Outros fatores

    So diversos fatores que devem ser

    levados em conta para o sucesso de

    um empreendimento, entre eles:

    Equipe

    preciso estabelecer o nmero de

    pessoas necessrias para o tipo e

    volume de trabalho a ser desenvol-

    vido e as qualificaes exigidas.

    Custos

    Nada pode ser realizado sem que

    seja feita uma anlise dos custos da

    abertura do negcio e dos custos

    futuros, levando-se em conta inves-

    timento em local, equipamentos,

    materiais e despesas diversas

    impostos, salrios, encargos traba-

    lhistas e promoo.

    Localizao

    A localizao da empresa merece

    ateno especial, e o melhor lugar

    varia conforme o tipo de negcio.

    Uma avenida com corredor de ni-

    bus pode ser um pssimo lugar

    para uma livraria, devido polui-

    o que estraga os livros e ao baru-

    lho, mas pode ser um timo ponto

    para um estacionamento por conta

    da falta de vagas na via pblica.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 25

  • 26

    Uma ruazinha isolada, por sua vez,

    pode ser o endereo ideal para

    montar um salo de beleza exclusi-

    vo. Porm, no ser adequada para

    uma lanchonete que pretenda ofe-

    recer lanches rpidos e dependa

    fundamentalmente dos passantes.

    Entre outras opes que no sejam

    a rua, o empreendedor tem de ava-

    liar as vantagens e desvantagens

    de espaos como shopping centers,

    galerias e edifcios comerciais.

    Promoo de lanamento

    Por fim, o empreendedor deve

    pensar em algum tipo de promo-

    o do produto ou do servio a ser

    lanado. Para isso, pode utilizar

    instrumentos como propaganda,

    estratgia de relacionamento com

    clientes e preos promocionais.

    Clculo de preo

    Estabelecer preos competitivos de

    servios ou produtos uma etapa

    das mais fundamentais.

    Para isso, imprescindvel que se

    tenha em mos uma estrutura

    minuciosa de custos. Esse clculo

    feito com base nos chamados cus-

    tos fixos e variveis.

    Custos fixos

    So aqueles que no variam com a

    quantidade nem com o ritmo da

    produo. Exemplo: o aluguel do

    estabelecimento comercial.

    Custos variveis

    So os que aumentam ou dimi-

    nuem de acordo com a quantidade

    produzida. Exemplo: a contratao

    de trabalhadores temporrios para

    suprir a demanda em determinada

    poca do ano.

    Toda empresa tem de encontrar

    seu ponto de equilbrio (break-

    even point) por meio da identifi-

    cao das quantidades mnimas

    de produo e vendas que permi-

    Toda empresa tem de encontrar seu ponto de equilbrio (break-even point)por meio da identificaodas quantidades mnimas de produo e vendas.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 26

  • 27

    O que voc viu no captulo 2

    > A lei da demanda e as diferenas entreprodutos complementares e concorrentes.1

    > O conceito de elasticidade de preosna lei da demanda e da oferta.2

    > A influncia da concorrncia e do mercado em seu negcio.3

    > O domnio da atividade e a precifica-o como fatores de sucesso.4

    tam continuar seus negcios de

    maneira lucrativa.

    Entre os objetivos da fixao do

    preo de um produto ou servio,

    podemos destacar:

    A penetrao do produto ou da

    empresa no mercado.

    A seleo de um segmento espe-

    cfico como seu consumidor-alvo.

    A recuperao de caixa por meio

    de preos baixos que permitam um

    rpido retorno financeiro.

    A maximizao dos lucros.

    A promoo do produto por

    meio de descontos e preos

    de lanamento.

    livro08_10-27 31.08.06 15:46 Page 27

  • CAUSAS E EFEITOS DA INFLAO

    O que gera inflao e como

    ela afeta meu negcio? Por

    que o descontrole inflacionrio

    ruim para minha empresa

    e tambm para o Pas?

    3

    28

    De todos os termos econmicos

    com os quais nos deparamos no

    dia-a-dia, talvez o mais fcil de

    entender e visualizar seja o da

    inflao. Desde uma dona de casa,

    que a cada semana tem de desem-

    bolsar centavos a mais pelo molho

    de tomate, at o dono da fbrica

    de molho de tomates, que todo

    ms paga um preo diferente e

    maior, digamos, pelo vasilhame

    para acomodar seu produto antes

    de entreg-lo ao supermercado.

    Quem no se lembra do fim dos

    anos 1980 e incio da dcada de

    1990 quando era quase um

    crime deixar qualquer nota de

    dinheiro na carteira de uma noite

    at a manh do dia seguinte, sob o

    risco de acordar com menos dinhei-

    ro do que se tinha no dia anterior?

    Naquela poca, as altas taxas de

    inflao corroam o valor do

    dinheiro e o poder de compra do

    consumidor, gerando distores na

    distribuio de renda.

    Fenmeno monetrio, a inflao

    um termo bem conhecido dos bra-

    sileiros e uma experincia vivida

    por todos. Os trabalhadores no

    sentem saudade dos tempos da

    inflao galopante, exatamente

    pelo efeito danoso dela no bolso

    ou nos negcios de cada um.

    As conseqncias do processo inflacionrio recaemsobre os assalariados,refletem nos donos de negcios, influem no mercadode capitais e na balanacomercial e alteram o sistemaprodutivo numa espcie de efeito domin.

    livro08_28-39 25.08.06 17:17 Page 28

  • 29

    A inflao tem um efeito negativo

    sobre os assalariados com rendi-

    mentos fixos e com data anual

    de reajuste dos salrios. Entre as

    correes salariais, h queda do

    poder aquisitivo, com a moeda

    perdendo valor dia a dia devido

    ao choque inflacionrio.

    Efeito domin

    As conseqncias do processo

    inflacionrio recaem sobre os assa-

    lariados, refletem nos donos de

    negcios, influem no mercado de

    capitais e na balana comercial e

    alteram o sistema produtivo numa

    espcie de efeito domin, que

    afeta todo o sistema econmico.

    No caso do sistema produtivo,

    situaes de economias instveis e

    com ameaas inflacionrias desesti-

    mulam o investimento e inibem a

    situao ideal de pleno emprego.

    Processos de inflao alta geram

    incertezas quanto possibilidade

    dos lucros, o que, normalmente,

    deixa a classe empresarial em com-

    passo de espera para no assumir

    os riscos de colocar dinheiro num

    negcio, seja aumentar a produo

    de massa de tomates ou de vecu-

    los, e no conseguir retorno.

    Mas o que est por trs desse pro-

    cesso de elevao contnua e gene-

    ralizada dos preos que j penali-

    zou os brasileiros e mesmo sob

    controle, desde o Plano Real em

    1994, continua sendo o grande

    objeto de proteo e preocupao

    das polticas econmicas?

    livro08_28-39 25.08.06 17:17 Page 29

  • 30

    A inflao envolve aumentos de

    preos contnuos e generalizados

    e no apenas elevaes espordi-

    cas e isoladas.

    A teoria econmica lista trs poss-

    veis causas da inflao:

    Inflao de demanda.

    Inflao de custos.

    Inflao inercial.

    A seguir, vamos entender e anali-

    sar cada uma delas.

    Inflao de demanda

    Quando a inflao causada pela

    demanda, significa que muita

    gente est em busca de um

    mesmo bem ou servio que, por

    sua vez, apresenta produo ou

    oferta inferior procura. Ou seja,

    a grande quantidade de indiv-

    duos que deseja adquiri-lo provo-

    ca um aumento de preos.

    So vrios fatores que explicam

    um crescimento de demanda,

    como o aumento de renda da

    populao, seja por incremento

    Causas e efeitos

    Primeiro, preciso entender que

    inflao no um aumento espo-

    rdico ou isolado de preos, como

    no caso de seu vinho preferido

    encarecer 1 ou 2 reais nos meses

    de inverno. No livro Economia

    Brasileira Fundamentos e

    Atualidades, o autor Antnio

    Evaristo Teixeira Lanzana, mestre

    e doutor pela USP e professor da

    Faculdade de Economia e

    Administrao, chama a ateno

    para dois pontos:

    A inflao um processo e no

    apenas um fato isolado.

    O governo um dos principais consumidores debens e servios. Assim, aomesmo tempo em que atuacomo rbitro do jogo, paratentar conter indcios de descontrole econmico, um dos jogadores quepodem desencadear o processo inflacionrio.

    livro08_28-39 25.08.06 17:17 Page 30

  • 31

    de salrios, seja por reduo da

    carga tributria. Economistas cos-

    tumam lembrar do hbito de con-

    sumo dos brasileiros e da pouca

    prtica de guardar dinheiro em

    poupana, o que faz com que um

    aumento de renda seja destinado

    mais s compras, seja de alimen-

    tos, da geladeira nova ou do pri-

    meiro computador, do que ao

    chamado p-de-meia para ga-

    rantir uma segurana no futuro.

    O governo costuma usar a taxa de

    juros como instrumento de mano-

    bra para controlar o crdito e a

    demanda. A regra : com os juros

    mais altos, a demanda torna-se

    menor, o que contribui para frear

    a inflao. Alm desse instrumen-

    to, outra medida que pode ser

    adotada a prpria reduo de

    custos do governo.

    importante saber que a estrutu-

    ra governamental, seja em qual-

    quer nvel de governo, um dos

    componentes que pesam num

    processo inflacionrio. Isso porque

    o governo um dos principais

    consumidores de bens e servios.

    Assim, ao mesmo tempo em que

    atua como rbitro do jogo, para

    tentar conter indcios de descon-

    trole econmico, um dos joga-

    dores que podem desencadear o

    processo inflacionrio.

    Na situao de um pas em desen-

    volvimento, como o caso do

    Brasil, investimentos em infra-

    estrutura, por exemplo, colocam

    o governo como concorrente ou

    demandador dos produtos econ-

    micos. Desse modo, gastos do

    governo pressionam a demanda

    e interferem no processo de

    aumento de preos.

    livro08_28-39 25.08.06 17:17 Page 31

  • 32

    Inflao de custos

    Esse processo inflacionrio inde-

    pende do tamanho da demanda.

    Imagine que no perodo de um

    ano o dono da fbrica de geladei-

    ras vendeu por ms a mesma

    quantidade de produto, mas nos

    ltimos quatro meses, por razes

    diversas, pagou mais caro ao for-

    necedor do ao usado nas prate-

    leiras do eletrodomstico.

    Podemos imaginar uma situao

    hipottica e com uma dose de

    exagero para ilustrar a cena em

    que o preo do ao subiu de forma

    tal que manter os valores de venda

    da geladeira no mesmo nvel do

    primeiro ms daquele ano signifi-

    caria prejuzo. Ou seja, os custos de

    produo tremendamente altos

    inviabilizariam os lucros.

    Como, evidentemente, ningum

    quer perder dinheiro, o aumento

    dos custos de produo repassa-

    do ao preo final dos produtos.

    Resultado: se o consumidor quiser

    uma geladeira nova, vai ter de

    pagar mais caro por ela.

    Da mesma forma que a elevao

    do preo do ao, aumentos de tari-

    fas de energia, de combustveis e

    de salrios so fatores que interfe-

    rem na composio dos custos e

    podem ser elementos catalisadores

    de um processo inflacionrio.

    Portanto, a inflao de custos est

    livro08_28-39 25.08.06 17:17 Page 32

  • 33

    associada principalmente ao

    aumento de preos de matria-

    prima, seja minrio de ferro, ao,

    petrleo ou alimentos.

    Mas essa no a nica causa da

    presso inflacionria. Setores eco-

    nmicos que atuam em forma de

    monoplio ou oligoplio podem,

    por exemplo, adotar reajustes de

    preos acima do custo de produo

    num movimento que visa ao cresci-

    mento dos lucros e que interfere

    no processo inflacionrio.

    Alm disso, em uma economia glo-

    balizada, na qual o Brasil est inse-

    rido, as oscilaes de custos no se

    resumem dinmica nos limites

    territoriais de um pas. O que ocor-

    re na China, digamos, pode reper-

    cutir no bolso do brasileiro.

    O ao bom exemplo para ilustrar

    a situao. O Brasil grande pro-

    dutor e exportador de produtos

    metalrgicos e siderrgicos. Esse

    ramo industrial brasileiro experi-

    mentou aumento da demanda por

    minrio de ferro e ao motivado,

    em especial, pelo crescimento con-

    tnuo da economia chinesa na lti-

    ma dcada. A China passou a com-

    prar tamanha quantidade de min-

    rio e ao de outros pases inclusi-

    ve do Brasil que o preo interna-

    cional do produto registrou signifi-

    cativa elevao.

    O aumento do preo internacional

    foi uma das justificativas para a

    elevao de preos finais na econo-

    mia brasileira. A indstria automo-

    tiva e a prpria siderurgia credita-

    ram os reajustes nos preos osci-

    lao do preo do minrio de ferro

    em virtude do crescimento da

    demanda internacional.

    A China passou a comprartamanha quantidade deminrio e ao de outros pases inclusive do Brasil que o preo internacional do produto registrou significativa elevao. Oaumento do preo internacional foi uma das justificativas para a elevao de preos finaisna economia brasileira.

    livro08_28-39 25.08.06 17:17 Page 33

  • 34

    Inflao inercial

    Est associada ao instrumento de

    indexao ou possibilidade de os

    preos poderem aumentar sim-

    plesmente por causa da constata-

    o de inflao numa dinmica

    quase automtica. O instrumento

    da indexao vigorou no Brasil at

    a instituio do Plano Real, quan-

    do foi extinto.

    Sistema de metas

    Ao conhecer a essncia dos diver-

    sos planos econmicos que foram

    deflagrados no Brasil entre as

    dcadas de 1980 e 1990, fcil

    constatar que o objeto central

    deles era manter a estabilidade da

    moeda e, portanto, tornar a infla-

    o controlvel.

    A partir do segundo semestre de

    1999, o Brasil adotou um sistema

    de metas para o controle da infla-

    o. O termo inflation targeting,

    na prtica, significa dizer que em

    vez de trabalhar sua poltica

    monetria no sentido de tentar

    controlar um aumento hipottico

    de preos, o Banco Central passou

    a trabalhar com uma meta prede-

    terminada pelo prprio governo.

    Todas as aes da poltica monet-

    ria, como a definio da taxa de

    juros, deveriam visar ao cumpri-

    mento da meta estabelecida para

    cada ano. O Brasil no inventou a

    roda ao adotar essa poltica, pois

    ela j era utilizada por vrios pa-

    ses, como Inglaterra, Sucia,

    Austrlia e os latino-americanos

    Peru, Mxico e Colmbia, entre

    tantos outros.

    No ano de implementao desse

    sistema, a meta era de 8% e a

    referncia sempre o ndice de

    Preos ao Consumidor Amplo

    (IPCA), ndice medido pelo

    Instituto Brasileiro de Geografia e

    Estatstica (IBGE).

    Teorias da inflao

    til conhecer as principais teo-

    rias s quais economistas e gover-

    nos se apegam em busca das

    melhores medidas para eliminar a

    instabilidade e alcanar o deseja-

    do funcionamento perfeito da

    economia. Entre elas, vamos ver:

    livro08_28-39 25.08.06 17:17 Page 34

  • 35

    Teoria monetarista.

    Keynesianos.

    Teoria estruturalista.

    Teoria monetarista

    Quando voc ouvir falar sobre

    teoria monetarista, por exemplo,

    saiba que ela nada mais do que

    uma corrente do pensamento eco-

    nmico que aponta como causa da

    inflao o movimento de emisso

    de moeda em ritmo superior

    necessidade da economia. E por

    que h esse descompasso? O dfi-

    cit do setor pblico seria o causa-

    dor da expanso da moeda e na

    seqncia da inflao. Chamados

    de conservadores ou ortodoxos, os

    monetaristas defendem o funcio-

    namento livre do mercado com

    base numa poltica monetria rgi-

    da. As oscilaes econmicas

    seriam resultantes mais de medi-

    das governamentais do que da

    dinmica do setor privado.

    Preconizada pelo Fundo

    Monetrio Internacional (FMI),

    essa corrente tem suas bases cen-

    tradas nas idias do economista

    Milton Fiedman. No por acaso, o

    controle dos gastos e de supervit

    pblicos so conceitos sempre pre-

    sentes quando ouvimos falar dos

    acordos do Brasil com o FMI.

    Para os monetaristas, o controle

    desses dois fatores gastos e

    supervits pblicos seria a porta

    para a estabilidade econmica.

    Keynesianos

    Os keynesianos, adeptos da teoria

    de John Maynard Keynes, combi-

    nam com os monetaristas quando

    valorizam os gastos pblicos para

    explicar a origem do processo

    inflacionrio, mas divergem deles

    quanto ao efeito domin advindo

    aps os gastos j realizados.

    livro08_28-39 25.08.06 17:17 Page 35

  • 36

    Como vimos, para os monetaristas,

    os gastos pblicos levam emisso

    de moeda que, por sua vez, geram

    inflao. J os keynesianos conside-

    ram que gastos pblicos produzem

    inflao quando interferem na

    demanda agregada a ponto de

    afetar os fatores de produo. Esse

    movimento ocasionaria aumento

    de preos e, portanto, inflao.

    Teoria estruturalista

    Como o prprio nome indica, essa

    teoria sugere que as causas do pro-

    cesso inflacionrio esto relaciona-

    das s deficincias estruturais da

    economia. Por exemplo: a estrutura

    agrcola dos pases subdesenvolvi-

    dos, cuja produo baseia-se em

    grandes latifndios e na agricultu-

    ra de subsistncia, sem preocupa-

    o com o mercado. Partindo do

    princpio de que, para trilhar a

    estrada do desenvolvimento, um

    pas muda sua estrutura geogrfica

    com um incremento no processo de

    urbanizao e de demanda por

    produtos agrcolas, a estrutura

    agrcola sedimentada em latifn-

    dios e pequenas culturas de subsis-

    tncia no consegue crescer no

    ritmo da demanda pelos produtos.

    Maior demanda por produtos agr-

    colas numa conjuntura de cresci-

    mento da produo aqum da

    necessidade dos consumidores leva

    a aumento de preos.

    ndices inflacionrios

    Vamos conhecer agora os principais

    ndices de medio de inflao uti-

    lizados no Brasil.

    ndice de Preos ao Consumidor

    Amplo (IPCA)

    Medido pelo IBGE desde 1978, o

    ndice-referncia do governo para

    a meta de inflao. Abrange um

    universo de famlias com rendimen-

    to de 1 a 40 salrios mnimos.

    livro08_28-39 25.08.06 17:17 Page 36

  • 37

    O IPCA calculado com base em

    coletas de preos realizadas entre o

    primeiro e o ltimo dia do ms nas

    regies metropolitanas de So

    Paulo, Rio de Janeiro, Belo

    Horizonte, Porto Alegre, Recife,

    Belm, Fortaleza, Salvador,

    Curitiba, Goinia e Distrito Federal,

    que somadas representam cerca de

    30% da populao brasileira.

    As coletas so feitas em estabeleci-

    mentos comerciais de prestao de

    servios, concessionrias de servios

    pblicos e domiclios. So cerca de

    200 mil cotaes de preos de

    1.360 produtos.

    Na composio do ndice, produtos

    alimentcios tm peso de 25,21%;

    transporte e comunicao, 18,77%;

    despesas pessoais, 15,68%; vestu-

    rio, 12,49%; habitao, 10,91%;

    sade e cuidados pessoais, 8,85%;

    e artigos de residncia, 8,09%.

    Alm de ser a referncia do gover-

    no para a meta inflacionria, o

    IPCA utilizado na correo de

    balanos e demonstraes financei-

    ras trimestrais e semestrais das

    Companhias Abertas.

    ndice Nacional de Preo ao

    Consumidor (INPC)

    Tambm medido pelo IBGE no

    mesmo intervalo de tempo e nas

    mesmas regies metropolitanas do

    IPCA, pesquisa as variaes de cus-

    tos que afetam as famlias com ren-

    dimento entre um e oito salrios

    mnimos. O INPC o ndice-refe-

    rncia para os reajustes salariais.

    Por retratar o aumento do custo

    de vida para um universo com ren-

    dimento menor do que o IPCA,

    tem diferenas de peso na compo-

    sio de ndices.

    Alimentao, por exemplo, adquire

    peso de 33,10%. J gastos com

    transporte e comunicaes passam

    do segundo item com maior peso

    para o quarto. Nessa faixa de

    renda, gastos com esses servios

    adquirem peso de 11,44%.

    O IPCA utilizado na correo de balanos edemonstraes financeirastrimestrais e semestrais das Companhias Abertas.

    livro08_28-39 25.08.06 17:17 Page 37

  • 38

    ndice de Preo ao Consumidor

    (IPC-Fipe)

    Criado em 1939, a medio do ndi-

    ce realizada apenas na cidade de

    So Paulo investiga o aumento do

    custo de vida para famlias com

    rendimento entre 1 e 20 salrios

    mnimos. A coleta tambm feita

    do primeiro ao ltimo dia do ms.

    Desde sua criao at 1968, a res-

    ponsabilidade de produo do ndi-

    ce era da prefeitura de So Paulo.

    A partir de 1968, foi transferida

    Fundao Instituto de Pesquisas

    Econmicas (Fipe), rgo ligado

    Faculdade de Economia e

    Administrao da USP. utilizado

    em reajustes contratuais.

    ndice de Custo de Vida (ICV)

    Sob responsabilidade do

    Departamento Intersindical de

    Estatsticas e Estudos Econmicos

    (Dieese), o ICV tem como universo

    famlias com rendimentos entre 1 e

    30 salrios mnimos. A pesquisa

    feita no municpio de So Paulo

    entre o primeiro e o ltimo dia do

    ms. usado nos acordos salariais.

    ndice Geral de Preos (IGP)

    Medido pela Fundao Getlio

    Vargas, o ndice Geral de Preos se

    subdivide em trs outros ndices:

    IGP-M, IGD-DI e IGP-10. O que os

    diferencia o perodo de abran-

    gncia. o ndice mais usado nos

    contratos de longo prazo, sejam

    pblicos ou privados. O IGPM bali-

    za a correo das tarifas de energia

    eltrica e os contratos de aluguis.

    Diferentemente dos ndices ante-

    riores, que investigam o aumento

    de preos no varejo, o IGP privile-

    gia o atacado. A composio do

    IGP feita tambm com base em

    livro08_28-39 25.08.06 17:17 Page 38

  • 39

    dados de trs outras medies da

    FGV: O IPA (ndice de Preo no

    Atacado), que pesquisa o aumento

    de custos de preos de mais de 500

    empresas brasileiras; o IPC (ndice

    de Preo ao Consumidor), que

    investiga o aumento para os consu-

    midores finais; e o ndice Nacional

    da Construo Civil (INCC). Na com-

    posio do IGP, o IPA tem peso de

    60%, o IPC de 30% e o INCC de

    10%. As pesquisas so realizadas

    nas regies metropolitanas de So

    Paulo, Rio de Janeiro, Belo

    Horizonte, Recife, Salvador,

    Fortaleza, Belm, Porto Alegre,

    Curitiba, Florianpolis, Distrito

    Federal e Goinia, e tm como teto

    famlias com rendimento de at 33

    salrios mnimos.

    O que voc viu no captulo 3

    > Os trs fatores que geram inflao:demanda, custos e componentes inerciais.1

    > O sistema de metas inflacionrias adotado pelo Brasil.2

    > Trs teorias para explicar a inflao:monetarista, keynesiana e estruturalista.3

    > Os principais ndices utilizados noBrasil para medir a inflao.4

    livro08_28-39 25.08.06 17:17 Page 39

  • JUROS, EMPRSTIMO E CRDITO

    Por que til entender a

    taxa de juros para evitar o

    endividamento da empresa?

    Qual a relao dos juros com

    emprstimos e crditos?

    4

    40

    No por acaso que as atenes

    de economistas, empresrios, ban-

    queiros, consultores, analistas de

    investimentos e jornalistas que

    escrevem sobre economia se vol-

    tam a cada 45 dias para o edifcio-

    sede do Banco Central (BC), em

    Braslia, espera da deciso do

    Comit de Poltica Monetria

    (Copom) sobre a taxa de juros.

    O tamanho dos juros (altos ou

    baixos) determina a mobilidade

    da economia e, conseqentemen-

    te, o desempenho dos negcios

    dos muitos agentes

    que a compem. Como regra

    geral, juros altos inibem o consu-

    mo e juros baixos incentivam as

    compras. Neste captulo vamos

    verificar o funcionamento da taxa

    de juros no Brasil e sua influncia

    na rentabilidade e na prosperida-

    de de seu empreendimento.

    Juros altos

    Para comear, observaremos o

    comportamento de consumidores

    que esto em busca de uma nova

    geladeira. Numa situao de juros

    altos, uma dona de casa que quei-

    ra adquirir a geladeira a prazo,

    por exemplo, pode adiar a deciso

    de compra para evitar financia-

    O tamanho dos juros (altosou baixos) determina amobilidade da economia e,conseqentemente, odesempenho dos negciosdos muitos agentes que acompem. Como regra geral, juros altos inibem oconsumo e juros baixosincentivam as compras.

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 40

  • 41

    mentos longos e custo final muito

    superior ao preo original.

    Imagine, ento, que vrias donas

    de casa em todo o pas adotem o

    mesmo procedimento. Elas dese-

    jam comprar uma geladeira nova,

    maior e mais moderna, mas dei-

    xam de faz-lo pelo fato de o

    preo final a prazo ser muito

    superior ao do valor vista.

    Se elas no compram, a loja de

    eletrodomsticos no vende. Se

    a loja no vende, a fbrica no

    produz. Se a fbrica no produz,

    dispensa um ou vrios funcion-

    rios, da mesma forma que o faz

    a loja cujo vendedor passou o

    dia, a semana ou o ms inteiro

    sem nada vender.

    Juros baixos

    Agora imagine uma situao dife-

    rente. O custo da geladeira, seja

    vista, seja a prazo, cabe perfeita-

    mente no oramento de todas as

    donas de casa que queiram com-

    pr-la, e as lojas tm tanta procu-

    ra pelo eletrodomstico que o

    estoque no suficiente.

    Como j vimos, ao tratar do fun-

    cionamento das leis de oferta e

    demanda, quando a procura por

    um produto maior do que sua

    oferta, a tendncia dos preos

    subir. Preos em alta, por sua vez,

    estimulam o aumento da inflao.

    E a inflao, como vimos no cap-

    tulo 3, um dos fantasmas que

    assombram a economia.

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 41

  • 42

    tulo 3), o Copom determina a taxa

    de juros de modo a viabilizar a

    meta de inflao estabelecida.

    Para explicar de uma forma simpli-

    ficada, o papel do Copom criar

    condies para o funcionamento

    perfeito ou, ao menos, sem

    sobressaltos da economia.

    Ao estabelecer a taxa de juros, o

    Banco Central, na prtica, est

    determinando a liquidez da eco-

    nomia ou, em outras palavras, a

    disponibilidade de dinheiro no

    mercado. uma ferramenta para

    controlar a demanda. Quando

    quer estimul-la, o BC corta a taxa

    de juros. Quando pretende repri-

    mi-la, sobe a taxa.

    Jogo de equilbrio

    A poltica de juros deve se equili-

    brar numa espcie de jogo contra-

    ditrio, com o desafio de, por um

    lado, criar condies para atrair

    investimentos, manter e gerar

    empregos, e, por outro, evitar que

    o flego de consumo resulte em

    descontrole inflacionrio.

    A mesma lgica da procura por

    geladeiras vale tambm para

    tomates, arroz, carros e todos os

    demais bens de consumo.

    Taxa de juros

    Desde 1999, quando o Brasil pas-

    sou a trabalhar com o regime de

    metas inflacionrias (veja no cap-

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 42

  • 43

    Willian Eid, professor da Fundao

    Getlio Vargas, costuma ser prti-

    co e objetivo na definio sobre

    juros: o custo do dinheiro que

    posterga o consumo e o prazer.

    Tomando emprestada essa defini-

    o, torna-se mais fcil compreen-

    der o significado do indicador

    e seu impacto no dia-a-dia dos

    brasileiros desde a divulgao

    da taxa feita pelo Copom at a

    influncia na hora de pagar deter-

    minadas contas, sejam de pessoas

    fsicas, como a dona de casa e

    com vontade de comprar uma

    geladeira, sejam de empresas,

    que pautam suas decises de olho

    no tamanho desse custo.

    Apenas por essa lgica, j d para

    imaginar por que a poltica de

    juros praticada pelo governo bra-

    sileiro alvo constante de crticas

    de entidades empresariais. A

    Federao das Indstrias do

    Estado de So Paulo (Fiesp) defen-

    dia no incio de 2006 a idia de

    que a taxa de juros deveria cair a

    saltos maiores. O que se viu nos

    meses seguintes foi uma trajetria

    Uma das justificativas para a queda paulatina e noabrupta era evitar uma ondade consumo que pudesseocasionar a volta da inflao.

    de queda das taxas de juros, mas a

    um ritmo compassado e, muitas

    vezes, considerado lento pelos

    agentes econmicos. Uma das jus-

    tificativas para a queda paulatina

    e no abrupta era evitar uma

    onda de consumo que pudesse

    ocasionar a volta da inflao.

    Com uma taxa ainda tida como

    elevada para os padres interna-

    cionais, tanto o consumo quanto a

    produo teriam condies de

    crescer sem pressionar os preos.

    O valor da taxa de juros um ver-

    dadeiro carro de batalha que

    move os mais diversos interesses

    de setores importantes da poltica

    e da economia.

    De um lado, aqueles que defen-

    dem a queda acelerada da taxa de

    juros; de outro, os que apiam o

    decrscimo moderado.

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 43

  • 44

    Juros e dvida pblica

    No primeiro semestre de 2006, a

    dvida pblica brasileira beirava

    51,8% do Produto Interno Bruto

    (PIB) dentro da mdia verificada

    nos ltimos anos.

    Muito bem, depois de ler esse

    pargrafo, voc compreendeu o

    que significa essa informao?

    Caso no tenha entendido, no se

    preocupe. Vamos saber agora o

    que a dvida pblica, como ela

    se forma e o que ela tem a ver

    com os juros.

    Tradicionalmente, o Brasil gasta

    mais do que arrecada. E, para con-

    seguir juntar dinheiro para saldar

    seus compromissos e equiparar

    receita e despesas, emite ttulos e

    os vende em leiles feitos pelo

    Tesouro Nacional. Esses ttulos

    esto amparados em siglas bem

    conhecidas e comentadas.

    Portanto, quando voc ouvir falar

    de NTN, LFT e LTN, saiba que elas

    nada mais so do que ttulos emi-

    tidos pelo governo para vender

    aos bancos e captar recursos para

    atenuar sua dvida interna.

    Para seu conhecimento, NTN, LFT

    e LTN significam, respectivamente,

    Notas do Tesouro Nacional, Letras

    Financeiras do Tesouro e Letras do

    Tesouro Nacional.

    Remunerao de ttulos

    A taxa de juros definida pelo

    Copom, a chamada Selic, utilizada

    como taxa bsica da economia,

    o preo que o governo est dis-

    posto a pagar pela remunerao

    de seus ttulos.

    E paga a quem?

    Os bancos so os principais clien-

    tes diretos desses produtos, mas

    indiretamente qualquer pessoa

    que faz alguma aplicao financei-

    ra tambm o . Isso porque os

    O investidor poder optarpor emprestar ao governo,com um nvel de risco relativamente baixo, ouemprestar s empresas ou pessoas fsicas, com um nvel de risco razoavelmente mais alto.

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 44

  • 45

    bancos captam dinheiro de seus

    clientes e o usa nessas transaes

    com o Tesouro Nacional.

    A maioria dos fundos de renda

    fixa dos bancos est lastreada em

    operaes de compra e venda de

    ttulos pblicos.

    Referncia ao mercado

    Ao manter as taxas de juros altas, o

    Banco Central no determina a

    taxa de juros como se fosse uma

    lei. Ele apenas oferece uma refe-

    rncia de taxa de juros ao merca-

    do, disponvel a qualquer investi-

    dor (de pequeno ou de grande

    porte) presente na economia. Toda

    vez que o Banco Central de um

    pas desrespeitou as leis de merca-

    do, de oferta e demanda por

    dinheiro, acabou sofrendo um ata-

    que especulativo, com altas desva-

    lorizaes da taxa de cmbio,

    perda de reservas, recesso etc.

    Com base na referncia de taxa de

    juros oferecida pelo Banco Central

    aos ttulos da dvida governamen-

    tal, o investidor poder optar por

    emprestar ao governo, com um

    nvel de risco relativamente baixo,

    ou emprestar s empresas ou pes-

    soas fsicas, com um nvel de risco

    razoavelmente mais alto.

    Emprstimo ao governo

    No Brasil, os bancos tm como

    opo o emprstimo ao governo

    brasileiro, que precisa financiar

    sua dvida. Com esses emprstimos

    de baixo risco e com as taxas de

    juros oferecidas pelo Copom, os

    bancos garantem boa parte de

    suas margens de lucro.

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 45

  • 46

    Dessa forma, o governo brasileiro,

    como em diversos outros pases,

    o maior tomador de recursos da

    economia, concorrendo com a

    populao pelo dinheiro dos

    investidores e poupadores.

    Aqui est um dos motivos pelos

    quais os bancos brasileiros tm

    tido to bons resultados nos

    ltimos anos.

    O mecanismo funciona assim: os

    bancos compram os ttulos do

    governo recebendo a taxa Selic de

    remunerao. Porm, repassa ao

    scio de uma carteira de investi-

    mento rentabilidade menor do

    que aquela taxa. Alm disso, ao

    emprestar dinheiro a seus clientes,

    cobra remunerao acima da taxa

    Selic. De modo similar, as lojas

    tambm cobram de seus consumi-

    dores taxas de juros superiores em

    relao referncia do BC.

    Fator de risco

    Alm dos custos incidentes sobre

    as transaes financeiras, como os

    tributos, um fator denominado

    risco outro referencial que

    eleva as taxas para cima.

    Empresas de pequeno porte, por

    exemplo, desembolsam juros

    maiores do que grandes grupos

    por no terem como oferecer as

    mesmas condies de garantia.

    Isso ajuda a explicar a distncia

    entre as taxas com as quais os

    bancos so remunerados e aquelas

    com que eles remuneram seus

    clientes ou cobram destes.

    Uma dica para quem queira com-

    prar ttulos do governo conhecer

    o Tesouro Direto, um instrumento

    disponvel desde 2002 e que per-

    mite a qualquer pessoa comprar

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 46

  • 47

    ttulos do governo e receber uma

    melhor remunerao.

    No site do Tesouro Nacional do

    Ministrio da Fazenda (www.

    tesouro.fazenda.gov.br) ou no do

    Banco do Brasil (www.bb.com.br),

    voc encontra o passo-a-passo para

    a aquisio de ttulos pblicos.

    Mocinho ou vilo?

    Voltando ao tema central deste

    captulo, uma taxa de juros consi-

    derada elevada faz papel de moci-

    nho ou vilo na economia?

    O argumento dos crticos dos

    juros altos simples: manter as

    taxas a patamares considerados

    elevados impediria o crescimento

    econmico, exatamente porque

    desestimularia o consumo, desen-

    cadeando o processo em que a

    dona de casa desiste de comprar a

    geladeira, a loja no vende, a

    fbrica reduz a produo, o

    empresrio demite seus funcion-

    rios por falta de trabalho e a eco-

    nomia no cresce.

    Ainda para os crticos, as altas

    taxas de juros seriam responsveis

    pelo fraco desempenho do PIB

    brasileiro em 2005, que foi de

    2,3%. Alm de reprimir o consumo

    a prazo de geladeiras, taxas de

    juros altas tambm encarecem o

    crdito para empresas que quei-

    ram contrair emprstimos dos

    bancos para financiar seus proces-

    sos produtivos.

    Por esse ponto de vista, a recei-

    ta para o sucesso de um pas

    seria muito fcil: baixar as taxas

    de juros e pronto: prosperidade

    na certa. Correto? Claro que no!

    Se as coisas fossem to simples

    assim, no precisaramos mais de

    economistas para estudar formas

    de crescimento de um pas...

    A receita para o sucessode um pas seria muito fcil: baixar as taxas dejuros e pronto: prosperidadena certa. Correto? Claro que no! Se as coisas fossem to simples assim,no precisaramos maisde economistas.

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 47

  • 48

    Fatores diversos

    Como a questo no to simples

    assim, para decidir sobre a taxa de

    juros, o Copom precisa considerar

    um ambiente para que a inflao

    no se descontrole. E so muitos

    os fatores considerados para ten-

    tar antecipar qual ser a tendn-

    cia dos ndices inflacionrios.

    Para se ter uma idia da complexi-

    dade de dados, um componente

    crucial que orbita a zona de

    influncia da taxa de juros o

    comportamento do mercado inter-

    nacional de petrleo.

    Preos em alta do barril de petr-

    leo, por exemplo, jogam a favor

    do aumento inflacionrio. Por

    qu? A resposta pode ser medida

    na simples observao de nosso

    entorno: como combustvel utiliza-

    do para movimentar veculos e

    mquinas, o petrleo est presen-

    te em praticamente todos os seto-

    res da economia.

    Logo, a cotao mais alta do barril

    desencadeia um impacto direto

    nos custos de produo e, conse-

    qentemente, nos custos finais

    que, cedo ou tarde, sero repassa-

    dos aos consumidores.

    Aprender a poupar

    Se juros altos so um dos males da

    economia, como fazer para tentar

    se livrar deles? Uma das sadas

    para o empreendedor e tambm

    para qualquer consumidor evi-

    tar o endividamento.

    notrio, por exemplo, que o bra-

    sileiro tem hbitos de consumo

    exagerados muitas vezes, conso-

    me mesmo sem dinheiro, recorren-

    do a crditos. Alis, a demanda

    por crdito no Brasil explica,

    em parte, o fato de as taxas de

    juros serem altas. Da a recomen-

    dao bsica: os brasileiros preci-

    sam aprender a poupar.

    Se juros altos so um dosmales da economia, comofazer para tentar se livrardeles? Uma das sadas parao empreendedor e tambmpara qualquer consumidor evitar o endividamento.

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 48

  • 49

    Ou seja, melhor fazer reservas

    para eventualidades futuras do

    que ir s compras, trocar a gela-

    deira ou o carro toda vez que

    sobra dinheiro na conta.

    Taxa Referencial

    A Selic a taxa bsica de juros,

    mas no a nica definida pelo

    governo. A Taxa Referencial ou TR

    tambm definida por ele.

    Com clculo dirio pelo Banco

    Central, a TR um indicador que

    remunera os recursos aplicados

    sobre depsitos em cadernetas de

    poupana e recolhimentos nas

    contas do Fundo de Garantia por

    Tempo de Servio (FGTS).

    Ao ler este captulo sobre juros, voc deve

    estar se perguntando: como um empreen-

    dedor pode sobreviver e ainda fazer seu

    negcio prosperar num pas como o Brasil?

    Jos Luiz Msculo, professor do Ibmec,

    aconselha que, em tempos de juros altos,

    fundamental evitar endividamentos.

    Ao mesmo tempo, na administrao do dia-

    a-dia dos negcios importante estar

    atento ao movimento do mercado, procu-

    rando antecipar tendncias para os ciclos

    futuros da poltica de juros.

    As decises de produo e investimento

    devem estar antenadas com essas tendn-

    cias, tendo sempre em vista o comporta-

    mento do Banco Central. importante ter

    uma assessoria econmica exatamente

    para isso. Quem no estiver atento a isso,

    pode se dar mal numa situao de aumen-

    to de produo, quando os juros estiverem

    em trajetria crescente. Eu, como empre-

    srio, tenho de entender esse jogo, diz.

    Uma observao atenta ao comportamento

    das taxas de juros, por exemplo, revela

    uma tendncia de alta nos anos mpares e

    uma trajetria de queda nos anos pares.

    Coincidncia ou no, os anos pares so

    exatamente aqueles em que h eleies.

    De olho no mercado

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 49

  • 50

    Taxa de Juros de Longo Prazo

    outra taxa definida pelo gover-

    no cuja sigla bastante conheci-

    da: TJLP. Com validade trimestral,

    a Taxa de Juros de Longo Prazo

    utilizada para estimular investi-

    mentos em infra-estrutura.

    A TJLP usada, por exemplo, nos

    emprstimos de longo prazo con-

    cedidos pelo Banco Nacional de

    Desenvolvimento Econmico e

    Social (BNDES) recursos destina-

    dos ao setor produtivo para a

    expanso de negcios no Pas.

    Tanto a TR quanto a TJLP apresen-

    tam taxas menores do que a Selic.

    Outros instrumentos

    A taxa de juros a face mais vis-

    vel da poltica monetria, mas no

    o nico instrumento que o Banco

    Central, como executor dessa pol-

    tica, tem em mos para manipular

    a liquidez do mercado em busca

    do almejado funcionamento per-

    feito da economia.

    Tambm integram essa operao:

    Depsitos compulsrios.

    Taxas de redesconto.

    Depsitos compulsrios

    So recolhimentos obrigatrios

    de parte de depsitos vista e a

    prazo que os bancos comerciais

    precisam fazer junto ao Banco

    Central. O BC determina a taxa

    de recolhimento como mecanismo

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 50

  • 51

    de conteno da oferta de dinhei-

    ro no mercado.

    Do mesmo modo que se aumen-

    tam as taxas de juros para tentar

    conter o consumo, ao reter parte

    dos recursos dos bancos comer-

    ciais, por intermdio dos depsitos

    compulsrios, o Banco Central

    procura diminuir o volume de

    recursos disponveis ao crdito.

    Taxas de redesconto

    So taxas estabelecidas pelo Banco

    Central para remunerar emprsti-

    mos que a instituio faz aos ban-

    cos comerciais para socorr-los, no

    caso de um banco fechar o dia

    sem dinheiro em caixa para honrar

    suas operaes.

    Aumentar as taxas cobradas pelo

    redesconto normalmente calcu-

    lado pelo valor taxa Selic acrescido

    de um percentual tambm

    prerrogativa do Banco Central

    para desestimular os bancos de

    lanar mo do dispositivo.

    Antes de irem ao BC em busca do

    socorro do redesconto, os bancos

    podem ainda negociar essas ope-

    raes entre si pelo instrumento

    do Certificado de Depsitos

    Interbancrios (CDI), que permite

    a transferncia de recursos entre

    as instituies financeiras.

    Dessa forma, tanto o CDI como a

    Selic caracterizam a melhor refe-

    rncia da taxa de juros de merca-

    do. O CDI representa a taxa que

    os bancos esto dispostos a pagar

    para zerar suas diferenas de

    caixa. J a Selic representa a taxa

    de juros paga pelo governo.

    O baixo risco dos tomadores de

    recursos (bancos e governo) expli-

    ca por que o CDI e a Selic so

    taxas de juros bastante prximas.

    Tanto o CDI como a Seliccaracterizam a melhor referncia da taxa de jurosde mercado. O CDI representa a taxa que osbancos esto dispostos apagar para zerar suas diferenas de caixa.J a Selic representa a taxade juros paga pelo governo.

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 51

  • 52

    Definio da taxa de juros

    O Comit de Poltica Monetria,

    o Copom, foi criado em junho de

    1996 com a misso de definir as

    taxas de juros e as diretrizes da

    poltica monetria.

    Ao estabelecer as taxas de juros,

    o Copom pode indicar o comporta-

    mento futuro por meio do instru-

    mento do vis, com o qual aponta

    a tendncia de alta ou de queda

    dos juros. Assim, as taxas de juros

    podem ser anunciadas com a infor-

    mao adicional de vis de alta ou

    baixa ou, ento, sem vis.

    Ao presidente do Banco Central,

    que tambm preside as reunies

    do Copom, concedida a prerro-

    gativa de anunciar a reviso da

    taxa para cima ou para baixo no

    intervalo entre as reunies.

    Entre 2000 e 2005, o Copom se

    reunia uma vez por ms. A partir

    de 2005, as reunies passaram a

    ser a cada 45 dias, o que resulta

    em oito reunies anuais.

    Alm do presidente, toda a direto-

    ria do BC participa do comit com

    direito voto. Mas a reunio que

    decide sobre o movimento da

    taxa, com durao de dois dias,

    tem tambm a presena de chefes

    de departamento da instituio

    que fazem anlise sobre as vari-

    veis consideradas para definir a

    taxa. Faz-se, por exemplo, relatos

    de conjuntura da inflao, do

    nvel de atividade industrial, das

    finanas pblicas, das operaes

    com reservas internacionais, do

    estado de liquidez bancria, den-

    tre outras variveis. Com base nes-

    sas informaes, a diretoria do BC

    vota pela taxa. Nem sempre a

    deciso consensual.

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 52

  • 53

    Por dentro da reunio

    A distncia, pensar no mercado

    financeiro, na taxa de juros e

    nas muitas variveis que a influen-

    ciam parece ser uma tarefa difcil

    de compreender.

    Mas no bem assim. Cada reu-

    nio do Copom sucedida de uma

    ata com o relato detalhado dos

    elementos considerados no estabe-

    lecimento da taxa. um bom ins-

    trumento para quem queira enten-

    der o mercado financeiro.

    possvel ler a ata no site do

    Banco Central (www.bc.gov.br) e

    acompanhar as variveis que fize-

    ram com que a instituio fosse

    mais ou menos conservadora ao

    definir a taxa de juros.

    O que voc viu no captulo 4

    > O comportamento da economia comtaxas altas e baixas de juros.1

    > Os elementos que determinam a taxade juros do Copom.2

    > TR, Taxa de Juros de Longo Prazo, dep-sitos compulsrios e taxas de redesconto.3

    Cada reunio do Copom sucedida de uma ata com orelato detalhado dos elementos considerados noestabelecimento da taxa. um bom instrumento paraquem queira entender o mercado financeiro.

    livro08_40-53 25.08.06 17:41 Page 53

  • O PIB E SEU NEGCIO

    Por que tenho de torcer para

    o Pas dar certo? O que

    ocorre quando a economia

    no cresce? Como extrair

    informaes baseadas no PIB?

    5

    54

    Nos ltimos dez anos, a mdia de

    crescimento do Produto Interno

    Bruto (PIB) brasileiro foi de 2,2%,

    um resultado que pode ser consi-

    derado tmido quando comparado

    taxa de crescimento mdia de

    10% ao ano na dcada de 1970

    ou mesmo taxa de crescimento

    mdia ao longo do sculo XX,

    que foi de 4,8%.

    Alis, ao realizar a retrospectiva

    do sculo XX, constata-se que o

    Brasil experimentou crescimento

    econmico vigoroso.

    Entre 1901 e 2000, o PIB brasileiro

    cresceu 110 vezes desempenho

    apenas superado por um punhado

    de pases.

    Principal indicador da atividade

    econmica, o PIB a soma de

    todos os produtos finais, sejam

    bens ou servios, produzidos den-

    tro das fronteiras de um pas

    durante um perodo determinado.

    Evoluo da economia

    O PIB sempre expresso em valor

    monetrio em dlar ou, no caso

    do Brasil, em real para facilitar

    comparaes peridicas de resul-

    tados e entre os resultados de

    diferentes pases.

    A variao do PIB pode ser medida

    ano a ano, trimestre a trimestre e

    at ms a ms. Os nmeros

    medem a evoluo da economia

    de um pas, uma regio, um esta-

    do ou municpio.

    O PIB o valor de toda aproduo ocorrida dentrodas fronteiras do pas, semconsiderar a nacionalidadedos que se apropriam dela.

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 54

  • 55

    Essa variao expressa por meio

    da taxa de crescimento. Se for

    positiva, significa que a economia

    cresceu; se for negativa, houve

    recesso. Taxa prxima de zero,

    como registrada no Brasil em 2003

    (0,5%), indica estagnao.

    Utilidade do PIB

    O pulsar da enonomia pode ser

    sentido por agentes econmicos e

    pela populao em geral, porm

    preciso mensur-lo para estudar

    seu comportamento. Mesmo por-

    que nem todos os indivduos nem

    os setores da economia sentem

    uma recesso ou um perodo de

    expanso econmica com igual

    intensidade e simultaneamente.

    Da a utilidade do clculo do PIB.

    Nem tudo o que est registrado

    no PIB, ou seja, tudo o que se

    consome e se investe no Brasil,

    e ainda o que se exporta daqui,

    pertence aos brasileiros.

    De fato, o PIB o valor de toda a

    produo ocorrida dentro das

    fronteiras do pas, sem considerar

    a nacionalidade dos que se apro-

    priam dela. No clculo do PIB no

    se desconta a renda obtida pelas

    empresas estrangeiras instaladas

    aqui e enviada ao exterior na

    forma de lucros ou pagamentos

    de royalties. No se desconta tam-

    bm a parte dos salrios que

    estrangeiros ganham no Brasil e

    enviam a seus pases. Para um

    valor integrar o PIB, basta que ele

    tenha tido origem interna.

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 55

  • 56

    Estados Unidos, que possuem

    diversas empresas atuando em

    outros pases, registram o PNB

    maior do que PIB, uma vez que

    parte da renda dessas empresas

    enviada de volta s matrizes

    norte-americanas.

    Renda e despesa

    O PIB avalia a atividade econmi-

    ca pela tica da produo. Pode-se

    medir o desempenho econmico

    tambm por outras ticas, como

    renda e despesa.

    Pela renda

    Soma dos fatores recebidos para

    produzir o PIB, a chamada Receita

    Interna Bruta (RIB).

    Produto Nacional Bruto

    Existe outro indicador, igualmente

    importante, que embute o concei-

    to de nacional, ou seja, de pro-

    priedade de brasileiros.

    o chamado Produto Nacional

    Bruto (PNB), que inclui as rendas

    obtidas no exterior enviadas por

    brasileiros e desconta os valores

    obtidos por pessoas e empresas

    estrangeiras enviados para fora.

    interessante notar que no Brasil

    o PNB apresenta resultados ligei-

    ramente menores do que o PIB

    cerca de 3% dos valores que circu-

    lam no Pas so remetidos ao exte-

    rior como lucros, dividendos e

    juros do capital estrangeiro.

    Para efeito de comparao, os

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 56

  • 57

    Pela despesa

    Soma dos pagamentos feitos pela

    produo do PIB, resultando na

    Despesa Interna Bruta (DIB).

    O valor dessas diferentes formas

    de medio exatamente o

    mesmo, porque se trabalha sobre

    o mesmo produto, analisado de

    pontos de vista diferentes. Se o

    PIB for de 1 trilho de dlares, a

    RIB e a DIB tambm o sero.

    Valores agregados

    Em uma anlise mais profunda,

    verifica-se que o clculo do PIB

    realizado de modo mais elabora-

    do, somando-se no os valores de

    todos os produtos finais, mas de

    seus valores agregados.

    Ou seja, os valores dos produtos e

    servios empregados em cada

    etapa da produo at ser elabo-

    rado o produto final.

    Com a decomposio de fato-

    res, torna-se possvel averiguar a

    contribuio de cada setor da eco-

    nomia na produo de determina-

    do bem ou servio.

    Com a decomposio defatores, torna-se possvelaveriguar a contribuio decada setor da economia naproduo de determinadobem ou servio. Para a produo do suco de laranja,por exemplo, considera-se aparticipao da agriculturaem primeiro lugar, mas semse esquecer da indstria e do comrcio.

    Para a produo do suco de laran-

    ja, por exemplo, considera-se a

    participao da agricultura em pri-

    meiro lugar, mas sem se esquecer

    da indstria e do comrcio no ata-

    cado e no varejo. Ao espremer o

    suco de laranja, a indstria agrega

    valor fruta; ao embalar o suco e

    adicionar conservantes, outra

    etapa industrial agrega valor ao

    suco processado; ao transportar e

    dispor o suco na gndola do

    supermercado, o setor de servios

    agrega valor ao produto embalado

    que chegou da fbrica.

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 57

  • 58

    Soma de trs setores

    Por meio dessas somatrias parti-

    cularizadas, levantam-se muito

    mais informaes sobre a produ-

    o do que a simples contagem

    dos produtos finais. O PIB, portan-

    to, composto da soma de resulta-

    dos dos trs setores da economia:

    Primrio

    Atividades ligadas agricultura e

    pecuria.

    Secundrio

    Indstria extrativista, de transfor-

    mao (metalrgica, qumica), de

    eletroeletrnica, de material de

    transporte, de construo civil, e

    servios industriais de utilidade

    pblica, de energia, de telecomu-

    nicaes, entre outros.

    Tercirio

    Comrcio, servios, setor financei-

    ro, entre outros.

    Estgio de desenvolvimento

    Ao analisar a participao de cada

    setor na composio do PIB ao

    longo dos anos, possvel extrair

    indcios dos estgios de desenvol-

    vimento de um pas.

    No Brasil, verificou-se o desenvol-

    vimento clssico da maioria das

    economias mundiais, marcado por

    trs fases. A primeira, com grande

    participao do setor primrio,

    configurando uma economia agr-

    ria. A segunda, com perda da par-

    ticipao do setor primrio e

    aumento do secundrio. E a ter-

    ceira, quando o setor primrio se

    estabiliza, com uma participao

    relativamente baixa no PIB, e o

    setor secundrio, at ento em

    expanso, perde participao para

    o tercirio.

    Trajetria por setor

    A participao da agricultura no

    PIB brasileiro foi reduzida de 45%,

    A partir de 1993, houveaumento do peso da agropecuria no PIB e observou-se a estabilizaonas participaes de todos os setores.

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 58

  • 59

    em 1900, para cerca de 10% nas

    ltimas dcadas.

    A indstria, por sua vez, represen-

    tava 12% do PIB no incio do scu-

    lo XX. Aumentou continuamente

    sua participao at meados da

    dcada de 1970, quando passou a

    corresponder a 34% do total do

    PIB. Entre 1987 e 1993, a partici-

    pao da indstria apresentou

    queda, enquanto a porcentagem

    do setor de servios cresceu.

    A partir de 1993, houve aumento

    do peso da agropecuria no PIB e

    observou-se a estabilizao nas

    participaes de todos os setores.

    A cota do setor de servios partiu

    de 44% em 1900, chegando a 50%

    nos anos 1930, at atingir 61% na

    ltima dcada do sculo XX.

    Trs fases

    Como vimos no incio deste captu-

    lo, o Brasil apresentou mdias de

    crescimento bastante diferentes ao

    longo do sculo XX. A partir da

    dcada de 1950, podem-se verificar

    trs fases principais:

    De 1950 a 1980

    Perodo de forte expanso do PIB

    brasileiro, com taxa mdia de cres-

    cimento de 7,4%, enquanto a eco-

    nomia mundial crescia em mdia

    3,5% ao ano.

    De 1981 a 1993

    Ritmo de crescimento bem modes-

    to do PIB, incluindo momentos de

    recesso, com taxa mdia de cres-

    cimento de 1,7% ao ano. Nessa

    fase verificou-se queda no PIB per

    capita, pois o crescimento demo-

    grfico foi maior do que o cresci-

    mento do PIB.

    De 1994 a 2001

    Retomada gradual do crescimento,

    quando o PIB registrou taxa mdia

    de 2,8% ao ano.

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 59

  • 60

    Indicador econmico

    Por muitas dcadas, a partir de

    meados do sculo XX, o PIB serviu

    como parmetro de comparao

    entre os pases.

    Seus nmeros eram utilizados

    como balizadores da situao eco-

    nmica de determinado pas.

    Com base nele, foi criado o PIB

    per capita o valor do PIB dividi-

    do pela populao. Em tese, o

    resultado refletiria o grau de

    riqueza dos habitantes.

    Porm, o elevado grau de concen-

    trao de renda em diversos pa-

    ses, como o Brasil, causava distor-

    es e no refletia a realidade de

    um pas em relao ao bem-estar

    da sociedade.

    Por isso, a partir da dcada de

    1990, a Organizao da Naes

    Unidas (ONU) criou outro instru-

    mento de comparao: o ndice de

    Desenvolvimento Humano (IDH)

    para avaliar a qualidade de vida.

    Alm da varivel econmica, o

    IDH composto da expectativa de

    vida e do grau de escolaridade

    da populao.

    Termmetro de crescimento

    At agora, falamos de PIB, cresci-

    mento do pas, soma de produtos

    finais, desempenho da economia...

    Mas, afinal, o que isso tem a ver

    com seu negcio? Tudo! Para que

    seu empreendimento prospere, a

    economia do Pas tem de crescer.

    Caso contrrio, nada feito.

    Para exemplificar a situao,

    vamos conhecer a grfica guia,

    localizada na cidade de So Paulo

    e de propriedade de Wilson

    Moreira. A atividade grfica, como

    podemos intuir, um negcio bas-

    tante sensvel ao desempenho da

    economia, como se fosse um ter-

    mmetro do aquecimento econ-

    mico. Grande parte do servio da

    grfica voltada para a confeco

    de materiais promocionais, peas

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 60

  • 61

    publicitrias e brindes para outras

    empresas, como folders, adesivos,

    catlogos, cartazes e displays.

    As encomendas variam na propor-

    o direta da vitalidade dos neg-

    cios das demais empresas, que tm

    de estar dispostas a promover suas

    marcas e seus servios por meio

    dos produtos grficos de fino aca-

    bamento. Para o senhor Moreira,

    assim como para todos os brasilei-

    ros, fundamental, ento, que a

    economia cresa.

    A curto prazo

    A evoluo do PIB, a curto prazo,

    determinada pela demanda ime-

    diata por produtos. a chamada

    demanda agregada, formada com

    base nos nveis de consumo e

    investimento, dos gastos do gover-

    no e das exportaes lquidas.

    Vamos checar o que significa isso:

    Consumo

    Refere-se ao valor de todos

    os bens e servios comprados

    pela populao. Divide-se em

    trs subcategorias:

    Consumo de bens no durveis

    Arroz, feijo, detergente, pastel,

    caderno, filme fotogrfico, brin-

    quedos, os impressos da grfica do

    senhor Wilson etc.

    Consumo de bens durveis

    Eletrodomsticos em geral, TVs,

    mveis, automveis etc.

    Consumo de servios

    Sade, educao, setor financeiro,

    beleza, lazer etc.

    Investimento

    toda despesa destinada a aumen-

    tar a capacidade de produo.

    At agora, falamos de PIB,crescimento do pas, somade produtos finais,desempenho da economia...Mas, afinal, o que isso tem a ver com seu negcio? Tudo! Para que seuempreendimento prospere,a economia do Pas tem de crescer.

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 61

  • 62

    Gastos do governo

    Incluem os bens ou servios com-

    prados pelos governos federal,

    estadual ou municipal.

    Exportaes lquidas

    Trata-se da diferena entre as

    exportaes e importaes realiza-

    das num dado perodo.

    Cada um desses fatores listados

    corresponde a uma varivel da

    demanda agregada, dependente

    de outros fatores econmicos.

    O consumo, por exemplo, depen-

    de da renda, do crdito e do esto-

    que de riqueza disponveis na

    sociedade; o investimento depen-

    de das taxas de juros e da disponi-

    bilidade de capital interno ou

    externo; o gasto pblico depende

    de decises polticas e institucio-

    nais; j a exportao e importao

    dependem de taxa de cmbio,

    renda externa ou demanda inter-

    na, tarifas e crdito externo.

    A longo prazo

    A capacidade de crescimento do

    PIB, a longo prazo, depende de

    duas variveis:

    Estoque de capital no pas

    (mquinas, equipamentos, cons-

    trues etc.).

    Produtividade desse capital.

    Portanto, para que a produo

    cresa, imprescindvel o cresci-

    mento do estoque de capital e/ou

    da produtividade. O aumento do

    estoque de capital s ocorre por

    meio de investimentos, que podem

    ser efetuados pela aquisio de

    bens de capital (nacional ou impor-

    tado), de imveis, pela construo

    de rodovias, hospitais, hidreltricas,

    Para a economia crescer,o nvel de investimento deve ser maior do que o de depreciao dos equipamentos j em funcionamento na atividade produtiva, senoocorre estagnao.

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 62

  • 63

    escolas Podem, portanto, ser

    pblicos ou privados.

    Para a economia crescer, o nvel

    de investimento deve ser maior do

    que o de depreciao dos equipa-

    mentos j em funcionamento na

    atividade produtiva, seno ocorre

    estagnao.

    Poupana de investimento

    Os fatores que influenciam no

    nvel de investimento so, entre

    outros, taxa de juros, fluxos inter-

    nacionais de capital e poupana.

    Esta ltima, alis, talvez seja a

    melhor fonte de investimento,

    com origem em recursos das fam-

    lias, das empresas, do setor pbli-

    co ou de fonte externa.

    A poupana das famlias, enquan-

    to no consumida pelas prprias,

    podem ser deixadas em aplicaes

    e usadas pelos bancos como crdi-

    to para terceiros investirem em

    seus negcios.

    A poupana das empresas o

    lucro, que pode ser reinvestido

    nas prprias empresas.

    A poupana externa o capital

    de investidores que entra no pas

    em busca de negcios.

    J a poupana pblica a diferen-

    a entre a arrecadao e as despe-

    sas correntes de um pas, estado

    ou municpio. Seu conceito dife-

    rente do dficit pblico, pois este

    inclui os prprios investimentos.

    Na dcada de 1970, a poupana

    pblica no Brasil equivalia a 5%

    do PIB e foi realmente uma gran-

    de fonte de investimento em

    vrios setores da economia.

    J no final dos anos 1990, essa

    poupana equivalia a -5% do PIB,

    ou seja, para cobrir seus gastos, o

    governo usava toda sua arrecada-

    o e ainda 5% do PIB. Dessa

    forma, ficou difcil depender da

    poupana pblica para investir e

    promover o crescimento do PIB.

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 63

  • 64

    Cenrio bom ou ruim

    A longo prazo, a evoluo do PIB

    influenciada por diferentes

    modelos de poltica pblica, como

    a poltica fiscal, a monetria, a

    cambial ou a de renda.

    Vamos comentar brevemente cada

    uma dessas polticas, para que seja

    possvel entender como as atitu-

    des e decises do governo podem

    criar um cenrio que favorea ou

    prejudique seu empreendimento.

    Poltica fiscal

    Para o Estado incentivar os investi-

    mentos a longo prazo por meio da

    poltica fiscal, a lgica que haja

    mais gasto pblico e queda dos

    impostos, disponibilizando recur-

    sos para fomentar o consumo e o

    investimento. O gasto pblico j

    foi largamente usado como cria-

    dor de demanda em diversos pa-

    ses. No Brasil, o gasto pblico

    apontado como responsvel pelo

    desequilbrio do setor pblico e

    gerador de inflao.

    Poltica monetria

    Por meio dela, pode-se incentivar

    o uso do crdito para aquecer a

    demanda, promovendo a queda

    da taxa de juros, por exemplo.

    Poltica cambial

    Por meio dela, o incentivo ao cres-

    cimento da produo ocorre pela

    desvalorizao da moeda, o que

    facilita as exportaes de produtos

    nacionais e a substituio de pro-

    dutos importados que ficam

    mais caros com a moeda desvalori-

    zada por produtos feitos aqui.

    Poltica de renda

    Pode determinar o aumento do

    PIB por meio do aumento do sal-

    rio real, que estimula o consumo.

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 64

  • 65

    Perguntas e respostas

    Neste momento, voc se pergunta:

    por que o Pas tem crescido to

    modestamente mesmo com todos

    esses instrumentos disponveis?

    Em 2005, o PIB cresceu 2,3%, con-

    tra 4,9% registrado em 2004. O

    resultado foi abaixo da mdia de

    vizinhos latino-americanos como

    Argentina (9,1%), Venezuela (9%)

    e Mxico (3%). Os Estados Unidos,

    a maior economia do mundo,

    apresentaram crescimento de

    3,5% em relao a 2004. A China,

    por sua vez, registrou crescimento

    de 9,9% em 2005.

    Para tentar encontrar respostas,

    leia o quadro a seguir.

    Numa anlise sobre o baixo crescimento do PIB

    brasileiro, o economista e professor da

    Fundao Getlio Vargas Paulo Nogueira Batista

    aponta que, de 1995 a 2002, o problema cen-

    tral foi a vulnerabilidade das contas externas.

    Foi o resultado da combinao de cmbio

    sobrevalorizado (at o incio de 1999) e da

    abertura unilateral da economia (reduo de

    tarifas e outras barreiras importao). Depois

    de 2003, a adoo de polticas macroeconmi-

    cas restritivas voltadas para o combate infla-

    o teria contido o crescimento. Para Batista, o

    governo poderia ter estimulado a demanda

    agregada com o corte da taxa de juros, por

    exemplo, sem temer a inflao, porque a eco-

    nomia operava com cerca de 80% da capaci-

    dade instalada. Em resposta a um estmulo de

    demanda, os nveis de produo poderiam

    aumentar mesmo sem grandes investimentos,

    com base no aumento do nmero de turnos de

    trabalho, nos investimentos marginais e em

    outras adaptaes do processo produtivo. Alm

    disso, as altas taxas de desemprego atuais

    diminuem o risco da chamada inflao de

    demanda. Nessa anlise, esto implcitos os

    conceitos de PIB potencial e PIB efetivo. O PIB

    potencial se refere capacidade total da pro-

    duo do pas, e o PIB efetivo mede o que real-

    mente est sendo produzido, sem o uso de

    todas as mquinas, escritrios e trabalhadores

    do pas. O PIB efetivo sempre tende a ser

    menor do que o potencial. Quando os dois PIBs

    se igualam, ou seja, quando o que estiver

    sendo produzido efetivamente estiver ocupando

    toda a capacidade produtiva, ocorre a chamada

    situao de pleno emprego.

    Crescimento do PIB: possveis causas e solues

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 65

  • 66

    Pontos de vista diversos

    A anlise do professor Paulo

    Nogueira uma das possveis

    interpretaes da questo. preci-

    so que o empreendedor tenha cla-

    reza que existem diversos pontos

    de vistas sobre o assunto muitas

    vezes conflitantes.

    Para o economista-chefe do

    Santander Banespa, Andr Loes,

    por exemplo, a reduo brusca das

    taxas de juros no resultaria num

    crescimento maior da economia,

    uma vez que as polticas fiscal

    e monetria de curto prazo so

    recomendadas a pases que apre-

    sentam PIB efetivo bem abaixo do

    PIB potencial. Segundo o econo-

    mista, no Brasil essa diferena

    pequena, e o aumento do PIB efe-

    tivo, sem que haja investimentos

    na capacidade de produo, gera-

    ria inflao.

    Ateno s informaes

    Para o empreendedor, ficam as

    seguintes dicas:

    Procure acompanhar a divulga-

    o dos resultados do PIB e as

    interpretaes dos analistas pela

    imprensa, porque essas informa-

    es auxiliam na prpria avaliao

    da situao econmica.

    Busque um resultado mais deta-

    lhado do PIB nos cadernos de

    economia dos jornais ou em

    sites especializados.

    Preste ateno no desempenho

    dos diversos setores e subsetores

    da economia.

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 66

  • 67

    Tenha cautela se o setor de seu

    ramo de atividade estiver com

    pequena taxa de crescimento ou

    mesmo apresentar taxa negativa

    (em estagnao ou retrao), pois

    isso significa que at recentemen-

    te havia uma procura menor que a

    oferta de bens/servios em seu

    setor, o que torna a concorrncia

    mais acirrada.

    Se os indicadores estiverem

    apontando para a expanso eco-

    nmica, prepare-se: podem estar

    surgindo oportunidades de pros-

    peridade nos negcios, inclusive

    com potencial entrada de novos

    consumidores no mercado.

    Se os indicadores estiveremapontando para a expansoeconmica, prepare-se: podem estar surgindo oportunidades de prosperidade nos negcios,inclusive com potencialentrada de novos consumidores no mercado.

    O que voc viu no captulo 5

    > O que Produto Interno Bruto (PIB) ecomo ele se compe.1

    > Como utilizar o PIB como termmetrode curto e longo prazos.2

    > Como interpretar as informaes sobreo PIB para relacion-las a seu negcio.3

    livro08_54-67 25.08.06 17:40 Page 67

  • EXPORTAES E IMPORTAES

    O que taxa de cmbio?

    Como entender as medidas do

    governo relativas importao

    e exportao? O que balana

    de pagamentos?

    6

    68

    Os pases realizam transaes

    entre si, comprando e vendendo

    produtos, entre bens e servios,

    para atender a demandas que seu

    mercado interno no capaz de

    suprir. O Brasil, por exemplo,

    vende automveis para a

    Argentina. Porm, nenhum esta-

    belecimento comercial brasileiro

    aceita pesos argentinos como

    moeda de troca. Nem pesos nem

    euros nem dlares nem quaisquer

    moedas dos pases que compram

    produtos do Brasil.

    Da mesma forma, o real brasileiro

    no aceito nos mercados de

    onde o Pas importa produtos.

    Como as moedas tm restries

    geogrficas para circular, a primei-

    ra medida para tornar a comercia-

    lizao internacional possvel

    estabelecer uma taxa de cmbio,

    de modo a permitir a converso

    de valores entre moedas.

    O valor de cada moeda est rela-

    cionado com a lei da oferta e da

    demanda. Se h grande procura

    por dlares, por exemplo, a cota-

    o dessa moeda est em alta; ao

    contrrio, se h mais pessoas ven-

    dendo do que comprando dlares,

    a cotao cai.

    livro08_68-73 25.08.06 17:56 Page 68

  • 69

    De forma simplificada, os ofertan-

    tes da moeda estrangeira so as

    empresas que vendem produtos

    para outros pases, e os deman-

    dantes so aqueles que compram

    produtos de outros pases e preci-

    sam de dlares para pagar.

    Assim, se h mais gente querendo

    vender do que comprar a moeda

    estrangeira, a tendncia a taxa

    de cmbio se desvalorizar. De

    modo inverso, a tendncia que

    se registre alta na taxa de cmbio

    quando a procura pela moeda

    maior do que a demanda.

    Mediao do BC

    O movimento de compra e venda

    de divisas no ocorre diretamente

    entre as partes interessadas. O

    mercado de cmbio se desenvolve

    no ambiente bancrio e regula-

    do e controlado pelo Banco

    Central. O BC lista taxas mdias

    que considera seguras para man-

    ter os demais indicadores econ-

    micos equilibrados. Portanto, se

    h uma oferta excessiva de dlar

    e a cotao da moeda cai abaixo

    do nvel projetado pela institui-

    o, o BC intervm, comprando o

    excesso para forar a taxa a voltar

    aos nveis seguros. Pelo mesmo

    raciocnio, quando h falta da

    moeda, porque tem mais interes-

    sados em comprar do que a oferta

    e a taxa sobe acima daquela

    mdia segura estabelecida pelo

    BC, a instituio intervm nova-

    mente, mas desta vez para ofertar

    parte de seu estoque de divisas

    internacionais e forar a queda na

    cotao, disponibilizando mais

    dlares para os interessados.

    Cmbio fixo e flutuante

    comum ouvir as expresses cm-

    bio fixo e cmbio flutuante no

    noticrio econmico.

    O cmbio fixo, chamado dlar

    comercial, usado nas operaes

    de importao e exportao,

    emprstimos, investimentos e na

    remunerao destes ltimos.

    J o cmbio ou dlar flutuante

    aplicado, por exemplo, sobre com-

    pras feitas com cartes de crdito

    no exterior.

    livro08_68-73 25.08.06 17:56 Page 69

  • 70

    Vender mais, comprar menos

    No comrcio internacional, os pa-

    ses perseguem a superao das

    exportaes em relao s impor-

    taes. Isso porque as vendas

    externas tm efeito sobre a eco-

    nomia. Para exportar, as empresas

    aumentam a produo, os empre-

    gos e o uso dos bens disponveis

    no pas. Por outro lado, quando se

    importa, esse efeito multiplicador

    ocorre em outro pas.

    Portanto, o que todos os pases

    querem exportar mais do que

    importar, porque acumulam divi-

    sas e reservas para pagar suas dvi-

    das e deixar a economia forte o

    suficiente para no se abalar com

    eventuais crises.

    Exportao e importao

    Por que preciso exportar e

    importar? Pases importam para

    suprir suas demandas internas,

    seja porque no h em seus mer-

    cados disponibilidade do bem

    desejado, seja porque comprar o

    bem no exterior, s vezes, mostra-

    se mais vantajoso do que busc-lo

    no mercado interno devido aos

    custos de produo mais baratos e

    preos finais mais competitivos,

    tornando a aquisio externa um

    melhor negcio.

    O mercado internacional per-

    meado pela chamada Teoria das

    Vantagens Comparativas, pela

    qual duas naes tm relaes

    comerciais quando apresentam

    custos diferentes de produo.

    Uma delas exportar sempre

    aquele produto que produzir a

    custos menores do que a outra.

    Nesse caso, o comrcio entre as

    duas naes torna-se vantajoso

    para ambas. Nessa teoria,

    melhor para os pases se dedica-

    rem produo do bem que tem

    vantagens comparativas maiores.

    livro08_68-73 25.08.06 17:56 Page 70

  • 71

    Medidas protecionistas

    Para tentar barrar as importaes

    excessivas e estimular a venda de

    seus produtos locais, os pases

    adotam medidas protecionistas.

    Entre essas medidas, destacam-se:

    Aumento de impostos de impor-

    tao, que tornam os preos

    dos importados mais altos e

    menos competitivos.

    Estabelecimento de cotas

    de importao.

    Criao de subsdios internos

    para estimular a venda de

    seus produtos.

    Existem tambm barreiras no

    tarifrias normalmente sedimenta-

    das em questes sanitrias. Por

    exemplo, a ameaa de surto de

    febre aftosa no gado brasileiro

    pode se tornar impedimento para

    o ingresso de carne nacional em

    mercados externos.

    Balana de pagamentos

    Como essas relaes comerciais

    so contabilizadas pelos pases?

    Todas as transaes com moedas

    internacionais entram na contabi-

    lidade da chamada balana

    de pagamentos.

    Por meio dela, realiza-se o registro

    contbil de todas as operaes de

    compra e venda em moeda estran-

    geira, importaes, exportaes,

    emprstimos que o Pas recebe em

    moeda estrangeira, capital das

    empresas internacionais que se

    instalam no Brasil e capital dessas

    que saem do Brasil.

    Na dcada de 1950, o Brasil tentou implan-

    tar uma poltica de substituio de importa-

    o, criando incentivos para a produo

    interna e barreiras para produtos estrangei-

    ros. Em 1968, ocorreu uma abertura econ-

    mica com polticas de incentivo ao comrcio

    exterior. Entre meados da dcada de 1970 e

    fim dos anos 1980, sucederam-se novas

    imposies s compras no exterior num

    movimento restritivo ao mercado internacio-

    nal. J no incio dos anos 1990, houve nova

    mudana de rota com a intensificao da

    abertura econmica.

    Comportamento histrico

    livro08_68-73 25.08.06 17:56 Page 71

  • 72

    Ter uma balana de pagamentos

    com saldo positivo significa regis-

    trar aumento das reservas do pas.

    Conhecer esses resultados essen-

    cial para mensurar o flego da eco-

    nomia. A balana de pagamentos

    comporta trs grandes categorias:

    Balana comercial.

    Balana de servios.

    Balana de capitais.

    Balana comercial

    Contabiliza o resultado entre

    importaes e exportaes. As ven-

    das de produtos brasileiros so

    registradas na contabilidade como

    crdito, e a compra de produtos

    estrangeiros como dbito.

    Balana de servios

    Rene os servios prestados e rece-

    bidos de estrangeiros. Contabili-

    zam-se, por exemplo, os juros

    pagos pelo Brasil e os lucros reme-

    tidos ao exterior por empresas

    internacionais instaladas no Pas.

    Juntas, as balanas comercial e de

    servios constituem a chamada

    balana de transaes correntes.

    Esta rene transaes de compra e

    venda de servios e bens.

    Balana de capitais

    Rene o registro de capitais de

    empresas estrangeiras no Brasil e de

    emprstimos contrados pelo Pas.

    Fixao das taxas de cmbio

    Como vimos, o Banco Central brasi-

    leiro acompanha o movimento do

    mercado na compra e venda de

    dlares e intervm quando pres-

    sente que o ritmo de um dos lados

    pode prejudicar a economia.

    A teoria de fixao do cmbio lida

    com trs possibilidades:

    livro08_68-73 25.08.06 17:56 Page 72

  • 73

    Cmbio livre.

    Cmbio fixo.

    Minibandas.

    Cmbio livre

    Seria uma situao sem interfe-

    rncia governamental. O valor

    da moeda seria estabelecido nica

    e exclusivamente pela disposio

    do mercado.

    Cmbio fixo

    o governo que determina o valor

    de sua moeda com relao refe-

    rncia estrangeira.

    Minibandas

    No sistema de minibandas, o

    governo estabelece um intervalo

    em que o valor da moeda pode se

    movimentar. Foi esse o sistema que

    o Brasil adotou entre 1995 e 1999,

    ano em que o Pas viveu uma crise

    cambial pelo fato de o Plano Real,

    criado em 1994, ter sobrevaloriza-

    do o valor do real.

    O que voc viu no captulo 6

    > A finalidade da taxa de cmbio e asdefinies de cmbio fixo e flutuante.1

    > A lgica dos movimentos de exporta-o e importao.2

    > As medidas protecionistas adotadaspelos pases para barrar as importaes.3

    > A composio da balana de paga-mentos e a fixao das taxas de cmbio.4

    livro08_68-73 25.08.06 17:56 Page 73

  • ALTOS E BAIXOS DO BRASIL

    Qual a origem dos problemas

    econmicos do Brasil?

    Por que a economia brasileira

    ainda gera incertezas entre

    investidores e empresrios?

    7

    74

    Para entender a economia brasilei-

    ra atual, preciso resgatar sua

    trajetria ao longo das ltimas

    dcadas. Afinal, questes como

    composio dos setores econmi-

    cos, dvida pblica, salrios e

    impostos e tudo o que se refere s

    contas do Pas tiveram origem no

    passado, que, de modo direto e

    indireto, se reflete nos dias atuais.

    Processo de industrializao

    O processo de intensificao da

    industrializao brasileira, que

    teve incio a partir da dcada de

    1930, durante o governo de

    Getlio Vargas, e seguiu com fle-

    go at o final dos anos 1970,

    mudou a estrutura da economia

    brasileira, antes respaldada princi-

    palmente pela atividade agrria.

    Mudanas como essas no aconte-

    cem de forma isolada, sem afetar

    a estrutura geral de um pas, suas

    prioridades de investimentos e

    suas polticas. No caso do Brasil, o

    processo de industrializao foi

    em si uma opo poltica. Ela

    aconteceu fortemente incentivada

    pelo Estado e at mesmo dentro

    de sua estrutura, o que pode ser

    ilustrado com a criao de grandes

    estatais, como a Petrobras e as

    empresas siderrgicas.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 74

  • 75

    O governo investia na criao dos

    prprios conglomerados indus-

    triais e estimulava a iniciativa pri-

    vada a fazer o mesmo.

    As indstrias precisavam de com-

    bustvel para garantir o funciona-

    mento de seus parques e de uma

    estrutura de transporte para asse-

    gurar a circulao de mercadorias.

    Investimentos altos para a cons-

    truo dos parques industriais

    demandavam outro tanto de

    recursos para assegurar a infra-

    estrutura que os fariam funcionar.

    importante lembrar que a inse-

    gurana quanto ao fornecimento

    de energia eltrica e s dificulda-

    des relacionadas a transporte e

    telecomunicaes so condies

    que desanimam investimentos.

    Infra-estrutura

    Um empresrio s decide se vai se

    instalar ou se manter num deter-

    minado lugar, caso sejam assegu-

    radas as mnimas garantias para

    produzir e distribuir seus produ-

    tos. Por isso, um pas no cresce

    sem investir em infra-estrutura.

    Esse foi um setor que recebeu

    grandes recursos desde 1930, com

    ateno nos governos de Juscelino

    Kubitschek (1956-1961) e durante

    o perodo militar (1964-1984).

    Distribuio de renda

    Para alguns especialistas, a priori-

    dade nos investimentos em infra-

    estrutura teria sido impedimento

    para a implementao das necess-

    rias polticas sociais e para a

    melhor distribuio de renda. de

    conhecimento de todos que o

    Brasil est entre as naes que exi-

    bem pior distribuio de renda. As

    dificuldades de melhoria da quali-

    dade de vida da populao eram

    creditadas como custo social da

    corrida rumo ao desenvolvimento.

    A insegurana quanto aofornecimento de energia eltrica e s dificuldadesrelacionadas a transporte e telecomunicaes so condies que desanimaminvestimentos.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 75

  • 76

    crescer para depois reparti-lo.

    Ao lembrar do objetivo bsico da

    economia de promover crescimen-

    to da produo, gerao de

    empregos e melhoria da qualida-

    de de vida com a distribuio de

    renda mais igualitria, pode-se

    considerar que, naquele momento

    da histria brasileira, os dois pri-

    meiros quesitos eram o foco das

    polticas implementadas.

    Estrutura distributiva

    A economia brasileira estava em

    franco crescimento entre 1964 e

    1980, o Pas havia saltado da 50a

    para a 10a posio no ranking

    mundial do PIB. Tambm liderou a

    corrida dos pases terceiro-mundis-

    tas rumo ao desenvolvimento.

    No mesmo perodo, o desempe-

    nho social no acompanhou os

    bons resultados obtidos na econo-

    mia. No que os temas sociais

    tenham sido esquecidos. Vrios

    indicadores demonstraram cresci-

    mento e melhoria, como acesso

    educao e sade.

    Porm, o fato que no se conse-

    Milagre econmico

    O crescimento acelerado e diversi-

    ficado no perodo do chamado

    milagre econmico, entre 1968

    e 1974, deveu-se disponibilidade

    externa de capital e determina-

    o dos governos militares de rea-

    lizar altos investimentos em infra-

    estrutura, em indstrias de base,

    transformao, equipamentos e

    bens durveis, e na agroindstria,

    alavancando a economia como

    um todo.

    Durante esse perodo de otimismo

    econmico, eletrodomsticos e

    outros bens, como automveis,

    passaram a fazer parte do sonho

    de consumo dos brasileiros.

    O milagre econmico ficou mar-

    cado pela idia de que o momen-

    to era ideal para fazer o bolo

    Os ventos que eram favorveis se viraram contrao Pas no final dos anos1970. Na dcada de 1980, aeconomia brasileira esteve beira de uma forte crise.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 76

  • 77

    guiu mudar a estrutura distributi-

    va. Pelo contrrio, as diferenas

    tornaram-se maiores e, at o in-

    cio do sculo XXI, seguem como o

    maior desafio ao governo.

    Questo de investimento

    Para se ter uma idia do papel do

    Estado na prosperidade econmi-

    ca, a participao do setor pblico

    nos investimentos totais no Pas

    flutuou em torno de 35% a 45%

    nas dcadas de 1960 e 1970. J no

    final da dcada de 1990, esses

    investimentos representaram ape-

    nas 5% do total.

    No mesmo perodo, no se regi-

    traram fatores de compensao.

    Ou seja, a retrao do investimen-

    to estatal no foi compensada por

    investimentos privados.

    Em 1973, os resultados da econo-

    mia foram excepcionais: o PIB

    cresceu 14%, enquanto o setor

    industrial registrou aumento de

    15,8%. No dia-a-dia, o crescimen-

    to foi traduzido numa era de

    emprego e de grandes oportuni-

    dades para os empresrios.

    Emprstimo externo

    Antes e durante o regime militar,

    como o governo no tinha dinhei-

    ro para autofinanciar a infra-

    estrutura adequada expanso

    industrial, recorreu-se fortemente

    a emprstimos internacionais.

    Naquela poca, a conjuntura

    externa mostrava-se favorvel,

    com linhas de crdito disponveis

    aos pases em desenvolvimento e

    taxas de juros convidativas.

    Os ventos que eram favorveis se

    viraram contra o Pas no final dos

    anos 1970. Na dcada de 1980,

    a economia brasileira esteve

    beira de uma forte crise, cuja

    causa principal era o grande

    endividamento externo.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 77

  • 78

    O Brasil e todos os pases da

    Amrica Latina, que dependiam de

    dinheiro externo para financiar

    seus processos desenvolvimentistas

    e viviam o otimismo do crescimen-

    to econmico, viram a situao se

    inverter nos anos 1980 a chama-

    da dcada perdida, por causa da

    expanso insignificante do PIB, do

    aumento da dvida externa e, em

    conseqncia disso, da acelerao

    das taxas de desemprego e da

    inflao e do agravamento da

    situao social.

    Marco dessa virada da disposio

    dos mercados externos foi a crise

    do petrleo de 1979, com forte

    alta do preo internacional do pro-

    duto e com reflexo em cadeia em

    praticamente todos os segmentos

    econmicos. A partir da, os finan-

    ciamentos internacionais comea-

    ram a ficar mais difceis e onerosos,

    com o aumento das taxas de juros

    nos Estados Unidos.

    Crise vista

    Entre os anos 1980 e meados da

    dcada de 1990, o Brasil viveu

    numa espcie de inferno econ-

    mico em que as taxas altas de

    inflao comprometiam o projeto

    de crescimento.

    Muitas polticas econmicas foram

    implementadas. A maioria delas foi

    malsucedida na tentativa de con-

    trolar o aumento progressivo de

    preos e de retomar a estabilidade.

    Desde os anos 1980 at o incio do

    sculo XXI, o governo acumulou

    uma sucesso de tentativas para

    pr o Brasil de volta aos trilhos do

    crescimento. Em duas dcadas,

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 78

  • 79

    foram 8 programas de estabiliza-

    o econmica, 15 polticas sala-

    riais, 54 alteraes de sistemas de

    controle de preos, 18 mudanas

    de poltica cambial, 21 propostas

    de renegociao da dvida externa,

    11 ndices oficiais de inflao e 5

    congelamentos de preos e sal-

    rios. A partir de 1986, foram 5

    mudanas de moeda.

    Em meio turbulncia

    A inverso da rota de otimismo

    que pairava sobre a economia bra-

    sileira foi inesperada para o empre-

    sariado em geral. Muitas empresas,

    principalmente de pequeno e

    mdio portes, fecharam as portas.

    As que se mantiveram em p preci-

    saram se utilizar de malabarismos

    para manter o negcio.

    Wilson Moreira, o dono da grfica

    guia, destacada como exemplo no

    captulo 5 deste livro, foi um dos

    que sobreviveram crise econmi-

    ca. Moreira gastou tudo o que con-

    seguiu acumular entre os anos

    1960 e 1980 para manter a empre-

    sa em funcionamento nos anos

    seguintes. Entre a inaugurao da

    grfica na dcada de 1960 at o

    fim dos anos 1970, o empresrio

    viveu ambiente favorvel para

    expanso dos negcios. Tanto que

    se capitalizou, investiu em novas

    mquinas e comprou terreno para

    construir a sede da empresa.

    At o final da dcada de 1970,

    Moreira, a exemplo da grande

    parte do empresariado nacional,

    contribuiu para a forte expanso

    econmica brasileira, at ventos

    causarem turbulncia nos funda-

    mentos da economia do Pas.

    Em duas dcadas, foram 8 programas de estabilizaoeconmica, 15 polticas salariais, 54 alteraes desistemas de controle de preos, 18 mudanas de poltica cambial, 21 propostas de renegociaoda dvida externa, 11 ndicesoficiais de inflao e 5 congelamentos de preos e salrios.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 79

  • 80

    Dvida e inflao

    Diante da crise econmica dos

    anos 1970, o governo militar bus-

    cou uma frmula que fosse capaz

    de, ao mesmo tempo, ajustar as

    contas externas, combater a infla-

    o e manter o crescimento eco-

    nmico. Para isso, o ento minis-

    tro do Planejamento Delfim Neto

    adotou medidas que preservassem

    a demanda interna. Entre elas:

    Controle sobre as taxas de juros.

    Expanso de crdito para a agri-

    cultura na expectativa de gerar

    uma supersafra e conteno dos

    preos dos alimentos.

    Estmulo captao externa com

    a diminuio dos impostos sobre a

    remessa de lucro.

    Maxidesvalorizao de 30% do

    cruzeiro em dezembro de 1979

    para impulsionar as exportaes.

    Em relao a esta ltima medida

    do governo, o dono da grfica

    guia tem particular lembrana:

    Ns tnhamos planos de trocar

    mquinas, importando novos

    equipamentos, mas com a alta

    repentina do dlar no deu mais,

    recorda-se Moreira.

    Se, por um lado, a maxidesvalori-

    zao do cruzeiro em 30% e a res-

    pectiva alta do dlar atrapalha-

    ram a importao do maquinrio

    de Moreira, por outro, a medida

    dinamizou as exportaes do Pas,

    cumprindo a meta do governo:

    com os preos de produtos brasi-

    leiros mais competitivos no exte-

    rior devido desvalorizao cam-

    bial, foi possvel alavancar as

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 80

  • 81

    exportaes. Com o saldo da

    balana comercial, conseguiu-se

    captar dlares para honrar os

    compromissos da dvida externa.

    Porm, como a dvida externa era

    essencialmente pblica e o super-

    vit comercial provinha de empre-

    sas privadas que exportavam seus

    produtos, houve necessidade de

    emisso de ttulos pblicos pelo

    governo para que a administrao

    capturasse o dinheiro que ingres-

    sava no Pas e o repassasse para o

    pagamento da dvida.

    Ou seja, a busca por ajuste exter-

    no causou desajuste interno, com

    crescente endividamento do

    Estado ao colocar seus ttulos na

    praa. Ao contrrio do almejado,

    o conjunto dessas aes resultou

    em acelerao inflacionria, com o

    ndice chegando a 100% ao ano

    em 1980, devido ao aumento dos

    preos pblicos, da lei que estebe-

    leceu reajuste salarial semestral e

    da maxidesvalorizao cambial,

    que aumentou o custo dos produ-

    tos importados, pressionando os

    preos internos.

    Fim de uma era

    A dvida externa era o grande fan-

    tasma de pases em desenvolvi-

    mento. Ela resultou na insolvncia

    da Polnia e da Argentina e na

    moratria do Mxico, no chamado

    setembro negro de 1982.

    Os reveses levaram restrio do

    fluxo de investimentos externos

    para os pases em desenvolvimen-

    to. Encerrava-se a era do incentivo

    dos pases e bancos estrangeiros

    credores ao endividamento dos

    pases em desenvolvimento como

    forma de alavancar suas econo-

    mias. Iniciou-se, ento, a era em

    que esse mesmo endividamento se

    tornou o prprio gerador dos

    constrangimentos destes pases.

    A busca por ajuste externocausou desajuste interno,com crescente endividamentodo Estado ao colocar seusttulos na praa. Ao contrriodo almejado, o conjunto dessas aes resultou emacelerao inflacionria.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 81

  • 82

    No Brasil, o ajuste foi iniciado de

    forma voluntria. Mas, a partir do

    final de 1982, o Pas teve de recor-

    rer ajuda do Fundo Monetrio

    Internacional (FMI).

    Desde ento, esse ajuste passou a

    ser tutelado, orientado e cobrado

    por essa instituio.

    Receita amarga

    Depois de o governo fracassar na

    tentativa de conter a inflao sem

    comprometer o crescimento eco-

    nmico, a poltica adotada para

    superar a crise foi baseada na con-

    teno da demanda interna.

    Quando o governo quer conter a

    demanda interna, precisa pr em

    prtica um conjunto de receitas

    amargas para a populao, como:

    Diminuio de investimentos

    pblicos.

    Aumento da taxa de juros.

    Restrio ao crdito.

    Reduo do salrio real, resul-

    tante at mesmo do desemprego

    gerado pelo quadro recessivo.

    O objetivo deliberado do governo

    em conter a demanda gerou pro-

    funda recesso em 1981 e 1983 e

    baixo crescimento em 1982. Com a

    economia parada, muitos brasilei-

    ros que esperavam substituir a TV

    preto-e-branco por um televisor

    em cores para assistir seleo

    brasileira na Copa do Mundo de

    1982 tiveram seu sonho adiado.

    Para o dono da grfica guia,

    aquele perodo foi um verdadeiro

    Depois de o governo fracassar na tentativa deconter a inflao sem comprometer o crescimentoeconmico, a poltica adotada para superar a crisefoi baseada na conteno dademanda interna. Quando ogoverno quer conter ademanda interna, precisa pr em prtica um conjuntode receitas amargas.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 82

  • 83

    pesadelo. No bastasse a recesso

    encurtar o cobertor para seus

    negcios, um incndio ps fim a

    um estoque de papel e, o pior,

    queimou uma de suas mquinas

    mais modernas, causando um pre-

    juzo imensurvel.

    Contra a inflao

    A primeira metade de 1980 foi

    marcada pelo perodo final da

    ditadura militar brasileira, fato

    marcado pela derrota da Arena,

    o partido do governo, na eleio

    para governadores em 1982 na

    maioria dos Estados.

    J pressionada pelo fantasma do

    desemprego, a populao viu o

    Pas mergulhado numa crise que

    praticamente bloqueou seu cresci-

    mento econmico por toda a

    dcada de 1980.

    O perodo foi marcado pelo emba-

    te entre economistas ortodoxos e

    estruturalistas sobre o melhor

    caminho para combater a inflao.

    Enquanto os primeiros defendiam

    o ajuste fiscal e a conteno dos

    gastos pblicos como condio

    para o fim da inflao, os demais

    no consideravam essa necessida-

    de e buscavam combater apenas a

    chamada inrcia inflacionria.

    Com o primeiro acordo com o

    FMI, em 1982, foi implementada

    uma poltica de cunho ortodoxo

    que, ao tentar conter o dficit

    pblico, atingiu negativamente os

    gastos pblicos e a demanda

    interna. Essa poltica no alcanou

    xito na busca pela estabilidade, e

    os tericos que defendiam essa

    linha de pensamento tiveram sua

    credibilidade abalada.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 83

  • 84

    Sucesso de planos

    No incio da Nova Repblica, o

    governo optou pelos economistas

    estruturalistas para formular sua

    poltica econmica. Para estes, os

    gastos pblicos e o conseqente

    dficit fiscal no eram o problema

    principal da economia, j que

    parte dos gastos significava investi-

    mentos diretos na economia.

    Alm disso, segundo os estrutura-

    listas, no havia problema em

    financiar esses gastos e investimen-

    tos pela emisso de ttulos pbli-

    cos. O Pas teve ento a implemen-

    tao de diversos planos econmi-

    cos com vrios graus de heterodo-

    xia para o combate da inflao.

    Todos eles Plano Cruzado,

    Bresser e Vero no obtiveram

    sucessos duradouro na busca pela

    estabilizao. Ao final de cada

    tentativa frustrada, a populao

    voltava a se deparar com altas

    taxas de inflao.

    J o Plano Collor, em 1990, seguiu

    orientao ortodoxa. Ao determi-

    nar o confisco das contas banc-

    rias, ocasionou arrocho salarial e

    ajuste fiscal, alm de cortar signifi-

    cativamente a demanda. Como

    resultado, a economia operou

    abaixo de sua capacidade. Os efei-

    tos foram igualmente desastrosos.

    O perodo de instabilidade econ-

    mica perdurou at a implementa-

    o do Plano Real, em 1994, que

    baixou a inflao, fortaleceu a

    moeda e recuperou a credibilidade

    da economia brasileira no merca-

    do internacional.

    Vamos conhecer agora um pouco

    mais sobre cada um dos planos

    econmicos que vigoraram no Pas

    a partir de 1986.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 84

  • 85

    Plano Cruzado

    Em 1986, antes de completar um

    ano de governo e com uma infla-

    o acumulada de 252,6% em 12

    meses, o presidente Jos Sarney e

    seu ministro da Fazenda Dilson

    Funaro lanaram o Plano Cruzado.

    Uma das caractersticas do plano

    foi aliar heterodoxia econmica e

    tratamento de choque, com o con-

    gelamento de preos, de salrios,

    das tarifas e do cmbio.

    O objetivo do choque do conge-

    lamento era apagar a memria

    inflacionria num pas cuja popu-

    lao j havia se acostumado a

    fazer estoque de produtos como

    leo de cozinha, arroz e at papel

    higinico para fugir da alta quase

    diria dos preos.

    Houve troca de moeda, de cruzei-

    ro para cruzado, com corte de trs

    zeros. Para quem tinha contrado

    dvidas a prazo, a converso mos-

    trou-se vantajosa, afinal o mon-

    tante da dvida caa a cada dia.

    Porm, esse no era o caso da

    grfica de Moreira. Sua empresa

    encontrava-se em boa situao,

    com estoque de papel, poucas

    dvidas no mercado e dinheiro

    para receber dos clientes por

    servios prestados.

    Para ele, o Plano Cruzado foi terr-

    vel: Eu estava com a casa em

    ordem e, quando finalmente os

    clientes foram me pagando as

    prestaes como combinado,

    quase no recebi nada, pois as

    dvidas se desvalorizaram.

    A inflao despencou para aproxi-

    madamente 1% ao ms, e o plano

    gozou de amplo apoio popular.

    O presidente Jos Sarney e seu ministro da FazendaDilson Funaro lanaram oPlano Cruzado. Uma dascaractersticas do plano foialiar heterodoxia econmicae tratamento de choque,com o congelamento de preos, de salrios, das tarifas e do cmbio.O objetivo do choque docongelamento era apagar a memria inflacionria.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 85

  • 86

    Surgiram os Fiscais do Sarney,

    cidados que vigiavam as gndolas

    dos supermercados, checavam o

    cumprimento do tabelamento e

    denunciavam a remarcao de pre-

    os como se fosse um ato cvico em

    nome da economia popular. A

    demanda agregada cresceu rapida-

    mente em todas as classes sociais.

    A classe mdia, particularmente,

    foi ao paraso, dando vazo a um

    desejo de consumo represado por

    anos de recesso. Entre os bens

    durveis, o videocassete, grande

    novidade entre os eletrodomsti-

    cos, foi a vedete do momento.

    Alguns produtos comearam a fal-

    tar no mercado, como carne, leite e

    at automveis. O mercado passou

    a praticar o gio para entregar os

    produtos, levando o governo a

    estabelecer at confisco de bois no

    pasto para regularizar a oferta de

    carne. Alguns preos ficaram niti-

    damente distorcidos. Um carro

    popular podia custar mais caro que

    um apartamento devido forte

    demanda e s filas de encomendas.

    Seguindo a mesma lgica, autom-

    veis usados podiam custar mais

    caro do que um novo simplesmen-

    te porque j estavam prontos para

    serem vendidos. Alm de provocar

    confuso no mercado e nas refe-

    rncias de preo, o plano padeceu

    de problemas mais graves. Entre as

    falhas apontadas para seu fracasso,

    est a falta de adoo de reformas

    monetria, fiscais e estruturais para

    bloquear, de fato, a inflao.

    Plano Cruzado II

    Em novembro de 1986, o governo

    lanou o Plano Cruzado II para ten-

    tar contornar os problemas gera-

    dos pelo primeiro plano. Entre as

    medidas, destacaram-se:

    Surgiram os Fiscais doSarney, cidados que vigiavam as gndolas dossupermercados, checavam ocumprimento do tabelamentoe denunciavam a remarcaode preos como se fosse umato cvico em nome da economia popular.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 86

  • 87

    Aumento de tarifas pblicas.

    Reordenamento de preos

    com reajustes.

    Reindexao da economia.

    Criao de um gatilho salarial

    para corrigir os valores do salrio.

    Aumento da carga fiscal.

    As medidas no foram suficientes.

    Em janeiro de 1987, o Brasil decla-

    rou moratria da dvida externa, e

    a inflao voltou a pressionar, pas-

    sando de 3,3% em novembro de

    1986 para 23,2% em maio de 1987.

    Plano Bresser

    Em junho de 1987, o novo ministro

    da Fazenda, Lus Carlos Bresser

    Pereira, lanou um novo plano eco-

    nmico. Para isso, recorreu a medi-

    das j adotadas anteriormente e a

    algumas novidades:

    Congelamento de preos e de

    salrios por um prazo de 90 dias.

    Reajuste e posterior congelamen-

    to de tarifas pblicas.

    Elevao das taxas de juros e

    desvalorizao do cruzado em

    9,5% duas medidas para conter

    o consumo interno.

    Alm disso, tentou-se controlar o

    dficit pblico, estabelecendo

    como meta reduzi-lo de 7% para

    3,5% do PIB.

    Aps o perodo de congelamento,

    os salrios passaram a ser reajusta-

    dos mensalmente com a volta da

    presso inflacionria. Com o fracas-

    so do plano, a inflao chegou a

    28,8% em dezembro de 1988.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 87

  • 88

    Plano Vero

    Em janeiro de 1989, o governo

    anunciou novo choque. O nome do

    plano, Vero, fazia referncia ao

    Plano Primavera, adotado na

    Argentina. No foi o primeiro

    plano inspirado nas tentativas

    argentinas igualmente fracassa-

    das de estabilizar sua economia.

    O Plano Cruzado teve como matriz

    o Plano Austral, do presidente

    Raul Alfonsin.

    Com o Plano Vero, o Brasil

    ganhou nova moeda, o cruzado

    novo, com corte de trs zeros do

    finado cruzado.

    Os preos e salrios foram nova-

    mente congelados, mas o governo

    manteve a taxa de juros altssima,

    em 25% ao ms.

    A demanda caiu violentamente,

    causando recesso. Politicamente, o

    governo tentou articular um pacto

    social entre empresrios, trabalha-

    dores e governo, para manter a

    economia desindexada, na qual um

    aumento de preo no implicasse

    necessariamente o repasse desse

    aumento para outros produtos, ser-

    vios e salrios. O pacto fracassou.

    Para amenizar os efeitos da reces-

    so, o governo aumentou os inves-

    timentos das empresas estatais ao

    mesmo tempo que iniciou um pro-

    grama de privatizaes. Esta ltima

    medida indicava uma tentativa de

    conter o dficit pblico e, nesse

    mesmo sentido, alguns ministrios

    foram extintos.

    Em julho de 1989 a inflao foi de

    24,8%, e o dficit pblico, 5% do

    PIB. O governo voltou a indexar a

    economia. Em fevereiro de 1990,

    ltimo ms do governo Sarney, o

    Brasil viveu a maior inflao de sua

    histria: 83%. O cruzado novo foi

    desvalorizado em 17%.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 88

  • 89

    Plano Collor

    Em maro de 1990, aps alguns

    dias de sua posse, o presidente

    Fernando Collor e a ministra da

    Economia Zlia Cardoso de Mello

    lanaram um pacote econmico

    considerado pela imprensa na

    poca como o maior choque da

    histria da economia do Pas.

    Entre as medidas adotadas pelo

    Plano Collor, estavam o polmico

    confisco de todas as aplicaes

    financeiras e o limite aos saques

    das contas correntes e das caderne-

    tas de poupana no montante de

    at 50 cruzados novos, ou 1.300

    dlares pelo cmbio oficial.

    A idia era a retirada de moeda

    em circulao, um brutal enxuga-

    mento da liquidez, nas palavras

    de prpria equipe econmica, para

    evitar a volta da presso inflacion-

    ria que sempre retornava rapida-

    mente nos planos heterodoxos exe-

    cutados at ento.

    De um dia para o outro, houve

    queda drstica do volume de

    dinheiro em circulao. Entre

    outras medidas, destacaram-se:

    Nova moeda: o cruzeiro em subs-

    tituio ao cruzado novo.

    Congelamento de preos.

    Liberalizao cambial, com a

    cotao definida pelo mercado.

    Reduo de barreiras importao.

    Alteraes tributrias, como

    aumento do Imposto sobre Pro-

    dutos Industrializados (IPI) e tribu-

    tao sobre renda agrcola, lucros

    com aes e operaes com ouro.

    Lanamento de um plano

    de privatizao.

    Em maro de 1990, apsalguns dias de sua posse, opresidente Fernando Collor ea ministra da Economia ZliaCardoso de Mello lanaramum pacote econmico considerado pela imprensana poca como o maiorchoque da histria.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 89

  • 90

    De acordo com a ministra Zlia, o

    objetivo do plano era zerar o dfi-

    cit pblico de 8% do PIB e obter

    supervit de 2% ainda naquele

    ano. A inquietao atingiu os ren-

    tistas, mas se instalou tambm no

    setor produtivo devido perspec-

    tiva de recesso.

    O retrato do empreendedor pode

    ser resumido nas palavras de

    Moreira, o dono do negcio que

    serve de exemplo a este captulo:

    Ficou tudo parado. O dinheiro da

    empresa e o meu ficaram retidos,

    os clientes no podiam nos pagar,

    os pedidos foram suspensos, e ns

    tivemos de arcar com uma pesada

    folha de pagamentos. No poda-

    mos nem demitir os grficos por-

    que no tnhamos dinheiro para

    as demisses.

    Essa paralisia durou poucas sema-

    nas. Em abril de 1990, as vendas

    voltaram ao nvel de fevereiro, e a

    produo industrial se recuperou

    em maio. Mas a recesso, que de

    fato surgiu, e o fracasso no con-

    trole da inflao levaram ao lana-

    mento do Plano Collor II, em

    fevereiro de 1991, com a reduo

    dos controles financeiros, liberali-

    zao parcial de preos e tarifas,

    com novo plano de tabelamento,

    nova fixao do cmbio. Houve,

    ento, outro surto inflacionrio.

    Plano FHC

    Esse plano foi a base para a

    implementao do Plano Real em

    1994. Seu nome faz referncia a

    Fernando Henrique Cardoso,

    ento ministro da Fazenda do

    governo de Itamar Franco.

    O Plano FHC se apoiou basicamen-

    te no ajuste fiscal e numa boa

    estratgia de dexindexao da

    economia. Teve trs fases:

    Primeira fase: buscou-se o ajuste

    fiscal basicamente pelo aumento

    da carga tributria, com a criao

    de novos impostos e contribuies.

    Segunda fase: houve a criao

    da Unidade Real de Valor, a URV,

    para a qual todos os preos foram

    convertidos. O valor da URV

    acompanhava a cotao do dlar,

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 90

  • 91

    desencadeando a alta dos preos

    dos produtos quase diariamente,

    provocando um pique de inflao.

    Terceira fase: quando os preos

    estavam alinhados no alto, ocor-

    reu a troca da moeda pelo real,

    cujo valor correspondia a 1 dlar.

    O fim da URV significou o fim da

    indexao dos preos.

    Plano Real

    O sucesso do plano anterior em

    liquidar a indexao levou elei-

    o de Fernando Henrique

    Cardoso a presidente da

    Repblica. Sob seu governo, o

    Plano Real teve duas fases.

    A primeira foi at janeiro de 1999,

    quando o governo desvalorizou a

    nova moeda e adotou o cmbio

    livre. A segunda fase foi constru-

    da com uma nova combinao de

    polticas econmicas.

    Na primeira fase, para conter a

    inflao depois do fim da indexa-

    o, foram usadas tanto a poltica

    cambial como o comrcio exterior.

    Para inibir o aumento de preos

    no mercado interno, houve queda

    nas tarifas de importao, super-

    valorizao cambial e paridade do

    real com o dlar.

    A poca foi marcada pela invaso

    dos produtos importados. Os

    empresrios brasileiros tiveram

    um duro processo de adaptao.

    Alm de sofrerem com a concor-

    rncia dos produtos estrangeiros,

    precisaram ficar atentos com a

    concorrncia, pois, com o fim da

    inflao, os consumidores passa-

    ram a se lembrar dos preos dos

    produtos e a compar-los.

    A poltica baseada na importao

    gerou dficit na balana comercial

    e de servios.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 91

  • 92

    Com o desequilbrio nas balanas

    comercial e de servios, o jeito foi

    buscar supervits na balana de

    capitais para cobrir a balana de

    pagamentos do Pas, atraindo

    dinheiro estrangeiro por meio das

    privatizaes e pela alta da taxa

    de juros. Na poltica fiscal, houve

    aumento da arrecadao, que pas-

    sou de 25% do PIB em 1994 para

    30% em 1998. Mesmo assim, a

    dvida lquida do setor pblico em

    porcentagem do PIB passou de

    32,3%, em 1994, para mais de

    56%, em 2004, devido s altas

    taxas de juros. Quanto ao combate

    da inflao, o plano foi bem-suce-

    dido, com a queda do ndice de

    45% ao ms, em junho de 1994,

    para 1,7% ao ano em 1998.

    Com a crise dos Tigres Asiticos em

    1997 e a da Rssia em 1998, a aver-

    so do capital internacional ao cha-

    mado risco dos pases emergentes

    levou o governo a aumentar ainda

    mais as taxas bsicas de juros, que

    chegaram a 50% ao ano em setem-

    bro de 1998. Em novembro de

    1998, foi assinado um acordo com

    o FMI e, em janeiro de 1999, o

    governo abandonou o sistema de

    bandas cambiais e deixou a taxa de

    cmbio livre. Em dois meses o real

    desvalorizou cerca de 40%.

    A grfica guia, nesse momento,

    adaptava-se estabilidade econ-

    mica e resistia tendncia de con-

    centrao de mercado, com gran-

    des grficas comprando as de

    mdio e pequeno porte. No

    mundo da constante inovao tec-

    nolgica que se tornou a indstria

    grfica, a estratgia adotada pela

    empresa de Moreira foi se diferen-

    ciar com produtos quase artesa-

    nais: impressos com tipos mveis,

    detalhes personalizados, tamanhos

    fora de srie... Ainda assim, a

    empresa sempre procurou acompa-

    nhar as inovaes e, mais uma vez,

    foi afetada pela desvalorizao da

    moeda brasileira. Em 1998,

    Moreira havia comprado maquin-

    rio novo e devia em dlares. Sua

    dvida dobrou com a desvaloriza-

    o do real.

    Enquanto isso, o governo estava

    comprometido a manter a inflao

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 92

  • 93

    O que voc viu no captulo 7

    > A trajetria da economia brasileira nasltimas dcadas.1

    > A poltica de desenvolvimento e oendividamento externo do Brasil.2

    > Os planos econmicos para combatera inflao e garantir a estabilidade.3

    abaixo de certa meta predetermi-

    nada e a buscar a economia de

    recursos para o pagamento dos

    juros da dvida pblica, o chamado

    supervit primrio, estabelecido

    em porcentagem do PIB. Para man-

    ter o capital externo interessado

    nos ttulos brasileiros e para conter

    a demanda interna que pudesse

    pressionar a inflao, o governo

    manteve altas taxas de juros.

    A eleio de Luiz Incio Lula da

    Silva para presidente da Repblica

    em 2002 no causou significativas

    alteraes na poltica econmica.

    A manuteno da busca pela meta

    de inflao e pelo supervit prim-

    rio fez com que o Brasil melhoras-

    se sua confiabilidade entre os

    investidores internacionais.

    Em 2005, o Brasil no renovou o

    acordo feito com o FMI em 1998,

    mas sustentou voluntariamente

    parte de seus compromissos para

    manter a confiana dos mercados

    internacionais. Internamente,

    porm, o empresariado e toda a

    economia tm se ressentido das

    altas taxas de juros.

    livro08_74-93 25.08.06 17:34 Page 93

  • 94

    Jornalista h 11 anos, trabalhou como reprter de economia nos jornais

    Dirio do Comrcio e O Tempo, de Belo Horizonte. Foi correspondente da

    Folha de S.Paulo, na capital mineira, nas reas de poltica e economia e

    setorista, em So Paulo, da indstria automotiva e trabalho. Mudou-se

    para Braslia para integrar a primeira equipe da sucursal do jornal Valor

    Econmico. Desde 2003, atua como profissional free-lancer.

    Fbia Prates

    Graduado e mestre em Administrao de Empresas, foi auditor, analis-

    ta de Mercado de Capitais e administrador de Fundos de Investimento

    em empresas como Price Waterhouse, Unibanco, Indosuez Capital e

    Tudor Asset Management. Atualmente, diretor da boutique de inves-

    timentos Petroinvesty, responsvel pela estruturao de projetos de

    Venture Capital, M&A e Project Finance. Foi professor assistente de

    Contabilidade e Finanas na Fundao Getlio Vargas (SP) e professor

    da Universidade So Judas Tadeu (SP).

    Roberto Dotta Filho

    SOBRE A AUTORA

    SOBRE O CONSULTOR

    livro08_94-96 25.08.06 17:39 Page 94

  • 95

    Direito, Economia e Mercados. Jairo Saddi e Armando Castelar Pinheiro.

    Editora Campus, 2005.

    Economia Brasileira Fundamentos e Atualidade. Antonio Evaristo Teixeira

    Lanzana. Editora Atlas, 2006.

    Economia Brasileira Contempornea. Amaury P. Gremaud, Marco Antonio

    Sandoval de Vasconcellos e Rudinei Toneto Jr. Editora Atlas, 2005.

    Economia Internacional e Comrcio Exterior. Jayme de Mariz Maia. Editora

    Atlas, 2006.

    Manual de Economia. Diva Benevides Pinho (organizadora). Editora

    Saraiva, 2004.

    Mercado Financeiro Produtos e Servios. Eduardo Fortuna. Editora

    Qualitymark, 2005.

    SAIBA MAIS

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  • EDITORESDomingo Alzugaray

    Ctia Alzugaray

    DIRETOR EXECUTIVOCarlos Alzugaray

    Diretor Editorial: Carlos Jos MarquesOperaes: Diretor Gregorio FranaCirculao: Gerente Leandro Stocco

    Marketing: Gerente Geral Patrcia Augusto CorraServios Grficos: Gerente Industrial Joo Cesar Maciel

    2006 Gold Editora Ltda., So Paulo (Brasil) 1a EdioTodos os direitos reservados.

    Redao: Fbia PratesConsultoria: Roberto Dotta Filho

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    Iconografia: Paula GonalvesReviso: Adriana Dalla Ono

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    ISBN da obra: 85-7368-854-8ISBN deste volume: 85-7368-862-9

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