635 - 24.05.2011

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Jornal-laboratório diário do curso de Jornalismo da Universidade Positivo.

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  • Curitiba, tera-feira, 24 de maio de 2011

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    lona.up.com.br

    O nico jornal-laboratrio

    DIRIOdo Brasil

    Ano XII - Nmero 635Jornal-Laboratrio do Curso de

    Jornalismo da Universidade Positivo

    Do lazer ao vcio. Quando a diver-so do jogo de cartas se transfor-ma em doena

    Pg. 4 e 5

    Coluna

    Especial

    Nova associao busca disseminar a prtica ciclstica em Curitiba

    scar Cidri

    Balano do nmero de mulheres no cenrio poltico

    Encanador e tran-sexual. Lisboa e a superao do preconceito

    Pg. 8

    Per l

    A paixo argen-tina pelo futebol e o fascnio pelo Brasil

    Pg. 6

    Curitiba, tera-feira, 24 de maio de 2011

    Mais de 50 ciclistas curitibanos prestigiarama a fundao da Associao de Ciclis-tas do Alto Iguau neste ltimo domingo, 22. O evento aconteceu no Solar do Baro e tambm marcou o encerramento da exposio MOB - Arte, Bicicleta e Mo-bilidade.

    Pg. 3

  • Curitiba, tera-feira, 24 de maio de 2011 2

    Expediente

    Reitor Jos Pio Martins

    Vice-Reitor e Pr-Reitor de Administrao Arno Gnoatto

    Pr-Reitora de Graduao Marcia Sebastiani

    Pr-Reitor de Ps-Graduao e Pesquisa Bruno Fernandes

    Coordenao dos Cursos de Comunicao SocialAndr Tezza Consentino

    Coordenadora do Curso de Jornalismo Maria Zaclis Veiga Ferreira

    Professores-orientadores Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima

    Editores-chefes Daniel Zanella, Laura Bordin, Priscila Schip

    O LONA o jornal-laboratrio do Curso de Jornalismo da Universi-dade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 -

    Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba -PR CEP 81280-30

    Fone: (41) 3317-3044.

    EditorialNo uma novidade, sequer

    uma constatao surpreenden-te: uma parcela significativa dos estudantes do curso de Jornalis-mo da UP - muitos diretamente ligados ao processo de produo - no leem as edies dirias do Lona.

    So diversos os fatores que podem explicar esse panorama. Investig-los at uma forma de tentar entender o jornalismo contemporneo referente ao im-presso.

    Na dcada de 2000, os gran-des impressos foram sacudidos pela disseminao da internet. Capaz de oferecer a notcia mi-nuto a minuto e uma amplitude de possibilidades teoricamente infinitas, a internet transformou o jeito de receber a informao - e os impressos no conseguiram encontrar um caminho seguro de fidelizao de seus leitores diante dessa nova dinmica. (Para entender o tamanho do rombo, a Folha de S.Paulo, por exemplo, em 1995 chegou a ro-dar uma edio de domingo com um milho e 300 mil exemplares. Atualmente, sua tiragem percor-re a faixa de 400 mil dirios).

    Alm da falta de interface com os leitores, o jornalismo im-presso no conseguiu cativar a

    faixa de leitores renovveis. So poucos os jovens que cultivam atualmente o hbito dirio de lei-tura de jornais. Concluso ligeira: o pblico fiel envelhece e o novo pblico consumidor encara o im-presso como um antiqurio.

    Outro fator importante a dificuldade dos impressos de venderem suas vantagens. Se so translcidos os benefcios da internet e de outros meios ins-tantneos, o jornalismo impresso possui caractersticas prprias capazes de justificar a sua exis-tncia: potencial de anlise, de permanncia, de credibilidade de aferio e historicidade. (Van-tagens que o rdio, a sua manei-ra, soube explorar aps o impac-to severo da televiso sobre sua audincia.)

    O que estamos buscando nesse processo - e com a nossa localizao especfica de jornal-laboratrio - trazer os leitores jovens, nossos amigos, nossos companheiros de redao, nos-sos colegas de curso, ao convvio com o papel.

    No sabemos se essa uma misso possvel, sequer se esse um discurso capaz de atingir a nossa gerao.

    Mas vamos tentar.Boa leitura a todos.

    Carga tributria elevadaAna Elisa Silva

    Opinio

    A carga tributria do Brasil uma das mais altas do mundo, atingindo todos os setores e todas as pessoas. Para saber disso no necessrio ser um leitor assduo das editorias de economia: essa uma informao que certamente qualquer brasileiro conhece. Em outros pases a carga tributria muito mais branda. Tanto nos servios bsicos, como o forneci-mento de gua, telefone e energia eltrica (a conta de luz do brasi-leiro mais cara do que muitos pases considerados ricos, como Frana, Sua, Reino Unido, Ja-po e Itlia), quanto nos produtos mais suprfluos, como perfumes, roupas e eletroeletrnicos. Pro-va dessa discrepncia de taxas cobradas o grande nmero de pessoas que trazem produtos do exterior para revender no Brasil. Essas pessoas compram as mer-cadorias, colocam uma margem relativamente alta sobre elas, e ain-da assim o preo praticado acaba sendo mais barato do que um cor-retamente importado e tributado.

    Mas para onde vai esse di-nheiro todo que arrecadado? Para que tanto dinheiro? Fre-quentemente chegam at ns dados que comparam a carga tri-butria nacional. Em 2009 o Brasil

    ocupou o 22 lugar no ranking de arrecadao, e frente da nao havia, entre outros, 14 pases eu-ropeus desenvolvidos. A Norue-ga tinha uma carga tributria de 43,6%, enquanto no Brasil esse nmero era de 38,4%.

    Na Noruega, as escolas so de qualidade e pblicas, at existem algumas no setor privado, porm elas se diferenciam apenas no as-pecto da metodologia aplicada, jamais na qualidade. A sade tambm segue o mesmo rumo, no existem problemas de mora-dia e nem de saneamento bsico. Em 2009, a Noruega arrecadou 25 mil dlares per capita, ao mesmo tempo em que o governo brasi-leiro arrecadava 4 mil dlares per capita.

    No Brasil sonhamos com os mesmos servios pblicos da Noruega, mas temos que concor-dar que impossvel fornecer um servio de 25 mil dlares arreca-dando 4 mil. E ainda pensando na questo per capita devemos levar em conta o PIB de cada pas, porque se o pas tem um PIB per capita alto, ele pode at se dar ao luxo de ter uma carga tributria menor, porque o total arrecada-do grande. O que no uma realidade para todos os pases

    1,5 detentos por vaga dispo-nvel. O ambiente de super-lotao gera nos presos um sentimento de desrespeito e de revolta. A ociosidade ou-tro grande problema. De ma-neira geral, no so oferecidos aos detentos trabalhos de ca-pacitao que iro contribuir para sua posterior reinser-o no mercado de trabalho.

    Essa combinao de fatores, somada falta de critrios de diviso dos presos nas celas, estimula o desenvolvimento de um ambiente ainda mais violento. Presos que comete-ram crimes graves so postos na mesma cela de outros que so rus primrios e esto ali apenas por um pequeno furto.

    O livro Estao Carandi-ru, escrito pelo mdio Dru-zio Varella, relata a experincia do autor na Casa de Deten-o de So Paulo, onde reali-zou um trabalho voluntrio de preveno Aids. Duran-te o tempo de convivncia foi possvel entender o funciona-mento e as regras internas da

    Brasil: a terceira maior populao carcerria do mundo

    priso, destivada anos mais tarde. A quantidade de guar-das era mnima para cuidar de uma populao de 7.200 pre-sos. A falta de controle inter-no fazia com que os detentos criassem suas prprias regras e as drogas eram a principal moeda de troca do presdio. necessria a ao do governo no sentido de reformular essa estrutura visivelmente falida. As famlias dos presos recebem uma penso durante todo o perodo que este estiver cum-prindo regime fechado. Esse dinheiro sai do bolso do con-tribuinte. Mesmo que falido, este sistema sustentado pelos cidados que pagam impostos.No mais possvel que a po-pulao brasileira aceite que o dinheiro de seus impostos seja investido em algo que no d retorno positivo. O nmero de presos aumenta casa vez mais e, ao invs da penitenciria cum-prir o papel de possibilitar uma regenerao e posterior reinser-o dos detentos na sociedade, acaba excluindo-os ainda mais.

    O sistema carcerrio bra-sileiro h muitos anos ine-ficiente e ultrapassado. Entre os principais problemas es-to a falta de infraestrutura para atender demanda de presos, a superlotao e as condies de vida absoluta-mente desumanas.

    Segundo dados divulgados pelo Departamento Penitenci-rio Nacional (Depen), no ano de 2009 havia 469 mil presos nas cadeias brasileiras, mas s ha-via 299 mil vagas disponveis. Essa estatstica aponta um ex-cedente de 170 mil presidirios.

    Nos ltimos cinco anos o nmero de presos aumentou 37% nas cadeias brasileiras. O Brasil possui hoje a tercei-ra maior populao carcerria do mundo, atrs, apenas, dos Estados Unidos e da China.

    O governo parece ter fe-chado os olhos para esse que um grande problema civil. As autoridades, alm de no in-vestirem na reforma carcerria, tambm se mantm omissas.

    Atualmente existe cerca de

    desenvolvidos, visto que alguns, como a Noruega praticam uma elevada carga tributria.

    E vale lembrar que a sonega-o no Brasil to alta, seno for maior, quanto a carga tributria. No falo apenas das pequenas sonegaes do imposto de ren-da, falo tambm de todas aquelas outras de empresas de qualquer porte que acabam se somando. A Receita, a cada ano, promete que vai apertar na malha fina, mas mesmo assim, o sistema ainda falho e muitos praticam o crime de sonegao fiscal. Aquele que sonega, corre o risco de ser fla-grado pela Receita Federal e so-frer punies, em contrapartida a sociedade toda quem sofre. Pois o governo tem a necessi-dade de cumprir uma srie de compromissos financeiros, e se o montante arrecadado no for suficiente o aumento da carga tri-butria deixa de ser opo para se tornar uma necessidade.

    Alm dos compromissos fi-nanceiros, vale lembrar que o pas precisa ter dinheiro em caixa para poder investir em aspectos bsicos, como educao, moradia e sade. Quando se deixa de pa-gar impostos, a populao pre-judicada.

    Gabriela Junqueira

  • Curitiba, tera-feira, 24 de maio de 2011

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