14 18 16 Apostila Cirurgica

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Apostila Cirurgica

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<ul><li><p>2014.2 </p><p>Prof Eunaldo Dias </p><p>ENFERMAGEM CLNICA CIRRGICA </p></li><li><p>2 </p><p>Enfermagem Clnica Cirrgica www.ifcursos.com.br Prof Eunaldo Dias </p><p> ASPECTOS HISTRICOS DA ASSISTNCIA AO PACIENTE CIRRGICO </p><p>At meados do sculo XVIII, um grande nmero de molstias, de dores, de falta de </p><p>assistncia mdica assolava o mundo. A medicina interna teve sua evoluo histrica por </p><p>caminhos diferentes da cirurgia, sendo estas duas profisses completamente diferentes na </p><p>forma de saber, de poder, de habilitao e de participao na sociedade. A medicina </p><p>interna foi mais valorizada no meio acadmico, exigindo mais reflexo, estudos e </p><p>percepo por parte dos mdicos e estes no incorporavam a cirurgia como uma das suas </p><p>disciplinas. Da mesma forma, a enfermagem e a medicina tiveram origens distintas e </p><p>existiram como tais por muitos sculos, sem muita relao entre si (THOWALD, 1976). Os </p><p>procedimentos cirrgicos realizados nessa poca eram limitados, destacavam-se as </p><p>amputaes, extrao de abscessos e dentes e ligao de artrias, evitavam-se as da </p><p>regio do abdmen e outras cavidades do corpo, assim como do sistema nervoso central. </p><p>Os principais desafios enfrentados eram a dor, a hemorragia e a infeco, neste sentido os </p><p>cirurgies se mostravam temerosos a operar seus doentes, alm de que para realizar </p><p>cirurgias no passavam por uma academia, mas por um aprendizado prtico, acompanhando </p><p>um mestre renomado em suas atividades, sendo chamados de cirurgies barbeiros </p><p>(SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997; DAVIS, 1970; THOWALD, 1976). </p><p> PACIENTE CIRURGICO E O PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM </p><p>De acordo com Pitrez e Pioner (2003, p.19) define-se como paciente cirrgico </p><p>aquelecujo tratamento implica um ato cirrgico. Este tipo de terapia pode representar </p><p>uma agresso orgnica, psquica, apresentando caractersticas definidas, alm de que na </p><p>maioria das vezes o paciente no se encontra preparado para o inesperado, como o </p><p>diagnstico da necessidade de uma cirurgia, uma situao de risco, crtica e evasiva, com </p><p>indefinio de fatos que iro advir, transformando a interveno em uma situao </p><p>assustadora, que traz tona sentimentos dolorosos e angustiantes. Nessa perspectiva </p><p>Carraro (1997, p.4) enfatiza que: Uma situao cirrgica envolve no apenas o ato </p><p>cirrgico em si, [...] mas envolve mudana da rotina diria do ser humano, separando-o do </p><p>contexto a que est habituado e expondo-o ao estresse de uma hospitalizao carregada </p><p>de caractersticas e singularidades. Dentre estas caractersticas destacam-se a solido, o </p><p>medo, a ansiedade, a esperana, a mudana de hbitos e a necessidade imposta de se </p><p>relacionar com a diversidade de pessoas de princpios desconhecidas, entregando-se aos </p><p>seus cuidados. </p><p> Os pacientes ficam bastante vulnerveis ao ambiente hospitalar. Para Durman </p><p>(2000) o paciente ao se internar no deixa sua essncia humana na portaria do hospital, </p><p>ele traz consigo sua inteligncia, seus sentimentos e seus mitos em relao doena, vm </p><p>com numerosas percepes desenvolvidas na sua cultura, educao e toda bagagem de </p><p>vida. </p></li><li><p>3 </p><p>Enfermagem Clnica Cirrgica www.ifcursos.com.br Prof Eunaldo Dias </p><p> PROCESSO DE CUIDADO </p><p>Sendo a enfermagem uma profisso em que os enfermeiros prestam cuidados a </p><p>outras pessoas, o cuidar se torna uma ao inerente profisso. Para Waldow (1998) </p><p>cuidar a nossa prtica, que se caracteriza por aes e comportamentos de cuidar, </p><p>podendo ser considerada uma forma de ser e de se relacionar. Nestes sentido, para a </p><p>autora o processo de cuidar pode ser entendido como um conjunto de aes e </p><p>comportamentos realizados no sentido de favorecer, manter ou melhorar o processo de </p><p>viver ou morrer, proporcionando ao paciente a necessidade que apresenta de conforto </p><p>fsico, emocional e espiritual. As funes exercidas pela enfermagem durante a trajetria </p><p>de sua histria, multiplicaram-se com o passar do tempo, deixando de ser apenas curativa </p><p>e ganhando dimenses preventivas e de reabilitao. Para Passos (1996, p.33) Do simples </p><p>cuidado direto com o ser humano, ele tornou-se tambm planejamento, produo e </p><p>propagao do saber, administrao e fiscalizao da assistncia. Assim com a </p><p>multiplicao das funes, e aps estudos realizados, evidenciou-se que os cuidados que </p><p>eram realizados sem um planejamento e sem uma sistematizao necessitavam a </p><p>implementao de um modelo para sistematizar a assistncia de enfermagem estada ao </p><p>paciente. Neste contexto, surge o processo de enfermagem como metodologia assistencial </p><p>que o enfermeiro utiliza para o planejamento e implementao dos cuidados, sendo </p><p>aplicada tambm para o paciente no perodo perioperatrio (FLORIO; GALVO, 2003). </p><p> O procedimento cirrgico uma situao estressante para o paciente, ao deparar-</p><p>se com a mesma acometido de muitos medos, diante destas caractersticas entendemos </p><p>que a sistematizao da assistncia de enfermagem perioperatria possibilita a melhoria da </p><p>qualidade da assistncia prestada, ...pois torna-se um processo individualizado, planejado, </p><p>valiado e, principalmente, contnuo... (GALVO; SAWADA; ROSSI, 2002, p. 692 ). O </p><p>processo de enfermagem considerado a metodologia de trabalho mais conhecida no </p><p>mundo (BORK, 2005). De acordo com a Lei do Exerccio Profissional n 7.498, art 11, </p><p>alnea c, O enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe: </p><p>Privativamente:.... c) planejamento, organizao, coordenao e avaliao dos servios de </p><p>assistncia de enfermagem. Da mesma maneira o COFEN, refora a necessidade de se </p><p>planejar a assistncia de enfermagem com a Resoluo n 272/2004, artigo 2 na qual a </p><p>sistematizao da Assistncia de Enfermagem SAE deve ocorrer em toda instituio de </p><p>sade, pblica e privada. Existem muitas definies em relao ao processo, para Potter e </p><p>Perry (2002, p. 101) o processo de enfermagem um mtodo para a organizao e </p><p>prestao da assistncia de enfermagem, que tem como propsitos identificar as </p><p>necessidades de assistncia, estabelecer um plano de cuidados para satisfazer as </p><p>necessidades dos pacientes. </p><p>Para Ladden (1997. p.5): </p><p> O processo de enfermagem uma forma de pensar nas aes, e que se contrasta </p><p>com aquela considerao da enfermagem como uma nica srie de rituais e procedimentos </p><p>escritos num livro de receita que deve ser aprendido. O foco do processo de enfermagem </p><p>est centrado no paciente, as intervenes de enfermagem prescritas so aquelas que </p><p>atendem as necessidades do mesmo. A metodologia utilizada com o paciente cirrgico </p></li><li><p>4 </p><p>Enfermagem Clnica Cirrgica www.ifcursos.com.br Prof Eunaldo Dias </p><p>pode ser denominada como Sistematizao da Assistncia de Enfermagem Perioperatria </p><p>(SAEP), definida como um processo que objetiva a promoo, manuteno e recuperao </p><p>da sade do cliente e da comunidade, devendo ser desenvolvido pelo enfermeiro com base </p><p>nos conhecimentos tcnicos e cientficos inerentes profisso (POSSARI, 2004, p. 209). </p><p>um mtodo utilizado para planejar um cuidado individualizado, de acordo com cada tipo de </p><p>cirurgia, sendo do mesmo modo uma ferramenta para favorecer uma interao maior entre </p><p>enfermeiro e paciente, visando qualidade da assistncia e benefcios para o paciente. </p><p> Desta maneira, Arajo et al. (2004) refora que o profissional precisa evoluir da </p><p>simples execuo mecnica da tcnica para a etapa de compreenso do significado pessoal </p><p>do paciente. O planejamento da assistncia para Galvo, Sawada e Rossi (2002) </p><p>possibilitar a implementao de intervenes que atendam s reais necessidades do </p><p>paciente, minimizado sua ansiedade e os riscos inerentes ao procedimento anestsico </p><p>cirrgico. </p><p> Para Arruda (1999) e Carraro (2001) os cuidados da enfermagem no perodo pr-</p><p>operatrio ainda podem ser centrados num cumprimento de normas e rotinas, </p><p>principalmente quando influenciados pelo modelo mdico, fazendo com que o enfermeiro </p><p>utilize, na sua prtica assistencial, o diagnstico mdico, e no o de enfermagem como </p><p>primeiro norteador para o planejamento da assistncia, embora no responda </p><p>adequadamente as necessidades da profisso, assim enfocando mais a doena do que a </p><p>pessoa e suas experincias de vida e desta maneira para Galvo (2002), os profissionais </p><p>que tm interesse na melhoria da qualidade da assistncia de enfermagem, com vistas a </p><p>atender as reais necessidades do paciente, frente ao procedimento anestsico cirrgico, </p><p>devem ir a busca de conhecimento cientfico para fundamentar a prtica da enfermagem </p><p>perioperatria.. </p><p> PREPARANDO O PACIENTE PARA CIRURGIA </p><p>O perodo pr-operatrio classifica-se em pr-operatrio mediato e pr-operatrio </p><p>imediato. O mediato consiste na assistncia prestada ao paciente em vigncia de cirurgias </p><p>eletivas. Compreende o perodo desde a internao at as 24 horas antes da cirurgia, e </p><p>tem por objetivo principal preparar o paciente psicolgica e fisicamente para o ato </p><p>cirrgico e estabilizar condies que podem interferir na recuperao. O perodo pr-</p><p>operatrio imediato consiste na assistncia pr-operatria prestada ao paciente </p><p>imediatamente, ou seja algumas horas antes da cirurgia, e termina com o incio da cirurgia </p><p>(SANTOS, 2003; SMELTZER; BARE, 2002). O preparo pr-operatrio do paciente </p><p>cirrgico pode ocorrer no consultrio mdico ou em sua residncia antes da internao, </p><p>por ocasio da internao durante os dias pr-operatrios, na noite que precede a cirurgia, </p><p>caso o paciente se encontre no hospital, ou na manh da cirurgia por ocasio da admisso. </p><p>Atualmente, como j mencionado anteriormente, existem muitos procedimentos </p><p>cirrgicos em que os pacientes so internados no perodo da manh, realizando a cirurgia </p><p>no seu decorrer e recebem alta no mesmo dia, tendo como finalidade diminuir custos da </p><p>internao bem como o ndice de infeco hospitalar (BLACK; MATASSARINJACOBS, </p><p>1996). A maioria dos pacientes chega para internar no perodo pr-operatrio imediato, ou </p><p>seja, poucas horas antes do procedimento. Assim em cirurgias eletivas neste perodo </p></li><li><p>5 </p><p>Enfermagem Clnica Cirrgica www.ifcursos.com.br Prof Eunaldo Dias </p><p>que se inicia o preparo, que executado pela equipe de enfermagem. Pitrez e Pioner </p><p>(2003, p. 39) conceituam o pr-operatrio como um conjunto de medidas adotadas nessa </p><p>fase, cujo objetivo comum alcanar o paciente a um estado fisiolgico o mais prximo do </p><p>ideal, de modo a suportar, com um mnimo de morbidade, as agresses fsicas e </p><p>metablicas impostas pelo trauma operatrio. Entende-se desde cuidados gerais e </p><p>rotineiros a modelos especializados, dentro das especificidades prprias a cada situao, </p><p>quais sejam, o tipo de patologia, o estado do paciente e o porte da interveno a ser </p><p>executada. </p><p> PREPARANDO O PACIENTE PARA CIRURGIA </p><p>O perodo pr-operatrio classifica-se em pr-operatrio mediato e pr-operatrio </p><p>imediato. O mediato consiste na assistncia prestada ao paciente em vigncia de cirurgias </p><p>eletivas. Compreende o perodo desde a internao at as 24 horas antes da cirurgia, e </p><p>tem por objetivo principal preparar o paciente psicolgica e fisicamente para o ato </p><p>cirrgico e estabilizar condies que podem interferir na recuperao. O perodo pr-</p><p>operatrio imediato consiste na assistncia pr-operatria prestada ao paciente </p><p>imediatamente, ou seja algumas horas antes da cirurgia, e termina com o incio da cirurgia </p><p>(SANTOS, 2003; SMELTZER; 19 BARE, 2002). </p><p>O preparo pr-operatrio do paciente cirrgico pode ocorrer no consultrio mdico </p><p>ou em sua residncia antes da internao, por ocasio da internao durante os dias pr-</p><p>operatrios, na noite que precede a cirurgia, caso o paciente se encontre no hospital, ou </p><p>na manh da cirurgia por ocasio da admisso. Outro fator relevante o fato que, no </p><p>perodo pr-operatrio, o paciente deve ser escutado em relao aos seus medos e </p><p>dvidas para que as orientaes como tambm os cuidados executados no sejam </p><p>realizados de forma precipitada, explicando assim, fatos que ele no deseja saber, e </p><p>deixando de lado o que realmente deseja, da mesma forma realizando um cuidado que no </p><p>contemple suas expectativas. Nas palavras de Backes et al. (2004, p 12) o conhecimento </p><p>do paciente, sua participao nas decises, no preparo a ser realizado, se tornam </p><p>competncia do profissional que o atende. Com esse entendimento a enfermagem deve </p><p>realmente dedicar tempo para o atendimento das necessidades dele, e isto pode ser </p><p>21realizada durante a visita pr-operatria. </p><p> Orientao: </p><p>O valor da orientao pr-operatria tem sido reconhecido pela equipe cirrgica, </p><p>trazendo benefcios comprovados, exercendo efeitos positivos na recuperao do paciente, </p><p>como na funo ventilatria, capacidade funcional e fsica, sensao de bem estar e </p><p>durao da internao (POTTER; PERRY, 2002). Cada paciente deve receber orientaes </p><p>individualmente, observando suas preocupaes ou necessidades particulares. </p><p>Frequentemente, so combinadas com vrios cuidados preparatrios para permitir o fluxo </p><p>fcil da informao (SMELTZER; BARE, 2002). </p></li><li><p>6 </p><p>Enfermagem Clnica Cirrgica www.ifcursos.com.br Prof Eunaldo Dias </p><p> Preparo Psicolgico e Espiritual </p><p>Para Lopez e Cruz (2002) no momento em que o paciente internado para a realizao </p><p>de um procedimento cirrgico, pouco sabe sobre sua situao e sobre o que acontecer </p><p>com ele no perodo que antecede interveno. Sente ameaas s suas necessidades </p><p>bsicas (fsicas, emocionais e espirituais); faz questionamentos constantes que perduram a </p><p>sua conscincia; e, traz dvidas que podem ser causadas pelo medo e aflio, justificando-</p><p>se desta maneira a importncia do preparo psicoespiritual, que deve ser realizado pela </p><p>equipe de enfermagem no perodo que antecede cirurgia. </p><p> Jejum </p><p>O jejum solicitado como exigncia para grande parte das cirurgias sendo determinada </p><p>pelo tipo de anestesia e o procedimento cirrgico a ser realizado. O perodo exigido pode </p><p>variar de acordo com a cirurgia, em mdia 8 a 10 horas antes da mesma (NETTINA, 2003). </p><p>Quando o paciente se encontra internado no dia anterior da cirurgia e esta estiver </p><p>agendada para o perodo matutino geralmente na vspera do procedimento o paciente </p><p>recebe dieta leve no jantar, e aps isso orientado a permanecer em jejum. Quando ele </p><p>no se encontra internado, e interna momentos antes da cirurgia orientado a realizar uma </p><p>dieta leve em sua casa e aps isto permanecer em jejum. Se a cirurgia est marcada para o </p><p>perodo vespertino, e se no houver envolvimento de segmentos do trato digestivo, e sem </p><p>haver contra-indicaes, o paciente pode receber dieta leve no caf da manh, tanto </p><p>quando est internado ou vai internar no perodo matutino (SMELTZER; BARE, 2002). O </p><p>jejum necessrio, porque o estmago deve estar isento de alimentos no momento de </p><p>determinadas cirurgias, para prevenir vmitos e consequente aspirao do contedo </p><p>gstrico para as vias respiratrias (SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997). </p><p> Sinais Vitais </p><p>Os sinais vitais podem ser definidos como parmetros regulados por rgos vitais, </p><p>portanto revelam o estado funcional dos mesmos (GABRIELLONI, 2005, p.112). Desta </p><p>forma a mensurao destes parmetros um cuidado importante no pr-operatrio de </p><p>todas as cirurgias, pois permite a deteco imediata das condies clnicas, identificao </p><p>de problemas, bem como avaliao das respostas do paciente frente s prescries </p><p>mdicas e de enfermagem. Os sinais vitais devem ser checados registrados no pronturio </p><p>com o horrio da verificao na admisso do paciente e a intervalos regulares...</p></li></ul>