? web viewquando os elefantes choram a vida emocional dos animais. jeffrey masson susan mccarthy....

Download ? Web viewQuando os Elefantes Choram A Vida Emocional dos Animais. Jeffrey Masson Susan McCarthy. Tradução

Post on 28-Oct-2018

223 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

Quando os Elefantes Choram A Vida Emocional dos Animais

Jeffrey Masson Susan McCarthy

Traduo Paula Cortes

Sinais de Fogo

Ttulo original: When Elephants Weep: The Emotional Lives of Animals

Autor: Jeffrey Moussaieff Masson

Copyright (c) 1995 by Jeffrey Masson e Susan McCarthy

Traduo: Paula Cortes Reviso: Rita Quintela Projecto Grfico: Graa Castanheira + Jorge Santos

Reservados todos os direitos para Portugal por: Sinais de Fogo Publicaes, Lda Rua Diogo Dias, Lote 6 - r/c 2750-161 Cascais Tel. 21 482 33 55/6 Fax 21 482 33 57 e-mail: geral@sinaisdefogo.pt Site: www.sinaisdefogo.pt

Impresso e acabamento: Tipografia Guerra Lda 1 edio, Cascais, Setembro de 2001 ISBN-972-8541-26-0 Depsito legal n 168800/2001

Digitalizado por: Ctia Lima

ndice

Agradecimentos 5 Prlogo: Em Busca do Corao do Outro 8 1 Em Defesa das Emoes 28 2 Brutos Sem Sentimentos 67 3 O Medo, a Esperana e os Sonhos Aterrorizantes 105 4 O Amor e a Amizade 138 5 O Pesar, a Tristeza e os Ossos dos Elefantes 188 6 Uma Capacidade para a Alegria 224 7 A Raiva, o Domnio e a Crueldade na Guerra e na Paz 266 8 A Compaixo, o Auxlio e a Discusso do Altrusmo 304 9 A Vergonha, o Rubor e os Segredos Mais Recnditos 350 10 A Beleza, os Ursos e o Pr-do-Sol 374 11 O Impulso Religioso, a justia e o Inexprimvel 403 Concluso: Partilhar o Mundo com Criaturas que Sentem 427 Bibliografia 446

Agradecimentos

Durante a fase de pesquisa que antecedeu este livro, tivemos ocasio de falar com diversos cientistas, treinadores de animais e com outras pessoas cujos conhecimentos foram inestimveis. Gostaramos particularmente de agradecer a ajuda de George Archibald, Mattie Sue Athan, Luis Baptista, Kim Bartlett, John Beckman, Mark Bekoff, Tim Benneke, Joseph Berger, Nedim Buyukmihci, Lisa De Nault, Ralph Dennard, Pat Derby, Ian Dunbar, Mary Lynn Fischer, Maria Fitzgerald, Lois Flynne, Roger Fouts, William Frey II, Jane Goodall, Wendy Gordon, Donald Griffin, David Gucwa, Nancy Hall, Ralph Helfer, Abbie Angharad Hughes, Gerald Jacobs, William Jankowiak, Marti Kheel, Adriaan Kortlandt, Charles Lindholm, Sarah McCarthy, David Mech, Mary Midgley, Myrna Milani, Jim Mullen, Kenneth Norris, Cindy Ott-Bales, Joel Parrott, Irene Pepperberg, Leonard Plotnicov, Karen Reina of Bristol-Myers Squibb, Diana Reiss, Lynn Rogers, Vivian Siegel, Barbara Smuts, Elizabeth Marshall Thomas, Ron Whitfield e Gerald S. Wilkinson, entre outros, pela sua pacincia ao falar connosco. Estamos tambm muito gratos a Jennifer Conroy, Joanne Ritter, Mike Del Ross e Kathy Finger da Guide Dogs for the Blind de San Rafael. Quaisquer erros que tenhamos cometido, assim como as especulaes mais arrojadas, especialmente as consideradas cientificamente vergonhosas, no lhes devero ser imputadas.

Agradecimentos mais pessoais aos nossos amigos e famlia tambm pelo seu apoio e assistncia real, especialmente a Daniel Gunther, Joseph Gunther, Kitty Rose McCarthy, Martha Coyote, John McCarthy, Mary Susan Kuhn, Andrew Gunther, Barbara e Gerald Gunther, Thomas Goldstein, Martin Levin e Bernard Taper; assim como a Daidie Donnelley, Fred Goode, Justine Juson, Marianne Loring, Jane Matteson, Eileen Max e Barbara Sonnenborn.

Queremos igualmente agradecer a Elaine Markson por ser uma agente maravilhosa; a Tony Colwell por ter tido sempre f nesta ideia; a Steve Ross pelo seu entusiasmo e ajuda indispensvel para tornar este livro no que ele ; e quanto Kitty, s a Kitty sabe o que a Kitty merece.

PRLOGO

Em Busca do Corao do Outro

Diz-se que o elefante indiano por vezes chora. CHARLES DARWIN

Os animais choram. Pelo menos, vocalizam a dor ou tristeza, e em muitos casos parecem at pedir ajuda. Muitas pessoas acreditam assim que os animais podem estar infelizes e que experienciam sentimentos primrios tais como felicidade, raiva ou medo. O comum leigo acredita facilmente que o seu co, gato, papagaio ou cavalo tem sentimentos. No s acredita nisso, como tem provas constantes bem diante dos seus olhos. Todos ns temos histrias extraordinrias com animais que conhecemos bem. Mas existe um grande fosso entre o ponto de vista do senso comum e o ponto de vista oficial da cincia sobre este tema. fora de um treino rigoroso e de grandes esforos mentais, os cientistas modernos - especialmente aqueles que estudam o comportamento dos animais - tm conseguido tornar-se praticamente cegos a estas questes. O meu interesse pelas emoes dos animais foi despoletado por experincias efectuadas com animais - algumas traumticas, outras profundamente comovedoras -, bem como pela aparente opacidade e inacessibilidade dos sentimentos humanos comparativamente franca pureza e limpidez manifestadas, por vezes, pelos meus amigos animais, e especialmente por animais em habitat selvagem. Em 1987, visitei uma reserva de caa no sul da ndia, conhecida pelos seus elefantes selvagens. Uma manh bem cedo, sa com uma amiga para dar um passeio pela floresta. Tnhamos andado aproximadamente 1,5 quilmetros quando nos deparmos com uma manada de aproximadamente dez elefantes, incluindo crias pequenas, que pastavam pacificamente. A minha amiga parou a uma distncia prudente, mas eu decidi aproximar-me, parando sensivelmente a 6 metros deles. Um imponente elefante olhou para mim e abanou as orelhas. No tendo qualquer conhecimento sobre elefantes, no fazia a mais pequena ideia de que isso constitua um sinal de aviso. Na mais perfeita ignorncia, como se me encontrasse num jardim zoolgico, ou na presena do Babar ou de qualquer outro elefante dos livros de contos, decidi que era ocasio de estabelecer contacto com os elefantes. Recordando um verso em snscrito de saudao a Ganesha, o deus hindu que assume a forma de elefante, clamei "Bhoh, gajendra" - Saudaes, Senhor dos Elefantes. O elefante barriu; por um segundo acreditei que se tratava da sua saudao de resposta. Foi ento que a sua sbita e surpreendentemente gil reviravolta e a carga trovejante na minha direco tornaram bem claro que ele no comungava das minhas fantasias elefantinas. Fiquei completamente estarrecido por ver um animal de duas toneladas a avanar troando na minha direco. No tinha nada de simptico nem se parecia com Ganesha. Dei meia volta e corri desvairadamente. Sabia que estava numa situao de perigo real e sentia o elefante a ganhar terreno sobre mim. (Mais tarde soube com horror que os elefantes podem correr mais depressa do que as pessoas, at cerca de 45 quilmetros por hora.) Decidindo que estaria em maior segurana numa rvore, corri para um ramo pendente e tentei iar-me. Era demasiado alto. Contornei a rvore e disparei para o capim. Barrindo ameaadoramente, o elefante surgiu correndo volta da rvore, numa perseguio cerrada. O animal queria obviamente ver-me morto, derrubar-me com a sua tromba e esmagar-me. Pensei que apenas me restavam alguns segundos de vida, e o medo quase me fazia delirar. Recordo-me de ter pensado: "Como que pudeste ser estpido a ponto de te aproximares de um elefante selvagem?" Tropecei e ca no meio do capim. O elefante parou ao perder-me de vista. Ergueu a tromba para aspirar o ar em busca do meu odor. Felizmente para mim, a viso dos paquidermes no muito boa. Tinha j chegado concluso de que era melhor no me mexer. Aps uns longos momentos, o elefante deu meia volta e lanou-se noutra direco, sempre minha procura. Ergui-me ento rpida e silenciosamente, a tremer, e regressei lentamente at ao local onde a minha aterrorizada amiga tinha parado, de onde pudera contemplar toda esta cena, convencida de que ia assistir minha morte. Ter-me-iam bastado alguns conhecimentos rudimentares sobre elefantes para me ter mantido num lugar seguro: uma manada com crias pequenas est particularmente alerta ao perigo; os elefantes no gostam que o seu espao seja invadido; o abanar de orelhas um aviso directo. O encontro, em si, no foi mais do que a projeco do meu prprio desejo de que um elefante selvagem estivesse interessado em conhecer-me. Estava completamente enganado ao pensar que poderia comunicar com um elefante estranho nessas circunstncias. Contudo, ele comunicou comigo muito claramente: estava zangado e eu tinha de me ir embora. Creio que esta uma descrio bastante realista. Em contraste com os animais, as emoes das pessoas so frequentemente distantes. Por exemplo, nos sonhos experimento emoes fortes - raiva, amor, inveja, alvio, Curiosidade, compaixo - com um grau de intensidade que no se compara a quando estou acordado. A quem pertencem essas emoes? Sero minhas? Tratar-se- daquilo que eu imagino que seja um sentimento? Nos sonhos no tm nada de abstracto: sinto um amor extraordinrio, sempre por pessoas por quem realmente sinto amor, s que no nesse grau. Como j fui psicanalista, pensei tratarem-se de sentimentos que eu de certa forma reprimira na minha vida diurna, e que apenas tinha acesso aos sentimentos reais durante a noite. Teorizei assim que os sentimentos eram reais, mas que o acesso a eles me era negado. Os sentimentos estavam sempre l, mas s podiam penetrar no consciente em determinados momentos, quando uma parte de mim no se encontrava alerta - uma vez que estava a dormir. Tinha que circundar de alguma maneira o meu ego, dar uma corrida final, e l estavam eles espera, puros, imaculados, prontos. Ser que os animais possuem um acesso mais fcil a este mundo dos sentimentos que me em grande parte negado quando estou acordado? Em seguida, temos a questo dos sentimentos dos outros. O que poder ser mais interessante do que aquilo que os outros sentem? Ser que sentem o mesmo que eu? Cheguei concluso de que isto muito difcil de descobrir atravs de conversas ou mesmo da leitura. As canes, poemas, literatura, o caminhar nos bosques, podem evocar determinados sentimentos. Por vezes so estranhos, complexos, inexplicveis, mesmo bizarros, e por vezes assumem uma intensidade muito para alm da compreenso. E de onde que isto vem? H muito que penso nisso. Porque que estou