x anped .pensamento unidimensional (marcuse, 1978). ... marcuse, herbert. a ideologia da sociedade

Download X Anped .pensamento unidimensional (MARCUSE, 1978). ... MARCUSE, Herbert. A ideologia da sociedade

Post on 20-Jan-2019

215 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

XANPEDSUL,Florianpolis,outubrode2014. p.1

CRTICADACULTURAESOCIEDADE:ATEORIACRTICACOMO

POSSVELREFERNCIAPARAPESQUISAEDUCACIONAL

VivianBaronivivianbaroni@hotmail.com

FernandoDalaSantafernandos.101@hotmail.com

Um dosmodelos tericos desenvolvidos pela Teoria Crtica, especificamente a

crtica instrumentalizaoda razo,entendequea racionalidadesurgidadoprocesso

Iluminista,quepropunhaa libertaodohomemdas forasobscurantistasdomito, foi

frustradapelaadoodosmtodospositivistasdapesquisaquantitativaquemaistarde

seconverteunaracionalidadeinstrumental.Estacaraterizadapelodomniodanatureza

atravsdavisoanalticadoobjetodeestudo,justificandocertasprticasdedominao

comonecessriasaoprogressoeaodesenvolvimentosocial.Logo,acrticacontundente

daTeoriaCrticaaopositivismo surgecomoum instrumentodecontestaodaordem

vigentebemcomodaracionalidadequeasustenta,contribuindoparaummovimentoem

proldaemancipaodosujeitodasforashegemnicasdasociedade.

Opanoramasocialgeradopelaracionalidade instrumentalcanalizaedirecionaas

faculdadesmentais rumo quantificao tendncia a valorizar questes de ordem

CRTICADACULTURAESOCIEDADE:ATEORIACRTICACOMOPOSSVELREFERNCIAPARAPESQUISAEDUCACIONALFernandoDalaSantaVivianBaroni

XANPEDSUL,Florianpolis,outubrode2014. p.2

X A

nped Sul

tcnica em detrimento dos aspectos humanos de forma a eliminar o pensamento

negativo,fatorfundamentalnoquestionamentodosfatos,abolindo,consequentemente,

a tenso entre o que e o que deve ser, resultando, em ltimo caso, em um

pensamento unidimensional (MARCUSE, 1978). De fato, havia perspectivas de que o

desenvolvimentotcnicoexperimentadopelacivilizaomodernapermitiriaaeliminao

do trabalho alienado e a pacificao da luta pela existncia; no entanto, para que o

sistemacapitalistasobreviva,amanutenodostatusquoprecisasercontnua,exigindo

acoordenao tantodosistemaprodutivo,quedisseminapadresde trabalhoservile

alienado,quantoda subjetividade individual,atravsdautilizaodaesfera culturalna

constituiodeumasubjetividadeacrtica.Essefoiumdospontosmaisressaltadospela

TeoriaCrtica(noseumodelodecrticadarazoinstrumental),poisapartirdomomento

em que o sistema econmico consegue introjetar na conscincia dos indivduos os

mecanismos prprios da dominao, assim como as normas de funcionamento da

sociedaderepressiva,possvelfazercomqueoaparatodedominaosemantenhaese

autorrepliquesemencontrarresistncia.

A anlise da cultura realizada pela Teoria Crtica pressupe que enquanto

elemento carregado de historicidade, a cultura desempenha dois papis distintos na

sociedade contempornea: na formao emanuteno das foras de dominao, ao

mesmotempoemquerepresentatambmapossibilidadede libertaodessasmesmas

foras. A anlise dialtica da cultura realizada pela Teoria Crtica representa um

importante elemento terico para a pesquisa educacional, pois atravs dela que

podemosvislumbrarosmecanismosideolgicosdedominaoqueagemnaformaoda

subjetividade,impedindoosurgimentodeumaconscinciacrticacapazderompercomo

continumdadominao.

ConformeGiroux(1986,p.39),aorejeitaranoodeculturaadotadapelamaioria

dasanlisessociolgicas,assimcomopelomarxismoortodoxo,osmembrosdoInstituto

de Pesquisa Social, de forma especial Adorno, Horkheimer, Marcuse e Benjamin,

rejeitaramtambmanootradicionalqueviaaculturacomoummbitoautnomo,no

relacionado com os processos tanto polticos quanto econmicos que moviam a

sociedade,ounocasodomarxismo,areduodombitoculturalaummeroreflexoda

CRTICADACULTURAESOCIEDADE:ATEORIACRTICACOMOPOSSVELREFERNCIAPARAPESQUISAEDUCACIONALFernandoDalaSantaVivianBaroni

XANPEDSUL,Florianpolis,outubrode2014. p.3

X A

nped Sul

esfera econmica.Nesse sentido, era preciso empreender uma anlise da cultura que

abarcasse as transformaes ocorridas no mbito histrico e objetivo assim como a

transformaodoprprioconceitode razo,oque implicavaemumaabordagemque

apontasseparaacrescenteobjetificaodacultura.

Basicamente, para Giroux a escola enquanto espao em que a cultura

transmitidaeapreendida representaum importante instrumentoparaamanutenoe

reproduodeprticaseideologiasquefortalecemaestruturadepoderdasociedadede

classes.Dessa forma, a teoriaeducacional, tanto a tradicionalquanto a liberal, tem se

atido lgica da necessidade e da eficincia, ou seja, a escola vista como uma

instituio neutra, independente das interaes histricosociais que perpassam a

sociedade,equetemporobjetivoforneceraosalunosoconhecimentoeashabilidades

que semostram necessrias para desempenhar com sucesso seu papel na sociedade.

Assim,ofocodaeducaopassaaseraformaoprofissional,exclusivamentetcnicae

voltadaparaoalcancedesucessonomercadodetrabalho,enoaeducaoamplado

homemcomoumsersocialepoltico,capazdepensareproblematizarasuaexistnciaa

partirdeumparadigmacrticodepensamento.

Umateoriaqueanalisecriticamenteaeducaocontempornea,conformeGiroux

(1986, p.68), teria necessariamente que basearse em um princpio que reconhea a

estrutura dialtica entre interesse social, poder poltico e econmico de um lado, e

conhecimentoeprticaescolardeoutro,noqualopontodepartidapodesesituarna

problemticadocurrculooculto.Portanto,aescolaprecisaservistacomoumespao

educacionalqueseconstituipordoiscurrculos:umoexplicitoeformal,caracterizado

pelasnormasediretrizesadotadasformalmentepelaescola,assimcomopelaestrutura

de disciplinas; e outro, oculto e informal, constitudo pelas crenas e valores

transmitidostacitamenteatravsdasrelaessociaiserotinasquecaracterizamodiaa

diadaexperinciaescolar(GIROUX,1986,p.69).

Aimportnciadoconceitodecurrculoocultoresidenasuafunodeidentificara

escolacomopartedeumasociedadeampla,capazdeinfluenciardecisivamente(implcita

ouexplicitamente)naconstituiodasubjetividadedos indivduos.Talconceitoajudaa

clarificar as noes de poder e hegemonia que operam por trs dosmecanismos de

CRTICADACULTURAESOCIEDADE:ATEORIACRTICACOMOPOSSVELREFERNCIAPARAPESQUISAEDUCACIONALFernandoDalaSantaVivianBaroni

XANPEDSUL,Florianpolis,outubrode2014. p.4

X A

nped Sul

escolarizao,auxiliandonaconstruodeumapedagogiacrtica,capazdeestabelecer

umaanlisequealcanceatotalidadedosprocessosescolareseasua influnciadiretae

indiretasobreosindivduosqueseencontramsubmetidosaela.

A importnciadadaculturaesua relao intrnsecacomopoder, trabalhada

pela Teoria Crtica, representa um importante aspecto a ser considerado quando nos

movemosemdireoaumaTeoriaCrticadaeducao,poisatravsdelaquepodemos

entrever uma variedade de conceitos imprescindveis para a compreenso de como a

subjetividadepodesermoldada, tantodentroquanto foradoespaoescolar (GIROUX,

1986, p.58). Logo, utilizandose dos conceitos da Teoria Crtica, que apresentam uma

fundamentaoslidaparaacompreensoda relaoentreculturaepoder,possvel

construirumaabrangenteperspectivatericaparaanalisaranaturezadadominaoeas

possibilidadesderesistncia.

Giroux(1986,p.59)propequenestecaso,otecidocultural(linguagem,tradies,

etc.)dos indivduossejautilizadocomoumaferramentadetomadadeconscincia,que

lhespermitaexaminarcriticamenteopapelqueasociedadetemdesempenhadoemsua

autoformao;ouseja,elesteroos instrumentosparaexaminarcomoessasociedade

tem funcionado paramoldar e frustrar suas aspiraes e objetivos, ou como os tem

impedidomesmode imaginarumavidadiferentedaque levam.Dessaforma,aTeoria

Crticateriaopapeldeevidenciarasestruturasdepoderquemedeiamoprocessosociale

produtivo, confrontando os sujeitos diretamente com o que a sociedade repressiva

incorporoutanto ideologicamentequantomaterialmenteemsuaexistncia,permitindo

ainda iniciar, com a tomada de conscincia, o processo de luta pela libertao das

condiesdeservido.

O desafio consiste em tornar o polticomais pedaggico e o pedaggicomais

poltico.Issosignificainseriraescolanosprocessospolticos,tornandoaumespaoonde

poderepolticaoperamapartirdeumarelaodialticaentreindivduosegrupos,que

funcionam dentro de condies histricas e limites estruturais especficos (GIROUX

1988,p.32).Significa tambm trataroalunocomosercrtico,capazdeproblematizaro

conhecimento a ponto de tornlo emancipatrio, o que implica dar voz ativa aos

estudantes,problematizandoaprticapedaggicaapartirdesuasvivnciasconcretas,

CRTICADACULTURAESOCIEDADE:ATEORIACRTICACOMOPOSSVELREFERNCIAPARAPESQUISAEDUCACIONALFernandoDalaSantaVivianBaroni

XANPEDSUL,Florianpolis,outubrode2014. p.5

X A

nped Sul

suas caractersticas culturais, de classe, raciais e de sexo, em conjunto com as

particularidadesdeseusdiversosproblemas,perspectivaseesperanas.

As escolas, enquanto partes integrantes de uma sociedade complexa,

representam espaos sociais marcados por lutas e contradies, que embora sirvam

muitas vezes como baluarte perpetuao da dominao, tambm apresentam

possibilidadesdesetornaremcentrosderesistnciaeprticaemancipatria.Noentanto,

paracontinuarmoscomestaperspectivadeanlise,semostranecessrioconsiderarmos

o processo educativo como pertencente a uma conjunturamais ampla, que se realiza

dentro de condies histricas, sociais e econmicas especficas e em permanente

mudana.Tendoclaraessaperspectiva,compreendemosqueaescolasozinhanopode

mudaratotalidadedaestruturasocial;porm,namedidaemqueoprocessoeducativo

tornasetambmpoltico,at