versus magazine #20 junho/julho 2012

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DOWNLOAD: www.mediafire.com/view/?cu4flsfpe0bci1d Edio n20 da Versus Magazine c/ Ne Oliviscaris, Moonspell, Burzum, Din Brad, Blacklodge, Artic Plateau, Seth, Impiety, Carach Angren, Bilocate, Allegaeon, As They Burn, Niklas Sundin e muito mais.

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  • VERSUS MAGAZINE

    VERSUS Magazinec/o Ernesto MartinsRua da Barranha, 573 - 2D4460 - 253 - Senhora da HoraPortugal

    Telem.: 918 481 127E-Mail: versusmagazinept@gmail.comWeb: /versus-magazine.com MySpace: /versusmagazineFacebook: Versus Magazine - OfficialFacebook Group: Versus Magazine

    PUBLICAO BiMESTRALDownload Gratuito

    DIRECOErnesto MartinsAndr Monteiro

    GRAFISMOA.Monteiro - Design & Multimdia www.amonteiro.net

    ILUSTRAOEyeless Illustratorfacebook.com/eyeless.illustrator

    EQUIPAAndr MonteiroCarlos FilipeCristina SDaniel GuerreiroDicoEduardo RamalhadeiroEliana NevesEmanuel R. MarquesErnesto MartinsJorge CastroJoeyLus JesusPatricia Marques Paulo EirasPaulo MartinsSrgio PiresSrgio TeixeiraVictor Hugo

    FOTOGRAFIACrditos nas Pginas

    PUBLICIDADEgeral@versus-magazine.com

    Todos os direitos reservados. A VERSUS MAGA-ZINE est sob uma licena Creative Commons Atribuio-Uso No-Comercial-No a Obras De-rivadas 2.5 Portugal.

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    Esta , provavelmente, a primeira vez, em vinte edies, que atribu-mos as honras de capa a uma banda internacional estreante. Uma aposta em que nos lanamos sem hesitar, tal foi a sen-sao de deslumbramento que o lbum dos Ne Obliviscaris despertou numa boa parte da equipa da VERSUS Magazine. Para alm deste destaque concedido ao promissor colectivo australiano, esta edio inclui uma aprofundada conversa com Fernando Ribeiro dos Moonspell, uma interessante troca com o sempre misterioso Sr. Burzum e uma entrevista muito pessoal com Gianluca Divirgilio dos Artic Plateau, entre muitas outras.Na rubrica retroVERSUS recordamos Operation: Mindcrime dos Queensryche, um lbum absolutamente intemporal que completou h pouco 24 anos desde que foi publicado, e no que toca aos artistas grficos aqueles que com o seu talento pintam a cara do Metal tal como o conhecemos temos a honra de vos apresentar desta vez um dos nomes maiores dessa rea: o fantstico Niklas Sundin e a sua CabinFever Media.Terminamos com um destaque mais alargado para o aguardado Vagos Open Air, e, claro, com a seco de reportagens que inclui, entre outros, os recentes concertos de Cannibal Corpse e Exodus.Enviem-nos as vossas opinies para versusmagazinept@gmail.com.

    Ernesto Martins

  • Varg Vikernes Burzum, mesmo que o inverso no seja verdade.Com uma carreira que parece perpetuar-se, desde a primeira vaga do black metal, a banda norueguesa marcou sempre a cena metal, desde os anos 90 do sculo passado (para grande edifi-cao de uns e indignao de outros).Nesta conversa bem intelectual, o controverso msico noruegus reflete com a VERSUS Magazine sobre o significado da ltima estrela deste projeto musical, que, apesar de no ser to dis-cutido como outros seus contemporneos e conterrneos, nunca passou despercebido.

    A viver numa era dourada

    bilhete de avio na Noruega, sem ter de enfrentar uma infinidade de problemas, assim que a minha identidade se torna conhecida. Qualquer pessoa que me contrate, seja para o que for, ter de enfren-tar uma perseguio poltica, legal ou ilegal, e todos tm conscincia disso. Infelizmente, a Noruega o ltimo estado sovitico na Eu-

    ropa e os dissidentes como eu so obrigados a emigrar ou a tornar-em-se criminosos, para poderem sustentar as suas famlias. Feliz-mente para mim, tenho a capaci-dade de fazer msica e de con-seguir convert-la numa fonte de proventos.Posto isto, gostaria de dizer que fao msica e quero partilh-la

    Por que pretendes partilhar a tua msica com o mundo, nem que este se identifique apenas com uma comunidade underground como a cena metal?Varg Vikernes: uma boa pergun-ta, mas no fcil responder-lhe. Antes de mais, sinto que no posso fazer muito mais para alm disso. Nem sequer consigo comprar um

  • dizer ao mundo? O que pretendes dizer, quan-do te referes a uma conceo estoica de metamorfose? O que uma meta-morfose pag?Tenho a im-presso de que as palavras que usei para descrever o conceito de base deste l-bum foram uma conceo da mudana estoica pro-fundamente en-raizada na cultura europeia, ou seja, no paganismo. Os Eu-ropeus do passado (isto , os pagos) no tinham uma con-ceo linear do mundo, incluindo

    um princpio e um fim. Em vez disso, tinham uma conceo c-clica, em que tudo se repetia peri-odicamente: ao outono seguia-se o inverno, depois a primavera e o vero e, de seguida, novamente o outono, para todo o sempre. noite segue-se o dia, que d origem noite e assim por diante. No h princpio, nem fim.Geralmente, Volusp, o poema nrdico usado como letra em Umskiptar, visto como uma descrio da criao do mundo e o crepsculo dos deuses est com-pletamente errado ou, pelo menos, s tem significado do ponto de vista esotrico. Esta interpretao linear de origem judaico-crist. O que o poema descreve realmente so as transformaes da natureza que tm lugar todos os anos, e, so-bretudo, as metamorfoses sofridas pelas divindades que fazem parte dela. O Ragnarok descrito no po-

    ema apenas um evento anual.O mundo muda, em cada dia (com a Noite e o Dia), em cada ms (com as fases da lua) e em cada ano (com as quatro estaes) e ainda em perodos de 10.000 milhes de anos (com as idades do gelo que vo e vm). Os Europeus antigos sabiam isto e, por isso, relaciona-vam-se com o mundo e tudo o que nele habita de um modo semel-hante ao dos Estoicos.

    E de que forma a bela capa do l-bum ilustra esse conceito?Na capa do lbum, aparece uma personificao romntica da Noite, tal como foi representada pelo pin-tor noruegus P. N. Arbo. Ele tam-bm pintou uma personificao do Dia. A noite e o dia fazem parte das metamorfoses da natureza. um artista noruegus, bastante famoso, logo eu cresci com ele e com outros escritores, pintores,

    Sou um msico e, enquanto produzir algo que me parea de interesse, vou continuar a divulgar o meu trabalho. Que mais posso fazer?

    com os que se interessam pela minha arte, muito simplesmente porque a vejo como uma harmo-nia que compensa a falta de har-monia de que o mundo atual pa-dece gravemente.

    O que te faz continuar o teu caminho, depois de tantos l-buns?Sou um msico e, enquanto pro-duzir algo que me parea de in-teresse, vou continuar a divulgar o meu trabalho. Que mais posso fazer?

    Por que que a tua msica to montona? Curiosamente, essa mesma monotonia que produz o tom encantatrio que percorre todos os lbuns de Burzum. um elemento mgico da tua arte.Obrigado por essa apreciao. A minha msica feita as-sim, para impedir o ouvinte de

    deslizar/escapar/evadir-se para um outro estado mental e, as-sim, poder usufruir da beleza de viver nem que seja s por mo-mentos num mundo melhor, uma verdadeira Idade do Ouro, recriada no seu esprito.Compreendo que este plano pode no resultar com toda a gente, mas sempre agradvel para mim quando o ouvinte compreende a minha msica e a interpreta de acordo com a sua personalidade, o que lhe permite usufruir dela, como se pretendia partida.

    Como consegues produzir esse efeito montono e mgico, ao mesmo tempo?Provavelmente, porque eu prp-rio me sinto a viver numa Idade do Ouro, quando fao a minha msica.

    O que tem Umskiptar para

  • as canes deste l-bum?T r a t a m d a s d i f e r -e n t e s p o -cas do ano, do que o

    Homem fez para

    se prepa-rar para

    o que vem a seguir,

    como celebra as estaes, etc.

    Como j foi refer-ido, um poema

    religioso, mitolgico, que tem a ver com a for-

    ma como os povos pagos do norte se relacionavam com as mu-danas que ocorriam na natureza ao longo do ano.

    H algum a cantar contigo em Umskiptar?No. Fiz tudo sozinho, como de costume.

    Existe alguma relao entre Umskiptar e Belus e Fall-

    en? Podemos considerar os trs lbuns como estdios de uma mesma narrativa?Belus e Umskiptar esto efeti-vamente ligados a nvel concetual, mas Fallen um lbum parte. Belus descreve as metamorfos-es da natureza numa linguagem tradicional (sei) e Umskiptar trata o mesmo tema, mas recor-rendo a uma linguagem mitolgica (satr). Belus apresenta essas metamorfoses vistas da perspetiva de um feiticeiro e Umskiptar adota o ponto de vista de um sac-erdote pago.Portanto, so efetivamente dois aspetos da mesma narrativa: Bel-lus uma verso da Idade da Pedra ou do Bronze e Umskip-tar, da Idade do Ferro ou de uma poca intermdia.

    Entrevista: CSA

    com-p o s i -tores nacionais, t a i s como Th. Kittelsen, Asbjrnsen, Moe e Grieg. A atmosfera do quadro tem a ver com o facto de Arbo ter feito parte do nosso mov-imento romntico, no sc. XIX.

    Quais so os temas do poema antigo de onde retiraste as estn-cias que usaste como letras para

  • O que acontece quando membros de uma banda de metal resolvem levar mais longe uma das linhas mu-sicais que lhes interessam? o que vamos ver atravs desta conversa com Negru, a alma da atual formao de Negura Bunget e, agora tambm, dos Din Brad.Curiosamente, descobrimos que, na longnqua Ro-mnia, tambm h saudade!

    Da saudade no mundo romnico

  • um lbum muito atmosfrico. Queramos que cada ouvinte o compreendesse sua maneira de acordo com a sua cultura e a histria e tradies a ela associa-das.Neste primeiro lbum, apresenta-mos a nossa prpria forma de ver o antigo folclore romeno e as suas tradies que ainda esto vivas em algumas partes da Romnia. Tra-ta-se de um universo mstico que congrega mistrios meio oculta-dos, meio revelados, sentimentos ambguos, florestas negras, cus azuis, montanhas. Uma estranha ligao com a espiritualidade local faz-nos dar ateno aos costumes antigos. Dor descreve uma at-mosfera