universidade federal de uberlÂndia luÍs gustavo .2017-06-27 · atribui à dimensão estética

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLNDIA

LUS GUSTAVO GUADALUPE SILVEIRA

ALIENAO ARTSTICA:

Marcuse e a ambivalncia poltica da arte

UBERLNDIA

2009

LUS GUSTAVO GUADALUPE SILVEIRA

ALIENAO ARTSTICA

Marcuse e a ambivalncia poltica da arte

Dissertao de mestrado apresentada ao Programa de Ps-graduao em Filosofia da Universidade Federal de Uberlndia, para a obteno do ttulo de Mestre.

Linha de pesquisa: Filosofia Social e Poltica

Orientador: Prof. Dr. Rafael Cordeiro Silva

Uberlndia

2009

Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)

S587a Silveira, Lus Gustavo Guadalupe, 1981- Alienao artstica : Marcuse e a ambivalncia poltica da arte / Lus Gustavo Guadalupe Silveira. - 2009.

161 f.

Orientador: Rafael Cordeiro Silva. Dissertao (mestrado) - Universidade Federal de Uberlndia, Programa de Ps-graduao em Filosofia. Inclui bibliografia.

1. Marcuse, Herbert, 1898-1979 - Crtica e interpretao - Teses. 2. Filosofia alem - Sc. XX - Teses. 3. Cincia poltica - Filosofia - Teses. 4. Arte Filosofia - Teses. 5. Esttica - Teses. I. Silva, Rafael Cordeiro. II. Universidade Federal de Uberlndia. Programa de Ps-graduao em Filosofia. III. Ttulo. CDU: 1(4/9)

Elaborado pelo Sistema de Bibliotecas da UFU / Setor de Catalogao e Classificao

LUS GUSTAVO GUADALUPE SILVEIRA

ALIENAO ARTSTICA

Marcuse e a ambivalncia poltica da arte

Dissertao de mestrado apresentada ao Programa de Ps-graduao em Filosofia da Universidade Federal de Uberlndia, para a obteno do ttulo de Mestre.

rea de concentrao: Filosofia Moderna e Contempornea.

Uberlndia, 16 de fevereiro de 2009.

Banca Examinadora:

____________________________________ Prof. Dr Ana Paula de vila Gomide (UFU)

____________________________________ Prof. Dr. Robespierre de Oliveira (UEM)

____________________________________ Prof. Dr. Rafael Cordeiro Silva (Orientador)

A todos que cultivam, diariamente, um mundo mais bonito.

AGRADECIMENTOS

Agradeo a todos que contriburam para a realizao deste trabalho, especialmente ao professor Rafael pela pacincia e pelos emprstimos bibliogrficos, a Douglas Kellner pela solicitude, a Harold Marcuse pelas informaes disponibilizadas no site marcuse.org, Fapemig pelo subsdio, ao Enrico pela reviso do Abstract e minha famlia pelo apoio.

como se as notas de msica fizessem uma espcie de parnteses no tempo, de suspenso, um alhures aqui mesmo, um sempre no nunca. Sim, isso, um sempre no nunca. [...] A beleza neste mundo.

(BARBERY, 2008)

RESUMO

O carter poltico ambivalente da arte, apresentado por Marcuse em textos que

abrangem cinco dcadas de produo intelectual, o objeto de estudo de nosso trabalho. O

objetivo principal explicitar a maneira como o filsofo fundamenta essa ambivalncia, que

atribui dimenso esttica tanto um potencial afirmativo quanto negativo. A investigao

busca apresentar a caracterizao realizada pelo autor do aspecto poltico da arte; explicitar o

papel conciliatrio da arte na formao e manuteno da sociedade burguesa e depois, na

sociedade unidimensional; assinalar o potencial revolucionrio atribudo por Marcuse ao

discurso artstico; e investigar se h mudanas no julgamento do autor sobre a arte negativa e

afirmativa ao longo de suas obras explicitando, se for o caso, as suas justificativas para as

mudanas de ponto de vista. Para tanto, foram analisados textos desde 1937 at entrevistas

concedidas por Marcuse em 1979. Discutimos tambm com diferentes intrpretes do

pensamento do filsofo para melhor compreender seu trabalho. Partimos de cinco hipteses:

1) o potencial poltico (negativo ou afirmativo) da arte fundamenta-se no seu aspecto

alienador e tem a ver com a valorizao da subjetividade buscada por Marcuse; 2) o carter

poltico da arte depende fortemente do contexto histrico; 3) no h variaes significativas

nas reflexes de Marcuse sobre o carter poltico da arte entre as dcadas de 1930 e 1970. O

que varia (pouco) so as suas avaliaes do potencial subversivo de determinados

movimentos artsticos ao longo do sculo XX; 4) outra varivel a nfase dada pelo filsofo

aos aspectos revolucionrios, emancipatrios, reconciliatrios, conformistas ou positivos da

arte nos textos. Segundo nossas concluses, todas as hipteses foram confirmadas, apesar da

falta de consenso e da discordncia sobre as variaes e a natureza das reflexes de Marcuse

por parte de seus comentadores.

PALAVRAS-CHAVE: Marcuse. Poltica. Filosofia da Arte. Esttica.

ABSTRACT

The ambivalent political character of art, presented by Marcuse in texts that embrace

five decades of intellectual production, is the subject of our study. The main goal is make

explicit how Marcuse grounds this ambivalence, which assigns an affirmative and a negative

potential to the aesthetic dimension. This investigation seeks presenting the philosopher s

description of the political aspect of art; explicating the conciliatory function of art in

formation and maintenance of the bourgeois society and, later, of the one-dimensional

society; investigating whether there is a change on his appreciation about affirmative and

negative art through his works or not, and, if it is the case, explicating his arguments to those

changes. Therefore, we have analyzed texts from 1937 to interviews conceded by Marcuse in

1979. We also debated with different interpreters of his thought to better understand his work.

We started from five hypothesis: 1) political (negative or affirmative) potential of art is based

on it s alienating aspect and it s related to the subjectivity valorization searched by

Marcuse; 2) the political character of art substantially depends on the historical context; 3)

there is no significant variation in Marcuse s reflections about political character of art

between the 1930s and the 1970s. There is a (small) variation on his appraisal of the

subversive potential of certain artistic movements along the 20th century; 4) another variable

is his emphasis on revolutionary, emancipatory, reconciliatory, conformist or positives

aspects of art through his works. According to our conclusion, the entire five hypotheses were

confirmed, despite the lack of consensus and the commentators disagreement about the

variations and nature of Marcuse s reflections on art.

KEY-WORDS: Marcuse. Politics. Philosophy of Art. Aesthetics.

SUMRIO

1. Introduo ...............................................................................................................9

2. Cultura Afirmativa: Arte e Poltica nos Anos 1930..............................................19

3. Cultura Idealista Alem e Literatura da Resistncia: Arte e Poltica nos Anos

1940 .....................................................................................................................27

3.1. Arte como Grande Recusa ............................................................................27

4. Esttica, Psicanlise e Realismo Sovitico: Arte e Poltica nos anos 1950 ..........35

4.1. O protesto da fantasia ...................................................................................36

4.2. A eliminao da transcendncia ...................................................................44

5. Linguagem Revolucionria e Forma Possvel da Sociedade: Arte e Poltica nos

Anos 1960 ............................................................................................................49

5.1. A busca pela linguagem autntica ................................................................50

5.2. A civilizao incorpora a cultura ..................................................................51

5.3. A Eliminao do contedo antagnico da cultura ........................................60

5.4. O novo lugar da arte......................................................................................62

5.5. A possvel realizao da arte ........................................................................69

5.6. Mudanas na relao entre arte e sociedade .................................................74

5.7. A ambgua funo social da arte...................................................................77

5.8. A nova sensibilidade cultivada pela arte.......................................................84

6. Alienao Artstica como Negao da Negao: Arte e Poltica nos Anos 1970.91

6.1. A qualidade subversiva da arte .....................................................................91

6.2. As contradies da revoluo cultural ..........................................................99

6.3. O potencial poltico do surrealismo ............................................................116

6.4. A permanncia da arte ................................................................................124

6.5. Esttica trans-histrica e a necessidade da arte....