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<ul><li><p>Revista Especial de Educao Fsica Edio Digital v. 3, n. 1, novembro 2006. Anais do V Simpsio de Estratgias de Ensino em Educao/Educao Fsica Escolar </p><p>Di sponvel em: </p><p> 227 </p><p>UMA OUTRA METODOLOGIA DE ENSINO DO BASQUETE POSSVEL?1 </p><p>Renata Linhares2 Especialista em Educao Fsica Escolar FEF/UFG - renataufg@yahoo.com.br </p><p>Vanessa Carvalho Pereira3 Especialista em Educao Fsica Escolar FEF/UFG - vanessacarpe@yahoo.com.br </p><p>Resumo </p><p>Neste estudo apresentamos uma proposta terico-metodolgica para o ensino da Educao Fsica escolar, mais especificamente, para o ensino do basquete na Escola Municipal Honestino Monteiro Guimares. Para tanto, nos valemos, prioritariamente, dos estudos de Bracht (1996) e Assis (2001) sobre as questes que envolvem o fenmeno esportivo e sua relao com a Educao Fsica escolar, de Frigotto (2000) e Silva (1992) acerca da Educao/Currculo e do Coletivo de Autores (1992) a propsito de dialogarmos com a literatura crtica produzida na rea. Tal incurso fez-se necessria na medida que favoreceu reflexes que apontavam para necessidade de construo de propostas e instrumentos pedaggicos efetivos e alternativos perspectiva da aptido fsica e a esportivizao da Educao Fsica. Deste modo, o trabalho apresenta uma discusso inicial acerca do esporte e da Educao Fsica, o nosso entendimento sobre a avaliao, o detalhamento dos objetivos, da metodologia e dos passos utilizados para implementao da proposta e as consideraes finais. </p><p>Introduo </p><p>Este trabalho tem a perspectiva de construo de uma proposta terico-metodolgica para o ensino do basquete como um elemento da cultura corporal. Nesse contexto, a estratgia planejada realizou-se numa escola pblica de Goinia para, assim, contribuirmos com o desenvolvimento de uma proposta de interveno que primasse por favorecer reflexes sobre as dimenses: histricas, de origem, tcnicas e tticas, fundamentos e regras do basquete, bem como reflexes sobre o esporte espetculo, sua relao com a mdia e os possveis mitos e preconceitos. Para tanto, desenvolvemos uma pesquisa-ao que busca aproximar a produo terica da prtica, na medida que envolve na pesquisa os agentes sociais afetados na condio de sujeitos do conhecimento (Thiollent, 2002). </p><p> 1 O presente estudo foi elaborado ao final da disciplina de Metodologia do ensino do esporte, ministrada pelo professor Dr. Marcelo Guina Ferreira, da Especializao em Educao Fsica escolar oferecida pela U.F.G, pensando na realidade da escola pblica de Goinia/GO. 2 Professora de Educao Fsica da Escola Municipal Honestino Monteiro Guimares. 3 Professora de Educao Fsica da Escola Infantil So Jos. </p><p>mailto:renataufg@yahoo.com.brmailto:renataufg@yahoo.com.brmailto:vanessacarpe@yahoo.com.brmailto:vanessacarpe@yahoo.com.br</p></li><li><p>Revista Especial de Educao Fsica Edio Digital v. 3, n. 1, novembro 2006. Anais do V Simpsio de Estratgias de Ensino em Educao/Educao Fsica Escolar </p><p>Disponvel em: </p><p> 228 </p><p>Neste relato de experincia, a inteno colaborar com as reflexes e propostas pedaggicas progressistas que foram produzidas na Educao Fsica a partir da dcada de 1980, dialogando com as mesmas, a fim de produzir propostas de interveno inovadoras, pois segundo Arroyo (2000, p.152), o ncleo inovador baseado nas prticas cotidianas dos prprios professores e alunos, nas virtualidades inovadoras que h no ato educativo. Os sujeitos da ao pedaggica so os sujeitos da inovao. Bem como construir subsdios que venham contribuir com a prtica pedaggica dos professores de Educao Fsica escolar. A pesquisa foi realizada com turmas de ciclo II4 da escola Municipal Honestino Monteiro Guimares, no ano de 2005. Fundamentao Terica </p><p> A Educao Fsica escolar tradicionalmente pautou-se pela tica da educao do fsico, ou seja, pela formao e desenvolvimento </p><p>da aptido fsica do ser humano. As instituies que cumpriram e, ainda cumprem papel decisivo neste processo so: a mdica, a militar e a esportiva. Segundo Assis durante o seu percurso histrico, </p><p> a educao fsica vem recebendo influncia de outras instituies, assumindo ou incorporando seus cdigos e vinculando-se construo/formao de diferentes modelos de corpos. Primeiro a instituio mdica (o corpo higinico-eugnico), depois a instituio militar (o corpo produtivo, dcil e disciplinado) e, por ltimo, a instituio esportiva (os corpos produtivo, esportivo, competitivo, apoltico, acrtico, alienado, mercador, mercadoria e consumidor) (ASSIS, 2001, p.14). </p><p> A respeito das instituies que ao longo da histria do desenvolvimento da Educao Fsica tornaram-se marcantes e porque no </p><p>dizer, decisivas para a constituio desta rea merecer destaque neste estudo a instituio esportiva, pelo fato de constatarmos que sua influncia alcana os dias atuais e pelo esporte constituir-se no foco principal deste trabalho. </p><p> A influncia esportiva na Educao Fsica mais recente que as demais, j que o esporte se difunde pelo mundo aps a Revoluo </p><p>Industrial. Este, enquanto prtica corporal, vem assumindo historicamente um carter competitivo que o acompanha desde sua evoluo e que se constitui numa das suas mais marcantes caractersticas. Segundo Bracht, o esporte </p><p> [...] refere-se a uma atividade corporal de movimento com carter competitivo surgida no mbito da cultura europia por volta do sculo XVIII, e que com esta, expandiu-se para todos os cantos do planeta. No seu desenvolvimento conseqente no interior desta cultura, assumiu o esporte suas caractersticas bsicas, que podem ser sumariamente resumidas em: competio, rendimento fsico-tcnico, recorde, racionalizao e cientifizao do treinamento (BRACHT, 1989 p. 69). </p><p> 4 A organizao escolar na Rede Municipal do Ensino (RME) de Goinia se estabelece a partir de agrupamentos por ciclos, de acordo com a faixa etria dos educandos. Assim, o ciclo I compreende crianas de 6 a 8 anos, o ciclo II crianas de 9 a 11 anos e o ciclo III de adolescentes de 12 a 14 anos. </p></li><li><p>Revista Especial de Educao Fsica Edio Digital v. 3, n. 1, novembro 2006. Anais do V Simpsio de Estratgias de Ensino em Educao/Educao Fsica Escolar </p><p>Disponvel em: </p><p> 229 </p><p> O esporte, entendido enquanto fenmeno do mundo moderno, ritualiza e incorpora elementos da sociedade capitalista, tais como: a </p><p>competio, a racionalizao, a influncia cada vez mais crescente de uma cincia que surge com o propsito de influir nas prticas esportivas (cincia esportiva), a identidade criada entre naes e prticas esportivas, a especializao, a busca incessante por recordes, medalhas, supremacia poltica e econmica (caso da Guerra Fria), etc. Assim, o esporte se difundiu pelo mundo revolucionando o universo das prticas corporais. Tal fenmeno dar-se- sobre os cuidados do movimento olmpico internacional. Para Bracht: </p><p> importante ressaltar que muitos dos elementos caractersticos da sociedade moderna, no caso capitalista industrial, vo ser incorporados e/ou esto presentes no esporte: orientao para o rendimento e a competio, a cientifizao do treinamento, a organizao burocrtica, a especializao de papis, a pedagogizao e o nacionalismo (este ltimo sendo central para a expanso do esporte promovido pelo movimento olmpico) (BRACHT, 1996, p. 04). </p><p> No Brasil, somente no final do Estado Novo, com os processos de urbanizao, industrializao e com o avano dos meios de </p><p>comunicao de massa que o esporte se difunde pelo pas. Os governos ps-64 foram decisivos neste processo, a ponto do esporte ser utilizado como Aparelho Ideolgico do Estado. Atravs do esporte, o governo buscava desviar o foco de ateno da populao das questes polticas e econmicas (Assis, 2001). </p><p> Com o desenvolvimento do esporte iro ficar cada vez mais evidentes a importncia que assumem a mdia, a cincia e a escola dentro </p><p>do mundo esportivo corroborando com a aceitao popular e a legitimao social desta prtica corporal. Os meios de comunicao de massa no podem ser considerados elementos externos a instituio esportiva, so parte integrante dela, assim como as chamadas cincias do esporte (sem falar na escola que vai ser instrumentalizada para socializar consumidores e praticantes). (BRACHT, 1996 p.09). </p><p> A presso que a sociedade faz sobre o indivduo atravs dos meios de comunicao de massa est presente tambm no esporte, no </p><p>sentido de manter a perspectiva da ideologia dominante. </p><p>A indstria cultural abusa na sua considerao para com as massas a fim de duplicar, consolidar e reforar sua mentalidade pressuposta como imutvel. Tudo que poderia servir para transformar esta mentalidade por ela excludo. As massas no so o critrio em que se inspira a industria cultural, mas antes a sua ideologia, dado que esta s poderia existir, prescindindo da adaptao das massas. (ADORNO5, 1979). </p><p>5 Originalmente este ensaio Resume ber Kulturindustrie foi uma conferencia radiofnica pronunciada por Adorno na Internationalen Rundfunkuniversitt des Hessischen Rundfunk de Frankfurt, de 28 de maro a 4 de abril de 1963, depois includo do livro Ohne Leitbild. Parva Aesthetica. Frankfurt, Suhdamp, 1967. Traduo de Carlos Eduardo Jordo Machado do original alemo e cotejada com a traduo italiana (Parva Aesthetica. Milano. Einaudi, 1979). Anita Simis e Marcos Costa colaboraram na edio final do texto. </p></li><li><p>Revista Especial de Educao Fsica Edio Digital v. 3, n. 1, novembro 2006. Anais do V Simpsio de Estratgias de Ensino em Educao/Educao Fsica Escolar </p><p>Disponvel em: </p><p> 230 </p><p>No difcil diagnosticar isso nas prticas corporais, principalmente, no esporte, onde a cooptao das vontades de cada um manipulada para adquirir os equipamentos, a vestimenta, os ingressos de jogos... tornando as pessoas consumidoras das prticas corporais. </p><p> O esporte, a ginstica, a dana, as artes marciais e as prticas de aptido fsica tornam-se, cada vez mais, produtos de consumo (mesmo que apenas como imagens) e objetos de conhecimento e informaes amplamente divulgados para o grande pblico. Jornais, revistas, videogames, rdio e televiso difundem idias sobre cultura corporal de movimento (...) Crianas tomam contato precocemente com prticas corporais e esportivas do mundo adulto. Informaes sobre a relao prticas corporais - sade esto accessveis em qualquer revista feminina, em jornais noticiais e documentrios de TV, nem sempre com o rigor tcnico-cientfico que seria desejvel. (BETTI, 1998, p. 17). </p><p> O papel assumido pela mdia foi to decisivamente importante para a difuso do esporte que a denominao mais usual atualmente </p><p>esporte-espetculo, mantido e dirigido por instituies. O que queremos dizer que existem instituies cada vez mais organizadas que controlam as prticas esportivas (federaes, confederaes, C.O.B., C.O.I., etc) e empresas ligadas a estas mesmas instituies que controlam o mercado esportivo e que acabam por controlar at mesmo as prprias instituies e seus regimentos internos, j que o que manda o mercado e as questes econmicas. Sobre esta questo Bracht (1996, p.10) elucida: O esporte de alto rendimento ou espetculo vai organizar-se a partir dos princpios econmicos vigentes na economia de mercado. </p><p> A escola tambm desempenhar papel importante neste processo assumindo e veiculando o discurso de que o esporte educa e </p><p>principalmente, que esporte sade. Assim, o esporte consolidou-se na instituio escolar como contedo quase exclusivo das aulas de Educao Fsica, e se apresenta a servio da instituio esportiva disseminando seus princpios dentro da escola. Segundo Assis (2001 p.16): Hoje no s o esporte o contedo exclusivo ou prioritrio para a organizao das aulas, como tambm outras formas culturais vo sendo esportivizadas por meio da realizao de competies, da uniformizao de regras, etc. </p><p> Entretanto, o que queremos destacar e que se configura num dos maiores intentos deste estudo a possibilidade de construirmos uma </p><p>outra cultura esportiva, um novo esporte escolar que surgir por um lado, do conhecimento do modelo esportivo que est posto - o qual na maioria das vezes hegemonicamente trabalhado em nossas escolas - por outro, da subseqente crtica reflexiva a este modelo e s condies sociais que privilegiam o esporte. Partindo da idia que a escola um campo de disputa hegemnica o intuito colaborar com propostas de mudanas que tenham como foco a transformao da escola, tanto dos seus sujeitos escolares quanto da realidade concreta a que est submetida a escola pblica. </p><p> A educao, quando apreendida no plano das determinaes e relaes sociais e, portanto, ela mesma constituda e constituinte destas ralaes, apresenta-se historicamente como um campo de disputa hegemnica. Esta disputa d-se na perspectiva de articular as concepes, a organizao dos processos e dos contedos educativos na escola e, mais amplamente, na diferentes esferas da vida social, aos interesses de classe. (FRIGOTTO, 2000, p. 25) </p></li><li><p>Revista Especial de Educao Fsica Edio Digital v. 3, n. 1, novembro 2006. Anais do V Simpsio de Estratgias de Ensino em Educao/Educao Fsica Escolar </p><p>Disponvel em: </p><p> 231 </p><p> Porm, tal intento no se constitui em tarefa simples, visto que a Educao Fsica tambm um campo de disputa hegemnica. No </p><p>entanto, por acreditarmos que a Educao Fsica pode e deve desempenhar outras funes que no sejam aquelas ligadas ao melhoramento da aptido fsica e/ou a preparao esportiva, e que o esporte no , nem deve ser tratado como o nico contedo da Educao Fsica escolar, que nos dedicamos neste estudo a reflexes acerca do esporte e da Educao Fsica, a fim de que construamos uma proposta alternativa de ensino do esporte na escola. Deste modo, concordamos com o Coletivo de Autores (1992, p. 50) que a Educao Fsica uma prtica pedaggica que, no mbito escolar, tematiza formas de atividades expressivas corporais como: jogo, esporte, dana, ginstica, formas estas que configuram uma rea de conhecimentos que podemos chamar de cultura corporal. </p><p> Assim sendo, propomos um processo de ensino-aprendizagem humanizador, crtico, identificador das relaes existentes entre o </p><p>esporte, a ginstica, a dana, etc e a sociedade capitalista, com vistas transformao e reflexo superadora, sem, contudo, negarmos a necessidade do domnio dos elementos tcnicos e tticos (Coletivo de Autores, 1992, p. 41). Entretanto, tais elementos merecem ser abordados no como supostas verdades naturais, mas como fruto de um processo de construo histrica, no qual principalmente, a cincia e os meios de comunicao influenciam de forma decisiva. </p><p> O ponto crucial parece ser o acesso real e refletido cultura corporal, atravs da prtica efetiva das atividades, mas de uma prtica </p><p>capaz de aquisio e compreenso da linguagem corporal, refletindo sobre o significado e os valores do mundo por ela representado e, tambm, construdo (ASSIS, 2001, p.97). O que propomos e que ficar mais claro aos olhos dos/as leitores/as no momento em que detalharmos nossa metodologia um trato diferenciado para o esporte. Para educar as crianas e jovens dentro da lgica capitalista, do esporte-espetculo j temos a mdia, bem como o conjunto da nossa organizao social. A nossa funo dentro da instituio educacional favorecer o acesso ao conhecimento, desmistificando a pretensa neutralidade do fenmeno esportivo, levando aos nossos/as alun...</p></li></ul>