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  • Uma anlise sociolgica sobre o Desemprego

    Equipa Protocolo RSI

    1

  • Uma anlise sociolgica sobre o Desemprego

    Equipa Protocolo RSI

    2

    Uma anlise sociolgica sobre o Desemprego

    Podemos estabelecer um paralelo entre os conceitos de excluso social, pobreza e

    desemprego. O desemprego de longa durao, realidade perentria em muitos

    pases da Europa, pode causar graves problemas tanto ao nvel da subsistncia

    dos indivduos como ao nvel do seu estatuto e laos sociais. No entanto, a ausncia

    de desemprego no significa a ausncia de pobreza ou de excluso social. De

    facto, e como paradigma das prticas do novo capitalismo, podemos constatar que

    a realidade do mercado de trabalho cada vez mais aponta para a precariedade e

    para a usurpao dos espaos de socializao por excelncia que eram os espaos

    de trabalho. Principalmente devido a esta ltima realidade, no podemos

    considerar o consentimento de rendimento de desemprego ou o

    desenvolvimento econmico como solues exclusivas destes problemas.

    necessrio tomar medidas para combater esta situao muitas vezes invisvel, de

    maneira a que se consiga fortalecer novamente os laos sociais e se consiga

    reforar a coeso da sociedade. Mas, sobretudo, necessrio que as medidas de

    fomentao econmica no se distanciem do seu propsito social, seno o flagelo da

    pobreza e da excluso social persistiro. (Peixoto, Paulo

    http://www4.fe.uc.pt/fontes/trabalhos/2009022.pdf , 2009).

    Nas sociedades modernas, ter emprego importante para manter o amor-prprio. A

    experincia do desemprego s pode ser devidamente entendida em termos daquilo

    que o trabalho proporciona. ()

    1. Dinheiro. Um salrio ou remunerao a principal fonte de rendimento de que

    depende a maioria das pessoas para fazer face s suas necessidades. Sem essa

    receita, tendem a multiplicar-se as ansiedades acerca da forma como se vai viver o

    dia-a-dia.

    2. Nvel de atividade. O emprego proporciona frequentemente uma base para a

    aquisio e treino de aptides e capacidades. () Sem emprego, a oportunidade

    para exercitar essas aptides e capacidades pode ser reduzida.

    3. Variedade. O emprego favorece o acesso a contextos que contrastam com o

    ambiente domstico. () O desemprego reduz esta fonte de contraste com a

    atmosfera caseira.

    4. Estrutura temporal. Para as pessoas com empregos regulares, o dia organiza-se

    normalmente em volta do ritmo de trabalho. Os desempregados tm,

    frequentemente, problemas com tdio e desenvolvem um sentido de apatia em

    relao ao tempo

    5. Contactos sociais. O ambiente de trabalho proporciona amizades e oportunidades

    para participar em atividades com outros. O crculo de amizades e conhecimentos

    de uma pessoa tem tendncia para diminuir, quando ela se afasta do mundo do

    trabalho.

    6. Identidade pessoal. O emprego valorizado usualmente, por causa do sentido de

    identidade social e estvel que proporciona. (Giddens, Anthony: Sociologia; 1997)

    http://www4.fe.uc.pt/fontes/trabalhos/2009022.pdf

  • Uma anlise sociolgica sobre o Desemprego

    Equipa Protocolo RSI

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    Tendo como principal objetivo a autonomizao das famlias e face atual

    conjuntura econmica e social, a Equipa de Protocolo RSI da Critas caracterizou os

    beneficirios para observar como estes se posicionam face ao mercado de trabalho,

    uma vez que consideramos que cada vez mais, este ser um fator determinante para

    a taxa de sucesso do trabalho realizado pela Equipa. Para isso, depois de feita a

    atualizao da base de dados, j construda para o relatrio ltimo, foram

    ( re)caracterizadas variveis como as habilitaes literrias, a idade, e o tipo de

    encaminhamento aquando da data de contratualizao do acordo de insero.

    Quando refletimos sobre o tipo de fatores que podem ter um peso fundamental

    aquando da insero profissional de beneficirios consideramos, desde logo, as

    qualificaes acadmicas dos mesmos. Assim, verificando a tabela de frequncias

    relativa s habilitaes literrias dos titulares fica reforada a ideia que no total do

    universo dos beneficirios considerados, a maior fasquia mantm-se no 1 e 2 ciclo,

    mas considera-se tambm relevante os que detm as mais altas qualificaes

    (12ano, licenciatura e bacharelato), totalizando 34 indivduos.

    Habilitaes Literrias

    N %

    Analfabeto 21 8,6

    Sabe ler e escrever 13 5,3

    1 ciclo 54 22,2

    2 ciclo 67 27,6

    3 ciclo 54 22,2

    12 ano 24 9,9

    Bacharelato 1 0,4

    Licenciatura 8 3,3

    Mestrado 1 0,4

    Total 243 100

    Supostamente, estes seriam os que estariam mais bem dotados para concorrer na

    disputa ao emprego. E, na realidade, este tipo de beneficirio que, neste

    momento, acorre aos servios para requerer uma prestao social que lhe assegure as

    necessidades bsicas.

  • Uma anlise sociolgica sobre o Desemprego

    Equipa Protocolo RSI

    4

    Mas, ao observar como se cruzam os dados entre a situao face ao emprego vs.

    habilitaes acadmicas, damos conta que os dados traduzem a refutao da

    hiptese que os indivduos com habilitaes acadmicas mais elevadas seriam os

    indivduos mais bem colocados face ao mercado de trabalho. Percebemos que

    todos aqueles que detm uma licenciatura, mestrado e bacharelato se encontram

    desempregados. Da mesma forma, apenas 2 indivduos que possuem 12 ano, esto

    integrados profissionalmente. importante salientar ainda que recai no item No

    aplicvel, um considervel nmero de beneficirios. Considerou-se aqui todos

    aqueles que estariam de alguma forma incapazes face ao mercado de trabalho por

    dispensa de insero, sade, analfabetismo ou at com o 1 ciclo, uma vez que

    devero ser estes encaminhados para as respetivas reas de insero.

    Situao face ao Emprego* Habilitao acadmicas

    Habilitaes acadmicas

    Situao face

    ao Emprego

    12

    ano

    1

    ciclo

    2

    ciclo

    3

    ciclo Analf. Bacha. Lic. Mest.

    Sabe ler

    e

    escrever

    Total

    Coleta 0 1 0 0 0 0 0 0 0 1

    Contrato a

    termo 2 1 1 1 0 0 0 0 0 5

    Contrato sem

    termo 0 2 0 0 0 0 0 0 0 2

    Desempregado 12 28 37 39 2 1 6 1 2 128

    No aplicvel 10 21 27 14 19 0 2 0 11 104

    Precrio 0 1 2 0 0 0 0 0 0 3

    Total 24 54 67 54 21 1 8 1 13 243

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    Faixas etrias* Habilitaes acadmica

    Habilitaes acadmicas

    Faixas

    etrias

    12

    ano

    1

    ciclo

    2

    ciclo

    3

    ciclo Analfa. Bacha. Lic. Mestr

    Sabe ler

    e

    escrever

    Total

    18-20

    anos 0 0 0 2 0 0 0 0 0 2

    21-25

    anos 1 2 5 5 1 0 0 0 1 15

    26-30

    anos 3 4 12 6 5 0 1 0 0 31

    31-35

    anos 3 20 8 8 5 1 1 0 0 46

    36-40

    anos 4 7 11 8 3 0 2 0 2 37

    41-45

    anos 5 6 7 4 4 0 2 1 4 33

    46-50

    anos 5 6 10 8 3 0 2 0 4 38

    51-55

    anos 1 5 10 6 0 0 0 0 2 24

    56-60

    anos 1 4 2 5 0 0 0 0 0 12

    61-65

    anos 1 0 2 2 0 0 0 0 0 5

    Total 24 54 67 54 21 1 8 1 13 243

    Da mesma forma, observando o cruzamento dos dados (faixas etrias vs. habilitaes

    acadmicas), a ideia que sobressai que nas idades entre os 36 e os 50 anos que

    se concentram os indivduos com qualificaes mais elevadas. Consequentemente, o

    acesso ao mercado de trabalho fica mais condicionado, sabendo de antemo que

    muitos dos mais novos esto inseridos em contextos profissionais precrios, como

    estgios profissionais ou com baixssimas remuneraes.

    Relativamente aos que j esto efetivamente inseridos, a tabela de frequncias

    seguinte mostra os dados de falta de resposta por parte dos servios situao

    especfica das famlias e sua consequente autonomizao.

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    rea de Insero* Habilitaes acadmicas

    Habilitaes acadmicas

    ria de insero 12 ano

    1 ciclo

    2 ciclo

    3 ciclo

    Analf. Bacha. Lic. Mestr. Sabe ler

    e escrever

    Total

    Alfabetizao 0 0 1 0 1 0 0 0 2 4

    Desenvolvimento de competncias

    0 3 0 0 4 0 0 0 1 8

    Dispensa de insero

    0 2 2 0 1 0 0 0 0 5

    Educao 3 0 0 0 0 0 0 0 0 3

    EFA 0 2 3 5 0 0 0 0 0 10

    Emprego 2 4 2 3 0 0 0 0 0 11

    Emprego, Sade 0 1 0 0 0 0 0 0 0 1

    Formao Profissional

    1 0 0 1 0 0 1 0 0 3

    No aplicvel 12 38 48 34 14 1 6 1 9 163

    RVCC 0 0 3 4 0 0 0 0 0 7

    Sade 2 4 7 2 1 0 1 0 1 18

    Trabalho socialmente necessrio

    4 0 1 5 0 0 0 0 0 10

    Total 24 54 67 54 21 1 8 1 13 243

    Verifica-se que metade dos titulares com 12 ano, no esto sequer inseridos em

    nenhuma das reas de insero possveis e 4 do total de 24 frequentam o projeto

    Pr- Incluso promovido pela Equipa, no mbito do desenvolvimento do trabalho

    socialmente necessrio. Da mesma forma, temos quase 100% dos licenciados fora de

    qualquer integrao em alguma rea de insero. Apenas 11 dos titulares esto

    integrados profissionalmente.

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    Incapacidade para o trabalho* Habilitaes acadmicas

    Habilitaes acadmicas

    Incapacidade para o trabalho

    12 ano

    1 ciclo

    2 ciclo

    3 ciclo

    Analf. Bacha. Lic. Mest. Sabe ler e escrever

    Total

    No 19 41 55 49 11 1 7 1 8 192

    No aplicvel

    2 1 4 2 8 0 0 0 3 20

    Sim 3 12 8 3 2 0 1 0 2 31

    Total 24 54 67 54 21 1 8 1 13 243

    Poder-se-ia pensar que muitos dos titulares estariam excludos por questes de sade,

    mas ao analisar a tabela que cruza os dados entre Incapacidade para o trabalho vs.

    habilitaes acadmicas, conclui-se que, para a maioria no existe qualquer

    impedimento para o desempenho de funes e que as pessoas que realmente o

    apresentam so um nmero relativamente baixo. Mais uma vez fica claro que, na

    atual conjuntura do pas o acesso ao mercado de trabalho fica condicionado e h que

    criar alternativas ao mesmo, refletindo novas estratgias de atuao da Equipa.

    Relativamente aos dados dos maiores de 18 anos que fazem parte do agregado dos

    titulares, analisaremos as mesmas variveis, no sentido de podermos ter concluses

    fidedignas sobre a efetiva integrao de beneficirios.

    Importa, antes de mais, saber qual o grau de parentesco que estabelece com o titular

    da prestao e de seguida saber onde esto inseridos.

    Parentesco Face ao titular

    N %

    Companheiro/ Companheira 72 37,3

    Cnjuge 41 21,2

    Cunhado/ Cunhada 3 1,6

    Enteado/ Enteada 4 2,1

    Filho/Filha 58 30,1

    Irmo/Irm 6 3,1

    Me/Pai 6 3,1

    Nora/genro 1 0,5

    Sobrinho/ Sobrinha 2 1

    Total 193 100

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    8

    A primeira grande reflexo recai sobre o nmero de famlias que se caracterizam

    como nucleares com filhos que atingem os 46,5%, (no total da amostra de 243

    processos acompanhados, 113 so famlias nucleares). Este nmero crescente desta

    tipologia de famlia reflete o estado atual da situao socio econmica do pas, ou

    seja, famlias com filhos a cargo que de alguma forma se veem no limiar da pobreza

    relativa.

    Situao face ao emprego

    N %

    Contrato a termo

    6 3,1

    Contrato sem termo

    4 2,1

    Desempregado 73 37,8

    No 21 10,9

    No aplicvel 83 43

    Precrio 4 2,1

    Recibo verde 2 1

    Total 193 100

    Considerando o nmero de desempregados apresentados na tabela, fica claro que

    esta problemtica surge como primordial para a caracterizao destas famlias. O

    item No corresponde queles que no detm habilitaes acadmicas ou possuem

    o 1 ciclo e por isso so encaminhados para RVCC ou alfabetizao e no podero ser

    considerados como desempregados. Relativamente ao item No aplicvel, incluem-

    se todos os maiores de 18 anos que esto dispensados de insero, encaminhados

    para a sade ou ainda esto a dar continuidade aos estudos.

  • Uma anlise sociolgica sobre o Desemprego

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    Quanto s habilitaes acadmicas, so apresentados os nmeros relativos

    distribuio dos 193 indivduos considerados nesta amostra.

    Parentesco face ao titular* Habilitaes acadmicas

    Parentesco face ao titular

    Habilitaes acadmicas

    Total 12 ano

    1 ciclo

    2 ciclo

    3 ciclo

    Analf. Bacha. Lic. Sabe ler e escrever

    Companheiro / Companheira

    4 14 16 14 16 0 0 8 72

    Cnjuge 1 17 9 10 1 0 2 1 41

    Cunhado/ Cunhada

    0 0 2 0 0 0 0 1 3

    Enteado/Enteada 0 1 1 1 0 0 1 0 4

    Filho/Filha 23 6 9 13 1 0 3 3 58

    Irmo/Irm 0 1 2 0 1 1 0 1 6

    Me/Pai 0 3 1 0 1 0 0 1 6

    Nora/genro 0 0 0 0 0 0 0 1 1

    Sobrinho/ Sobrinha

    1 0 0 1 0 0 0 0 2

    Total 29 42 40 39 20 1 6 16 193

    Os resultados mostram que a maioria dos filhos dos beneficirios titulares j

    completaram o 12 ano, mas os dados mais importantes so revelados na totalidade

    dos companheiros/cnjuges, que na sua maioria tm habilitaes ao nvel do 1 e 2

    ciclo. O analfabetismo ainda muito marcado neste tipo de populao.

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    rea de insero - Maioridade de 18 anos

    N %

    Alfabetizao 8 4,1

    CEI+ 1 0,5

    Desenvolvimento de competncias

    2 1

    Dispensa de insero 7 3,6

    Educao 26 13,5

    EFA 4 2,1

    Emprego 15 7,8

    Formao Profissional 1 0,5

    No aplicvel 113 58,5

    RVCC 1 0,5

    Sade 15 7,8

    Total 193 100

    Relativamente aos beneficirios inseridos, num total de 193 indivduos, cerca de 60%

    no se encontram inseridos, o que revela uma situao preocupante quando a Equipa

    est empenhada na autonomizao destas famlias. Es ta percentagem corresponde

    ao total de encaminhamentos. A rea da Educao tem a segunda maior

    percentagem e situa-se nos 13,5%. Este dado revela que alguns esto a prosseguir os

    estudos. Finalmente, 7,8% esto inseridos profissionalmente, percentagem baixa

    quando os rendimentos ditam a atribuio ou no da prestao.

    Finalmente iremos analisar a varivel Tipo de encaminhamento, que revela as

    principais reas para as quais foram feitos encaminhamentos da Equipa. Importa

    salientar que o item No aplicvel (84) nesta tabela, corresponde, ento, ao

    nmero de beneficirios efetivamente inseridos.

  • Uma anlise sociolgica sobre o Desemprego

    Equipa Protocolo RSI

    11

    Tipo de encaminhamento - Titulares

    N %

    Ao social 3 1,2

    Educao 15 6,2

    Educao, Emprego 2 0,8

    Educao, Formao 1 0,4

    Emprego 88 36,2

    Emprego, Ao social 1 0,4

    Emprego, Formao 22 9,1

    Formao 2 0,8

    No aplicvel 89 36,6

    Sade 8 3,3

    Sade, Ao social 3 1,2

    Sade, Emprego 6 2,5

    Sade, Formao 1 0,4

    Sade,Habitao, Ao social 1 0,4

    Sade,Habitao, Formao 1 0,4

    Total 243 100

    Tipo de encaminhamento - Maiores de 18 anos

    N %

    Ao social 3 1,6

    Educao 13 6,7

    Emprego 55 28,5

    Emprego, Formao 12 6,2

    Formao 12 6,2

    Habitao 2 1

    No aplicvel 83 43

    Sade 9 4,7

    Sade, Educao 1 0,5

    Sade, Emprego 1 0,5

    Sade, Emprego, Formao 1 0,5

    Sade, Formao 1 0,5

    Total 193 100

  • Uma anlise sociolgica sobre o Desemprego

    Equipa Protocolo RSI

    12

    Analisando as duas tabelas de frequncias, notam-se como significativos os

    encaminhamentos feitos para emprego, totalizando 119 na tabela dos titulares, o

    que corresponde a 49% dos requerentes. De igual modo, num universo de 193

    indivduos que fazem parte do agregado familiar, 69 foram encaminhados para

    emprego (35,7%). Assim sendo, quando retratamos a populao adulta, beneficiria

    da prestao, num total de 436 indivduos, 188 foram encaminhados para esta rea

    de insero.

    Concluses:

    1. O desemprego surge como a principal problemtica ligada s novas formas de

    pobreza em Portugal.

    2. Associada a esta problemtica, surgem outras, uma vez que o trabalho um fator

    psicolgico e socialmente estruturante.

    3. As famlias beneficirias da prestao de RSI, vem-se condicionadas no acesso ao

    mercado de trabalho e esse o principal obstculo autonomizao da maioria dos

    agregados.

    4. As baixas qualificaes continuam a caracterizar esta populao, existindo ainda

    um nmero significativo de pessoas analfabetas e com o 1 ciclo.

    5. Comeam a surgir famlias que se traduzem nos designados novos pobres, cujo

    projeto de vida foi abruptamente alterado, devido a uma situao de desemprego

    imprevista, mas com altas qualificaes acadmicas.

    6. O nmero de encaminhamentos feitos para a rea de insero do emprego muito

    significativa na populao adulta acompanhada pela Equipa. Como as respostas so

    cada vez mais escassas, estes encaminhamentos vo aumentando, sem que haja

    qualquer alterao significativa.

    7. Embora no tenhamos dados significativos, curioso observar que o nmero de

    contratos de trabalho igual ao nmero de empregos precrios onde se inserem os

    beneficirios acompanhados na Equipa.

    8. Esta breve anlise sobre o desemprego permite-nos repensar as formas de

    atuao da Equipa, e repensar novas estratgias e projetos a desenvolver.

    9. Permite-nos identificar dois tipos de populao muito concreta que se situam em

    dois plos opostos:

    a. Baixas qualificaes fazendo encaminhamento para alfabetizao e RVCC

    b. Altas qualificaes permitindo-nos encaminhar para uma reciclagem

    10. Em ambas as situaes a Equipa de Protocolo da Critas procurou

    implementar as respostas. Em termos de alfabetizao, esto a funcionar duas turmas

    distintas: uma para famlias de origem romena para iniciao lngua portuguesa e

    outra para indivduos de etnia cigana que so o maior nmero de analfabetos.

    No caso de indivduos com o 12 ano completo ou com habilitaes de nvel superior,

    criou-se uma turma que ir ter formao ao nvel da criao do prprio emprego,

    empreendorismo, coaching, para que se possam abrir possibilidades a um novo projeto

    de vida.