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MESTRADO EM ARTE E EDUCAOLITERATURA INFANTIL E MEDIAO LEITORA Prof. Dra. Glria Bastos

AS ESTAES, AS FESTASE OS

CONTOS DE FADAS

Magda Serpa n. 905258 Julho de 2010

Literatura Infantil e Mediao Leitora Mestrado em Arte e Educao Universidade Aberta ||| Ano lectivo 2009/2010

NDICEpp. INTRODUO I 1.1 1.2 1.3 1.4 ASESTAES, AS

................................... FESTASE OS

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CONTOSDAS

DE

FADAS ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... ................................... 6 8 9 11 13 15 16

OUTONO - S. MIGUEL/FESTA INVERNO - ADVENTO/NATAL

COLHEITAS

PRIMAVERA - PSCOA/PENTECOSTES VERO - S. JOO/FESTAS POPULARES

CONCLUSO BIBLIOGRAFIA ANEXOS

INTRODUOPara que uma histria possa prender verdadeiramente a ateno de uma criana, preciso que ela a distraia e desperte a sua curiosidade. Mas para

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Segundo Rudolf Steiner (2002), propulsor da pedagogia conhecida por Pedagogia Waldorf, os Contos de Fadas so um tesouro espiritual da humanidade. Estes contos surgem de vivncias primordiais da existncia humana e a sua actuao tem um efeito inconsciente na alma ao resgatar, por meio de imagens significativas, o longo percurso do amadurecimento humano na Terra. Segundo o mesmo autor, a fonte da atmosfera dos contos de fadas, da poesia dos contos de fadas, encontra-se nas profundezas da alma humana! (...) O conto de fadas expressa o mais profundo da vida espiritual do modo mais simples possvel. Claro que, exactamente pelo surgimento em pocas primordiais da existncia do homem, e segundo Bettelheim (1998) os contos de fadas ensinam pouco sobre as condies especficas da vida da sociedade actual mas podemos aprender mais coisas com estes contos, acerca dos problemas interiores dos seres humanos e das solues acertadas para as suas exigncias em qualquer sociedade, do que em qualquer outro tipo de histria que esteja dentro do mbito de compreenso das crianas. Ainda segundo o mesmo autor, os contos de fadas actuam ao nvel dos recursos interiores da criana, o que a ajudar, em cada momento das sua vida, a lidar com as situaes que se lhe depararem. Em ltima instncia, a criana precisa de uma educao moral em que, em subtileza apenas, se lhe transmitam as vantagens de um comportamento moral. , por isso, importante que a criana oia estas histrias que a alimentam ao nvel da alma e que a predispe para um comportamento social moral, para uma aco moral, enquanto indivduo. Schiller, um filsofo e poeta alemo do sculo XVIII dizia que Existe um sentido mais profundo nos contos de fadas que me foram contados em criana do que na verdade que a vida ensina.

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Ora, em Educao fundamental temos presente a importncia dos contos de fadas e cabe ao professor/educador, responsabilizar-se pela transmisso dos mesmos. E este compromisso com os contos de fadas deve ter em conta os que nos diz Betttelheim (1998: para se atingir o mximo das suas propenses para a consolao, os seus sentidos simblicos e, acima de tudo, os seus sentidos interpessoais, uma histria de fadas deve ser contada de preferncia a ser lida . Por outro lado, o ser humano est profundamente ligado natureza e aos seus ritmos. Desde os tempos antigos que os povos festejam o movimento cclico de fenmenos da Natureza: os solstcios de Vero e Inverno e os equincios da Primavera e do Outono. Em cada um desses momentos as foras divinas eram manifestas na natureza, atravs do clima, da vegetao visvel e de como se apresenta, das colheitas... fenmenos que esto directamente relacionados com as imagens que temos de cada uma das estaes do ano e que nos ajudam na definio das mesmas. Estas festividades primordiais, relacionadas com estes fenmenos naturais, tambm denominadas como festas pags, foram mais tarde associadas ao calendrio festivo Cristo, e esto presentes, at aos dias de hoje, na nossa cultura europeia. Assim, tendo em conta o que foi dito, podemos associar o Outono Festa de S. Miguel, o Inverno ao Advento (a espera) que culmina no Natal, a Primavera Pscoa e o Vero s Festas Juninas- S. Joo e Santos Populares. Tendo em conta o que cada uma das festas significa para o professor, a imagem interna que ele tem de cada uma das festividades, assim ele pode transmitir histrias que contenham as imagens arquetpicas que, do ponto de vista anmico, permitam criana vivenciar as referidas festas. Podemos encontrar este tipo de alimento para a criana, nas imagens ancestrais dos contos de fadas ou das histrias da natureza (histrias com a sabedoria prpria do mundo natural e das leis universais). Estas festividades esto associadas s estaes do ano, uma vez que cada uma delas est associada a um equincio ou a um solstcio, sendo comemorada dias aps acontecerem estes fenmenos astronmicos. Assim, o ciclo anual da natureza tambm vivenciado internamente pela criana, ainda atravs de arqutipos. Nas escolas com Pedagogia Waldorf, no Ensino Bsico, existe por parte dos professores, a prtica corrente de contar diariamente histrias de acordo com oMagda Cristina Serpa, n. 905258

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desenvolvimento da criana,

de preferncia sem recurso a livros, tenham ou no

ilustraes, (principalmente nos trs primeiros anos de escolaridade). Existe mesmo um currculo de histrias de acordo com o ano escolar. Numa tentativa de resgatar a relao csmica entre os ritmos da natureza e o ser humano, nestas escolas, todos os anos, as festas, referidas atrs, so comemoradas e as histrias que so contadas esto, de alguma forma, relacionadas. Nas turmas do primeiro ano curricular que se contem contos de fadas - importante referir que s os irmos Grimm fizeram uma recolha de algumas centenas de contos- o que implica uma seleco dos contos a contar. Essa seleco feita pelo professor e tem em conta diferentes critrios: gosto pessoal (afinidade com a histria); enquadramento de alguma situao comportamental ou emocional do grupo turma, que se quer trabalhar; cenrios e dinmicas que esto de acordo com a estao do ano que se est a vivenciar; imagens e valores prximas da festividade que est a ser celebrada, como recurso de aproximao da vivncia que se pretende para as crianas, e que vive no professor. Neste trabalho vamos abordar a relao entre as quatro grandes festividades - ligadas aos fenmenos naturais na origem das estaes- e os contos de fadas, tentando sintetizar estas relaes imagticas. A seleco dos contos apresentados tem a ver com o gosto pessoal, j que se podem encontrar diferentes contos utilizveis para a mesma festividade/poca do ano, e baseia-se na prtica da autora, enquanto professora com formao Waldorf. A ordem que vamos seguir est de acordo com a ordem em que festas (e estaes) aparecem ao longo do ano lectivo. Assim, a nossa viagem ter incio na festa do Arcanjo Miguel e terminar nas Festas Juninas ou, de um outro modo, comear no Outono e terminar no Vero.

I-

AS ESTAES,

AS

FESTAS

E OS

CONTOS

DE

FADAS

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1.1

OUTONO - S. MIGUEL ARCANJO E COLHEITASCom fora e coragem no corao todo o medo tem seu fim. S. Miguel vai vencer o drago com a luz que brilha em mim. Popular

Desde os tempos mais antigos que, no incio do Outono, eram feitas festas de agradecimento pelas abundncia das colheitas que eram realizadas logo aps o Vero. No nosso pas temos as festas das vindimas, como exemplo.

Fig.1- Archangel Michael - Guido Reni

Os cristos aproveitaram essas festividades e associaram esta poca ao Arcanjo Miguel (Fig.1), atribuindo-lhe o dia 29 de Setembro como dia comemorativo, uns dias aps o equincio de Outono. O Arcanjo Miguel o grande protector dos cus e tem consigo uma espada para lutar contra as tentaes do mal. Ele est imbudo de fora, de coragem e de discernimento em relao ao que o rodeia. Estes so os grandes valores que se querem passar nesta poca. Assim, escolhem-se contos em que heris, com uma coragem associada bondade e integridade, superam obstculos, lutam e vencem drages e/ou gigantes. O que se pretende, realmente, que na criana sejam despoletadas as suas foras interiores de coragem, fora e discernimento para que possa superar as dificuldades que for encontrando no seu caminho. Cada ser humano tem em si a potencialidade de ser um heri, razo pela qual a criana se liga, to fortemente, a esta imagem.

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Um bom exemplo de conto de fadas para esta poca do ano O Prncipe que no temia coisa alguma (anexo I). Este conto tem em si dois momentos completamente distintos: Uma primeira parte em que o heri vai percorrer mundo sozinho, encontra um gigante e prova-lhe que capaz de superar qualquer prova pois no tem medo de nada e nessa prova encontra um fiel leo. De