teoria e crítica do discurso noticioso - .6 teoria e crítica do discurso noticioso ocorrências

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    Joo Carlos Correia

    Teoria e Crtica do Discurso NoticiosoNotas sobre Jornalismo e representaes

    sociais

    Universidade da Beira Interior2009

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    Livros LabComwww.livroslabcom.ubi.ptSrie: Estudos em ComunicaoDireco: Antnio FidalgoDesign da Capa: Madalena SenaPaginao: Marco OliveiraCovilh, 2009

    Depsito Legal: 288746/09ISBN: 978-989-654-008-1

    http://www.livroslabcom.ubi.pt/

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    Contedo

    1. O que o Jornalismo? Uma reflexo terica 31.1. A referncia dos enunciados jornalsticos actualidade

    e relevncia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51.2. O problema da actualidade . . . . . . . . . . . . . . . 151.3. A verdade, a objectividade e a seriedade dos enunci-

    ados jornalsticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181.3.1. O jornalismo e o contrato de leitura . . . . . . 241.3.2. Desvantagens da noo de contrato . . . . . . 291.3.3. Promessa e seriedade . . . . . . . . . . . . . 301.3.4. O jornalismo como um enunciado srio . . . 32

    1.4. A natureza pblica do enunciado jornalstico . . . . . . 341.5. O saber profissional dos enunciados jornalsticos: a ob-

    jectividade e a identidade profissional . . . . . . . . . 391.6. O problema da influncia: a importncia da abordagem

    sociocognitiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42

    2. A abordagem sociocognitiva e os processos de representa-o meditica 512.1. Fenomenologia e cognio . . . . . . . . . . . . . . . 54

    2.1.1. As tipificaes no mundo da vida quotidiana . 562.1.2. O conceito de realidades mltiplas . . . . . . . 65

    2.2. O Frame . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 682.2.1. O frame meditico . . . . . . . . . . . . . . . 72

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    2.2.2. O frame meditico: consideraes tericas eabordagens metodolgicas . . . . . . . . . . . 76

    2.3. Da fenomenologia aos estudos do discurso: ideologiae modelos mentais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 782.3.1. Ideologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 792.3.2. Conhecimento social . . . . . . . . . . . . . . 812.3.3. Conhecimento e ideologia . . . . . . . . . . . 842.3.4. O modelo mental . . . . . . . . . . . . . . . . 85

    2.4. Da anlise fenomenolgica atitude crtica . . . . . . 862.5. A anlise critica do discurso: o modelo estrutural de

    anlise . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93

    3. Identidade e a alteridade: conceitos e teorias 1033.1. A identidade como fenmeno relacional . . . . . . . . 1063.2. Identidades contemporneas . . . . . . . . . . . . . . 1103.3. Racismo, discriminao e poder . . . . . . . . . . . . 1143.4. Media, cultura e identidade . . . . . . . . . . . . . . . 1193.5. Portugal: identidade e alteridade . . . . . . . . . . . . 125

    4. Discurso e enquadramentos no Arrasto da Praia de Car-cavelos 1374.1. O incio do Arrasto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1384.2. Estratgia de enquadramento meditico . . . . . . . . 1404.3. Principais tpicos noticiosos . . . . . . . . . . . . . . 1434.4. Coerncia local . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1524.5. A controvrsia do Arrasto . . . . . . . . . . . . . . . 164

    5. A construo social da realidade: por um modelo integrado1695.1. Da atitude natural atitude crtica: o papel da estranheza 1715.2. A pluralidade de realidades . . . . . . . . . . . . . . . 1765.3. Estranheza e esfera pblica . . . . . . . . . . . . . . . 181

    6. Bibliografia 185

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    Introduo

    Neste trabalho, pretende-se abordar a relao entre o jornalismo e aconstruo social da realidade, de acordo com uma teoria integrada dosprocessos cognitivos, discursivos e comunicacionais. Para esse efeito,recorre-se a uma tentativa de estabelecimento de pontos de convergn-cia tericos e metodolgicos entre dois campos.

    Por um lado, recorre-se s abordagens que, sob influncia da feno-menologia, analisam os processos de construo de sentido no mundoda vida (traduzindo-se metodologicamente no estudo de enquadramen-tos, tipificaes e scripts), pondo em marcha uma teoria da comunica-o aplicada aos media jornalsticos.

    Por outro, considera-se a relevncia do contributo da anlise cr-tica do discurso, a qual entende a linguagem como uma prtica cujasmanifestaes concretas ao nvel simblico podem ser analisadas es-truturalmente no plano das suas relaes com fenmenos e dinmicaspolticas, sociais e culturais como sejam a excluso, a incluso e o po-der.

    A palavra crtica tem duas conotaes: remete, por um lado, parauma tradio das Humanidades e da Filosofia que rejeita o positivismocomo uma anlise emprica dos fenmenos como factos sobre os quaisos sujeitos no tm qualquer possibilidade de interveno nomeada-mente no sentido de uma prtica normativa; por outro lado, remete paraum conhecimento do jornalismo e da notcia que no se limita s suasevidncias nomeadamente as que resultam da sua aplicao tcnica.

    Para exemplificar a aplicao deste ponto de vista utilizam-se estu-

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    2 Teoria e Crtica do Discurso Noticioso

    dos de caso relacionados com a representao jornalstica de fenme-nos de relacionamento com o outro, nomeadamente manifestaes deracismo, xenofobia e estigmatizao das minorias.

    Os casos em anlise dizem respeito a alguns episdios recente-mente verificados em Portugal que indiciam um aumento deste tipode fenmenos. Entre os episdios referidos contam-se a alegada exis-tncia de um assalto colectivo perpetrado por 500 jovens africanos naPraia de Carcavelos em 2005, noticiado pelos media, e posteriormentedesmentido pela polcia num contexto de polmica acentuada.

    Na investigao desenvolvida em torno deste caso, as representa-es mediticas das identidades so um eixo que estrutura a pesquisa.No so o eixo central do problema que se joga neste ensaio. Aquiapenas funciona como um elemento de teste s potencialidades de umaTeoria da Notcia que tenha em conta as dimenses social, discursiva ecognitiva.

    Seguir-se-, pois, o seguinte percurso:

    Primeiro, procede-se a um ensaio sobre o modelo terico que seconsidera pertinente para abordar as relaes entre jornalismo,discurso e conhecimento;

    Seguidamente, apresentam-se alguns conceitos centrais para aanlise dos casos: identidade, xenofobia e racismo;

    Em terceiro lugar, procede-se de forma exemplificativa, e nonecessariamente exaustiva, deteco de estratgias discursivase de processos de framing nas notcias em anlise;

    Finalmente produzem-se algumas reflexes sobre as foras e de-bilidades desta abordagem, no plano terico e metodolgico.

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    Captulo 1

    O que o Jornalismo? Umareflexo terica

    Os fenmenos ideolgicos e polticos nas sociedades democrti-cas contemporneas necessitam de reconhecimento para as pretensesde validade que lhe so implcitas. Este reconhecimento no pode seralcanado sem alguma espcie de atribuio de visibilidade por partedos media. Nos casos de estudo que adiante analisaremos, alguns in-teressantes fenmenos que convergem com a demonstrao pontual denacionalismo xenfbico no seriam possveis sem a interveno dosmedia.

    Este trabalho sobre jornalismo, apontando para uma teoria e ummtodo que se lhe aplique no que respeita sua relao com o conhe-cimento. A busca dessa teoria justifica-se: h um conjunto de ideo-logias1, valores, atitudes, tipificaes que lhe so prprios e que so

    1Sobre o sentido da palavra ideologia haver que avisar desde j que nos debrua-remos sobre ela para nos demarcarmos de uma parte da sua tradio, nomeadamenteda sua ligao com o determinismo econmico, enfatizando: a) a sua dimenso cog-nitiva; b) a sua natureza de conjunto de princpios axiomticos que dizem respeito regulao dos grupos sociais; c) sua demarcao em relao ao conhecimento social,o qual, ainda que negociado e obtido por consenso, geralmente aceite: por exem-plo, divergir sobre uma prtica como terrorista ou como martrio pela liberdade no

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    4 Teoria e Crtica do Discurso Noticioso

    estudados multidisciplinarmente por influncia da lingustica, de abor-dagens interdisciplinares da cognio e da teoria da comunicao, quetm uma relevncia crescente em um mundo crescentemente mediati-zado. Nesse sentido, fala-se de uma teoria do jornalismo.

    Isto desperta um problema relativamente conhecido. Como nemtudo o que vem no jornal jornalismo, o uso do termo considera demodo mais claro e distinto os traos do jornalismo, como aquilo quese pratica sobretudo na notcia e na reportagem. Como afirma Mo-retzshon, em rigor no h propriamente jornalismo, mas jornalismoscom formas, mtodos e objectivos bem distintos entre si, de acordo comos propsitos de quem produz e do pblico a quem se destina. Pararesolver o problema, invoca o terico brasileiro Adelmo Genro Filhopara identificar o que esta chama de jornalismo informativo, tradicio-nalmente entendido como modelo do prprio conceito de jornalismo(Moretzshon, 2002). Apesar de a observao ser pertinente, sobramduas dvidas:

    a) o que h de comum nas diversas formas de jornalismo que nospermite referir a todas como sendo jornalismo, apesar do usodo plural?

    b) porque um determinado tipo de jornalismo chamado informativose transformou tradicionalmente em modelo do prprio conceitode jornalismo?

    Sem pretender resolver-se definitivamente a questo, pode-se conside-rar que h ainda componentes do jornalismo noticioso que so parti-lhadas pelo jornalismo opinativo e editorialista e que podem ser de-tectados como comuns a todos os enunciados que se reclamam comojornali