subtr³picos n07

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Revista da Editora da UFSC

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  • #7revista da editora da ufsc abril 2014

    O invisvel criador O mito do autoconhecimento atravs da arte Jornadas de junho, caso Freixo e o fascismo brasileira Os vagabundos de Facio Hebequer

    Excesso e deformao Arbitrar o erro A descolonizao do saber O vinte e cinco Acho que faltou

    Cacau Fotografia: Lucola Villela

  • 2UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINAReitora Roselane NeckelVice-Reitora Lcia Helena Martins Pacheco

    EDITORA DA UFSCDiretor Executivo Fbio Lopes da SilvaConselho EditorialFbio Lopes da Silva (Presidente)Ana Lice Brancher

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    Campus universitrio trindadeCaixa Postal 47688010-970 florianpolis/SCfones: (48) 3721-9408, 3721-9605 e 3721-9686fax: (48) 3721-9680editora@editora.ufsc.brwww.editora.ufsc.brwww.facebook.com/editora.ufsc

    Carlos Eduardo Schmidt CapelaCllia Maria de Mello CampigottoFernando Jacques AlthoffIda Mara FreireLuis Alberto GmezMaria Cristina Marino CalvoMarilda Aparecida de Oliveira Effting

    Editor Dorva RezendePlanejamento grfico Ayrton Cruzfoto da capa Ayrton CruzReviso Aline ValimGrfica Rochatiragem 1,5 mil exemplares

    Acesse a verso eletrnica da Subtrpicos no site da Editora da UFSC www.editora.ufsc.br

    #7revista da editora da ufsc abril 2014

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    Biografia de Uelinton Farias Alves recupera a militante negritude de Cruz e Sousa, o nico poeta no mundo a criar uma escola literria

    DENNIS RADNZ

    C onscincia tranquila, um conto da fase desterrense de Joo da Cruz e Sousa, elabora uma viso terrfica da condio do negro no Brasil oitocentista, pela confisso dos crimes de um senhor de escravos que, no leito de morte, sente um prazer sdico em reconstitu-los na memria. Espcie de pr-escrito abolicionista do clssico O emparedado, esse texto um indcio de toda a autoconscincia do poeta invisvel que a biografia Cruz e Sousa: Dante negro do Brasil (2008), do escritor e jornalista carioca Uelinton Farias Alves, trouxe de novo vida.

    O invisvel criador

    Subtrpicos | Era de uma famlia de ne-gros retintos, provavelmente de origem banta (...). Pai escravo, me liberta (...) era meio escravo, descreves o poeta no livro Dante negro do Brasil. A sua tica de bigrafo restituiu o biografado ao campo cultural originrio, valorizando-o como negro, ao mesmo tempo em que contestas a tica branca que prevaleceu na recep-o crtica de sua obra em um sculo de histria literria. No Brasil de 2014, como a tica das populaes negras pode ler o emparedamento social de Cruz e Sousa? Esses dois tempos se identificam? Uelinton Farias Alves | as identidades e as

    identificaes so como um palimpsesto: esto sobrepos-tas em camadas, como uma pele, como pergaminho. No caso do poeta Cruz e Sousa,

    cada vez mais, essas identificaes vo fi-cando mais conclusivas. Houve um tempo em que se duvidou muito da chamada negri-tude do poeta, com alguns crticos queren-do apor nele uma certa brancura, brancura esta que nunca existiu. ora, o movimento social negro hoje est desemparedando o poeta dos Broqueis e do Missal, colocando-o no local de destaque na poesia negra brasi-leira. Este um passo importante. at pou-co mais de uma dcada, havia uma diminui-o do valor literrio de Cruz e Sousa para no elev-lo ao panteo dos grandes autores nacionais, talvez pelo fato de ele ser negro. E, com isso, o Brasil perdeu a oportunida-de de investir na sua valorizao esttica, como cnone, o que, certamente, o coloca-ria no topo da trindade simbolista mundial, frente de Mallarm e Stefan george, sem sombra de dvidas.

    Subtrpicos | O escritor constitui a sua prpria identidade mediante a recoleo das coisas ditas, afirma Michel Foucault. Em Joo da Cruz, as leituras de Shakespe-are e de Baudelaire so explcitas e uma infinidade de referncias romnticas (a t-pica medievalista, por exemplo) so reco-lecionadas em uma voz prpria. Mas, em sua opinio, quais textos do poeta e prosa-dor Joo da Cruz e Sousa so os melhores documentos da vida do homem Joo da Cruz e Sousa?Uelinton | Neste caso, eu diria que deve-mos relacionar uma coleo de documentos: dos livros de estreia aos pstumos. No livro

    Tropos e Fantasias, de 1885, a narrativa o Padre , sem contestao, uma delas; mas eu diria a maioria da coleo do Broqueis, onde ainda se fere a nota abolicionista, mas, sobretudo, o tom revoltado (o negro revolta-do, para lembrar o centenrio abdias Nasci-mento), assim como o Missal. ambos so as profecias literrias do poeta, que podem ser interpretadas como um recorte de sua obra para a transposio de uma nova fase: da militncia panfletria, poltica-republicana--abolicionista para a literria-esttica-filos-fica. As Evocaes tm todo o seu contedo como uma reencarnao do retorno da sua revolta social, mas como uma depurao, um embate, a decantao diante do fato consta-tado: a desesperana com o mundo exterior, com os homens e a sociedade. O Emparedado a cristalizao de tudo isso, e, certamente, a obra que encarnar a existncia de Cruz e Sousa como poeta na terra.

    Subtrpicos | Por que o poeta cnone do Simbolismo e presente nos currculos es-colares de ensino mdio permanece to desconhecido do leitor, se comparado aos romnticos e aos modernistas? Esse apa-gamento se origina no carter no nacio-nalista de sua obra, ou nos preconceitos tnico e esttico arraigados, ou na quase falncia dos sistemas de ensino? Como ava-lias essa desapario?Uelinton | a invisibilidade de Cruz e Sousa se d pelo processo poltico-social brasilei-ro. a imagem do negro no Brasil sob a tpica do pouco caso, do descrdito, do desprezo. Para o poeta chegar aonde ele chegou, pre-cisou passar por um processo de imerso de valores: tiraram dele a militncia, a sociabi-lidade, a decncia, o romantismo, a amabili-dade, a famlia, a lucidez e a capacidade de criao. Ou seja, ele s chegou onde chegou, pelo conceito burgus, porque algum o ajudou, o empurrou, fez por ele. Sua fam-lia no existe, amigos verdadeiros no exis-tem, sua inteligncia no existe. Quer dizer, inventaram e criaram um homem que virou poeta deles (os inventantes de tudo). a des-caracterizao de Cruz e Sousa foi o que le-vou a esse afastamento dos seus verdadeiros leitores. Para muitos crticos, Cruz e Sousa nem simbolista ; para outros, sua obra no tem autenticidade; aqueloutros, ainda, o veem como um poeta menor, coitado, que morreu pobre e tuberculoso, que era arqui-vista, morava no subrbio, casou com uma

  • 3w Estreou na tV ufSC o programa Livro Aberto. Em edies quinzenais, fbio lopes da Silva e Simone Schmidt entrevis-taro autores, tradutores e comentadores dos ttulos do ca-tlogo da EdufSC.

    w Livro Aberto exibido s quintas, s 19h30min, e aos sbados, s 15h30min. o programa tambm est disponvel no canal da tV ufSC no Youtube (https://www.youtube.com/user/tvufsc)

    liv

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    slAnAmentOS dA

    edUFSC

    nOtAS UniverSitriAS

    Iraque: dos Primrdios Procura de um Destinoautor: Bernardo de Azevedo BritoNeste livro escrito pelo embaixador Bernardo de Azevedo Brito, que chefiou a Embaixada brasilei-ra em Bagd, de 2006 a 2011, o leitor guiado atravs da histria de um iraque criado por Chur-chill em 1921. monarquia imposta pelos britni-cos seguiram-se anos turbulentos de uma repbli-ca logo dominada por Saddam Hussein. Erros de clculo levaram a oito anos de guerra com o ir e invaso do Kuwait, que teve por consequncia uma retaliao militar desastrosa para o regime de Bagd. o destino j caminhava ento para a invaso do iraque pelos Estados unidos, ocorri-da em 2003. Apesar da dificuldade em superar divergncias internas e do persistente clima de insegurana, a nova democracia e a produo de petrleo em expanso sugerem que o pas est no limiar de novos tempos, devendo ocupar uma posio de liderana no Oriente Mdio.

    Pensar em No Ver: Escritos sobre as Artes do Visvel (1979-2004)autor: Jacques Derrida

    organizadores: Ginette Michaud, Joana Mas e Javier Bassas

    O visvel para Derrida o lugar da oposio fun-damental entre o sensvel e o inteligvel, a noite e o dia, a luz e a sombra. Ele tem por base todos os valores do aparecer ontolgico e fenomenol-gico fenmeno (phanestai), a teoria (theorein), a evidncia, a clareza ou a verdade, o des-ve-lamento que instituem uma forte hierarquia filosfica dos sentidos. Consequentemente, o vi-svel ser desde ento denunciado por Derrida a cada vez que esse privilgio do ptico for posto como a questo que domina toda a histria da metafsica ocidental.

    Estatstica Aplicada s Cincias Sociais 9.a ed.autor: Pedro Alberto BarbettaA Coleo Didtica da Editora da UFSC procura estabelecer uma linha objetiva de contato entre os alunos, o professor, a atividade de ensino e a sala de aula. os livros tm como proposta um apanhado de contedo programtico resultante do aperfeioamento de textos usados em sala de aula, que incluem exerccios e demonstra-es, clareza de explicao e abordagem. Esta obra surgiu de vrios anos de experincia com a atividade de ministrar aulas de Estatstica para cursos das reas de Cincias Sociais e Humanas. um novo enfoque aqui desenvolvido, ao moti-var o aprendizado de tcnicas estatsticas a partir de situaes prticas e desenvolver a capacida-de criativa dos alunos com diversos exemplos e exerccios que j apresentam a anlise estatstica pronta, deixando ao aluno a tarefa de interpretar os resultados.

    mulher da sua cor e teve quatro filhos com ela que morreram pobres e tubercul