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  • O corpo como fonte de autoridade na representao poltica no eleitoralUm estudo sobre a presena de surdos sinalizantes em discusses relacionadas educao

    Regiane Lucas de Oliveira Garcz Universidade Federal de Minas GeraisBelo Horizonte, Brasil

    > regianelucasgarcez@gmail.com

    Sexualidad, Salud y SociedadR E V I S T A L A T I N O A M E R I C A N A

    ISSN 1984-6487 / n. 25 - abr. / abr. / apr. 2017 - pp.191-211 / Garcz, R . / www.sexualidadsaludysociedad.org

    http://dx.doi.org/10.1590/1984-6487.sess .2017.25.10.a

    Copyright 2017 Sexualidad, Salud y Sociedad Revista Latinoamericana. This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License (http creativecommons.org/licenses/by/4.0/), which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.

  • Sexualidad, Salud y Sociedad - Revista Latinoamericana

    ISSN 1984-6487 / n. 25 - abr. / abr. / apr. 2017 - pp.191-211 / Garcz, R . / www.sexualidadsaludysociedad.org

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    Resumo: O trabalho objetiva analisar os processos de representao poltica no eleitoral que emergem do debate sobre o melhor modelo de escola para pessoas surdas. Investigamos como fontes de autoridade so acionadas por surdos ou pessoas com deficincia, especialmente aquelas relacionadas presena fsica (identidades adscritivas) e autoafirmao das identi-dades (autoadscrio). As unidades de anlise (claims) foram extradas de trs arenas: de um grupo de lideranas surdas do Facebook, de uma audincia pblica do Judicirio e da Confe-rncia Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficincia. Conclui-se que o corpo uma fonte de autoridade to importante quanto o discurso, que a lngua de sinais revela uma dimenso de intraduzibilidade exposta pela presena e que os aspectos culturais das lnguas de sinais promovem rupturas nas dinmicas convencionais de representao.

    Palavras-chave: representao no eleitoral; fonte de autoridade; identidade adscritiva; edu-cao de surdos; surdos

    The body as a source of authority in non electoral political representation: A study on the presence of signaling deaf people in discussions related to education

    Abstract: This paper analyzes processes of non-electoral political representation emerging from the debate about the best school model for deaf people. We investigate how sources of authority are triggered by the deaf or disabled, especially those related to physical presence (ascriptive identities) and self-ascription of identities. The units of analysis (claims) were ex-tracted from three sources: a Facebook group of deaf leaders, a public hearing of the Judicia-ry, and a National Conference on the Rights of Persons with Disabilities. It concludes that the body is a source of authority as important as speech, sign language reveals an untranslatable dimension exposed by presence, and cultural aspects of sign languages promote ruptures in the conventional dynamics of representation.

    Key words: non-electoral representation; source of authority; ascriptive identity; education of the deaf; deaf people

    El cuerpo como autoridad en la representacin poltica no electoral: Un estudio sobre la presencia de sordos sinalizantes en las discusiones relacionadas con la educacin

    Resumen: El trabajo tiene como objetivo analizar los procesos de representacin poltica no electoral que se desprenden del debate sobre el mejor modelo de escuela para personas sordas. Ha sido investigado como fuentes de autoridad son impulsados por las personas sordas o con discapacidad, especialmente los relacionados con la presencia fsica (adscritivas identidades) y la autoafirmacin de las identidades (autoadscrio). Las unidades de anlisis (claims) se extrajeron tres escenarios: un grupo de lderes sordos de Facebook, una audiencia pblica del poder judicial y en la Conferencia Nacional de los Derechos de las Personas con Discapaci-dad. Llegamos a la conclusin de que el cuerpo es una fuente tan importante de la autoridad que el discurso, que el lenguaje de signos revela una dimensin de intraductibilidad expuesta por la presencia y los aspectos culturales de las lenguas de signos promueven roturas en re-presentacin dinmica convencional.

    Palabras clave: representacin no electoral; fuente de autoridad; adscriptivo identidad; edu-cacin para sordos; sordos

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    ISSN 1984-6487 / n. 25 - abr. / abr. / apr. 2017 - pp.191-211 / Garcz, R . / www.sexualidadsaludysociedad.org

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    O corpo como fonte de autoridade na representao poltica no eleitoralUm estudo sobre a presena de surdos sinalizantes em discusses relacionadas educao1

    Estudos recentes sobre representao poltica tm buscado problematizar as abordagens clssicas que restringem o conceito conformao institucional dos governos, aos procedimentos eleitorais e matemtica do voto (Urbinati, 2006; Saward, 2010; Avritzer, 2008). Prope-se uma perspectiva ampliada da represen-tao poltica capaz de levar em conta a discursividade que permeia os processos de falar e agir em nome de algo ou algum e que v alm da dinmica e dos per-odos eleitorais. Mesmo uma abordagem mais ampliada como esta ainda no d conta empiricamente dos elementos extraverbais que aparecem nos processos de representao poltica. Como compreender o impacto de expresses artsticas, de imagens, mediadas ou no, e da prpria presena fsica, considerando toda a ex-pressividade corporal e esttica dos atores polticos?

    A proposta deste artigo faz coro com os estudos que propem um alargamen-to da noo de representao poltica, inserindo um novo elemento: a considerao do corpo como fonte de autoridade. Analisamos a atuao de pessoas surdas sina-lizantes, um grupo historicamente excludo da vida poltica para o qual a questo da representao uma constante. Lanna Jnior e Martins (2010) apontam que as primeiras mobilizaes dos movimentos sociais das pessoas com deficincia e surdas,2 na dcada de 1980, j discutiam temas como autonomia, tutela e eman-cipao. Com o objetivo de desconstrurem a crena na incapacidade de falarem por si mesmas, pessoas surdas e com deficincia tm pautado, desde ento, vrias outras questes ligadas representao poltica, tais como: a tutela exercida pelos pais; o esvaziamento dos processos emancipatrios por meio da superproteo e da excluso social e poltica; o direito de falarem por si mesmas e de participarem da formulao de polticas pblicas; formas de engajamento, dentre outras.

    1 O artigo apresenta parte dos resultados da tese de doutorado defendida no Programa de Ps-Graduao em Comunicao Social da UFMG, em 2015, com financiamento da Capes.

    2 Neste trabalho optamos por nomear como surdas as pessoas com perda auditiva que se comu-nicam por meio da lngua de sinais, ao invs de denomin-las como pessoas com deficincia auditiva. Comungamos nos estudiosos de cultura surda, para os quais a surdez definidora de uma minoria lingustica e cultural (Lang, 2003; Power & Leigh, 2003).

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    Nesse perodo, esses movimentos estabeleceram mundialmente o lema Nada sobre ns, sem ns, que vem inspirando um conjunto de documentos e tratados internacionais. No prembulo da Conveno Internacional da Pessoa com Defici-ncia (Brasil, 2009) documento organizado pela ONU com intensa participao das pessoas surdas e com deficincia e incorporado na Constituio brasileira destaca-se que as pessoas com deficincia devem ter a oportunidade de participar ativamente das decises relativas a programas e polticas, inclusive aos que lhe dizem respeito diretamente.

    No caso especfico dos surdos que se comunicam por meio da lngua de sinais, os sinalizantes, a questo da representao se revela importante tambm porque suas demandas atravessam vrias formas de mediao na esfera pblica. Eles pre-cisam de intrpretes de Libras (Lngua Brasileira de Sinais) para se expressarem nos canais polticos formais. Esses profissionais no atuam como representantes ou porta-vozes, mas apenas como mediadores/tradutores. Logo, a representao poltica das demandas dos surdos sinalizantes passa muitas vezes por um proces-so de dupla mediao: a dos intrpretes e a dos prprios representantes. Isto traz tambm um duplo desafio de pensar a legitimidade da representao, conferida discursivamente por meio de uma lngua espao-visual, expressada exclusivamente por mos, faces e movimentos corporais. O modo de expresso dos surdos sinali-zantes coloca na cena pblica uma presena corporal muitas vezes desconsiderada. A lngua de sinais evidencia traos de um modo de vida cultural que reconfigura a dinmica da expresso pblica. O fato de ser surdo, protagonista de sua prpria histria, com uma corporalidade poltica que se apresenta no ato de representar, um elemento dessa legitimidade.

    Ao longo dos sculos a percepo do corpo foi mudando, bem como os ideais de perfeio, normalidade, capacidade e produtividade. As diferentes concepes que se tm da surdez acompanham essas mudanas (Lang, 2003; Power & Leigh, 2003). Ora consideram a surdez como falta, deficincia ou patologia, ora como diferena cultural, a depender da poca e do contexto. Na primeira perspectiva, tambm conhecida como clnica, mdica ou audiolgica, a surdez definida nos termos do grau de perda da audio, como e quando ela ocorre. Para esta perspec-tiva, os diferentes nveis de perda auditiva impactam no desenvolvimento da fala e da linguagem dos surdos e, consequentemente, na socializao, no aprendizado e na vida escolar. J a abordagem cult

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