Selecção e instalação de espécies vegetais

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  • Manual de

    em Espaos VerdesBragana

    Cmara Municipal2010

    Boas Prticas

    Boas Prticas

  • Coordenao editorial: Joo C. Azevedo Artur Gonalves

    Autores: Amlcar Teixeira Ana Maria Carvalho Ana Maria Geraldes Antnio Castro Ribeiro Artur Gonalves Carlos Alexandre Chaves Ermelinda Pereira Jaime Pires Joo C. Azevedo Joo Paulo Miranda de Castro Lus Nunes Manuel Feliciano Margarida Arrobas Maria Alice Pinto Maria do Sameiro Patrcio Paulo Cortez Stephen G. Dicke

    Design: Atilano Suarez Servios de Imagemdo Instituto Politcnico de Bragana

    Impresso: Tiragem: exemplares Depsito Legal: ISBN: Edio: Cmara Municipal de Bragana 2010 Forte de S. Joo de Deus 5301-902 Bragana Portugal http://www.cm-braganca.pt

  • ndice

    Prefcio................................................................. 7

    Introduo ............................................................ 9

    Concepo e instalao de espaos verdes ....... 13

    2.1 Anlise do local e envolvente ............... 15Consideraes Financeiras .......................... 15Consideraes Ambientais .......................... 15Consideraes Sociais .................................. 21Recursos ............................................................. 22Bibliografia ........................................................ 22

    2.2 Preparao do solo .............................. 23O que o solo? ................................................ 23Quais as caractersticas do solo impor-tantes para o bom desenvolvimento da vegetao? ........................................................ 23Preparao do solo para instalao da vegetao .......................................................... 25

    2.3 Rega e drenagem ................................... 29Sistemas de rega ............................................. 291 - Abertura e fecho de valas ...................... 302 - Tubagem ...................................................... 303 - Dispositivos para a aplicao da gua 304 - Equipamentos de controlo da rega ... 355 - Prova de ensaio ......................................... 36Drenagem ......................................................... 36Bibliografia ........................................................ 37

    2.4 Seleco e instalao de espcies vegetais ................................... 392.4.1 Relvados ............................................. 41

    Definio e tipos funcionais de relvado . 41

    Seleco de espcies e cultivares ............. 43Instalao .......................................................... 43Preparao do solo ........................................ 44Sementeira ........................................................ 46Bibliografia recomendada ........................... 48

    2.4.2 rvores, arbustos e herbceas ......... 49Seleco de espcies vegetais ................... 49Plantao de espcies vegetais (excep-to relvados) ...................................................... 53Regras elementares para a seleco e instalao de espcies vegetais ................ 57Sugesto de espcies arbreas, arbus-tivas e herbceas para as condies da cidade de Bragana ...................................... 61rvores folhosas ......................................... 61rvores resinosas ........................................ 63Espcies para formar sebes ......................... 64Arbustos pereniflios e semi-pereniflios 65Arbustos caduciflios ................................ 65Herbceas bienais e perenes ...................... 66Espcies com orgos subterrneos .......... 67Espcies para cobertura do solo e fixa-o de taludes ............................................... 68Bibliografia recomendada ........................... 69

    2.5 Preservao de rvores em locais de obra ........................................ 71

    Porque se devem proteger as rvores? .. 71Razes crticas ................................................... 71Danos causados pelas actividades asso-ciadas construo ....................................... 73Vedaes ............................................................ 75

  • 2.4.2 rvores, arbustos e herbceas Ana Maria Carvalho

    Seleco de espcies vegetaisA seleco de espcies deve obedecer a vrios

    princpios que, de uma forma resumida, se podem agru-par nos itens que se descrevem em seguida:

    Espao disponvelO espao disponvel e as suas caractersticas para

    a instalao da vegetao (distncia ao edificado, quali-dade e profundidade do solo, presena de canalizaes subterrneas, por exemplo) condicionam tanto o porte das plantas que se pretende instalar, como dentro de cada categoria (rvores, arbustos ou herbceas) a esco-lha das espcies que melhor se adequam.

    A opo de plantar rvores, arbustos ou herbceas num dado espao prende-se no s com a concorrncia que as plantas instaladas podem fazer entre si (com-petio pela luz, pelos nutrientes, pelo espao para o desenvolvimento do raizame ou da parte area), mas tambm com a interferncia da vegetao nas activi-dades humanas, nos equipamentos e infra-estruturas (canalizaes, cabos elctricos, escoamento de guas, entre outros). Considere-se ainda que o comportamen-to das rvores e arbustos em meio urbano , muitas vezes, bastante diferente daquele que apresentam no seu meio natural, pelo que se torna necessrio um acompanhamento e registo permanente e actualizado do seu estado, de modo a facilitar futuras intervenes.

    O plano dos espaos verdes, o inventrio de rvores e arbustos, as plantas de localizao dos exem-

    plares arbreos, das manchas de vegetao arbustiva e herbcea, dos equipamentos e das infra-estruturas subterrneas e as tabelas de caracterizao morfolgica, estrutural e ecofisiolgica da vegetao so instrumen-tos de gesto muito teis, que ajudam na definio e seleco das espcies vegetais para um dado espao ou rea.

    Exemplar arbreo obstruindo janelas de edifcio num bairro residencial em Madrid.

  • Finalidade do espao ou projecto de arborizaoA seleco da flora e vegetao depende da sa-

    tisfao de objectivos directamente relacionados com as vrias funcionalidade do espao (enquadramento paisagstico, lazer, zona pedonal, envolvente de edifi-cado, espao ligado ao trfico, entre outros). Podem identificar-se diferentes tipos de objectivos como sejam objectivos funcionais proteger dos raios solares, reduzir a temperatura ambiental no vero, filtrar a luz, aumentar a humidade; objectivos estticos contem-plao e usufruto da diversidade de formas, volumes e cor das copas e folhagens, ao longo do dia, das esta-es do ano e da vida de cada espcie, bem como das silhuetas proporcionadas pelas ramagens despidas das rvores caduciflias durante o inverno ou a exuberncia e fragrncia de folhas, flores e frutos; objectivos didc-ticos os que garantem o contacto quotidiano dos cidados, em particular das crianas, com a natureza, a fauna e flora e principalmente com as rvores.

    Adaptabilidade Uma vez definidos o espao e as suas funes,

    a escolha das espcies a instalar deve ter em conta as condies edafo-climticas do local, o volume de solo disponvel para suportar e sustentar a vegetao, a maior ou menor resistncia a pragas e doenas de cada espcie, o grau de rusticidade, a resistncia presso de utilizao do espao, e a melhor adequao aos objec-tivos funcionais, estticos e didcticos do espao verde.

    O emprego de espcies mal adaptadas s condi-es de solo e humidade (baixa aclimatao), por exem-plo, pode conduzir ao depauperamento das espcies e sua morte prematura. Outras vezes, desenvolvem-se

    Diversidade e uso adequado de herbceas perenes e arbustivas na Avenida do Sabor e Jardins da Catedral, em Bragana.

  • sistemas radiculares superficiais, insuficientes para a ancoragem das rvores, como acontece com espcies que no toleram o encharcamento ou que dispem de um volume de solo insuficiente. Ter sempre em ateno que as dimenses e o estado vegetativo dos espcimes depende do grau de aclimatao e das condies do espao disponvel (plantas isoladas ou em comunidades, para alm de outras condies).

    importante seleccionar para obter a mxima diversidade, evitando plantaes monoespecficas muito mais vulnerveis a acidentes fisiolgicos e pragas. Certas espcies acabam por ser inadequadas porque sofrem habitualmente de doenas que causam elevada mortalidade ou lhes diminuem em muito o seu valor esttico. Por exemplo, os ulmeiros que so atacados pela grafiose, certas variedades de choupo sensveis ao cancro bacteriano, os pltanos pouco resistentes antracnose ou ao cancro.

    Muitos arbustos aromticos proporcionam uma boa cobertura do solo, interceptam as gotas da chuva e contribuem, assim, para minorar os riscos de eroso, ao mesmo tempo que libertam substncias volteis que so repelentes de insectos e pequenos vertebrados e atractivas para a avifauna.

    Um dos factores limitantes tambm o grau de invaso ou de actividade humana que habitualmente interfere muito com as comunidades vegetais e com as rvores. So frequentes a recolha e quebra de flores e ramos, o roubo ou vandalismo de plantas, o pisoteio, o abuso de particulares e comerciantes que danificam e eliminam exemplares e material vegetal, as podas e intervenes feitas por cidados sem prtica e conhe-cimentos.

    Implantao deficiente: intercepo com o edificado (em cima) e pisoteio por acesso pedonal inadequado

    (em baixo).

  • aconselhvel escolher espcies ss e robustas, rvores com troncos rectos e fustes com a dimenso apropriada, que resistem melhor e facilitam a circulao de pees e veculos. Em zonas com grande presso de utilizao ou de passagem frequente prefervel plantar exemplares semi-maduros, em alternativa a exemplares muito jovens, espcies de crescimento mais rpido em vez de espcies de crescimento demasiado lento, para que as plantas desempenhem, o mais cedo possvel, o seu papel na paisagem urbana.

    Espcies arbreas e arbustivas com inconvenien-tes do ponto de vista da sade pblica ou do usufruto, apesar do seu interesse ornamental, no devem ser aplicadas em zonas de lazer com elevada presena de crianas, jovens e pessoas da terceira idade. Esto neste caso, os teixos (Taxus spp.) e os loendros (Nerium oleander) com folhas e frutos venenosos, as amoreiras (Morus spp.) e as ginkgo (Ginkgo biloba) com frutos que mancham, as oliveiras (Olea europaea), azinheiras (Quer-cus rotundifolia) e choupos (Populus nigra), cuja florao e sementes so responsveis por reaces alrgicas.

    Disponibilidade de recursos Os recursos materiais, o material vegetal de vivei-

    ro, os equipamentos e a mo-de-obra disponvel para a realizao das operaes de instalao e manuteno dos espaos devem tambm ser avaliados para que seja possvel estabelecer prioridades na seleco de espcies e tomar decises de ordem prtica.

    Nas condies actuais sempre desejvel optar por espcies menos exigentes em gua, e que no precisam de cuidados particulares de manuteno.

    Mistura de arbreas e arbustivas tirando partido do porte, durao, tonalidade e forma da folhagem, pro-porcionando ainda boa cobertura do solo. Jardins da Estao Rodoviria, em Bragana.

  • Deve-se privilegiar a instalao de espcies arbustivas, herbceas perenes e bolbosas em vez de relvados ou, em alternativa, ao relvado simples podem-se associar manchas de arbreas, arbustivas e herbceas. Deve-se ainda usar plantas que formam tapete e materiais inertes para consolidar ou recobrir taludes.

    Relativamente seleco das espcies, ter em ateno que os exemplares semi-maduros so mais caros do que exemplares jovens, mas atingem mais rapidamente um estado de desenvolvimento que lhes permite cumprir desde logo os objectivos da sua ins-talao e minorar os riscos de agresso e vandalismo. A topiaria e as espcies com formas artificializadas so tambm mais onerosas porque exigem podas de for-mao complexas e maior frequncia e regularidade de intervenes. Manter relvados custa mais do que manter espcies de cobertura, como os cotoneasters, as santolinas e certas aromticas.

    Apesar de ser vantajoso recorrer a espcies au-tctones bem adaptadas preciso ter presente que nem sempre os viveiristas dispem de material em

    Efeito panormico das manchas de vegetao arbrea e arbustiva nos Jardins da Estao Rodoviria e Antnio Jos de Almeida, em Bragana.

    variedade e quantidade suficientes. Por outro lado, aconselha-se o emprego de exticas com moderao e precauo pelo seu custo, capacidade de adaptao e pela possibilidade de rapidamente se poderem tornar em espcies invasoras.

    Plantao de espcies vegetais (excepto relvados) Nos espaos verdes pblicos ou nos jardins de

    dimenso aprecivel s faz sentido utilizar material vegetal produzido em viveiros que posteriormente transplantado, excepo feita para o uso de espcies bolbosas ou com outro tipo de caule subterrneo que devem ser plantadas directamente nos locais escolhidos para a sua instalao.

    Em todos os casos, conveniente conhecer o desempenho de cada espcie, relativamente altura que atinge e espao que ocupa, exigncias de solo, nutrientes e humidade, exposio solar, caractersticas morfolgicas da folhagem, florao e frutificao, po-cas de florao e frutificao, interesse ornamental ao longo do ano.

  • Para a plantao necessrio e recomendvel fazer uma prvia preparao do solo com incorporao de matria orgnica (estrume, composto, turfa) de modo a conseguir uma camada mais ou menos profunda de solo que seja facilmente trabalhada. Naturalmente que a profundidade dessa camada depende da espcie a instalar.

    Os trabalhos de preparao do solo, as dimenses das covas e caldeiras e a qualidade do solo ou do subs-trato utilizado so essenciais para o desenvolvimento adequado do raizame e, por consequncia, para o melhor desenvolvimento e sade futura de rvores e arbustos. prximo da superfcie que a maior parte da matria orgnica, resultante dos detritos animais e vegetais, se decompe. Por outro lado, tambm relativamente perto da superfcie que se formam razes muito finas, conjunto denso designado por cabelame, que constituem a parte activa das razes e que, por isso, precisam de um solo mais arejado, facilmente mobiliz-vel e de uma quantidade importante de gua.

    O xito da plantao est em muitos casos re-lacionado com a presena de micorrizas, associaes simbiticas entre as razes e fungos, que formam uma fina rede de filamentos (manto), aumentam a capaci-dade de absoro de gua e nutrientes e facilitam a sobrevivncia das plantas. Resulta interessante a plan-tao de espcies previamente micorrizadas no viveiro para aumentar a sobrevivncia e adaptao das plantas transplantadas, a cobertura de caldeiras com material inoculado ou a rega das plantas com esporos de fungos micorrzicos em suspenso.

    Plantao de rvores e arbustos Realizar a plantao durante o perodo de re-

    pouso vegetativo, entre o Outono e a Primavera, antes que os gomos iniciem o abrolhamento.

    Em zonas de Invernos muito frios e geadas tardias prefervel retardar e plantar imediata-mente antes da Primavera;

    Plantar em solo hmido e usando equipamento apropriado;

    Plantar exemplares sos e vigorosos, sem de-formaes ou leses, com razes em torres densos, que apenas contenham a terra agarrada ao raizame, estejam cobertos com materiais bio-degradveis, e que no estejam completamente secos ou tenham sido expostos a temper...

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