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SEGURANA NO AMBIENTE HOSPITALAR

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www.anvisa.gov.br

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CAPTULO I Aspectos da Segurana no Ambiente Hospitalar

1. INTRODUO O Dr. Samuel Dwane Thomas, residente em urologia do Hospital Episcopal na Filadlfia EUA, estava realizando uma cirurgia denominada prostatectomia transuretral usando para isso um instrumento conhecido como ressectoscpio. Repentinamente, na metade da operao, o instrumento falhou e o Dr. Thomas sofreu uma severa queimadura de origem eltrica, afetando diretamente a crnea de seu olho direito (1). Acidente no ambiente hospitalar fato. Estes envolvem como citado no exemplo acima, o profissional da rea da sade como tambm pacientes, visitantes, instalaes e equipamentos. Muitos acidentes acarretam vrios tipos de prejuzos, sendo que destes, alguns do origem a aes legais movidas entre os envolvidos. Essa situao tem ocorrido e sido registrada, com frequncia, em pases desenvolvidos. Visando compreender a origem destas lamentveis situaes, ser apresentado um breve histrico sobre a evoluo da estrutura hospitalar que atende a grandes populaes. Para uma pessoa da Idade Mdia, seria inconcebvel um tratamento mdico da prpria casa. Onde o doente poderia ser melhor tratado? Quem lhe poderia dispensar mais cuidados pessoais do que a prpria famlia e os prprios empregados? E, se no havia hospitais para os ricos, que podiam chamar o mdico a sua casa, muito menos para as pessoas do povo. O nmero de indigentes, com rendas contrastantes na poca, deve ter sido imenso. Quando um deles no podia mais agentar de p, havia ainda o problema de achar um lugar para morrer, ou ainda, para ocultar sua enfermidade, de estigmas como a lepra ou a sfilis, que o faziam intocvel. Quem abrigaria um estranho? S as pessoas para quem as coisas do mundo e as classes sociais nada significassem. Isto , somente os monges catlicos sem seus mosteiros. (2). Das razes da hospit, hospites (estranho, forasteiro) viria o nome hospitium, que alguns monges atribuiam ao lugar em que alojavam os enfermos itinerantes que lhes vinham pedir pousada. Das mesmas razes viriam palavras como hspede, hospital, hotel, hospcio. Analisando suas origens vemos, portanto, que o hospital era tido apenas, como um retiro de indigentes enfermos. Muitos, alis, ainda o so, embora se dispensem aos internados atenes mdicas condizentes com a situao da poca. O primeiro hospital brasileiro, que existe at hoje, foi fundado com esse objetivo, sendo esta a causa do seu nome: Santa Casa de Misericrdia, em Santos, iniciativa de Brs Cubas, em 1543. Como todos os outros da poca, principalmente na Europa, estava subordinados Igreja Catlica. Os hospitais subordinados ao Isl, tambm existiam e, eram superiores em condies de higiene, cuidados, instalaes e medicamentos, sendo que o mais pretensioso foi fundado no sculo X. (2,3). Entretanto, foi s a partir do sculo XVIII, na Europa, que as autoridades civis comearam a construir e administrar hospitais, principalmente em Paris, Londres e

Roma. Sociedades beneficentes, mantidas pelas classes dominantes, tambm passaram a dar sua contribuio. Em Hamburgo, lojistas construram um sanatrio para portadores de varola; os mercadores de seda de Bolonha fundaram o Hospital dos Inocentes. Se vivesse hoje, aquele mesmo paciente rico da Idade Mdia acharia inconcebvel, talvez, que no o tratassem em um hospital. O que causou a reviravolta? Certamente, os avanos tecnolgicos, os cuidados dispensados aos pacientes que vm sendo aperfeioados a cada dia, as tcnicas cirrgicas inovativas, novos procedimentos e equipamentos de diagnstico, os avanos farmacolgicos e a melhor compreenso dos processos das doenas. O amplo uso desses recursos tambm fez com que fosse introduzida nos hospitais uma complexidade de equipamentos e frmacos geradores de risco aumentando, no entanto, a possibilidade de erros de procedimentos e uso incorreto dos mesmos (4). Nesse ponto, importante mencionar algumas definies e afirmaes relacionadas a erros: "O erro humano e uma deciso ou comportamento indesejvel que reduz ou tem potencial para reduzir a eficcia, segurana ou performance de um sistema"(5); "Erro de operao a principal fonte de risco para hospitais que usam equipamento biomdico" (6);"...no mnimo, metade de todas as leses ou mortes de pacientes relacionadas a equipamentos mdicos envolvem o mau uso ou erro de operao feito pelo pessoal do hospital, incluindo falha ao seguir as instrues do fabricante" (7). O futuro reserva aos profissionais que atuam na rea da sade, equipamentos e instrumentos mais sofisticados, bem como responsabilidades adicionais. Dentre outras coisas, esses profissionais devero estar plenamente conscientes das possibilidades e riscos desses novos recursos, devendo, portanto, em conjunto com a instituio, examinar cuidadosamente cada risco e determinar a melhor forma de gerenci-lo. Em 1983, nos Estados Unidos, ocorreram 1.000.000 de incidentes com prejuzos na rea hospitalar, dos quais 200.000 envolveram a lguma forma de negligncia (8). Em 1989, o uso intensivo dos equipamentos mdico-hospitalares, no mesmo pas, resultou em torno de 10.000 acidentes (1 a cada 52 minutos), com um saldo de 1000 mortes (9). Na Sucia, durante os anos de 1984 e 1985, foram analisados 306 equipamentos defeituosos que causaram acidentes fatais ou com srias conseqncias. Verificou-se que 21% dos acidentes foram relacionados manuteno incorreta, 26% com uso indevido e 46% com problemas de desempenho (10). Cabe ressaltar que as conseqncias financeiras desses acidentes envolvem considervel soma em indenizaes, devido a aes legais movidas por pacientes, os quais recebem alguma forma de dano quando sob cuidados do hospital (11, 12, 13). Veja o Apndice E.

Assim, este documento pretende colaborar para a reduo de todas as fontes de risco, englobando os cuidados com pacientes, funcionrios e visitantes, bem como com os recursos e patrimnio da instituio hospitalar. 1.1 Diagnstico inicial da segurana no ambiente hospitalar O principal objetivo de um hospital a prestao de servios na rea da sade, com qualidade, eficincia e eficcia. Uma breve introduo ao assunto dada a seguir: Qualidade : Aplicao apropriada do conhecimento disponvel, bem como da tecnologia, no cuidado da sade. Denota um grande espectro de caractersticas desejveis de cuidados, incluindo eficcia, eficincia, efetividade, equidade, aceitabilidade, acessibilidade, adequao e qualidade tcnico-cientfica. Eficcia: A habilidade do cuidado, no seu mximo, para incrementar sade. Eficincia: A habilidade de obter o mximo de sade com um mnimo custo. Efetividade : O grau no qual a ateno sade realizado. Isto no pode ser alcanado sem a administrao efetiva de um programa de preveno de acidentes que proporcione condies ambientais seguras para o paciente e para os profissionais que a desenvolvem suas atividades de trabalho. O Hospital deve desenvolver continuamente essa poltica, assegurando que gerentes e funcionrios estejam cientes de suas responsabilidades na reduo de riscos e acidentes. Devem promover e reforar prticas seguras de trabalho e proporcionar ambientes livres de riscos, em acordo com as obrigatoriedades das legislaes municipais, estaduais e federais. A complexidade dos temas que envolvem segurana no ambiente hospitalar, exige um tratamento multiprofissional, tanto para a tomada de decises tcnicas, como para as administrativas, econmicas e operacionais. Os diversos profissionais, em especial os gerentes e diretores, visando avaliar suas posturas frente aos temas de segurana no ambiente de trabalho, devem analisar os seguintes aspectos: a. As obrigaes legais referentes a segurana do trabalho esto sendo cumpridas? Esto resultando em nveis de segurana aceitveis? b. Os profissionais da rea clnica esto utilizando equipamentos tecnologicamente compatveis com a demanda? Sabem oper-los adequadamente? c. Existem no hospital, programas de treinamento e reciclagem adequados para uso da tecnologia mdica? d. O hospital possui equipe de manuteno? Essa equipe possue os recursos necessrios para a manuteno de equipamentos mdicos e de infra-estrutura? realizada a manuteno preventiva dos equipamentos vitais? e. Possui Brigada Contra Incndio (BCI)? Possui sistemas automticos para extino de incndio? So eficientes e suficientes? f. Possui sistema de gerao de energia eltrica de emergncia? g. Os custos gerados com acidentes envolvendo funcionrios e pacientes no ambiente hospitalar esto compatveis com os investimentos feitos nas reas de aquisio, treinamento e uso de tecnologias? h. Os funcionrios usam os equipamentos de segurana? So suficientes? Os riscos ambientais esto identificados e corrigidos?

i. Os funcionrios utilizam adequadamente suas ferramentas de trabalho? So suficientes para garantir o funcionamento seguro dos equipamentos e sistemas? j. Os pacientes e visitantes recebem algum tipo de orientao sobre como agir em caso de incndio? k. Existem no hospital, profissionais com dedicao exclusiva na rea de segurana? l. Existem em seu hospital todos os projetos de arquitetura e engenharia atualizados que possibilitem a tomada de decises com maior preciso e segurana? m. O hospital possui planos de emergncia para enfrentar situaes crticas como falta de energia eltrica, gua, incndio e inundaes? n. Existe no hospital uma lista de empresas prestadoras de servios, que estejam aptas a prestar servios aos equipamentos e instalaes de acordo com as normas de segurana aplicveis? o. Existe no hospital a ficha cadastral dos equipamentos existentes que indique a periodicidade dos testes de segurana e de desempenho dos mesmos? p. So feitas, frequentemente, pelo menos mensalmente, reunies com a comunidade de sade, para discutir problemas de segurana existentes em sua unidade de sade?

1.1.1

Atitudes profissionais para o gerenciamento da segurana

Todos os nveis de gerenciamento devem, constantemente, reforar as regras e regulamentos de segurana, estar alerta e id