séc. xvii ao começo do séc. xviii suzete beppu barroco

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Séc. XVII ao começo Séc. XVII ao começo do séc. XVIII do séc. XVIII Suzete Beppu Suzete Beppu Barroco Barroco

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  • Sc. XVII ao comeo do sc. XVIII Suzete Beppu Barroco
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  • " Ofendi-vos, Meu Deus, bem verdade, verdade, Senhor, que hei, delinquido Delinquido vos tenho... Gregrio de Matos Conceptismo com influncia do espanhol Quevedo, e por isso, chamado tambm de quevedismo - valorizao do contedo/conceito, jogo de ideias atravs do raciocnio lgico. H o uso da parbola com finalidade mstica e religiosa.
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  • No Barroco brasileiro destacam- se os autores: Padre Antnio Vieira, com suas obras de profecias, cartas e sermes e Gregrio de Matos Guerra, essencialmente potico.
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  • Para um homem se ver a si mesmo, so necessrias trs coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e cego, no se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e de noite, no se pode ver por falta de luz. Logo, h mister luz, h mister espelho e h mister olhos. Pe. Vieira "Se uma ovelha perdida e j cobrada Glria tal e prazer to repentino Vos deu, como afirmais na Sacra Histria, Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada Cobrai-a e no queirais, Pastor Divino, Perder na Vossa ovelha a Vossa glria." Gregrio de Matos
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  • Referncias histricas Renovaes culturais trazidas pelo Renascimento Renovaes culturais trazidas pelo Renascimento Fim do ciclo das navegaes Fim do ciclo das navegaes Reforma Protestante combatida atravs da Contra-Reforma Reforma Protestante combatida atravs da Contra-Reforma Na segunda metade do sculo XVIII, sentem-se no Brasil os "ecos" do Barroco. O ciclo do ouro propicia o desenvolvimento das artes em geral, notadamente em Minas Gerais, em que se destacam as obras de Aleijadinho. (1730 1814)
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  • So Jos de Botas, atribudo ao Aleijadinho
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  • Caractersticas Essa situao contraditria provoca o aparecimento de uma arte que expressar tambm atitudes contraditrias do artista em face do mundo, da vida, dos sentimentos e de si mesmo. Essa situao contraditria provoca o aparecimento de uma arte que expressar tambm atitudes contraditrias do artista em face do mundo, da vida, dos sentimentos e de si mesmo. O homem tenta conciliar a glria e o valor humano despertados pelo Renascimento com as ideias de submisso e pequenez diante de Deus e a igreja. O homem tenta conciliar a glria e o valor humano despertados pelo Renascimento com as ideias de submisso e pequenez diante de Deus e a igreja. Homem est entre cu e terra, consciente de sua grandeza, mas perseguido pela idia de pecado e busca a salvao de forma angustiada. Assim, h uma tentativa de conciliao de ideias antagnicas: Bem Mal / Deus Diabo / Cu Terra / Pureza Pecado / Alegria Tristeza / Esprito Carne Homem est entre cu e terra, consciente de sua grandeza, mas perseguido pela idia de pecado e busca a salvao de forma angustiada. Assim, h uma tentativa de conciliao de ideias antagnicas: Bem Mal / Deus Diabo / Cu Terra / Pureza Pecado / Alegria Tristeza / Esprito Carne
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  • H um crescente pessimismo em face da vida (oposto vontade de viver e vencer do Renascimento) e tudo lembra ao homem sua morte e aniquilamento. " no guardes, que a madura idade, / te converte essa flor, essa beleza, / em terra, em cinza, em p, em sombra, em nada." Gregrio de Matos de se esperar que os recursos dessa viso de mundo sejam, na poesia, as figuras: sonoras (aliterao, assonncia, eco, onomatopeia...), sintticas (elipse, inverso, anacoluto, silepse...) e principalmente semnticas (metfora, metonmia, sindoque, anttese, paradoxo...). H um crescente pessimismo em face da vida (oposto vontade de viver e vencer do Renascimento) e tudo lembra ao homem sua morte e aniquilamento. " no guardes, que a madura idade, / te converte essa flor, essa beleza, / em terra, em cinza, em p, em sombra, em nada." Gregrio de Matos de se esperar que os recursos dessa viso de mundo sejam, na poesia, as figuras: sonoras (aliterao, assonncia, eco, onomatopeia...), sintticas (elipse, inverso, anacoluto, silepse...) e principalmente semnticas (metfora, metonmia, sindoque, anttese, paradoxo...).
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  • Metfora Revoluo da potica barroca com o surgimento das metforas ertico- anatmicas que associavam o amor ao prazer e a natureza mulher. "Goza, goza da flor da mocidade. / Que o tempo trata a toda ligeireza / E imprime em toda a flor sua pisada." Gregrio de Matos Anttese Reflete a contradio do homem barroco, seu dualismo. "Ardem chamas ngua, e como / vivem as chamas, que apura, / so ditosas Salamandras / as que so nadantes turbas" Botelho de Oliveira Metfora Revoluo da potica barroca com o surgimento das metforas ertico- anatmicas que associavam o amor ao prazer e a natureza mulher. "Goza, goza da flor da mocidade. / Que o tempo trata a toda ligeireza / E imprime em toda a flor sua pisada." Gregrio de Matos Anttese Reflete a contradio do homem barroco, seu dualismo. "Ardem chamas ngua, e como / vivem as chamas, que apura, / so ditosas Salamandras / as que so nadantes turbas" Botelho de Oliveira
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  • Paradoxo Demonstra a tentativa de fuso dos opostos que atormenta o homem barroco "Ardor em firme corao nascido; / Pranto por belos olhos derramado; / Incndio em mares de gua disfarado; / Rio de neve em fogo convertido." Gregrio de Matos Hiprbato Denota a desordem do pensamento do homem barroco "A vs correndo vou, braos sagrados / Nessa Cruz sacrossanta descobertos" Gregrio de Matos Gradao "Oh no aguardes que a madura idade / Te converta essa flor, essa beleza, / Em terra, em cinzas, em p, em sombra, em nada." Gregrio de Matos
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  • So usados vrios smbolos que traduzem a efemeridade e a instabilidade das coisas: fumaa, ventos, neve, chama, gua, espuma etc. As frases interrogativas ajudam a refletir a dvida e a incerteza que caracterizam esse perodo. "Porm, se acaba o Sol, por que nascia? / Se to formosa a Luz , por que no dura? / Como a beleza assim se transfigura? / Como o gosto da pena assim se fia?" Gregrio de Matos A ordem inversa torna a frase pomposa e traduz os maneios de raciocnio, alm de retratar a falta de clareza, de certeza diante das coisas.
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  • O Martrio de So Felipe, de Jusepe de Ribera, exemplo da religiosidade tensa da cultura barroca catlica.
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  • GREGRIO DE MATOS GUERRA (1636-1695) Poesia Religiosa A oscilao da alma barroca entre o mundo terreno e a perspectiva da salvao eterna agua-se em Gregrio de Matos Guerra. At meados do sculo XVIII, nenhum homem de letras pode fugir a uma educao contra- reformista, pois os jesutas controlam todo o sistema de ensino. Desta forma, ilustrar-se s ser possvel dentro dos preceitos da Companhia de Jesus, o que acontece com o futuro poeta. A oscilao da alma barroca entre o mundo terreno e a perspectiva da salvao eterna agua-se em Gregrio de Matos Guerra. At meados do sculo XVIII, nenhum homem de letras pode fugir a uma educao contra- reformista, pois os jesutas controlam todo o sistema de ensino. Desta forma, ilustrar-se s ser possvel dentro dos preceitos da Companhia de Jesus, o que acontece com o futuro poeta. Por outro lado, Gregrio filho de senhores de engenho, quer dizer, dos verdadeiros senhores da terra, dos que possuem todos os direitos, inclusive o de vida e morte e que, por isso, podem exercer o estupro ou o simples domnio sexual sobre ndias e escravas. Esto presentes nele, portanto, os elementos contraditrios da poca: a licenciosidade moral e a posterior conscincia da infmia, seguida do arrependimento. Por outro lado, Gregrio filho de senhores de engenho, quer dizer, dos verdadeiros senhores da terra, dos que possuem todos os direitos, inclusive o de vida e morte e que, por isso, podem exercer o estupro ou o simples domnio sexual sobre ndias e escravas. Esto presentes nele, portanto, os elementos contraditrios da poca: a licenciosidade moral e a posterior conscincia da infmia, seguida do arrependimento.
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  • Na maior parte de seus poemas religiosos, o poeta se ajoelha diante de Deus, com um forte sentimento de culpa por haver pecado, e promete redimir-se. Trata-se de uma imagem constante: o homem ajoelhado, implorando perdo por seus erros, conforme podemos verificar no primeiro quarteto do soneto Buscando a Cristo: A vs correndo vou, braos sagrados, Nessa cruz sacrossanta descobertos, Que, para receber-me, estais abertos, E, por no castigar-me, estais cravados.
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  • Poesia Amorosa Seguindo o modelo dos barrocos espanhis, Gregrio apresenta uma viso cindida das relaes amorosas. Ora seus poemas tendem a uma concepo "petrarquista", isto , idealizao dos afetos em linguagem elevada; ora a uma abordagem crua e agressiva da sexualidade em linguagem vulgar. A) O amor elevado Exemplo dessa perspectiva um dos sonetos dedicados a D. ngela, provvel objeto da paixo do poeta e que o teria rejeitado por outro pretendente. Observe-se o jogo de aproximaes entre as palavras anjo e flor para designar a amada. Observe-se tambm que, ao mesmo tempo tais vocbulos possuem um carter contraditrio (anjo = eternidade; flor = brevidade). Como sugere um crtico, esta duplicidade de Anglica lana o poeta em tenso e quase desespero ("Sois Anjo, que me tenta, e no me guarda.")
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  • Anjo no nome, Anglica na cara! Isso ser flor, e Anjo juntamente: Ser Anglica flor, e Anjo florente Em quem, seno em vs, se uniformara? Quem vira uma tal flor, que a no cortara, De verde p, da rama florescente? A quem um Anjo vira to luzente Que por seu Deus o no idolatrara?
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  • B) O amor obsceno-satrico Se o erotismo a exaltao da sensualidade e da beleza dos corpos, independentemente da linguagem, que pode ser aberta ou velada; se a pornografia a busca do sexo proibido e culpado atravs de imagens grosseiras e chocantes e valendo-se quase sempre de uma forma vulgar; a obscenidade situa-se noutra esfera. Ela no visa ao sensualismo refinado do erotismo nem excitao cafajeste da pornografia. No se trata, pois, de uma estimulao dos sentidos, e sim uma espcie de protesto contra o sistema moral, contra as concepes dominantes de amor e de sexo, e contra o prprio mundo. s vezes, a obscenidade toma o sentido de um culto rude e subversivo do prazer contra os tabus que impedem a plena realizao da libido.
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  • Na poesia obscena-satrica, Gregrio de Matos no apresenta qualquer requinte voluptuoso. Sua viso do amor fsico agressiva e galhofeira. Quer despertar o riso ou o comentrio maldoso da plateia. Por isso, manifesta desprezo pela concepo crist do amor que envolve a camada espiritual, conforme podemos verificar no texto abaixo: O amor finalmente um embarao de pernas, uma unio de barrigas, um breve tremor de artrias. Uma confuso de bocas, uma batalha de veias, um rebolio de ancas, quem diz outra coisa, besta.
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  • Poesia Satrica O desengano barroco tem como uma de suas consequncias o implacvel gosto pela stira. Resposta a uma realidade que os artistas julgam degradada, a poesia ferina e contundente no perdoa nenhum grupo social. Ricos e pobres so fustigados pelas penas corrosivas de Gngora, de Quevedo, como mais tarde o far o brasileiro Boca do Inferno. Esta ironia custica e por vezes obscena trao marcante do barroco ibrico. Quando retorna ao Brasil, j quarento, em 1682, Gregrio de Matos encontra uma sociedade em crise. A decadncia econmica torna-se visvel: o acar brasileiro enfrenta a concorrncia do acar produzido nas Antilhas e seu preo desaba. Alm disso, uma nova camada de comerciantes (em sua maioria, portugueses) acumula riquezas com a exportao e importao de produtos. Esta nova classe abastada humilha aqueles que se julgam bem nascidos, mas que, dia aps dia, perdem seu poder econmico e seu prestgio.
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  • Ningum parece escapar sua ironia: os figures portugueses, os padres, os colonos, os bacharis, os degradados lusos que vinham para o Brasil e aqui enriqueciam, os nativos, os mestios, os negros, todos so sistematicamente ridicularizados, como em Eplogos, onde num jogo de perguntas e respostas, o poeta demole com a sociedade de seu tempo: Que falta nesta cidade?... Verdade Que mais por sua desonra?... Honra Falta mais que se lhe proponha?... Vergonha O demo a viver se exponha, Por mais que a fama a exalta, Numa cidade onde falta Verdade, honra, vergonha. Quem a ps neste socrcio?... Negcio. Quem causa tal perdio?... Ambio. E o maior desta loucura?... Usura.