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CAPA

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Textos dos acadêmicos e fotos dos vencedores do concurso "Um olhar sobre São João. Projeto gráfico e editoração de Neusa Menezes. Produção e coordenação de Lucelena Maia.

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PROJETO “SÃO JOÃO EM VITRINA”Concurso Fotográfico “Um olhar sobre São João”

ACADEMIA DE LETRAS DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA

2010

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Academia de Letras São João da Boa Vista/SPProjeto “São João em Vitrina”Concurso fotográfico “Um olhar sobre São João”

Capa e editoração: Neusa M. S. MenezesRevisâo: Maria José Gargantini Moreira Silva

Lançamento e premiação: 09 de junho de 2010 - 20 hSede da SES - Sociedade Esportiva Sanjoanense

São João da Boa Vista/SP - Junho de 2010

COMISSÃO ORGANIZADORA:ACADEMIA DE LETRASLucelena MaiaMaria Célia C. MarcondesNeusa M. S. MenezesSilvia T. Ferrante MarcosACEAntonio Carlos C. PessanhaReinaldo Zerbini Jr.

COMISSÃO JULGADORA:Alfredo Nagib Filho (Fritz)Clara GianelliClovis VieiraFrancisco de Assis Carvalho ArtenKauê Oliveira

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APRESENTAÇÃOLucelena Maia - Coordenadora

Quando idealizei o projeto “São João em Vitrina”, eu estava convicta da rara oportunidade que as pessoas comuns têm de expressar-se através da arte.

Trazia comigo a confiança de que anunciaríamos talentos inimagináveis em nossa cidade ao darmos ao sanjoanense a possibilidade da campanha fotográfica, Um Olhar Sobre São João.

Imbui-me de coragem e apresentei, então, o projeto à presidente da Academia de Letras, Maria Célia de Campos Marcondes, e atenta fiquei à sua fisionomia enquanto ela lia aquelas folhas ousadas que diziam de fotos e textos a serem expostos nas vitrinas das lojas comerciais, em nome da cultura, pela festividade do aniversário de São João.

Eu não poderia esperar outra atitude de uma mulher como Maria Célia, de visão dilatada para o universo cultural. Ela não só se interessou pelo projeto, mas também envolveu Silvia Ferrante como curadora da Campanha Fotográfica e incumbiu Neusa Menezes ao recebimento das fotos e divulgação, através da internet. Convidou os acadêmicos a fazerem o texto que acompanharia as fotos classificadas.

Por se tratar de um projeto que envolveria as lojas comerciais, propomos à ACE – Associação Comercial e Empresarial - a ser nossa parceira e “São João em Vitrina” começou a ganhar forma.

A busca pelo patrocínio não foi fácil, mas tornou-se prazerosa ao descobrirmos os muitos amigos da cultura.

E, assim aconteceu. Durante muitos dias, São João foi alvo de incansáveis olhares na busca pelo melhor foco que lhes garantisse, no clique inusitado, uma bela foto com possibilidade de classificação no concurso.

Após consolidarmos o projeto “São João em Vitrina”, e o vermos seguir pela cidade em suas diversas fases, temos certeza de que a Academia de Letras, mais uma vez, fez a sua parte como fomentadora incansável de cultura. Mas nada seria possível se não existissem mecenas.

Agradecemos aos patrocinadores, apoiadores e comissão julgadora. Ao cidadão sanjoanense, desejo muitas outras oportunidades de mostrar-se através

da arte.

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PALAVRINHAS

Silvia Tereza Ferrante Marcos - Curadora

Foi uma grata surpresa a qualidade das fotos enviadas para o nosso concurso “Um

Olhar Sobre São João”.

As pessoas que participaram, em sua maioria, demonstraram muita sensibilidade e

habilidade fotográfica e conseguiram repartir conosco, os olhares sobre essa nossa terra tão querida,

tão rica de natureza e diversidade.

Foi uma grande honra ter participado de mais esse feito da Academia de Letras de

São João, e ter podido apreciar tão de perto as obras que nos chegaram. O meu olhar foi agraciado

com os seus olhares, e lhes agradeço por isso, nossa cidade ficou mais rica em seus detalhes e

enquadramentos.

Espero sinceramente que a Academia de Letras possa dar continuidade a esse projeto

e que, no próximo ano, tenhamos uma participação ainda maior dos olhares sobre nossa terra através

da fotografia, que é uma das mais belas formas de expressão.

Meus agradecimentos ao corpo de jurados, que muito contribuiu para o sucesso desse

trabalho.

Meus parabéns aos classificados e a todos os participantes, que nos agraciaram com

seus trabalhos. Suas fotos são verdadeiras poesias do olhar!

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UM MOMENTO NA HISTÓRIA DE SÃO JOÃO

Maria Célia de Campos Marcondes Presidente da Academia de Letras de SJBV

A Academia de Letras de São João da Boa Vista, dentro de seu objetivo de estar

sempre próxima ao sanjoanense, lançou, em parceria com a Associação Comercial e Empresarial de

São João da Boa Vista – ACE, o projeto “São João em Vitrina –Um olhar sobre Soa João”.

A finalidade deste evento é fixar, na história, o atual momento de nossa urbe e, para

motivar os amantes da fotografia a produzirem imagens que mostrassem novos ângulos de nossa

cidade, foi realizada a “Campanha Fotográfica”, que resultou em quarenta e cinco fotos selecionadas

por um júri. A partir delas, os acadêmicos de nossa Arcádia produziram um texto.

Fotos e textos têm dois destinos: em junho, durante as comemorações do aniversário

da cidade, estarão expostos nas vitrinas do comércio local e, a partir de agosto, irão para as escolas e

serão trabalhadas pelos professores junto com seus alunos.

Da idéia original até o momento final, muito trabalho houve! Trabalho de uma equipe

coesa, que não se abatia diante das dificuldades que surgiam e de uma parceria necessária entre

Academia de Letras e ACE.

Alguns nomes devem ser ressaltados por se constituírem cabeça e coração deste

projeto: as acadêmicas Lucelena Maia, Neusa Menezes e Silvia Ferrante, além de Antonio Carlos C.

Pessanha presidente da ACE e Reinaldo Zerbini Jr. responsável pelo seu departamento comercial.

Os agradecimentos da Academia de Letras de São João da Boa Vista estendem-se,

ainda, a todos os que acreditaram no projeto e, de uma maneira ou de outra, dele participaram,

tornando possível esta feliz realidade.

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REALIZAÇÃO

Neusa Maria Soares de Menezes - Organizadora

Quando, no começo do ano, logo no mês de janeiro, Maria Célia Marcondes, presidente da Academia de Letras, apresentou-nos a agenda do ano de 2010, senti que trabalharíamos muito, o ano começava acelerado. Lucelena Maia sempre com grandes ideias, tinha em mente desde o ano passado a realização do Projeto “São João em Vitrina”. Um projeto, onde os sanjoanenses tivessem participação direta através das fotos que mostrassem São João da Boa Vista na atualidade e que a Academia de Letras participasse com textos de todos os acadêmicos. E como conseguiríamos tais fotos? Para isso, foi criado o concurso “Um olhar sobre São João” e Silvia Ferrante, com sua experiência como fotógrafa, foi incumbida da missão de curadora. As fotos chegaram e a comissão julgadora foi muito feliz na classificação – infelizmente apenas quarenta e cinco fotos puderam ser classificadas – pois somos quarenta e cinco acadêmicos e cada foto está diretamente ligada a um texto. Fiquei responsável pela divulgação do evento, recepção das fotos via internet e o contato direto com os fotógrafos, quanto ao cadastro etc. Depois das fotos classificadas, publiquei-as em nosso site. Em seguida comecei a criar os quarenta e cinco banners e o catálogo. O trabalho exigido foi tão grande quanto a sensação de realização. Quando comecei a juntar o texto à foto correspondente, senti uma alegria imensa, por termos conseguido levar a termo mais um projeto. Noites mal dormidas e ansiedade a mil. Valeu à pena! Espero que todos gostem, assim como eu gostei. Parabéns aos acadêmicos participantes, aos jurados e aos fotógrafos, que deram um brilho especial ao evento. E o agradecimento especial aos patrocinadores e apoiadores por possibilitarem tornar um sonho, REALIDADE. Sem eles, nada seria possível.

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ACE -Associação Comercial e Empresarial de SJBV

Antonio Carlos C. Pessanha - Presidente

A Associação Comercial e Empresarial apoia iniciativas como esta, da

Academia de Letras, que divulgam o nome e as potencialidades de nossa cidade. O Projeto São João

em Vitrina, que incentiva os moradores a conhecer e registrar lugares e personagens que fazem parte

de nossa cultura, de nossa história, é de extrema importância.

Nós, como entidade, preocupamo-nos em promover e valorizar

iniciativas que podem trazer e gerar benefícios para o comércio e comunidade. E esta ideia, que

engrandece o município, enaltece nossos intelectuais e incentiva o sanjoanense a enxergar belezas

que, muitas vezes, passam despercebidas na correria do dia-a-dia, também é um meio de promover e

despertar o potencial turístico local.

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MARIANE BOVOLONI DIAS - Estrada da Serra da Paulista, km5

Mariane cursa o segundo ano de Jornalismo Diurno na Unesp de Bauru. É repórter do site IDOSO MÍDIA, um grupo de estudos que desenvolve e estuda mídia específica para os idosos, orientado pelo coordenador do curso de Jornalismo da Unesp de Bauru. Repórter do WEB JORNAL, programa transmitido pela Rádio Unesp Virtual, na editoria de saúde e comportamento. Repórter da revista eletrônica Toque da Ciência. É participante do grupo de estudos de Jornalismo Ambiental.

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UM OLHAR SOBRE SÃO JOÃO

ANA LUCIA SGUASSÁBIA SILVEIRA FINAZZI - Cadeira 07 - Patrono: Coelho Neto

Aos pés da Serra da Mantiqueira, muito próxima da divisa com o estado de Minas Gerais, antiga capital da Média Mogiana, São João já é, por si, um atrativo. Não bastasse toda esta exuberância natural, seu crepúsculo único, as cantantes águas do Jaguari, é também terra de gente talentosa. Talento para as artes, para a cultura, para a política, enfim, talento para a vida. Sua população é provida de uma criatividade latente, de um orgulho paulista nos modos e aconchego mineiros, expressos no sotaque, na culinária e no calor humano de um povo que sabe fazer das adversidades uma auto-crítica, uma anedota saudável. Somos movidos pela musicalidade destes talentos, a poesia dos conterrâneos, a valentia de nossos heróis públicos e do anonimato; que constroem vidas, colorindo a paisagem, espalhando a fé ressonada nos sinos das igrejas, no murmúrio das preces sussurradas... Aqui a natureza se mostra sorridente, acalentada pela mão amiga dos que trabalham pelo bem do torrão natal, exemplo de coragem e luta, motivação para os que agora começam na caminhada das conquistas pessoais. É preciso conhecer a sua história, evocar o espírito de busca pelo progresso, sem a destruição das belezas com que o Criador presenteou este quinhão bendito. Soma-se à alma sanjoanense, a estima dos que fizeram desta sua terra morada, acrescentando-lhe matizes singulares, amoldando-se aos modos e costumes que a convivência imprime.Longe da cidade de sua infância, chora o poeta:

“Eu sinto ter, na ressonância da saudade,alcançado, em realidade,algo ali, que me convence:É pois, saber que essa saudade, que se sentebater forte e tão presente,bate em cada sanjoanense.”(Paulo Braga Silveira)

São João será sempre lembrada, pelos que aqui passarem, como um exemplo de belezas e diversidade de dons.

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ESTELA ALMEIDA DE OLIVEIRA — Antiga estação ferroviária “FEPASA”

Estela é apaixonada pela vida e por diversas artes. Apresentou-se cantando fados na VIII Exposição da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa em 2009. Integrante atual dos Corais Elohin e Boca Livre de São João da Boa Vista. Escreveu e publicou o li-vro “Olhe de Novo” sobre auto-ajuda em 2.000. Mes-tra em terapia Reiki, fotografa por absoluto prazer.

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QUANDO VIAJAR DE TREM ERA ACONTECIMENTO NA CIDADE

LUCELENA MAIA - Cadeira 13 - Patrono: Humberto de Campos

Eu queria ter chegado de mudança a São João da Boa Vista, pela estação ferroviária, quando a Companhia Mogiana era um importante transporte de pessoas - a mais respeitada porta de entrada e saída na cidade - para cidadãos ilustres ou não. A história conta dos hotéis famosos no largo da estação e da, quase passarela, Rua São João, de onde olhares curiosos seguiam, das janelas e portas de suas casas, admirando ou, tão somente, tietando quem por ali passasse. É bom lembrar que D. Pedro II e sua esposa, Teresa Cristina, igualmente, Rui Barbosa, foram ovacionados pela população sanjoanense, quando desceram na estação de São João da Boa Vista, antes de seguirem viagem para Poços de Caldas. Pouco me importaria viajar de primeira ou segunda classe, era a situação em si que me envolveria. Se bem que, carro de passageiros com bancos estofados seria mais confortável que o de madeira e apreciar a paisagem no vagão restaurante - proibido aos ocupantes de segunda classe - seria mais inspirador, a ter que apreciar esse mesmo cenário degustando coxinhas e empadinhas, oferecidas por garçons, em meio ao corredor. De qualquer forma, em qual classe eu estivesse, teria escrito um poema. Eu bem sei... Mas, eu cheguei a São João no ano de 2007. Fui acolhida por uma cidade de clima tropical quente e sem invernos rigorosos, que oferece brisa agradável às madrugadas, quase sempre. Além de ser dona de belíssimas paisagens e um pôr-do-sol enamorado da Serra da Mantiqueira. Por seus crepúsculos maravilhosos, deixa-se seduzir e nos seduz, para sempre. Foi inevitável escrever... Nada em Vão Assim como tu, também vagueio / num desatino de passos solitários, / inútil caminhar; volto e paro / diante da porta de meus anseios. Ao tempo, que se me diz amigo, / entrego a saudade trazida comigo, / a cada manhã, nessa nova morada. E, aos pés da Serra da Mantiqueira, / de pura beleza pr’os meus olhos /ajoelho-me, caro amigo, e oro, / oração de uma forasteira Que, um dia, pisou esse chão / aprazada em não ficar em vão, /pronta a abrir portas fechadas.

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WENDERSON BOVO MALDONADO — Passado e Presente

Wenderson captou esta imagem na Serra da Paulista, estrada do Deus me Livre. Participou da Semana Guiomar Novaes 2009 com a foto “Bicadas ao Sol”. É fotógrafo profissional. Trabalha no Fritz Foto e é também foto design.

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VIVES EM MIM

MARIA CÉLIA DE CAMPOS MARCONDES - Cadeira 11 - Patrono: Machado de Assis

O’ Portal! que me fazes sonhare de onde vislumbrolongínquo mundo.

Minha alma voa, ó amada terra,em busca de ti,

pois é tua, esta beleza azul.

Vives em mim, São João!

O’ Portal! que me levasa este pedacinho de mundo,

um quase nada na imensidão infinitado infinito tempo.

Penso em ti, minha São João!

És, terra querida, raiz, início e fim.Íntegra. Absoluta!

Arraigada, presa, enraizadaeternamente presente

nas entranhas de quem te ama!

Vives em mim, São João!

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ALINE TELLINI PROVENZANO - Lateral da fachada Fazenda Cachoeira

Aline estuda Publicidade e Propaganda e sempre teve interes-se por fotografia. Possui um gosto mais específico por foto-grafias de paisagens naturais. Recentemente fez um projeto pela Faculdade sobre a Fazenda Cachoeira, o que a inspirou a fazer esta foto e outras sobre a riqueza e as belas paisagens naturais, que só São João tem. Acredita que a fotografia nos dá possibilidade de relatar emoções em imagens.

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PERFUME DO TEMPO

SILVIA TEREZA FERRANTE MARCOS - Cadeira 09 – Patrono: Raul de Leoni

Num tempo mágico, foi de uma dessas janelas que pude ouvir minha primeira serenata, isso na década de setenta.

Estávamos em muitas adolescentes num retiro de carnaval, no casarão da Fazenda Cachoeira quando, no meio de uma noite de luar intenso, começamos a ouvir um som lindo e harmônico de músicas que falavam direto aos nossos corações românticos e juvenis. Ao abrirmos as janelas entre muitos empurrões e risadinhas, pudemos ver nossos queridos amigos e lógico, entre eles, nossos amores adolescentes, a cantar para nós. Ficamos tão embevecidas com aquela cena que nem nos demos conta das freiras, que entraram alvoroçadas em nosso quarto a nos retirar rapidamente das janelas. Começamos a protestar veementemente, mas elas não atendiam às nossas súplicas.

Creio que, percebendo que algo acontecia no quarto, os “meninos” mais que depressa, contra-atacaram com um “Pai-Nosso” a cinco vozes que fez calar até a natureza daquele lugar fantástico; as freiras, num instante estavam debruçadas nas janelas, tomando nossos lugares a ouvir tamanha beleza. Conseguimos assim terminar de ouvir a serenata que eles haviam preparado para nós.

Depois disso? Bom, o que me lembro é que no dia seguinte a tal feito, nossos queridos estavam sentados à mesa, tomando um farto lanche da tarde conosco e com as ditas freiras, que se transformaram em suas ardorosas fãs.

Toda vez que me recordo de minha juventude, a Fazenda Cachoeira tem em minha memória num lugar de destaque. Foi um tempo único o que passei ali, com amigos queridos que são amigos até hoje. Foram muitos os retiros e as aventuras naquele cantinho sagrado dessa nossa cidade.

Como já dizia Drummond: ”De tudo fica um pouco...”; em mim ficou muito desse delicado perfume que o tempo impregnou em minha memória.

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JOSÉ REZENDE LOPES - Areião do Rio Jaguari-Mirim

José é farmacêutico, foi vereador por duas legislaturas, preso político em 1964, advogado, agricultor, memorialista e amante das artes. Gosta de fotografar e de escrever, principalmente, poesias.

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CORRIDAS DE CAVALO EM SÃO JOÃO

JOSÉ OSÓRIO AZEVEDO JR.- Cadeira 15 – Patrono: Mario de Andrade

Foi pelo fim dos anos trinta ou começo dos quarenta.

A raia era em terreno da Esportiva Sanjoanense, junto ao Rio Jaguarí.

A adesão do público era grande. Havia um cavalo pampa que estava sendo falado como o Catita ou qualquer outro craque do futebol.

Um dos organizadores era o Seu Dico Noronha, homem de negócios e homem público, muito bem quisto por todos. Gostava de cavalos e de jogo, natural que fosse um dos empreendedores.

Numa das manhãs de domingo, em plena carreira, um cavalo rodou.

O tombo foi muito feio. As conseqüências só podiam ser graves.

Susto e comoção geral.

Mas o que ficou mesmo gravado na memória do menino de sete anos que a tudo assistia foi o comportamento do jovem e franzino pião.

Aproximou-se, ainda meio pálido, pelas mãos do Seu Dico, e pronunciou uma espontânea e comovente oração, dando graças à Providência Divina por ter saído ileso. E seguro de si, sem nenhuma semostração, estava pronto para montar de novo.

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HÉLIO de OLIVEIRA - Vista da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Hélio é estudante de pós-graduação em Lingüísti-ca na Unicamp. Quanto à fotografia, considera-se amador em todos os sentidos da palavra. Amador por não ser profissional, mas também por amar a possibilidade (e a arte) de sempre ver as coisas como se fossem pela primeira vez.

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SÃO JOÃO - FELIZ ANIVERSÁRIO!

MARIA LEONOR ALVAREZ SILVA - “in memorian” - Cadeira 19 - Patronesse: Jaçanã Altair

A principal meta de um artista, de um iluminado, consiste em construir alguma coisa que elevando-o eleve sua família e sua terra natal. Esse é o principal estímulo, a fonte milagrosa onde ele vai buscar coragem para retemperar suas forças, inspiração para continuar seu trabalho, sentimento de beleza para transmiti-lo ao que está realizando, espírito crítico para ver suas próprias falhas ou reconhecer o limite de suas possibilidades e não tentar transpô-los, prejudicando o seu sonho!

A terra natal constitui de um modo geral o primeiro e o mais forte motivo de inspiração para um espírito artístico e tanto pode estar contido no recanto do País onde o gênio criador vê a luz pela primeira vez, como no todo que forma sua nacionalidade e do qual o seu bairro, a sua cidade o seu estado ou província, constituem fração.

Quando saio à porta da belíssima Igreja do Seminário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e dentro da noite que acaba de cair, após a novena, olho da escadaria do templo para o rosário de luzes que cintila lá em baixo, em todas as direções à minha frente, surpreendo-me a pensar nos dias gloriosos do futuro e retrocedo em imaginação, ao sertão invicto, que o português, José Antônio Dias de Oliveira, veio violar com a sua presença e a que sua gente, pioneirando, no segundo semestre de 1821, a gênese desta cidade tão linda, que sabe o que quer e para onde vai, na estrada da economia, da cultura e da Fé, que é o fulcro das grandes realizações!

Eu te amo, São João da Boa Vista, com um amor que não te enxerga com olhos de poeta, mas que vai até as origens de tua vivencia, através de papeis amarelos, de letras esmaecidas pelo tempo e neles sinto a grandeza de tua caminhada através desse tempo, vestida de luz, enfeitada de beleza, enriquecida de escolas, povoada por gente que te quer e que sente a responsabilidade de te pertencer e a dignidade que tu lhe infundes, peio fato de seres a sua TERRA NATAL! Eu te amo pelo teu passado, eu te idealizo, para um grande futuro, terra que é realidade, mas que eu amo como a terra dos meus sonhos!

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JOSÉ MARCONDES - Cachoeira das Macaubeiras - no Rio da Prata

José Marcondes é técnico de natação, professor de educação física, artista plástico, tem na fotografia seu hobby. Há décadas vem fotografando São João da Boa Vista, tanto seus monumentos como casarios, ruas, personagens e eventos culturais. Possui um grande acervo fotográfico.

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SEM TÍTULO

MARIA JOSÉ GARGANTINI MOREIRA - Cadeira 39 - Patronesse: Clarice Lispector

Da foto, a inspiração

Cor estruturada

Ângulo planejado

Luz arquitetada!

Do texto, a transpiração

Letras selecionadas

Tecitura de idéias

Emaranhado de emoção!

Da cascata, rio da prata

A sensação de paz e silêncio

A beleza da natureza

Ainda intocada, não devassada!

“Macular esta paz?

Proibido!”

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RAFAEL PATRuno TELlINI - Crepúsculo visto da Av. Dr. Oscar Pirajá Martins

Rafael cursa Licenciatura em Artes no Centro Universitário Claretiano em Campinas. Está es-tagiando no colégio Objetivo-São João da Boa Vista. Atualmente sua ocupação profissional é professor de violão.

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TARDE SANJOANENSE

FRANCISCO ROBERTO ALMEIDA JR. - “in memorian” - Cadeira 03 – Patrono: Alphonsus Guimarães

Linda, estival ao canto das cigarrasque transformam as árvores do parque

em festivais guitarras,a tarde sanjoanense

-brasileira, morena e diligente-como boa doceira,vai mexendo ligeira

a tachada de abóbora do poente...

O manso rio que lá embaixo corresob a sombra do vale, se entristece

como um mongeque de longe

vem, cansado da jornada...

E no eterno rolar de suas águas,fundas mágoas murmurando,

vai rezando a prece

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CARLOS HENRIQUE LEMES - Terminal Rodoviário Urbano

Carlos tem 26 anos e nasceu em Varginha /MG, mas, considera-se sanjoanense por residir aqui desde os seus primeiros anos de vida. É forma-do em técnico em informática e fotografo, desde 2004, quando começou a trabalhar em uma loja de fotografia.

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PONTO DE ENCONTRO

NEUSA MARIA SOARES DE MENEZES - Cadeira 30 – Patrono Euclides da Cunha

Bastava chegar ao topo da rampa e elas estavam lá... O perfume era avassalador! De longe dava para saber que elas haviam chegado, que estavam viçosas, com aquele tom avermelhado escuro, envoltas em textura de seda numa tonalidade azul violeta. Pena que dificilmente tinha dinheiro para adquiri-las. Como custavam caro! Ficava imaginando o dia em que eu tivesse bastante dinheiro para comprá-las à vontade! Quando conseguia comprar uma, que sabor! Verdadeiro manjar dos deuses. Alegria do paladar. Satisfação dos desejos tantas vezes sufocados.

Durante muitos anos, fiz esse trajeto e admirei-as inúmeras vezes. Era meu caminho - bem, não necessariamente - pois tinha que tomar o ônibus circular para voltar para casa e podia muito bem descer pela rua lateral e ir direto à estação rodoviária urbana.

O que eu mais gostava de fazer, era descer a rampa interna do Mercado Municipal e vê-las na banca em frente, no estande principal: as Maçãs Argentinas! Grandes, perfumadas, saborosas e tão caras!

Aquelas bancas tão familiares, como a banca da Maria, do Joãozinho, do Molles, da Waldirene, do Geraldo, do Paulo Salomão e tantas outras, mudaram de lugar. Alguns proprietários não resistiram à mudança e fecharam as portas. Maçãs já não são importadas, são produtos nacionais, custam barato e perderam o encanto.

O Mercado Municipal, ponto de encontro dos sanjoanenses durante quase um século, deixou de existir; perdemos um ponto de encontro e a cidade de São João da Boa Vista, perdeu uma de suas referências históricas.

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RODRIGO CICONI TREVISAN - Ponte do Arco

Rodrigo gosta muito de fotografia, principalmente de fotos fei-tas em macro. Vê a fotografia como uma arte para expressar sentimentos. Acha que cada pessoa tem seu próprio estilo, sua própria técnica, e sua própria visão para cada situação. Atual-mente trabalha com fotografia, fazendo revelações, etc. Prefere fotografar algo do dia-a-dia de cada cidadão, e que muitas vezes passa despercebido.

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POUCAS PALAVRAS SOBRE SÃO JOÃO DA BOA VISTA

GILDA MAGALHÃES NARDOTO - Cadeira 37 – Patrono: Paulo Menotti del Picchia

Ao falar sobre São João, voltamo-nos sempre, em primeiro lugar, para seu famoso pôr de sol, suas paisagens belíssimas, mesmo se estando em meio aos edifícios. Sua situação geográfica é privilegiada, na região cristalina da Serra da Mantiqueira. Às margens do rio Jaguari nasceu, em 24/06/1824, esta cidade com clima tropical quente, temperatura média de 22 graus, contando 767m de altitude e que hoje abriga cerca de 84.000 habitantes.

Falar de São João é rememorar seus filhos ilustres: Guiomar Novaes, Cláudio Richerme (pianistas), Marly Evangeline Esteves Camargo, (também pianista, pequeno gênio, que compôs 20 músicas entre os 4 e 8 anos de idade e que a morte ceifou aos 11 anos, em 1949), Patrícia Rehder Galvão, a Pagu (escritora), Fernando Furlanetto (escultor), Orides Fontela, (poetisa que publicou seus primeiros poemas em “O Município”, jornal periódico da cidade), Maria Sguassábia (a mulher soldado na Revolução Constitucionalista de 1932), Jaçanã Altair, (escritora), Padre José Benedito de Almeida David (ex-Reitor da PUCCAMP), António Oliveira Camargo (cientista e pesquisador do mal de Chagas), a família Assad, (musicalidade) e muitos outros.

Contemplamos seu presente com a expansão de sua cultura: Museus, Teatro Municipal, Academia de Letras (fundada em 09/09/1971), Escolas diversas. O Comércio, a Agricultura, a Indústria, também aqui progridem ao lado da Saúde; seus dois ótimos hospitais e complementos médicos atendem toda a região.

Seu Cristo, construído em um ponto elevado, abençoa este lugar onde toda a natureza trabalha; trabalham os homens, trabalham os pássaros, os peixes e os insetos.

São João da Boa Vista faz jus ao seu slogan “Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos”. Por grande que seja a tormenta, o sol volta a brilhar por entre as nuvens.

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SANDRA ELISA CARVALHO DIAS FARBO - Vista noturna de São João

Seu hobby favorito: FOTOGRAFAR

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SÃO JOÃO, FICA-FICA COMIGO

JOÃO SÉRGIO JANUSELLI SOUZA - Cadeira 25 – Patrono: Manuel Bandeira

Os olhos do menino-homem-velho não mais buscam a forma na cidadeDeformada vazia vaidade

Que ainda desfila esquizofrênica esquecidaNa passarela ilusória da Gertrudes, AvenidaQue ainda no natal acende incenso virtual

Para um príncipe cada vez mais batráquio e surreal Os sonhos shows há muito secaram na pista de dança

De juras de coração de criançaMas de juros muito altos para o Ego proletário dublê de John Travolta

Do Clube, não há mais voltaNem revolta

E a paixão de um sanjoanense só agora é outraÉ natureba, é Fica-Fica, sertaneja ultra

É no ritmo caudaloso do eterno – e quiçá despoluído- Jaguari poeta É sob a luz do crepúsculo luz colorida macrocolorada maravilhada

É nas curvas da Paulista, embriagada de boa cachaça, na Serra, Rola nova Moça,Com as benções de Valeriano

Não me enrola, me ama! Me ama? Te amo!Não há, oh gente, amor natural incondicional como este

Pela minha eterna São JoãoDa Boa Vista

Dá-me seu coraçãoPor que o meu?...

É só seu! É sóEu!

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FABIO LUIS VILELA PEREIRA - Vista do 2º andar do prédio do UNIFAE

Fábio graduou-se em Educação Física pelo UNIFAE em 2008. Há 8 anos, é funcionário concursado do UNIFAE, atuando no Lab-com, Laboratório de Comunicação Social, onde exerce função técnica junto aos professores e alunos dos cursos de Jornalis-mo e Publicidade e Propaganda.

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SÃO JOÃO EM VITRINA

JOSÉ CARLOS SIBILA BARBOSA - Cadeira 26 - Patrono Gregório de Matos Guerra

Palavras, ritmo, imagens, sentimento. São João ressonante, translúcida, confluência apolínea e dionisíaca.

São João da Gertrudes, São João das virtudes. Espaço pictórico emoldurado pelo de-senho irregular do Jaguari e pela imponência da Montanha, que unindo o Céu e Gaia, espreita do hori-zonte a geografia mágica.

São João das macaúbas e das vitrinas, de Palmeiras, Rosários e Pratinha. São João Es-portiva.

Mais que uma cidade, um estilo de vida, sempre renovado pela química dos costumes. É uma obra dos deuses para divinizar leituras e releituras.

São João das belezas que as mãos do artista emolduram.

São João do exuberante crepúsculo, redundância fascinante que inebria os passantes.

São João ecumênico, agasalho dos contrários.

Terra das belas, admiradas pelos nem tanto com tanto encanto, poema das esquinas e dos bares ao som bar bossa.

Ah, São João! Faltam-me palavras e tomo por empréstimo as imagens para narrar suas belezas e suas (in)certezas.

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ANA MARIA LOYOLLA BUENO ELIAS MACHADO - Santuário N.S. do Perpétuo Socorro

Ana Maria cursou Educação Artística na PUCC e Pedagogia na UNIFE-OB, em São João da Boa Vista. Como docente, foi colega do professor e artista plástico (visual) José Marcondes, o qual sempre a incentivou nas participações em eventos. Foi diretora efetiva de Escola de 1990 a janeiro de 2010. Atualmente leciona em escolas públicas.

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BOM DIA, SÃO JOÃO

ODILA DE OLIVEIRA GODOY - “in memorian” - Cadeira 15 – Patrono: Casimiro de Abreu

Manhã friorenta. A neblina ainda esconde o Sol que procura surgir, erguendo esse véu de gotinhas minúsculas e brilhantes. Seus raios medrosos penetram indiscretamente e a cidade sono-lenta, acorda. Acorde ouvindo o barulho brincalhão das rodas das carrocinhas nos paralelepípedos das ruas; os ruídos dos carros deslizando no asfalto; e o bimbalhar dos sinos das igrejas, convidando os fiéis às preces. Seus olhos se abrem pelas venezianas coloridas! Qual moça feliz, a cidade desperta. Desfaz sua camisola de bruma e oferece a face risonha ao astro amigo. Acha-se ela enfeitada pelas Praças bem cuidadas e floridas. Balões em policromia presos por frágeis cordéis ficam esvoaçando, acompanhados pelos olhares ávidos das crianças. A moça feliz canta pelos sons das buzinas de centenas e centenas de automóveis que passam em diversos sentidos.

E o seu grande Dia! Ela comemora mais um aniversário! Embevecida e orgulhosa, con-templa seus sonhos e ilusões tornarem-se realidade: nos arranha-céus, nas Faculdades, nas Escolas, no Comércio, nos meios de comunicação, no Progresso em geral e na alegria do povo.

Quer coisa mais linda quando o Sol se despede no horizonte numa policromia única, saudando-a com saudades?

A cidade se expande sorrindo de Norte a Sul e de Leste a Oeste com suas construções de fino gosto. Sua satisfação preconiza que novos dias virão para lançar o seu nome ainda mais alto, em todas as esferas seguindo a trilha do caminho social, espiritual, e material.

Nesta hora alegre e amiga, vamos fazer igual ao sol, saudar a cidade com uma saraiva-

da de Votos de Felicidades. BOM DIA, SÃO JOÃO! PARABÉNS A VOCÊ!

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OSEIAS BARBOZA DE SOUZA - Casa Rosa—Oficina Cultural Guiomar Novaes

Oséias é sanjoanense. Desde criança tira fotos, uma paixão que está se tornando profissão. Fez um curso rápido no espaço Guiomar Novaes no final do ano de 2009, mas quer fazer algo mais técnico. Participou do concurso justamente para inteirar–se dessa área e aprender mais sobre a arte da fotografia.

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SÃO JOÃO DA BOA VISTA - Jardim de Amor

FÁBIO CARVALHO NORONHA - “in memorian” - Cadeira 17 - Patrono: Francisco Paschoal

Preso entre um rio claro e silencioso

e entre corcovas másculas d’a terra,

floresce esse jardim esplendoroso,

guarida amiga ao viandante que erra...

- Queres ver o que é mágico e formoso?

Sobe, à tardinha, ao píncaro da serra:

Vê que CREPÚSCULO MARAVILHOSO!

E que mistério a mataria encerra...

Que gente amiga, que fraternidade!

Há tanta paz e amor, tanta amizade,

neste ninho de luz em que nasci,

que aos céus, nesta emoção, faço um pedido:

- Se eu tenho a glória de aqui ter nascido,

Deus, dá-me a glória de morrer aqui!

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SANDRA ELISA CARVALHO DIAS FARBO - Entardecer visto da Serra da Paulista

Seu hobby: FOTOGRAFAR

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TERRA DE LUZ

FRANCISCO ROBERTO ALMEIDA JR - “in memorian” - Cadeira 03 - Patrono: Alphonsus de Guimarães

São João da Boa Vista! Boa terracheia de luz, de encantos de magia,onde sorrindo a natureza encerrarecantos de um perfeito Paraísoque Deus um dia,quis reservar a esta boa gente.

Em teus campos verdes os ipês floridos,áureas flamas vivas ao fremir da aragem,são raios de teu sol aurifulgente,que ficaram encantados, esquecidos,brancando na paisagem...

Benditas auras benfazejos ventosguiaram um dia a minha nau viageiraa este porto amigoonde pode ancorar serena e mansano seguro abrigo,desta enseada de paz, de luz e de bonança...

Ave São João da Boa Vista!Luminosa pérola engastadana rubra terra fértil e abençoadadeste chão paulista!

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ALLINE GUIMARÃES PROCOPIO - Catedral vista pela janela do Theatro Municipal

Alline é pós-graduada em Comunicação Pública e empresarial pelo Instituto Nacional de Pós Graduação – IPG. É jornalista formada pelo centro universitário de São João da Boa Vista - UNIFAE e também formada em Letras com Licenciatura Plena em Língua Portuguesa e Língua Inglesa.

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JANELA DISCREtA

WILDES ANTONIO BRUSCATO - Cadeira 02 – Patrono: Ruy Barbosa

Por uma das janelas do Teatro Municipal com meia folha aberta, vislumbro um dos marcos da civilização da “Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos”: a torre do campanário da Igreja de São João Batista, elevada a Catedral com a instalação do Bispado.

Debrucei-me nessa nesga de metafórico olho e deixei-me conduzir pela saudade a admirar a estética formada pelos torreões e vi-me embalado pelo som do sino determinador do horário.

Recordo-me com um frêmito de prazer o bimbalhar metálico quando a Corte do Divino saía às ruas em desfile religioso. Ah! São João, minha São João, porque mudaste tanto? Eras pacata, hoje pujante, continhas habitantes conhecidos, agora poucos se conhecem. Cresceste...

Uma lufada me desperta desse sonho embalado pela visão da torre da catedral como jamais a houvera visto e me retirei daquela janela discreta, voltando às lides da vida pleno de novas esperanças estimuladas pelas singelas recordações revigoradas pela visão da torre que até então só havia olhado com insensibilidade.

Tal visão servirá para futuros olhares de sonhadores de novos tempos.

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ANA PAULA DE OLIVEIRA MALHEIROS ROMEIRO - Porta principal da Catedral

Ana Paula é graduada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo pelo Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino - UNIFAE (2006). É pós-graduanda em Marketing pela Universidade Paulista - UNIP, professora assistente do Laboratório de Comunicação da UNIFAE. Também desenvolve trabalhos na área de comunicação empresarial como: edição e diagramação de house organ, desenvolvimento de identidade corporativa e criação de campanhas publicitárias.

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LADAINHA

SÔNIA MARIA SILVA QUINTANEIRO - Cadeira 08 - Patrono: José Lins do Rego

Oh bendito padroeiro!

Orai por nós

Amparai nossos idosos

Orai por nós

Protegei nossas famílias

Orai por nós

Protegei nossas crianças

Orai por nós

Defendei nossas escolas

As poucas matas que restam

Nossos últimos mananciais

Nosso rio tão bonito

Nossa serra tão azul

Nossos ipês espalhados

Nossa Serra da Paulista

Os últimos casarões da cidade

Protegei contra a ganância os nossos corações

Orai por nós, São João Batista

Orai

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CINTHIA ESBRILE MORAES - Harmonia entre céu e terra—estrada da Fazenda Aurora

Cinthia gosta de ler, escutar música e adora foto-grafias. Todos da sua futura família participaram do concurso, assim como ela. Em um domingo, à tarde, foram tirar fotos pela cidade e região.

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SENTIR SÃO JOÃO

BEATRIZ VIRGINIA CAMARINHA CASTILHO PINTO - Cadeira 31 - Patrono Paulo Setúbal

Certo, são parte de mim

o pôr do sol que incendeia a cidade

e as montanhas azuis onde me perco/me encontro,

flanando por entre espaços

de Orides, Pagu, muitos mais,

ou ouvindo o silêncio

presente em sons de Novaes,

tocando as formas talhadas

por Fernandos e que-tais.

E então, singelamente,

minha São João me penetra,

incerta cor verde-azul

no céu, na serra, na selva

de aromas mantiqueiros:

foto que fica - e não dói.

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DAVIS BARRETO DE CARVALHO - Av. Durval Nicolau “Mantiqueira”

Davis trabalha na TV União, como Técnico Geral, onde começou como caboman e em seguida passou a cinegrafista. Foi ali que se interessou pela a arte da imagem, de olhar o mundo diferente, reparar em detalhes do dia a dia. Fez curso de iniciação fotográfi-ca no Senac de Poços de Caldas. Pretende aprofundar-se mais na fotografia, pois ela passa várias emoções e mensagens.

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AVENIDA MANTIQUEIRA

MARIA INÊS ARAÚJO PRADO - Cadeira 36 - Patrícia Rehder Galvão - PAGU

Da avenida Oscar Pirajá, rumo ao Bairro Alegre,Verdadeira alameda emerge:

Oficialmente, avenida Durval Nicolau,E, popularmente, avenida Mantiqueira.

Do nascente ao poente,Desfilam sonhos benditos,

Num vaivém cadente,Remédio para o agito.

Magnífica, a serra da MantiqueiraInspira poesia e prosa,Testemunha silenciosaDe quem amar queira.

Bairros crescem como flores:Nova São João, Recanto do Lago,Terras de São José, Morro Azul...

A cada dia, novas cores.

O comércio ali ganha força:Lojas, restaurantes, bares.

Já, academias e o Mantiqueira ClubeAlimentam a vida moça.

Avenida Mantiqueira,Com seus três mil metros*

E arvoredo em profusão,É um dos recantos diletos

Do povo de São João!

* A avenida Dr. Octávio da Silva Bastos dá continuidade a esse percurso.

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ERIKA BATISTA FRANCIOLLI - Catedral e o Mosaico Português

Érika, em Espírito Santo do Pinhal, estuda Biomedicina, área que lhe in-teressa bastante. Gosta muito de foto-grafar, de perceber lugares e ângulos novos.

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SEM TÍTULO

LUIZ ANTONIO SPADA – “Lassal” - Cadeira 28 – Patrono Guilherme de Almeida

Poste ao lado

subjugado

fico

A cantiga

Borbulha

Propala

Sob um olhar

Desabitado

Sob os pés

Um finito chão

Sob céu

Respiro

Inspiro

Indago

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FLÁVIA CASELLATO DE OLIVEIRA - Pôr-do-sol no Pico do Gavião

Flávia é fotógrafa amadora. Apenas, acha lindo esse tipo de registro, onde muitas gerações po-derão reviver as imagens dos dias atuais. Nesta foto, além do crepúsculo, marca registrada de nossa cidade, veem-se suas luzes acesas ao fundo.

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OS CREPÚSCULOS MARAVILHOSOS

NEGE ALÉM - Cadeira 35 - Patrono: Casimiro de Abreu

Sentado num dos bancos da praça, entre muitos pensamentos que lhe povoavam a ca-beça, Mauro deteve-se apenas em um – sua primeira visita a São João da Boa Vista, a cidade dos Cre-púsculos Maravilhosos -- e não foi por acaso. Desde muito, movido pela curiosidade de ver e sentir os tão decantados Crepúsculos, de que tanto ouvira falar, um dia chegou à cidade. Esperou o entardecer que, não raras vezes, costuma trazer ao humano não a alegria de radiosas manhãs, mas a melancolia da luz do dia que expira. Não tardou a sentir-se compensado com o deslumbramento que teve diante de tanta beleza no horizonte, até que o véu da noite veio apagar por completo o maravilhoso espetáculo que nunca antes contemplaram seus olhos.

Muitos anos se passaram depois daquela visita. Morando em lugares longínquos, nunca teve Mauro outra oportunidade de voltar a ver os Crepúsculos Maravilhosos de São João da Boa Vista, os quais conservou filmados na mente por longo tempo. Abençoada visita! Após conhecer e morar em várias cidades, um dia foi transferido justamente para trabalhar em São João da Boa Vista.

Cada cidade tem sua água com poderes milagreiros, e os orgulhosos filhos da terra não se cansam de discutir e apregoar os seus efeitos miraculosos, dentre eles este mais conhecido e repe-tido:

-- Quem beber da nossa água, jamais nos deixará!

Mauro bebeu das águas de tantos lugares onde morou ou visitou. Nenhuma, porém, teve o poderoso feitiço de retê-lo por tanto tempo como as do Rio Jaguari que banham São João da Boa Vista, cidade onde se radicou com a família e vive em paz há mais de trinta anos, entre gente boa e amiga.

E ainda não se fartou de contemplar os Crepúsculos Maravilhosos, nem de beber das águas do Rio Jaguari!

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JOSÉ rezende LOPES - Ipê amarelo na Rua da Saudade

José é farmacêutico, foi vereador por duas legislaturas, preso político em 1964, advogado, agricultor, memorialista e amante das artes. Gosta de fotografar e de escrever, principalmente, poesias.

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O TEMPO QUE PARECE NÃO PASSAR...

CLINEIDA ANDRADE JUNQUEIRA JACOMINI - Cadeira 43 - Patrono Rubem Braga

Um ipê florido, amigos a prosear, ao lado de um garapeiro alegre e gentil, na

porta ampla do cemitério. Que mistura feliz? Ou infeliz? A vida frente à morte; a morte à espera dos

vivos! Prazer e tristeza; alegria e desolação; burburinho e paz; dinamismo e inércia; doçura e amargura;

o ontem, o hoje, o manhã ...

O que é afinal a vida senão uma mistura de tudo isso no dia a dia corrido da

modernidade? A doçura da cana; a beleza da flor amarela, a palidez dos túmulos, a descontração das

pessoas e o sol a clarear todos os sentimentos humanos, explícitos ou nem tanto.

O tempo parece não passar; a cena poderia ser de meio século atrás ou de

agora; afinal, a beleza não tem hora para acontecer, seja ela rápida ou eterna.

Felicidade existe? Não; vivemos tão somente momentos felizes! E o ipê, a

“nossa” árvore nacional demonstra isso na efêmera singeleza de suas vibrantes flores amarelas.

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WALDENIR NEWTON SANCHES CARBONARA— Foz do Córrego São João no Rio Jaguari

Waldenir é professor de História aposentado, gosta de pes-quisar nesta área e publicou um Ensaio sobre a cidade de São João, para o qual utilizou algumas fotos antigas da cida-de. Essa tarefa foi difícil pois no passado não houve a pre-ocupação do registro das imagens locais. Participou desse concurso por gostar de acompanhar a evolução da cidade através da arte fotográfica como registro histórico.

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LEMBRANÇAS

VÂNIA GONÇALVES NORONHA - Cadeira 24 – Patrono: Vinicius de Moraes

O branco da paz que interfere no azul que descansa.

O verde que se arrasta e balança nos galhos frondosos.

O contorno das pedras estáticas no rio turvo que corre sem cessar.

O sol que brilha coroando a imagem revelada.

A lembrança que traz à memória frases de uma música há muito conhecida.

“E o esquecer era tão normal que o tempo parava.

Tinha sabiá, tinha laranjeira, tinha manga rosa”.

E o coração lá...

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ANA PAULA DE OLIVEIRA MALHEIROS ROMEIRO - O Crepúsculo e a Catedral

Ana Paula é graduada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo pelo Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino - UNI-FAE (2006). É pós-graduanda em Marketing pela Universidade Paulista - UNIP e professora assistente do Laboratório de Comunicação do UNI-FAE. Também, desenvolve trabalhos na área de comunicação empre-sarial como: edição e diagramação de house organ, desenvolvimento de identidade corporativa e criação de campanhas publicitárias.

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CONVITE A UMA PRECE

Pe. JOSÉ BENEDITO DAVID - Cadeira no. 21 – Patrono: D.Duarte Leopoldo e Silva

Crepúsculo maravilhoso,

ato de fé da criação.

Do alto Pai Amoroso, Deus conosco,

a cada instante,

olha por nós.

Confia, bendize, ó São João!

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RODRIGO CICONI TREVISAN - Praça Cel. José Pires—Jogo de truco

Rodrigo gosta muito de fotografia, principalmente de fotos feitas em macro. Vê a fotografia como uma arte para expressar sentimentos. Acha que cada pessoa tem seu próprio estilo, sua própria técnica, e sua própria visão para cada situação. Dentre seus principais hobbies, tem, a fotografia e a curiosida-de em conhecer lugares novos e diferentes em meio à natureza. Atualmente trabalha com fotografia, fazendo revelações, etc. Prefere fotografar algo do dia-a-dia de cada cidadão, e que muitas vezes passa despercebido.

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MOMENTOS DE VIDA

ANTONIO “NINO BARBIN - Cadeira 27 - Patrono: Érico Veríssimo

Mais do que no poema de Olegário Mariano, não “éramos três em torno à mesa”, mas quatro. E jogávamos truco, antigo jogo de cartas, que os mais sabidos dizem ter vindo de Portugal. Dois contra dois. Quem recebe o zápete, que é o quatro de paus, sai em vantagem. Seguem-lhe o sete de copas, o às de espada -a espadilha- e o sete de ouros. Depois vem a arraia miúda. Isto na chamada “mania véia”, para os íntimos. São várias rodadas, até completar a “queda”, exigindo muita habilidade, raciocínio rápido, sinais convencionais entre os parceiros. Quem sabe blefar leva grande vantagem.

Meu melhor parceiro em todos os tempos era meu primo Vitório. Éramos quase imba-tíveis. Tempos passados, bons tempos, apenas não sepultados pela saudade.

Hoje, quando passo de manhã pela Praça Cel. José Pires, que prolonga a Dª Gertrudes, volto no tempo, através das duplas que ali se revezam em suas mesinhas, no jogo de truco, fazendo o estardalhaço natural da contenda:

-Truco!

-Seis, vagabundo! Joga!

- Nove, ladrão de porco! Reboque de igreja “véia”!

Ao final, todos se confraternizam, satisfeitos, independentemente de quem ganha ou perde, desmentindo o que esta vida, plena de concorrência tenta nos impingir!

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JOSÉ MARCONDES - Estrada São João-Pinhal - Km3

José Marcondes é técnico de natação, professor de Educação Física, artista plástico, tem na fotografia seu hobby. Há décadas vem fotografando São João da Boa Vista, tanto seus monumentos como casarios, ruas, personagens e eventos culturais. Possui um grande acervo fotográfico.

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UM OLHAR SOBRE SÃO JOÃO

Ronaldo Frigini - Cadeira 01 – Patrono: Graciliano Ramos

Ao abrir a janela dos meus olhosVejo descortinar à minha frente

A grandiosidade do que tens:A realeza dos teus montes e o coração da tua gente.

O manto verde azulado da serraQue se desnuda depois da chuva finaTem a mesma e maravilhosa beleza

Do singular crepúsculo do dia que termina.

E na brisa suave das manhãsEnquanto os passos se perdem em afazeres

Pássaros cantam em alaridoComo a experimentar o melhor dos prazeres.

Penso então que por todo este cenárioNão há motivo para sair daqui,

Não mais desacreditando do que dizem:Bebeu das águas do Jaguari.

Por isso, no futuro, quando cerrar a janela dos meus olhosE na serenidade silenciar o coração

Terei vivido a intensa felicidadeDe ter feito parte de ti, São João.

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ANA LUCIA TARIFA QUINTANA - Morro do Castelo visto do alto da Serra da Paulista

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MÁGICA

CARMEN LUCIA BALESTRIN - Cadeira 33 – Patronesse Cora Coralina

A lente de algum artista capta a beleza. A alma poeta filtra os tons, a luz, a

sombra, as montanhas, a neblina.

É São João que irrompe em sua exuberância.

É São João para sempre fixado em nossa retina.

É São João não só do crepúsculo tão cantado em verso e prosa, mas de

amanheceres que, pouco a pouco, afugentam a noite. São raios tímidos de sol escancarando-se em

luz e anunciando a chegada do dia, com o frescor, com o cheiro macio da aurora.

É a mágica acontecendo para nós.

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FELIX MANOEL MATIELO CARNEIRO - Ponte do Arco

Felix é natural de Campinas/SP e reside em São João da Boa Vista desde os cinco anos de idade. Trabalha como vendedor de publicidade e é fotógrafo do jornal Chapéu de Palha e outros de nossa região. Hoje, a fotografia faz parte de sua vida profissional como forma de retratar diferente. Prefere fazer fotos sociais e em meio à natureza.

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ARCOS DE EMOÇOES

LAURO AUGUSTO BITTENCOURT BORGES - Cadeira 20 - Patrono Castro Alves

Cantante de raro talento que resplende nos tablados crepusculares, Silvia já gorjeou a dor do desterro. Na primeira década de vida, a labuta do pai no Paraná fez a infante descobrir o quanto a visão das luzes desta Sanja emociona os exilados quando eles retornam às margens do Jaguari.

Da urbe bandeirante Sumaré, Paulo pede a benção da Beloca uma vez por semana. Ele baixa na província para aprender o Aikido com um dos maiores nomes do Ocidente nesta arte marcial, o sensei Luiz Fernando Salvador. O mestre desta técnica do Sol Nascente escolheu nosso pedaço de belo Sol Poente para viver e ensinar.

João é um macaúbico de sobrenome vencedor no mundo empresarial. Cosmopolita, no recreio e na faina, ele conhece o planeta. Quando o coração aperta não há cura na efervescência cultural de Londres, nem no céu límpido da Côte d´Azur e muito menos nas cores e nos sabores peninsulares da Velha Bota. Ele só reencontra o calor do aconchego no pé da Mantiqueira.

Da Paulicéia, Eliza, uma lavradora poética, aterrissou há pouco nas alamedas de Madame Gertrudes. O breve período já foi inspirador de reverências líricas a este naco caipira da locomotiva do país. Ela louvou o som do vento que sopra da serra, sublimou a madrugada com lua, decantou o cacarejo do galo despertador e os miados felinos da vizinhança.

Na adolescência, sem direito de escolha, Ana Cláudia foi com a família para o exílio casa-branquense sentindo que o fim do mundo estava próximo. Tempos depois, casada e já dona do próprio nariz, voltou ao Crepúsculo para, com o marido, empreender manipulações químicas a serviço da estética e da saúde da plebe trabalhadora. Prosperou e fez história como a primeira mulher a presidir a Associação Comercial.

Muito mais do que ligar dois pontos geográficos, a Ponte do Arco junta e rejunta afeições de quem chega ou retorna a este torrão tão bem iluminado pelo Arquiteto celestial.

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FLÁVIA CASELLATO DE OLIVEIRA - Pôr-do-sol visto do Recanto do Bosque

Flavia fez curso Básico de Fotografia no CLAC em 2005 sob orienta-ção do prof. Rogério dos Santos. Teve foto vencedora do Concurso da Bunge - Serrana Fertilizantes com titulo “Natureza com Progres-so Industrial” em 2005 e trabalho fotográfico integrado com artes gráficas, presente na São João Decor (Área de Paisagismo). Tem também experiência de cinco anos em fotografia de esportes radi-cais (vôo livre, escalada, rapel).

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O CÉU DE SÃO JOÃO

FRANCISCO DE ASSIS CARVALHO ARTEN - Cadeira 10 - Patrono Darcy Ribeiro

Na pergunta de um amigo, que não conhece São João, percebo ironia e até um

pouco de irritação:

--Afinal, você fala tanto desta cidade, o que ela tem assim, de tão especial?

De imediato respondo, mostrando satisfação:

--Olhe este céu...! Olhe este sol...! Esta é a minha cidade! Tanta beleza provoca

na gente algo, dos demais, diferente: oração, reflexão, sensibilidade... Pensamos no criador, no encanto

da vida, na brevidade de nossos dias. E é por isso: porque toda tarde temos este encontro, este momento

de emoção que faz ser diferente o povo de São João.

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ANDRÉ FERREIRA CARBONARA - Contraste - Vista da Serra da Mantiqueira

André aprendeu a gostar de fotografar depois que a irmã Adriana participou de um concurso de fotografia realizado pela Prefeitura Municipal local, em 1998, no qual ela ganhou o 2º lugar. Como engenheiro mecânico, é louco por carros e gosta muito de fotografá-los, principalmente os próprios.

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OS VISITANTES

CLOVIS VIEIRA - Cadeira 44 - Patronesse Cecília Meirelles

2010 – O grupo de peregrinos desloca-se em direção à latitude 21º58’09” sul, longitu-de 46º47’53” entrando na região cristalina da Serra da Mantiqueira. A região que esse pessoal busca ocupa as primeiras colinas dessa área, que se elevam, gradativamente, até o rebordo de um grande planalto.

Embora possam ser chamados de ‘peregrinos’, os pesquisadores que caminham sob esse sol de janeiro não vestem trajes típicos daqueles caminhantes originais: estes estão tecnologica-mente paramentados, dentro de verdadeiras armaduras protetoras feitas de tecido inteligente.

Protegidos e monitorados desde o seu local de origem, seu organismo é controlado por chips biológi-cos a cada passo dado nesse terreno acidentado, de difícil caminhada. Nada deverá interromper sua pesquisa, iniciada em 2095, como trabalho pedido por professores exigentes na Universidade Sideral “Cosmos Inc.”.

A devastação ocorrida dez anos antes (em 2085), neste mesmo local onde ora trope-çam nos seixos e terreno úmido, foi o motivador principal dessa sondagem. A viagem no tempo, que acontece como um flash fotográfico, deslocou para o passado pessoas em busca da reconstrução do que foi perdido.

Já é grande a surpresa ao chegarem: ar puro, temperatura cálida, o silêncio... Depois, o ruído de pequenos animais (aqui neste tempo ainda são abundantes), o correr dos riachos de água pura, o som dos próprios pés sobre a relva, sobre folhas secas...

O líder do grupo, Prof. Spencer, pressente a aproximação do destino em busca do qual vieram através das décadas: como sensitivo especial, tem no seu plexo-solar a melhor bússola e o mais claro mapa. O seu trabalho é este, encontrar destinos, apontar para o alvo.

Ele apenas não soube preparar a emoção dos demais viajantes, seus companheiros, para o que estava oculto pela colina à frente. Não pode avaliar a intensidade do impacto da próxima cena. Assim, todos já arfantes de cansaço e ansiedade, guiarem-se pelas indicações do Mestre e subi-ram quase correndo o pequeno morro para, maravilhosamente, preencher os olhos com a mais bela visão.

Tudo o que havia sido inevitavelmente perdido estava ali, a sua frente, uma visão es-petacular, de roubar o fôlego, de paralisar o coração, de emocionar às lágrimas.

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ISMAEL NILTON VISCHI - Serra da Paulista

Ismael diz que o prazer em fotografar está na beleza de ter a opor-tunidade de registrar momentos únicos. Fotografa a natureza em geral, como exemplo: as orquídeas que cultiva, que representa um hobby adquirido quando jovem. Escolheu para esse momento, a foto que melhor representa “seu olhar sobre São João”, pois o que mais admira é a natureza tão bela, um lugar desenhado por Deus e admirado pelos homens!

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CHEGADAS E PARTIDAS

SÉRGIO AYRTON MEIRELLES DE OLIVEIRA - Cadeira 22 - Patrono: Mário Palmério

Nunca sei se estou indo ou voltando, mas sempre sei para onde ir. Vou sempre para

onde o vento me levar e o olhar me permitir ver a boa vista que procuro e sempre acho. Se for para a

direita ou para a esquerda sempre me falta ir para frente e para a ré. Se for para o norte ou se for para

o sul, leste ou oeste, nem me dou conta.

Quem me leva é o coração, sem mapa nem rota. Vou levando com a paixão que me

resta da vista que a emoção alcança. Nada peço, a natureza me supre com o sol que me aquece a com

lua que me conforta. Nestas estradas, onde o solo é rico e a paisagem é deslumbrante, viajo sossegado

e protegido, na certeza de chegar a um porto seguro.

Nesta estrada, ascendente, alisada, cortando a verde pastagem, convida segui-la,

promete encontrar a paz que a proximidade do infinito produz. A estrada me leva ao sonho de amar a

mulher certa, no lugar exato, na época oportuna. Se não encontrar a musa nem o pote de ouro no final

do caminho, terei me apaixonado pela beleza do pôr-do-sol, com vontade de voltar.

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HEDIENE ZARA - Arcanjo Gabriel - obra de Fernando Furlanetto

Hediene em 2007 assumiu suas funções no Arquivo Histórico, onde é Secretário. É autor do documentário “Rua da Saudade”, com dados históricos sobre o Cemi-tério São João Batista, que será lançado no próximo mês de junho. Sua segunda resenha histórica, especial para o Departamento de Cultura, já está em fase de pesquisa. Esta é a primeira vez que participa de um concurso fotográfico.

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SEM TÍTULO

Teófilo Ribeiro de Andrade Filho - Cadeira 14 - Patrono: Afonso d’Escragnolle Taunay

Aqui está mais uma bela obra do grande escultor sãojoanense Fernando

Furlanetto. Ao contemplá-la sobre o túmulo no Cemitério Municipal de São João, o observador logo

concluirá que se trata de homenagem à memória de ilustre jurista ali inumado.

Com efeito, ali estão, sobraçadas por um anjo, a Espada e a Balança, símbolos

tradicionais da Justiça, e, ainda, um livro, sem dúvida, o Livro da Lei. A Balança acha-se deslocada e o

Livro fechado, sinais de respeito pelo passamento do seu ilustre servidor. Ao conjunto preside a Cruz de

Cristo, sinal da ressurreição daquele que foi fiel cumpridor da vontade do Pai. O escultor unia forma e

fundo, na perfeição.

É o túmulo do Dr. Gabriel Pio de Loyolla, primeiro Juiz de Direito da Comarca,

que exerceu o cargo por 19 anos, de 1891 a 1910, cuja morte ensejou diversas homenagens ao

extinto, quer no próprio Fórum, onde, por iniciativa do Corpo de Jurados, o seu retrato foi colocado

no salão principal, quer na Câmara Municipal, por iniciativa do Dr. Theophilo Ribeiro de Andrade, que

aludiu ao “amor à causa da Justiça”, à “competência, evidente imparcialidade e notória probidade”

com que o extinto exerceu o cargo (cfr. José Osório O. Azevedo, “História Administrativa de SJBV.” 2ª

ed, pág. 270).

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HELIO DE OLIVEIRA - Sede do Palmeiras na Av. Dona Gertrudes

Hélio é estudante de pós-graduação em Lingüística na Uni-camp. Quanto à fotografia, considera-se amador em todos os sentidos da palavra. Amador por não ser profissional, mas também por amar a possibilidade (e a arte) de sempre ver as coisas como se fossem pela primeira vez.

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SEM TÍTULO

RONALDO FRIGINI - Cadeira 01 – Patrono Graciliano Ramos

A tua história refletida faz o tempo voltar como num sonho para confirmar a luta dos

teus primeiros para formar-te grande.

Gestada nas linhas de mestres daqui e de além mar, a tua maturidade física e intelectual

desponta em labores de gloriosos dias.

Das dificuldades de então sobressai com orgulho o cuidado dos teus filhos ao legado

que a história escreveu sobre um povo que luta, canta e encanta por onde leva e eleva teu nome.

Tantos desbravadores de uma época deixaram o exemplo para os que vieram depois;

fincaram as raízes profundas de um tempo que ainda se faz presente.

E no majestoso porte de tuas palmeiras tocando o azul do céu mostras, como um farol,

o rumo que queres de todos nós:

Avançar sempre mais na modernidade do hoje, mas não esquecer o ontem marcado

na fronte como a relembrar a necessidade de conviver em harmonia.

Bela és tu São João desta boa vista...

Que cada qual seja digno de ocupar um lugar no futuro do teu destino.

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MARIA CECILIA G. FERREIRA CARBONARA - Fazenda Paradouro

Maria Cecilia é bancária aposentada, gosta muito de admirar a natu-reza, especialmente a de nosso município. Sua primeira ideia para o concurso de fotografia foi exatamente fotografar a presença do ho-mem na quietude da vida rural, onde é maior o contato com a na-tureza. Também gosta de leitura, trabalhos manuais e participar de trabalho voluntário.

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SEM TÍTULO

CELINA MARIA BASTOS VARZIN - Cadeira 23 - Patrono: João Guimarães Rosa

Casinha humilde e simples, de colônia de fazenda antiga, remete ao tempo de criança,

quando a vida era pacata, calma como o balançar de uma cortina de algodão alvejado. A vida era

segura, perfumada pelas rosas e flores de um jardim sem pretensões, mas adubado com amor.

Eram assim as casas das antigas colônias de muitas fazendas, aqui de São João da

Boa Vista, habitadas por pessoas trabalhadoras, famílias unidas, que construíram a cidade que temos

agora.

Se tinha pouco conforto, paredes pintadas de cal, janelas de madeira sem vidros,

mesmo assim, era abrigo amigo, com suas cercas de bambu, portão de madeira.

Construção quase padrão, do início do século passado, não é encontrada com facilidade,

quase todas foram derrubadas, dando lugar a um novo padrão de construção, ficando a casinha do

colono apenas nas nossas recordações.

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OSÉIAS BARBOZA DE SOUZA - Theatro Municipal - Semana Guiomar Novaes

Oséias desde criança tira fotos, uma paixão que está se tor-nando profissão. Fez curso rápido no espaço Guiomar Novaes no final do ano de 2009, mas quer fazer algo técnico. Está par-ticipando deste concurso justamente para inteirar-se na área e aprender mais sobre esta arte.

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CASA DAS ARTES

DONISETE TAVARES MORAES OLIVEIRA - Cadeira 38 – Patrono Gonçalves Dias

São João da Boa Vista: sua beleza notável e clima agradável levaram Caruso Neto a

denominá-la “Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos”.

São João da Boa Vista: seus habitantes passados, preocupados com as artes, idealizaram

e edificaram o majestoso e eclético prédio do Teatro Municipal.

São João da Boa Vista: celeiro de artistas talentosos e internacionalmente famosos;

dentre tantos, Guiomar Novaes, pianista cujo talento amalgamou-se à História, sanjoanense digna de

aplausos na “Semana Guiomar Novaes”.

“E quando vierem os cantores e os bailarinos e os flautistas, comprai de vossas ofertas”,

cujos produtos são a “vestimenta e alimento para vossas almas” (Kalil Gibran).

Teatro Municipal de São João da Boa Vista: Casa das Artes. Reduto dos Artistas. Deleite

da Alma.

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VIVIANE MACEDO ALVES - Jardim da Fazenda Cachoeira

Viviane ama fotografias, tanto ver como tirar. Acredita que as fotos nos deixam recordações de tudo o que temos de melhor. Com toda certeza, quem inventou a fotografia pensou nisto, retratar em imagem momen-tos importantes, que não queria que ficasse somente na memória, mas partilhar com várias pessoas, o que se viveu ou se viu. Sempre que pode viajar, procura uma paisagem, ou algo que a faça lembrar com carinho dos momentos que viveu.

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FAZENDA CACHOEIRA

JOÃO BAPTISTA SCANNAPIECO - Cadeira 17 - Francisco Paschoal

É uma fazenda centenária. Pertenceu a Dona Anna Gabriela de Oliveira (1908)..

O belo jardim, que observamos na foto, é fruto do carinho e capricho da herdeira, sua filha Maria Inês

de Oliveira (Tita), que, além deste jardim, plantou o pomar nos fundos “da casa grande.” O jardim e o

pomar eram seus lugares preferidos, dentro da histórica fazenda.

Situada em um vale, formado por duas gigantescas vertentes da Serra do Caracol ou

da Fartura a fazenda, tem seu nome ligado a suas altas quedas de água, que se lançam para o fundo do

amplo vale. No horizonte, vemos a bela moldura desta paisagem!

É o espigão da Mantiqueira, que serve de divisa aos Estados de São Paulo e Minas

Gerais. Hoje, a Fazenda Cachoeira pertence, por doação, ao Bispado de São João da Boa Vista.

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MARCIO DAROZ FRANCIOLLI - Monte Castelo - visto da Serra da

Márcio comprou livros de fotografia, estudou a parte técnica a fundo e comprou uma máquina fotográfica semi-profissional para colocar em pratica tudo o que aprendeu no estudo para o concurso. Este seu pri-meiro premio e ficou engrandecidamente feliz. Seus hobbies são tirar fotos, tocar violão e curtir a natureza em locais exóticos, cachoeiras... Acredita que conhece quase todas as cachoeiras de São João.

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MEU SÃO JOÃO

EDIVINA NORONHA ANDRADE - “in memorian” - Acadêmica Honorária

É uma beleza quando aqui na minha terraA lua espiando atrás da serra

toda envolta num clarãoNo silencio dessa noite enluarada

a cantar para a lua amadavou quebrando a solidão...

Estas belezas do meu São Joãoeu cantarei sempre... numa canção...

Gosto de ouvir a voz do Jaguarycomo criança junto a um velho bambual,

gosto das árvores quando o vento assobiauma doida sinfonia quando chega o temporal...

Estas belezas do meu São Joãoeu cantarei sempre... numa canção...

Gosto da tarde, quando o lindo sol radiosovai tombar, todo vaidoso,

e no horizonte se esconder...e as brancas nuvens de doirado

vão tingindo, como poeira de ouro,

caindo em São João ao entardecer

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WELSON APARECIDO DONISETE BARRETO - Vista aérea de São João da Boa Vista

Welson é natural de São Pedro do Ivaí/PR e é morador de São João da Boa Vista desde 1983. É Coordenador Logístico e piloto de avião. Seus hobbies são: fotos, principalmente, aérea e panorâmica. Gosta de mostrar o outro lado da cidade. Tem certeza de que, quem bebe desta água jamais a esquece. Esta foto mostra a visão que ele tem da cidade quando chega e a alegria de sempre sentir a felicidade de dizer “puxa, estou em casa!”

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UMA CIDADE EM FORMA DE AQUARELA

JOÃO OTÁVIO BASTOS JUNQUEIRA - Cadeira 19 - Patrono Paulo Freire

À primeira vista parece uma foto, mas este local existe? Apenas na representação do

talento de um artista uma cidade assim poderia ser real.

A tela nos permite imaginar que nesta bela cidade haveria riquezas naturais, clima

agradável, um rio margeando a cidade e uma lenda criada em torno do poder de suas águas – reter no

lugar encantado o viajante que chega e bebe de suas águas.

Habitaria esta cidade um povo bonito, alegre, cordial e educado que chamaria atenção

dos visitantes nos mais simples gestos como respeitar a faixa de pedestres. Um povo marcado pela

solidariedade de seus cidadãos para como seus conterrâneos.

A musicalidade fluiria no ar, como a brisa da serra, vinda de seus artistas nascidos na

terrinha e dos acolhidos por esta generosa cidade-mãe.

Esta cidade seria progressista e conservadora, pulsante e calma, bucólica e moderna e,

sobretudo, viva.

Haveria uma música criada em sua homenagem. Seria a “Aquarela Sanjoanense”,

composta por um Silas de Oliveira sanjoanense e imortalizada por um Martinho da Vila dos Crepúsculos

Maravilhosos, slogan perfeito para as tardes sanjoanenses.

Se este local existisse, eu adoraria nele viver e teria muito orgulho em ser seu filho... e

sou!

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HEDIENE ZARA - “Cidadão feliz”

Hediene é escritor e tem mais de trezentos artigos publicados na imprensa. Foi premiado por poesias, contos e crônicas, em diversos concursos. Tem, ainda, duas peças teatrais de sua autoria. Fez cur-sos de fotografia (Oficina Cultural Guiomar Novaes), Organização de Eventos (USP – CECAE) e Direito (Unifeob). Trabalhou como repórter e está na Prefeitura Municipal de São João da Boa Vista desde 2005.

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SÃO JOÃO DA BOA VISTA

MARIA JOSÉ GARGANTINI MOREIRA DA SILVA - Cadeira 39 – Patronesse Clarice Lispector

São JoãoCidade metrópoleDe furlanetos, arriguccisDe marcondes e noronhasEm se tratando de arte!

São JoãoDe grandes educadoresDe saras, matildes, adélias Que no que tange ao ensinoSão exemplos de professores!

São João De grandes expoentesNos ramos os mais diferentesBerço da serra azuladaPor todos nós admirada!

São João De todos nósDe ontemDe hojeDe sempre!

São JoãoCidade de tantos joõesCidade de tantos josésCidade de tantos joaquinsDe muitos homens, enfim!

São JoãoCidade faceiraDa Serra da MantiqueiraDos céus estrelados E horizontes iluminados!

São JoãoDe mulheres sem precedenteDe Guiomar efervescenteDe Pagu irreverenteDe Orides tão silente!

São JoãoDas mulheres guerreirasDas marias, sguassábiasJaçanãs e maísasE tantas outras anônimas!

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WELDRON DA SILVA FARIA—Vitral da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Weldron é natural de Andradas/MG e é técnico em Enfermagem. Pretendeu captar um momento de fé, reflexão e enorme beleza artística, onde a própria igreja encontra-se retratada na imagem do vitral.

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GRATIDÃO

EMÍLIO LANSAC TOHA - “in memorian” Cadeira 09 - Patrono: Raul de Leoni

Fiandeira febril de juras esquecidas,

A vida nos reserva, ingente, a amargurada

Tormenta de ilusões, em breve esmaecidas,

Em troca da ventura em vão por nós sonhada.

Mas no vergel da prece, — em preces revividas,

Encontra o coração, ao leu, cada alvorada,

Consolações de paz, tão meigas e sentidas,

Como lírios florindo, à sombra, na baixada.

Arde, Senhor, na luz de Teu amor acesa,

Leve um círio de crença, — o sol que ainda me deste

E há um pedaço de pão de trigo em minha mesa.

Sentindo a dor e vendo a pena de outros lares

É que percebo, enfim, a dádiva celeste

Do modesto quinhão que eu tive entre os meus pares.

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PAULA CONTI DE OLIVEIRA FREITAS - Rua Saldanha Marinho—Casa Alemã

Paula é estudante do 3º ano de Jornalismo no UNI-FAE e é apaixonada pela arte da fotografia.

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SEM TÍTULO

JORGE GUTEMBERG SPLETTSTOSER - Cadeira 34 - Patrono: José de Alencar

Tempo, viagem, alemães, sonho

Brasil

Trânsito, migração, trabalho, desencantos

São João da Boa Vista

Encontros, realizações, tempo, construção

Casa

Monumento, cultura, sabedoria, marco

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MAURICIO RAMOS DO CANTO - Igrejas Catedral e Rosário

Mauricio nasceu em São Caetano do Sul/SP e reside em São João desde 1973. É publicitário e tem a fotografia como hobby. Sempre anda com uma máquina fotográfica registrando tudo ao redor. Atualmente faz curso de fotografia em Campinas, para aprender novas técnicas.

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MARCO ZERO

ERNANI DE ALMEIDA PAIVA - Cadeira 45 - Patrono: Barão de Mauá

Ante a linda foto em que, em primeiro plano aparece a torre da Igreja Catedral de

nossa cidade, e ao lado, como se muito próxima se localizasse, a Igreja do Rosário.

O que me vem à mente, à primeira vista, é o aspecto religioso, a fé, materializada

nos prédios dessas duas igrejas. Ao redor das mesmas, como que rendendo graças à altivez da

imponente torre da Catedral, as casas dos moradores de São João da Boa Vista, nas proximidades

desses templos.

Mais além, o campo dá um toque bucólico e romântico a essa esplêndida foto, que ao

fundo, apresenta a magnífica Serra da Mantiqueira, cartão de visitas de nossa cidade. Com exclusão da

vegetação, não aparecem outros seres vivos nessa fotografia, nem seres humanos, nem animais, como

o gado, que normalmente aparece nos pastos, sempre com a cabeça abaixada, comendo e ruminando,

para novamente comer e ruminar, num movimento repetitivo, ao longo do dia. Mas, nesse pasto, não

há nenhuma cabeça de gado.

Ao olhar mais vagarosamente para as paisagens, urbana e rural, à minha frente

apresentadas, posso até mesmo, além de sentir, também, ouvir o silêncio.

É como se tudo parasse por um instante, nem o vento soprasse, transmitindo a quem

fixa o olhar, uma grande paz e reflexão no poder temporal da Igreja, representado pela imponente

torre da Catedral, e na grandeza absoluta e universal do poder Divino, que tudo criou, e que nos conduz

sempre para o alto, para o sublime, para o eterno e para o perfeito, o supremo poder do Criador.

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NILTON J. QUEIRÓZ — Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Nilton leciona Fotografia para as turmas de Propaganda e Publicidade e Jor-nalismo na UNIFAE (São João da Boa Vista). Em São Paulo, lecionou durante dois anos nas áreas de Comunicação Social (Jornalismo) e Propaganda e Pu-blicidade, na UniSantana. Além disso, trabalhou durante quinze anos como repórter fotográfico, nos jornais Diário de São Paulo (ex-Diário Popular), O Estado de São Paulo, Metrô News, Folha Metropolitana, entre outros. Em Brotas, ministrou o Curso Básico de Fotografia, em parceria com a Associa-ção Comercial e Industrial.

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JOSÉ DA ROSA COSTA - Cadeira 16 - Patrono: Olavo Bilac

“Que é quando ninguém mais há por aqui”, apenas o luar clareando no espaço, tanto

assim que não mais se faz ouvir qualquer cadência da turbulência diurna, sentindo que, pela noite, as

horas já fogem.

E, no que foi um espaço azul, agora já tingido pela negrura, percebe-se apenas o cintilar

de vacilantes estrelas pelas distâncias eternas, deixando firme que, os astros que até então enlevavam

nossas vistas, vão, aos poucos, apagando seus fulgores, seus brilhos.

O sussurrante remanso assume.

Assombra.

Nesse ermo monumental, de esferas incomensuráveis, a procura de um farol, a vencer

o assustador silêncio da natureza, prevalece sobre a calada da noite astral.

O embate das luzes artificiais, então, assoma com um marco a resplandecer

vitoriosamente sobre os temores, indicando os rumos necessários para o fulgor, para a renovação da

lida, resplandecendo o santuário e mostrando-se com a certeza de um Perpétuo Socorro.

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MARCOS JOSÉ SILVA - Peregrino no alto da Serra da Paulista

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EM BUSCA DO ARCO-IRIS

CLOVIS VIEIRA - Cadeira 44 – Patronesse Cecília Meirelles

Não, não importa a extensão da caminhada! Vou conversando com o meu cajado e tirando da mochila alimento para a minha alma. Sei que a cada passo adiante, vou deixando para trás o conforto do meu destino de origem.

É preciso correr contra esse tempo atroz e obscuro que move um tremendo poder: o de arrancar de toda gente o brilho do olhar e o pulsar do coração. É preciso que o meu herói adorme-cido desperte do seu sossego e me venha em socorro.

Aluno que sou, me cabe essa missão de ensinar o afeto, de reinaugurar a gentileza nas mentes que foram cegadas para a luz. E esse intento me faz rever esses mesmos sentimentos que me foram ofertados um dia. Presentes de amor.

Vista daqui, da altura das minhas intenções, aquela cidade parece mansa. Seus ho-mens e mulheres e crianças e velhos estão silenciados pelo tremendo poder, mas isso não se mostra desse ponto da minha viagem. Eu preciso chegar logo ao próximo destino.

O primeiro povoado em que meus pés pousarem precisa querer me ouvir, me enten-der... e precisa desejar espalhar a boa-nova que trago. O povo - ainda gentil - em que eu pousar os meus olhos e fazer ouvir a minha voz precisa manter a sua força e desfraldar bandeiras e tocar o sino.

No entanto, até que lá eu chegue, me persegue o risco de ser pego a caminho. Em minha ânsia de logo chegar vou tropeçando em pedras, cruzando riachos, conhecendo trilhas... O que me guia é o compromisso de não permitir que o tremendo poder se mantenha.

Antes que o dia se torne noite, e que a canção ser converta em lamento, eu preciso chegar e preciso ensinar a lição e preciso que as pessoas a aprendam. Peregrino e portador que sou da luz do amanhã, não posso precisar do afago. Essa riqueza virá quando eu cumprir com a missão.

É por isso que caminho incansável. Não importa que o tremendo poder tenha tirado a cor da vida.

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MARCIO DAROZ FRANCIOLLI - Serra da Paulista

Márcio adora fotografia. Gosta de fotografar paisagens, natureza, cachoeiras e bichos. Interessou-se mais pela fotografia quando pres-tou um concurso para fotógrafo da Policia Cientifica de SP em 2008, (cheguou até a última fase do concurso). Seus hobbies são tirar fo-tos, tocar violão e curtir a natureza em locais exóticos e cachoeiras. Acredita que conhece quase todas as cachoeiras de São João.

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VEDIONIL DO IMPÉRIO - cadeira 41- Patrono: Lima Barreto

“Le silence éternel de ces espaces infinis m´effraie” Pascal

Aterroriza a ti, Pascal, a mim, a mim “m’enchante”!

É a imensidão do infinito em contraste com a pequenez da matéria; a mão do

Criador em oposição à obra do homem.

Sintonia das diferenças compondo a exuberante sinfonia do Universo!

O artista recebe um sopro de genialidade de Deus e retrata o silêncio, o infinito,

o eterno!

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acadêmicos:

Ana Lúcia Sguassábia Silveira Finazzi

Antônio “Nino” Barbin

Antonio Carlos Rodrigues Lorette

Antonio de Pádua Barros

Beatriz Virginia Camarinha Castilho Pinto

Carmen Lúcia Balestrin

Celina Maria Bastos Varzim

Clineida de Andrade Junqueira Jacomini

Clóvis Vieira

Donizete Tavares Moraes Oliveira

Ernani de Almeida Paiva

Eurico de Andrade Azevedo

Francisco de Assis Carvalho Arten

Gilda Magalhães Nardoto

João Baptista Scannapieco

João Batista Rozon

João Otávio Bastos Junqueira

João Sérgio Januzelli de Souza

Jorge Gutemberg Splettstoser

José Benedito Almeida David

José Carlos Sibila Barbosa

José Osório de Azevedo Júnior

José Rosa Costa

Lauro Augusto Bittencourt Borges

Lucelena Maia

Luiz Antonio Spada

Maria Cândida de Oliveira Costa

Maria Cecília Azevedo Malheiro

Maria Célia de Campos Marcondes

Maria Inês Araújo Prado

Maria José Gargantini Moreira Silva

Nege Além

Neusa Maria Soares de Menezes

Plínio de Arruda Sampaio

Rodrigo Alexandre Rossi Falconi

Ronaldo Frigini

Sérgio Ayrton Meirelles de Oliveira

Silvia Tereza Ferrante Marcos

Sonia Maria Silva Quintaneiro

Teófilo Ribeiro de Andrade Filho

Vânia Gonçalves Noronha

Vedionil do Império

Wildes Antônio Bruscato

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Comissão Julgadora:

ALFREDO NAGIB FILHO (FRITZ) É paulistano e estudou Direito e Jornalismo (sem concluir) na USP, e fotografia e artes na Weber State College de Utah, USA. Iniciou a carreira de fotógrafo profissional em 1978, com um ensaio editorial para uma revista de motocicleta da editora Pedro Paulo Popovic. Passa a publicar trabalhos fotográficos nas editoras Abril, Bloch, Rio Gráfica (Globo), Editora Três e em diversos órgãos da imprensa alternativa. Trabalhou como fotógrafo e produtor na Fathom Filmes de São Paulo. Foi curador da II Semana Fernando Furlanetto e curador de fotografia da III Bienal de Artes de São João da Boa Vista. Desde 1989 mora em São João da Boa Vista/SP, onde tem um estúdio fotográfico e desenvolve projetos culturais.

CLARA GIANELLI Fez o Curso Básico de Fotografia, pelo Departamento de Multimeios da UNICAMP em 1985. Membro do Núcleo de Fotografia de Campinas (NUFCA). Foi docente do Curso Básico de Fotografia no SENAC de São João da Boa Vista. Atualmente desenvolve pesquisa e documentação fotográfica da cultura popular brasileira e suas diversas manifestações nas festas religiosas e profanas em várias regiões do país. Já fez inúmeras exposições, sendo que a última foi “BOI DO MARANHÃO”, realizada no CLAC-Centro Livre de Arte e Cultura, em 2009.

CLOVIS VIEIRA Fotografa como hobby desde os 15 anos (década de 1960), começando com uma câmera Kodak “caixão”, captando imagens em preto e branco. Já possuiu diversas câmeras fotográficas analógicas, algumas profissionais, aprendendo a revelar seus próprios negativos e cópias. Realizou exposições com seus trabalhos nas décadas de 1970 e 1980. Trabalhou como produtor fotográfico de inúmeros books para jovens modelos sanjoanenses.

FRANCISCO DE ASSIS CARVALHO ARTEN Advogado, jornalista e escritor, autor dos romances “O Prefeito e o capeta” e “Nos Campos de São João”, professor de Jornalismo na UNIFAE e de Direito Constitucional na UNIP. Fez o curso Pós graduação em Linguística e Educação na UNICAMP. Cursou Mestrado em Comunicação e Mercado na Cásper Líbero e doutorado em Semiótica na PUC-SP. Produtor dos vídeos documentários: João Negrinho, A primeira Turma, 50 anos, Colégio Santo André e Maria Sguassábia, em fase de produção.

KAUÊ DE OLIVEIRA Nasceu em Curitiba, estudou no Colégio Martinus até o 2° grau. Foi nessa escola que fez seu primeiro curso de fotografia e desde então não parou de se atualizar com livros e informações na internet (que considera uma fonte muito rica nesta área). Quando se mudou para São João, fez o curso Sistemas de Informação na UNIFAE, começando a trabalhar na Trick Foto (loja da família), onde decidiu ser fotógrafo. Hoje, além de revelar fotos cobre eventos como casamentos, aniversários, noite de autógrafos etc.