salmos - moody

Click here to load reader

Post on 02-Feb-2016

330 views

Category:

Documents

15 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY

TRANSCRIPT

  • SALMOS Introduo Esboo Cap. 1 Cap. 31 Cap. 61 Cap. 91 Cap. 121 Cap. 2 Cap. 32 Cap. 62 Cap. 92 Cap. 122 Cap. 3 Cap. 33 Cap. 63 Cap. 93 Cap. 123 Cap. 4 Cap. 34 Cap. 64 Cap. 94 Cap. 124 Cap. 5 Cap. 35 Cap. 65 Cap. 95 Cap. 125 Cap. 6 Cap. 36 Cap. 66 Cap. 96 Cap. 126 Cap. 7 Cap. 37 Cap. 67 Cap. 97 Cap. 127 Cap. 8 Cap. 38 Cap. 68 Cap. 98 Cap. 128 Cap. 9 Cap. 39 Cap. 69 Cap. 99 Cap. 129 Cap. 10 Cap. 40 Cap. 70 Cap. 100 Cap. 130 Cap. 11 Cap. 41 Cap. 71 Cap. 101 Cap. 131 Cap. 12 Cap. 42 Cap. 72 Cap. 102 Cap. 132 Cap. 13 Cap. 43 Cap. 73 Cap. 103 Cap. 133 Cap. 14 Cap. 44 Cap. 74 Cap. 104 Cap. 134 Cap. 15 Cap. 45 Cap. 75 Cap. 105 Cap. 135 Cap. 16 Cap. 46 Cap. 76 Cap. 106 Cap. 136 Cap. 17 Cap. 47 Cap. 77 Cap. 107 Cap. 137 Cap. 18 Cap. 48 Cap. 78 Cap. 108 Cap. 138 Cap. 19 Cap. 49 Cap. 79 Cap. 109 Cap. 139 Cap. 20 Cap. 50 Cap. 80 Cap. 110 Cap. 140 Cap. 21 Cap. 51 Cap. 81 Cap. 111 Cap. 141 Cap. 22 Cap. 52 Cap. 82 Cap. 112 Cap. 142 Cap. 23 Cap. 53 Cap. 83 Cap. 113 Cap. 143 Cap. 24 Cap. 54 Cap. 84 Cap. 114 Cap. 144 Cap. 25 Cap. 55 Cap. 85 Cap. 115 Cap. 145 Cap. 26 Cap. 56 Cap. 86 Cap. 116 Cap. 146 Cap. 27 Cap. 57 Cap. 87 Cap. 117 Cap. 147 Cap. 28 Cap. 58 Cap. 88 Cap. 118 Cap. 148 Cap. 29 Cap. 59 Cap. 89 Cap. 119 Cap. 149 Cap. 30 Cap. 60 Cap. 90 Cap. 120 Cap. 150

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 2 INTRODUO

    Natureza. Entre todos os livros da antiguidade, nenhum tem

    agradado tanto ao corao humano como Os Salmos. Em nenhum outro livro da Bblia podemos encontrar tal variedade de experincias religiosas. Aqui o corao de Israel foi desnudo em mltiplas expresses de f, pois Israel conheceu experimental, mente a verdade da revelao de Deus. Nos diversos Salmos, o conhecimento que Israel tinha dos dias passados uniu-se adorao e assim recebeu permanncia. A experincia dos indivduos est aqui ligada vida corporativa de Israel. Portanto, no Livro dos Salmos existe uma qualidade universal que s pode advir da expresso combinada das experincias espirituais dos homens nos muitos perodos da histria e em uma variedade de circunstncias da vida. Cada homem foi motivado pelo seu desejo de reao para com o Deus vivo. Todos foram unidos pelo seu desejo inerente de reagir atravs de suas mais profundas emoes. Cada tipo de experincia religiosa reflete-se no cadinho da vida dada e projeta-se sobre a vida do crente de hoje. Assim, encontramos nos Salmos uma ausncia da limitao do tempo que toma este livro igualmente aplicvel a cada perodo da histria.

    O termo "Salmos" vem da LXX, que deu o ttulo de Psalmoi coleo. Um dos maiores manuscritos bblicos, o Cdice Alexandrino, fornece a designao "Saltrio" pelo uso da palavra grega Psalterion. Contudo, a Bblia Hebraica usa a designao Tehillm, que significa "Louvores". Na literatura rabnica esta mesma idia foi transmitida no termo Seper Tehillm, significando "Livro dos Louvores". Em ambos os termos, hebraico e grego, encontramos a raiz significando cntico com acompanhamento instrumental. Atravs da passagem do tempo a palavra assumiu o significado de "o canto com acompanhamento musical", um aspecto do culto israelita popularizado pelo cntico dos coros levticos. Muitos dos salmos do evidncias de terem sido usados pelos coros e devotos como hinos, enquanto outros no se adaptavam a tal uso.

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 3 Entretanto, a coleo como um todo atesta do mais profundo e mais apaixonado anseio de Israel em conjunto na adorao de Deus.

    Ttulos e Autoria. Uma das coisas que primeiro se nota em um salmo o ttulo que leva. Como chegar a uma adequada interpretao desses ttulos um dos problemas mais exasperantes apresentados por este livro. s vezes a autoria que est enfatizada nos ttulos; noutras, o relacionamento. A ocasio da composio dos salmos s vezes indicada. Certos ttulos fazem referncia do uso especifico de um salmo para o culto pblico. Outros ttulos indicam o desejado efeito musical ou cenrio. Outros ainda descrevem o carter bsico do salmo como 1) um hino para ser cantado com acompanhamento musical (mizmr), 2) uma cano (shr), 3) uma antema (maskl), ou 4) uma lamentao (miktam).

    Todos, menos trinta e quatro salmos, tm algum tipo de ttulo sobrescrito. Os trinta e quatro salmos sem ttulo so chamados de "rfos" judeus. Entre os salmos com ttulo, setenta e trs tm a inscrio le Dawid, que foi traduzida para "Um Salmo de Davi" na E.R.A, e E.R.C. Contudo, o uso hebraico da expresso pode indicar "pertencente a Davi", "no estilo de Davi" ou "por Davi". De modo nenhum se deve considerar que esses ttulos sempre indiquem autoria, quer se refira a Davi ou outros. A LXX acrescenta o nome de Davi a quinze salmos que no foram assim intitulados no hebraico. Em adio aos setenta e trs atribudos a Davi (oitenta e oito na LXX), doze so relacionados com Asafe, doze com os Filhos de Cor, dois com Salomo, um com Et e um com Moiss.

    Embora esses ttulos no faam parte do texto original, eles se baseiam em tradio relativamente antiga. Uma comparao entre o Texto Massortico e a LXX indica que os ttulos antedatam a LXX, pois algumas das orientaes musicais j eram incompreensveis aos tradutores gregos e os ttulos no se fixaram. Embora os sobrescritos no faam parte do texto original, so dignos de considerao, pois representam o primeiro esforo do homem em escrever uma introduo ao Saltrio.

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 4 Estrutura. Embora o livro de Salmos parea carecer de um plano,

    no est em uma ordem indefinida. Embora carea de organizao em termos de assunto, segue um sistema muito mais bvio de organizao. Est dividido em cinco sees, representando diversas colees que foram reunidas. De acordo com o Midrash on the Psalms, um antigo comentrio judeu, esta diviso quntupla foi feita para corresponder aos cinco livros da Lei. Assim deve ter havido um propsito original entre os editores das colees de salmos para fazer um paralelo entre esta quntupla expresso do povo com a quntupla convocao divina.

    Mais evidncias de um plano a presena da doxologia no fim de cada um dos cinco livros. Os salmos 41, 72, 89, 106 e 150 incluem doxologias para cada um dos cinco livros. Realmente, o Salmo 150 uma doxologia global, enquanto o Salmo 1 uma introduo geral ao Saltrio. Os salmos 2, 42, 73, 90 e 107 servem de introduo aos seus respectivos livros.

    Esta cuidadosa organizao d evidncia de que a edio final de toda a coleo teve a inteno de se enquadrar no esquema do culto judeu. H uma espantosa correlao entre os quatro primeiros livros da Lei e as quatro primeiras divises dos Salmos. Considerando que o crente no judasmo palestiniano completava a leitura do Pentateuco cada trs anos, muito provvel que o uso dos Salmos fosse programado para lhe corresponder. De acordo com a antiga tradio, parece que oito pores da Lei destinavam-se aos sbados em um perodo bimensal, junto com devidas pores dos profetas.

    N.H. Snaith (Hymns of the Temple, pg. 18) tem mostrado que salmos sucessivos poderiam ter sido usados em estilo semelhante. Ele calculou que o livro do xodo era comeado no quadragsimo segundo sbado, chegando-se ao Levtico no septuagsimo terceiro, Nmeros no nonagsimo e Deuteronmio no centsimo dcimo stimo. Estes sbados correspondem exatamente com os primeiros captulos de cada um dos cinco livros do Saltrio. Nenhum Salmo sena mais apropriado que o Salmo 1 para introduzir a prxima "meditao sobre a Lei" de trs anos.

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 5 O Salmo 23, por exemplo, acompanharia a leitura da histria de Jac em Betel.

    Compilao e Desenvolvimento. A presente organizao do Saltrio o resultado de um processo de desenvolvimento. Muito tempo antes do livro dos Salmos tomar sua presente forma, colees menores j estavam em circulao. E gradualmente estas colees menores foram reunidas em uma s.

    Dentro do atual arranjo quntuplo, os limites de certas colees menores ainda so discernveis. Em adio s colees davdicas, h certos agrupamentos atribudos aos Filhos de Cor e Asafe. No Salmo 72:20, declara-se que ali "findam as oraes de Davi", embora sigam-se outros salmos que se atribuem a Davi. Outras colees menores incluem os Salmos das Peregrinaes e os Salmos dos Aleluias. Certas sees tambm demonstram uma preferncia decisiva por Jeov ou Elohim, indicando a antiga existncia de determinadas sees. As colees abaixo podem ter circulado separadamente, sendo mais tarde reunidas:

    Salmos 3-41. Uma coleo davdica com doxologia e preferncia por Yahweh (272 ocorrncias com 15 de Elohim).

    Salmos 51-72. Uma coleo davdica com doxologia e preferncia por Elohim (208 ocorrncias com 48 de Yahweh).

    Salmos 50, 73-83. Coleo de corporao levita atribuda a Asafe. Salmos 42-49. Coleo de corporao levita atribuda aos Filhos de

    Cor. Salmos 90-99. Salmos sabticos intimamente relacionados com o

    culto regular do sbado. Salmos 113-118. Salmos de Halel do Egito, relacionados com o

    culto da Festa da Pscoa (cons. Sl. 136). Salmos 120-134. Cnticos das Peregrinaes ou dos Degraus,

    provavelmente cantados pelos peregrinos quando iam ao Templo. Salmos 146-150. Salmos dos Aleluias cantados nos festivais. T.H. Robinson (The Poetry of the Old Testament) e outros tm

    sugerido que uma diviso tripla precedeu a forma quntupla final. Esses

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 6 trs livros, 1-41, 42-89, 90-150, podem bem ter sido redivididos na forma presente para faz-los corresponder s divises da Lei. Quer se possa ou no provar esta teoria, uma compreenso adequada da natureza composta do livro dos Salmos coisa essencial. Atravs do processo gradual da compilao, rearranjo e reviso, Deus preservou este tesouro da expresso de Israel diante de Sua revelao.

    Data. Um preciso sistema de datas para o livro de Salmos impossvel. Os responsveis pela edio final do Saltrio, como tambm os compiladores anteriores, esforaram-se em fornecer um hinrio para suas geraes. Em tempos de tenso e dificuldades, tentaram reviver o vigor do passado para servir s necessidades dos seus dias. O processo da reviso e adaptao faz muitos dos salmos parecerem posteriores aos perodos de sua origem.

    N.H. Snaith (Twentieth Century Bible Commentary, pg. 235) diz: "Poucos Salmos so pr-exlicos ou totalmente ps-exlicos. Alguns Salmos podem conter elementos de vrias datas distantes em mais de mil anos". Alguns mestres tm seguido Duhm, afirmando que a maioria dos salmos pertencem ao perodo dos Macabeus. Contudo, a tendncia hoje em dia entre esses mestres, tais como Gunkel, Snaith, Patterson, Oesterley e outros de lhes conceder datas mais antigas. A frase, "O Hinrio e Livro de Oraes do Segundo Templo", pode bem se aplicar coleo como um todo por causa da edio final depois do Exlio. No entanto, a maior parte do Saltrio pr-exlico, com alguns elementos originalmente pr-davdicos. Este reconhecimento de material antigo e novo torna o livro dos Salmos ainda mais precioso como registro de toda a histria da expresso de Israel diante de Deus na qualidade de Seu Povo Escolhido.

    Embora seja importante na interpretao conhecer os antecedentes histricos exatos e a data de certa passagem, torna-se menos imperativo nos Salmos do que em outras sees do Velho Testamento. Por causa da universalidade de suas verdades, o livro sofre menos da falta deste conhecimento do que se poderia esperar. Sua mensagem eterna toma-a

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 7 aplicvel ao perodo pr-exlico, ao perodo ps-exlico e nossa presente dispensao. Contudo, esta ausncia da limitao temporal no deveria nos afastar de buscarmos os antecedentes histricos sempre que possvel. O estilo literrio, as aluses histricas, a linguagem, as idias teolgicas e outras evidncias internas deveriam ser examinadas, porque qualquer passagem enriquecida quando seus antecedentes so devidamente compreendidos. Mesmo que tais aquisies da realidade sejam desejveis, o dogmatismo em atribuir autores, datas e circunstncias descabido por causa da mensagem ilimitada do livro. Devemos nos lembrar de que a histria costuma repetir-se muitas e muitas vezes.

    Forma Potica. Os hebreus deram ao mundo uma herana de expresso potica simples e infantil. Seus pronunciamentos poticos saram mais do corao do que de um desejo de atingir a excelncia da arte. Considerando que o hebraico uma linguagem pitoresca, cada palavra viva e descritiva. As razes verbais retratara ao visvel, enquanto o seu uso d lugar imaginao. A linguagem tem uma qualidade intensamente emocional muito apropriada para exibir ardente paixo religiosa.

    Embora a poesia hebraica no tenha rima e seja pobre na mtrica, tem aspectos compensatrios. Em lugar dos fundamentos bsicos da poesia inglesa, o hebraico emprega duas principais caractersticas que a distinguem acento rtmico (ritmo) e paralelismo. De acordo com F.C. Eiselen (The Psalms and Other Sacred Writings), o ritmo "a repetio harmoniosa de determinadas relaes de som". Um padro rtmico de dois, trs ou quatro compassos em cada linha torna possvel esta harmoniosa repetio. Diversas slabas tonas entre os compassos formam a regra das slabas curtas e longas. Esta forma de regulamentao depende do ritmo dentro das clusulas e do equilbrio rtmico entre as clusulas. O resultado um agradvel subir e descer da voz que pode expressar esprito animado, segurana, calma, excitamento, lamentao ou qualquer outra qualidade emocional .

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 8 A segunda principal caracterstica distinta da poesia hebraica o

    equilbrio de forma e sentido chamado paralelismo. O poeta apresenta uma idia; depois ele a refora por meio da repetio, variao ou contraste. Trs tipos principais de paralelismo se encontram atravs do Saltrio:

    1. Sinnimo. A segunda linha repete a primara com palavras um pouco diferentes (cons. Sl. 1:2).

    2. Antittico. A segunda linha faz agudo contraste com a primeira (cons. Sl. 1:6).

    3. Sinttico. A segunda linha completa a primeira, suplementando o pensamento original (cons. Sl. 7 : 1).

    Trs tipos menos importantes contribuem acrescentando riqueza e variedade expresso hebraica:

    1. Introvertido. A segunda linha paralela da terceira e a primeira da quarta (cons. Sl. 30:8-10; 137:5, 6).

    2. Climtico. A segunda linha completa a primeira, levando o pensamento ao clmax (cons. Sl. 29:1, 2).

    3. Emblemtico. A segunda baba continua o pensamento da primeira elevando-a a um nvel mais alto ou usando um smile (cons. Sl. 1:4).

    H outros fatores que explicam a eficincia do paralelismo. No mago da questo est a expectativa e a satisfao do leitor. A primeira linha sempre desperta um senso de expectativa, enquanto as subseqentes satisfazem essa expectativa. O poeta pode ganhar em variedade, mudando o grau da expectativa despertada ou o mtodo da satisfao, com o uso de contraste para mostrar o inesperado. O paralelismo s vezes completo, s vezes incompleto, com a falta de um elemento; e em outras vezes h um elemento compensatrio acrescentado para produzir um melhor senso de satisfao. No apenas o paralelismo, mas o ritmo padronizado produz esta sensao de expectativa e satisfao. GE. Gray (The Forms of Hebrew Poetry, 1915) deu nomes aos dois tipos bsicos de ritmo. O "ritmo balanceante" produz

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 9 uma certa satisfao porque o padro rtmico igual (3:3 ou 2:2). "Ritmo ecoante" produz uma diferente sensao, dando segunda linha menos acentos do que na primeira (3:2). A forma mais freqentemente usada deste ltimo a mtrica Quinah usada em lamentos e nnias.

    Alm do paralelismo e ritmo, dois outros elementos afetam a poesia hebraica. No so caractersticas distintas, pois esto presentes em toda poesia. O primeiro a qualidade emocional que produz uma expresso intensificada. Palavras especiais ou frases cheias de potncia podem produzir este efeito. O uso de um profuso de guturais pode indicar aspereza. Sibilantes agudas podem expressar vitria ou tristeza pela derrota. Palavras onomatopicas podem com facilidade transmitir a mensagem. O segundo elemento o valor mnemnico do poema, que ajuda o leitor a lembrar-se dele. Em lugar de usar rima, o salmista ocasionalmente emprega um arranjo acrstico. Cada linha ou um grupo de linhas comearia com letras sucessivas do alfabeto hebraico. O salmo 119 um exemplo excelente, onde cada linha em um grupo de oito linhas comea com a mesma letra. Todas as vinte e duas letras do alfabeto grego foram usadas em sees sucessivas. Tal expediente artificioso torna mais fcil para as pessoas guardar esses salmos na memria. Na verdade, s oito ou nove salmos foram assim construdos em sua inteireza. Cada um deles proverbial por natureza e sofreria alguma desunio de pensamento se no fosse por esse arranjo alfabtico.

    No estilo bsico a poesia hebraica vastamente diferente da poesia moderna. Contudo, o padro hebraico tem grande afinidade com o do Oriente Prximo. Existem numerosas semelhanas de estilo entre a poesia de Israel e a do Egito e Mesopotmia. Contudo as semelhanas mais destacadas so evidentes quando se comparam os salmos hebraicos com os poemas ugaritas. A poesia de Ugarit basicamente do tipo siro-cananita. Cana e Sria estiveram em ntimo contato com Israel atravs de toda a histria pr-exlica. As semelhanas principais se relacionam com as metforas, frases, ritmo e paralelismo todas questes de estilo

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 10 literrio e fraseologia. Religiosamente e teologicamente, as diferenas ultrapassam todas as semelhanas.

    Classificao. Qualquer comparao superficial dos poemas do Saltrio revela que eles no foram agrupados por assunto. Os assuntos, compreendidos ou mencionados, passam por toda a escala das experincias humanas. Embora os diversos tpicos sejam numerosos demais para se fazer uma lista, cinco temas dominantes podem ser reconhecidos :

    1. Percepo da presena divina. 2. Reconhecimento da necessidade da ao de graas. 3. Comunho pessoal com Deus. 4. Reminiscncia do papel divino na histria. 5. Conscincia da libertao dos inimigos. Tem havido muitas tentativas de se classificar os salmos de acordo

    com um padro preconcebido. Mowinckel e outros centralizaram-se no contedo, desenvolvendo elaboradas subdivises por tpicos. Outros tentaram revelar o sentimento bsico do autor de cada salmo. Enquanto outros ainda basearam-se no tipo de cada salmo como critrio para classificao. Isto comeou simplesmente como uma divido tripla de hinos de louvor, oraes e hinos de f. Recentemente Gunkel fez um trabalho valioso de identificar melhor esses tipos e categorias. Sua premissa bsica que os salmos foram originalmente hinos para serem usados nos cultos de Israel. Assim ele classifica cada um deles de acordo com "frmulas regulares recorrentes" de cada tipo em particular. Gunkel reconhece cinco tipos principais conforme se segue:

    1. Hinos de Louvor 2. Lamentaes Nacionais 3. Salmos Reais (incluindo os Salmos Messinicos) 4. Lamentaes Individuais 5. Aes de Graas Individuais A estes ele acrescenta um certo

    nmero de tipos menos importantes representados por alguns poucos salmos cada um:

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 11 6. Hinos Peregrinos 7. Aes de Graas Nacionais 8. Poemas da Sabedoria 9. Liturgias da Tor 10. Tipos Mistos Estas categorias representam o esquema ltimo e final de Gunkel

    (cons. N.H. Snaith em Twentieth Century Bible Commentary, pg. 235 e segs.). Anteriormente, Gunkel exclura alguns tipos menos importantes, tais como: "Bnos e Maldies" e "Salmos Profticos" (cons. John Patterson, The Praises of Israel, pg. 32). Podemos acrescentar a estas classificaes a categoria dos Salmos Messinicos.

    Tentador como o trabalho de se descobrir um sistema de classificao, h uma cena impreciso em relao ao Saltrio que se ope a uma classificao absoluta. Esta falta de definidade resultado das caractersticas eternas e universais da coleo. Na verdade, cada mtodo de classificao apresenta uma opinio diferente sobre os Salmos, tomando possvel uma compreendo das muitas facetas disponveis.

    Valor Permanente. O Saltrio em primeiro lugar um testemunho vivo da f de Israel. Os salmos individuais evidenciam o pensamento e o sentimento de inumerveis crentes hebreus. Eles fazem eco s aspiraes e esperanas de homens e mulheres em cada perodo da histria de Israel. Refletem as dificuldades e lutas do povo de Deus. Descortinam a peregrinao da dvida certeza nesses sculos crticos de orientao divina. Apontam sempre para a derrota do desespero por meio da f no Deus vivo. A histria de Israel ficaria realmente desfalcada sem essas evidncias da reao da f para com a revelao de Deus.

    Em segundo lugar, os Salmos formam um cenrio importante para o ministrio de Jesus. Ele os aprendeu em seu lar judeu nos seus momentos devocionais. No seu batismo, Sua misso ficou declarada nas palavras de um salmo. Na cruz, um salmo Lhe veio mente nos Seus ltimos momentos. Os Salmos so citados com mais freqncia no Novo Testamento do que qualquer outro livro do Velho Testamento. Existem

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 12 cerca de cem referncias diretas ou aluses ao Saltrio no Novo Testamento. Frases e versculos so citados pua explicar o carter e a mensagem de Jesus como o Messias.

    Em terceiro lugar, o livro de Salmos comprovou-se fonte indispensvel de material devocional. Cristos de todo o mundo foram auxiliados em seu contato pessoal com Deus no culto. O Salmo 51 expressa os pensamentos do pecador arrependido. O Salmo 32 mostra que alegria o homem perdoado pode experimentar. O Salmo 23 expressa o sentimento de confiana comum a todos os filhos de Deus. O Salmo 103 derrama o louvor de Deus que todo crente deveria expressar. Outros salmos satisfazem s necessidades devocionais bsicas, enriquecendo a experincia pessoal de qualquer pessoa que se deleita em Deus.

    Finamente, o Saltrio tornou-se o hinrio de todas as pocas. Nenhum outro livro de hinos tem sido usado h tanto tempo por tanta gente. Ele lido, cantado, recitado em todos os dias do ano. Samuel Terrien diz a respeito dele: "Nenhum outro livro de hinos e oraes j foi usado h tanto tempo e por tantas e to diversas pessoas" (The Psalms and Their Meaning for Today, p. vii). Numa era de informalidade, os Salmos fornecem uma linguagem indispensvel para o culto. Nas palavras de Lutero, "Castelo Forte Nosso Deus", de Watts, "Jesus Reinar" e " Deus, Auxlio Nosso no Passado", a mensagem do Saltrio ecoa ao redor da terra.

    ESBOO A presente organizao do livro indica claramente seu prprio e

    adequado esboo : Livro I. Salmos 1-41. Livro II. Salmos 42-72. Livro III. Salmos 73-89. Livro IV. Salmos 90-106. Livro V. Salmos 107-150.

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 13 COMENTRIO

    LIVRO 1. Salmos 1-41

    O primeiro livro na diviso quntupla do Livro dos Salmos parece

    ter sido alguma vez uma coleo davdica em separado. O nome Senhor, Yahweh em hebraico, aparece 272 vezes, enquanto o mais generalizado Elohim s se encontra 15 vezes. Os salmos so de contedo variado, mas os ensinamentos morais so simples e diretos. Evidente atravs de toda esta diviso est a f positiva na justia de Deus. O Salmo 1 serve como introduo a todo o Saltrio, enquanto o Salmo 2 introduz a coleo do Livro I. O fato de alguns manuscritos darem o Salmo 3 como sendo o primeiro torna o carter introdutrio do salmo 1 e 2 mais aparente. Tambm possvel que os salmos 1 e 2 fossem originalmente um s salmo, comeando e terminando com "bem-aventurados". Todos com exceo do 1, 2, 10 e 33 esto ligados a Davi pelo ttulo e anotaes.

    Salmo 1 Os Dois Modos de Vida

    O salmo apresenta em contraste agudo os dois extremos - o modo

    de vida verdadeiramente honesto e o modo basicamente perverso. contraste introduz de maneira didtica as duas categorias de homens a serem descritos em todo o Saltrio. O salmista continua com a anttese, mostrando os destinos presente e futuro de cada grupo.

    1-3. O Caminho do Homem Justo. Bem-aventurado o homem. O Saltrio comea com uma forte interjeio: Oh! que felicidade u do homem que segue o plano de Deus. Os verbos, anda, se detm, se assenta, descrevem os passos caractersticos do perverso que o justo evita: aceitao dos princpios dos mpios, participao das prticas de pecadores declarados e finalmente a unio com aqueles que zombam abertamente. Observe o paralelo triplo entre os trs verbos e suas clusulas modificadoras. A mudana ento se faz da recusa negativa para

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 14 o deleite positivo. Tal homem medita ou constantemente reflete nos ensinamentos divinos. Como resultado, ele se torna cada vez mais como uma "rvore transplantada", com as razes nas realidades eternas. Vitalidade constante lhe assegurada e o sucesso final certo porque ele colocou a sua confiana firmemente em Deus.

    4-6. O Caminho do Homem mpio. Os mpios no so assim. Agora surge uma mudana abrupta com as palavras no do assim. O agudo contraste intensifica-se com o uso deste termo freqente para os mpios, que representa a anttese exata para o outro termo, os justos. Diferindo da rvore firmemente estabelecida, os mpios so varridos pelo vento. O quadro de uma eira no alto de uma colina, onde o vento carrega a palita e deixa o gro. Em construo paralela, os dois grupos (mpios e pecadores) no tm a promessa de participao na companhia vindicada dos justos. Enquanto Deus conhece ou se preocupa com o caminho dos justos, os mpios simplesmente vo deriva at a final destruio.

    Salmo 2. A Vitria do Messias de Deus

    Este basicamente um salmo real, com qualidades altamente

    dramticas e grande poder potico. Includo em sua estrutura est um orculo do Senhor que tm provocado variadas interpretaes. Gunkel acha que est ligado a um festival celebrando a coroao de um rei judeu. Se esse foi o cenrio original, o salmo foi inteiramente adaptado s esperanas messinicas mais extensas. Tal como o Salmo 1 lida com os dois caminhos da vida individual, o Salmo 2 apresenta os dois caminhos para as naes e os povos.

    1-3. A Rebeldia das Naes. Por qu? Em estilo proftico, o salmista comea com duas perguntas retricas. O ponto alto das perguntas demonstrar o absurdo daqueles que se rebelariam contra o decreto do Todo-poderoso. Sua rebeldia contra o povo de Deus e o seu rei considerada como um ataque contra o prprio Deus. Basicamente,

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 15 este antagonismo dirigido contra o governo de Jeov atravs do seu Ungido.

    4-6. A Resposta de Deus. Ri-se ... lhes h de falar. Um ousado antropomorfismo traa agudo contraste entre os preocupados reizinhos e o Governador supremo que os confundir (idia de radicular, "gaguejar"). Sua risada muda rapidamente para ardente ira quando informa esses rebeldes de que j empossou o Seu rei com toda a aprovao divina.

    7-9. O Plano para o Ungido. Ele (o Senhor) me disse. O orculo apresentado pelo ungido de Deus est declarado como decreto divino. A declarao, Tu s meu filho, faz paralelo ao meu Rei da resposta divina. A frase aplicou-se a Jesus no seu batismo (Mc. 1:11). O termo, gerei, parte de uma frmula oriental de adoo usada no Cdigo de Hamurabi. Observe que duas promessas foram feitas ao ungido de Deus domnio e vitria. Embora o, salmista provavelmente pensasse do Filho como governador escolhido (II Sm. 7:14), luz do N.T. vemos que o Messias o verdadeiro Filho de Deus.

    10-12. A Advertncia aos Reis. Sede prudentes; deixai-vos advertir. A escolha est diante dos reis, junto com a advertncia a que sejam prudentes e honestos ao tomar a deciso. A escolha da sabedoria vai alm da mera aceitao do decreto. Devem servir ao Senhor com admirao e reverncia que Lhe devida. Beijar os ps e as mos do rei era smbolo de prestao de homenagem. Exatamente como o caminho dos mpios perecer no Salmo 1, tambm acontecer com o caminho daqueles que se recusam a Lhe prestar homenagem.

    Salmo 3. Uma Orao Matinal de Confiana

    As caractersticas bsicas de um lamento individual esto neste

    salmo, cuja seqncia se encontra no Salmo 4, onde est evidente um senso de alvio. Por causa da expresso de sublime confiana na proteo

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 16 divina, este salmo tem sido o favorito de muitas pessoas que enfrentam o perigo. O versculo 5 identifica-o claramente como orao matinal.

    1,2. A Situao Angustiosa do Salmista. Os que se levantam contra mim. Os inimigos do salmista estavam se tornando mais numerosos do que nunca. Fisicamente havia srio perigo. E alm disso, seu esprito estava sendo to oprimido pelas zombarias dos seus adversrios que se considerava alm do ponto de poder ser ajudado por Deus. Esses comentrios desanimadores so parecidos com os que foram dirigidos contra l (J 2:11-13).

    3, 4. Seu Ajudador. Porm tu, Senhor. No meio de seus problemas ele se lembra novamente de que Deus um escudo para proteg-lo, minha glria para restaurar sua dignidade, e o que exaltas a minha cabea para lhe dar nova coragem. Os verbos no versculo 4 deveriam ser freqentativos: Sempre que clamo me responde!

    5, 6. Sua Confiana. Deito-me e pego no sono. A certeza de que Deus o seu ajudador e protetor torna possvel este sono. Quando acorda, percebe que foi Deus que o guardou. Com sua confiana aumentada por esta experincia, ele tem certeza de que nenhuma quantidade de inimigos pode amedront-lo.

    7, 8. Sua Orao. Levanta-te, Senhor! O poder e o livramento de Deus so invocados por esta petio, quando o salmista busca interveno ativa. Ou ele est se lembrando do que Deus fez em ocasies anteriores ou est usando um perfeito proftico. Este ltimo prev um fim absolutamente certo e por isso fala dele como se j tivesse se realizado. O timo versculo adapta o salmo ao culto pblico, e pode indicar uma falta de egosmo em toda a orao particular.

    Salmo 4. Uma Orao Vespertina de Alvio

    As circunstncias que rodeiam este salmo so semelhantes s do

    Salmo 3. Contudo, aqui o lamento se transforma em uma cano de confiana para expressar o alvio do salmista. A serenidade do tom

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 17 atravs de todo ele o resultado de uma experincia da ajuda divina no passado. Exatamente como Deus deu o descanso na experincia anterior (Sl. 3), h certeza de que ele prover esse mesmo descanso e paz novamente. O versculo 8 liga este cntico com a orao vespertina.

    1. Urgente Apelo a Deus. Responde-me . . . tem misericrdia . . , ouve a minha orao. Aqui est um pedido triplo feito a Deus, o qual provou ser justo e capaz de conceder livramento. Experincia do passado leva o salmista a crer que Deus novamente atender s suas mais profundas necessidades.

    2-5. Conselho Sbio para o Prximo. homens. Esses homens difamaram a reputao do salmista; apegaram-se a vs maquinaes e prosperaram custa de falsidades. Eles deviam buscar a quietude para meditar sobre suas necessidades e deixar de pecar. Eles deviam falar com suas prprias conscincias e silenciarem. Tal como o salmista clama, " Deus da minha justia" (v. li, ele exige esta mesma motivao justa nos sacrifcios deles. O paralelo lgico o da confiana nAquele a quem eles oferecem esses sacrifcios.

    6-8. Confiana Serena em Deus. Mais alegria me puseste no corao. Muitos indivduos viviam inconformados e pessimistas, com falta da alegria que o salmista conhecia. Em contraste com esses pessimistas o autor sabe que o auxlio divino na hora da necessidade causa mais alegria do que colheitas abundantes. Ele termina com o quadro do sono sossegado possvel quele que conhece o cuidado divino por experincia pessoal.

    Salmo 5. Uma Orao Matinal, em Preparao para o Culto

    Neste salmo h uma atmosfera de luta entre o justo e o mpio, tal

    como se encontra com freqncia no Saltrio. A situao semelhante dos Salmos 3 e 4 no que se refere aos perigos que esto a toda volta. O salmo talvez fosse usado pelos sacerdotes em sua preparao para o

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 18 sacrifcio matinal ou por pessoas individualmente, quando se preparavam para o culto.

    1-3. Uma Invocao a Deus. D ouvidos ... acode ... escuta. A preparao para o culto devia sempre incluir o clamor do indivduo a Deus. No apenas suas palavras, mas tambm sua meditao (lit., cochichos) era parte desta invocao. Na forma paralela, o tempo est especificado, provavelmente relacionando a orao do orador com o sacrifcio da manh.

    4-9. Uma Lio Contrastante. Iniqidade . . . e me prostrarei. H um contraste duplo nestes versculos: as atitudes dos justos e dos mpios para com o pecado e a adorao so colocadas em contraste, como tambm as diferentes reaes de Deus para com os dois grupos. O salmista reconhece que Deus no pode tolerar o pecado nem conviver com o homem mpio. Portanto, Deus no permitir que os arrogantes (literalmente) permaneam na Sua presena. Ele considera detestvel todos os que praticam a iniqidade. O fim destinado queles que proferem mentira a destruio completa, e o sanguinrio e o fraudulento so uma abominao que Deus detesta. Enquanto esses homens mpios lidam traioeiramente, o salmista prostra-se diante de Deus, orando por orientao divina.

    10-12. Uma Orao por Retribuio. Declara-os culpados. A orao continua com um pedido de justia sobre aqueles inimigos. Como aqueles que se rebelam contra Deus, eles devem ser considerados culpados, deve-se permitir que caiam e que sejam rejeitados completamente. Em contraste ao destino triplo dos mpios, aqueles que confiam em Deus participam de alegria infinda. Eles que regozijem-se, folguem de jbilo, e em ti se gloriem.

    Salmo 6. Um Grito em Busca de Alvio

    Eis aqui um quadro vivo do homem que se encontra em calamitosa

    angstia por causa de severa enfermidade. Embora o salmista se refira

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 19 aos seus inimigos, est em primeiro lugar clamando por alvio para a sua doena. A meno que faz da ira divina prova que ele imagina o seu sofrimento como resultado do pecado. Uma vez que usado entre os cristos como um dos sete Salmos Penitenciais, possvel que fizesse parte da liturgia penitencial do culto no templo.

    1, 2a. Orao Pedindo Interrupo de Castigo. No me repreendas .. . nem me castigues ... tem compaixo de mim. Estas expresses mostram o reconhecimento do aspecto disciplinar do sofrimento. O escritor no nega sua culpa, nem proclama sua inocncia. Seu castigo deve ser interrompido para que seu corpo emaciado possa ser restaurado. Tudo o que pode fazer lanar-se sobre a misericrdia de Deus.

    2b-5. Orao Pedindo Restaurao. Sara-me ... livra a minha alma; salva-me. O sofredor claramente percebe que o livramento deve vir de fora, pois ele mesmo inteiramente insuficiente. Ele baseia seu pedido sobre a seriedade do seu sofrimento, a misericrdia de Deus e o fato de que Deus perderia sua ao de graas se ele fosse para o Sheol.

    6, 7. Descrio de Sua Condio. Gemer ... lgrimas . . . mgoa. A natureza de sua enfermidade est um tanto oculta pelas expresses orientais caractersticas. Contudo, no pode haver dvida que sua tristeza real e seu sofrimento intenso. Como l, ele tem de suportar os insultos dos seus inimigos em aditamento a sua desgraa.

    8-10. Oraes Atendidas. O Senhor ouviu. Duas vezes o salmista usa esta frase para indicar que uma nova era chegou. Ele prediz que todos os seus inimigos retrocedero porque Deus assumiu o comando.

    Salmo 7. Uma Orao por Justia

    Como muitos outros salmos, este em primeiro lugar um lamento

    individual. H um elemento de justia prpria no apelo do salmista. Talvez se deva natureza da luta religiosa que ocasionou amarga perseguio. Contudo, h aspectos gerais que apontam para a possibilidade de que diversos salmos foram combinados neste um. Se o

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 20 indivduo for tomado como representante da nao, a unidade do Salmo fica preservada.

    1,2. Orao por Livramento. Salva-me ... livra-me. Este apelo baseia-se na confiana pessoal em Deus do autor do salmo. O furioso ataque do inimigo tambm parece ser pessoal, conforme indica a expresso "me arrebate".

    3-5. Protestos de Inocncia. Senhor ... se eu fiz. O autor estava certo que no merecia a perseguio que sofria. Ele desejava colocar o protesto em forma de juramento e oferecer-se para aceitar qualquer retribuio merecida por castigo.

    6-8. Orao por Julgamento. Levanta-te, Senhor. Uma figura atrevida, como se Deus precisasse ser despertado, foi usada para indicar a necessidade de um julgamento imediato. Aqui h uma combinao de vindicao pessoal e idia escatolgica de julgamento mundial.

    9-13. Confiana no Justo Juiz. Pois sondas a mente e o corao, justo Deus. O resultado est assegurado pela prpria natureza de Deus. O justo preservado, enquanto o mpio sofre a ira divina diariamente. A ao do juzo divino sobre o que no se arrepende fica figurativamente declarada em termos de combate terreno.

    14-16. A Natureza do mpio. Iniqidade . . . malcia . . . mentira. Estas palavras caracterizam o adversrio, que foi destrudo por seus prprios ardis. Ele se esconde sob a mortalha de seus prprios desejos malignos.

    17. Voto Final. Cantarei louvores. Esta doxologia caracterstica ilustra a certeza do salmista que a causa da justia triunfar.

    Salmo 8. A Dignidade do Homem e a Glria de Deus

    Este salmo um hino que atinge alturas majestosas raramente

    atingidas pelo homem finito. H um desenvolvimento de idias sobre a grandeza do trono de Deus nos cus at a mais nfima besta da terra. O homem descrito como o centro da criao de Deus. O poema est

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 21 artisticamente colocado entre um refro no comeo e outro no fim. Este refro serve de linda introduo e concluso. As perguntas do Salmo 8 so citadas em Hb. 2:6 e segs. descrevendo a humilhao e a exaltao de Cristo.

    1, 2. A Glria de Deus. Quo magnfico ... o teu nome. A introduo identifica cuidadosamente esse "nome" como sendo Jeov, Senhor (Adn) nosso. A frase, pequeninos e crianas, pode estar representando o homem em sua fraqueza. O louvor sincero desses "pequeninos" est colocado em agudo contraste com as artimanhas dos inimigos de Deus.

    3, 4. O Homem em Contraste. Quando contemplo os teus cus ... que o homem? A cena noturna suscita este louvor glria de Deus nos cus. Quando o homem ('ensh, homem frgil) se compara com todo o espao acima, como parece insignificante. Ele verdadeiramente apenas o filho da humanidade (adam, homem genrico).

    5, 6. O Lugar do Homem. Por um pouco, menor do que Deus. Ficaria melhor traduzido assim: "um pouco menos que divino" ou "um pouco abaixo da divindade". Trs coisas designara a posio do homem: seu relacionamento com a divindade, sua dignidade (glria e honra) e o seu domnio.

    7,8. Ilustraes Sobre o Domnio do Homem. Ovelhas e bois . . . animais do campo; as aves do cu e os peixes do mar. Essas formas inferiores da vida ilustram "todas as coisas" do versculo anterior. As criaturas da terra, do ar e do mar esto includas nesta referncia bvia histria da criao em Gnesis 1.

    9. Doxologia. Quo magnfico ... o teu nome. O refro torna a chamar a ateno do homem para a majestade de Deus para que no fique absorvido por pensamentos sobre a sua grandeza pessoal. O homem tem dignidade, mas s Deus majestoso.

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 22 Salmo 9. Louvor pela Destruio do Inimigo

    Evidentemente este salmo foi originalmente ligado ao Salmo 10,

    conforme se encontra em certos manuscritos hebreus, a LXX, a Vulgata e outra verso latina feita por Jernimo. Os dois salmos formam um acrstico com as letras do alfabeto hebraico. A presena de selah no final do Sl. 9 e a falta de ttulo no Sl. 10 d testemunho disse. O primeiro salmo grandemente nacional, enquanto o segundo fortemente pessoal.

    1-3. A Razo da Ao de Graas. Louvar-te-ei . . . contarei.. . alegrar-me-ei . . . cantarei. Tudo isto ao de graas sincera porque os inimigos do salmista foram condenados por Deus. Assentado em seu trono, Deus fez o julgamento de tal modo que no pode haver dvidas quanto ao resultado.

    4-8. Uma Viso do Juzo Final. Ele (o Senhor) mesmo julga o mundo com justia. Este um quadro escatolgico do juzo final, visualizado como se fosse no presente. Mowinckel cr que este era um salmo usado na Festa dos Tabernculos em uma celebrao simblica de entronizao.

    9-12. Uma Exortao ao Louvor. Cantai louvores. Considerando que Deus abenoar aqueles que confiam nEle, o salmista procura aqueles que se lhe querem juntar em sincero louvor. A seqncia natural do louvor ao nome de Deus a declarao dos seus feitos.

    13,14. Um Apelo do Favor Divino. Compadece-te de mim. No meio do apelo nacional uma nota pessoal foi inserida. Este lamento coisa fora do comum em uma expresso de ao de graas, mas pode ser considerada natural em algum que expresse uma gratido to sincera.

    15-20. A Certeza do Julgamento. Faz-se conhecido o Senhor, pelo juzo. A idia, anteriormente introduzida, de um juzo mundial por vir, prossegue quando o escritor declara que a runa certamente sobrevir aos mpios. O salmista acrescenta um pedido de que as naes sejam obrigadas a perceber que no passava de homens!

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 23 Salmo 10. Intercesso para que Haja Ao

    Apesar deste salmo ter afinidade literria e textual com o

    precedente, o sentimento expresso aqui totalmente diferente. O inimigo j no mais o mpio das naes mas o mpio dentro de Israel. A calamidade foi causada pelo abuso do poder da parte de homens mpios no poder. A disposio ms de lamento que de ao de graas.

    1, 2. A Declarao da Intercesso. Por qu? A freqente pergunta que comea com "por que" sempre descreve uma situao de frustrao e desamparo. O salmista demonstra sua prpria impacincia e desespero. Afinal, a perseguio dos pobres pelos lderes mpios e presunosos chegou a um limite insuportvel. Seu pedido que os mpios colham o que semearam.

    3-11. A Base do Problema. O perverso se gloria. Esta longa lista de agravos comea com a arrogncia mencionada nos versculos precedentes. O singular foi usado coletivamente com referncia aos muitos de Israel que no tm pensado em Deus. Cada condio eticamente orientada para o modo de vida de Israel, e toda a passagem faz pensar em algum que consta dos escritos de Isaas, Miquias e Jeremias.

    12-18. Clamando por Interveno. Levanta-te, Senhor . . . ergue a tua mo. Este intenso apelo por ao direta da parte de Deus est seguido por argumentos que intensificam o apelo. A f do salmista no vacila quando conclui que o Senhor Rei para sempre.

    Salmo 11. A Certeza da F

    Um grave perigo defronta-se ao salmista quando os inimigos

    buscam tirar sua vida. Sua situao desesperada d lugar a profundos pensamentos e nobre expresso de sua confiana no Senhor. Suas palavras de confiana brotam de um poema de verdadeira qualidade

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 24 lrica. As circunstncias so extraordinariamente semelhantes quelas de diversos episdios da vida de Davi.

    1, 2. F versus Oportunismo. (Eu) me refugio . . . foge. O conselho dos amigos bem-intencionados o de aproveitar-se da oportunidade. "Foge para o monte, onde h abundncia de esconderijos" a idia que o mundo tem de segurana. Mesmo enfrentando o arco retesado do inimigo, o salmista declara que a sua confiana est no Senhor. Em lugar de escapar pelo caminho mais fcil, ele prefere tomar o caminho da f.

    3-7. O Fundamento da F. Destrudos os fundamentos. O salmista sabe que a fuga s serviria para solapar sua f bsica. Afinal, Deus o seu santo templo, seu trono est firmado nos cus, e os olhos dEle observam o que acontece aqui em baixo. Portanto, o castigo divino sobrevir aos mpios como aconteceu com Sodoma, enquanto os justos vero a face de Deus.

    Salmo 12. Uma Orao pelos Fiis

    Este salmo descreve outra hora negra de perseguio, quando a

    sociedade est se desintegrando. Enquanto lamenta uma situao na qual prevalecem a mentira e a falsidade, o autor tambm expressa sua confiana mxima em Deus, que continua sendo adorado pela minoria fiel. Gunkel trata este salmo no sentido litrgico, generalizando-o. Mesmo que esse tenha sido o seu uso final, pode muito bem ter havido uma base individualista original em sua composio.

    1-4. A Orao do Fiel. Socorro, Senhor. O escritor fala pelos fiis homens piedosos que foram insultados por gente vulgar que prefere lisonjas fteis e se agradam com palavras de duplo sentido. Como Elias, o salmista fala de si mesmo como se fosse o nico que ainda no se juntou a esses fanfarres.

    5. A Resposta de Deus. Diz o Senhor. Este versculo toma a forma de um orculo do Senhor respondendo a orao sincera dos fiis. Deus promete sua ajuda, que resultar em segurana completa.

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 25 6-8. A Reao do Crente. Palavras ... puras. Em contraste s

    palavras das pessoas vulgares, as palavras de Deus so puras como a prata refinada. O que Ele prometeu, realizar. Em sinal de adorao proclama-se e assegura-se que Ele digno de confiana.

    Salmo 13. Da Dvida Confiana

    Neste pequeno salmo foram expressos os ms profundos anseios de

    uma alma perturbada. Embora um inimigo pessoal esteja por trs do cenrio, o salmista est lutando com suas prprias dvidas quanto atividade divina em seu beneficio. Urna vez que no se fala de enfermidade, o problema provavelmente mental, muito provavelmente o medo. Em sua estrutura este salmo um exemplo excelente de uma lamentao individual em trs pequenas estrofes de dois versos cada.

    1,2. Seu Problema de Dvida. At quando . . . ? A repetio qudrupla desta frase demonstra claramente o intenso sofrimento do escritor. Ele est cansado do seu inimigo, mas muito mais perturbado pela aparente indiferena de Deus. Ele sente-se abandonado por Deus na sua maior necessidade.

    3,4. Sua Orao por Assistncia. Atenta . . . responde-me ... ilumina-me os olhos. No meio da dvida e da depresso, ele ora a Deus pedindo que compreenda o seu problema e devolva-lhe o brilho dos seus olhos. Alm de temer a morte fsica, ele sabe como os seus inimigos, que so mpios, vo se gabar da derreta de um amigo de Deus.

    5, 6. Seu Alvio na Confiana. Confio na tua graa. Embora nenhuma resposta fosse registrada, sua alma perturbada recebeu alivio verdadeiro. Sua confiana se baseia na longanimidade de Deus, no seu regozijo por causa da salvao divina, nos hinos entoados sobre o abundante cuidado de Deus. Ele descobriu a verdadeira paz atravs da inteira confiana em Deus.

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 26 Salmo 14. Juzo por Ter Negado a Deus

    Temos aqui um bom exemplo de como o Saltrio se desenvolveu.

    Exceto quanto a variaes textuais menores (esp. v. 6) idntico ao Salmo 53. Considerando que o ltimo de uma coleo posterior e substitui Yahweh por Elohim, o Salmo 14 considerado como a forma ms antiga. Nos dois salmos o salmista considera a condio depravada dos homens com verdadeiro esprito proftico.

    1-3. A Depravao dos Tolos. No h Deus. O uso da palavra insensato (nabal) no indica um ateu terico, mas um ateu prtico, que vive como se no existisse Deus. Para todos os propsitos prticos Deus no faz parte dos seus pensamentos. As palavras corrompem-se, abominaes e se corromperam, todas apontam para a depravao de tal indivduo, que claramente descrito como o israelita tpico desse perodo.

    4-6. A Corrupo do Sacerdcio. No entendem. Aqueles que tm falta de conhecimento de Deus so possivelmente os sacerdotes, que comem o ao da propiciao e deviam invocar a Deus. Em vez disso esto se transformando em obreiros da iniqidade (cons. Os. 1:4.6). Em lugar de orientar o povo de Deus, eles o devoram. A linhagem do justo obviamente se refere a seu povo, enquanto os humildes tm um lugar especial no refgio divino.

    7. A Esperana do Livramento. Oxal . . . ! Esta orao pode ter sido acrescentada com propsitos litrgicos. Ou talvez expresse o primeiro vislumbre de esperana do salmista neste perodo de trevas. Fazer voltar os cativos deve significar simplesmente "restaurar a sorte". No importa quando este versculo tenha sido composto, ele serve de concluso adequada.

    Salmo 15. O Hspede de Deus

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 27 Este salmo da Sabedoria um comentrio sobre a obrigao do

    homem para com Deus e para com o seu prximo conforme estipulada em Dt. 6:5 e Lv. 19:18. Trata das qualificaes morais e ticas que admitem o crente presena de Deus. O antigo costume de desafiar a idoneidade de um crente talvez se reata aqui. Talvez o sacerdote fizesse as perguntas do versculo 1, o crente respondesse com algo parecido ao que est aqui e o sacerdote conclusse o desafio cem a promessa final do versculo 5b. Alguns intrpretes atribuem a pergunta ao crente, sendo a resposta e a promessa a rplica costumeira dos sacerdotes aos crentes que entravam no Templo. A primeira forma parece mais aceitvel.

    1. A Pergunta Pertinente. Quem, Senhor...? A pessoa que deve comparecer presena divina tem de enfrentar francamente esta pergunta dupla. A prtica de armar tendas no Monte Mori deve ter sido permitida aos peregrinos em certos perodos da histria de Israel. Contudo, as perguntas paralelas enfatizam que os padres divinos devem ser cumpridos se um homem quiser ser hspede de Deus.

    2-5b. A Resposta Aceitvel. O que. A questo da integridade e justia relaciona-se com as obrigaes do homem para com Deus, enquanto a verdade e demais virtudes referem-se aos deveres do homem para com o seu prximo. Combinando os anlogos, integridade e justia, toma-se possvel descobrir o declogo tico nas fases desta seo.

    5c. A Promessa Sacerdotal. Quem deste modo procede. Aquele que preenche o padro divino deve ser aquele que deste modo procede. Tal pessoa no apenas ube o que Deus espera do seu hspede, :nas tambm pe tais princpios em prtica. A nota da estabilidade d ao salmo um clmax adequado.

    Salmo 16. A Alegria da Lealdade

    Esta cano da f uma declarao sincera da alegria que vem da

    fidelidade e lealdade. O autor viveu em tempos de extensa apostasia e idolatria. Contra esse cenrio ele destaca sua felicidade suprema e a

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 28 situao angustiosa daqueles que escorregaram para a idolatria. Sua grande esperana amplifica sua atual confiana em Deus. O salmo atribudo por Pedro (Atos 2: 25) e por Paulo (Atos 13:35, 36 ) a Davi, quando se referem s suas profecias sobre a ressurreio do Messias.

    1-4. A Alegria de Servir. Guarda-me, Deus. Esta orao no por livramento de algum inimigo mas por continuidade da felicidade que ele j descobriu. Seu deleite est nos santos, enquanto confia em Deus. Em contraste est o estado de tristezas multiplicadas que a poro daqueles que buscaram outros deuses.

    5-8. A Alegria da F. Poro ... herana . . . divisas. Estas figuras todas se referem diviso da terra em lotes, por meio da qual os levitas no receberam dotao especfica. Junto com a figura do clice da felicidade do escritor, essas figuras completam a herana realmente linda porque Deus a sua poro melhor. Sua estabilidade se baseia na liderana constante de Deus.

    9-11. A Alegria da Esperana. Alegre-se, pois. Com base em sua alegria presente, o salmista usa frase aps frase para demonstrar a base de sua alegre esperana. O seu corao, esprito (melhor que glria E.R.C.) e corpo, tudo reage na expectativa desta esperana. O versculo 10a no apresenta uma referncia bem definida a uma vida aps a morte, porque a primeira frase ficaria melhor traduzida assim: "Pois tu no abandonars a minha alma no Sheol"; mas o versculo 10b deve-se referir a uma outra pessoa que no o salmista ao dizer: "nem permitirs que o teu Santo veja a corrupo". O versculo 11 aponta para uma continuao da vida feliz que ele j veio a conhecer na presena do Senhor.

    Salmo 17. A Vindicao dos Justos

    O salmista aqui lamenta o injusto tratamento que recebeu nas mos

    dos seus inimigos. A causa do seu problema no conhecida, sabendo-se apenas que ele inocente das acusaes levantadas contra ele. Deus

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 29 claramente seu ltimo tribunal de apelao, sua nica esperana. Sua confiana absoluta em Deus est demonstrada por todo o salmo, mas especialmente no versculo final.

    1-5. Um Apelo por Justia. Ouve . . . a causa justa. O salmista ora em primeiro lugar para que Deus oua, atenda e d ouvidos ao seu lado da histria, a qual ele apresenta, declara, com lbios livres de mentiras. Seu clamor apenas no sentido de receber sentena justa dAquele que sabe da sua inocncia. Deus o tem sondado, provado e visitado e continuar percebendo que no tem culpa.

    6-12. Um Apelo por Misericrdia. Mostra as maravilhas da tua bondade. O salmista repete o seu clamor, desta vez com referncia direta aos seus inimigos. Ele requer que Deus demonstre sua bondade, que o guarde em segurana e que o esconda daqueles que se levantam contra ele. Ele descreve seus inimigos em termos que destacam o contraste entre ele e aqueles.

    13-15. Um Apelo por Livramento. Livra . . . a minha alma. O passo seguinte naturalmente o verdadeiro livramento deste sofredor e a destruio resultante do inimigo mpio. O salmista pede ao decisiva para desapontar e arrasar o inimigo em declarada vindicao a seu favor. Quando acordar pode-se referir manh do dia seguinte a esta experincia ou a uma viso de Deus alm do sono da morte.

    Salmo 18. A Gratido do Vencedor

    Tal como o Salmo 14, este salmo pode ser comparado com outra

    passagem que, neste caso, II Samuel 22. O salmista repetidamente fala de sua ao de graas e sua confiana em Deus.

    1-3. Hino de Louvor Introdutrio. Eu te amo ... invoco. Este louvor baseia-se na total percepo do que Deus significa para ele. Estas figuras de linguagem mostram Deus como ajudador-defensor, no como o instigador da agresso.

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 30 4-19. Um Quadro do Livramento Divino. Livrou-me. Quando o

    salmista, no seu desespero, clamou ao Senhor por ajuda, a terra tremeu, o Senhor trovejou e o livramento veio. Em figuras pitorescas como aquelas que descrevem a teofania por ocasio da entrega da Lei no Monte Sinai (x. 19:16-18; 20:18, 21; 24:16-18), apresenta-se o poder de Deus.

    20-30. A Base Deste Livramento. Segundo a minha justia. O livramento aqui est claramente considerado como recompensa da justia, pureza das mos, fidelidade e honestidade. Esta avaliao pessoal mais comparativa que absoluta. Tudo isto possvel atravs da confiana em Deus.

    31-45. Um Quadro de Profunda Gratido. O Deus que me revestiu de fora. O crdito da vitria est explicitamente concedido a Deus. Ele preparou o caminho, ensinou, treinou e conduziu batalha.

    46-50. Um Hino de Louvor Final. Exaltado seja o Deus da minha salvao. Toda honra e todo o louvor so devidos a Deus somente.

    Salmo 19. A Glria de Deus no Firmamento e no Corao Este salmo est claramente dividido em duas sees distintas, o que

    sugere que seja composto de dois poemas. A primeira parte (vs. 1-6) usa um nome semtico genrico para Deus (El, enquanto a segunda usa o nome convencional especial (Yahweh). Em assunto, estilo e forma as duas sees se diferenciam. Contudo, a ligao foi feita com percia; a exaltao que o salmista faz da revelao da natureza funde-se com a sua exaltao da lei de Deus em um nico glorioso hino de louvor.

    1-6. O Testemunho dos Cus. Os cus . . . o firmamento . . . o sol. Cada um destes tem a sua parte na revelao do mistrio da glria de Deus. Em constante revelao, de dia e de noite, a expanso dos cus revela a excelncia da obra criadora de Deus. O sol surge como o membro mais importante do coro celeste, percorrendo o seu determinado caminho de testemunha. Ainda que figuras semelhantes abundem na literatura acadiana descrevendo Shamash, o deus-sol (ANET, pgs. 91,

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 31 116, 179, 387-389), o salmista claramente considera o sol como um agente de Deus na revelao de Sua glria.

    7-10. O Testemunho da Tora. A lei do Senhor. O salmista usa aqui seis nomes para descrever o todo da revelao interior de Deus. A palavra tor (lei) incorpora algo mais que uma lista de preceitos escritos; inclui todos os ensinamentos divinos. Com o uso de adjetivos e frases participais, o salmista descreve a excelncia da revelao de Deus, que ultrapassa at o ouro ou o mel.

    11-14. A Aplicao Pessoal. Absolve-me. O ensinamento moral de Deus, que serve de advertncia pode levar uma pessoa recompensa desejada. Meditar sobre os ensinamentos divinos como olhar num espelho que torna visvel o homem interior. Portanto, o salmista termina pedindo a fora necessria para vencer todo tipo de pecado e se tornar aceitvel.

    Salmo 20. Suplicando Vitria

    Tanto na estrutura como no contedo este salmo real est muito

    intimamente ligado com o Salmo 21. O ltimo age como um resultado da ao de graas pela orao respondida. O rei a figura central, enquanto sua vitria ocupa a ateno dos seus sditos. bem possvel que fosse arranjado para cntico antifonrio, com a congregao ou o coro dos levitas cantando os versculos 1-5 e 9. Um sacerdote ou levita poderia enunciar as palavras de conforto dos versculos 6-8. Todo o salmo expressa completa confiana em Deus.

    1-5. Orao pelo Rei. O Senhor te responda. Embora a orao seja dirigida ao rei, tambm um ato de intercesso pelo rei. Isto descreve um passo vital na preparao para a batalha, quando o rei oferecia os seus sacrifcios ao Senhor e recebia a certeza da bno divina.

    6-8. Orculo de Garantia. Agora sei. Aps um intervalo, possivelmente o perodo durante o qual os sacrifcios eram oferecidos, a resposta confiante do salmista brota na forma de um orculo proftico. O

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 32 uso do tempo perfeito proftico fornece a necessria garantia divina ao rei e aos crentes. O exrcito agora est preparado para avanar em o nome do Senhor.

    9. Coro Final. Senhor, d vitria ... A LXX faz uma declarao mais literal: Senhor, salva o Rei e responde-nos quando clamamos. Poderia ter sido cantado por toda a congregao ou pelo coro dos levitas.

    Salmo 21. Ao de Graas pela Vitria

    Este salmo real age como resultado natural do Salmo 20, uma vez

    que a splica se transforma em ao de graas por causa da recente vitria. O mesmo arranjo antifonrio pode ter sido usado em sua adaptao para o culto no templo. Alguns comentadores tm sugerido que a ocasio era o aniversrio (cons. v. 4) ou a coroao de um rei (cons. v. 3).

    1-7. Ao de Graas por Orao Respondida. O rei se alegra. O coro da congregao ou do templo dirige uma orao de gratido a Deus por sua vitria extraordinria. Cada versculo contribui lista das coisas que Deus fez pelo rei e atravs dele. Todas essas bnos so diretamente relacionadas com a completa confiana do rei em Deus.

    8-12. Confiana no Futuro. A tua mo. As palavras agora esto dirigirias diretamente ao rei, mas ainda em atitude de adorao. A ao de graas continua em termos de vitrias antecipadas at que finalmente todos os inimigos sejam destrudos.

    13. Doxologia Final. Exalta-te. Novamente o coro junta-se em uma expresso final de gratido profundamente sentida e louvor unido, retornando ao quadro de fora do versculo 1.

    Salmo 22. Triunfo no Sofrimento

    Este salmo o primeiro daqueles que s vezes so chamados de

    Salmos da Paixo. O uso da exclamao introdutria por Cristo na cruz e

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 33 a espantosa fraseologia dos versculos 6-8 e 13-18 tornou este salmo especialmente importante para os cristos. H dentro dele uma estranha mistura de louvor e lamentos. No h referncias ao pecado como causa do problema, nenhuma declarao de inocncia, nenhuma reivindicao de justia e nenhum sentimento de vingana. Por isso as palavras so peculiarmente apropriadas ao Messias sofredor, embora em seu significado primrio se baseassem em alguma experincia do salmista.

    1-18. Seu Sofrimento Pessoal. Deus meu, Deus meu, porque . . . ? Este apelo inicial, no hebraico, foi feito em uma pergunta de apenas quatro palavras (El El lam 'azabtan). Essas palavras foram citadas por Jesus na cruz, em aramaico. Observe que o salmista no perdeu a f mesmo enquanto descrevia seu intenso sofrimento e perseguio. Ele se sente abandonado por Deus mas sabe que Deus est perto. Depois de citar a confiana de seus antepassados e o livramento que receberam, ele descreve a insolente ao dos seus inimigos.

    19-21. Seu Apelo por Livramento. No te afastes de mim. Esta idia ocorre pela terceira vez em um apelo declarado Pela ajuda divina. Apressa-te em socorrer-me; livra a minha alma e salva-me todos indicam a urgncia de sua necessidade,

    22-26. Sua Pblica Ao de Graas. Declararei. Este voto descreve a transio do seu sofrimento para a sua expresso de louvor. Seu desejo agora reconhecer publicamente na dependncia de Deus e proclamar seu prprio livramento pessoal.

    27-31. Sua Alegre Antecipao. Os confins da terra. Cheio de esperana, o salmista v o crculo se alargando para incluir toda a humanidade e as futuros geraes. Suas esperanas pessoais incluem a nao e ento o mundo. De acordo com a mais alta esperana de Israel, a humanidade se voltar para Deus em adorao (cons. Is. 40:7; Fp. 2:10) com base sobre o que ele (o Senhor) tem feito.

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 34 Salmo 23. Meu Pastor

    Este salmo no tem comparao quando tomado como a cano da

    f. impossvel avariar seus efeitos sobre o homem atravs dos sculos. Dor, tristeza e dvida tm sido afastadas por meio de sua poderosa afirmao de f. Paz, satisfao e confiana tm sido as bnos recebidas por aqueles que partilham da sublime confiana do salmista. Embora a linguagem seja simples e o significado claro, ningum foi capaz de exaurir a mensagem do poema ou melhorar sua beleza tranqila.

    1-4. Deus como o Pastor Pessoal. O Senhor o meu pastor. Uma longa experincia de confiana em Deus jaz por trs dessas palavras. O rico relacionamento de Israel como um todo com Deus tomado como realizao individual. O quadro de um pastor fiel a eptome do terno cuidado e contnua vigilncia. A ovelha instintivamente confia no pastor quanto s necessidades do dia seguinte. O aspecto mais notvel desta metfora extensiva a orientao sbia do pastor. Ele conduz ao descanso e restaurao, pelas lutas da vida e atravs de lugares perigosos. O pastor cuida assim das necessidades da vida e afasta o temor do perigo.

    5-6. Deus como o Hospedeiro Benvolo. Preparas uma mesa. O escritor introduz uma metfora secundria para expressar melhor a sua confiana. A cena muda para mostrar o salmista como hspede de honra na casa de Deus, desfrutando de calorosa hospitalidade caracterstica no Oriente. Ele est sob a proteo de Deus. Sua cabea ungida com azeite perfumado. Cada uma de suas necessidades completamente satisfeita. Com base nesta verdade, cada momento de sua vida ser preenchido com as mais ricas bnos de Deus. A maior das bnos ser uma comunho ntima com Deus atravs de contnua adorao.

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 35 Salmo 24. Uma Antema Inaugural

    Este um dos hinos mais majestosos e imponentes de todo o

    Saltrio. Por causa de diversas mudanas abruptas no assunto, muitos tm julgado que este salmo tenha sido composto de selees de trs poemas originalmente independentes (vs. 1, 2; 3-6; 7-10). Embora isto possa ter sido assim, o salmo agora uma unidade apropriada. A ocasio tem sido associada com a Festa dos Tabernculos, com um festival anual do Ano Novo, a dedicao do Templo e a transferncia da arca para Jerusalm. muito provvel que este salmo, como muitos outros, fosse usado antifonariamente.

    1,2. O Coro Processional. Ao Senhor pertence a terra. Esta nfase dada soberania de Deus sobre a terra habitvel e todas as criaturas uma advertncia digna de ateno contra o limitar-se Deus a uma cidade ou templo. Essas palavras eram provavelmente cantarias em muitas ocasies por grupos que se aproximavam da cidade de Jerusalm.

    3-6. Os Requisitos para a Adorao. Quem subir ... Quem h de permanecer? Um reconhecimento do Criador. Deus, na qualidade de soberano de toda a terra, no deve ser buscado levianamente. As exigncias morais para nos aproximarmos de Deus so cuidadosamente estipuladas por meio de perguntas semelhantes s do Salmo 15. Os mesmos elevados padres ticos de conduta so exigidos, com nfase especial sobre o carter da adorao. As perguntas e respostas eram provavelmente cantadas por sacerdotes ou levitas, enquanto o versculo 6 devia ser usado como coro.

    7-10. A Entrada Divina. Levantai, portas, as vossas cabeas. A parte superior das portas considerada baixa demais para o rei divino entrar. Para que entre o Rei da Glria. A convocao dos porteiros simboliza a verdade de que a presena de Deus tm de ser evidente. Ento o desafio de identificar este Rei cantado por outro grupo ou por um individuo sobre o muro da cidade. A poderosa resposta pode bem ter sido a resposta da congregao claramente identificando este Rei como o

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 36 Senhor. Depois da segunda convocao e desafio, a resposta ecoa clara - O Senhor dos Exrcitos (Yahweh Seba't). Ele o Rei da Glria.

    Salmo 25. Uma Orao em Acrstico Pedindo Auxlio

    Este salmo, a splica de um individuo, emprega as letras do

    alfabeto hebraico por estrutura. difcil reconhecer aqui a ordem lgica do pensamento por causa da necessidade de comear cada versculo com a subseqente letra do alfabeto. S temos trs lugares em nosso presente texto (vs. 2, 5 18) onde o acrstico interrompido. O estilo simples, direto, em forma de orao e humilde.

    1-7. Uma Orao por Proteo. A ti, Senhor. A base desta petio por proteo a simples confiana do salmista em Deus. Embora seus inimigos no tenham triunfado sobre ele. so uma constante ameaa. Ele apela para a misericrdia e bondade de Deus, que se revelaram na histria.

    8-10. Uma Meditao sobre o Carter de Deus. Bom e reto o Senhor. Essas e outras caractersticas divinas podem ser percebidas de Sua ao na histria. Por causa de Sua justia, bondade e verdade, Ele guiar e ensinar os homens a andarem por esses mesmos caminhos.

    11-14. Uma Meditao sobre o Relacionamento do Homem para com Deus. A intimidade do Senhor. Aps uma pequena orao pedindo perdo, o salmista medita sobre o segredo do relacionamento adequado do homem para com Deus. Isto ele descobre ser o temor do Senhor esse relacionamento reverente e confiante to freqentemente mencionado nos Provrbios.

    15-22. Uma Orao por Livramento. Volta-te para mim. Usando verbos pitorescos (tirar, voltar-se, aliviar, perdoar, considerar, guardar, preservar), o escritor ora pedindo que Deus o livre. Uma concluso adequada para o salmo se encontra na viso ampliada do versculo 22, onde pede-se a Deus que redima a nao e tambm aquele que ora. Se este versculo for tomado como parte integrante do salmo original, ele

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 37 forma o clmax do pensamento. Se, contudo, for tornado como adio, serve para adaptar o salmo para uso corporativo.

    Salmo 26. A Orao do Adorador

    Este lamento torna evidente que havia um conflito entre os grupos

    religiosos em Israel. Alguns comentadores sugerem que uma epidemia est envolvida nos antecedentes. Mesmo que isso seja verdade, os protestos do salmista quanto sua integridade apontam para uma sociedade na qual os mpios tm ascendncia. Este salmo, embora mais individual que corporativo, poderia bem ter sido usado por um grupo piedoso em tempo de aflio.

    1-7. Um Protesto de Inocncia. Faze-me justia, Senhor. O salmista est to certo de sua integridade que busca o juzo divino; pede a Deus que o examine, prove, sonde. Ele proclama ter andado na verdade, ter evitado qualquer contato com judeus renegados e de ter participado regularmente nos cultos. Tudo isto contrasta agudamente com a conduta dos seus inimigos.

    8-12. Uma Orao por Vindicao. No colhas a minha alma com a dos pecadores. Ele no pede que a morte seja afastada, mas que ele no seja colocado junto com os mpios, os quais ele teve tanto cuidado de evitar em vida. Nesta orao por tratamento especial, ele ora a Deus para que o livre e seja misericordioso porque pretende continuar andando em integridade, permanecer firme e bendizer o Senhor publicamente.

    Salmo 27. Um Hino de F

    O marcado contraste entre os versculos 1-6 e 7-14 tem levado

    muitos comentaristas a classificar este salmo como composto. Tanto o contedo como o esprito dessas sees so vastamente diferentes. O esprito muda da confiana alegre para o temor ansioso. Contudo, dois

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 38 elementos ligam essas partes to diversas - inimigos semelhantes e f em Deus.

    1-3. F Incondicional. O Senhor a minha luz e a minha salvao. Essas palavras exultantes introduzem uma cena de serenidade. Em nenhum outro lugar do V.T. o Senhor chamado de minha luz. Tendo o salmista descoberto que Deus a sua luz, salvao e fortaleza, no h lugar para o medo e o terror. Sua serenidade no est condicionada pelas circunstncias, mas incondicional.

    4-6. O Maior Anseio da Vida. Uma coisa peo ao Senhor. A nica coisa desejada no pode ser igualada ao templo, como muitos comentaristas sugerem. Deve se referir a uma base para o desejo triplo. Essa base ou denominador comum muito provavelmente a presena do Senhor, que o salmista deseja e busca. A percepo desta presena torna-se vivel pela habitao na casa de Deus, contemplando a Sua beleza e meditando no seu Templo. Esta mesma presena resulta na segurana em tempo de aflio.

    7-14. Um Grito de Temor e Ansiedade. Ouve, Senhor. Essas palavras mudam completamente a disposio do triunfo para o profundo desespero quando introduzem uma nova situao. Embora o salmista tenha sido abandonado e rejeitado, sua confiana no vacila. Das profundezas do desespero, ele se recorda que precisa ter pacincia para esperar que Deus opere a Sua vontade.

    Salmo 28. Uma Orao Respondida

    Este salmo, como muitos outros lamentos, trata da luta entre

    aqueles que j pertencem f tradicional e aqueles que so afetados por influncias externas. O salmista tem profundo temor de vira sofrer o destino que deveria sobrevir aos seus antagonistas perversos. Que ele considera sua orao respondida est bvio na mudana do versculo 6.

    1,2. Apelo a Ser Ouvido. No sejas surdo ... ouve-me. O salmista apela a Deus a que oua e responda. Para um hebreu, a falta de resposta

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 39 costumava indicar que Deus no ouvira sua petio. A natureza urgente do grito do salmista est enfatizada pelo seu temor de que morra se Deus no responder.

    3-5. Orao por Interveno. No me arrastes . .. retribui-lhes o que merecem. Sua primeira orao proteo contra seus inimigos mpios. Contudo, sua nfase muda rapidamente para um pedido de retribuio para esses inimigos.

    6, 7. Ao de Graas por Orao Respondida. Bendito seja o Senhor. A razo desta exploso de louvor deve-se entender que seja a resposta divina ao apelo dos versculos 1 e 2. Esta ao de graas deve ter sido acrescentada mais tarde pelo salmista. Ou pode ser a expresso de uma confiana mais intima de que Deus realmente ouvira e j no permaneceria silente.

    8,9. Aplicao Nao. O Senhor a fora. O fato de Deus ser a fora do salmista encontra aplicao para a nao e o rei. Isto pode muito bela significar uma adio posterior destinada a adaptar a expresso de f individual ao culto conjunto.

    Salmo 29. A Glria de Deus na Tempestade

    Em poesia imponente, este hino de louvor aponta para a tempestade

    como sendo mais uma evidncia da glria de Deus. Observaes de segurana so constantemente entremeadas corri frases descritivas da onipotncia de Deus. Raramente um salmista exibe maior poder potico descritivo do que aquele que escreveu este salmo sobre a natureza. Os ntimos paralelos de terminologia com poemas cananitas de 1400-1300 A.C. descobertos em Ugarit na Sria indicam que este salmo pelo menos to antigo quanto Davi, mas o salmista reconhece Yahweh somente como o Deus verdadeiro.

    1,2. Chamado Adorao. Adorai o Senhor. Toda a hoste celestial recebe a exortao de tributar ao Senhor glria e fora. Esta adorao deve ser feita com ordem santa. Muitos comentaristas crem que usando

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 40 o termo ben 'elim ( vs poderosos) que poderia ser traduzido como filhos de Deus, o autor esteja convocando os anjos. Mas outros crem que o povo de Israel, como filhos de Deus, o que se pretende (cons. Dt. 14:1; Sl. 82: 6).

    3-9. A Voz Stupla. A voz do Senhor. Esta frase foi usada sete vezes para expressar o trovo da tempestade. No a ira de Deus mas seu poder majestoso que d andamento tempestade. Ela comea sobre o Mar Mediterrneo com poder e majestade. Depois move-se sobre as montanhas para o norte da Palestina e sobre o deserto para o sul. A descrio do efeito sobre as rvores, montanhas, deserto e animais seguido pelo coro de "glria" que parte da adorao do homem.

    10, 11. Concluso. O Senhor abenoa. Enquanto Deus se assenta em toda a sua glria (v. 9), Ele garante ao Seu povo as duas coisas que mais ele precisa fora e paz. J no se contendo, o salmista quer que todos saibam da mudana operada em sua vida do pranto dana, do pano de saco alegria, do silncio ao louvor.

    Salmo 30. Louvor pela Cura Divina

    Este Salmo conta a experincia de algum que acabou de escapar da

    morte, tendo sido libertado de uma sria enfermidade. Seu notvel restabelecimento produz ao de graas cheia de alegria e leva-o a refletir sobre as lies que aproveitou do seu sofrimento.

    1-3. Louvor pelo Restabelecimento. Eu te exaltarei, Senhor. A objeo do salmista , claramente, de exaltar o Senhor porque foi salvo do Sheol e da sepultura. Ele d todo o crdito a Deus pelo seu livramento. Aqui h contudo, inimigos que surgem em cena e que se regozijam com o sofrimento de um homem justo.

    4, 5. Uma convocao para Recordar. Salmodiai . . . e dai graas. Por causa de sua experincia pessoal. com Deus, o salmista convoca os santos a que se lhe juntem no louvor. So aqueles que tm a mesma mente e que esto ligados ao Senhor pela aliana. insiste-se com eles a

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 41 que rendam graas ao seu santo nome. A frase em seu favor h vida tambm pode ser traduzido assim: o seu favor dura a vida inteira. Esta traduo contrasta o momento da ira divina com uma vida inteira repleta dos Seus favores.

    6-10. O Sofrimento em Retrospecto. Jamais serei abalado. Antes de sua enfermidade, ele se vangloriara, em um esprito de auto-suficincia. Seu orgulho desmoronou com a presso da enfermidade. Contudo, a enfermidade teve o efeito de lhe abrir os olhos para a sua dependncia de Deus, de modo que ele gritou por misericrdia e cura.

    11,12. Louvor Renovado. Senhor, Deus meu, graas te darei para sempre.

    Salmo 31. Uma Orao de Submisso

    Aqui, novamente, temos os fortes protestos de um indivduo contra

    o tratamento desumano dos seus inimigos. A natureza geral dos seus sofrimentos (esp. vs. 1-8) toma este salmo a expresso de muitos crentes atravs dos sculos. A aparente mudana de tom no versculo 9 e o fato de que o alvio j veio, levou muitos comentaristas a sugerir autoria mltipla. Contudo, a ltima seo parece descrever um problema intensificado da parte do mesmo autor.

    1-8. Um Apelo Confiante. Em ti . . . me refugio. em Deus que o salmista tem se refugiado. Com base nisto ele pode apelar pela f a que haja livramento e segurana. O uso que Jesus fez do versculo 5 na cruz tornou todo este salmo sagrado e memorvel.

    9-18. Um Apelo Intensificado. Compadece-te de mim. Enquanto os versculos precedentes descrevem as misericrdias do passado, estes versculos apresentam a extrema necessidade do presente. Esta seo tem diversos paralelos notveis com as experincias de Jeremias. O salmista tornou-se oprbrio e espanto para os seus amigos. Ele um homem esquecido e jogado fora como um vaso quebrado. Nesta condio de

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 42 solido e desespero, seu nico amigo Deus e sua nica esperana entregar-se misericrdia de Deus.

    19-24. Esprito de Gratido. Como grande a tua bondade. A lembrana das misericrdias do passado e a certeza de auxilio contnuo suscitam palavras de louvor e bno. Esta confiana em Deus estimula-o a exortar os outros a amar o Senhor e a serem fortes.

    Salmo 32. A Alegria do Perdo

    O salmista, neste segundo dos sete Salmos Penitenciais, fala

    claramente de sua prpria experincia pessoal. H apenas um sentido secundrio no qual a aplicao pode ser corporativa. A verdadeira natureza do pecado convincentemente percebida enquanto a liberdade feliz do perdo uma realidade passada e presente. O propsito didtico do salmista indica que o poema tem afinidade com os salmos da Sabedoria.

    1,2. A Bno do Perdo. Bem-aventurado. Literalmente, quo feliz. O pecador se alegra porque Deus o perdoou completamente. Observe as quatro palavras que falam do pecado: transgresso significa desobedincia declarada ou rebeldia; pecado refere-se a errar o alvo; maldade (iniqidade) implica em deformao ou perversidade; engano sugere enganar-se a si prprio, no contexto. Cada um deles um aspecto de ofensa moral e tratado pela misericrdia e perdo divinos.

    3,4. O Fardo da Culpa. Enquanto calei. Seu silncio anterior foi na realidade uma recusa de reconhecer seu pecado diante de Deus. Quer a enfermidade estivesse envolvida ou no, o salmista reconhecia que o castigo divino fez-se sentir. No houve alvio, nem de dia nem de noite, enquanto ele se recusava a confessar o seu pecado diante do Senhor.

    5. O Alvio da Confisso. Confessei-te . . . e tu perdoaste. Isto era sem dvida mais um processo do que um ato instantneo. Primeiro ele comeou a reconhecer, a no esconder, e finalmente disse: "Eu

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 43 confessarei". Observe a posio enftica do tu quando o escritor passa a nfase para o que Deus faz.

    6-11. A sabedoria da Experincia. Sendo assim. Por causa da disponibilidade do perdo divino, o salmista exorta os homens a orarem do mesmo modo. Com base em sua prpria e profunda experincia, ele se torna um instrutor, um professor, e um guia, usando a linguagem de um sbio. O versculo 8 parece ser uma citao de um dos cnticos de livramento mencionados no versculo 7, de modo que Deus quem guia e instrui o crente.

    Salmo 33. Convocando a Congregao para Adorar

    Este salmo corresponde aos salmos nacionais do Livro V.

    primeira vista parece estar fora de lugar aqui no Livro I, mas foi colocado aqui como resposta ao convite do versculo 11 no salmo precedente. A resposta traduz a experincia pessoal em um hino nacional de ao de graas. A presena de vinte e dois versculos sugere um relacionamento com o alfabeto hebreu, embora no haja arranjo de acrstico.

    1-3. Chamamento Adorao. Exultai . . . celebrai . . . louvai . . . entrai . . . tangei. A resposta dos justos toma a forma do culto pblico. A natureza do acompanhamento a ser usado, quanto ao tipo de instrumentos e intensidade de som, est explcita. A ocasio exige um cntico novo ou uma nova composio.

    4-9. Louvor Palavra de Deus. A palavra do Senhor. O verdadeiro louvor comea com uma lista dos atributos morais de Deus conforme evidenciados na histria. Retido, fidelidade, justia, direito e bondade, tudo o descreve. O louvor continua enquanto o escritor descreve o poder criativo da palavra de Deus. A palavra assim considerada como uma expresso do pensamento, vontade e ao do Senhor.

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 44 10-12. Louvor ao Conselho do Senhor. O conselho do Senhor

    dura para sempre. Em contraste com o ftil conselho dos pagos, Deus escolheu e orientou Seu povo.

    13-19. Louvor Vigilncia do Senhor. O Senhor olha. Deus olha, observa e considera tudo o que os homens pensam ou planejam. Ele entende as tramas dos homens perversos e o Seu olho que tudo v reconhece as necessidades do Seu povo.

    20-22. O Coro Final do Louvor. Nossa alma espera. O regozijo de todo o salmo se baseia na espera, na confiana e na esperana dos crentes reunidos.

    Salmo 34. A Bondade do Senhor

    Este cntico de louvor um acrstico, semelhante na estrutura do

    Salmo 25. realmente extraordinrio que ambos os salmos omitam a letra Waw e acrescentem um Pe extra no final. Quanto ao contedo ambos so cnticos de ao de graas, semelhantes no pensamento ao livro de Provrbios.

    1-3. Seu Convite ao Louvor. Engrandecei o Senhor comigo. A resoluo de louvar a Deus continuamente a base para levar outros a magnificar e exaltar o Senhor. Este convite dirigido queles que so humildes e capazes de aprender.

    4-6. Seu Testemunho de Livramento. Chamou ... ouviu ... livrou. Partindo de sua experincia de primeira mo, o salmista ilustra a base deste louvor sincero. Seguindo a LXX e diversos manuscritos e verses, o versculo 5 poderia ser traduzido melhor assim: Olhem para mim e sejam iluminados, e seus rostos no ficaro envergonhados.

    7-10. Sua Certeza de Bno. Oh! provai, e vede. A "nica maneira que os outros tm de tomar conhecimento das bnos pondo Deus prova. O salmista diz: "Ponham-no prova e vejam". As verdadeiras bnos s vm para aqueles que confiam, temem e buscam o Senhor.

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 45 11 -22. Sua Lio para Discpulos. Vinde, filhos ... eu vos ensinarei.

    Seu conhecimento experimental deu-lhe o direito de ensinar aos outros. Aqueles que so chamados de filhos so novamente os humildes e capazes de aprender, discpulos de todas as idades. O estilo do mtodo que compreende a pergunta e a resposta didtica dos homens sbios. O tema a retribuio conforme interpretada pelo judasmo ortodoxo.

    Salmo 35. Um Pedido de Vingana

    O salmista aqui fornece mais evidncias de que Deus o tribunal de

    apelo para os perseguidos em Israel. Parece que dois incidentes ou duas sries de incidentes so descritos. Os versculos 1-10 referem-se principalmente a atos fsicos, enquanto os versculos restantes sugerem a cena de um tribunal. O poema est claramente dividido em trs ciclos, cada um terminado por um voto de ao de graas. O salmista aparece como defensor atravs de todo o salmo, mas constantemente recomenda o castigo para seus inimigos.

    1-10. O Primeiro Apelo para o Julgamento. Contende, Senhor com os que contendem comigo. Na linguagem de guerra, o salmista roga por justia em seus prprios termos. Ele expressa seu ressentimento, pedindo que seus inimigos sejam completamente derrotados, desacreditados, e apanhados em seus prprios laos. Ele conclui este ciclo com um voto de realmente regozijar-se no Senhor.

    11-18. A Base para a Continuao do Apelo. Pagam-me o mal pelo bem. Isto parece pertencer a outra ocasio, embora possa ser uma seqncia do primeiro apelo. Os inimigos aqui so antigos amigos que se voltaram contra o escritor e se regozijam contra sua falta de sorte. Empregaram falsas testemunhas e zombaram dele, enquanto ele apenas fez o bem para merecer o seu mal. Novamente termina o ciclo com um voto de que ir publicamente louvar a Deus, se Ele to somente o livrar.

    19-28. O Segundo Apelo para O Julgamento. Julga-me, Senhor. O Salmista apela para que seus inimigos no possam mais zombar dele

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 46 nem falar mal dele. Depois apela para que haja um julgamento final do caso para que seus inimigos recebam o tratamento de oprbrio e desonra que file dispensaram. Novamente conclui o ciclo com um voto de ao de graas.

    Salmo 36. Uma Lio de Contrastes

    Duas figuras destacadamente definidas, uma de piedade e outra de

    impiedade so apresentadas aqui. O estilo varia com o contraste nos temas. O salmista uM forma potica e linguagem rude para descrever o mal e forma suave com linguagem bela para descrever a Deus. Embora alguns comentaristas sugiram que dois diferentes poemas foram reunidos neste salmo, no h certeza nem necessidade disso. A linguagem e o pensamento da concluso nos versculos 10-12 revertem ao padro da primeira ao.

    1-4. A Hediondez do Pecado. No h temor de Deus. Isto parece ser a substncia de um orculo que descreve em essncia o inimigo maligno do salmista. Os manuscritos e as verses diferem, no se podendo ter certeza se o orculo dirigido ao corao do salmista ou ao do homem perverso. H tambm uma dvida quanto ao sujeito de lisonjeia no versculo 2. Pode ser o homem perverso, a transgresso, ou Deus. O primeiro parece ser o prefervel se o orculo tem a inteno de alcanar o corao do salmista, enquanto a segunda possibilidade se enquadra melhor se o versculo 1 se refere ao corao do perverso. Os frutos bvios da negao de Deus esto declarados nos versculos 3,4.

    5-9. A Magnificncia de Deus. A tua benignidade ... a tua fidelidade ... a tua justia ... os teus juzos ... a tua benignidade ... na tua luz. Num fluxo belo e melodioso de palavras, esses diversos atributos divinos so comparados com os diferentes fenmenos da natureza e ento Com a experincia humana. Alm disso, fala-Se de Deus Como "o manancial da vida". Cada aspecto da glria de Deus est

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 47 espiritualmente orientado a fim de produzir um dos quadros mais espirituais de Deus no Saltrio.

    10-12. O Triunfo do Amor. Continua a tua benignidade. Depois de uma pequena orao para que haja continuidade do procedimento divino para com o justo, o salmista descortina a derrocada final do perverso.

    Salmo 37. Uma Vindicao da Providncia

    Este Salmo est relacionado com a literatura da Sabedoria por seu

    carter notavelmente didtico. O problema principal para o salmista a inconsistncia relacionada com a prosperidade dos mpios. Embora tentado a duvidar da bondade de Deus, o autor silencia seu prprio pensamento e a de seus ouvintes, apelando para a pacincia e confiana. A organizao alfabtica, semelhante em muitas maneiras ao acrstico dos Salmos 9 e 10.

    1-11. Conselho para os Sbios. No te indignes por causa dos malfeitores. O versculo de abertura apresenta a mxima bsica para uma perspectiva amadurecida: No se indigne nem tenha inveja daqueles que parecem prosperar apesar de mpios. Em vez disso, o sbio confia, agrada-se, entrega-se, descansa e espera no Senhor. Eis a a cura positiva para a indignao e a inveja.

    12-20. O Destino dos mpios. O seu dia se aproxima. Na passagem anterior armou-se o cenrio para esta proclamao de infortnio com a declarao de que os mpios s tm mais um pouco de tempo (v. 10). As diversas calamidades esto cuidadosamente catalogadas.

    21-31. A Recompensa dos Justos. Possuiro a terra. Os mansos (v. 11), aqueles a quem o Senhor abenoa (v. 22) e os justos (v. 29) so os termos aplicados aos recipientes da recompensa prometida. A ilustrao pessoal do versculo 25 a nica vez que o autor se afasta do estilo formal do salmo como um todo.

    32-40. Contrastes de Retribuio. Presenciars isso quando os mpios forem exterminados. Enquanto os mpios esperam uma

  • Salmos (Comentrio Bblico Moody) 48 oportunidade de apanharem o justo, no futuro o justo ter a sua oportunidade de observar. O fim do justo paz, mas o fim do mpio a destruio.

    Salmo 38. A Lamentao do Sofredor

    Embora este salmo seja uma lamentao pessoal, tambm est

    classificado como um dos sete Salmos Penitenciais. O escritor se queixa de uma seria aflio fsica agravada pela angstia mental e pelo abandono sofrido. Ele aceita o fato dos seus sofrimentos como retribuio merecida pelos seus pecados. Abandonado e desanimado, ele busca a Deus como a ltima e nica esperana.

    1-8. O Sofrimento por causa do Pecado. No h parte s na minha carne, por causa da tua indignao. O salmista no discute com Deus nem proclama sua inocncia. Ele roga por misericrdia, para que o seu fardo seja aliviado. Seu sofrimento sem dvida por causa do meu pecado. A seriedade do seu mal est indicado pela descrio que se faz de uma doena da pele comparvel de J.

    9-14. O Sofrimento por causa da Perseguio. Afastam-se . . . armam ciladas . . . dizem coisas perniciosas. Estas palavras descrevem o tratamento dispensado por aqueles que antes