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    Roi Ferreiro

    Sobre a noom de classe gestorial de Jao Bernardo Salvo o primeiro captulo trata-se ainda dum esbozo, em muito compilaom de citas. Escrito em Outubro de 2007.

    Indice

    I. Os pressupostos tericos

    As raices intelectuais da tese da classe gestorial de Bernardo A perspectiva antagonista ou a orige da confusom dualista de Bernardo

    O carcter da Revoluom russa de 1917 A teoria da tecnoburocracia Umha conclusom preliminar

    Presupostos implcitos (ou como a compreensom do que o capital determina a compreensom da divisom em classes que genera)

    As origes da classe gestorial segundo Bernardo

    II. Bernardo contra Marx

    Marx e a teoria da classe gestorial O concreto e o abstracto

    As consequncias prticas de identificar funom e trabalho por Bernardo Os gestores e a distinom entre trabalho produtivo e improdutivo

    Marx e a transiom revolucionria Os Grundrisse + O Capital vs. Marx crtico de Marx: base tecnolgica e transiom revolucionria (Ou a

    cosmovisom de Marx vs. a cosmovisom de Bernardo) Sobre la base de la propiedad colectiva desaparece la llamada voluntad popular para ceder el puesto a la

    verdadera voluntad de la colectividad cooperativa).

    III. Cara umha nova formulaom

    Bernardo no seu labirinto O ponto de arranque: o critrio de distinom das classes.

    Marx e a definiom das classes O Capital e a luita proletria

    Pannekoek e a teoria da classe media Cara umha actualizaom da teoria marxiana das classes sociais.

    Definiom de classe: Para ir alm do fetichismo e da falsa conscincia pre-valecentes

    O labirinto de Bernardo 2

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    I. Os pressupostos tericos As raices intelectuais da tese da classe gestorial de Bernardo

    "A lei fundamental do processo [revolucionrio], para a dialctica marxista, nom a transformaom da quantidade em qualidade -que, considerada como lei fundamental, decorre do idealismo hegeliano- mas si a acom dumha contradiom sobre outra, estando ambas articuladas numha estrutura duplamente hierarquizada de determinante-dominante. No caso de o processo da vida social se organizar em modos de exploraom, a lei fundamental do desenvolvimento a acom da contradiom social e ideolgica entre as classes sobre o antagoniso entre as foras produtivas e as relaons de produom que a si mesmas se reproduzem." (Para umha teoria do modo de produom comunista, Ed. Afrontamento, 1974, p. 69)

    Aqui pode-se captar a raiz terica originria da tese da "classe gestorial". Para Bernardo nom existe umha soa contradiom, que se expressaria de maneira dupla. Mantm a noom de que as foras produtivas como "tecnologia" (p. 70), que constitue umha das distorsons fundamentais do pensamento marxiano operadas polo leninismo, e que, em ltima instncia, da suporte tamm idea de que o que haver de libertarse nom o proletariado como ser subjetivo, mas as foras produtivas tcnicas e o processo de trabalho enquanto processo objetivo, considerando a liberdade subjetiva como mero subproduto derivado, de tal modo que a questom da liberdade individual careceria ainda de significaom -a liberdade nom seria outra cousa que o desenvolvimento absoluto da produom material e da sua distribuiom, levando ao extremo a identificaom classista da acumulaom de riqueza material com a liberdade e a felicidade das persoas, que no capitalismo manifesta-se na acumulaom de dinheiro em maos privadas e no desenvolvimento do consumo individual e no "socialismo" faria-o na acumulaom de foras produtivas estatizadas e no desenvolvimento dos recursos estatizados postos a disposiom dos individuos. Por outro lado, Bernardo, a partir desta noom idealista-mecanicista das foras produtivas como algo diferente do proletariado -cujo desenvolvimento como fora de trabajo poderia ficar entom desligado do desenvolvimento da sua subjetividade (conscincia) e actividade subjetiva (luita), como se a capacidade viva de trabalho puidesse ficar cindida do ser-, tem que concebir as relaons de produom como algo distinto das relaons entre as classes, como algo puramente objetivo que compreenderia a organizaom tcnica do trabalho determinada pola adopom da forma valor que caracteriza os componhentes do capital (fora de trabalho, meios de produom, materiais empregados, existem como mercadorias) e polo processo da lei do valor. Em outras palavras, Bernardo confunde a forma autonomizada respeito da base produtiva que assumen das relaons entre as classes, a luita de classes, com a existncia efectiva dumha separaom ou autonomia formal (pois mantm a existncia dumha relaom de determinaom). O problema emprico que a forma autonomizada nom umha pura aparincia, mas umha realidade funcional, como todas as aparincias do capitalismo (fetichismo). Embora, dum ponto de vista materialista, nom possvel dissociar desse jeito a capacidade de trabalho do ser subjetivo como un todo. Tampouco o proceso de trabalho, enquanto processo tcnico e processo de valorizaom (criaom de plustrabalho), se pode dissociar das relaons entre as classes, que de facto som um produto mais desse processo determinado polas relaons entre trabalho vivo (posta em actividade da capacidade viva de trabalho) e trabalho objetivado (na forma inicial de materias primas, auxiliares, ferramentas e maquinaria, e na forma resultante do processo produtivo como materia transformada, producto). A cultura produtivista do proletariado, destinada a operar como autoafirmaom d@s proletari@s dentro da sua condiom social de explorad@s, co objeto de fazer psicolgicamente suportvel essa vida de desrealizaom humana meiante o autoengano consistente em identificar-se como produtores de riqueza material e identificar a riqueza como fonte de bem-estar e felicidade, da auto-realizaom humana (o qual em essncia, como j mencionei, um postulado capitalista), esta falsa conscincia tendeu sempre a expressar a oposiom proletariado-burguesia como oposiom entre a classe produtiva e a classe parasitria. Mas isto somentes assi se consideramos que o trabalho produtivo nicamente o trabalho que acta directamente no processo de transformaom material e que, por conseguinte, o trabalho directivo e tcnico improdutivo. Mas dum ponto de vista capitalista, assi como do ponto de vista da produtividade material, isto falso. O trabalho directivo e tcnico serve para aumentar a efectividade do trabalho produtivo directo em termos de tempo de plustrabalho e de productividade material, o que especialmente se pm de relevancia se consideramos o processo de produom como un todo, ou seja, a produtividade do "operrio colectivo". Este, alm, fora o ponto de vista adoptado por Marx. Outra cousa que -e isso o

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    que guarda de verdade a autoafirmaom produtivista do proletariado- o trabalho directivo e tcnico, enquanto disociado do trabalho produtivo directo, constitua umha alienaom e inclusive umha forma relativamente improdutiva de organizaom da produom, o que se superaria se se suprimisse esa divisom do trabalho e cada operri@ contasse com plenas habilidades tcnicas e directivas, marge da existncia de responsveis eleitos rotativamente para assumir as tarefas de coordenaom onde for preciso. Em poucas palavras, o mando umha funom intrnsecamente produtiva, a manifestaom tcnico-organizativa da propriedade privada sobre a produom de plustrabalho. Por conseguinte, tanto proletariado como a burguesia que realiza funons directivas -ou os seus delegados para dirigir o proceso produtivo- devem considerar-se igualmente foras produtivas subjetivas. A diferncia e oposiom social entre ambos nom se acha, fundamentalmente, na oposiom entre trabalho mental e trabalho manual, dirigentes e ejecutantes, mas na oposiom entre os produtores expropriados do seu plustrabalho e os proprietrios dos meios de produom que se apropriam desse plustrabalho. A contradiom essencial nom de carcter poltico, relativo ao governo das vontades individuais, mas de carcter econmico, relativa apropriaom do plusproduto. Enquanto s relaons de produom, ambos actores som igualmente criadores e participantes desas relaons, por mais que o proletariado se veja compelido a elas sobre a base da pobreza. O facto de que seriam possveis outro tipo de relaons produtivas supm, de facto, admitir que o proletariado cria activamente a relaom de exploraom. A perspectiva antagonista ou a orige da confusom dualista de Bernardo Embora, o que at agora tratei de establecer a inseparabilidade (ou identidade) da subjetividade e da existncia objetiva, de maneira que tanto proletariado como burguesia constituem vez foras produtivas e som os componhentes indispensveis das relaons de produom capitalistas. Da perspectiva do antagonismo, vez @s trabalhadore/as acham-se em conflito com a sua condiom de classe explorada en quanto forma de actividade (trabalho assalariado) e relaom com os meios de produom e com o seu producto (expropriaom do plustrabalho). Como na concepom dialctica do movimento, o devir, a mudana qualitativa, propulsada pola negatividade, o pensamento marxiano enfatizou sempre, no discurso terico a contradiom entre o desenvolvimento das foras produtivas e a autovalorizaom do capital, e no discurso prtico a contradiom entre o desenvolvimento da luita de classes e a dominaom capitalista. Deste jeito, criou-se um dualismo aparente entre umha cousa e a outra, mas em essncia trata-se somentes de duas perspectivas distintas sobre umha mesma relaom social, a primeira enfatizando o lado objetivo antagnico econmico e a segunda enfatizando o lado subjetivo antagnico poltico, marginando relativamente o lado subjetivo antagnico econmico (a resistncia proletria organizaom capitalista do trabalho e s condions materiais de trabalho -que nom obstante foi bastante mencionado por Engels em A situaom da classe operria na Inglaterra e ao longo de O Capital por Marx) e o lado objetivo antagnico poltico (o desenvolvimento das formas de organizaom e de p