resumo: a universidade, produtora de conhecimento e formadora

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  • OLIVEIRA, L. R. & BLANCO, E. (2003) Uso da internet na formao de base de professores: uma proposta de plataforma de suporte a actividades de aprendizagem. ELO Especial, 2003, 67-81.

    USO DA INTERNET NA FORMAO DE BASE DE PROFESSORES: UMA PROPOSTA DE

    PLATAFORMA DE SUPORTE A ACTIVIDADES DE APRENDIZAGEM.*

    Lia Raquel Oliveira & Elas Blanco Universidade do Minho - Instituto de Educao e Psicologia Dep. de Currculo e Tecnologia Educativa

    Braga Portugal RESUMO: A universidade, produtora de conhecimento e formadora de recursos humanos, tem um papel determinante na construo da sociedade do conhecimento. Precisa, portanto, de reflectir sobre as suas prticas pedaggicas e didcticas e de mudar. Esta mudana passa, pensamos, pela utilizao da Internet enquanto recurso didctico para suportar as actividades lectivas. Isto significa que necessrio no apenas transpor materiais de estudo para a rede mas tambm e sobretudo desenvolver ambientes e metodologias que possam permitir aprendizagens significativas. No mbito de uma investigao-desenvolvimento em curso, foi criado um prottipo de web site (base de dados dinmica, interactiva e multimdia) cuja inteno suportar qualquer contedo de ensino-aprendizagem na universidade. Destina-se a flexibilizar espcio-temporalmente as aulas presenciais oferecendo um ambiente virtual de aula baseado em boas prticas pedaggicas que se podem traduzir por partilha e construo colaborativa de conhecimento. Apresenta-se aqui o modelo (resumidamente) usado e avaliado por estudantes de licenciaturas em ensino e coloca-se discusso a interface adoptada para uso dos estudantes. Pensamos que a originalidade do trabalho reside nas opes conceptuais que traduzem uma discusso pedaggico-didctica que implica preocupaes estticas, retricas e semiticas. Introduo

    Dadas as caractersticas do trabalho que aqui apresentamos, gostaramos de iniciar

    este texto com uma brevssima reflexo sobre alguns temas, extremamente pertinentes e oportunos, quando se discute tecnologia aplicada educao: o perfil de competncias dos profissionais de ensino, a formao para novos papis profissionais, o lugar das tecnologias na formao1.

    Os trs temas traduzem trs questes fundamentais em educao, recorrentes e largamente debatidas, especialmente durante o sculo XX. A razo de ser desta recorrncia deriva, como natural, do facto do currculo ser um texto prescrito, directamente dependente do sistema social em constante movimento e procura de equilbrio. suposto que essa prescrio traduza as necessidades da sociedade em matria de valores para a cidadania e de competncias para a vida activa. Contudo, entre esta sua dimenso e a de currculo efectivamente realizado2 existe um fosso considervel que pensamos ser o resultado de uma lgica descendente desde sempre aplicada pelas administraes centrais. Esta tradio redunda, como obvio, numa espcie de viciao do sistema onde os mecanismos de auto-regulao acabam por funcionar de modo preverso fazendo emergir fenmenos (como o da violncia ou o dos explicadores) pouco ecolgicos na medida em que reforam os desiquilbrios. Esta lgica sustentada por uma lgica economicista que, como sabido, acarreta grandes prejuzos a mdio e longo prazo. Uma pequena questo ilustra bem estas lgicas: se existem menos alunos nas escolas e professores sem emprego, porque razo as turmas continuam a ser, partida, compostas por 30 alunos e se fecham escolas por terem poucos alunos? Sabendo-se que a relao pedaggica se funda na

  • personalizao e que esta exige tempo e dedicao. Muitas mais questes podiam ser colocadas. Cortes oramentais em educao, significam normalmente, poupar na farinha para gastar no farelo.

    Por outro lado, nesta lgica descendente raramente ouvida a comunidade educativa, particularmente, a parte mais directamente interessada: os alunos e, claro, os professores. Nesta falta de respeito evidente pelo direito participao, alunos e professores (por motivos diferentes) habituam-se a delegar mutuamente responsabilidades desperdiando o contacto privilegiado que a intimidade da sala de aula pode permitir.

    Interessante ser tambm lembrar que quer a questo do perfil de competncias quer a questo dos novos papis decorrem, na devida medida, da inveno e difuso de tecnologias de comunicao que, ao influirem profundamente na sociedade, atingiram inevitavelmente a escola, as instituies de ensino e os respectivos fundamentos. Foi o caso da imprensa de Gutemberg, da fotografia, do magnetofone, do cinema, da televiso. o caso, desde a ltima dcada do sculo XX, das tecnologias da informao e comunicao suportadas por redes. E, do mesmo modo que a primeira das tecnologias intelectuais a escrita teve revolucionrios efeitos cognitivos e sociais (Goody, 1977) tambm estas novas tecnologias sero susceptveis de modificar os modos de construo e de aquisio de saberes e, portanto, as modalidades de aprendizagem (Jacquinot-Delaunay, 1998).

    A grande riqueza educativa das TIC, pela natureza dos seus suportes e das novas situaes comunicativas que permitem efectuar, reside na abertura de novas opes na organizao escolar e curricular, podendo repercutir-se o seu valor potencial nos nveis organizativo (na flexibilizao do tempo e do espao escolar), contedal (na construo da Sociedade do Conhecimento) e metodolgico (na criao de metodologias singulares e variadas). (Blanco, 1999).

    No caso concreto do desenvolvimento profissional dos professores, estas tecnologias, no constituindo em si a soluo para os problemas da educao, oferecem oportunidades nicas e concretas: a criao de comunidades de pares e a real possibilidade de comunicao e partilha, o acesso a suporte profissional especializado para actualizao em conhecimentos, metodologias, culturas de acordo com as necessidades particulares de cada professor , economia em custos e tempo se os locais de trabalho estiverem equipados para o efeito. Posto que, para alm de serem criadas condies profissionais para que tal seja possvel, os professores tomem, tambm, a iniciativa da auto-motivao e se consciencializem da necessidade de continuarem a aprender ao longo da vida.

    Porm, nossa convico que, como do senso comum, se aprende fazendo e quanto mais cedo melhor. E neste aspecto, fundamental que a formao de base dos professores integre uma formao para as tecnologias mediante o uso dessas tecnologias fundamentado teoricamente e enquadrado metodologicamente. A Universidade do Minho vem fazendo, desde o seu incio, um esforo nesse sentido com a sua interveno na rea do Currculo e da Tecnologia Educativa. Faltam estudos que nos digam qual o impacto dessa formao no terreno da escola.

    Ento, se as novas tecnologias da informao e da comunicao e muito em particular a Internet transformaram radicalmente os modos de acesso informao, a sua produo e a sua escala de difuso, se, simultaneamente, alteraram tambm os modos de comunicao, as universidades, enquanto produtoras de conhecimento e formadoras de recursos humanos no so alheias a estes fenmenos e ocupam neles um lugar determinante. A sociedade est em mutao, os conhecimentos disponveis tambm e, consequentemente, o mundo do trabalho exige profissionais flexveis com elevadas competncias de auto-didactismo, capacidade de adaptao e esprito empreendedor colaborativo.

  • Mas, um profissional com estas caractersticas precisa de ser habituado a ser uma pessoa autnoma e responsvel desde a sua formao inicial (Jacquinot, 1993:65). A ideia no nova: no dizia j Condorcet, em 1792, que os jovens deviam adquirir a arte de se instruirem por si prprios, para continuarem a aprender ao longo da sua vida. E este princpio fundamental est na base de todas as concepes modernas de educao desde Pestalozzi, Rousseau e Kant O que novo que esta bela e nobre ideia se tornou numa exigncia de sociedade. (id.ib.).

    Neste contexto, a universidade precisa, portanto, de reflectir sobre o ensino que ministra e sobre as aprendizagens que deseja para o seu pblico. Consequentemente, precisa de proceder, pensamos, a algumas alteraes nas suas prticas pedaggicas. Uma destas alteraes passa pelo uso efectivo da web como recurso didctico para as actividades lectivas. Isto significa que necessrio no s transpor materiais de estudo para a rede mas tambm e sobretudo conceber e desenvolver ambientes que sustentem metodologias e estratgias que possam permitir aprendizagens significativas conducentes a autonomia. No se trata aqui de ensino a distncia mas antes de uma reconceptualizao do ensino presencial mediante o uso desta tecnologia e das suas potencialidades de comunicao e distribuio. Alis, devido precisamente a esta tecnologia, assistimos cada vez mais e sobretudo desde 19853, a uma forte convergncia entre as duas modalidades de ensino cujo resultado o e-Learning4.

    Enquadramento Este trabalho enquadra-se no mbito de uma investigao-desenvolvimento (Van

    der Maren, 1996, Richey & Nelson, 1996) em curso, cujo primeiro objectivo discutir e compreender o processo de concepo e implementao de um dispositivo de educao/formao recorrendo a tecnologias web. No proposto um dispositivo acabado mas sim um prottipo em evoluo. Pretende-se dispr de um instrumento de trabalho que permita, para alm de uma reflexo sobre os aspectos tcnicos, administrativos e logsticos, uma reflexo essencialmente pedaggica e didctica sobre a utilizao desta tecnologia no contexto em causa. Peocupa-nos, fundamentalmente, a qualidade do ensino-aprendizagem e um uso didctico sustentado e justificado das tecnologias disponveis.

    Situamo-nos no quadro de algumas teorias emergentes dos trabalhos da psicologia cognitiva: o construtivismo cognitivo de Piaget no qual a aprendizagem considerada um processo activo onde a experincia directa crucial para a assimilao e acomodao da informao e onde a apresentao da informao tambm importante; o processamento de informao de Ausubel (o modo como se recebe e armazena a informao afecta a sua utilidade); o construtivismo social de Vygostsky marcado pelo conceito de mediao, material e simblica, e que encara o computador como conectorde pessoas; o construcionismo de Papert cujo objectivo ensinar de maneira a que se produza o mximo de aprendizagem com o mnimo de ensino. (Papert, 1993: 139).

    Pressupe-se, claro, uma necessidade de mudana do paradigma tradicional do ensino que o da acumulao (o conhecimento resulta da adio de saberes) para um paradigma de construo onde a doxa d lugar a um conhecimento emergente de carcter socialmente construdo e, por isso, j de si cooperativo. (Boulier, 2000: 157).

    Assim, procedemos concepo de um web site (Projecto TE - Tecnologia Educativa) destinado a suportar qualquer contedo de ensino-aprendizagem na universidade. Este prottipo destina-se a ser utilizado fora da aula e/ou na aula e serve, enquanto modelo e exemplo, a disciplina de Tecnologia Educativa (3 ano de formao de professores para o Ensino Secundrio) que funciona em regime laboratorial, privilegia a metodologia de projecto e utiliza a avaliao por portfolio.

    A inteno do web site flexibilizar espcio-temporalmente as aulas presenciais, criando um ambiente virtual baseado em boas prticas pedaggicas5 que se podem

  • traduzir pela noo de comunidade (grupo, sentido de pertena), partilha e construo colaborativa de conhecimento. Esta flexibilizao poder permitir aos estudantes uma maior autonomia no seu processo de aprendizagem visto poderem dispor, durante o tempo da sua formao, de um referencial interactivo online sobre a disciplina que esto a frequentar e poderem us-lo de acordo com as suas caractersticas pessoais (estilos e tempos de aprendizagem).

    Outros objectivos mais concretos so a facilitao do acesso a informao relevante, a dinamizao de uma comunicao temtica (estudantes-estudantes e estudantes-professores), a contribuio para o desenvolvimento de competncias do domnio da alfabetizao informacional (Oliveira, 1997, 2002)6 e a simplificao de certas tarefas do professor, de carcter administrativo e organizacional, contribuindo assim para uma melhor qualidade do ensino-aprendizagem.

    O design do dispositivo O processo de criao do dispositivo desenrolou-se em quatro fases (processo e

    metodologia de design): a concepo, o desenvolvimento, a implementao e a avaliao (neste momento, parcialmente em curso).

    Para a concepo procedemos a uma reviso de literatura sobre o assunto e a pesquisas na web sobre realizaes similares. Da anlise da oferta (paga ou gratuita) de plataformas de aulas virtuais e da reviso de literatura conclumos que ou eram demasiado complexas para a simplicidade que se pretendia ou eram demasiado vocacionadas para ensino a distncia, sendo todas elas decalcadas do modelo de aula tradicional, directivo. Contudo, encontramos vrias realizaes particulares que se aproximavam das nossas intenes. Procedemos ainda a uma pesquisa preliminar sobre a existncia de sites desta natureza, nas universidades pblicas portuguesas, para o ensino da disciplina (Tecnologia Educativa ou afim) usada para o modelo (Oliveira & Blanco, 2001 a).

    Procedemos, ento, s tomadas de deciso sobre os objectivos especficos, os contedos a disponibilizar e sob que formatos, a forma de abordagem comunicacional/esttica, os tipos de comunicao e de interaco. A ideia de boas prticas pedaggicas acima referida consubstanciou-se numa metfora, inspirada nas categorias da narrativa (porque o Homem um consumidor/produtor de histrias), de elaborao de uma histria (i.e. construo de conhecimento) num determinado espao e tempo, por algum que faz alguma coisa, utilizando os recursos necessrios em funo de objectivos comuns e dependendo de certos condicionalismos. As opes comunicacionais/estticas traduziram-se no minimalismo possvel, respeitando os critrios de simplicidade, facilidade de uso, clareza, consistncia e credibilidade induzida. A arquitectura de informao final foi conseguida recorrendo tcnica dos post-it (Boling & Frick, 1997) e o resultado encontra-se expresso no flowchart que se segue (Fig. 1).

  • Figura 1 Flowchart da interface dos estudantes. A fase do desenvolvimento execuo tcnica do site propriamente dito contou

    com a colaborao de profissionais das reas de Engenharia de Sistemas e de Design de Comunicao (programao e estrutura de superfcie). Aps as testagens elementares nestes casos, e aps o alojamento do site, realizamos testes de usabilidade que no cabe aqui referir alongadamente mas que se basearam, fundamentalmente, no protocolo think aloud, individual e registado em vdeo (Schriver, 1997) e que envolveram cinco participantes pertencentes ao destinatrio (Nielsen & Landauer, 1993, Reeves & Carter, 2001). Na sequncia destes testes foram realizadas algumas alteraes.

    O web site foi implementado durante um semestre (2002) e utilizado por cerca de setenta estudantes de licenciaturas em ensino (letras e cincias). Neste momento, procedemos ao tratamento das opinies recolhidas junto destes utilizadores (por questionrio e por entrevista) e contamos, brevemente, poder disponibilizar os resultados, em particular os respeitantes ao interesse pedaggico do uso do modelo na situao definida.

    O dispositivo Do ponto de vista do sistema, o site possui duas interfaces: a interface dos

    estudantes, ou seja, o ambiente partilhado (estudantes e professor) e a interface do administrador (professor) que actualiza a informao no site e faz a sua gesto. Para que isto seja possvel, o contedo disponvel online dinmico e alimentado por um sistema de informao criado com Microsoft Acess (com recurso a Dreamweaver, Ultradev, HTML, ASP e Java Script). Trata-se, portanto, de uma base de dados cujas interfaces permitem o upload de ficheiros sem necessidade de acesso autorizado ao servidor. Este aspecto parece-nos importante para uma real interactividade, ao nvel das duas interfaces, no se resumindo assim a plataforma a uma comunicao unidireccional (professor-estudantes) e a um discurso directivo. O acesso a qualquer das interfaces exige login e password.

    A interface aqui apresentada constituda por cinco seces: Home, Pessoas, Projectos, Recursos e Informao. Estas seces procuram traduzir a metfora adoptada.

    A seco Home (Fig.2), para alm de se apresentar como mapa do site (a informao mais profunda acessvel num mximo de trs cliques, dado o recurso a menus que surgem, em todas as pginas, quando sobrevoados pelo rato) prope uma espcie de frum simplificado quadro de discusso. Existe uma afirmao em discusso (colocada pelo professor, semanalmente) e os comentrios introduzidos so automaticamente inseridos com um clique. Os comentrios inseridos podem servir de incio de discusso em incio de aula presencial. Os princpios subjacentes a esta opo so o da reflexividade e o da participao voluntria que exige motivao intrnseca. Assume-se, portanto, a Home como suscitadora de interactividade e de participao.

  • Figura 2 Home e menu de navegao. A seco Pessoas permite quatro entradas: entrada de dados e trs cursos. Na entrada de dados, os estudantes encontram um formulrio para inserir dados

    pessoais (e-mail obrigatrio e homepage facultativa) que ficam disponveis numa pgina pessoal acessvel via pgina do curso (e.g. Fig.3). O professor integra esta pgina do curso porque se entende que pertence ao grupo apesar de, como obvio, ter objectivos diferentes dos dos estudantes. No assim destacada a sua presena realando-se o carcter de comunidade.

    Figura 3 Pgina do curso A seco Projectos permite tambm quatro entradas: entrada de dados e trs

    cursos. A entrada de dados tambm um formulrio onde pedido aos estudantes que

    insiram sinopses dos projectos de trabalho em que esto envolvidos. Os seus nomes (nick names de identificao no grupo) ligam com a sua pgina pessoal.

    Figura 4 Projectos dos estudantes. A seco Recursos permite duas entradas. recursos no site e recursos externos.

    Estes ltimos so os tradicionais links de interesse que vo sendo actualizados por

  • contribuio dos estudantes (se bem que os links sejam inseridos pelo professor, neste momento). Esto agrupados, por enquanto, em nacionais e internacionais. Outra categorizao dever ser pensada.

    Os recursos no site esto agrupados por tipo de documento (Fig.5): textos escritos (.doc), apresentaes em powerpoint (.ppt), extractos de video (.mpeg), imagens fixas (.jpg e .gif). e exerccios (formatos diversos). Neste momento, esto dispostos em pgina corrida (com links para topo de ecr e para categoria) dado ser difcil prever o nmero de documentos que podem ser inseridos.

    Foram disponibilizados vrios textos escritos de referncia, algumas verses dos mesmos em powerpoint, grelhas de avaliaes de trabalhos a realizar e de desempenhos vrios (participao dos estudantes, actividade do professor), apresentaes autnomas em powerpoint, vrios extractos de video de documentos visionados em aula (Fig.6), um conjunto de imagens e alguns exerccios sobre ferramentas informticas. Esta possibilidade de insero e de disponibilizao de documentos multimdia constitui uma exigncia incontornvel dadas as vantagens reconhecidas, para o processo evolutivo que constitui a aprendizagem, da representao da informao em vrias linguagens, ou seja, em vrios sistemas simblicos (Depover, Giardina & Marton, 1998).

    Figura 5 Documentos disponveis no site. Todos os documentos so lanados em nova janela do browser permitindo um

    visionamento imediato e uma gravao na aplicao de origem (Fig.6).

    Figura 6 Exemplo de vdeo. As ligaes para outros sites utilizam o mesmo processo de lanamento de nova

    janela do browser, evitando, por um lado, uma sada involuntria deste site (por mudana de URL) e, por outro lado, preservando a autoria daqueles (uma das muitas razes pelas quais no so utilizados frames de acordo com Nielsen, 2000).

  • Figura 7 Exemplo de link externo. A seco Informao resume as condicionantes institucionais e administrativas:

    programa (oficial da disciplina), sumrios e calendrio (por curso). A pgina do programa ocupa um cr (onde consta um resumo do mesmo) e nela

    se pode fazer o download do respectivo ficheiro (.doc) bem como de um ficheiro especfico sobre as normas, critrios e modalidades de avaliao na disciplina.

    A pgina dos Sumrios semelhante do programa e permite o download do ficheiro respectivo.

    O calendrio (Fig.8), como o nome indica, baliza as actividades ao longo do tempo previsto para a frequncia da disciplina. Est estruturado por meses e dias (em folha corrida) e apresenta um resumo orientador das actividades consideradas para desenvolvimento.

    Figura 8 Calendrio de actividades. Relativamente s modalidades possveis de comunicao, para alm do quadro

    inicial de discusso que pode ser utilizado de forma assncrona ou sncrona, privilegia-se o uso do correio electrnico. Todos os membros da comunidade-aula introduzem nas suas pginas pessoais o seu endereo de correio electrnico que fica assim disponvel para comunicao a partir desta interface (Fig. 9).

  • Figura 9 - E-mail a partir do site O correio electrnico permite, como sabido, comunicao privada de um

    indivduo para outro mas tambm de um para vrios indivduos em simultneo (e.g. mailing lists). Permite ainda o envio de ficheiros anexos em vrios formatos. Por outro lado, as aplicaes de e-mail permitem o estabelecimento de regras de recepo e envio de mensagens (e.g. filtros vrios) bem como arquivo, registo e confirmao de recepo. Assim, pensamos que esta modalidade de comunicao a mais adequada para esta situao garantindo a necessria privacidade, rapidez e eficcia geral na troca de mensagens. ainda via correio electrnico que est prevista a difuso de resultados de avaliao (sumativa e formativa ou metacognitiva) quer da parte do professor quer da parte dos estudantes, mediante o uso de mailing lists selectivas (individuais, de pequeno grupo ou de grupo curso). Esta opo fundamenta-se no facto de considerarmos que a avaliao, sob qualquer das suas formas, um processo contextuado que diz respeito s pessoas nela envolvidas e que, portanto, deve ser alvo de uma certa reserva, de uma difuso privada e bem delimitada. Alis, como acontece, formalmente, no contexto acadmico tradicional de afixao pblica de resultados (afixao de pautas). O facto de se utilizar o correio electrnico com esta finalidade ao longo do tempo de aprendizagem pode, no nosso entender, contribuir para uma maior personalizao, transparncia e justia do prprio processo de avaliao.

    Alguns resultados e consideraes finais Utilizar a web como recurso didctico para as actividades lectivas dadas as

    suas potencialidades de comunicao e distribuio significa que necessrio no s transpor materiais de estudo para a rede mas tambm e sobretudo conceber e desenvolver ambientes que sustentem metodologias e estratgias que possam permitir aprendizagens significativas.

    Da interpretao dos dados obtidos atravs do questionrio passado aos estudantes que utilizaram a plataforma ressalta uma adeso, em todos os aspectos questionados, muito positiva (superior a 90%). Contudo, a participao no Quadro de discusso e o fluxo de mensagens via E-mail foram extremamente reduzidos denotando no propriamente uma falta de interesse por parte dos estudantes mas antes uma ausncia de necessidade do uso dessas possibilidades de comunicao. De facto, dada a metodologia e estratgias implementadas nas aulas desta disciplina, os estudantes encontravam-se j de tal modo implicados nos projectos que desenvolviam que o web site apenas funcionou como espao de referncia no tendo assumido um papel preponderante nas dinmicas comunicativas. De qualquer modo, esta constatao no constituiu uma surpresa tendo em conta a natureza, as intenes e objectivos da plataforma, em particular o seu carcter de espao de aula efectivamente virtual (que pode ser), paralelo, complementar. Um uso livre e voluntrio implica necessariamente uma motivao intrnseca da parte dos potenciais utilizadores. Pressupomos que a motivao e a autonomia dos adultos (ou jovens adultos) no se ensina mas pode aprender-se e desenvolver-se se existirem condies para o efeito. Entendemos, epistemologicamente, que a primeira dessas condies a liberdade de aco que pode permitir a iniciativa individual autntica e sustentada.

    Nenhuma tecnologia por si s educativa, para perceb-lo basta utiliz-las (Jacquinot-Delaunay, 2001). Conceber, desenvolver, implementar e avaliar dispositivos de educao e formao para a web passa, necessariamente, por uma reflexo e discusso profundas no apenas sobre os aspectos informticos e comunicacionais de operacionalizao desses dispositivos mas, tambm e sobretudo, sobre as finalidades e intenes pedaggicas, didcticas e curriculares que os sustentam. Esperamos contribuir

  • para essa discusso e para a transdisciplinaridade que este meio de comunicao exige.

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    1 Temas recentemente propostos a discusso no XII Colquio da AFIRSE-AIPELF, realizado em Lisboa, no passado ms de Novembro. 2 Omitimos a dimenso do currculo enquanto programa que nos levaria, necessariamente, questo da mediao, do papel dos agentes educativos no terreno e do das editoras livreiras. 3 Ano da World Conference of the International Council for Distance Education, reunida em Melbourne onde a problemtica dos sistemas mistos esteve no corao dos debates (Jacquinot 1993). 4 Em documento emanado da Comisso Europeia o termo e-Learning apresentado como designando a utilizao das novas tecnologias multimdia e da Internet, para melhorar a qualidade da aprendizagem, facilitando o acesso a recursos e a servios, bem como a intercmbios e colaborao a distncia. (JOCE, 2002: C 179/16). 5 Pensamos que a definio seguinte adequada: Boas prticas (ou as melhores prticas) implicam uma compreenso do que resulta e do que no resulta, em determinadas situaes e porqu. As boas prticas so um conjunto dinmico de opinies que evoluem com o tempo e com a experincia adquirida. (JOCE, 2002: C 179/16). 6 O conceito aqui explorado aproxima-se do expresso, recentemente, pela Comisso Europeia na sua definio de cultura dos media: A implementao de mtodos e-Learning, quando efectuada com xito, conduz aquisio da cultura digital. Enquanto a cultura digital se refere aquisio de conhecimentos de novos instrumentos, a cultura dos media, como se explica infra, refora a utilizao desses instrumentos cada vez mais disponveis na sociedade () A cultura digital concentra-se na aquisio de aptides e competncias relcionadas com as novas tecnologias () A cultura dos media mais geral () Deste modo, a cultura dos media definida como a capacidade de comunicar eficazmente em todos os meios de comunicao social (antigos e novos), bem como de aceder, analisar e avaliar o poder das imagens, palavras e sons que so uma parte muito importante da nossa cultura contempornea dos media. Trata-se de uma competncia fundamental, que cada vez mais necessria para podermos compreender totalmente a grande quantidade de imagens e de mensagens com que somos confrontados todos os dias. (JOCE, 2002: C 179/15)