religiao excerto

Click here to load reader

Post on 06-Dec-2015

215 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

...

TRANSCRIPT

  • Centro Atlntico

    Religio on-lineO melhor da Internet sobre as Grandes Religies

  • Luis GonzagaSusete Gonzaga

    Religio on-lineO melhor da Internet sobre as Grandes Religies

    Edies Centro AtlnticoPortugal/2001

  • Reservados todos os direitos por Centro Atlntico, Lda.Qualquer reproduo, incluindo fotocpia, s pode ser feitacom autorizao expressa dos editores da obra.

    RELIGIO ON-LINE O MELHOR DA INTERNET SOBRE AS GRANDES RELIGIESColeco: Sociedade da InformaoAutores: Luis Gonzaga e Susete Gonzaga

    com a colaborao de Bispo Irineu Cunha, Dolar Parshotam,Esther Mucznik, Henrique Pinto, Mahomed Iqbal Omar,Padre Antnio Bonito, Padre Antnio Rego, Paulo Borgese Tsering Paldron.

    Direco grfica: Centro AtlnticoReviso: Centro AtlnticoMaquetizao da Capa: Paulo BuchinhoImagem da capa: GettyWorks

    Centro Atlntico, Lda.Ap. 413 - 4764-901 V. N. FamalicoPorto - LisboaPortugalTel. 808 20 22 21

    [email protected]

    Fotolitos: Centro AtlnticoImpresso e acabamento: Inova1 edio: Novembro de 2001

    ISBN: 972-8426-46-1Depsito legal: 172.519/01

    Marcas registadas: todos os termos mencionados neste livro conhecidos como sendo marcasregistadas de produtos e servios, foram apropriadamente capitalizados. A utilizao de umtermo neste livro no deve ser encarada como afectando a validade de alguma marca registada deproduto ou servio.O Editor e os Autores no se responsabilizam por possveis danos morais ou fsicos causadospelas instrues contidas no livro nem por endereos Internet que no correspondam s Home-Pages pretendidas.

  • Para o nosso melhor amigo, Deus,com amor.

  • AGRADECIMENTOS

    Em primeiro lugar, gostaramos de agradecer aos vrios colaborado-res deste livro, pois, sem eles, no teria sido possvel escrev-lo. UmMuito Obrigado para o Bispo Irineu Cunha, Dolar Parshotam, EstherMucznik, Henrique Pinto, Mahomed Iqbal Omar, Padre Antnio Bo-nito, Padre Antnio Rego, Paulo Borges e Tsering Paldrn, pela for-ma amvel, disponvel e empenhada com que colaboraram connosco.

    Um agradecimento especial tambm para a Manuela Gonzaga pelaimportante reviso do texto, e ao Eurico Pereira por ter lido umaprimeira verso do texto e nos ter dado indicaes importantes.

    Muitas foram as pessoas que de uma ou outra forma nos deramsugestes e nos encorajaram para prosseguirmos este trabalho: ElsaCantos, Joaquim Franco, Pastor Dimas Almeida, Pastor EzequielQuintino, Prof. Borges Pinho e Rui Santos, entre outros. Para elestambm o nosso obrigado.

    Queremos tambm agradecer Editora Centro Atlntico, e a LibrioManuel Silva pelo convite para este desafio de escrever um livrosobre Religio na Internet.

    Por ltimo, um agradecimento para si em quem ns pensmos enquantoescrevamos este livro.

    Obrigado,Susete e Luis Gonzaga

  • NDICE

    AGRADECIMENTOS7

    INTRODUO13

    A RELIGIO: BREVES APONTAMENTOS17

    PARTE I: AS PRINCIPAIS RELIGIES NO MUNDOBAH

    21

    BUDISMO23

    UNIO BUDISTA PORTUGUESA27

    CONFUCIONISMO33

    CRISTIANISMO35

    IGREJA CATLICA EM PORTUGAL44

    IGREJA ORTODOXA GREGA EM PORTUGAL47

    ALIANA EVANGLICA50

    COPIC CONSELHO PORTUGUS DE IGREJAS CRISTS52

    HINDUSMO55

    COMUNIDADE HIND DE PORTUGAL58

  • 10

    RELIGIO ON-LINE O MELHOR DA INTERNET SOBRE AS GRANDES RELIGIES CENTRO ATLNTICO

    ISLAMISMO65

    COMUNIDADE ISLMICA DE LISBOA73

    JAINISMO77

    JUDASMO79

    COMUNIDADE ISRAELITA DE LISBOA84

    SIQUISMO87

    TAUISMO89

    XINTOSMO91

    ZOROASTRISMO93

    PARTE II: LISTAGEM E DESCRIO DOS SITES NACIONAIS95

    PARTE III: LISTAGEM E DESCRIO DOS SITES INTERNACIONAISBAH

    130BUDISMO

    134CONFUCIONISMO

    139CRISTIANISMO

    IGREJA CATLICA141

  • 11

    IGREJA ORTODOXA150

    IGREJAS DA REFORMA (PROTESTANTES)153

    OUTRAS CONFISSES165

    OUTROS ASSUNTOS172

    HINDUSMO179

    ISLAMISMO183

    JAINISMO188

    JUDASMO192

    SIQUISMO198

    TAUISMO201

    XINTOSMO203

    ZOROASTRISMO207

    RELIGIO EM GERAL210

    PARTE IV: ASSOCIAO UNIVERSOS217

    PARTE V: A LIBERDADE RELIGIOSA233

    BIBLIOGRAFIA257

    NDICE

  • INTRODUO

    Durante milhares de anos as pessoas tm buscado o signifi-cado e a verdade da sua prpria natureza e do Universo, e asreligies, que tratam da totalidade da vida e da morte do ho-mem, so o resultado.

    John Bowker

    Atravs de alguns estudos realizados, sabemos que cerca de85% da populao mundial acredita em Deus, ou Deuses, ounum poder superior. Em Portugal, 90% da populao baptizada na Igreja Catlica, sem contar com as outrasconfisses religiosas. Da que no podemos ignorar este factodas nossas vidas: o lado espiritual de cada Homem.

    Um meio de comunicao importante dos nossos dias aInternet. Nele podemos encontrar os mais variados sitesrelacionados com o tema do nosso livro: a Religio.

    O nosso principal objectivo ao fazermos esta obra proporcionar-lhe um primeiro contacto com as vrias religiesatravs dos seus sites na Internet. A quantidade e variedadede informao na Internet , como todos sabemos, muito grandee diversificada.

    A primeira grande deciso que tivemos de tomar foi escolherque religies deveramos abordar. Depois de algumainvestigao e ponderao, decidimos optar apenas pelas dozegrandes religies do mundo, quer pela sua importncia

  • 14

    RELIGIO ON-LINE O MELHOR DA INTERNET SOBRE AS GRANDES RELIGIES CENTRO ATLNTICO

    histrica, quer pelo nmero de fiis. Todas as outras religiesque decidimos no abordar neste livro seriam suficientes parafazer outro livro semelhante a este.

    Para facilitar a consulta, apresentamos as religies por ordemalfabtica.

    O livro est dividido em cinco partes:

    A primeira parte inclui uma pequena introduo sobre a religio,onde pretendemos dar uma viso concisa e geral sobre o tema;uma breve introduo sobre os fundamentos de cada religio.Nas religies que em Portugal tm mais representatividade,entrevistamos algumas pessoas das respectivas comunidades.

    Nas segunda e terceira partes apresentamos os 120 sitesseleccionados, com uma breve descrio de cada um e umaimagem da pgina de entrada para ajudar o leitor. Para maiorfacilidade de consulta dividimos os sites em duas categorias:os nacionais e os internacionais. Os sites esto sempreorganizados por ordem alfabtica do ttulo do site. Como ossites internacionais so em maior nmero, esto agrupadospela religio que o site aborda, refere ou a que pertence. Aindanos sites internacionais, crimos a seco de Religio emGeral, que inclui os sites que abrangem vrias religies, comopor exemplo, o Belief.net .

    No decorrer da elaborao deste livro, e ao contactarmospessoas de diversas religies, tivemos conhecimento que esta ser criada uma associao inter-religiosa em Portugal, como nome de Associao Universos. Na quarta parte encontrardois documentos elaborados pela Associao Universos ondeficar a conhecer a natureza, os objectivos e os estatutos destaassociao. Um dos seus objectivos fomentar o dilogo in-ter-religioso. Por considerarmos que uma associao com

  • 15

    estes objectivos de grande importncia para a sociedade,decidimos referi-la nesta obra.

    Na quinta e ltima parte, abordamos muito levemente a questoda liberdade religiosa, remetendo o leitor para o anexo paraconhecer melhor a lei da liberdade religiosa recentementeaprovada (Junho 2001).

    Esperamos que esta obra seja til a todos os que se interessampor religio e, em particular, aqueles que andam procura deum caminho.

    INTRODUO

  • A RELIGIO:BREVES APONTAMENTOS

    A histria da religio to antiga como a histria do prpriohomem. Mesmo nas civilizaes mais antigas h evidnciasde algum tipo de adorao.

    A Enciclopdia Britnica diz que at onde os peritosconseguem descobrir, jamais existiu um povo, em qualquerparte, que no fosse de algum modo religioso. Depois demuitas discusses chegou-se concluso de que era bastanteimprovvel que se encontrasse uma soluo definitiva para apergunta sobre quando a religio comeou.

    Alm da sua antiguidade, h tambm uma grande variedade.Todo o povo tem o seu Deus ou Deuses e o seu modo prpriode adorao.

    O Homem durante milhares de anos tem procurado osignificado e a verdade do Universo e da sua prpria natureza,e as religies so resultado disso.

    Durante muitos anos as pessoas herdavam e aceitavam areligio sem se questionarem.No nos podemos esquecer que durante muitos sculos osmeios de transporte e os meios de comunicao eram poucose rudimentares, e por isso, poucas pessoas sabiam sequerda existncia de outras religies.

    O estudo sobre as religies um campo relativamente novo.No sculo XIX que atingiu o auge, chegando a constituir-se

  • 18

    RELIGIO ON-LINE O MELHOR DA INTERNET SOBRE AS GRANDES RELIGIES CENTRO ATLNTICO

    como Cincia das Religies. So muitas as universidades quecriam cursos, onde se investiga e ensina o fenmeno religioso.Um conjunto de cincias auxiliares ajudam neste estudo:antropologia, sociologia, histria, psicologia...

    Hoje encaramos as religies como grupos de pessoas quepartilham prticas e crenas (muitas vezes em Deus ouDeuses), que se renem em edifcios apropriados para o cultoou meditao e vivem no mundo de maneiras especficas.Sabemos que muitas pessoas julgam pertencer a uma religio,mesmo que no sejam praticantes activos.

  • 19

    AS PRINCIPAISRELIGIES NO

    MUNDO

    PARTE I.

  • BAH uma religio mundial independente. Divina na sua origem, univer-sal no seu mbito, dotada de uma viso alargada, sendo cientficanos seus mtodos, humanitria nos seus princpios e dinmica pelainfluncia que exerce sobre o esprito dos homens. Acredita naunicidade de Deus e reconhece a unidade dos seus profetas.

    As trs figuras centrais da f Bah so: Bb (1819-1850), Bahullh (1817-1892), e Abdul-Bah (1844-1921). As escrituras foramescritas por estes trs profetas. So escritos nicos, dado que, pelaprimeira vez, escrituras sagradas de uma religio chegam aos nossosdias escritas pelo punho e letra do seu fundador ou assinadas porele.

    Os Bahs organizam-se a nvel internacional, nacional e local,segundo os princpios da sua religio, atravs de um processo deeleio apartidria sem nomeao ou campanhas eleitorais.Em todos os nveis da organizao o processo de tomada de deciso realizado atravs de consulta, no qual cada membro da instituiotem os mesmos direitos para se expressar.

    A origem da comunidade em Portugal remonta ao ano de 1926, coma visita de dois crentes Bahs, que foram entrevistados para osjornais Dirio de Notcias e Dirio de Lisboa, que proferiramconferncias no clube rotrio, ofereceram livros Biblioteca Nacionale Universidade Politcnica. Em 1946 foi formada em Lisboa aprimeira estrutura Bah portuguesa. Durante o antigo regime acomunidade foi submetida a vigilncia policial, limitao de reunies,etc. Esta situao alterou-se em 1974.Actualmente existem vrios milhares de Bahs a residirem emPortugal continental e na Madeira e Aores.

  • 22

    RELIGIO ON-LINE O MELHOR DA INTERNET SOBRE AS GRANDES RELIGIES CENTRO ATLNTICO

    A comunidade iniciou no ano lectivo 1999/2000 aulas no ensinopblico, aps autorizao do Ministrio da Educao.

    Contactos:Comunidade Bah de PortugalAv. Ventura Terra, 11600-780 LisboaTel: 21 759 04 74E-mail: [email protected]

  • 23

    BUDISMOPor Tsering Paldrn, Monja do Budismo Tibetano.

    Como nasceu o Budismo?O Budismo nasceu h 2500 anos na ndia. O seu fundador, o Budahistrico, nasceu prncipe na famlia dos Shakya. Aos 29 anosrenunciou ao reino para procurar respostas aos problemasessenciais da humanidade. Depois de seis anos de estudo junto dealguns Mestres e de meditao solitria na floresta, atingiu aLibertao ou Iluminao. Buda no um deus nem um profeta;Buda um estado que qualquer ser humano tem o potencial dealcanar.

    Como definir o Budismo?Contrariamente a muitas outras religies, o Budismo no testa.Quer isto dizer que no contempla a existncia de um Deus criadore se preocupa sobretudo em resolver os problemas humanosessenciais. Os Budistas tibetanos designam-se a si prprios nangpa,aqueles que procuram dentro de si. Na verdade, o budismo umavia de busca e aperfeioamento espiritual. O seu carcter aberto eno dogmtico leva cada vez mais pessoas a consider-lo comouma filosofia, uma arte de vida e mesmo, segundo a opinio de muitosMestres budistas contemporneos, uma cincia do esprito.

    Qual o seu objectivo?Todos os seres procuram a felicidade. Essa busca rege todos osnossos actos e a finalidade essencial da nossa vida. O objectivodo Budismo permitir aos homens alcanar a serenidade e a pazmediante a transcendncia do sofrimento. A finalidade o Estadode Buda, um estado de total liberdade e serenidade.

  • 24

    RELIGIO ON-LINE O MELHOR DA INTERNET SOBRE AS GRANDES RELIGIES CENTRO ATLNTICO

    Quais so os seus princpios de base?O prprio Buda definiu o seu ensinamento nestes termos:

    No cometer aces negativasRealizar aces positivasTer mestria sobre o esprito o ensinamento do Buda.

    Um dos princpios essenciais do Budismo o princpio de noviolncia e de respeito por todas as formas de vida. Conceitos comoo de karma, ou lei da causalidade dos nossos actos, e o derenascimento, ou de uma continuidade da conscincia numasucesso de vidas so tambm princpios fundamentais da suafilosofia.

    Quais so as aces negativas que devemos evitar e as acespositivas que devemos realizar?Estas aces esto divididas em aces do corpo, da palavra e doesprito.Fisicamente, h trs aces a evitar: matar, roubar e ter uma condutasexual errada.Verbalmente, as aces negativas so quatro: a mentira, a calnia,os insultos e a tagarelice.Mentalmente, h trs aces negativas: a cobia, a malevolncia ea viso errada.

    As aces a cultivar so o inverso das aces nocivas:Ao nvel do corpo, proteger a vida, ser generoso e ter uma condutasexual apropriada.

    Ao nvel da palavra: dizer a verdade, falar com bondade, tentar uniras pessoas e dizer apenas coisas teis.Ao nvel do esprito: a generosidade, a bondade e o facto de tentarcultivar uma viso justa e equilibrada da existncia.

    Quais so os mtodos do Budismo?Todos os mtodos e tcnicas budistas desenvolvidos ao longo dos

  • 25

    ltimos dois mil e quinhentos anos baseiam-se na combinaoequilibrada de dois aspectos: a Sabedoria e a Compaixo.

    A Sabedoria a viso filosfica budista que fala da interdependnciae da no existncia de uma realidade intrnseca dos fenmenos.A Compaixo o desenvolvimento das qualidades de solidariedade,amor e no partidarismo do esprito humano, abrindo-nos para osoutros e para ns mesmos.O resultado a experincia directa da natureza do mundo e do nossoesprito.

    Como posso ser budista?Qualquer pessoa que adira filosofia budista de vida pode considerar-se simpatizante, podendo mesmo sentir-se budista em esprito.Porm, a entrada na via budista passa-se no momento da cerimniado Refgio.Trata-se de um pequeno ritual realizado por um Mestre budista, du-rante o qual o adepto toma alguns compromissos em relao a estavia.Em primeiro lugar reconhece que o seu objectivo atingir o Estadode Buda, para bem de todos os seres.

    Depois compromete-se a seguir o mtodo do Dharma, osensinamentos budistas. Por fim, compromete-se a ter como guias ecompanheiros nesta via espiritual o Sangha, ou seja, outrospraticantes budistas.O Buda, o Dharma e o Sangha so chamados as Trs Jias e soos Objectos de Refgio.

    Quais so os compromissos a que fico ligado depois de tomarRefgio?Trs coisas a evitar:1. Depois de se ter tomado Refgio no Buda, no se deve tomarRefgio em divindades mundanas.2. Depois de se ter tomado Refgio no Dharma, no se deve teractividades que faam mal aos seres.3. Depois de se ter tomado Refgio no Sangha, no se deve

    PARTE I - AS PRINCIPAIS RELIGIES

  • 26

    RELIGIO ON-LINE O MELHOR DA INTERNET SOBRE AS GRANDES RELIGIES CENTRO ATLNTICO

    acompanhar voluntariamente com pessoas cujas actividades sejamnefastas aos seres.

    Trs coisas a fazer:4. Depois de se ter tomado Refgio no Buda, deve-se manifestarrespeito s imagens que representam as Trs Jias, mesmo queestejam danificadas.5. Depois de se ter tomado Refgio no Dharma, deve-se manifestarrespeito aos textos sagrados.6. Depois de se ter tomado Refgio no Sangha, deve-se manifestarrespeito aos mestres, instrutores e praticantes budistas.

    Onde posso tomar contacto com a prtica budista?Em Portugal o interesse pelo Budismo est em pleno despertar. Noentanto ainda no estamos ao nvel de outros pases da Europa ondeexistem inmeros centros budistas pertencentes a variadssimasescolas e onde h dezenas de Mestres residentes. No entantoexistem cada vez mais livros traduzidos em Portugus e algumasescolas de Zen e Budismo tibetano, nomeadamente, onde poderdirigir-se para obter mais informaes, desenvolver os seus conhecimentos e comear a praticar.

  • 27

    Unio Budista PortuguesaEntrevista ao Prof. Paulo Borges, Vice-Presidente da Unio BudistaPortuguesa

    P. H quantos anos existe o budismo em Portugal?R. Desde os finais dos anos 70 existem pessoas, institucionalmenteorganizadas, a praticar o budismo em Portugal.

    P. Como surgiu a Unio Budista em Portugal?R. Surgiu como uma consequncia natural do crescimento dobudismo em Portugal. Constatmos que existiam vrias escolasbudistas em Portugal. Escolas do budismo tibetano, escolas dobudismo Zen, e assim justificava-se, como em toda a Europa, umafederao das vrias escolas.

    P. Quando foi criada a Unio Budista Portuguesa e quais osseus objectivos?R. A Unio Budista foi criada no dia 24 de Junho de 1997, com oobjectivo de federar as vrias escolas, promover as vrias actividadesexistentes junto do grande pblico e fomentar o dilogo entre as vriasescolas budistas existentes.

    P. Quem foi o grupo fundador?R. O grupo fundador era constitudo por pessoas das vrias escolase por pessoas que eram budistas mas que no estavam filiadas emnenhuma escola. Temos tido sempre a preocupao de existirempessoas das vrias escolas na Direco.

    P. Quem faz parte da Unio Budista?R. Temos a Ogyen Kunzang Chling, escola do Budismo TibetanoNyingma, o Dojo Zen de Lisboa, o Gyfu-An-Dj de S. Brs deAlportel, O Centro de Retiros Karuna, em Monchique, e o Dojo TaiKu Na de Lagos, em processo de adeso. Temos ainda muitos filiadosautnomos e muitos praticantes organizados nas delegaesregionais da Unio Budista Portuguesa.

    PARTE I - AS PRINCIPAIS RELIGIES

  • 28

    RELIGIO ON-LINE O MELHOR DA INTERNET SOBRE AS GRANDES RELIGIES CENTRO ATLNTICO

    P. Das vrias escolas do budismo em Portugal, qual a maisantiga?R. A escola do budismo tibetano, Ogyen Kunzang Chling, situadana Rua do Salitre, a mais antiga.

    P. Que outros centros ou escolas budistas existem no pas?R. Contando com as delegaes regionais da Unio BudistaPortuguesa, existem centros em Caminha, Porto, Figueira da Foz,Alcobaa, Lisboa, vora, Faro e Funchal, alm dos j indicados.Existe um mosteiro no Algarve com praticantes leigos. No Vero soorganizados alguns retiros. Pode ser um fim-de-semana, umasemana ou quinze dias, em que se procura meditar, orar, estudar epraticar mais intensamente e em conjunto. Um retiro recentementeiniciado, com Pema Wangyal Rinpoche, no Centro Karuna, contacom cerca de 200 pessoas.

    P. Os retiros so frequentados apenas por budistas ou estoabertos a outras pessoas?R. No, neste Vero, por exemplo, no retiro no Centro Karuna,surgiram cerca de cem pessoas que no estavam ligadas a qualquerescola ou centro, embora estivessem interessados em praticar obudismo. Temos tambm Cursos de Introduo ao Budismo queso frequentados por muitas dezenas de pessoas, algumas dasquais continuam depois ligadas a ns como praticantes.

    P. possvel quantificar o nmero de budistas que existe emPortugal?R. muito difcil dizer. J fiz essa pergunta a mim mesmo. Desdeque sou budista tenho assistido a vrias cerimnias de iniciao,que ns chamamos tomar refgio, e j devemos ir em cerca detrs ou quatro mil pessoas que tm tomado refgio em Portugal.Se depois continuam ou no difcil saber. Eu diria que budistasactivos, praticantes e filiados, i.e., ligados a alguma escola ou centro,devero ser cerca de mil. Acredito que existam cerca de trs milbudistas ou simpatizantes que no aparecem regularmente.

  • 29

    P. Quais so as principais actividades da Unio Budista?R. A Unio Budista, como representante oficial do budismo em Por-tugal, assegura o dilogo com o Estado em relao ao ensino dobudismo nas escolas, cabendo-nos garantir que existam professoresdo budismo desde que existam pelo menos dez alunos interessadosem cada escola. A Unio Budista responsvel pela formao dosprofessores. Estamos tambm representados junto da comissoparlamentar para o estudo das questes da liberdade religiosa eparticipamos em encontros inter-religiosos. Temos um programaregular na televiso, inserido no tempo de antena que concedidos confisses religiosas. Publicamos um boletim informativo, aSangha. Outra actividade extremamente importante promover avinda a Portugal de Mestres budistas, para darem Ensinamentos,bem como organizar seminrios, conferncias, cursos e aulas demeditao e yoga.

    P. Quais so as actividades futuras da Unio Budista?R. Pretendemos desenvolver a ligao ao Parlamento e ao Ministrioda Educao. Procuraremos desenvolver uma experincia muitointeressante na Penitenciria de Lisboa, com cursos de yoga emeditao para os reclusos. Temos levado l vrias pessoas e aoque sabemos os detidos tm apreciado muito esta iniciativa. Paraalm disso, vamos continuar os Cursos de Introduo ao Budismo,em Lisboa, Porto e noutras cidades.

    P. Como surgiu a iniciativa destes cursos numa Penitenciria?R. Talvez por uma questo de sensibilidade da Administrao e in-teresse dos reclusos. Recentemente foi feita uma experincia nandia, numa cadeia, onde foi convidado um mestre de meditaopara dar um curso intensivo. Os resultados foram surpreendentes,existe at um vdeo, que a Unio Budista est a tentar trazer paraPortugal e divulgar, porque comovente ver, no fim, os presos aabraarem os carcereiros, arrependendo-se do que fizeram.Pessoas que estavam revoltadas contra a sociedade, por exemplopessoas que estavam presas por assassinato, de repente cortamcom o passado e ficam como se houvessem nascido de novo.

    PARTE I - AS PRINCIPAIS RELIGIES

  • 30

    RELIGIO ON-LINE O MELHOR DA INTERNET SOBRE AS GRANDES RELIGIES CENTRO ATLNTICO

    P. Ao longo do tempo, qual foi o maior obstculo ou dificuldadeque sentiram?R. No meu ponto de vista, talvez a dificuldade surja ao nvel daformao, pelo facto do budismo ser uma religio que provm deuma cultura diferente da ocidental e concretamente portuguesa, eque lida com conceitos que, partida, parecem estranhos. Mas tudo uma questo de tempo. Os princpios fundamentais budistas,sabedoria, amor e compaixo, so qualidades naturais de todo o serhumano.

    P. Em relao ao futuro, que projectos tm a longo prazo?R. Temos vrios projectos. Estamos a tentar obter para a comunidadebudista que se permita que o enterro ou cremao dos defuntosseja feita apenas trs dias depois da morte. Porque para ns aconscincia que est ligada ao corpo pode levar trs dias at separar-se completamente.Pretendemos colaborar com associaes com fins humanitrios,nomeadamente gostaramos de criar centros onde se pudesse darapoio aos sem abrigo. Primeiro talvez s s senhoras e depois aossem abrigo em geral. Centros onde pudssemos dar apoio ao nvelde dormida, comida, e apoio espiritual.Estamos a colaborar na criao de uma associao para o dilogointer-religioso, um projecto recente, ainda sem estatutos aprovados,mas o nosso objectivo estar com outros representantes e pessoasinteressadas nesse dilogo. De forma a contribuir de todas as formaspossveis para a melhor compreenso mtua das religies.E tambm manter uma actividade que j temos, que a organizaoanual de peregrinaes a locais santos na ndia e no Nepal, ondesurgiu historicamente o budismo.

    P. Em relao ao uso da Internet, o budismo tem alguma directivasobre o assunto?R. Ns no temos impedimentos. Apesar de termos um ldercarismtico, Sua Santidade o Dalai Lama, essas questes sodeixadas conscincia de cada budista. Em relao a Portugal, masno s, o que lhe posso dizer que apreciamos e usamos imenso,

  • 31

    e achamos que um bom veculo que pode servir a comunicaoentre os homens. O budismo valoriza sempre as conquistas dacincia. So meios que ilustram um dos enunciados fundamentaisdo budismo, a lei da interdependncia de todas as coisas. O queacontece num ponto do universo afecta e reflecte o que se passaem todo o mundo.

    P. Em relao ao site da Unio Budista vo surgir alteraes(ver http://www.uniaobudista.com)?R. Nem sempre temos os meios e a disponibilidade humana quedesejaramos, mas pretendemos manter o site actualizado comartigos de interesse e divulgao das nossas iniciativas.

    Contactos:Unio Budista PortuguesaCalada da Ajuda n 246, 1 Dt, 1200 LisboaTel: 213 634 363Email: [email protected]: http://www.uniaobudista.com

    PARTE I - AS PRINCIPAIS RELIGIES

  • CONFUCIONISMOJuntamente com Mncio (371-289 a.C.) e Hsn-Tzu (298-238 a.C.),Confcio (551-479 a.C.) forma o grupo de mestres fundadores doconfucionismo chins. No Oriente, Confcio reverenciado comoO grande mestre. A regra moral bsica de Confcio era: O que noqueres que te faam a ti, no faas a outrem.

    O fundamento do seu ensino era o conceito de humanidade oubondade de corao (jen). O jen o fim ltimo da conduta e da auto-transformao para os confucionistas. O centro da sua doutrina moral o caminho do cu (tau), que todos os homens devem seguir.

    Tambm sublinhou bastante o estudo e o ritual rigoroso como formasde educao moral. Acreditava que o cu era a fonte do potencialhumano para o bem.

    Ao longo da histria, aparecem diferentes escolas e mestres queoriginam diversas correntes na doutrina comum. Por exemplo, noneo-confucionismo Chu-Hsi (1130-1200) e de Wang Yang-Ming(1427-1529), entre outros.

    Os quatros livros de Confcio so: O Grande Estudo, A Doutrina doMeio, O Analecto e Mncio.A religio est presente na China, Coreia, Japo, Vietname, Singapura, Bangkok e Hong Kong.

    Na adeso ao Confucionismo subentende-se uma natureza boa, ogosto pela respeitabilidade, o desejo de ser conveniente educado ede se elevar moral e socialmente.

    (P.Poupard)