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  • IntercomSociedadeBrasileiradeEstudosInterdisciplinaresdaComunicaoXXXIXCongressoBrasileirodeCinciasdaComunicaoSoPaulo-SP05a09/09/2016

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    (Re)Dimenso Esttica: A Presena (e o Sentido) do Minimalismo nas Releituras de Cartazes Cinematogrficos Propagados na Web 1

    Mrcio Luiz JOKOWISKI 2

    Universidade Tuiuti do Paran, Curitiba, PR Universidade Federal do Paran, Curitiba, PR

    Centro Universitrio Franciscano do Paran, Curitiba, PR

    Resumo

    O presente artigo tenciona apresentar a articulao entre produo de presena e de sentido nas releituras de carter minimalista de psteres cinematogrficos na web. A reflexo surge a partir da observao do trfego de remixagens de mensagens com uma abordagem esttica minimalista em plataformas de interao online. Para tanto, pretende-se sinalizar elementos da dimenso esttica (Gumbrecht) que possibilitam a tenso entre presena/sentido e o duplo olhar (Didi-Huberman), bem como desvelar a produo de presena enquanto forma de apreenso de sentido na experincia esttica que envolve estes cartazes. O procedimento metodolgico de carter contemplativo permite um levantamento assistemtico e exploratrio de obras em comunidades e redes sociais na internet, vislumbrando indcios que atestem a insero destes objetos na esfera esttica-comunicativa.

    Palavras-chave: experincia esttica; produo de presena; minimalismo; pster

    cinematogrfico; remixagem

    - +

    Less is More parece (res)surgir como um aforismo em tempos de pervasividade

    computacional3, onde as tecnologias mais profundas so aquelas que desaparecem, se

    entretecem no tecido da vida cotidiana at se tornarem indistinguveis do mesmo (WEISER,

    1991). No rastro do iderio mcluhiano as Tecnologias da Informao e da Comunicao

    (TIC) no soam como meros artefatos, assumem em tempos de hipermoderinidade, quase

    mimeticamente, as extenses do corpo humano. A velocidade e a mobilidade fizeram do

    tempo moderno uma ferramenta para a conquista de espao. Na modernidade lquida a fuga

    e a rejeio a qualquer estabelecimento territorial tambm so tidos como recursos de

    poder. O poder move-se a uma velocidade avassaladora. O tempo tornou-se instantneo. O

    poder est desterritorializado, no mais refreado pelo espao fsico e cada vez mais leve e

    fluido (BAUMAN, 1999). Desta feita emerge um corolrio apontando uma certa 1 Trabalho apresentado no GP Semitica da Comunicao do XVI Encontro dos Grupos de Pesquisa em Comunicao, evento componente do XXXIX Congresso Brasileiro de Cincias da Comunicao. 2 Doutorando em Comunicao e Linguagens da UTP-PR; Mestre em Comunicao e Linguagens pela UTP-PR; Especialista em Marketing Integrado pela UNICENP-PR e Bacharel em Publicidade & Propaganda pela PUC-PR. Docente da graduao e ps-graduao na UFPR, FAE-PR e UTP-PR; Membro do grupo de pesquisa Interaes Comunicacionais, Imagens e Culturas Digitais (INCOM/PPGCOM/UTP-PR). e-mail: profejk@gmail.com. 3 Ubiquidade Computacional (Ubicom) ou Everyware (termo cunhado por Adam Greenfield).

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    desconstruo do contedo informativo para uma reconstruo baseada em imagens,

    imagens-sntese, ou ainda em uma esttica minimalista que se faz mister para a valorizao

    de uma dimenso esttica dos fenmenos comunicacionais. Com o computador, a caixa se amplia, cria novas virtualidades tcnicas, permite interfaces de multimidialidade e multiplataformas, proporciona interaes geis, em tempo real, e se abre, por fim, a intervenes do prprio usurio, que se converte de espectador, usurio, em web ator (CAETANO, 2012, p.259).

    A mxima de Ludwig Mies Van der Rohe (1886-1969) menos mais ressoa a

    tnica da escola de design da qual o arquiteto foi diretor: a Bauhaus (1919-1933). O

    movimento alemo defendia a funcionalidade da arte: a forma segue a funo, em termos

    gerais o projeto constituido por dados essenciais (Wesenanzeichen) determinantes para

    que o objeto tenha informaes tpicas, funes prticas e visualizao austera, ou seja a

    materializao definitiva (GROPIUS, 1977). Nesta aproximao com as materialidades da

    comunicao descortina-se uma possibilidade de aplicao dos conceitos da no-

    hermenutica e, consequentemente da produo de presena de Hans Ulrich Gumbrecht.

    Diferentes media, com seus elementos materiais tambm diferenciados, trazem

    tona diferentes movimentos, sejam mais ou menos intensos, mais ou menos prximos, desta

    feita qualquer obra comunicativa incorre em um ato presente, em especial as nuances das

    TIC que podem colaborar no re-despertar do desejo de presena (GUMBRECHT, 2010,

    p. 15). Mais do que um vis curatorial de produo de presena, esta viso de experincia

    esttica proposta por Gumbrecht prope uma tenso entre efeitos de sentido e efeitos de

    presena, ou seja o que o sentido no consegue transmitir.

    Voltando ao carter assptico e funcionalista do estilo Bauhaus, ele encontrou eco

    na arte ora denominada minimalista, cujo credo what you see is what you see do artista

    Frank Stella (1938), bem como as obras do movimento, receberam do filsofo e crtico de

    arte francs George Didi-Huberman a conotao de tautologia. O resultado dessa

    proposio minimal, onde o objeto se reduz sua presena visvel em uma Gestalt quase

    automtica, linha e plano, superfcie e volume, aponta para uma esttica da tautologia

    (DIDI-HUBERMAN, 2010). O que olhado s presente aos olhos porque tambm o v, o

    ato de ver se manifesta dualmente: o homem da crena quer transcender tanto o que

    olhado quanto o que o v; para o homem da tautologia o que v justamente uma evidncia

    visvel, o resto no importa, less is more. Diferentemente da oscilao no excludente de

    sentido e presena de Gumbrecht, aqui h uma dicotomia entre crena e tautologia:

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    Os pensamentos binrios, os pensamentos do dilema so portanto incapazes de perceber seja o que for da economia visual como tal. No h que escolher entre o que vemos (com sua consequncia exclusiva num discurso que o fixa, a saber: a tautologia) e o que nos olha (com seu embargo exclusivo no discurso que o fixa, a saber: a crena). H apenas que se inquietar com o entre. H apenas que tentar dialetizar, (...) o momento em que o que vemos justamente comea a ser atingido pelo que nos olha - um momemo que no impe nem o excesso de sentido (que a crena glorifica), nem a ausncia cnica de sentido (que a tautologia glorifica). o momento em que se abre o antro escavado pelo que nos olha no que vemos (DIDI-HUBERMAN, p.77).

    O emprego de um certo design visual de cunho mais minimalista em peas

    comunicativas especficas deflagradas nas redes sociais da internet aguou algumas

    questes acerca de possveis experincias de ordem esttica que transitam em certas

    plataformas de compartilhamento de imagens/vdeos online. A aproximao de uma certa

    presena material das TIC surge como uma alternativa menos reducionista e mais prxima

    ao campo de estudo da comunicao. O entendimento das ditas materialidades em processo,

    a saber, a influncia da disponibilidade material no cotidiano, seja de ordem artstica ou

    cultural, j denuncia como objeto de anlise das prticas e processos comunicativos.

    No mbito destas redes de partilha est inserido o aspecto mimtico onde as

    informaes so difundidas, de uma certa maneira, epidemicamente, alcanando

    ubiquamente os webatores. O conceito de meme, utilizado por alguns autores como esteio

    para a compreenso da propagao de informaes nas redes sociais na internet, foi

    contextualizado por Dawkins (2007) que compara a cultura como um replicador de ideias

    que so compartilhadas por todos os crebros que as compreendem, tal qual o gene da

    teoria darwiniana. Desta feita os processos de difuso, operam com as tipologias

    (materialidades) das informaes transmitidas e as motivaes (crenas) dos sujeitos

    partcipes, seara esta para o surgimento de uma terminologia mais contempornea: a

    spreadeable media. Neste modelo de mdias espalhveis os atores exercem uma funo de

    vertedouro em detrimento passividade hospedeira da mdia viral, suas escolhas e aes

    determinam o que gera valor no novo ambiente miditico (JENKINS, 2009).

    O termo remix, apontado por Lev Manovich (2006), opera com uma nova linguagem

    hbrida e, em sua essncia, imagtica. A maioria das prticas de remixagem so

    fundamentadas na hibridizao cultural, como a premissa de adaptar mtodos e prticas j

    consagradas em um determidado ambiente aos materiais pertencentes a um diferente

    suporte, com a deliberada inteno de criar uma nova funcionalidade (BEN-DAVID;

    COLINS, 1997 apud BORDIEU, 2004). A protocooperao entre diferentes linguagens em

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    um mesmo ambiente origina um novo espao para as experincias estticas, uma

    metamdia, onde as materialidades de diferentes media, associadas ou individualemente,

    fluem com mais liquidez. Essa esttica minimalista acaba assumindo o modus operandi

    para a reconfigurao (remixagem) e potencializao de certos objetos comunicacionais que

    transitam na web, em especial nos cartazes de obras cinematogrficas. O hibridismo no se refere a indivduos hbridos, que podem ser contrastados com os tradicionais e modernos como sujeitos plen

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