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REALIZADAS EM VORA DE 12 A 14 DE JUNHO DE 2014

Ciclo de Conferncias Cultura, Espao Pblico e Desenvolvimento Que opes para uma poltica cultural transformadoravora, 12 a 14 Junho de 2014CIMAC Conferncias integradas no projecto:3C4 Incubators- Culture, Creative and Clusters for Incubators Co-financiado pelo Programa MED Organizao CIMAC (Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central) e Grupo Pro-vora/Colectivo Campo Aberto

Design e impresso: milideias.ptData de publicao: Outubro 2014Tiragem: 250 exemplares

> Snteses e comentrios dos painis: Rui Matoso

(rui.matoso@gmail.com)

NOTA INTRODUTRIA 5PAINEL 1 - CULTURA E DESENVOLVIMENTO 9

COMENTRIO

SNTESE DAS INTERVENES

PAINEL 2 - CULTURA E ESPAO PBLICO 16COMENTRIO

SNTESE DAS INTERVENES

PAINEL 3 - CULTURA E TERRITRIO 21COMENTRIO

SNTESE DAS INTERVENES

PAINEL 4 - EXPERINCIAS DE INTERVENO CULTURAL 27COMENTRIO

SNTESE DAS INTERVENES

VISITA A ANTIGOS ESPAOS INDUSTRIAIS 33ANTIGOS CELEIROS DA EPAC

ANTIGA FBRICA DE ESCOLHA DE SEMENTES DE TRIGO

ANTIGA FBRICA DAS CARNES

NOTAS FINAIS 37

5

Este Ciclo de Conferncias insere-se no conjunto de iniciativas desenvolvidas no Alentejo Central (territrio que abarca os municpios de Alandroal, Arraiolos, Borba, Es-tremoz, vora, Montemor-o-Novo, Mora, Mouro, Portel, Redondo, Re-guengos de Monsaraz, Vendas Novas,

Viana do Alentejo e Vila Viosa), em relao com parceiros e instituies com poder de deciso e de influncia nas polticas e aes de apoio ao setor cultural.

O estudo, reflexo e debate so essenciais, numa rea que envolve diver-sas dinmicas e transversalidades quer no projeto e constatao de resulta-dos, quer na definio de perspetivas e orientaes para ao futura.

O Ciclo de Conferncias agora apresentado insere-se no projeto 3C 4 Incubators Culture, Creative and Clusters for Incubators.

Iniciado em Julho de 2013, o 3C 4 Incubators resulta da fuso de qua-tro projetos anteriores, localizados na rea da promoo do setor cultural e criativo como fator de desenvolvimento territorial e de inovao econmica e social.

Defende-se que a cultura, nas suas diferentes programaes e mani-festaes, pode tornar-se fator de qualificao das sociedades em geral, por via de uma eficaz e articulada participao das diversas plataformas estado, autarquia, associaes, cidados.

O 3C 4 Incubators financiado pelo Programa MED Programa de Cooperao Territorial para o Mediterrneo, numa fase que poderemos de-signar de capitalizao. Quer dizer: h projetos j concludos, a nvel do ter-ritrio europeu, que preciso dar a conhecer, ampliando a visibilidade junto dos destinatrios, criando sinergias e potenciando aes e inter-aes futuras.

necessrio tirar partido da experincia e dos dados entretanto adquiri-dos, afinando as prioridades e as novas linhas de orientao e comunicando o sentido das realidades locais, com vista a uma universalizao dos valores em presena, tendendo a melhorar a caracterizao futura dos chamados progra-mas de cooperao territorial europeia.

Trata-se, no fundo, de procurar tirar partido de uma boa articulao entre conhecimento e prtica em espaos mais sensveis interveno cultural.

NOTA

INTRODUTRIA

6

O 3C 4 Incubators tem desenvolvido actividade destinada sobretudo a:- Setor cultural produtivo (desenho e divulgao de ferramentas, meto-

dologias para apoio actividade das empresas culturais e incentivo coopera-o entre elas);

- Estruturas de apoio criao destas empresas (conhecimento e definio de modelos de incubadoras culturais, sua potencial articulao com outras es-truturas criativas e definio dos servios de apoio necessrios);

- Territrio (iniciativas junto de estruturas com poder de deciso e influn-cia em polticas de apoio ao setor, iniciativas para estudo e debate e definio de orientaes para o prximo perodo de programao).

O Ciclo Cultura, Espao Pblico e Desenvolvimento | Que opes para uma poltica cultural transformadora? decorreu entre os dias 12 e 14 Junho, em vora, na Sala de Conferncias da CIMAC, numa organizao conjunta entre a CIMAC e o Grupo Pro-vora/Colectivo Campo Aberto e contou com a seguinte programao:

12 JUNHO10.00h: PAINEL 1 - CULTURA E DESENVOLVIMENTOModerador: Carlos Pinto S (Presidente CM vora)Cristina Farinha (Coordenadora ADDICT Creative Industries Portugal): Crtica/(des)construo dos mecanismos de poltica cul-tural e empreendedorismoAntnio Guerreiro (Jornalista): Poltica cultural e desenvolvimen-to econmicoAna Paula Amendoeira (Diretora Regional de Cultura do Alente-jo): Cultura e desenvolvimento: aggiornamento de uma dupla im-batvel?Cludio Torres (Arquelogo): Estratgias de ao cultural no ter-ritrio: investigao e conhecimento ao servio do bem comum14.30h: PAINEL 2 - CULTURA E ESPAO PBLICOModerador: Celestino David (Presidente do Grupo Pr-vora)Fernando Pinto (Arquiteto): Espao pblico uma base dinmica de cidadaniaAurelindo Ceia (Designer): Dimenso poltica do design no dese-nho do espao pblicoFrederico Pompeu da Silva (Designer e Ilustrador): A inscrio do cidado no meio urbano perspetivas sobre o projeto em de-sign

13 JUNHO10.00h: PAINEL 3 - CULTURA E TERRITRIOModerador: Luis Cavaco (Diretor Geral ADRAL - Agncia de De-senvolvimento Regional do Alentejo

7

Eduardo Miranda (Arquiteto): Centros Histricos - Edifcios, Vi-vncias e PerspetivasJorge Silva (Arquiteto): O valor dos novos espaos permeveis interveno cultural Margarida Cancela dAbreu (Arquiteta Paisagista): Urbanismo como motor de cultura e desenvolvimento14.30h: PAINEL 3 - CULTURA E TERRITRIO (CONT.)Visita ao edifcio dos antigos Celeiros da EPAC (apresentao do projeto e enquadramento: Arq Miguel Marcelino e Arq Eduardo Miranda)Visita aos edifcios das antigas Fbricas das Carnes e da Escolha de Trigo (enquadramento: Arq Eduardo Miranda)

14 JUNHO10.00h: PAINEL 4 - EXPERINCIAS DE INTERVENO CULTURALModerador: Rui Matoso (Gestor e programador cultural)Fundao Eugnio de Almeida Maria do Cu Ramos (Secretria Geral da FEA)Centro Hrcules -Universidade vora Cristina Dias (Diretora--adjunta)Sociedade Harmonia Eborense Miguel Pedro (Vogal da Direo)Centro Dramtico de vora Jos Russo (Diretor do CENDREV)Espao do Tempo Rui Horta (Diretor Artstico)12.00h: Apresentao das concluses: Rui Matoso / Encerramento

A interveno nos diversos Painis ser apresentada nos captulos seguintes.Deve sublinhar-se a qualidade das comunicaes apresentadas, no ape-

nas pela expresso dos seus contedos, mas tambm do entendimento geral das problemticas em presena.

Assim, foram abordados temas como, genericamente, as relaes entre cultura erudita, cultura popular e cultura de massas, a caracterizao do ter-ritrio como espao de culturas (tambm no sentido das culturas da terra), o urbanismo e a arquitetura paisagista como necessidade tcnica e de inci-dncia nas decises do poder, a apropriao crtica dos valores da histria, a dimenso poltica do design e da arquitetura na definio do espao pblico, patrimnio e patrimnios...

O arquiteto Fernando Tvora, em texto publicado em 1968, afirmava: Torna-se hoje muito clara a conscincia da mtua relao entre espao organi-zado e comportamento humano, a todos os nveis de quantidade e de qualidade, o que permite encarar o problema da Cidade como forma (e no soma de formas) e suas determinantes no comportamento global do Homem.

8

Aquilo que foi traduzido nas diversas formas de reflexo apresentadas neste Ciclo de Conferncias assume, em boa parte, a conscincia crtica que Tvora expressava, h cerca de 50 anos. Mas reflete ainda outra coisa: que as expresses culturais se identificam no apenas com o esforo da aquisio e especulao em torno de saberes novos, mas tambm com ancestrais modos de organizao e a possibilidade da sua expresso atravs da ao e da ateno dos cidados nos diversos nveis de complexidade e nas diversas responsa-bilidades do poder.

9

COMENTRIO A relao histrica entre cultura e desenvol-vimento foi neste painel um dos t-picos com maior expresso e trans-versalidade, ainda assim possvel complementar este debate com fac-tos mais recentes e que importa re-

conhecer. Por um lado inegvel o surgimento de novas formas de entender o desenvolvimento na sua ntima conexo com as culturas, nomeadamente a via proposta por Amartya Sen (prmio Nobel da economia) de um desenvol-vimento como liberdade, onde liberdade poltica significa dar aos cidados a oportunidade de discutir, debater e participar nas escolhas dos princpios e valores para eleger as prioridades do desenvolvimento. Esta noo veio pos-teriormente dar origem ideia de desenvolvimento humano, cujo relatrio Desenvolvimento Humano de 2004 (PNUD1), se focava no tema da Liberdade Cultural num Mundo Diversificado.

Acentuando a divergncia com a Organizao Mundial do Comrcio que, apoiada pelos EUA, pretendia incluir a cultura nos tratados de livre comrcio internacional, a UNESCO veio a estabelecer internacionalmente a Conveno sobre a proteo e promoo da Diversidade das Expresses Culturais (2005). Ora, esta transformao e perda de hegemonia dos EUA no contexto da glo-balizao, levou ao surgimento da Agenda 21 da Cultura (A21C) 2 no mbito do Frum Social Mundial. A relevncia do Frum Social Mundial (Porto Alegre foi a cidade brasileira escolhida para sede do I Frum Social Mundial, em 2001) na construo de uma alternativa globalizao capitalista e neoliberal - e como anttese do Frum de Davos-, pois um indicador de que os princpios e valores consagrados na A21C, nomeadamente uma filosofia genuinamente participativa e uma forte preocupao com os direitos e liberdades culturais, podem ser teis consolidao de uma conscincia crtica que favorea pr-ticas instituintes (re-instituio das instituies culturais) e uma democracia de alta intensidade, sem as quais mui