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PAGE 28

AUTO-INVESTIGAO

Instrues de Bhagavan Sri Ramana Maharshi Traduo da verso revisada do original em Tamil publicada por T.N.Venkataraman, Presidente Sri Ramanasraman em Tituvannamalai em 1957).

INTRODUO

Estas foram as instrues dadas por escrito por Bhagavam Sri Ramana Maharshi nos dias de seu silncio, cerca do ano de 1901, ao seu discpulo Gambhiram Seshayya.A essncia dos ensinamentos aqui contidos claramente:

REALIZE A PERFEITA BEM-AVENTURANA ATRAVS DE CONSTANTE MEDITAO NO SER

NDICE

Captulo 1Investigao do Ser04

Captulo 2A Natureza da Mente05

Captulo 3O Mundo08

Captulo 4A Alma Individual09

Captulo 5O Absoluto o Ser09

Captulo 6Conhecimento do Ser Supremo10

Captulo 7Adorao Auto-Investigao, nada mais11

Captulo 8Libertao12

Captulo 9A Senda ctupla da Jnana Yoga14

Captulo 10A Senda ctupla do Conhecimento16

Captulo 11Renunciao17

Captulo 12Concluso18

A Religio do Corao18

Quem sou eu?19

Auto Conhecimento27

CAPTULO 1

Investigao no mago do nosso prprio Ser

Neste captulo esclarecida a Senda da investigao no mago do nosso prprio Ser sob a forma de Quem Sou Eu?

1 O sentido do eu expresso em todas as nossas sensaes como eu vim, eu era, no natural e comum a todos os indivduos? Ao analisar o significado desse fato chegamos a evidncia de como o movimento e as funes anlogas pertencem ao domnio do corpo, essas sensaes s se manifestam dessa maneira por uma nica razo: porque o corpo est identificado com o eu.Entretanto, pode o corpo ser essa Conscincia do Eu?

Antes do nascimento esse corpo no estava na Conscincia do Eu. Ele composto dos cinco elementos. Est ausente durante o sono(1) e, eventualmente, se torna um cadver. evidente, pois, que o corpo no pode ser essa Conscincia do Eu.

Este sentido do eu que no momento emerge do corpo, chamado tambm de ego, ignorncia, iluso, impureza, ou indivduo. A finalidade de todas as Escrituras esta perquirio do Ser. Est declarado nelas que a destruio do sentido do ego Libertao. Como, pois, se pode permanecer indiferente a essa verdade? Pode o corpo, que inanimado como um pedao de madeira, refulgir e funcionar como Eu? bvio que no! Portanto, refugue esse corpo inanimado como se de fato fora um cadver. Nem mesmo murmure a palavra eu, mas investigue intensa e profundamente dentro de si prprio o que que agora brilha no mago do Corao como Eu.(1)Transcendendo o incessante fluxo de pensamentos diversos, surge no Corao com Eu, Eu, a contnua, ininterrupta, silenciosa e espontnea conscincia do Ser.

Se nos aferrarmos a ela e permanecermos tranqilos, o sentido do eu no corpo fenecer por si prprio, como fogo de cnfora. Os Sbios e as Escrituras afirmam que isto Liberao. 2 O vu da ignorncia jamais poder ocultar completamente o ser individual. Como o poderia? Nem mesmo os ignorantes deixam de falar do eu. A ignorncia s faz ocultar a Realidade Eu sou o Ser, Eu sou pura Conscincia, e confundir o Eu com o corpo.

3 O Ser auto-Refulgente. No necessrio fazer dele nenhuma imagem mental, qualquer que ela seja. O prprio pensamento que a imagina escravido, uma vez que o Ser a Refulgncia que transcende escurido e luz e no deve ser cogitada pela mente. Tal idia finda em escravido, ao passo que o Ser bilha espontaneamente como o Absoluto.

Esta investigao dentro do Ser na meditao devocional desdobra-se no estado de absoro da mente no Supremo e conduz Libertao e indescritvel Bem-Aventurana. Os grandes Sbios tm declarado que somente com a ajuda desta perquirio devocional no Ser pode a Libertao ser lograda.

O ego, sob o aspecto de idia do eu, a raiz da rvore da iluso. A sua destruio desfaz essa iluso semelhana de uma rvore derrubada pelo corte das suas razes. Somente este mtodo fcil de erradicar o ego digno de ser chamado de devoo (bakthi), conhecimento (jnana), unio (ioga), ou meditao (dyana).(1) O eu (minsculo) refere-se personalidade humana. O Eu (maisculo) designa o SER, objeto da auto-investigao. (veja captulos 5 e 6)4 Na conscincia eu sou o corpo esto contidos os trs corpos(2) compostos pelos cinco invlucros(3)

Se essa conscincia for removida, todo o resto sumir de per si, pois os demais corpos dependem dela. No h necessidade de eliminao separada porque as Escrituras declaram que a escravido o pensamento, exclusivamente. A injuno final delas que o melhor mtodo para livrar-se da escravido do pensamento consiste em sujeitar a mente na forma da idia do eu, ao Ser e, mantendo-se completamente sereno, no esquec-lo.

(2) Ou sejam, o fsico, o sutil e o causal dos estados de viglia, sonho e sono respectivamente.

(3) Os envoltrios material, sensrio, mental, intelectual e da Bem-Aventurana.

CAPTULO 2

A Natureza da MenteNeste captulo so resumidamente descritos a natureza, os estados e a localizao da mente.

1 Segundo as Escrituras indianas, h uma entidade conhecida como mente que se origina no alimento consumido. Ela gera amor, dio, cobia, clera, e assim por diante. o conjunto da mente, intelecto, memria, vontade e ego, e embora desempenhando to variadas funes tem o nome genrico de mente, e objetivada como os objetos inertes conhecidos por ns. inanimada, mas quando jungida conscincia parece animada, do mesmo modo como um ferro aquecido ao rubro parece fogo. O princpio de discriminao lhe intrnseco. passageira e possui partes capazes de serem amoldadas em qualquer forma como a lao, o ouro ou cera. a base de todos os princpios-raiz (tatwas). Est localizada no corao, assim como a viso o est nos olhos e a audio no ouvido. ela que d alma individual o seu carter e que quando concebe um objeto, j associado com a conscincia refletida no crebro, assume uma forma-pensamento. Em contato com esse objeto atravs dos cinco sentidos dirigidos pela mente, apropria-se dessa cognio com a sensao de eu sou consciente disto ou daquilo, gratifica-se com o objeto e fica satisfeita, finalmente.Pensar em se determinada coisa pode ser comida ou no uma forma-pensamento da mente. boa, e m, pode ser comida, por exemplo. Noes discriminativas como estas constituem o intelecto discriminador. Visto que o princpio-raiz que se manifesta como indivduo, Deus e o mundo, nada mais do que a mente, pura e exclusivamente, a sua absoro e dissoluo no Ser a emancipao conhecida como Kaivalya, como o Supremo Esprito, Brahman, o Absoluto.2 Os sentidos, por serem localizados fora do corpo como auxlio para a cognio dos objetos, so exteriores. A mente, porm, que situada internamente o sentido interno. Dentro e fora so relativos ao corpo, e no tm significao no Absoluto. Como o objetivo de revelar que todo o mundo objetivo est dentro e no fora do corpo, as Escrituras tm descrito o cosmos sob a forma de ltus do Corao. mas este no seno outro nome para o Ser. A bola de cera usada pelos ourives, embora dissimulando diminutas partculas de ouro, continua a parecer uma simples poro de cera. Assim tambm os indivduos submersos nas trevas da ignorncia (avidya) ou vu universal (maya) s so cnscios da falta de conhecimento durante o sono.

No sono profundo, os corpos fsico e sutil, posto que sob o manto negro da iluso, permanecem todavia imersos no Ser. Da ignorncia gerou-se o ego o corpo sutil. A mente deve ser transmudada no Ser.

3 A mente, de fato, nada mais do que conscincia, porque pura e transparente por natureza. Nesse estado de pureza, porm, no pode ser chamada de mente. A errnea identificao de uma com a outra (4) fruto da mente contaminada. Em outros termos, a mente incontaminada e pura, sendo Conscincia absoluta, ao esquecer-se da sua natureza original, subjugada pela propriedade das trevas (tamas) e se manifesta como o mundo fsico. Similarmente, subjugada pela atividade (rajas) ela surge no mundo manifestado como eu e se identifica com o corpo, considerando erroneamente este ltimo como real. Governada pelo amor e dio, ela executa, destarte, boas ou ms aes e, em conseqncia, enredada no ciclo de nascimentos e de mortes. a experincia de todos que no sono profundo, e nos desmaios, no se tem conhecimento do prprio Ser ou da objetividade. Posteriormente, a experincia eu acordo do sono, eu readquiri a conscincia o conhecimento peculiar que nasce do estado natural. Este conhecimento distinto chamado vijnana e no se patenteia por si mesmo, mas devido a ele unir-se ao Ser ou ao no-ser. Quando esse conhecimento particular ou vijnana inerente ao Ser chamado Conhecimento-Real (sathya jnana), ou Conhecimento do processo mental no Ser (atmakara mano-vrittijnana), ou Conhecimento perptuo (atmakara jnana). Quando se combina com o no-ser chamado ignorncia (ajnana). O estado em que este conhecimento ou vijnana intrnseco ao Ser e brilha como Ser chamado pulsao do Ser (aham spurana). Esta palpitao no distinta do Ser, e no seno um sinal indicativo da prxima Auto-Realizao. Entretanto, este no o estado primeiro do Ser. A Fonte qual esta palpitao se revela inerente denominada Conscincia (prajnana). a Ela que a Vedanta proclama como Prajnana Ghana. A Suprema Jia da Sabedoria ( de Shankara) descreve este Estado Eterno nas seguintes palavras: No escrnio da inteligncia resplandece eternamente o Ser a auto-refulgente testemunha de tudo. Fazendo dele o seu Alvo, ou Lakshya que completamente diferente do irreal desfrute-o, pela experincia, como seu prprio Ser, atravs de uma corrente de pensamento contnua. O sempre luminoso Ser nico e universal. Apesar da experincia individual dos trs estados viglia, sonho e sono profundo o Ser permanece puro e imutvel. No circunscrito pelos trs corpos fsico, mental e causal e transcende relao tripla do observador, da viso, e do objeto observado. O esboo a seguir ser de ajuda para se compreender o estado imutvel do Ser que se sobrepe s ilusrias manifestaes acima descritas. (4) O ponto de vis