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  • 615 R. Econ. contemp., Rio de Janeiro, 9(3): 615-642, set./dez. 2005

    PRODUO CIENTFICA E TECNOLGICADAS REGIES METROPOLITANAS

    BRASILEIRAS*

    Eduardo da Motta e Albuquerque**

    Adriano Ricardo Baessa***

    Joo Carlos Vieira Kirdeikas****

    Leandro Alves Silva*****

    Ricardo Machado Ruiz******

    RESUMO Este artigo faz uma avaliao da produo cientfica e tecnolgica das re-gies metropolitanas no Brasil a partir de estatsticas de patentes (depositadas noINPI) e de artigos cientficos (indexados pelo ISI). O trabalho est dividido em cincosees. A seo 1 resenha brevemente a literatura sobre interao entre cincia etecnologia, desde o ponto de vista da abordagem dos sistemas nacionais de inova-o. A seo 2 apresenta as bases de dados e um quadro geral da produo cientficae tecnolgica do Brasil. A seo 3 focaliza as regies metropolitanas do Brasil, avali-ando a distribuio das atividades cientficas e tecnolgicas entre elas e comparan-do-a com outros pases. A seo 4 avalia as diferentes especializaes cientficas etecnolgicas das regies metropolitanas avaliadas. A seo 5 conclui o trabalho.

    Palavras-chave: estatsticas de cincia e tecnologia; sistema nacional de inovao;distribuio espacial

    Cdigo JEL: O0, R00

    * Artigo recebido em 27 de janeiro de 2005 e aprovado em 1 de setembro de 2005. Este texto foiproduzido a partir de pesquisa contratada pelo Parque Tecnolgico da UFMG (com recursos daFinep e da Fapemig). Os autores agradecem o apoio dos bolsistas de iniciao cientfica CintiaOliveira, Hrica Righi, Camila Lins, Ana Luza Lara, Elaine Rodrigues, Raquel Guimares, ThasHenriques e Ricardo Carvalho. Comentrios tericos e sugestes empricas de Fabiana Santos(Parque Tecnolgico da UFMG), Cllio Campolina Diniz e Mauro Borges Lemos (Cedeplar/UFMG) a uma verso preliminar deste artigo foram de grande estima. Os autores agradecem ascrticas e sugestes de dois pareceristas annimos da Revista de Economia Contempornea. Os er-ros so de responsabilidade exclusiva dos autores.

    ** Eduardo da Motta e Albuquerque (Cedeplar/UFMG), e-mail: albuquer@cedeplar.ufmg.br*** Adriano Ricardo Baessa (IPEA), e-mail: adriano.baessa@ipea.gov.br

    **** Joo Carlos Vieira Kirdeikas (Cedeplar/UFMG), e-mail: kirk@cedeplar.ufmg.br***** Leandro Alves Silva (Cedeplar/UFMG), e-mail: lsilva@cedeplar.ufmg.br

    ****** Ricardo Machado Ruiz (Cedeplar/UFMG), e-mail: rmruiz@cedeplar.ufmg.br

  • 616 R. Econ. contemp., Rio de Janeiro, 9(3): 615-642, set./dez. 2005

    THE SCIENTIFIC AND TECHNOLOGICAL PRODUCTION

    OF BRAZILIAN METROPOLITAN

    ABSTRACT This paper evaluates the scientific and technological production ofMetropolitan Areas in Brazil. The data are from the Brazilian Patent Office(Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPI) and from the Institute forScientific Information (ISI). The first section surveys the literature on interactionsbetween universities and firms. The second section presents the data bases and ageneral picture of the Brazilian scientific and technological production. The thirdsection focuses the Metropolitan Areas. The fourth section evaluates the differentscientific and technological specializations of these Areas. The fifth section con-cludes the paper, discussion connections and disconnections in the Brazilian Na-tional System of Innovation.

    Key words: science and technology statistics; national system of innovation;spatial distribution

  • 617E. M. Albuquerque, A. R. Baessa, J. C. V. Kirdeikas, L. A. Silva e R. M. Ruiz Produo...

    INTRODUO

    A co-localizao geogrfica da produo cientfica e tecnolgica brasileira

    apresentada em nvel metropolitano. Zitt et al. (2003) apresentam estudo

    sobre a co-localizao geogrfica da produo cientfica e tecnolgica na

    Unio Europia como uma forma de investigar o potencial para spill-overs.

    Este texto investiga a co-localizao geogrfica em nvel metropolitano

    como uma forma de avaliar a existncia de conexo (ou desconexo) entre a

    produo cientfica e a produo tecnolgica.

    O Brasil produz 1,4% da cincia mundial e 0,1% da tecnologia mundial,

    considerando as participaes relativas da produo nacional no total mun-

    dial de artigos cientficos indexados no ISI e de patentes depositadas no

    USPTO em 2001. Essa comparao elementar entre dados relativos dimen-

    so cientfica e tecnolgica sugere que o Brasil pode estar desperdiando

    oportunidades tecnolgicas geradas pela presente acumulao cientfica na-

    cional. O setor produtivo parece no utilizar de forma intensiva os conheci-

    mentos disponibilizados pela infra-estrutura cientfica existente no pas.

    A disparidade entre a participao relativa do Brasil na produo cient-

    fica mundial e sua participao na produo tecnolgica mundial, caracte-

    rstica compartilhada com outros pases em posio tecnolgica interme-

    diria como a ndia, a frica do Sul e o Mxico, no pode alimentar iluses:

    ainda pequena a participao nacional na produo cientfica mundial.

    Para identificar essa posio, duas comparaes podem ser realizadas: em

    primeiro lugar, o PIB do Brasil representou 2,53% do Produto Mundial

    Bruto em 1999; em segundo lugar, o Brasil produziu 63 artigos por milho

    de habitantes em 1998, enquanto o limiar para uma interao positiva entre

    cincia e tecnologia encontrava-se em 163 artigos por milho de habitantes

    (Bernardes e Albuquerque, 2003).

    Ao mesmo tempo em que possvel, dada a disparidade apontada acima,

    o maior envolvimento do setor produtivo com atividades inovativas im-

    portante para o crescimento da prpria atividade cientfica, pois o setor

    produtivo uma importante fonte de questes, problemas e perguntas que

    alimentam a infra-estrutura cientfica em sistemas de inovao mais com-

    pletos e articulados. E vale notar que um maior envolvimento do setor pro-

    dutivo em atividades inovativas , por certo, um requisito de qualquer pol-

    tica industrial voltada a ganhos sustentados de competitividade.

  • 618 R. Econ. contemp., Rio de Janeiro, 9(3): 615-642, set./dez. 2005

    1. SISTEMAS DE INOVAO E A INTERAO ENTRE CINCIA

    E TECNOLOGIA1

    Um sistema nacional de inovao uma construo institucional, produto

    seja de uma ao planejada e consciente, seja de um somatrio de decises

    descentalizadas e desarticuladas, que impulsiona o progresso tecnolgico

    em economias capitalistas complexas (Freeman, 1987; Nelson, 1993). Pelo

    sistema de inovao viabilizam-se os fluxos de informao e infra-estrutura

    necessrios ao processo de inovao tecnolgica. Estes arranjos institucio-

    nais envolvem firmas, redes de interao entre empresas, agncias governa-

    mentais, universidades, institutos de pesquisa, laboratrios de empresas,

    atividades de cientistas e engenheiros.

    As universidades, instituies de pesquisa e o conjunto da estrutura

    educacional so cruciais para a manuteno do um sistema de inovao.

    A National Science Foundation (NSF, 1996) estima que nos Estados Unidos

    o total de cientistas e engenheiros empregados em atividades de P&D alcan-

    ou a cifra de 962.700 pessoas em 1993 (cerca de 1% da fora de trabalho do

    pas). O total de cientistas e engenheiros empregados em atividades no

    acadmicas atingiu 3.502.000 (1.749.000 cientistas e 1.753.000 engenhei-

    ros), cerca de 3% da fora de trabalho em 1992.

    Essas estruturas de pesquisa articulam-se com o sistema educacional,

    com o setor industrial e empresarial e, tambm, com as instituies fi-

    nanceiras, completando o circuito dos agentes que so responsveis pela

    gerao, implementao e difuso das inovaes. Um sistema de inovao

    diversifica a diviso tecnolgica de trabalho, fornecendo s firmas oportu-

    nidades tecnolgicas de forma persistente, por isso so considerados por

    muitos estudiosos um ponto focal de qualquer poltica de desenvolvimento

    econmico.2

    A estrutura dos sistemas de inovao difere entre os pases (Nelson,

    1993). Estudos comparativos permitem distinguir a existncia de pelo me-

    nos quatro grupos de pases com padres distintos de maturidade de seus

    sistemas de inovao.

    Em primeiro lugar, o grupo dos pases avanados, no qual os sistemas de

    inovao completaram o seu processo de construo, constituindo-se como

    sistemas maduros. Neles, a articulao institucional entre o sistema cientfi-

    co-tecnolgico, o sistema financeiro e o sistema educacional alcanou um

  • 619E. M. Albuquerque, A. R. Baessa, J. C. V. Kirdeikas, L. A. Silva e R. M. Ruiz Produo...

    grau tal que torna o progresso tecnolgico a principal fonte de desenvolvi-

    mento econmico. Os Estados Unidos seriam um perfeito representante

    desse grupo.

    Em segundo lugar, h um grupo de pases em processo de catching up,

    como a Coria do Sul e Taiwan que, nas ltimas trs dcadas, foram um

    exemplo da importncia de instituies de apoio s atividades cientficas e

    tecnolgicas (Amsden, 1989; Wade, 1990). A avaliao dos processos de de-

    senvolvimento desses pases indica que a construo e o amadurecimento

    de sistemas de inovao constituem pr-requisitos para um desenvolvimen-

    to econmico sustentado.

    O terceiro grupo rene pases heterogneos, como o Brasil, a ndia, o

    Mxico, a frica do Sul, a Rssia e a Malsia. Esses pases possuem um siste-

    ma de inovao com a presena de elementos de infra-estrutura cientfica e

    alguma capacidade tecnolgica do setor produtivo.

    No quarto grupo encontram-se as naes mais pobres do mundo, se-

    gundo a classificao do Banco Mundial, que na melhor das hipteses pos-

    suiriam sistemas de inovao rudimentares (Banze, 2000).3

    1.1 Limiares e interaes entre a cincia e a tecnologia

    Para os objetivos deste trabalho, conveniente di

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