POTENCIAL DAS PRINCIPAIS REGIÕES BRASILEIRAS PARA ... ?· brasileiras, constituindo-se numa das principais…

Download POTENCIAL DAS PRINCIPAIS REGIÕES BRASILEIRAS PARA ... ?· brasileiras, constituindo-se numa das principais…

Post on 03-Dec-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

<ul><li><p>XLIV CONGRESSO DA SOBER Questes Agrrias, Educao no Campo e Desenvolvimento </p><p> Fortaleza, 23 a 27 de Julho de 2006 </p><p>Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural </p><p>1</p><p> POTENCIAL DAS PRINCIPAIS REGIES BRASILEIRAS PARA ABASTECIMENTO DE SANGUE DE BOVINOS E SUNOS MELHORIA DA RENTABILIDADE E OPORTUNIDADE DE INVESTIMENTO THIAGO BERNARDINO DE CARVALHO; SHIRLEY MARTINS MENEZES; SERGIO DE ZEN; LUIZ RODRIGO TEIXEIRA LOT; CEPEA/ESALQ/USP PIRACICABA - SP - BRASIL tbcarval@esalq.usp.br APRESENTAO SEM PRESENA DE DEBATEDOR ADMINISTRAO RURAL E GESTO DO AGRONEGCIO Potencial das principais regies brasileiras para abastecimento de sangue de bovinos </p><p>e sunos melhoria da rentabilidade e oportunidade de investimento </p><p>Grupo de Pesquisa: 2 Administrao Rural e Gesto do Agronegcio Viabilidade Tcnica e Econmica da Produo, Marketing, Comportamento do </p><p>Consumidor, Estratgias, Eficincia Produtiva, Custos de Produo, Desenvolvimento de Novos Mercados </p><p>Apresentao: com presidente da sesso e sem a presena de debatedor </p><p> Potencial das principais regies brasileiras para abastecimento de sangue de bovinos </p><p>e sunos melhoria da rentabilidade e oportunidade de investimento </p><p>Resumo </p><p>O Brasil reconhecidamente um dos maiores fornecedores mundiais de carnes, responsvel por parte do abastecimento de diversos pases. Nesse incio de 2006 o MAPA relaciona 270 matadouros de bovinos e 123 de sunos distribudos em todo o territrio nacional como SIF. De acordo com os dados do IBGE, os abates de bovinos totalizam </p></li><li><p>XLIV CONGRESSO DA SOBER Questes Agrrias, Educao no Campo e Desenvolvimento </p><p> Fortaleza, 23 a 27 de Julho de 2006 </p><p>Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural </p><p>2</p><p>cerca de 20,7 milhes de cabeas em 2005 e os de sunos, 21,8 cabeas, volumes que vm aumentando ano aps ano. O aproveitamento do sangue, assim como de outros subprodutos do abate nem sempre representa alguma forma de lucratividade para a indstria abatedora, embora o conjunto dos subprodutos garanta parte da rentabilidade do setor. O presente estudo aponta o direcionamento atual do sangue resultante dos abates de bovinos e sunos no Brasil. Por meio da quantificao do volume de abate e conseqentemente, de sangue produzido, tem-se o conhecimento do potencial fornecedor desse subproduto, que de modo geral visto pelos frigorficos como um resduo problemtico de seu processo de transformao. Alm disso, por intermdio de um mapeamento dessas unidades nas principais praas de abate, possvel detectar regies com forte representatividade para produo de sangue e tambm por isso, consideradas promissoras ao fornecimento desse produto. Constatado, portanto, como forma de melhorar a lucratividade das unidades de processamento ou mesmo como maneira de solucionar o problema do resduo, o aproveitamento do sangue pode e deve ser tratado estrategicamente por frigorficos de bovinos e sunos, contribuindo para amenizar alguns dos principais riscos associados atividade, dentre eles o ambiental. Em ltima anlise, tem-se ainda a transparncia do potencial a ser explorado pela indstria que usa o sangue como matria-prima, o que alm de representar uma oportunidade de investimento, poderia contribuir para amenizar problemas de ordem social. Palavras-chave: sangue, bovinos, sunos, abate e frigorficos. 1. Introduo </p><p>O Brasil historicamente tem sido um dos grandes produtores de carnes bovina, suna e de frango. Nos ltimos anos se tornou o maior exportador mundial de carne bovina e em 2004 assumiu o posto na liderana das exportaes de carne de frango. Segundo a FAO (2004), 1 em cada 5 kg de carne bovina comercializada no mundo brasileira. O volume exportado chega ultrapassou i milho de toneladas em 2005, gerando recursos em torno de 2,5 bilhes de dlares, de acordo com a Secex. Considerando que as exportaes de carne bovina representam menos de 20% do total produzido no pas, estima-se que o </p></li><li><p>XLIV CONGRESSO DA SOBER Questes Agrrias, Educao no Campo e Desenvolvimento </p><p> Fortaleza, 23 a 27 de Julho de 2006 </p><p>Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural </p><p>3</p><p>volume total de recursos movimentado pela venda de carne bovina no Brasil ultrapassa a casa de 10 bilhes de dlares por ano. </p><p>A atividade pecuria aparece em praticamente 75% das propriedades agrcolas brasileiras, constituindo-se numa das principais atividades do meio rural, de acordo com o IBGE. A produo se estende, em mdia, por 3 anos e, por este motivo, fundamental para as empresas agrcolas do ponto de vista de patrimnio. tambm componente essencial do fluxo de caixa das propriedades, gerando a liquidez necessria para viabilizar o conjunto das atividades nelas desenvolvidas. </p><p>No aspecto social a pecuria de corte, dentro da porteira, gera cerca de 360 mil empregos diretos e, milhares de empregos entre os fornecedores de insumos, que movimenta quase 2 bilhes de reais em insumos nacionais e mais de 1 milho de empregos fora da porteira, segundo estimativas do CEPEA/CNA. Portanto, uma atividade que afeta vrios outros setores e um nmero significativo de pessoas. </p><p>J no setor suincola, nos anos de 2004 e 2005, a suinocultura nacional finalmente ganhou flego. Os preos internos do suno vivo reagiram com fora, impulsionados pela menor disponibilidade interna de animais, que refletiu, por sua vez, a reduo gradativa dos plantis. A demanda cresceu, principalmente a externa, puxando tambm os preos internacionais do produto. Houve ainda queda nos custos de produo em favor do setor produtivo. </p><p>O montante exportado pelo Brasil no ltimo ano totalizou US$ 1,12 bilhes de divisas para o mercado internacional, colocando o pas em quarto lugar em importncia no cenrio mundial. O pas enviou ao exterior 579,4 mil toneladas, o que representa 30% da produo brasileira. </p><p>O avano no mercado internacional motivou agentes a ampliar a preocupao com a qualidade da carne, bem como com a sanidade das granjas e frigorficos - requisitos indispensveis para obter sucesso junto aos importadores mais rigorosos. Alm do objetivo principal de produzir de carne, a indstria frigorfica que transforma praticamente todo o volume de animais engordados no territrio nacional em carne in natura ou processada, para consumo domstico ou externo, se apia na venda de uma sries de outros subprodutos a fim de garantir a rentabilidade do negcio. Na comparao da srie dos preos de venda de carne pelos frigorficos, com os pagos pela arroba ao produtor, ambos divulgados pelo CEPEA, constata-se, na maior parte do tempo, preos de venda inferior ao de compra. Como, via de regra, o frigorfico no paga o pecuarista pelo animal completo, mas sim pela carne, torna-se claro que a obteno de lucro das unidades abatedoras baseia-se, historicamente da comercializao dos demais subprodutos originados do abate de animais e no propriamente da carne. fundamental, portanto, que os frigorficos trabalhem estrategicamente a eficincia e eficcia dos processos e das formas de comercializao dos demais subprodutos a fim de garantir/melhorar a rentabilidade geral da atividade ainda mais num ambiente de fortes riscos, no qual est inserida essa indstria processadora. </p><p>2. Objetivo </p><p> A inteno principal oferecer para aos frigorficos opes que tragam melhorias dos </p><p>aspectos econmico e ambiental, relacionados ao aproveitamento do sangue resultante dos abates de bovinos e sunos nas unidades sifadas nas principias praas abatedoras do Brasil. Alm disso, o estudo destaca regies de potencial para o desenvolvimento de indstria </p></li><li><p>XLIV CONGRESSO DA SOBER Questes Agrrias, Educao no Campo e Desenvolvimento </p><p> Fortaleza, 23 a 27 de Julho de 2006 </p><p>Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural </p><p>4</p><p>receptora do sangue de bovinos e sunos, resultando em localidades oportunas para investimentos ligados indstria que utiliza o sangue como matria-prima. Para tanto, objetivos iniciais e intermedirios foram determinados, tais sejam: mapear o abate de bovinos e sunos no territrio nacional, apontando o volume de abate/sangue produzido nessas unidades; identificar as principais praas de produo de sangue vistas como potenciais fornecedoras do subproduto; e, detectar as principais destinaes do sangue nas relevantes regies de abate. 3. Reviso de literatura Segundo Lot (2006), os riscos dos frigorficos podem ser concentrados em 4 linhas: financeiros/contbeis, de matria-prima, ambientais e sanitrios e os sociais. </p><p>Os riscos financeiros/contbeis provm da estrutura pouco profissional de administrao que ainda caracteriza este segmento, e que um dos mais graves entraves para todas as empresas. Um problema que ocorra em uma empresa afeta a todas, criando problemas de refinanciamento e dificultando o crdito de custeio (dos produtores) e de investimento (dos bancos). </p><p>Os riscos de matria-prima so a segunda fonte de problemas para essas empresas, uma vez que, os contratos de exportao exigem o alongamento de prazos de entrega de produto com preos de venda fixo. Ou seja, as empresas vendem e fixam os preos de venda dos produtos, mas os preos da matria-prima (boi gordo) esto sujeitos a oscilaes do mercado. Alm disso, importante ressaltar que as exportaes so feitas em dlares e a matria-prima cotada em reais, sendo necessrio hedge de produto e de cmbio. </p><p>Os riscos ambientais e sanitrios dizem respeito crescente dependncia das empresas das exportaes, sendo que os mercados internacionais so extremamente sensveis a notcias vinculadas a estes dois fatores. Nesse contexto, procura-se atender requisitos relacionados ao local onde as empresas operam, aos tratamentos dados aos dejetos, aos cuidados com os efluentes, dentre outros que, se no atendidos podem causar grandes danos ao setor, sobretudo se uma empresa exportadora for acionada. </p><p>Os riscos sociais, por sua vez, decorrem assim como os ambientais da sensibilidade dos mercados importadores ao no cumprimento das regras sociais. Nesse caso, as unidades de abate so vistas de acordo com seu conceito na comunidade, com relao as suas aes de recursos humanos, responsabilidade social, etc. H riscos considerveis de perda de importantes mercados se for constatada violao de princpios considerados relevantes pelas comunidades internacionais. </p><p>Em relao aos problemas ambientais e de sanidade, segundo o autor, as unidades frigorficas, que so caracterizadas por rgos ligados ao controle ambiental como fonte de poluio, direcionam parte de seus gastos e de suas estruturas resoluo de problemas relacionados aos resduos lquidos e slidos gerados pelo abate e demais subprocessos envolvidos nesse tipo de firma. </p><p>Outro ponto importante a ser considerado nesse negcio o envolvimento direto com as questes de sanidade. Esse aspecto, somado ao ambiental, portanto, fundamentam as diversas preocupaes de agentes ligados ao setor, no sentido de se adaptar burocraticamente e estruturalmente - s grandes exigncias advindas por rgos nacionais e, sobretudo, internacionais. </p><p>Na anlise generalizada desse elo do setor pecurio tem-se que, via de regra, as cobranas de sanidade e ambientais acabam sendo maiores por parte de rgos internacionais, tendo relevante impacto sobre as empresas exportadoras. Ressalta-se ainda, na anlise desse fator, o crescimento de tais exigncias, consideradas, inclusive, como </p></li><li><p>XLIV CONGRESSO DA SOBER Questes Agrrias, Educao no Campo e Desenvolvimento </p><p> Fortaleza, 23 a 27 de Julho de 2006 </p><p>Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural </p><p>5</p><p>barreiras no-tarifrias. Dessa forma, percebe-se nas unidades exportadoras um movimento intenso e constante no sentido de assimilar as diversas exigncias externas, a fim de se manterem, e/ou melhorarem sua participao, no mercado internacional. </p><p>A prpria sociedade por receber diretamente os impactos gerados pelos diversos problemas ligados a esse tipo de indstria, tambm apresenta comportamento crtico em relao a essa atividade. </p><p>Ressalta-se, contudo, que tanto nos aspectos ambientais como nos de sanidade a atuao de unidades clandestinas de abate acentua os problemas existentes no processo, visto que, nesses casos, o tratamento dos resduos e a existncia de controle no so prioritrios. Dada a fragilidade do setor diante de especulaes internacionais, muitas vezes de ordem poltica, a cadeia como um todo pode ser comprometida por problemas muitas vezes constatados em unidades que no atuam de forma legal. </p><p>No caso especfico do sangue dos abates, foco do presente estudo, destacam-se: as questes financeiras ligadas ao processamento do sangue; e, os problemas ocasionados pela forma de tratamento desse subproduto, quando no utilizado. </p><p>No aspecto financeiro, notrio para os agentes do setor que, em meio s discusses e proibies da utilizao da farinha de sangue para alimentao de frangos, sunos e bovinos, tem-se de fato que o mercado desse produto - que utiliza o sangue dos abates em sua composio -, encontra-se restrito e financeiramente, pouco favorecido. Com isso, os resduos dos abates, assim como a forma de processamento dos mesmos, so considerados, custosos, para os frigorficos de bovinos e sunos, j que a comercializao no fornece um retorno coerente. </p><p>No caso do tratamento dos efluentes, as unidades de abate e processamento localizadas em reas urbanas - onde o espao fsico para construo das lagoas/tanques de decantao com capacidade adequada so restritos - os problemas enfrentados quanto ao tratamento adequado, so relevantes. </p><p>4. Metodologia </p><p>De acordo com os dados de abate do IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica - foram mapeadas as principais regies de abate de bovinos e sunos no Brasil. Partindo dessas regies, portanto, foi elaborado um relatrio estadual dos frigorficos registrados no Servio de Inspeo Federal (SIF) e relacionados pela Secretaria de Defesa Agropecuria (SDA), rgo do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento. Foram considerados os estabelecimentos classificados em Matadouro de Bovino e Matadouro de Sunos das categorias Matadouro e Matadouro Frigorfico. </p><p>Entre maio e junho de 2005, agentes ligados diretamente indstria frigorfica das principais praas de abate nas regies Sul, Sudeste e Centro-Oeste foram consultados, via telefone, a fim de se obter o volume dirio de abate e as principais destinaes atuais do sangue resultante desse processo. Complementarmente foram consultados agentes de escritrios de comercializao, ligados secretarias de estado, e aos rgos de inspeo estadual sobre qual a forma comum de utilizao do sangue pelos frigorficos da sua regio de atuao. Esses dados foram confrontados com informaes j divulgados pelo MAPA e IBGE. </p></li><li><p>XLIV CONGRESSO DA SOBER Questes Agrrias, Educao no Campo e Desenvolvimento </p><p> Fortaleza, 23 a 27 de Julho de 2006 </p><p>Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural </p><p>6</p><p>Os volumes dirios de abate levantados foram multiplicados por 22 (dias) para obteno do total mensal de cada unidade. Os dados de abate das regies Centro-Oeste e Sudeste foram agregados por municpio a fim de obter-se o mapeamento municipal em cada Estado, em funo do volume de abate, o que representa maior volume de sangue e tambm por unidade da fe...</p></li></ul>

Recommended

View more >