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Edio de agosto de 2015

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  • Literatura, Pensamento & Arte

    AARALETRASrealizaSarau de Poesia pgina 6

    Sade: Uma viso integral sobre o ser humanoPgina 3

    Ano XXII - n 233 - agosto 2015 Festival GastronmicoO Gostode Agostoacontece em Saquaremapgina 6

    Feirado livroem Araruamacomea dia 1pgina 10

    Pedgiomais carona Via Lagos pgina 4

    Pontinha do Outeiro, Araruama-RJFoto: Camilo Mota

  • 2HOW BIG, HOW BLUE, HOW BEAUTIFULPor Marcio Paschoal*

    Desde sua estreia em 2009, com o lbum Lun-gs, que recebeu o pr-mio revelao no Grammy Awards, a banda indie inglesa, Florence and the Machine, liderada por Florence Welch, mostra sua fora. Agora, em novo trabalho, misturando a velha batida de rock com alguns raros e bons momentos de puro soul.

    O Florence j conquistou in-meros admiradores, tanto no Reino Unido, quanto na Amrica. J em seu segundo disco, Ceremonials (2011), estourou com o hit Shaked Out. A banda de Florence con-ta com Isabella Summers, Robert Ackroyd, Christopher Lloyd (Chris) Hayden, Mark Saunders, alm de um time de musicistas. O novo l-bum, intitulado How Big, How

    Blue, How Beautiful, vem com alguns sucessos j na mdia e inter-net. o caso da tima What kind of man, de Florence, Tom Hull e Jon Hill, destaque para o trumpete de John Barclay. Boas tambm Ship to Wreck (guitarras Leo Abrahams e Kid Harpoon), Queen of Peace, com a banda a todo vapor, incluin-do tuba, cellos, flautas e o piano de Rusty Bradshaw, e a bem percussi-va Third Eye. No total so onze faixas, com o repertrio misturando estilos e bem pop, to ao gosto do mainstream. H ainda os bnus, com Hiding (Florence e James Bird), Make up your mind (Florence e Hull), com Rob Ackroyd na guitarra acstica, e as demos de Witch Wi-tch e a que nomeia o disco, How Big, How Blue, How Beautiful.

    O CD vem com um luxuoso en-carte, com fotos, sugerindo abraos de Florence e Isabella, assinadas por Tom Beard e tiradas na Pennsula de Yucatn, no Mxico. Algumas repe-ties, outras obviedades rtmicas, mas no h como no se render ao magnetismo de Florence e riqueza de alguns arranjos, sem contar, claro,

    com a equipe envolvida na produo do disco. Longe de alcanar a marca de Lungs ou o requinte de Cere-monials, ainda assim, How big... merece ateno e se presta afirma-o da banda britnica no atual pobre cenrio mundial da msica pop.

    (*) escritor, autor da biografia de Joo do Vale (www.marciopaschoal.com)

    Florence Welch: rock e soul

    n 233 - Agosto/2015

    O Jornal Poisis - Literatura, Pensamento & Arte uma publicao da Mota e Marin Editora e Comunicao Ltda. Editor: Camilo Mota. Diretora Comercial: Regina Mota. Conselho Editorial: Camilo Mota, Regina Mota, Fernando Py, Sylvio Adalberto, Gerson Valle, Marcelo J. Fernandes, Marco Aureh, Francisco Pontes de Miranda Ferreira, Charles O. Soares. Jornalista Responsvel: Francisco Pontes de Miranda Ferreira, Reg. Prof. 18.152 MTb. Rua das Bougainvilleas, 4 - Rio do Limo - Araruama-RJ CEP 28970-000 ( (22) 98818-6164 ( (22) 99982-4039 ( (22) 99770-7322 E-mail: jornalpoiesis@gmail.com Site: www.jornalpoiesis.com.br Facebook: www.facebook.com/jornalpoiesisDistribuio dirigida em: Saquarema, Araruama, So Pedro da Aldeia, Iguaba Grande, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Petrpolis. Fotolito e Impresso: Tribuna de Petrpolis. Os textos assinados so de inteira responsabilidade de seus autores e no representam a opinio do Jornal Poisis ou vnculo empregatcio com o mesmo.

    Quem Somos EDITORIALSOBRE MUDANAS E CULTIVOSr Marcio Paschoal*

    O que estamos cultivando? O que estamos cultuan-do? As duas perguntas so para provocar a reflexo. Em ambas, um s radical: CULT. Essas quatro letras nos levam para o mundo dos cultos, das culturas, dos cultivos. O Jornal Poisis tem, h 22 anos, esse compromisso com o cultivo de refle-xes e conhecimentos sobre a reali-dade que nos cerca, principalmente abordando aspectos ligados s artes (literatura, msica, teatro, dana...), pois estas so fontes de transformao do homem. Uma sociedade s muda realmente quando sua estrutura cul-tural d sinais para a mudana. Nes-ses tempos de grande pessimismo, de construes de um caos psquico que leva muitos a duvidar da prpria essncia do pas ou de si mesmos, de fortalecimento de atitudes de dio e de intolerncia, cabe se perguntar: o

    que voc est cultivando? O que voc est cultuando? Qual o seu papel na construo da realidade? Est fazen-do cultura ou est se deixando levar pelo conformismo de pensar igual aos outros?

    No meio desse dilogo, nossa linha editorial procura manter a coerncia com o que nos motiva a escrever: somos seres cheios de esperana e queremos que a esperana seja um bem comum. E ela existe e persiste porque tudo se move, tudo est em constante movimento, e cabe a cada um perceber esses ciclos, olhar para si e para os outros como membros de uma mesma famlia humana.

    Para isso, acreditamos na fora gerada pelos movimentos culturais, acreditamos que o pensamento fun-damental para criar laos com a rea-lidade de maneira reflexiva e crtica, que possvel ver com olhos de sa-

    bedoria e no se deixar levar por uma onda de lugares comuns que insistem, por vezes, em assaltar as mentes de-satentas.

    Nesta edio estamos mudando o formato do jornal, retornando ao ta-blide, nossa origem. tambm um sinal de reaproximao e reafirmao de tudo aquilo que um dia, no ano de 1993, nos levou a criar um suplemento literrio: a busca da integrao, da tro-ca de experincias, da divulgao de coisas boas, por acreditarmos que s possvel evoluir e crescer atravs dos processos pedaggicos, da educao, da cultura do saber, do aprendizado.

    A mudana a lei da vida. Quando se planta uma semente, pela mu-dana de suas estruturas que vamos percebendo seu crescimento. De um pequeno gro se ergue a rvore, e no entanto, todo esse tempo, estava a rvore contida no gro.

  • 3n 233 - Agosto/2015

    UMA VISO INTEGRALDO CUIDADO HUMANOPor Camilo de Llis Mendona Mota*

    Quando falamos em sade, que aspecto ou dimenso humana a mais importan-te? A prioridade de enfoque deve ser restrita a uma abordagem materialis-ta, focada nos aspectos tangenciais da realidade mensurvel propostos pela cincia cartesiana? Ela suficiente para reduzir ou eliminar o sofrimento huma-no? Ainda h espao para trazer para o campo teraputico outras dimenses e incorpor-las como recursos que pro-movam o bem estar e a cura, redefinin-do aspectos de natureza social e espi-ritual?

    O desenvolvimento cientfico trou-xe avanos importantes para as reas da medicina e da psicologia, com novas tecnologias, medicamentos e conheci-mentos inditos sobre o funcionamen-to do crebro. Mas tambm reduziu o homem a partes desintegradas do todo. A especializao, que um recurso im-portante no campo da cincia, chegou a um ponto to excessivo que chega a subverter a realidade, deixando o indi-vduo rfo de sua inteireza.

    Uma reconciliao com o todo se faz necessria no atual momento por que passa a humanidade. Estamos saindo de uma era marcada pela ansiedade, pela busca desenfreada de prazer, consumo, conforto e distanciamento da natureza, e entrando em um momento em que cada vez mais casos de depresso so diagnosticados. O estado de sade e de felicidade no ser encontrado na satisfao dos desejos fictcios. Novas (e antigas) dimenses do ser humano precisam ser colocadas em movimento,

    dentro de uma tica ecologicamente sustentvel, em que o homem seja visto como um ser biopsicossocioespiritual. Tal perspectiva inclui, inevitavelmente, uma reavaliao do papel dos terapeu-tas, reposicionando-os em sua funo de atores no processo de conduo da melhoria da qualidade de vida dos seres. O profissional precisa descobrir em si a sua prpria humanidade para no correr o risco de se tornar um in-divduo alienado de seu prprio ofcio, que o de cuidar do outro.

    Neste caminho de abrir novas pers-pectivas para o cuidado com o homem, surge o Colgio Internacional de Te-rapeutas (CIT), que se baseia em dez princpios: o postulado antropolgico, a tica da bno, o silncio, o estudo, a gratuidade, a reciclagem, o reconheci-mento da incompletude, anamnese es-sencial, o despertar da presena e a fra-ternidade. Uma boa introduo a essa nova proposta est no livro Dimen-ses do cuidar: uma viso integral (Pe-trpolis, Vozes, 2015), coordenado por Jean-Yves Leloup e Roberto Crema. A obra rene, alm dos organizadores, textos de mais 11 autores, a partir de suas palestras que foram proferidas du-rante o III Festival Mundial da Paz, rea-lizado em 2012, no Brasil, por ocasio dos 20 anos de criao do CIT.

    A proposta dos autores refletir sobre uma arte de cuidado integral, compreendendo o homem como uma unidade integrada que envolve a natu-reza, o indivduo e o transpessoal. Para isso, os prprios terapeutas devem es-tar abertos ao outro, promovendo uma

    comunho, indo alm dos simples as-pectos sintomticos e superficiais. Nes-se sentido, no devemos estar fechados naquilo que conhecemos, pois o outro tambm possuidor de conhecimento. E dessa integrao de saberes que surge o dilogo e a vida se redimensio-na. Como afirma Jean-Yves Leloup em seu texto introdutrio: No identifi-car-se com o que conhecemos de ns e do outro a abertura ao infinito, a abertura dos nossos limites (p. 35).

    Mesmo abordando questes bastan-te especficas da prtica dos terapeutas do CIT, As dimenses do cuidar vai muito alm e traz textos que se des-cortinam de maneira suave e delicada para compreendermos os grandes pro-blemas do nosso tempo. Dividido em trs partes, abordando as ecologias individual, social e ambiental, o livro apresenta reflexes que apontam para um novo paradigma de base holstica, em que o ser humano visto totalmen-te integrado e no como uma mquina elaborada de partes isoladas. Assim, temas como o problema do consumo desenfreado, a busca de entendimento sobre as causas do sofrimento, a valo-rao da meditao, o casamento e o significado da aliana vo se tecendo mutuamente, trazendo para o leit