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PLANO SETORIAL DE MITIGAO E DE ADAPTAO MUDANA DO CLIMA NA MINERAOPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono(Plano MBC)Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)COORDENAO:Casa Civil da Presidncia da RepblicaMinistrio de Minas e Energia (MME)BRASLIA/DFJunho - 2013Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)2. Presidenta da Repblica Dilma Rousseff Vice-presidente da RepblicaMichel Temer Coordenador GeralEdson Farias Mello (SGM/MME)Membros do Grupo de TrabalhoClaudia Salles (Ibram/CNI)Dione Macedo (SGM/MME)Isaura Frondizi (IBram)Mrio Augusto de Campos Cardoso (CNI)Paula Bennati (CNI)Renata Arajo (Vale/CNI)Rinaldo Mancin (IBram/CNI)Vivian Macknight (Vale/CNI)Instituies participantes Confederao Nacional da Indstria (CNI)Instituto Global de Crescimento Verde (GGGI)Instituto Brasileiro de Minerao (IBRAM)Ministrio de Minas e Energia (MME)Ministrio do Meio Ambiente (MMA)Suporte TcnicoO Plano Setorial contou com o apoio do Global Green Growth Institute atravs de suporte tcnico e analtico da consultoria McKinsey & Company do Brasil.Smbolos, siglas e abreviaturasa.a. ao anoABCM Associao Brasileira de Carvo MineralANEPAC Associao Nacional de Entidades Produtoras de Agregados para a Construo CivilBNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e SocialCH4 metanoCO2 dixido de carbonoCO2e dixido de carbono equivalenteCQEM UMC Conveno-Quadro das Naes Unidas sobre Mudana do ClimaDOU Dirio Oficial da UnioFBMC Frum Brasileiro de Mudanas ClimticasFINAME Agencia Especial de Financiamento IndustrialGEE Gases de Efeito EstufaGEX Grupo ExecutivoIBRAM Instituto Brasileiro de MineraoIPCC Painel Intergovernamental de Mudanas Climticaskg de CO2e/ t quilogramas de dixido de carbono equivalente por tonelada de minriom3 metro cbicoMil t 1 (hum) mil de toneladasMt 1 (hum) milho de toneladasMMA Ministrio do Meio AmbienteMME Ministrio de Minas e EnergiaNi NquelPAC Plano de Acelerao de CrescimentoPDE 2020 Plano Decenal de Energia 2020P&D Pesquisa e Desenvolvimento PNMC Plano Nacional sobre Mudana do ClimaPNM 2030 Plano Nacional de Minerao 2030ROM expresso que significa Run of Mine, ou seja, produo bruta obtida diretamente da minat toneladat CO2 eq toneladas de dixido de carbono equivalentet CO2 eq/ano toneladas de dixido de carbono equivalente por anoUNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change) Conveno-Quadro das NaesUnidas sobre Mudana do ClimaMinerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)3. ndice Geral1. Apresentao .............................................................................................................52. Introduo .................................................................................................................63. Objetivos ....................................................................................................................84. Vigncia .....................................................................................................................95. Abrangncia ...............................................................................................................96. Base Legal ................................................................................................................107. Panorama das emisses no setor de minerao .................................................... 117.1 Sumrio executivo ........................................................................................ 117.2 Cenrio base ................................................................................................ 127.2.1 Formao do ndice de emisso por minrio .......................................... 137.2.2 Projeo da produo ..........................................................................177.2.3 Consideraes sobre o Cenrio Base ..................................................... 187.2.4 Atualizao da linha de base ................................................................ 207.3 Potencial de abatimento ................................................................................207.3.1 Descrio das iniciativas de abatimento de emisses de GEE .................. 207.3.2 Formao de cenrios de alcance de iniciativas ...................................... 237.3.3 Potencial de abatimento por iniciativa ................................................... 248. Barreiras e estratgias de implementao dos programas ................................... 259. Adaptao s Mudanas Climticas ........................................................................2710. Necessidades e Fontes de Financiamento ...........................................................3011. Monitoramento ......................................................................................................3111.1 Governana ............................................................................................... 3111.2 Indicadores ................................................................................................ 3212. Propostas e estudos para prximas verses........................................................3313. Referncias Bibliogrficas ....................................................................................34Apndice ......................................................................................................................35Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)5. 1. Apresentao O Plano Setorial de Mitigao e Adaptao Mudana do Clima na Minerao, ora apresentado e citado na Lei 12.187, de 29 de Dezembro de 2009, deixou clara a necessidade do governo e da sociedade, em especial dos setores econmicos, de conhecerem suas respectivas emisses de Gases causadores de Efeito Estufa (GEE). Trata-se, portanto, de um plano setorial que representa um importante subsdio para a atuao do poder pblico e da sociedade no planejamento, implantao e acompanhamento de polticas voltadas reduo da emisso de GEE.O documento apresenta as premissas e clculos de emisses atuais, cenrios futuros e aes potenciais de abatimento. Para que tais iniciativas de fato sejam convertidas em benefcios diretos e indiretos sociedade, fundamental persistir no alinhamento das polticas, planos e programas governamentais com as diretrizes de Governo para o desenvolvimento sustentvel. O Plano esteve a cargo de um grupo de trabalho sob a coordenao da Secretaria de Geologia Minerao e Transformao Mineral do Ministrio de Minas e Energia (SGM/MME), acompanhado por membros Indicados pelo Frum Brasileiro de Mudanas Climticas, com representantes do Instituto Brasileiro de Minerao (Ibram) e pela Confederao Nacional da Indstria (CNI). O trabalho teve como base a anlise de 14 bens minerais, incluindo a pelotizao do minrio de ferro, com o objetivo de identificar o potencial de abatimento das emisses para o ano de 2020 para esses bens minerais. Para a elaborao do Plano foram utilizados como referncia o Plano Nacional de Minerao 2030 (PNM-2030) da SGM e o Inventrio de GEE do Setor Mineral do IBRAM. Alm disso, houve tambm uma forte articulao com o setor produtivo e diversas entidades do setor. O PNM-2030 contm diretrizes gerais para as reas de geologia, recursos minerais, minerao e transformao mineral, que constituem a base para diversas cadeias produtivas. O inventrio realizado pelo IBRAM constitui um processo abrangente de anlise de emisses de 90% da produo mineral em termos de valor referente aos 10 bens minerais analisados neste Inventrio, e foi considerado o ponto de partida para este trabalho. importante salientar que os Planos Setoriais requerem revises peridicas em perodos regulares no superiores a dois anos. assumido, assim, o compromisso de se fazer a sua avaliao e aperfeioamento regulares, e de forma cada vez mais participativa, com o objetivo de se voltar os esforos e compromissos de governo e sociedade, reforando a preocupao com as questes ambientais na medida em que incorpora as discusses sobre emisses de CO2 em projetos de forte impacto territorial e social.O Brasil apresenta uma emisso de GEE no processo de minerao relativamente mais baixa, em comparao com outros grandes pases mineradores. O Plano Setorial indica que o setor de minerao estudado em 2008, emitiu o equivalente a 0,5% das emisses nacionais. Apesar de no abranger todo o setor de minerao, o Plano j demonstra um esforo do governo em busca de um conhecimento maior sobre o processo produtivo no setor mineral e as consequncias do mesmo ao ambiente. Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)6. 2. Introduo O Brasil, na qualidade de Pas signatrio da Conveno-Quadro das Naes Unidas sobre Mudana do Clima (UNFCCC), tem como uma de suas principais obrigaes a elaborao e atualizao peridica do Inventrio Nacional de Emisses e Remoes Antrpicas de Gases de Efeito Estufa no Controlados pelo Protocolo de Montreal (Inventrio). A Conveno-Quadro das Naes Unidas sobre Mudana do Clima (UFNCCC) e seu Protocolo de Quioto so os principais marcos jurdicos internacionais para lidar com a mudana do clima. No obstante o fato de no ter compromissos quantitativos de reduo de emisses, como os pases listados no Anexo I da UNFCCC, o Brasil tem uma srie de outros compromissos estabelecidos na Conveno alm da elaborao e atualizao peridica do Inventrio, tais como formular programas nacionais de mitigao e adaptao mudana do clima, promover cooperao tecnolgica, cientfica e educacional em matria de mudana do clima, promover o manejo sustentvel de sumidouros e reservatrios de carbono, e comunicar Conferncia das Partes informaes relativas implementao da Conveno. importante ressaltar que a implementao dos compromissos assumidos pelos pases em desenvolvimento depender do cumprimento das obrigaes de financiamento e transferncia de tecnologia dos pases desenvolvidos. No que concerne minerao, o Brasil destaca-se internacionalmente como produtor de minrio de ferro, nibio, bauxita, mangans e vrios outros bens minerais onde o pas se encontra entre os maiores produtores, como destacado no Plano Nacional de Minerao 2030 (PNM 2030). Este plano, discutido e publicado pelo Ministrio de Minas e Energia (MME), no mbito da Secretaria de Geologia, Minerao e Transformao Mineral, objetiva nortear as polticas de mdio e longo prazo do setor mineral. O PNM 2030 resultou de processo participativo baseado em diversas reunies e oficinas temticas, com contribuio de mais de 400 pessoas e estudos coordenados pelo MME. Devido abrangncia e profundidade do trabalho, o PNM 2030 foi um insumo importante para o presente trabalho. O setor mineral participa com 4,2% do PIB e 20% do total das exportaes brasileiras, gerando um milho de empregos diretos. Esse setor exerce papel de alta relevncia em funo das projees de crescimento dos mercados dos bens minerais no Brasil e no mundo como base de cadeias produtivas geradoras de padres de consumo da sociedade. No obstante as posies de destaque em termos de produo, o setor mineral, no que se refere s emisses de CO2 advindas da etapa de minerao, aqui compreendidos os processos de lavra, beneficiamento, pelotizao e transporte interno nas operaes de lavra, no so significativas e, por isso, considerado um baixo emissor no contexto nacional. Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)7. O setor mineral brasileiro pioneiro e proativo no que tange s mudanas climticas. Um exemplo da proatividade do setor o Primeiro Inventrio de Gases de Efeito Estufa do Setor Mineral (doravante chamado de Inventrio), elaborado em 2010, pelo Instituto Brasileiro de Minerao (IBRAM), atravs de um processo abrangente de anlise de emisses de 90% da produo mineral em termos de valor. O Inventrio permitiu concluir que os bens minerais analisados emitiram, em 2008, 8,8 milhes de toneladas de CO2e, o equivalente a 0,5% das emisses nacionais. Apesar de no abranger todo o setor de minerao, no tendo sido analisadas emisses advindas da produo de agregados (areia e brita industrial), fosfato, urnio, potssio e carvo mineral, o Inventrio demonstra um esforo do setor empresarial na busca do conhecimento sobre os processos produtivos e as conseqncias para o meio ambiente. O PNM 2030, da SGM/MME, e o Inventrio de GEE do Setor Mineral, elaborado pelo IBRAM constituram a base para elaborao do Plano Setorial de Minerao, ora apresentado. O Brasil apresenta emisso de GEE, no processo da minerao, relativamente mais baixa que a de outros pases mineradores. Isso se deve em grande parte devido s caractersticas naturais das minas brasileiras e matriz energtica brasileira. Reduzir emisses de relevncia limitada se apresenta como uma iniciativa desafiadora. Por outro lado, a questo ambiental, associada reduo das emisses de GEE, , tambm, uma necessidade fundamental ao desenvolvimento do Brasil, o que concretiza novos imperativos para as empresas do setor e para a ao governamental. Ser preciso enfrentar um duplo desafio: estimular o crescimento do setor de minerao e reduzir as emisses de GEE. A mitigao das emisses de GEE deve ser encarada de forma abrangente, no s na dimenso geogrfica, mas tambm ao longo da cadeia de valor. Isto porque, muitas vezes, uma iniciativa que setorialmente pode aumentar emisses, acaba reduzindo-as quando se analisa o impacto final na cadeia. Nesse contexto, a minerao brasileira responde por uma pequena parcela das emisses nacionais, mas pode ser grande parte da soluo nas emisses, dado que o uso dos minerais pode contribuir para maior eficincia energtica dos equipamentos e para a produo de energia limpa. Alm disso, importante mencionar que a legislao vigente prev um plano de recuperao do impacto causado por um plano de lavra, podendo ser verificada a preservao da vegetao em locais de concesso das empresas de minerao, como nas reas de concesso em Gois e no Par, em Carajs. Cabe ressaltar que as projees aqui consideradas partem do conhecimento geolgico atual, em que uma pequena parte do territrio nacional est mapeada em escala adequada. Em outras palavras, necessrio considerar que novas reservas minerais podero ser descobertas dentro do horizonte de projeo deste trabalho, mudando as premissas de crescimento para o caso base de emisses. igualmente importante considerar novos materiais e novas tecnologias cuja cadeia produtiva se origina na minerao.Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)8. 3. Objetivos O objetivo geral do Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na Minerao, doravante chamado de Plano Setorial da Minerao, promover uma anlise setorial, por meio de um diagnstico preliminar, tendo por base o PNM 2030, o inventrio do IBRAM e consultas diretas a empresas do setor, com vistas ao abatimento de emisses de GEE na minerao, mediante iniciativas das prprias empresas de abatimento de emisses relacionadas principalmente eficincia energtica e reduo no consumo de combustveis com alto teor de carbono no renovvel. Os objetivos especficos deste Plano so: Contribuir para alcanar os compromissos nacionais voluntrios no mbito da Poltica Nacional sobre Mudana do Clima; Fomentar o conhecimento a respeito das emisses de GEE advindas do processo de minerao entre as empresas do setor; Promover esforos para transformar as boas prticas de reduo de emisses de GEE em um padro nacional; Influenciar e estimular a formulao de polticas de apoio s pequenas empresas de minerao que fomente a adoo de aes eficientes de adaptao e mitigao de emisses de GEE; Integrar o setor mineral s polticas pblicas de abrangncia nacional relacionadas s mudanas do clima; Desenvolver mecanismos que incentivem um maior investimento em PDI e apoio s PME do setor.4. Vigncia O Plano Setorial da Minerao vigorar a partir da sua publicao no Dirio Oficial da Unio - DOU, por meio de decreto, at 2020. Ressalta-se que, conforme previsto no Decreto no 7.390/2010, este o Plano Setorial da Minerao dever ser submetido a revises em perodos regulares no superiores a dois anos, objetivando readequ-lo s demandas da sociedade e incorporando novas aes e metas, de acordo com a evoluo do setor, dos volumes de minrio produzidos, das novas descobertas, redimensionamento de jazidas e tecnologias associadas a explorao, lavra e transporte interno.Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)9. 5. Abrangncia O escopo deste Plano foi definido levando-se em conta trs dimenses: cadeia de valor, bem mineral, e limites organizacionais e operacionais de emisso. Em relao cadeia de valor, considerou-se a etapa de minerao que, tal como definido no Inventrio, inclui as atividades de lavra, beneficiamento fsico, pelotizao e transporte interno. Portanto, no foram consideradas as atividades de processamento qumico mineral e transporte externo. Essas atividades devem ser consideradas nos planos de mitigao dos setores de indstria e transportes, respectivamente. Assim, importante ressaltar que todas as ferro-ligas no foram consideradas neste plano (Ferro-nquel e ferro-mangans, por exemplo), j que so bens minerais cujo processo envolve transformao qumica. Em termos de bem mineral, este plano aplicvel ao minrio de ferro incluindo pelotizao, potssio, fosfato, zinco, nquel, chumbo, ouro, cobre, bauxita, nibio, mangans, agregados (areia e brita industrial) e carvo mineral. No estabelecimento dos limites operacionais as emisses de GEE foram categorizadas em emisses como provenientes de fontes diretas (Escopo 1) ou indiretas (Escopos 2 e 3). As emisses do Escopo 1 referem-se s emisses da prpria empresa (emisses fsicas), includas as emisses da queima de combustvel, dos processos de fabricao, e de transporte interno na lavra. As emisses do Escopo 2 referem-se quelas provenientes da gerao de energia adquirida de terceiros, mas consumida pela empresa (comprada ou trazida para dentro dos limites organizacionais da empresa) eletricidade e/ou vapor. Todas as demais fontes de emisses de GEE possivelmente atribuveis atividade da empresa referem-se ao Escopo 3. Em termos de limites organizacionais e operacionais, foram analisadas as emisses dos escopos 1 e 2. No entanto, em relao ao indicador de efetividade do plano, foram consideradas apenas emisses de escopo 1, devido no acionabilidade do setor no que tange ao fator de emisso especfico do consumo da energia eltrica e da possvel sobreposio de iniciativas com outros planos setoriais, como o de Energia. O escopo 3 de emisses de GEE, indiretas atividade da empresa, no foi considerado neste plano para evitar sobreposies com outros planos setoriais.Em relao ao limite do processo produtivo, para cada minrio analisado foram consideradas a atividade de lavra, beneficiamento fsico e transporte interno.Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)10. 6. Base Legal Na esfera internacional, as negociaes atuais sobre mudana do clima tm como referncia a 13a Conferncia das Partes (COP-13) na Conveno-Quadro das Naes Unidas sobre Mudana do Clima (UNFCCC), em dezembro de 2007, que consolidou as negociaes sobre o futuro do regime de mudana do clima em dois trilhos: I. Novas metas de reduo de emisses dos pases desenvolvidos, vlidas para o segundo perodo de cumprimento (aps 2012) do Protocolo de Quioto; II. Plano de Ao de Bali, para negociaes de aes cooperativas nas reas de mitigao, adaptao, financiamento e tecnologia, com vistas a fortalecer a implementao da Conveno no curto, mdio e longo prazo, conforme adotadas na COP-13. A 15 Conferncia das Partes (COP-15) na UNFCCC foi realizada em Copenhague em dezembro de 2009. Consultas polticas de alto nvel, conduzidas por grupo limitado de pases, incluindo o Brasil, geraram texto resumido, intitulado Acordo de Copenhague, que foi apresentado como projeto de deciso da Conferncia das Partes.No Brasil, foi promulgado o Decreto n 6.263, em novembro de 2007, pelo qual o governo criou o Comit Interministerial sobre Mudana do Clima com a funo de elaborar a Poltica Nacional sobre Mudana do Clima e o Plano Nacional sobre Mudana do Clima. A Poltica Nacional sobre Mudana Climtica foi instituda e deixou clara a necessidade dos setores econmicos conhecerem suas respectivas emisses de gases de efeito estufa (GEE), para com vistas a contribuir para os objetivos anunciados na referida poltica.Esta lei dispe em seu artigo 11 que os princpios, objetivos, diretrizes e instrumentos das polticas pblicas e programas governamentais devero compatibilizar-se com os princpios, objetivos, diretrizes e instrumentos desta Poltica Nacional sobre Mudana do Clima. Em seu pargrafo nico estabelece a obrigatoriedade de elaborao de Planos Setoriais de Mitigao e de Adaptao s Mudanas do Clima, onde se inclui o Plano Setorial de Minerao, visando consolidao de uma economia de baixo consumo de carbono.O Decreto n 7.390, de 9 de dezembro de 2010, que regulamenta os arts. 6o, 11 e 12 da Lei 12.187/2009, estabelece em seu Art. 4 prazo at 15 de dezembro de 2011 e dispe, em seu pargrafo nico, que a elaborao dos Planos Setoriais dever contar com amplo processo de consulta pblica aos setores interessados, em especial a representao das atividades econmicas diretamente afetadas. Estabelece, tambm, o seguinte contedo mnimo: I. meta de reduo de emisses em 2020, incluindo metas gradativas com intervalo mximo de trs anos; II. aes a serem implementadas; III. definio de indicadores para o monitoramento e avaliao de sua efetividade; IV. proposta de instrumentos de regulao e incentivo para implementao do respectivo Plano; e V. estudos setoriais de competitividade com estimativa de custos e impactos.Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)11. 7. Panorama das emisses no setor de minerao Este captulo busca apresentar a situao das emisses no ano base, a tendncia de evoluo at 2020 e as iniciativas de abatimento que constituem o cenrio de baixo carbono.7.1. Sumrio executivo As emisses de GEE do setor de minerao devem evoluir de 10,0 Mt de CO2e em 2008 para 17,4 Mt de CO2e em 2020, e 26,1 Mt de CO2e em 2030, tendo em conta os fatores de emisso considerados neste trabalho e a projeo de crescimento da produo por bem mineral, segundo o PNM 2030. As principais fontes emissoras do setor, responsveis por cerca de 80% das emisses previstas em 2020, so a extrao e o beneficiamento fsico de minrio de Ferro e de agregados (areia e pedra britada para construo civil), e o processamento de minrio de ferro em pelotas. Para esses minrios foram analisadas cerca de 70 iniciativas de abatimento, sendo que 12 foram discutidas neste plano por apresentarem maior potencial de abatimento e facilidade de implantao no contexto brasileiro. Estas 12 iniciativas foram agrupadas em trs programas de abatimento, conforme a seguir:1) Alterao da fonte energtica utilizada nos processos programa constitudo de iniciativas de substituio de combustveis de alto teor de carbono no renovvel por combustveis renovveis ou com menor teor de carbono no renovvel. Um exemplo de iniciativa a substituio do uso de leo combustvel por gs natural nas usinas de pelotizao.2) Otimizao dos ativos da minerao programa constitudo de iniciativas de troca de equipamentos ou instalao de peas que otimizem o consumo de combustvel ou eletricidade. Um exemplo de iniciativa a renovao progressiva da frota por caminhes com maior capacidade e melhor nvel de consumo de combustvel. 3) Uso de novas tecnologias na minerao programa constitudo de iniciativas de alterao de projeto das minas e uso de novas tecnologias de minerao. Um exemplo de iniciativa a britagem na mina e o uso de correias transportadoras, em substituio ao uso de caminhes e britagem na rea de beneficiamento. Para estimar o potencial de abatimento de cada iniciativa, foram criados trs cenrios de baixo carbono que consideram diferentes alcances para as iniciativas de acordo com as barreiras consideradas, os quais foram nomeados: Cenrio 1 considera que o alcance das iniciativas ser o mximo possvel dado o conhecimento atual da tecnologia de produo. Cenrio 2 considera as barreiras financeiras, polticas e culturais, mas adota uma viso positiva das aes que podem ser tomadas para superar tais barreiras. Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)12. Cenrio 3 - considera as barreiras de forma mais crtica e limita o alcance das iniciativas a situaes claramente benficas para a sociedade e para os entes privados.Dessa forma, como pode ser visto na Tabela 1, o potencial de abatimento do setor mineral, superadas as barreiras para implementao de cada iniciativa, varia entre 740 a 2.700 mil tCO2e para o ano de 2020. Tabela 1. Potencial de abatimento de emisses de programas por cenrioProgramaPotencial de abatimento aps superadas as barreiras para implementao de cada programa (t CO2e)Cenrio 1 Cenrio 2 Cenrio 3Alterao da fonte energtica usada nos processos265.382 189.950 105.973 Otimizao de ativos na minerao335.615 201.540 163.470Uso de novas tecnologias de minerao2.107.413 835.099 466.940 Total 2.718.691 1.231.728 739.5377.2. Cenrio base Para o clculo do potencial de abatimento das iniciativas, foi necessrio estimar o total de emisses em 2020, para as 14 tipologias minerais e pelotizao, analisadas neste Plano. Este cenrio base foi produzido a partir de trs passos:Passo 1: Definio dos ndices de emisses dos minrios. A partir das emisses atuais inventariadas pelo setor e do nvel de produo atual, foi possvel definir os ndices de emisso para 10 minrios. Por meio de anlises do processo produtivo, de benchmarks internacionais e de entrevistas com empresas, foi possvel obter os ndices de emisso para os demais minrios.Passo 2: Calculo da previso de produo para 2020. A partir do crescimento de produo previsto por minrio no PNM 2030, foi possvel calcular a produo projetada para 2020. Passo 3: Calculo do total de emisses futuras. Multiplicando-se o ndice de emisso dos minrios e a produo prevista para cada minrio, foi possvel obter o total de emisses futuras do setor. A seguir, so detalhados os passos e discriminados os valores utilizados nas estimativas.Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)13. 7.2.1. Formao do ndice de emisso por minrio Para os 10 minrios que possuam as emisses inventariadas, o clculo do ndice de emisso especfico foi realizado dividindo-se o total de emisses pela produo mineral do ano base. Os ndices de emisso destes minrios podem ser verificados na Tabela 2. Foi utilizado o Inventrio como fonte da emisso total devido a sua representatividade. O processo de elaborao do Inventrio contou com a colaborao de 33 companhias do setor, que representavam cerca de 80% da produo de minrios. Embora o inventrio tenha sido realizado em 2010, o ano de referncia de 2008 foi escolhido, pois a produo mineral brasileira ainda no havia sido afetada pela crise econmica que se manifestou fortemente nos perodos seguintes. Dessa forma, partiu-se do princpio que as emisses de 2008 refletiam o comportamento normal das operaes de minerao no escopo deste trabalho. Para garantir que esses ndices de emisses especficas fossem adequados e realistas, foram verificados benchmarks nacionais de emisso especfica para todos os minrios e benchmarks internacionais para os mais representativos em termos de emisso. Alm disso, foram efetuadas entrevistas com especialistas do setor produtivo e visitas tcnicas s instalaes das empresas para anlise do consumo do processo produtivo. Para os demais minrios, foi feita uma anlise do processo produtivo, detalhada nos prximos pargrafos, para definir o ndice de emisso de cada um deles. O total de produo e de emisso e o ndice de emisso podem ser encontrados na tabela 3.Tabela 2. Formao do ndice de emisso de 10 minriosMinrioTotal de emisses inventariado (tCO2e)Total de produo 2008 (t de ROM)Indice de emisso (kg CO2e ROM) Bauxita 379.500 38.219.777 9,93Cobre 308.305 38.787.612 7,95Caulim 317.212 7.911.970 40,09Ferro 1.516.380 491.524.678 3,09Pelotas 5.957.420 55.300.000 107,73Nquel 14.169 6.731.152 2,10Zinco 22.240 2.241.207 9,92Mangans 8.496 5.574.401 1,52Nibio 13.948 20.969.928 0,67Potssio 20.231 2.562.250 7,90Fonte Inventrio IBRAMAnurio Mineral Brasileiro - 2009Clculo Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)14. Tabela 3. Formao do total de emisses de 5 minriosMinrio (ROM)Total de emisses inventariado (t de CO2e)Total de produo ano base (t)ndice de emisso por minrio (Kg CO2e / t)Carvo 120.864 16.149.934 7,48Fosfato 152.239 43.316.954 22,63Brita 340.026 161.569.474 2,11Areia 569.116 269.723.342 2,61Ouro 303.180 118.995.198 2,55Fonte ClculoAnurio Mineral Brasileiro - 2009Anlise de processos produtivos Em relao ao ouro, apesar de ter sido inventariado, considerou-se que as emisses estabelecidas para o ano base no poderiam ser utilizadas para estimativas futuras, pois incorporavam eventos no recorrentes como a retirada da cobertura vegetal. Dessa forma, foram realizadas reunies com o setor produtivo e comparaes com benchmarks nacionais e internacionais para a definio dos ndices utilizados neste plano. Nas reunies com o setor produtivo foram discutidos os consumos de combustveis e eletricidade no processo de extrao e beneficiamento do metal. Assim, foi possvel obter o ndice de emisso do processo no contexto brasileiro. Quanto ao fosfato, este foi desconsiderado no Inventrio do Ibram por razes conjunturais de transferncia de controles. Neste trabalho, sua incluso foi possvel mediante consulta s empresas produtoras em 2011, quando j estavam disponveis inventrios consolidados pelos atuais controladores. Foram obtidas as bases de dados relativas a consumo de materiais por minrio, produo do minrio e emisses advindas da extrao do mesmo. Desta forma, foi obtido um ndice de emisso especfico para este minrio. Em relao aos agregados utilizados na construo civil, foram conduzidas entrevistas nas empresas representativas do setor, e discusses sobre as emisses advindas do processo com a associao de produtores, ANEPAC, e analisados relatrios de sustentabilidade de benchmarks nacionais e internacionais. Alm disso, verificou-se o consumo de combustveis e eletricidade do processo por meio de anlises das bases de dados de empresas representativas do setor. A partir destas atividades, foi definido o ndice de emisso especfica para os agregados. No que concerne ao carvo energtico, analisou-se a emisso advinda do processo por meio de visita tcnica a uma mina de carvo, para anlise do processo e discusso sobre emisses com a associao de produtores e com empresas representativas do setor. Ao todo, analisou-se o consumo de materiais por etapa de processo de sete minas de carvo. Tambm se atualizou o inventrio de emisses fugitivas do minrio e verificaram-se benchmarks internacionais de emisso. Com esse processo, foi possvel obter o ndice de Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)15. emisso a partir da ponderao dos ndices de emisso de cada uma das minas de carvo pela sua representatividade, em termos de produo. Para fins de balizamento dos ndices de emisso criados, especialmente do minrio de ferro, foram verificados benchmarks internacionais, que tambm auxiliam na comparao do ndice de emisso por tonelada produzida no Brasil e em outros pases do mundo. O resultado comparativo para o ferro, exibido na Tabela 4, mostra que o processo produtivo do minrio de ferro das empresas brasileiras emite menos que processos de empresas de outros pases. Isso ocorre principalmente devido matriz energtica do pas, que possui um alto percentual de produo utilizando fontes renovveis. Tabela 4. ndice de emisso do ferro comparativondice de emisso (kg CO2e/t) Brasil Empresa estrangeira 1 Empresa estrangeira 2Ferro 3,09 6,01 9,377.2.1.1 Crescimento do ndice de emisso por minrio No contexto do setor de minerao, h variveis que podem afetar o ndice de emisses de CO2e por minrio, principalmente em relao minerao a cu aberto. A Figura 1 exemplifica as tendncias a serem consideradas, em um estudo mais aprofundado, em termos de emisses especficas dos minrios, bem como o seu impacto no total de emisses.Figura 1. Principais fatores tendenciais para mineraoMinerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)16. Existem oito fatores principais que interferem na emisso de GEE no setor de minerao: Alterao no tipo de minrio extrado: mudana no tipo de minrio - por exemplo minrio oxidado para minrio primrio - afeta o nvel de emisses devido maior necessidade de processamento resultante da diferena entre os componentes; Teor (Mineral grade): o teor de minrio afeta o nvel de emisses devido maior necessidade de beneficiamento quanto menor o grade da rocha; Relao Estril/Minrio (Strip ratio): a quantidade de material estril a ser retirado em relao ao total de minrio existente na rocha influencia o nvel de emisses devido maior necessidade de carregamento e transporte de material e, consequentemente, maior emisso advinda do gasto de combustvel - essa tendncia pode ser evitada por novas tecnologias de mapeamento, conforme fator abaixo; Maior conhecimento das reservas minerais: pesquisas e novas tecnologias podem permitir um mapeamento mais detalhado da jazida mineral, e assim melhorar a relao estril/minrio; Distncia mdia de transporte: as distncias entre a cava e o beneficiamento, e entre a cava e a pilha de estril, influenciam na distncia a ser percorrida pelos caminhes e, consequentemente, no gasto de combustvel; Eficincia energtica dos motores: motores mais eficientes consomem menos combustvel; ou energia e, por consequncia, reduzem as emisses. Recuperao mssica: um ndice mais baixo de recuperao mssica acarreta em maior gasto de energia por tonelada de minrio produzido. Produtividade do processo: um processo com maior produtividade, isto , com ativos mais ajustados ao nvel de produo e com menor ndice de retrabalho e desperdcio, gera um ndice de emisso reduzido. No longo prazo, as emisses especficas por tonelada produzida tendem a crescer, devido principalmente deteriorao do teor do minrio nas minas e ao aumento da relao estril/minrio. Por meio de exerccios tericos, possvel modelar o impacto desses fatores nas emisses. Entretanto, essa modelagem requer dados detalhados dos planos de lavra atuais e futuros por mina para um conjunto representativo de minas. Esses dados no esto disponveis publicamente e, muitas vezes, podem revelar informaes confidenciais que as empresas no tm obrigao de publicar. Dessa forma, foi invivel modelar o impacto das variveis tendenciais nas emisses especficas.Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)17. 7.2.2. Projeo da produo Com base no Plano Nacional de Minerao 2030, foi possvel verificar qual o percentual de crescimento previsto de produo para cada minrio. O PNM 2030 considera uma taxa de crescimento anual diferente para o perodo entre 2008 e 2015, 2015 e 2022, e 2022 e 2030, com variaes para cada minrio em funo das premissas que afetam o crescimento dos mesmos. Assim, para cada minrio obteve-se o percentual de crescimento previsto por perodo, apresentado na Tabela 5. Tabela 5. Percentual de crescimento por minrioMinrioCrescimento previsto (%)2008-2015 2015-2022 2022-2030Ferro 7,6% 4,5% 4,1%Pelotizao 2,6% 4,0% 4,0%Agregados (brita e areia) 5,6% 5,6% 4,6%Carvo 3,0% 15,0% 3,3%Mangans 4,3% 4,3% 4,3%Cobre 12,7% 4,9% 4,6%Bauxita 5,5% 4,3% 4,3%Ouro 11,9% 6,0% 1,3%Caulim 3,8% 3,8% 3,8%Nquel 18,2% 5,0% 5,0%Zinco 5,1% 5,1% 5,1%Fosfato 5,5% 4,6% 4,6%Nibio 4,5% 4,5% 4,5%Potssio 28,0% 5,0% 5,1%Para calcular a previso de produo em 2020, utilizou-se a produo do ano base 2008, fornecida pelo Anurio Mineral Brasileiro de 2009, e as taxas de crescimento da Tabela 5. Assim, foi possvel obter a produo prevista em 2011, 2014, 2017, 2020 e 2030, conforme apresentado na Tabela 6. Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)18. Tabela 6. Formao do total de produo em 2020 por tipo de minrio Minrio Un. 2011 2014 2017 2020 2030Ferro Mt 612,3 762,8 896,3 1.022,9 1.540,5 Pelotizao Mt 59,7 64,5 71,6 80,5 119,2 Brita Mt 189,8 223,5 263,2 309,9 495,2 Areia Mt 317,6 374,0 440,4 518,7 828,8 Carvo Mt 17,6 19,3 26,3 40,0 68,5 Bauxita Mt 44,9 52,7 60,5 68,6 104,5 Ouro t 166,7 233,6 293,7 349,8 435,9 Cobre Kt 55,5 79,5 98,6 113,8 179,4 Caulim Mt 8,8 9,9 11,1 12,4 18,0 Nquel Kt 11,1 18,4 23,9 27,7 45,1 Zinco Kt 2,6 3,0 3,5 4,1 6,7 Fosfato Mt 7,9 9,3 10,7 12,3 19,2 Mangans Mt 6,3 7,2 8,1 9,2 14,1 Nibio Kt 23,9 27,3 31,2 35,6 55,2 Potssio Mt 5,4 11,3 15,9 18,4 30,2 Fonte: PNM 2030, Anurio Mineral Brasileiro de 20097.2.3 Consideraes sobre o Cenrio Base Utilizando os ndices de emisso especfica por minrio e a produo prevista de cada minrio at 2020, foi possvel estabelecer um cenrio base de emisses para o ano de 2020. Neste cenrio, o crescimento das emisses de 4,7% a.a. no perodo de 2008 a 2020. Em termos absolutos, as emisses aumentam de 10,0 Mt CO2e para 17,4 Mt CO2e, cerca de 1,7 vez superior ao nvel base. Em relao a 2030, o crescimento de cerca de 2,6 vezes em relao ao nvel base. A Figura 2 apresenta os resultados encontrados. Cenrio previsto de emissesTotal de emisses previsto por ano5Cenrio previsto de emissesTotal de emisses previsto por anoMilhes de toneladas de CO2 e11%5%4%3%5%202015.250%10%5%5%4%3%5%201717.451%18%10%5%5% 4%3%4%201426.152%3%4%18%10.056%16%9%4% 4%4%3%4%200811.559%15%9%3%3%2030PelotasFerro2011Agregados18% Cobre18%Ouro10%5%Bauxita4%4%CaulimOutros49%4%4%3%4%13.3Figura 2. Cenrio baseDo total de emisses em 2020, destacam-se as emisses advindas do processo de pelotizao, com 50% do total, de ferro, com 18% do total, e agregados, com 10%. Os Milhes de toneladas de CO2eMinerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)19. demais minrios respondem por participaes menores, sendo o cobre, o ouro, a bauxita e o caulim responsveis por, respectivamente, 5%, 5%, 4% e 3% das emisses. Os demais minrios, mangans, nibio, potssio, fosfato, carvo, nquel e zinco, somados, respondem por cerca de 5% das emisses. O nvel de emisses por minrio aumenta em relao ao ano base, devido ao aumento de produo, definido anteriormente. Assim, o nvel de emisses da pelotizao, por exemplo, aumenta, mas em um ritmo menor que o dos demais minrios j que o crescimento anual projetado para pelotas de cerca de 4% menor que o crescimento anual dos demais minrios, de aproximadamente 5%. Dessa maneira, verifica-se uma participao menor do processo de pelotizao nas emisses. Apesar do processo de pelotizao ser a principal fonte emissora da minerao, este processo no Brasil considerado benchmark mundial, em relao a emisses de CO2, pois utiliza novas tecnologias e combustveis que geram baixa emisso. Alm disso, quando se analisa a cadeia de valor da produo de ao, a pelotizao , na realidade, uma oportunidade de reduo de emisses que deveria ser fomentada, conforme discutido no Quadro 1. Quadro 1 Viso integrada do uso de pelotas de minrio de ferro Apesar do beneficiamento de minrio de ferro ser a maior fonte emissora de GEE no setor de minerao, o uso de pelotas de ferro uma prtica que tem o potencial de reduzir emisses globais de GEE quando se adota uma viso integrada da cadeia de transformao de minrio de ferro em ao. Isso se deve ao fato que o uso de pelotas em vez de minrio de ferro na forma tradicional de sinter, aumenta a eficincia do processo de reduo do minrio em ferro gusa nos altos fornos, reduzindo a intensidade de emisso. Isso ocorre devido a uma maior eficcia da pelota no alto forno, ao maior contedo de ferro na pelota e ao menor contedo de carvo e escria. O impacto positivo do uso de pelotas foi pesquisado por diversas instituies tais como o Fraunhofer Institut, organizao alem formada por mais de 60 institutos de pesquisa. A pelotizao gera duas a trs vezes menos emisso que a sinterizao, conforme resultado de um diagnstico representativo das emisses dos dois processos, detalhado na figura 4. A produo de pelotas no cenrio brasileiro implica em uma emisso de 172,6 Kg CO2e/ton de ao, enquanto a emisso advinda da sinterizao seria o equivalente a 267,5 kg CO2e / ton de ao. Isso implica em um abatimento lquido de 94,9 kg CO2e / ton de ao. Intensidade de emissoKg CO2e / t ao11 Considera que para produzir 1 tonelada de ao sejam necessrias 1,6 toneladas de sinter ou de pelotas2 Considera que emisso de pelotizao no Brasil seja 107,88 kg Co2e/ton, considerado o inventrio do IBRAM e que a emisso advinda do sinter seja 55% maior, conforme diagnstico representativo. 17395268PelotizaoSinterizao Diferena entre processosDiferenas de emisso entre sinterizao e pelotizaoMinerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)20. 7.2.4. Atualizao da linha de base A linha de base dever ser atualizada a cada novo inventrio de emisses do setor de minerao, dado que ocorrero alteraes no ndice de emisso especfica, considerando os fatores naturais de aumento de emisso e dado que podero ser acrescentados novos materiais. Desta forma a linha de base deve ser atualizada levando em considerao principalmente esses dois critrios. necessrio tambm considerar que o potencial de reduo de emisso afetado de acordo com a linha de base utilizada. 7.3. Potencial de abatimento A partir do total previsto de emisses para 2020, possvel analisar qual o potencial de reduo de emisses pelos trs programas de reduo, ultrapassadas as barreiras para implementao das iniciativas. importante ressaltar que, mesmo para o caso do ferro, o clculo minucioso do potencial de abatimento dependente de muitas variveis ainda no disponveis, como variabilidade de consumo por tipologia, tamanho, idade e tecnologia da mina. Logo, o estabelecimento futuro de metas de abatimento depender de conhecimento mais preciso da real viabilidade. Finalmente, cabe considerar que, apesar da abrangente busca efetuada por iniciativas de abatimento, as empresas no devem se restringir as iniciativas constantes neste documento, sendo possvel que elas tomem iniciativa e proponham novas formas de mitigar as emisses de seus processos. Neste captulo, apresentam-se em detalhe quais so as iniciativas existentes por programa e qual o potencial de abatimento previsto, exerccio que ter que ser validado com a realidade do setor em seus diversos segmentos. No apndice podem ser encontradas as tabelas de clculo e de resultados do potencial de abatimento. 7.3.1 Descrio das iniciativas de abatimento de emisses de GEE Para definio das iniciativas de abatimento foram realizados diagnsticos de processos de benchmarks internacionais, resultando num conjunto de 44 iniciativas de abatimento de emisses de GEE para atividades extrativas e 24 iniciativas para pelotizao. A partir deste conjunto de iniciativas, foram efetuadas algumas discusses com tcnicos do setor produtivo e especialistas da rea de minerao e sustentabilidade para entender a aplicabilidade das mesmas no cenrio brasileiro. Por meio dessas discusses foi possvel acrescentar outras iniciativas aplicveis alm das discutidas no conjunto inicial. Finalmente, foram criados trs programas principais de reduo de emisses:1) Alterao da fonte energtica utilizada nos processos programa constitudo de iniciativas de substituio de combustveis de alto teor de carbono por combustveis renovveis;2) Otimizao dos ativos da minerao programa constitudo de iniciativas de troca de equipamentos ou instalao de peas que otimizem o consumo de combustvel ou eletricidade; Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)21. 3) Uso de novas tecnologias na minerao programa constitudo de iniciativas de alterao de desenho das minas e uso de equipamentos avanados para a minerao. As iniciativas de abatimento foram desenhadas para os trs produtos que respondem por cerca de 80% das emisses: ferro, pelotas e agregados, e tambm para o carvo energtico. As iniciativas foram elaboradas a partir de entrevistas com tcnicos de empresas do setor produtivo, anlises de processos produtivos de empresas nacionais e internacionais de minerao e pelotizao, e com especialistas dos setores de minerao e sustentabilidade. Cabe ressaltar que no foram consideradas iniciativas para minrios, cujo total de emisses previsto para 2020 fosse considerado inferior a 5%. A tabela 7 sumariza os 3 programas e as 12 iniciativas. Tabela 7. Iniciativas por programaPrograma Iniciativas do programaAlterao da fonte energtica utilizada no processo1. Uso de biocombustveis no transporte interno,2. Uso de gs natural nas usinas de pelotizao,3. Uso de carvo vegetal em substituio ao antracito,Otimizao dos ativos da minerao4. Substituio de frota e aumento da capacidade dos caminhes de minerao,5. Otimizao da combusto no forno de pelotizao,6. Uso de equipamentos que otimizem consumo de insumos,7. Instalao de VSD nos ventiladores das usinas de Pelotizao,8. Instalao de equipamento de torque alternativo nos Caminhes de minerao,9. Instalao de moinhos verticais em substituio aos moinhos tubulares nas usinas de pelotizao,Uso de novas tecnologias de minerao10. Uso de auxlio eltrico a caminhes,11. Uso de correias transportadoras e britagem na mina,12. Uso de veculos hbridos. A seguir ser apresentada uma descrio completa de cada iniciativa pertinente por minrio, cabe ressaltar que as iniciativas s podero ser implementadas caso sejam superadas as barreiras detalhadas no captulo 8.Ferro: Uso de biocombustveis: O uso de biocombustveis reduz as emisses devido a um fator de emisso proveniente de uma fonte renovvel. Neste Plano, foi considerado como biocombustvel o biocombustvel B10 de palma, obtido pela mistura de 10% de biocombustvel de palma e 90% de diesel. Utilizou-se o biocombustvel B10, em Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)22. vez do B20, pois se considerou que a oferta do leo de palma um limitante para o aumento da mistura (no caso, o principal fator limitante implementao desta iniciativa o crescimento sustentvel da rea de plantio da palma). Uso de correias transportadoras e britagem na mina: A substituio de caminhes para transporte interno por correias transportadoras, e consequente adoo de britagem na mina, reduz as emisses devido ao alto fator de emisso e consumo do diesel na produo. O uso de britagem na mina e posterior transporte do minrio j beneficiado por meio de correias reduzem as emisses advindas do diesel dos caminhes de transporte. Esta substituio pode ser parcial ou total; neste ltimo caso, se configuraria uma mina sem caminhes. A insero de correias transportadoras no processo envolve um alto valor de investimento. Torque alternativo: A instalao de equipamento de otimizao de torque de caminhes (fan clutch) diminui as emisses devido reduo no consumo de combustvel, estimada em 5%. Este equipamento tem investimento baixo em relao aos outros investimentos efetuados por uma empresa do setor. Caminhes hbridos: O uso de caminhes hbridos na frota, que utilizam o diesel e a eletricidade para dar partida no motor, permite a reduo do consumo de combustvel justamente por utilizar eletricidade nos momentos de maior consumo do caminho e por acumular energia nos momentos em que o caminho est em declive. No entanto, o investimento necessrio para essa iniciativa considerado significativamente maior que o necessrio para o uso de um caminho normal, podendo at acarretar o dobro do investimento. Auxlio eltrico: O maior consumo de combustvel de uma mina ocorre quando os caminhes com o minrio percorrem estradas com subidas muito ngremes. Desta maneira, o consumo de diesel substitudo por consumo de eletricidade, possibilitando a reduo das emisses. A principal barreira implementao desta iniciativa o investimento robusto na instalao do equipamento nas estradas da mina e nos caminhes. Pelotizao: Em relao pelotizao, as iniciativas desenhadas para este processo so: Uso de gs natural: A substituio do leo combustvel por gs natural como combustvel para o forno nas usinas de pelotizao reduz as emisses de CO2e. Isto ocorre porque o gs natural possui um teor de carbono menor em comparao com o leo combustvel. Esta iniciativa j est implementada com sucesso em quase todas as usinas de pelotizao do Pas, exceto na usina de So Lus, devido indisponibilidade de oferta de gs natural. A instalao do sistema tem um investimento significativo, superior a 10 milhes de reais por usina. Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)23. Otimizao do consumo de eletricidade: A otimizao do consumo de energia, com reduo da variao do consumo nos ventiladores, reduz as emisses, devido ao menor consumo de eletricidade. Outra iniciativa neste sentido o uso de moinhos verticais, em vez de moinhos tubulares, para novas usinas de pelotizao. O consumo de eletricidade dos ventiladores e dos moinhos representa cerca de 70% do consumo de uma planta, o que possibilita uma maior reduo de emisses. Otimizao da combusto: Por meio de instalao de um sistema otimizado possvel reduzir a variao de consumo de insumos por tonelada de pelota produzida. Dessa forma, possvel diminuir o consumo de gs natural. Agregados (brita): A respeito de iniciativas relacionadas a agregados (brita), as principais iniciativas esto detalhadas abaixo. Renovao de frota: A substituio da frota de caminhes atuais por caminhes maiores e mais novos tem como objetivo a reduo do consumo de combustvel. Isso ocorre devido a dois fatores: a melhor eficincia de consumo de caminhes novos; e ao menor nmero de viagens para transporte do minrio. O principal entrave para implementao desta iniciativa o investimento significativo nesta substituio, o que dificulta a adoo desta iniciativa por empresas de pequeno porte. Torque alternativo: A instalao de equipamento de otimizao de torque de caminhes (fan clutch) diminui as emisses devido reduo no consumo de combustvel, estimada em 5%. Este equipamento tem investimento baixo em relao aos outros investimentos efetuados por uma empresa do setor. Carvo: Renovao de frota: A substituio da frota de caminhes atuais por caminhes maiores e mais novos tem como objetivo a reduo do consumo de combustvel. Isso ocorre devido a dois fatores: a melhor eficincia de consumo de caminhes novos; e ao menor nmero de viagens para transporte do minrio. O principal entrave para implementao desta iniciativa o investimento significativo nesta substituio, o que dificulta a adoo desta iniciativa por empresas de pequeno porte. Torque alternativo: A instalao de equipamento de otimizao de torque de caminhes (fan clutch) diminui as emisses devido reduo no consumo de combustvel, estimada em 5%. Este equipamento tem investimento baixo em relao aos outros investimentos efetuados por uma empresa do setor.7.3.2 Formao de cenrios de alcance de iniciativas Para estimar o potencial de abatimento de cada iniciativa foram construdos trs cenrios de baixo carbono descritos anteriormente e sumarizados a seguir:Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)24. 1) Cenrio 1: Considera mximo alcance possvel, dado o conhecimento atual da tecnologia de produo.2) Cenrio 2: Considera barreiras financeiras, polticas e culturais implementao das iniciativas.3) Cenrio 3: Considera as barreiras dos demais cenrios e limita o alcance a situaes claramente benficas. Para cada iniciativa, foi considerado um cenrio preliminar de alcance de acordo com as seguintes diferenciaes: produo prevista em 2020 de minas de ferro j existentes e de projetos, e de minas de ferro com grande e pequena quantidade prevista de produo em 2020; produo prevista em 2020 por projeto de usina de pelotizao e por usinas de pelotizao j existentes; produo prevista em 2020 por minas de carvo subterrneas e a cu aberto; e, finalmente, para os agregados, foram consideradas diferenciaes entre a produo de empresas lderes do mercado e das demais empresas. 7.3.3. Potencial de abatimento por iniciativa O potencial de cada iniciativa foi calculado com base na avaliao do impacto da iniciativa no consumo, na emisso especfica ou no tipo de fonte energtica utilizada, conforme a Figura 3.Figura 3. Metodologia de clculo do potencial de abatimento Para o clculo do consumo de combustvel para produo foram utilizados benchmarks internacionais e nacionais, e buscou-se obter um padro de consumo nacional por tonelada de minrio produzido. importante ressaltar que, para o clculo minucioso do potencial de abatimento, necessrio entender a variabilidade de consumo por Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)25. tipologia, tamanho, idade e tecnologia da mina, e consider-la para o estabelecimento, no futuro, de metas setoriais. Alm disso, o potencial de reduo somente poder ser obtido ultrapassadas as barreiras para implementao das iniciativas, detalhadas no captulo 8. 8. Barreiras e estratgias de implementao dos programas Para cada iniciativa necessrio entender quais as barreiras implementao e como tais barreiras podem ser ultrapassadas a fim de obter insumos para o detalhamento dos planos operativos de cada iniciativa. Alm disso, necessrio um estudo mais aprofundado para entender dificuldades regionais de implementao das iniciativas. Contudo, nesta seo, apresentada uma viso macro de eventuais dificuldades e possveis maneiras de mitigao, conforme mostra a Tabela 8. Tabela 8. Barreiras para iniciativasIniciativas do programaBarreiras Mitigao de barreirasUso de biocombustveis no transporte interno Oferta regional de biocombustvel Logstica de escoamento do combustvel Capacidade de produo brasileira Baixa disponibilidade de mudas de semente para plantas Preo competitivo do biocombustvel em relao ao diesel Zoneamento fundirio fazendas plantadas tm diversos proprietrios oficiais Fomento indstria de produo de biocombustvel de palma Melhorar logstica de infraestrutura para o escoamento da leo de palma do Norte do Pas Sistema de transporte eficiente (dutovias) Investimento em P&D para novos biocombustveis e aumento da produtividade dos atuais Legislao de demanda adequada para incentivar a produo e o mercado regular de biocombustvel a preos competitivos Investimento do governo a ser feito em reas para a produo do biocombustvel Incentivo produo de sementes no Pas Incentivo positivo ao consumo Garantir que o programa de plantao de palma seja acompanhado de uma regularizao fundiria das terrasUso de gs natural nas usinas de pelotizao; Oferta de gs natural no Norte do Brasil Canalizao de oferta a preos competitivosMinerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)26. Substituio da frota por caminhes de maior capacidade, novos e/ou hbridos Investimento por caminho e fontes de financiamento acessveis a pequenas empresas de minerao Estmulo criao de parque metal mecnico verde para produo de motores hbridos no Pas Criao de parque industrial para fornecimento de caminhes Medidas governamentais de incentivo positivo renovao da frota Fomento, por meio de linhas de financiamento, produo de equipamentos de tecnologia nacionalUso de equipamentos que otimizem o consumo Investimento a ser efetuado Medidas governamentais de incentivo positivo ao uso de equipamentosOtimizao da combusto no forno Limitao tcnica do forno Investimento no sistema Fomento P&D no setorUso de auxlio eltrico a caminhes Configurao, tamanho e qualidade da mina Investimento no equipamento Falta de familiaridade do setor com a tecnologia Flexibilidade de produo da mina Medidas governamentais de incentivo positivo para o uso da iniciativa Considerar no licenciamento do setor o abatimento de emisses de CO2 advindos do projeto Criao de parque industrial verde para fornecimento de equipamentosUso de correias transportadoras e britagem na mina Investimento em equipamentos Falta de familiaridade do setor com a tecnologia Flexibilidade de produo da mina Disponibilidade de correias transportadoras para aquisio Dificuldade de licenciamento para uso de correias transportadoras Medidas governamentais de incentivo positivo para o uso da iniciativa Criao de parque industrial verde para fornecimento de equipamentos A respeito das iniciativas de alterao de fonte energtica, verificou-se a viabilidade de implementao de cada iniciativa com as entidades responsveis, conforme descrito a seguir.Uso de biocombustvel de palma na minerao: Esta iniciativa implica a necessidade de mais de 200 milhes de litros de biocombustvel de palma, o que representa cerca de 50 mil hectares de palma plantada. Atualmente, o Pas tem 100 mil hectares plantados de palma e importa o equivalente a 250 mil hectares, mas a previso de que em um ou dois anos o Pas tenha cerca de 500 mil hectares plantados e, em cinco anos, 1 milho de hectares. Apesar da concorrncia do uso da palma para fabricao de produtos alimentcios e de limpeza, alm de exportao, possvel produzir a quantidade necessria, tendo em Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)27. vista o alto poder de transformao da palma em biocombustvel, que de cerca de 4.000 litros por hectare. Essa produo se daria principalmente no Par, Estado que proporciona as melhores condies para o plantio, o que implica a necessidade de uma infraestrutura de escoamento robusta para distribuio do biocombustvel. Tal infraestrutura est prevista no Plano de Acelerao de Crescimento (PAC). Finalmente, para que a produo de palma ocorra, h necessidade de uma maior produo de sementes no Pas, o que j est sendo incentivado oficialmente pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria (EMBRAPA). Com base nessas consideraes, conclui-se que possvel implementar esta iniciativa no Pas. Uso de gs natural na usina de pelotizao de So Lus (MA): Esta iniciativa implica a necessidade de cerca de 75 milhes de metros cbicos de gs natural a serem fornecidos anualmente usina de pelotizao localizada em So Lus. O Plano Decenal de Energia 2020 no considera a oferta de gs natural na regio, entretanto, esta iniciativa foi considerada passvel de implementao devido descoberta de poos de gs na regio e na faixa litornea prxima usina, nos quais a produo poderia ser iniciada em um a dois anos, sendo escoada por um gasoduto a ser construdo no perodo de cinco anos. Devido demanda de gs natural na regio de duas grandes empresas mineradoras, possvel que o combustvel seja escoado para So Lus, no Maranho. 9. Adaptao s Mudanas Climticas De acordo com a Conveno Quadro das Naes Unidas para Mudana do Clima e a traduo oficial brasileira, Adaptao definida como a capacidade de um sistema de se ajustar mudana do clima (inclusive variabilidade climtica e aos eventos extremos de tempo), moderando possveis danos, tirando vantagens das oportunidades ou lidando com as consequncias. A adaptao, na prtica, tem por objetivo reduzir o risco dos danos por impactos adversos, de modo eficaz e considerando, tambm, os benefcios potenciais das medidas adotadas. Algumas dessas medidas consistem, por exemplo, no uso mais eficiente dos recursos hdricos, adaptar as normas de construo vigentes para suportar fenmenos meteorolgicos extremos, construir defesas contra inundaes, desenvolver culturas resistentes secas, colocar em prtica aes que tornem o recurso florestal menos vulnervel a incndios, elaborar planos de ordenamento territorial, planejamento estratgico, dentre outras.Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)28. A adaptao pode, ento, compreender estratgias nacionais ou regionais, assim como medidas prticas no mbito de comunidade ou de setores e grupos de indivduos. Em sntese, a adaptao exige que se conhea completamente um problema de natureza complexa; que se avaliem as melhores politicas e medidas a serem executadas; que se estabeleam consensos sobre a natureza do problema a resolver e sobre as possveis solues; que se coordenem aes nacionais ou regionais entre atores de diversas entidades e competncias; que se mantenham no tempo as aes empreendidas e se preserve e amplie as fontes de recursos para sua execuo. E isso deve ser feito antes de se ajustar e modificar de maneira flexvel a orientao dos programas para responder eficazmente s mudanas na intensidade, frequncia e caractersticas dos impactos produzidos em funo da capacidade de resposta sociedade. De acordo com a Poltica Nacional sobre Mudana do Clima, as aes de adaptao so entendidas como iniciativas e medidas para reduzir a vulnerabilidade dos sistemas naturais e humanos frente aos efeitos atuais e esperados da mudana do clima. O governo brasileiro est comprometido com os desafios atuais e futuros impostos pelos desastres naturais e mudanas climticas, integrantes do componente de adaptao do Plano Nacional sobre Mudana do Clima. No Brasil esto os principais centros de estudos sobre o clima dentre os pases emergentes. Mas ainda no h disponibilidade de modelos regionalizados de eficcia comprovada, para que as empresas possam fazer projees futuras com risco aceitvel para o clima local, visando identificar riscos, tomar as decises estratgicas adequadas e investir com antecedncia. imperativo, portanto, que as decises de investimento de longo prazo incorporem a varivel climtica com grau aceitvel de incertezas e de antecedncia. Para tal, recomendado integrar polticas pblicas de infraestrutura aos investimentos empresariais. Igualmente importante promover estudos acadmicos dirigidos para pesquisa de clima, de desenvolvimento de tecnologias e tcnicas agrcolas, industriais, mdicas e muitas outras, bem como torn-las acessveis para os necessitados, garantindo a segurana da gua potvel, saneamento, alimentos e outros recursos cruciais para a sade humana. Tambm h recomendaes de iniciativas que ofeream maiores oportunidades de conscientizao acerca da importncia da adaptao e de medidas preventivas para aumentar a resilincia da sociedade por meio da educao e de outros meios. Em termos nacionais cabe salientar as caractersticas singulares do Brasil, um pas continental, localizado na regio tropical, onde as previses de aumento de temperatura so mais intensas. Ademais, o Brasil classificado como pas biologicamente megadiverso, alm de ter grande diversidade geogrfica, cultural e tnica. A costa martima de mais de 7.000 quilmetros, agrega pelo menos sete tipos de biomas litorneos e caracteriza-se por expressiva ocupao urbana. Alm do litoral, os outros biomas identificados (caatinga, campos, cerrado, floresta amaznica, mata atlntica, mata dos pinhais, mata dos cocais e Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)29. pantanal) possuem ocupao heterognea e respondero de forma distinta aos efeitos de um clima em modificao. Finalmente, devem ser tomadas medidas de adaptao relacionadas ao investimento em pesquisa para eficincia do processo produtivo de empresas de pequeno porte, com o intuito de obter um ndice de emisso de CO2e menor para estas empresas. Ao para criar um plano de adaptao s mudanas do clima Mais especificamente, o Fundo Clima, um dos instrumentos da Poltica Nacional sobre Mudana do Clima, procura financiar projetos que busquem desenvolver uma abrangente base de informaes para o componente de adaptao do Plano Nacional sobre Mudana do Clima. O Fundo Clima financia projetos e propostas nas seguintes linhas: gerar planos de ao especficos e possam contribuir para o desenvolvimento de polticas pblicas no contexto da estratgia nacional de adaptao; fazer recomendaes claras sobre a direo futura a ser tomada para adaptao setorial e regional, dadas as suas concluses tericas e prticas; utilizar abordagem metodolgica e modelos climticos de ltima gerao adaptados s singularidades de cada bioma. Independente do efeito das mudanas do clima sobre cada setor individualmente, h vitais interdependncias que ampliam a criticidade de alguns setores, devido sua importncia para a economia nacional e aos riscos a que esto expostos: Agricultura: a agricultura extremamente vulnervel mudana climtica e a adaptao de espcies ocorre em ritmo mais lento do que a mudana prevista do clima. O que cultivar e onde afetar a oferta de produtos agropecurios num pas fortemente exportador de commodities agrcolas e tecnologia agropecuria. Setor energtico: a hidroeletricidade predominante no Brasil, mas as barragens sofrem oscilaes imprevistas nos projetos originais que utilizaram sries histricas pretritas. Como a economia depende fortemente da oferta de energia, este outro setor importante a ser analisado. Transporte: todas as modalidades sero impactadas com reflexo na infra-estrutura nacional de transportes, incluindo a mobilidade urbana. Recursos hdricos: Com a mudana dos padres das precipitaes, a gesto da oferta hdrica em quantidade e qualidade, para os diversos usos, bem como as reas inundveis nas bacias hidrogrficas demandaro modificaes nos padres de referncia e nos investimentos. Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)30. Sade: as doenas de veiculao hdrica so preocupaes objetivas dos agentes de sade em situaes de emergncia. Alem da ampliao dessa preocupao, doenas e animais peonhentos inexistentes em algumas reas passam a surgir como novas ameaas sade junto com o atual deficiente saneamento ambiental. Diante da incerteza climtica e temporal, as empresas e particularmente as organizaes transnacionais preocupam-se em reduzir antecipadamente sua vulnerabilidade s mudanas climticas em dois sentidos: internamente na proteo do patrimnio e das operaes; e como atuao socialmente responsvel na preveno de danos sociedade e ao ambiente nas reas de influncia de suas operaes. As empresas individualmente j adotam medidas preventivas que levam em conta as implicaes de possveis condies climticas cada vez mais severas, com inundaes, ventos fortes, seca e escassez de gua ou calor intenso. Aes de adaptao para minerao e logstica Em 2008 e 2010, a Vale desenvolveu um estudo para identificar os potenciais riscos operacionais decorrentes dos impactos das mudanas climticas nas atividades da empresa nos estados do Par e do Maranho. Atravs da regionalizao de modelos climticos globais, que simulam os impactos das mudanas climticas nas temperaturas e nos regimes de chuvas, a empresa conseguiu avaliar um conjunto de riscos para a operao porturia e para comunidade do entorno, a saber: a disponibilidade de gua para a operao porturia, o risco de interrupo no fornecimento de energia eltrica, eventos de precipitaes intensas, aumento do nvel do mar. A dificuldade encontrada nesse estudo foi traduzir a complexidade dos modelos climticos globais em impactos e riscos operacionais locais. A incerteza dos dados climticos no permite uma anlise financeira precisa dos riscos potenciais. Por mais que alguns riscos sejam identificados, a sua magnitude e importncia relativa questionvel e sua variabilidade grande dependendo do modelo climtico utilizado. 10. Necessidades e Fontes de FinanciamentoPara alcanar os objetivos traados pelo Plano, consideram-se as seguintes fontes de recursos: Fontes oramentrias abordadas na Lei Oramentria Anual; Linhas de crdito do BNDES, como o FINAME, para a aquisio de novos equipamentos e veculos das empresas; Investimentos previstos pelo setor privado;Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)31. Linhas de crdito de carbono: iniciativas como a plataforma sobre financiamento de carbono para a Amrica Latina permitem o recebimento de fundos para projetos de sustentabilidade; Fundo Clima: possvel que o Fundo Clima seja utilizado como fonte de financiamento, sendo necessrio somente observar como viabilizar o mesmo para as empresas que no conhecem essa possibilidade de financiamento. As iniciativas de uso de veculos hbridos na minerao e uso de auxlio eltrico a caminhes, por exemplo, trazem benefcios significativos em relao reduo de emisses e poderiam ser abordadas neste tipo de fundo. Cabe ressaltar que, neste plano, buscou-se estabelecer um investimento necessrio por iniciativa, mas que este deve ser alvo de minuciosa anlise para garantir que estejam consideradas todas as necessidades de financiamento para implementao da mesma, podendo haver diferenas por regio, por tipo de mina ou de usina. importante para o setor que se desenvolva o conhecimento para utilizao das fontes de financiamento existentes, e que as mesmas sejam aplicveis nas condies em que esto sendo praticadas. Sendo assim, importante que tanto a pequena quanto a grande empresa tenham conhecimento das formas existentes de financiamento e consigam aplic-las para obter os recursos. 11. Monitoramento Este captulo trata do monitoramento das iniciativas apresentadas no plano, detalhando entidades responsveis e indicadores para controle.11.1. Governana Para garantir a implementao das iniciativas, necessrio que haja um monitoramento para cada uma delas com definies de indicadores que devem ser revistos periodicamente pelo Ministrio de Minas e Energia com a contribuio de todos os segmentos interessados, mediante inventario peridico setorial de emisses de gases de efeito estufa (GEE). Adicionalmente, possvel que haja um monitoramento da implementao das iniciativas identificadas neste Plano. O monitoramento das emisses dever ser realizado pelo Ministrio de Minas e Energia. Este poder indicar, a seu critrio, entidades da sociedade civil, universidades ou outros rgos governamentais para colaborar com o monitoramento. Cabe ressaltar que deve haver uma integrao do monitoramento setorial com o monitoramento nacional coordenado pelo GEX, para que seja evitada a dupla contagem, e com o monitoramento efetuado pelo Ministrio do Meio Ambiente. Finalmente, deve ser coordenado o monitoramento com o setor responsvel pelas questes de mudanas climticas da Casa Civil.Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)32. 11.2. Indicadores Este plano prope um conjunto de indicadores iniciais, que devem ser monitorados e revistos periodicamente. Para definio mais precisa dos indicadores necessrio que exista um esforo de coordenao para que as linhas de base dos Planos de Mitigao formem um nico cenrio para todos os setores. Essa linha de base dever ser atualizada juntamente com a reviso do plano. A formao da linha de base prevista deste plano foi um exerccio importante para mapear os impactos no futuro, mas carece de coordenao com outros setores para alinhamento no contexto nacional. Para ser possvel identificar se as aes esto sendo efetuadas pelas empresas, o monitoramento dever ser feito atravs de indicadores de monitoramento, considerando as peculiaridades do setor e as barreiras implementao das iniciativas, conforme previsto na Tabela 9. Estes indicadores se propem to somente a serem auxiliadores do monitoramento, no se refletindo em nenhum indicador de efetividade. Tabela 9. Indicadores de monitoramentoPrograma Iniciativas do programa IndicadorAlterao da fonte energtica utilizada nos processos1. Uso de biocombustveis no transporte interno Consumo de biocombustvel em relao ao total consumido de diesel e biocombustvel2. Uso de gs natural nas usinas de pelotizao; Nmero de usinas com insumo de gs naturalOtimizao dos ativos da minerao1. Troca da frota:1.1. Uso de caminhes maiores1.2. Renovao de caminhes Idade mdia da frota % de caminhes de grande porte em relao ao total de caminhes2. Otimizao da combusto no forno Sistemas instalados em usinas3. Uso de equipamentos que otimizem consumo Nmero de usinas com ventiladores otimizados % do total de caminhes da frota da mina com torque alternativo instalado Nmero de moinhos verticais instaladosUso de novas tecnologias de minerao1. Uso de auxlio eltrico a caminhes Km de auxlio eltrico instalado Nmero de minas utilizando auxlio eltrico Produo sujeita ao uso de auxlio eltrico2. Uso de correias transportadoras e britagem na mina Nmero de minas utilizando correias transportadoras e britagem na mina3. Uso de veculos hbridos % de caminhes hbridos da frota da mina Tambm dever ser considerado um indicador de efetividade, que auxilie a concluir se o plano est atingindo seus objetivos. Este ndice dever considerar somente as atividades de escopo 1, pois so aquelas que a empresa pode tomar aes de mitigao, e tambm dever ser passvel de ser medido e refletir todas as consideraes propostas aqui neste plano, como a atualizao da linha de base e ampliao do escopo. Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)33. O indicador de efetividade dever indicar se o plano cumpriu com seu propsito, e dever considerar em seu clculo que iniciativas podem ser levadas em conta, dadas as barreiras de implementao. 12. Propostas e estudos para prximas versesO setor mineral precisar aprofundar o conhecimento sobre suas emisses nas diferentes cadeias e manter informaes atualizadas sobre as emisses do setor. Os dados informados pelas empresas, inclusive em relao ao mesmo bem mineral, so heterogneos, dificultando a anlise comparativa. desejvel buscar a padronizao na elaborao dos inventrios do setor, assim como ampliar o nmero de empresas com inventrios, para que se possa adotar a abordagem de baixo para cima como a mais slida e fidedigna. Para a formao da linha de base h um conjunto de estudos necessrios: Estudo para estimar o impacto de fatores como teor do minrio (grade), relao estril/minrio (strip ratio) e recuperao mssica nas emisses; Estudos detalhados de emisses advindas da minerao de rochas ornamentais e de calcrio, devido sua importncia; Refinamento do inventrio de emisses de carvo; Criao do inventrio de emisses de agregados e cermicas.Para a anlise das iniciativas h um conjunto de estudos necessrios a ser aprofundado: Uso de biocombustveis na minerao; Uso de carvo vegetal em substituio ao antracito: no foi includo neste estudo devido incerteza tcnica do funcionamento da iniciativa, mas recomenda-se que seja considerado para a reviso. Estudo da reduo da camada de forramento em usinas de pelotizao Em relao a temas gerais para melhor substanciar o planejamento de mudanas do clima do setor mineral, h estudos que podem ser conduzidos para aumentar o conhecimento e aplicabilidade: Propostas de reviso de escopo do Plano, melhoria da qualidade do escopo e aprofundamento dos indicadores; Detalhamento do plano operativo; Planejamento estratgico setorial.Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)34. Alm destes, existem programas importantes para as pequenas e mdias empresas que no foram considerados para o potencial de abatimento, como: a otimizao da gesto na mina, atravs de uso de ngulo de subida correto e aproximao da pilha de estril cava e a melhoria da eficincia no processo por meio da melhor comunicao nas minas subterrneas e eficincia das plantas de beneficiamento. A difuso de boas prticas operacionais e tecnologias intrassetoriais desde as empresas lderes para com as mdias e pequenas poder ser fomentado e desenvolvido pelas associaes representativas, obtendo ao final ganho real e factvel (testado) de capacitao e modernizao na transio para economia de baixo carbono. 13. Referncias BibliogrficasBRASIL. Lei no. 12.187, de 29 de dezembro de 2009 (Lei Ordinria). Institui a Poltica Nacional sobre Mudana do Clima e d outras providncias. Dirio Oficial da Repblica Federativa do Brasil, Braslia, DF, 29 dez. 2009. Seo Extra, p. 109, Coluna 2. 2009.BRASIL. Decreto no. 7.390, de 09 de dezembro de 2010. Regulamenta os arts. 6o, 11 e 12 da Lei no. 12.187, de 29 de dezembro de 2009, que institui a Poltica Nacional sobre Mudana do Clima - PNMC, e d outras providncias. Dirio Oficial da Repblica Federativa do Brasil, Braslia, DF, 09 dez. 2010.BRASIL, Ministrio de Minas e Energia. Plano Nacional de Minerao 2030. Braslia: MME, 2010. BRASIL, Ministrio de Minas e Energia, Empresa de Pesquisa Energtica. Plano decenal de expanso de energia 2020. Braslia: EME/EPE 2011.CARBON DISCLOSURE PROJECT, 2011. Acessado em Nov/2011, atravs do link www.cdproject.netIBRAM. Inventrio de emisses do setor de minerao, 2010.GHG PROTOCOL BRAZIL, 2011. Acessado em Nov/2011, atravs do link www.ghgprotocolbrasil.com.br/SAMARCO, 2011. Relatrio de sustentabilidade. Acessado em Nov/2011, atravs do link www.samarco.com.brVALE, 2011. Relatrio de sustentabilidade. Acessado em Nov/2011, atravs do link www.vale.comMinerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)35. Apndice1. Acesso por cenrio Superadas as barreiras para implementao das iniciativas, o acesso de cada iniciativa em relao ao total de produo previsto em 2020 do minrio pode ser observada na Tabela 10.Tabela 10 - Acesso de cada iniciativa em relao ao total de produo previsto em 2020Iniciativa% de acesso e premissas utilizadas para clculo por cenrioCenrio 3 Cenrio 2 Cenrio 1FerroUso de bio-combustveis 18% 56% 90%Considera que somente as minas do Norte seriam afetadasConsidera que todas as minas do Norte seriam afetadas e metade das demaisConsidera limitao da oferta de biocombustvel Britagem na mina e uso de correias10% 18% 31%Considera que somente o projeto S11 D seja vivelConsidera que o S11 D seja vivel e 40% dos novos projetos grandesConsidera que S11 D seja vivel e 100% dos novos projetos grandesUso de veculos hbridos18% 27% 81%Considera estimativa de fornecedores de produo possvelConsidera estimativa de fornecedores de produo possvelConsidera que a renovao de caminhes seja para hbrido Auxlio eltrico a caminhes1% 6% 90%Considera que o retorno para a empresa no seja atrativoConsidera que barreiras financeiras dificultem o usoConsidera que no haja impeditivos ao uso da iniciativaEquipamento de torque alternativo23% 45% 90%Considera que um quarto de todas as minas, exceto a S11 D, implementemConsidera que metade de todas as minas, exceto a S11D, implementemConsidera que todas as minas, exceto a S11D, implementem Minerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)36. Iniciativa% de acesso e premissas utilizadas para clculo por cenrioCenrio 3 Cenrio 2 Cenrio 1PelotizaoUso de gs natural7% 7% 7%Considera a usina de So Lus - MAConsidera a usina de So Lus - MAConsidera a usina de So Lus - MAReduo da camada de forramento36% 36% 100%Considera que somente as novas usinas ainda no tenham aperfeioado seu fornoConsidera que somente as novas usinas ainda no tenham aperfeioado seu fornoConsidera que todas as usinas tenham potencial de reduoOtimizao da combusto no forno1% 2% 3%Considera que as usinas j estejam prximos ao limite tcnico permitido de reduo da camadaConsidera que as usinas j estejam prximos ao limite tcnico permitido de reduo da camadaConsidera que as usinas j estejam prximos ao limite tcnico permitido de reduo da camadaOtimizar consumo de ventiladores7% 7% 18%Considera que seja possvel afetar um dcimo de todos os ventiladoresConsidera que seja possvel afetar um dcimo de todos os ventiladoresConsidera que seja possvel afetar um quarto de todos os ventiladoresUso de moinhos verticais10% 10% 29%Considera que metade dos projetos de usinas utilize moinhos verticaisConsidera que metade dos projetos de usinas utilize moinhos verticaisConsidera que todos os projetos de usinas utilizem moinhos verticaisIniciativa% de acesso e premissas utilizadas para clculo por cenrioCenrio 3 Cenrio 2 Cenrio 1AgregadosSubstituio da frota e aumento da capacidade14% 22% 44%Considera que nas grandes empresas a renovao seja peridica e no mximo 5% da produo poderia ser afetada; nas pequenas e mdias empresas, poderia ser afetada 15% da produoConsidera que nas grandes empresas a renovao seja peridica e no mximo 5% da produo poderia ser afetada; nas pequenas e mdias empresas, poderia ser afetada um quarto da produoConsidera que nas grandes empwresas a renovao seja peridica e no mximo 10% da produo poderia ser afetada; nas pequenas e mdias empresas, poderia ser afetada metade da produoEquipamento de torque alternativo14% 22% 44%Considera que nas grandes empresas j esteja implementada e que no mximo 5% da produo poderia ser afetada; nas pequenas e mdias empresas, poderia ser afetada 15% da produoConsidera que nas grandes empresas j esteja implementada e que no mximo 5% da produo poderia ser afetada; nas pequenas e mdias empresas, poderia ser afetada 25% da produoConsidera que nas grandes empresas j esteja implementada e que no mximo 10% da produo poderia ser afetada; nas pequenas e mdias empresas, poderia ser afetada 25% da produoMinerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)37. Iniciativa% de acesso e premissas utilizadas para clculo por cenrioCenrio 3 Cenrio 2 Cenrio 1CarvoEquipamento de torque alternativo13% 17% 27%Considera que as minas a cu aberto possam ter 15% de sua produo afetada e as subterrneas cerca de 5%, devido ao tamanho das minasConsidera que as minas a cu aberto possam ter 20% de sua produo afetada e as subterrneas cerca de 5%, devido ao tamanho das minasConsidera que as minas a cu aberto possam ter 30% de sua produo afetada e as subterrneas cerca de 10%, devido ao tamanho das minasSubstituio da frota e aumento da capacidade13% 17% 27%Considera que as minas a cu aberto possam ter 15% de sua produo afetada e as subterrneas cerca de 5%, devido ao tamanho das minasConsidera que as minas a cu aberto possam ter 20% de sua produo afetada e as subterrneas cerca de 5%, devido ao tamanho das minasConsidera que as minas a cu aberto possam ter 30% de sua produo afetada e as subterrneas cerca de 10%, devido ao tamanho das minas2. Fatores por iniciativa As consideraes sobre cada um desses trs fatores em relao a cada iniciativa esto ilustradas na Tabela 11Tabela 11: Fatores para clculo do potencial de reduoIniciativaPotencial de reduo de consumoConsumo de material por tonelada produzidaDiferenciao no fator de emissoUso de biocombustveis para mineraoNo hAumento de 9% no consumo Reduo de 57% no fator de emissoUso de correias transportadoras e britagem na mina95% de reduo no consumo de dieselAumento de 973% no consumo de eletricidadeSem alterao no consumo por toneladaSem alterao nos fatores de emissoInsero de equipamento de torque alternativoReduo de 5% no consumo de dieselSem alterao no consumo por toneladaSem alterao nos fatores de emissoUso de veculos hbridosReduo de 30% no consumo de dieselSem alterao no consumo por toneladaSem alterao nos fatores de emissoUso de auxlio eltrico a caminhes95% de reduo no consumo de diesel onde a iniciativa aplicvelSem alterao no consumo por toneladaSem alterao nos fatores de emissoMinerao Plano Setorial de Mitigao e de Adaptao Mudana do Clima na MineraoPlano de Minerao de Baixa Emisso de Carbono (Plano MBC)38. IniciativaPotencial de reduo de consumoConsumo de material por tonelada produzidaDiferenciao no fator de emissoUso de gs natural no lugar de leo100% de reduo no consumo de leo combustvelConsumo de gs natural por toneladaSubstituio de fator de emisso do antracito pelo gs natural (55% de reduo no fator)Otimizao do consumo de energia nos ventiladores33% de reduo no consumo de eletricidadeSem alterao no consumo por toneladaSem alterao nos fatores de emissoUso de moinhos verticais33% de reduo no consumo de eletricidadeSem alterao no consumo por toneladaSem alterao nos fatores de emissoSubstituio de frota e aumento da capacidade dos caminhes Reduo no consumo de combustvelReduo no consumo por toneladaSem alterao nos fatores de emisso3. Potencial de reduo por iniciativa Uma estimativa do potencial de reduo de emisses por tonelada produzida pode ser verificada na Tabela 12.Tabela 12: Total de abatimento de cada iniciativa por cenrioIniciativaTotal de abatimento (Ton Co2e)Cenrio 1 Cenrio 2 Cenrio 3Uso de biocombustveis para minerao de ferro 200.013 124.581 40.604 Britagem na mina e uso de correias transportadoras 938.449 550.056 291.128 Insero de equipamento de torque alternativo 156.320 79.170 41.100 Uso de veculos hbridos 770.380 256.572 171.048 Uso de auxlio eltrico a caminhes 398.584 28.471 4.764 Uso de gs natural no lugar de leo 65.369 65.369 65.369 Otimizao da combusto no forno 18.388 18.388 18.388 Otimizao do consumo de energia nos ventiladores 2.295 918 918 Substituio da frota e aumento da capacidade158.612 103.064 103.064Total 2.718.691 1.231.728 739.537 Ministrio doMeio Ambiente

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