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    PAULO E ESTEVOFRANCISCO CNDIDO XAVIER

    ROMANCE DITADO PELO ESPRITO EMMANUEL

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    NDICE

    Breve Notcia

    PRIMEIRA PARTECAPTULO 1 = Coraes flageladosCAPTULO 2 = Lgrimas e sacrifciosCAPTULO 3 = Em JerusalmCAPTULO 4 = Nas estradas de JopeCAPTULO 5 = A pregao de EstevoCAPTULO 6 = Ante o SindrioCAPTULO 7 = As primeiras perseguiesCAPTULO 8 = A morte de EstevoCAPTULO 9 = Abigail cristCAPTULO 10 = No caminho de Damasco

    SEGUNDA PARTECAPTULO 1 = Rumo ao desertoCAPTULO 2 = O teceloCAPTULO 3 = Lutas e humilhaesCAPTULO 4 = Primeiros labores apostlicosCAPTULO 5 = Lutas pelo EvangelhoCAPTULO 6 = Peregrinaes e sacrifciosCAPTULO 7 = As EpstolasCAPTULO 8 = O martrio em JerusalmCAPTULO 9 = O prisioneiro do CristoCAPTULO 10 = Ao encontro do Mestre

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    Breve Notcia

    No so poucos os trabalhos que correm mundo, re lativamente tarefagloriosa do Apstolo dos gentios. justo, pois, esperarmos a interrogativa: Por que mais um livro sobre Paulo de Tarso? Homenagem ao gr andetrabalhador do Evangelho ou informaes mais detalhadas de sua vida?

    Quanto primeira hiptese, somos dos primeiros a reconhecer que oconvertido de Damasco no necessita de nossas mesquinhas homenagens; equanto segunda, responderemos afirmativame nte para atingir os fins a quenos pro pomos, transferindo ao papel humano, com os recursos possveis,alguma coisa das tradies do pla no espiritual acerca dos trabalhos confiadosao grande amigo dos gentios.

    Nosso escopo essencial no poderia ser apenas rememorar passagenssublimes dos tempos apostlicos, e sim apresentar, antes de tudo, a figura docooperador fiel, na sua legitima feio de homem transformado por Jesus -Cristo e atento ao divino ministrio.

    Esclarecemos, ainda, que no nosso propsito levantar apenas umabiografia romanceada.

    O mundo est repleto dessas fichas educa tivas, com referncia aos seusvultos mais notveis. Nosso melhor e mais sincero desejo recordar as lutasacerbas e os speros testemunhos de um corao extraordinrio, q ue selevantou das lutas humanas para seguir os passos do Mestre, num esforoincessante.

    As igrejas amornecidas da atualidade e os falsos de sejos dos crentes, nosdiversos setores do Cristianismo, justificam as nossas intenes.

    Em toda parte h tendncias ociosidade do esprito e manifestaes demenor esforo. Muitos discpulos disputam as prerrogativas de Estado,enquanto outros, distanciados voluntariamente do trabalho justo, suplicam aproteo sobrenatural do Cu. Templos e devotos entre gam-se, gostosamente,s situaes acomodatcias, prefe rindo as dominaes e regalos de ordemmaterial.

    Observando esse panorama sentimental til recor darmos a figurainesquecvel do Apstolo generoso.

    Muitos comentaram a vida de Paulo; mas, quando no lhe atr iburamcertos ttulos de favor, gratuitos do Cu, apresentaram -no como um fantico decorao ressequido. Para uns, ele foi um santo por predestinao, a quemJesus apareceu, numa operao mecnica da graa; para outros, foi umesprito arbitrrio, absorvente e rspido, inclinado a combater os companheiros,com vaidade quase cruel.

    No nos deteremos nessa posio extremista.Queremos recordar que Paulo recebeu a ddiva santa da viso gloriosa do

    Mestre, s portas de Damasco, mas no podemos esquecer a d eclarao deJesus relativa ao sofrimento que o aguardava, por amor ao seu nome.

    Certo que o inolvidvel tecelo trazia o seu minist rio divino; mas, quemestar no mundo sem um ministrio de Deus? Muita gente dir quedesconhece a prpria tarefa, que insciente a tal respeito, mas ns poderemosresponder que, alm da ignorncia, h desateno e muito capricho pernicioso.Os mais exigentes advertiro que Paulo recebeu um apelo direto; mas, naverdade, todos os homens menos rudes tm a sua convocao pes soal aoservio do Cristo. As formas podem variar, mas a essncia ao apelo sempre

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    a mesma. O convite ao ministrio chega, s vezes, de maneira sutil,inesperadamente; a maioria, porm, resiste ao chamado generoso do Senhor.Ora, Jesus no um mestre d e violncias e se a figura de Paulo avulta muitomais aos nossos olhos, que ele ouviu, negou -se a si mesmo, arrependeu-se,tomou a cruz e seguiu o Cristo at ao fim de suas tarefas materiais. Entreperseguies, enfermidades, apodos, zombarias, desiluse s, deseres,pedradas, aoites e encarceramentos, Paulo de Tarso foi um homem intrpidoe sincero, caminhando entre as sombras do mundo, ao encontro do Mestre quese fizera ouvir nas encruzilhadas da sua vida.

    Foi muito mais que um predestinado, foi um re alizador que trabalhoudiariamente para a luz.

    O Mestre chama-o, da sua esfera de claridadeS imor tais. Paulo tateia natreva das experincias humanas e responde: Senhor, que queres que eufaa?

    Entre ele e Jesus havia um abismo, que o Apstolo soube tra nspor emdecnios de luta redentora e cons tante.

    Demonstr-lo, para o exame do quanto nos compete em trabalhO prprio, afim de Ir ao encontro de Jesus, o nosso objetivo.

    Outra finalidade deste esforo humilde reconhecer que o Apstolo nopoderia chegar a essa possibilidade, em ao isolada no mundo.

    Sem Estevo, no teramos Paulo de Tarso. O gran de mrtir doCristianismo nascente alcanou influncia muito mais vasta na experinciapaulina, do que poderamos imaginar to-s pelos textos conhecidos nosestudos terrestres. A vida de ambos est entrelaada com miste riosa beleza. Acontribuio de Estevo e de outras per sonagens desta histria real vemconfirmar a necessidade e a universalidade da lei de cooperao. E, para ve -rificar a amplitude desse conceito, recordemos que Jesus, cuja misericrdia epoder abrangiam tudo, procurou a companhia de doze auxiliares, a fins deempreender a renovao do mundo.

    Alis, sem cooperao, no poderia existir amor; e o amor a fora deDeus, que equilibra o Universo.

    Desde j, vejo os crticos consultando textos e com binando versculos paratrazerem tona os erros do nosso tentame singelo. Aos bem -intencionadosagradecemos sinceramente, por conhecer a nossa expresso de criaturafalvel, declarando que este livro modestO foi grafado por um Esprito para osque vivam em esprito; e ao pedan tismo dogmtico, ou literrio, de todos ostempos, recorremos ao prprio Evangelho para repetir que, se a letra mata, oesprito vivifica.

    Oferecendo, pois, este humilde t rabalho aos nossos irmos da Terra,formulamos votos para que o exemplo do Grande Convertido se faa maisclaro em nossos coraes, a fim de que cada discpulo possa entender quantolhe compete trabalhar e sofrer, por amor a Jesus -Cristo.

    Pedro Leopoldo, 8 de julho de 1941.

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    PRIMEIRA PARTE

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    1Coraes flagelados

    A manh enfeitava-se de muita alegria e de sol, mas as ruas centrais deCorinto estavam quase desertas. No ar brincavam as mesmas brisas perfumadas, que sopravam de longe;entretanto, no se observava, na fisionomia suntuosa das vias pblicas, osorriso de suas crianas despreocupadas, nem o movimento habitual dasliteiras de luxo, em seu giro costumeirO. A cidade, reedificada por Jlio Csar, era a mais bela jia da velha Aca ia,servindo de capital formosa pro vncia. No se podia encontrar, na suaintimidade, o esprito helnico em sua pureza antiga, mesmo porque, depois deum sculo de lamentvel abandono, aps a destruio operada por Mmio,restaurando-a, o grande imperador transformara Corinto em colnia importantede romanos, para onde acorrera grande nmero de liber tos ansiosos detrabalho remunerador, ou proprietrios de promissoras fortunas. A estes,associara-se vasta corrente de israelitas e considervel percenta gem de filhosde outras raas que ali se aglomeravam, transformando a cidade em ncleo deconvergncia de todos os aventu reiros do Oriente e do Ocidente. Sua culturaestava muito distante das realizaes intelectuais do gosto grego maiseminente, misturando-se, em suas praas, os templos mais diversos. Obedecendo, talvez, a essa heterogeneidade de sentimentos, Corintotornara-se famosa pelas tradies de libertinagem da grande maioria dos seushabitantes.

    Os romanos l encontravam campo largo para a s suas paixes,entregando-se, desvairadamente, ao venenoso perfume desse jardim de floresexticas. Ao lado dos aspectos soberbos e das pedrarias rutilantes, o pn tanodas misrias morais exalava nauseante bafio. A tragdia foi sempre o preodoloroso dos prazeres fceis. De quando em quando, os grandes escndalosreclamavam as grandes represses.

    Nesse ano de 34, a cidade em peso fora atormentada por violenta revoltados escravos oprimidos.

    Crimes tenebrosos foram perpetrados na sombra, exigindo severa sdevassas. O Pr-consul no hesitara, ante a gravidade da situao. Expedindomensageiros oficiais, solicitara de Roma os recursos precisos. E os recursosno tardaram. Em breve, a galera das guias dominadoras, auxiliada porventos favorveis, trazia no bojo as autoridades da misso punitiva, cuja aodeveria esclarecer os acontecimentos.

    Eis por que, nessa manh radiosa e alegre, os edi fcios residenciais e aslojas do comrcio apresentavam -se envolvidos em profundo silncio,semicerrados e tristes. Os transeuntes eram raros, com exceo de vrios ma -gotes de soldados, que cruzavam as esquinas despreocupa dos e satisfeitos,como quem se entregava, de bom grado, ao sabor das novidades.

    J de alguns dias, um chefe romano, cujo nome se fazia acompanhar desombrias tradies, fora recebido pela Corte Provincial, ali desempenhando aselevadas fnes de legado de Csar, cercado de grande nmero de agentespolticos e militares e estabelecendo o terror entre todas as classes, com osseus processos infamantes. Licnio Mincio chegara ao poder, mobilizandotodos os recursos da intriga e da calnia. Conseguindo voltar a Corinto, ondeestacionara anos antes, sem maior auto ridade, tudo ousava agora, por

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    aumentar seus cabedais, fruto de avareza insacivel e sem esc rpulos.Pretendia recolher-se, mais tarde, queles stios, onde suas pro priedadesparticular