orientações técnicas para o monitoramento ambiental do...

Download Orientações técnicas para o monitoramento ambiental do ...bvsms.saude.gov.br/bvs/...monitoramento_ambiental_vibrio_

Post on 20-Jan-2019

214 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

Bra

sli

a D

F 20

16

VENDA PR

OIBIDADIST

RIBUIO

GRATUITA

M I N I S T R I O D A S A D E

Orientaes tcnicas para o monitoramento ambiental do Vibrio cholerae

MINISTRIO DA SADESecretaria de Vigilncia em SadeDepartamento de Vigilncia em Sade Ambiental e Sade do Trabalhador

Orientaes tcnicas para o monitoramento ambiental do Vibrio cholerae

Bra

sli

a D

F 20

16

VENDA PR

OIBIDADIST

RIBUIO

GRATUITA

2016 Ministrio da Sade.

Esta obra disponibilizada nos termos da Licena Creative Commons Atribuio No Comercial Compartilhamento pela mesma licena 4.0 Internacional. permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

A coleo institucional do Ministrio da Sade pode ser acessada, na ntegra, na Biblioteca Virtual em Sade do Ministrio da Sade: . O contedo desta e de outras obras da Editora do Ministrio da Sade pode ser acessado na pgina: .

Tiragem: 1 edio 2016 verso eletrnica

Elaborao, distribuio e informaes:MINISTRIO DA SADE Secretaria de Vigilncia em Sade Departamento de Vigilncia em Sade Ambiental e Sade do Trabalhador Coordenao-Geral de Vigilncia em Sade AmbientalSCS, Qd. 4, bl. A, Edifcio Principal, 5 andarCEP: 70300-904 Braslia/DF E-mail: vigiagua@saude.gov.br

Organizao:Camila Vicente BonfimDaniela Buosi RohlfsFernanda Barbosa de QueirozMariely H. Barbosa Daniel

Colaborao:Dlia dos Prazeres RodriguesDanielle Mendona FerreiraElayse Maria Hachich

Fernando Gilberto Fialho KappkeKarina Ribeiro Leite Jardim Cavalcante Lucia Helena Berto Maria Ins Zanoli SatoMara Lucia Tiba SoeiroRejane Maria de Souza AlvesSonia Mara Linhares de AlmeidaReviso tcnica: Daniela Buosi Rohlfs SVS/MS

Produo editorial:Capa e projeto grfico: Ncleo de Comunicao/SVSDiagramao: Fred Lobo

Equipe editorial:Normalizao: Delano de Aquino Silva Editora MS/CGDIReviso: Tamires Alcntara e Tatiane Souza Editora MS/CGDI

Ficha Catalogrfica_________________________________________________________________________________________________Brasil. Ministrio da Sade. Secretaria de Vigilncia em Sade. Departamento de Vigilncia em Sade Ambiental e Sade do Trabalhador.

Orientaes tcnicas para o monitoramento ambiental do Vibrio cholerae [recurso eletrnico] / Ministrio da Sade, Secretaria de Vigilncia em Sade, Departamento de Vigilncia em Sade Ambiental e Sade do Trabalhador. Braslia: Ministrio da Sade, 2016. 23 p. : il

Modo de acesso: World Wide Web: . ISBN 978-85-334-2462-3

1. Clera. 2. Monitoramento Ambiental. 3.Vigilncia em Sade. I. Ttulo.

CDU 616.932_________________________________________________________________________________________________Catalogao na fonte Coordenao-Geral de Documentao e Informao Editora MS OS 2016/0276

Ttulo para indexao:

Technical guidelines for Vibrio cholerae environmental monitoring

INTRODUO 4

MOTIVAO PARA A REALIZAO DO MONITORAMENTO AMBIENTAL DO VIBRIO CHOLERAE 7

OBJETIVOS 9

Objetivo geral 9

Objetivos especficos 9

AVALIAO DE RISCOS SADE 10

ESTRATGIAS PARA A REALIZAO DO MONITORAMENTO AMBIENTAL DO V. CHOLERAE O1 E O139 11

Definio de pontos de coleta 12

Nmero de amostras e frequncia da amostragem 13

Metodologias para coleta e anlise laboratorial 15

Estrutura mnima laboratorial 17

AES A SEREM DESENCADEADAS QUANDO DETECTADAS AMOSTRAS POSITIVAS 18

Aes intrassetoriais 18

Aes intersetoriais 20

REFERNCIAS 21

ANEXO FLUXO DAS AES A SEREM DESENVOLVIDAS A PARTIR DA IDENTIFICAO DE VIBRIO CHOLERAE NO AMBIENTE 23

SUMRIO

4

INTRODUO

O Vibrio cholerae, agente etiolgico causador da clera, uma bactria gram- -negativa, autctone do ambiente marinho, e encontrada em uma vasta regio geogrfica dos trpicos. J foram demonstradas associaes dessa bactria com coppodes (crustceos), algas e diversos alimentos marinhos, sendo as ostras os principais vetores (MAHESHWARI et. al, 2011).

A espcie V. cholerae classificada em sorogrupos, sendo que os sorogrupos O1 e O139 podem causar epidemias devido possibilidade de adquirirem fatores associados virulncia (ou toxigenicidade) como: a toxina colrica (CT), responsvel pela diarreia severa, e o fator de colonizao conhecido como toxina corregulatria do tipo Pilus (TCP), que responsvel pela adeso na mucosa do intestino humano (RAHMAN et al., 2008; LUTZ et al., 2013).

Estes fatores de virulncia podem ser adquiridos por meio de processos conhecidos como transferncia lateral de genes, que ocorrem no meio aqutico (CHAKRABORTY et al., 2000), e por meio de bacterifagos lisognicos filamentosos, conhecidos como fagos, que podem infectar clulas de V. cholerae no toxignicas, levando ao surgimento de novas cepas toxignicas (FARUQUE; MEKALANOS, 2012).

Segundo a International Commission on Microbiological Specification for Foods (ICMSF, 1996), a temperatura tima para o crescimento do V. cholerae O1 37C; no entanto, possvel identificar o crescimento da bactria na faixa de 10C a 43C. O pH timo de 7,6, mas pode crescer numa faixa de 5,0 a 9,6. O crescimento tambm pode ocorrer numa variao de salinidade de 0,1% a 4,0% de cloreto de sdio (NaCl), com crescimento timo em 0,5% de NaCl, embora no requeira a presena de NaCl para crescimento (VITAL et al., 2007).

5

Estudo realizado pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), em convnio com a Organizao Mundial da Sade (OMS), demonstrou que a sobrevivncia do V. cholerae em gua do mar variou entre 6 e 26 dias; em gua doce, entre 6 e 19 dias; e em esgoto, entre 5 e 12 dias (SATO et al., 1995).

A dose infectante para a manifestao clnica varia de acordo com a via de transmisso, sendo de 10 a 106 relacionado ingesto de gua com clulas de V. cholerae e de 10 a 106 quando ingeridos alimentos contendo o microrganismo (HANDA et al., 2007). De acordo com o Guia de Bolso de Doenas Infecciosas e Parasitrias (BRASIL, 2010), a susceptibilidade varivel, sendo que o risco de adoecer pode ser aumentado por fatores que diminuem a acidez gstrica.

A persistncia da doena facilitada pelos indivduos infectados que eliminam o Vibrio cholerae no ambiente durante o perodo entre uma e duas semanas, pela elevada proporo de infeco assintomtica e pela curta imunidade ps-infeco, o que possibilita frequentes (re)infeces dos indivduos. Alm disso, os portadores assintomticos podem introduzir epidemias em locais indenes, bem como manter o V. cholerae em circulao no ambiente (BRASIL, 2008).

No Brasil, ocorreu epidemia de clera entre os anos 1991 e 2001, atingindo todas as suas regies e totalizando 168.598 casos e 2.035 bitos. Estas ocorrncias foram concentradas principalmente na Regio Nordeste do Pas. Em 1993, ocorreu o maior nmero de casos relacionados epidemia, sendo registrado um coeficiente de incidncia de 39,81/100.000 habitantes e 670 bitos (BRASIL, 2008). Aps este perodo, houve importante reduo no nmero de casos.

Em 2001, foram registrados sete casos confirmados e, em 2002 e 2003, no foram detectados casos. No ano de 2004, foram registrados 21 casos confirmados no municpio de So Bento do Una/PE. Os ltimos casos autctones foram diagnosticados em 2005, tambm no estado de Pernambuco, sendo quatro casos em So Bento do Una e um caso em Recife/PE.

6

No ano de 2006, foi notificado, em Braslia/DF, um caso importado da Angola e, em 2011, o municpio de So Paulo/SP registrou um caso importado da Repblica Dominicana, demonstrando assim a possibilidade de reintroduo da doena no Pas.

A OMS vem registrando o aumento de casos de clera no mundo desde 2006. Na Amrica Latina, o Haiti encontra-se em situao de epidemia de clera, aps a ocorrncia, em 2010, de um terremoto no Pas. No perodo de outubro de 2010 a junho de 2014, foram registrados 703.510 casos da doena e 8.562 bitos.

Aps a ocorrncia de epidemia no Haiti, outros pases da Amrica Latina tambm registraram casos da doena. A Repblica Dominicana registrou, de novembro de 2010 a 2014, 31.628 casos suspeitos de clera, com 471 bitos. No Mxico foram registados, no perodo entre setembro de 2013 a junho de 2014, um bito e 190 casos de clera por V cholerae O1. (Atualizao Epidemiolgica OMS de 27/6/2014). Conforme Atualizao Epidemiolgica OMS de 20/3/2014, Cuba registrou 701 casos confirmados de clera, de 2012 a incio de 2014.

importante salientar que iniciativas relacionadas aos servios de saneamento bsico vm contribuindo para a melhoria do quadro epidemiolgico vivenciado pelos pases da Amrica Latina. No Brasil, observa-se que, ao longo dos anos, ocorreu avano na prestao dos servios de saneamento oferecidos populao, conforme demonstra a Pesquisa Nacional de Saneamento (PNSB), realizada no ano 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE, 2010). Entre os componentes do saneamento bsico, destaca-se que o esgotamento sanitrio, constitudo por coleta e tratamento dos efluentes, bem como a garantia do fornecimento de gua para consumo humano de qualidade e em quantidade suficiente minimizam os riscos de transmisso da clera.

7

MOTIVAO PARA A REALIZAO DO MONITORAMENTO AMBIENTAL DO VIBRIO CHOLERAE

De acordo com o Regulamento Sanitrio Internacional (OMS, 2005), cada pas dever desenvolver, fortalecer e manter a capacidade para detectar, avaliar e notificar eventos, alm de determinar rapidamente as medidas de controle necessrias para evitar a propagao nacional e internacional de doenas.

Dessa forma, o monitoramento ambiental rotineiro do V. cholerae em pontos estratgicos, alm de estabelecer vigilncia ativa da circulao do patgeno, mantm toda a rede laboratorial e de vigilncia em

Recommended

View more >