o nada - espectáculo de palco da cim

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3 parte da Trilogia TEMPO, iniciada em 2009 com O Aqui e continuada pel'O Depois em 2010. Criao da CiM - Companhia Integrada Multidisciplinar em co-produo com Guimares 2012 - Capital Europeia da Cultural. Estreou no no GuiDance - Festival Internacional de Dana Contempornea no dia 8 de Fevereiro 2012, Centro Cultural Vila Flor e integrou a programao do 17 FIDR - Festival Internacional de Dana Contempornea do Recife no mbito do programa oficial do Ano de Portugal no Brasil e com o Apoio Internacionalizao das Artes da DGArtes (1 lugar a nvel nacional).

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  • 1O NADAUM ESPECTCULO DE DANA CiM COMPANHIA INTEGRADA MULTIDISCIPLINAR

  • 2

  • 3CiM Companhia Integrada Multidisciplinar

    A CiM Companhia Integrada Multidisciplinar une intrpretes, bailarinos e acto-res com e sem necessidades especiais, promovendo uma abordagem pioneira da criao artstica face incluso, atravs da dana, imagem e som. A CiM procura a diversidade de caminhos e um constante enriquecimento com experincias, onde a multidisciplinaridade surge como impulso de novos mtodos e respostas produo e explorao artsticas. Ana Rita Barata, coregrafa, desenvolve um trabalho prprio focado nas particularidades do movimento e ex-pressividade nicas de cada intrprete, de forma a integrar no palco o que cada um tem como fora. Este mtodo tem sido partilhado com o realizador Pedro Sena Nunes e outros criadores. O trabalho da CiM j foi apresentado em Portugal, Es-panha, Frana, Alemanha, Itlia, Brasil e E.U.A., onde assistiram mais de 43.000 pessoas em 4 anos de actuaes.

    A CiM nasceu em 2007, a partir do projecto Moda H, criado especificamente para participar no Festival Europeu de Moda Adaptada para Pessoas com Defi-cincia, que se realizou em Tours, Frana. Para o incio do projecto foi criada uma parceria entre as associaes, APCL Associao de Paralisia Cerebral de Lisboa, VoArte e o CRPCCG Centro de Reabilitao de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian. A parceria mantm-se e assumiu novos compromissos por parte da direco artstica e executiva, com os intrpretes, tcnicos, instituies e sobretudo para com o pblico, constantemente na procura de novas motivaes, desafios e persistindo na reflexo da arte associada pessoa com necessidades especiais, como meio integrador e de desenvolvimento de competncias.

    A CiM estreou:Espectculos de palco Baton Rouge (2007); ELX (2009); Trilogia Tempo: O Aqui (2009), O Depois (2010) e O Nada (2012); Tempos Modernos (2011)Performances Memria de Peixe (2009) e Waste (2010)Espectculos de rua Sobre Rodas (2008)Instalao vdeo Mergulho (2009)Exposio de desenho Etreo (2009) Em especial o sucesso do espectculo de rua Sobre Rodas um dos projectos que impulsionou a criao artstica da Companhia, e foi visto por mais de 25.000 pessoas em 3 anos e 18 espectculos. A CiM incentiva tambm o desenvolvimen-to sustentado de formao em Dana Inclusiva, com o objectivo de incrementar a conscincia para o potencial expressivo das diferenas no movimento e promover a integrao no seu sentido mais compreensivo.

  • 4OU ENTO

    Ou o silncio ou a vida ou o dia ou a noiteOu o homem que quer apenas respirarOu entoO amanhQue ningum sabe como ser

    Ou entoO nada e o sagrado e o profano e o clix e o lbioOu mesmo o destino

    Ou entoO nada

    Joo Ribeiro

  • 5O NADAEspectculo de Dana Multidisciplinar da CiMDireco de Ana Rita Barata e Pedro Sena Nunes Co-produo Guimares 2012 Capital Europeia da Cultura

    Durao: 50 Classificao etria: M/6

    O Tempo passa num instante, Nada mais entre o cho e o cu

    Espectculo transdisciplinar moldado na ideia e na responsabilidade de se co-municar este tempo do mundo, atravs de uma narrativa potica e fragmentada que tem como ponto de partida um percurso caracterizado no silncio e no eco de um sonho. Concretizado em movimento, palavra, imagem e msica, pretende conjugar a existncia de uma orquestrao conjunta de um corpo colectivo numa paisagem suspensa, espectculo de fuso de autorias vivido na amplitude mxima de cada contributo.

    Nada Nada mais Nada Mais entre o choE o cuPaisagem suspensa no seu dentro Postulado do nada lugar do nadaPaisagem para dentro Da matria Que se esconde do corpo noCorpoVerdade fssil eternidadeNada maisAquiOnde o nada me beija e me Toma e me Leva

    Joo Ribeiro

  • 6INTENESNada vezes doze como as arestas do cubo transparente cheio de nada suspenso entre o cho e o cu

    O Nada uma pea que apresenta o corpo como uma cmara de observao e projecta a leveza e a contradio tratadas nos temas da natureza humana.O Nada enquanto construo reflecte questes tempo-espao e movimento-corpo.

    Tal como as peas O Aqui e O Depois, O Nada rene uma equipa transdis-ciplinar e mantm o tempo como tema principal da trilogia que encerra, num cruzamento de novo de vrias linguagens artsticas. A proposta centra fsica e emocionalmente os corpos na claridade da construo da memria.

    O Nada traa a descoberta de um espao de significados associada s matrias presentes no nosso quotidiano. Paralelo ao tema da pea, Joo Ribeiro escreveu os textos que serviro de base narrativa centrada nas relaes de fascnio e des-coberta entre pessoas quando nada acontece. O espao cnico est povoado de elementos alusivos ausncia de materialida-de. Procuramos uma brancura com forte valor figurativo.

    O Nada parte da vontade de clarificar os labirintos entrepostos das peas O Aqui e O Depois. Procuramos criar um lugar de uma luz imensa com um horizonte preso no infinito.

    O Nada a pujana das subtilezas e dos destinos. O paraso pode nascer todos dias onde entendermos. O paraso no um desfecho, faz-se e desfaz-se cada dia. Tudo pode estar a comear para que acontea alguma coisa.

    O Nada um trabalho espectral, onde os temas devem ser desmembrados. Mag-ma de imagens e sons na procura incessante da criatividade mais fecunda. Bater com uma mo e acalmar com a outra uma possvel suspenso do tempo.

    O Nada um trabalho de criao centrado na pesquisa e na investigao, inves-tigar criar. Temos de evitar seguir regras, temos de aceitar riscos. o resultado da mundividncia do trabalho dos ltimos cinco anos com os intrpretes e cria-dores da CiM. Espectculo propagador de aprendizagens do domnio corporal e sensorial, no qual tudo possvel com a naturalidade perfeita de um simples movimento.

  • 7O Nada uma pea sobre os subterrneos nas alturas, subterrneos no terrao que assenta leve sobre slidas fundaes. O tempo passa num instante, num nada. Esperar no necessariamente ficar espera viver enquanto no acon-tece uma coisa que, afinal, queremos menos do que viver apenas.

    O Nada mais um processo/percurso sem nome, onde muitos intervm e voltam a partilhar a sua fantasmagoria.

    Queremos expressar o nosso agradecimento a todos os que contriburam para este nosso nada.

    Ana Rita Barata e Pedro Sena Nunes

  • 8Procuramos a poltica da transformao do indivduo. Fazemos isso atravs de um ataque frontal s ideias e s memrias dos outros, ao jeito de pensar das pessoas. Recuo reflexivo, defesa que se revela eficiente e preciosa.

    Boa parte do nosso trabalho passa pelo que encontramos representado a partir do que ouvimos. Compassos da nossa percepo e memria.

    Muitas vezes o trabalho a procura do inusitado, por tudo o que no nos soa natural. Essa procura intelectual e afectiva. Criar um espectculo como montar um puzzle de muitas peas.

    Este um espectculo com um tempo limitado de construo e finalizao. A dan-a pode ser a vida, ou a imaginao da mesma, mas preciso ver a vida para continuar a danar e danar para voltar a viver.

    Ser em contra-corrente que estaremos prximos dos ritualismos ainda existentes sobre o atravessamento, a paisagem e a conquista entre as margens. Transformar--nos-emos mais uma vez em nmadas colectores de histrias pela experincia e descoberta do mundo.

    Os espaos tomaro o lugar das aces e das palavras. O sentido ser ajustado medida que nos aproximarmos das intenes do projecto. preciso imaginar o que se esconde no nada, tentaremos desembaraar algumas ideias que no so passveis de dizer por palavras.

    O territrio do nada est representado por espaos distintos, podemos construir o nada a partir de paredes que no existem, grandiosas e frgeis, atravs de frmulas temporais e de espaos suspensos pelo gesto.

    Respondemos a muitas questes com um s corpo. Interpretamos. Exploramos a potica do ar, do vento, do imaterial. Procuramos o prazer e a contradio nas histrias das pessoas que contactamos. Procuramos, na intensidade da descober-ta, o conflito da pea.

    Com este espectculo procuramos revelar a diferena, a nostalgia das diversida-des. Reconhecemos que a comparao o princpio de muitos males e como tal um bom impulsor narrativo.

  • 9DISPOSITIVO CONCEPTUAL E NARRATIVO

    Esta pea vive da integrao do trabalho dos diferentes corpos assim como o cru-zamento das linguagens vdeo, imagem, poesia, msica e som para produzir efeitos sensveis e originais.

    Procuramos edificar um dispositivo que estimule a percepo do encontro entre in-trpretes e pblico. O palco fica despido e abre-se a uma paisagem composta por ilhas e materiais que sugerem os terraos onde cada personagem sonha e deseja.

    Atravs de um processo de leitura / escrita / aco instintiva, as palavras isoladas ou no, articulam-se com as paisagens sonoras e com a evoluo das formas dos corpos at irradiarem mltiplos silncios.

    Um mundo de propostas textuais chega ao corpo e s vozes atravs de contagens, filtragens e respiraes. Sabemos que as imagens quando expandidas no tempo perpetuam diferentes presentes. Este projecto parte de uma reflexo central: a possi-bilidade de tudo o que micro poder ser tambm macro.

    O Nada ser uma plataforma documental encarada como um espao de histrias fragmentadas. Neste dispositivo acredita-se na importncia da imagem do corpo, da msica, da palavra e no conhecimento profundo das coisas.

    Uma invaso de luz organizada horizontalmente, por camadas, sublinha a din-mica do tempo to presente na interligao entre as trs peas O Aqui, O Depois e O Nada.

    Os sons naturais acrescentam a subtileza do que no vemos, mas sentimos e gos-tamos. O Nada por vezes um lugar difcil porque tudo, e por vezes torna-se o mais bvio dos movimentos mas igualmente o mais vazio. Os intrpretes enchem e passam fronteiras para l do nada.

    O Nada proporciona uma viso do mundo a partir de um padro colectivo. E dessa paisagem em