Noturno de Havana

Download Noturno de Havana

Post on 12-Mar-2016

230 views

Category:

Documents

9 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Em Noturno de Havana, o autor oferece uma histria real, matadora e multifacetada do crime organizado, corrpuo, poltica, intensa vida noturna, revoluo, conflitos internacionais que costuraram a dupla histria da Mfia em Havana e o acontecimento que iria ofusc-la: a Revoluo Cubana.

TRANSCRIPT

  • Traduo

    Santiago Nazarian

    Como a M#a conquistou Cuba e a perdeu para a Revoluo

    T. J. ENGLISH

  • Copyright 2007, 2008 T. J. English

    Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrnico ou mecnico, inclusive fotocpias, gravaes ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permisso por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas crticas ou artigos de revistas.

    A Editora Pensamento-Cultrix Ltda. no se responsabiliza por eventuais mudanas ocorridas nos endereos convencionais ou eletrnicos citados neste livro.

    Coordenao editorial: Manoel Lauand

    Capa e projeto gr%co: Gabriela Guenther

    Editorao eletrnica: Estdio Sambaqui

    Foto da capa: Peeter Viisimaa/Collection Ve3a

    Ilustrao da capa: Dani Hasse

    Foto da quarta capa: Be3man/Corbis

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)

    (Cmara Brasileira do Livro, sp, Brasil)

    English, T. J.

    Noturno de Havana : como a m#a conquistou Cuba e a perdeu para a revoluo / T. J.

    English ; traduo Santiago Nazarian. -- So Paulo : Seoman, 2011.

    Ttulo original: Havana nocturne.

    Bibliogra#a.

    ISBN 978-85-98903-28-6

    1. Cuba - Histria - 1933-1959 2. Havana (Cuba) - Condies sociais - Sculo 20 3. Lansky,

    Meyer, 1902-1983 4. Luciano, Lucky, 1897-1962 I. Ttulo.

    11-05169 CDD-364.106097291

    ndices para catlogo sistemtico:

    1. Havana : Cuba : M#a : Histria

    364.106097291

    O primeiro nmero esquerda indica a edio, ou reedio, desta obra. A primeira dezena

    direita indica o ano em que esta edio, ou reedio, foi publicada.

    Edio Ano

    1-2-3-4-5-6-7 11-12-13-14-15-16

    Seoman um selo editorial da Pensamento-Cultrix.

    Direitos de traduo para o Brasil adquiridos com exclusividade pela

    EDITORA PENSAMENTO-CULTRIX LTDA.

    R. Dr. Mrio Vicente, 368 04270-000 So Paulo, SP

    Fone: (11) 2066-9000 Fax: (11) 2066-9008

    E-mail: pensamento@cultrix.com.br

    http://www.pensamento-cultrix.com.br

    que se reserva a propriedade literria desta traduo.

    Foi feito o depsito legal.

  • Em memria de Armando Jaime Casielles

    (1931-2007)

    y para el pueblo cubano

  • E nos meus sonhos eu vejo os representantes da nao danando,bbados de entusiasmo, olhos vendados,seus movimentos tontos, seus movimentos inesgotveis...Entre esse esplendor sinistro, um espectro vermelho deixa sair um cacarejo estridente.Eles danam... Dancem agora, dancem.- Jos Mart, patriota cubano

    Ela sabe rebolar o traseiro, mas no consegue cantar uma droga de uma nota sequer.- Meyer Lansky sobre Ginger Rogers,

    na noite de abertura do Copa Room

    Havana, Cuba, 1957

  • SUMRIO

    Introduo 11

    Parte I: O Mambo da MfiaO Sortudo Lucky 211.

    O 2. Playground da Mfia 47

    El Judio Maravilloso 3. (O Maravilhoso Judeu) 68

    Gente Bem Conhecida 894.

    Razzle-Dazzle 1095.

    O Fantasma de Jos Mart 1306.

    O Paraso do Jogo 1527.

    Parte II: La Engaadora Arrivederci8. , Roma 173

    Um Tiro para 9. El Presidente 195

    Carnaval da Carne 21610.

    Vingana Tropical 23611.

    Uma Mulher Esculpida a Mo 25712.

    O Sol Quase Nasce 27713.

    Pegue a Grana 29714.

    Eplogo 328

    Agradecimentos 338

    Apndice 341

    Notas 342

    Fontes 374

  • INTRODUO

    Em dias e noites de tempestade em Havana, Cuba, o oceano castiga o muro do mar que circunda a margem norte da cidade. On-das batem nas rochas e espirram, molhando a calada, a avenida, os carros que dirigem pelo famoso passeio diante da praia conhecido como Malecn. A gua salgada escorre para dentro, s vezes ocupan-do quase um quarteiro inteiro. Enormes poas escorrem e uem como resultando dos turbulentos ventos que vm do norte Los Nortes, como os cubanos os chamam. Pedestres e carros so forados a usar as ruas internas para evitar as piscinas que se expandem. As guas invadem fendas e rachaduras, mastigando uma infraestrutura j esmigalhada. Em dias e noites assim, como se La Habana estives-se em estado de stio de uma poderosa inundao que ameaa minar o prprio solo na qual essa gloriosa cidade caribenha foi fundada.

    Um sculo atrs, outro tipo de tempestade soprava por essa c-lebre repblica ilhoa. Diferentemente dos ventos tropicais que se formam no Golfo do Mxico e assaltam a cidade pelo norte, o que aconteceu nas dcadas de 1940 e 1950 foi iniciado de dentro da es-trutura econmica e poltica do pas.

    Inicialmente, esse motim parecia ter um lado positivo; se era uma fora maligna, era uma fora maligna que veio trazendo presentes. Por um perodo de sete anos de 1952 a1959 a cidade de Havana foi a bene#ciria de um crescimento e desenvolvimento impressio-nantes. Grandes hotis-cassino, boates, hotis tursticos, tneis e estradas foram construdos num redemoinho de atividades. Non, purpurina, o mambo e o sexo se tornaram marcas registradas de um turismo prspero. A seduo do jogo organizado, junto com famo-sos espetculos em nightclubs e belas mulheres trouxeram um uxo de dinheiro para a cidade.

  • 12

    O brilho, a sensualidade e os pontos de entretenimento de Ha-vana eram as mais bvias manifestaes da tempestade que se for-mava. As espalhafatosas casas de apostas, corridas de cavalo e shows de sexo trouxeram os turistas e criaram um verniz de prosperida-de, mas a verdadeira fora por trs do redemoinho vinha das costas americanas por natureza.

    A fabulosa vida noturna foi um atrativo usado pelo governo de Cuba para atrair investidores estrangeiros, a maioria dos Estados Unidos. Os recursos mais preciosos do pas acar, leo, madeira, agricultura, re#narias, instituies #nanceiras e servios pblicos estavam todos venda. O capital estrangeiro lavava a ilha. Atravs dos anos ps-Segunda Guerra e pelos anos 1950, investimentos di-retos dos EUA em Cuba cresceram de 142 milhes de dlares para 952 milhes no #nal da dcada. A extenso do interesse americano em Cuba era tamanha que essa ilha, mais ou menos do tamanho do estado do Tennessee, estava em terceiro lugar entre as naes do mundo que mais recebiam investimento americano.

    A imensido #nanceira que se derramava sobre Cuba podia ter sido usada para cuidar dos inamados problemas sociais do pas. Fome, analfabetismo, moradias sub-humanas, uma alta taxa de mor-talidade infantil e a desapropriao de pequenos fazendeiros eram os fatos da vida em Cuba pela histria turbulenta da ilha. verdade que Havana tinha um dos padres de vida mais altos de toda Am-rica Latina, mas essa prosperidade no era espalhada homogenea-mente pela nao. E enquanto a dcada acabava, o abismo entre os que tinham e os que no tinham continuava a aumentar.

    Para aqueles que se importavam em olhar abaixo da superfcie, era aparente que a impressionante sorte econmica de Cuba no estava sendo usada de acordo com o interesse do povo, e sim para estufar as contas dos bancos particulares e carteiras de um poderoso grupo de polticos corruptos e investidores americanos. Esse alto comando econmico seria conhecido como a M#a de Havana.

    um fato histrico e tambm fruto de considervel folclore em Cuba e nos Estados Unidos que a M#a de Havana continha algumas das mais notrias #guras do submundo da poca. Charles

  • 13

    Lucky Luciano, Meyer Lansky, Santo Tracante, Albert Anastasia e outros gngsteres que vieram para Havana no #nal dos anos 1940 e 1950 eram homens que haviam a#ado suas habilidades e junta-do ou herdado sua riqueza durante os gloriosos dias da Lei Seca nos Estados Unidos. Esses ma#osos sempre sonharam em um dia controlar seu prprio pas, um lugar onde eles pudessem dominar o jogo, drogas, bebidas, prostituio e outras formas de vcio, livres do governo ou interferncia da lei.

    Jogos e diverso eram apenas parte da equao. A ideia formula-da por Luciano, Lansky e outros era de que Havana servisse como frente para uma pauta ainda mais ambiciosa: a criao de um estado criminoso cujo produto nacional bruto, fundos de penso da unio, servios pblicos, bancos e outras instituies #nanceiras iriam se tornar os meios de lanar mais empreendimentos criminosos pelo globo. A M#a de Havana poderia ento enterrar os lucros dessas operaes criminosas sob a ptina de um governo legtimo em Cuba e ningum poderia toc-los.

    O desenvolvimento poltico na ilha teria um grande papel em de-terminar o destino da M#a em Cuba, mas seus esforos tambm fo-ram moldados por eventos anteriores. Luciano e Lansky podem ter desejado estabelecer Cuba como base de operaes desde os anos 1920, mas a histria algumas vezes entrou no caminho. Viradas eco-nmicas, guerras e os esforos da lei americana causaram recuos e mudanas de estratgia. O plano no foi colocado em prtica em sua forma #nal at os anos ps-guerra do #nal dos anos 1940, e mesmo ento houve interrupes. Muito do nus iria cair sobre Lansky, que iria desenvolver boa parte de sua vida adulta estabelecendo as rela-es e trazendo o mpeto necessrio.

    Nos anos 1950, o plano pareceu estar dando frutos. Com fora de vontade, uma organizao astuta e o esperto uso de represso po-ltica, violncia e assassinato, os ma#osos aparentemente conquis-taram seu sonho. Havana borbulhava e efervescia. O dinheiro que ua de enormes hotis-cassinos foi usado para construir boates que atraiam grandes artistas cubanos, americanos e europeus. Uma era fabulosa foi criada talvez a mais orgnica e extica era do