mÚsculo esquelÉtico 2

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RADIOLOGIA MUSCULO-ESQUELÉTICA II Prof. Rodrigo Aguiar Este capítulo focará principalmente as patologias ósseas e articulares, que podem ser divididas em doenças traumáticas, inflamatórias, infecciosas, degenerativas e tumorais. Em grande parte dos casos, o estudo radiológico convencional é o necessário para o diagnóstico correto. Contudo, em alguns casos torna-se necessário o uso de outros métodos de imagem, incluindo o ultrasom, tomografia computadorizada e ressonância magnética.TRAUMAA gra

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RADIOLOGIA MUSCULO-ESQUELTICA II Prof. Rodrigo Aguiar Este captulo focar principalmente as patologias sseas e articulares, que podem ser divididas em doenas traumticas, inflamatrias, infecciosas, degenerativas e tumorais. Em grande parte dos casos, o estudo radiolgico convencional o necessrio para o diagnstico correto. Contudo, em alguns casos torna-se necessrio o uso de outros mtodos de imagem, incluindo o ultrasom, tomografia computadorizada e ressonncia magntica.

TRAUMAA grande maioria das consultas mdicas de urgncia est relacionada a traumatismo. Neste tipo de situao o estudo radiolgico o principal mtodo diagnstico, reservando-se geralmente a tomografia para avaliar fraturas complexas e complicaes, principalmente no esqueleto axial. Existem sries bsicas de trauma para as diversas regies avaliadas. Como regra, as incidncias frontal e perfil (ou oblqua) so requisitadas, pois em alguns casos, a fratura pode ser identificada somente em uma das incidncias, enquanto nas outras o estudo encontra-se normal (fig. 1 e 2).

F ig u ra 01. F rat u ra d a d if ise d o III met acarp o ( setas) v isv el ap en as n a in cid n cia em p e rf il ( B) . In cid n cia f ro n t al ( A)

F ig u ra

02.

F rat u ra

da

cab ea

do

r d io ,

co m

ext en so

in t ra- art icu lar,

id en t if icad a ap en as n a in cid n cia o b lq u a ( set a) , en q u an t o as in cid n cias f ro n t al ( A) e p erf il ( B) en co n t ram- se n o rma is.

O

radiologista

enfrenta

um

dilema

no

paciente

traumatizado.

O

reconhecimento da fratura. Embora isso parea simples, requer que o profissional tenha um detalhado conhecimento anatmico da regio para no confundir variaes anatmicas normais ou superposio de outras patologias com a leso traumtica (fig. 3).

F ig u ra 3. In cid n cias o b lq u as d e p s d e p acien t es d if eren t es. Em A n o t e a f rat u ra n a b ase d o V met at arso ( set a) ext en den d o - se su p erf cie art icu la r, en q u an t o em B n o te o cen t ro d e o ssif icao secu n drio ( cr cu lo ) d a b ase d o V met at arso ( v aria o d a n o rmalid ad e)

As fraturas so solues de continuidade do osso. Podem ser classificadas de diversas formas: FRATURA COMPLETA X INCOMPLETA (fig. 4 e 5) Fratura completa aquela que apresenta soluo de continuidade de toda a espessura ssea, enquanto a incompleta ainda preserva alguma parte do osso sem leso, geralmente ocorrendo em crianas (fratura em torus e galho verde).

F ig u ra 4. Co n ceit o : F rat u ra co mp let a X in co mp let a.

A

B

C

F ig u ra 5. ( A) F r at u ra co mp let a d a d if ise t i b ial; (B) F rat u ra in co mp let a d a d if ise rad ial e u ln ar. No t e q u e p art e d as c o rt icais d o rd io e mero n o est o f rat u rad as; ( C) F rat u ra t ip o t o ru s . No t e apen as u ma lin h a escle r t ica ssea d o rd io a sso c iad o a u m ab au lamen t o d a co rt ical ( set as) .

TRAO DE FRATURA (fig. 6) Existem traos de fratura de diversas formas. Linear, oblquo, espiral, em asa de borboleta e cominutiva. Este ltimo tipo de trao de fratura a que apresenta maior dificuldade de tratamento e consolidao, pois no foco fraturrio sseo encontra-se fragmentado em diversos pedaos. Como regra, quanto mais linear o trao de fratura, melhor a aposio entre os fragmentos e mais rpida ser a consolidao.

Fig u ra 6. Alg u n s t ip o s d e d ire o d e t rao d e f rat ura.

DESVIADA X NO DESVIADA (fig. 7) Os fragmentos de uma fratura podem estar desviados. O desvio sempre referido com relao ao fragmento distal da leso. Os desvios podem ser angulares, rotacionais ou do comprimento sseo. O estudo com incidncias perpendiculares importante para avaliar o desvio, pois pode passar como normal em uma determinada incidncia e somente ser identificado na outra incidncia.

F ig u ra 7. Co n ceit o s : T ip o s d e d esalin h amen t o d e f rat u ras.

INTRA-ARTICULAR X EXTRA-ARTICULAR Deve-se estar atento se o trao de fratura compromete a superfcie articular ssea. Nestes casos, o alinhamento dos fragmentos deve ser o mais congruente possvel para evitar perda da amplitude do movimento articular ou artrose precoce.

FRATURA PATOLGICA (fig. 8) Fratura patolgica aquela que ocorre em um osso previamente doente, com uma fora que um osso normal suportaria. Em grande parte dos casos este tipo de leso ocorre em casos de pacientes osteoporticos ou com leso tumoral associada. As margens da fratura devem ser avaliadas para averiguar se as mesmas se completam, como em um quebra-cabea. Se isso no for possvel, a possibilidade de leso associada deve ser considerada.

F ig u ra 8. Co n ceit o s d e f rat u ra p o r est r ess e e p at o l g ica.

FRATURA POR ESTRESSE (fig. 8) Este tipo de fratura ocorre em um osso saudvel submetido uma carga constante e repetitiva (figs. 9 e 10). Geralmente associado a atletas com ritmo de treinamento intenso e pacientes sedentrios que resolvem comear uma nova atividade fsica ou que mudam ou aumentam bruscamente a carga de treino.

F ig u ra 9. Ev o lu o d e f rat u ra p o r e st ress e n o t ero md io d a d if ise t ib ial. No t e em A a p rese n a d e reao perio s t eal e u ma lin h a t ransp aren t e p o uco d ef in id a n a co rt ical tib ial. Alg u n s d ias d e p o is se o b serv a melh o r a lin h a de f rat u ra co rt ical.

F ig u ra 10. L in h a d e f r at u ra esc ler t ica n a t u b ero sid ad e p o st erio r d o calc n eo in d ican d o u ma f rat u ra p o r est res se.

FRATURA-LUXAO Alm da leso ssea propriamente dita (fratura), o paciente apresenta uma perda do alinhamento articular (figs. 11 e 12) Quando esta perda parcial, denomina-se subluxao, e quanto total, luxao. Nestes casos, alm da leso ssea definida, o paciente apresenta uma srie de leses ligamentares e de estruturas intra-articulares associadas.

A

B

F ig u ra 11. A F rat u ra- lu xao ( su b lu xa o ) an t ero - in f erio r g len o - u meral. No t e as lin h as d e f rat u ra d a cab e a u meral asso ci ad o a u ma p erd a d o alin h amen t o art icu lar co m a g len id e. B L u xao an t ero- in f erio r d a cab e a f emo ral em r elao a o acet b u lo d ev id o u m t rau ma d e alt a en erg ia.

A

B

Figura 12. Fratura-luxao do tornozelo. Nota-se fratura da difise distal da fbula, do malolo medial da tbia e rotura (distase) da articulao tbio-fibular proximal, associado a luxao tbio-talar.

CONSOLIDAO SSEA NORMAL

A velocidade normal da consolidao ssea da fratura varia conforme algumas variveis, incluindo a idade do paciente, as condies do osso fraturado, o grau de imobilizao ou o tratamento empregado. Mas, em geral, a linha de fratura se consolida atravs de reao ssea endosteal e periosteal, formando um calo sseo na regio da fratura, com um desaparecimento gradual da linha fraturaria (fig. 13).

A

B

F ig u ra 13. Co n so lid a o sse a n o rmal. N o t em o d esapar ecime n t o g rad u al d a lin h a d e f rat u ra ass o ciad o a f o rmao d e calo sseo n a reg io n a d if ise f emu ral ( A) e rd io e u ln a d ist ais ( B)

COMPLICAES So diversas as complicaes do trauma. Infeco superposta, principalmente em pacientes que apresentam fratura exposta (fig. 14).F ig u ra 14. In f eco ssea ap s f rat u ra n o t ero d is t al d o f mu r, co mp ro met en d o a c o n so lid ao e lev an d o co m a u ma n o - u n io e sclero s e ssea d as

acen t u ad a

marg en s f rat u rad a s co m f o rmao h ip ert r f ica d e calo sseo , co n t u d o sem f o rmao d e p o n t es sseas

co mp let as.

Desvio ou deformidade do membro (fig. 15).F ig u ra 15. ( A) da de F r at u ra t b ia f o rma do e t ero f b u la, e rrad a, md io - d ist al co n so lid ad a

lev an d o a u ma d ef o rmid ad e an g u lar ssea. ( B) a O u ma p acien t e ciru rg ia foi p a ra

su b met id o

co rre o d a d ef o rmid ad e, h av en d o ag o ra alin h amen t o s at isf at rio d as est ru t u ras sse as.

Dficit de crescimento sseo Artropatia degenerativa secundria (fig. 16).

Figura 16. paciente com seqela de fratura e luxao gleno-umeral, mostrando importante reduo do espao articular e ostefitos marginais, mais

evidente na margem inferior do mero.

Miosite ossificante (fig. 17).

A

B

F ig u ra 17. M io sit e ssif icant e. Em A n o t e a d en sif ica o d e p art es mo les adjacen t es a u ma reg io t rau mat iz a d a, co m cal cif ica o na t o p o g raf ia,

co rresp o n d en d o a f ase in ici al d a mio sit e o ssif ican te. Em B n o t e u ma mio sit e o ssif ican t e em u ma f ase av an ad a, co m o ssif icao d e p art es mo les adjacen t e a u ma leso t rau mt ic a p rv ia.

Reduo da amplitude de movimento articular, com perda funcional do membro.

Osteonecrose (fig.18).

F ig u ra 18. O st eo n ecr o se d o t ero md io e p ro ximal do esc af o id e d ev id o a f rat u ra p rv ia. Dev id o in su f icin cia v ascu lar ca u sad o p ela f rat u ra, o o sso n ecro sad o en co n t ra- se mais esc ler t ico d eco rr en t e da f alt a d e v aso s san g u n eo s n o rmais p ara a r eab so r o d o o sso lesado .

Distrofia Simptico-Reflexa (algoneurodistrofia) (fig. 19).

Figura 19. Paciente com histria prvia de trauma no tornozelo mostrando uma intensa osteopenia comprometendo os ossos do p e tornozelo, em uma rea onde no houve diretamente a fratura. Uma das causas relacionadas esta doena seria uma irregularidade da atividade do sistema nervoso simptico, levando a uma maior vascularizao local e reabsoro ssea.

Pseudoartrose (fig. 20) - Quando a fratura no consolida, com a formao de uma neoarticulao