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4O COLQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMNIO E PROJETO Belo Horizonte, de 26 a 28 de setembro de 2016

MOBILIRIO URBANO EM REAS HISTRICAS: Interrelaes intrnsecas na paisagem cultural de Lisboa e Salvador

SILVA, EDER D. (1); NOGUEIRA, ADRIANA D. (2)

1. Universidade Federal de Sergipe. Departamento de Arquitetura e Urbanismo

Rua Samuel de Oliveira, s/n. Laranjeiras/SE eder@infonet.com.br

2. Universidade Federal de Sergipe. Departamento de Artes e Design Cidade Universitria Prof. Jos Alosio de Campos. So Cristvo/SE

adnogueira@gmail.com

RESUMO

Os mobilirios urbanos atendem situaes de uso cotidiano como bancos de descanso, abrigo, banquetas e mesas, quiosques multifuncionais, sanitrios; coletores de lixo, postes, placas de sinalizao, totens informativos, floreiras, protetores de rvores, relgios, termmetros, telefones pblicos, canaletas e pisos, etc. Esta comunicao compara o mobilirio urbano existente na Baixa do Chiado na cidade de Lisboa em Portugal aos do Centro Histrico da cidade de Salvador no Brasil. Interrelaes intrnsecas na forma/implantao/fruio desses objetos, so pontuadas nestas reas histricas urbanas, a partir da anlise da ordenao, preservao; manuteno; ergonomia; poluio visual; ergonomia relacionada a portadores de necessidades especiais; publicidade e propaganda; projeto do produto; uso e aplicao de cores; falso histrico, dilogo ou no dilogo com o pr-existente histrico, efemeridade, mobilidade, vandalismo, etc.; demonstrando a diversidade e a complexidade do Design na organizao/informao/controle/vivncia/gesto dos espaos pblicos no mundo contemporneo expresso de forma isolada e em conjunto na Paisagem Cultural.

Palavras-chave: Mobilirio; Design; Patrimnio.

4O COLQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMNIO E PROJETO Belo Horizonte, de 26 a 28 de setembro de 2016

Introduo

As cidades so constitudas de estruturas complexas e multifacetadas, entretanto, pelo senso

comum, dois espaos so reconhecidos, os espaos privados ou de domnio individual -

propriedades particulares (Meirelles, 2000, p. 17-27), e os espaos pblicos ou de direito de

uso pblico ou de interesse pblico praas e jardins pblicos, vias pblicas, reas de lazer

pblicas, locais pblicos de uso comum, etc. (Afonso da Silva, 2000). Os espaos privados e

pblicos necessitam de instrumentos de controle, organizao, informao, leitura e gesto.

Esses instrumentos so de vrias ordens, por exemplo, a legislao de uso e ocupao do

solo, os planos diretores, etc., mas, para que ocorra um relacionamento equilibrado entre

esses instrumentos e os usurios dos espaos pblicos, existem equipamentos especficos

que acomodam condies de usabilidade, acessibilidade, informao e aplicabilidade, os

quais so denominados de mobilirios urbanos.

Os mobilirios urbanos atendem situaes de uso cotidiano como bancos de descanso,

abrigo, banquetas e mesas, quiosques multifuncionais, sanitrios; mas tambm servem ao

adequado funcionamento das atividades de uma cidade (Mouth, 1998, p. 10-13), so

coletores de lixo, postes, placas de sinalizao, totens informativos, floreiras, protetores de

rvores, relgios, termmetros, canaletas e pisos, etc. (Afonso da Silva, 2000, p. 300).

Trabalhar o mobilirio urbano em qualquer espao pblico requer preocupaes com todos os

condicionantes de Design prprios ao projeto desse equipamento, mas trabalhar o mobilirio

urbano em Cidades Histricas requer tambm outras preocupaes, pois envolve simbologia,

percepo, antropologia, histria, etnografia, preservao, falso histrico, patrimonialidade,

visibilidade, identidade e memria.

Esta comunicao pretende vislumbrar o conhecimento terico da produo destes

equipamentos em duas cidades possuidoras de diversos contrastes

sociais/econmicos/geogrficos, mas com expressivos elos de conexo cultural/histrica;

atentando para um processo de globalizao que, ao mesmo tempo, que aproxima as

relaes humanas acentua suas diferenas (Santos, 2000); portanto, foram desenvolvidas

pesquisas de mobilirios urbanos na rea histrica da cidade do Salvador comparadas ao da

Baixa do Chiado em Lisboa; identificando critrios de Design, entre os quais a ordenao,

preservao e manuteno; a ergonomia (Granjean, 1998); poluio visual (Frutiger, 1999);

ergonomia relacionada a portadores de necessidades especiais; publicidade e propaganda;

projeto do produto (Baxter, 1998); uso e aplicao de cores (Farina, 1994); design grfico - no

caso das sinalizaes e informaes (Baer, 1999).

4O COLQUIO IBERO-AMERICANO PAISAGEM CULTURAL, PATRIMNIO E PROJETO Belo Horizonte, de 26 a 28 de setembro de 2016

Nestas duas paisagens culturais, a Baixa do Chiado e o Pelourinho, aparentemente

formadas por mundos diferentes, o mobilirio-urbano, como pontuaes gramaticais da

escrita e linguagem, produzem interrogaes, exclamaes, pausas, finalizaes, etc.;

determinando, organizando, controlando e direcionando os percursos nos espaos urbanos

vivenciados pelo observador fruidor (Choay, 1999, p. 196); conhec-los e compar-los

tornam-se, portanto, fundamentais para compreender a diversidade e a complexidade do

Design na paisagem cultural do mundo contemporneo e sua implantao em reas histricas

urbanas.

Mobilirio urbano em Lisboa

De acordo com o escritor Olmpio Neves Gonalves no seu estudo Lisboa luz dos seus

arcanos (Revista Graal, n0 2/3, 1982 apud Adrio, 2015, p. 09-14) Lisboa a cidade da velha

Me Lusiana, a companheira do deus Lug, a grande deusa dos Ligures e dos Celtas, a Boa

Lusi ou Lusina, a Lusibona, a Lisibona; lugares (lug + ara, altar de Lug); com montanhas, rios

e pedras sagradas; Lisboa como todas as cidades das sete colinas considerada pela

tradio como lugar sagrado; vrios achados arqueolgicos indicam a presena humana

desde de 400 mil anos a.C.; sua localizao geogrfica sempre determinou um entreposto

comercial (Alis Ubo baa amena e Tagus Tejo, para os fencios); no Perodo Romano

atinge o estatuto de municipium e denominada Olisipo (Lisboa).

Para a anlise do mobilirio urbano de Lisboa foi determinado um percurso que inclua o

Largo do Chiado, a Praa Lus de Cames, a Praa do Comrcio, as proximidades do Castelo

de So Jorge e das Portas do Sol, uma vez que este caminho produz significados que se

incidem sobre o observador usurio fazendo com que ele necessite de elos de organizao,

informao e classificao para vivenciar a paisagem urbana histrica (Cullen, 1971, p. 135).

Uma das questes positivas verificadas no mobilirio urbano de Lisboa se refere s placas de

logradouros pblicos, apresentam-se de forma padronizada com pouqussimas diferenas,

em material que se remete ao dilogo com as cores e a atmosfera histrica do espao urbano.

As placas de sinalizao de trnsito em certos locais atrapalham o deslocamento dos

pedestres, bem como em outros, sua implantao torna-se inevitavelmente inadequada. As

bancas de jornal e revistas esto mais presentes nas proximidades da Rua Augusta, nas ruas

paralelas e no dificultam a passagem dos pees (pedestres), entretanto, no Largo do Chiado

no ocorre este cuidado (Figura 1). Estes mobilirios, especialmente as sinalizaes de

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trnsito, deveriam atentar ao que Munari (1981, p. 350) denomina de princpios da proxmica,

ou seja, permitir uma convivncia tranquila entre o indivduo e a cidade.

Figura 1 (esquerda acima): Placa de logradouro pblico Largo do Chiado, material mrmore; (centro acima): Placa Logradouro Praa Lus de Cames, material azulejo; (direita acima): Logradouro Praa do Comrcio, material mrmore; (esquerda abaixo): Sinalizaes de trnsito disputando o espao com pees e outros equipamentos; (centro abaixo): Sinalizao de Trnsito em frente Catedral da S, apesar de necessria a organizao/controle do espao no dialoga com o existente histrico; (direita abaixo): Banca de Jornal/revistas no Largo do Chiado, implantao inadequada. Fotos: autores, ago. 2014.

Os totens informativos e as placas de locais histrico/tursticos apesar de serem encontrados

em pouca quantidade, esto posicionados em locais estratgicos que permitem o que se pode

chamar de informar um percurso histrico, portanto, atendem sua funo de indicar os locais

sem ocasionar poluio visual; uma nica crtica ficou por conta da dificuldade de localizar a

placa de sinalizao de trnsito mais antiga de Lisboa, entretanto, um caso muito especfico

que no altera o bom projeto deste mobilirio. J os telefones pblicos expuseram um

problema de projeto de design que envolve o conceito de usabilidade (Iida, 2005, p. 320), ou

seja, o tamanho e a forma ocasionam dificuldades aos pees que passam prximos ao

equipamento, bem como, sua utilizao apresenta alta transposio dos rudos para o

usurio. A paginao de piso em pedras portuguesas mosaicos estampam desenhos

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curvos e referncias a brases, contudo, apresentam as mesmas problemticas de

usabilidade da cidade de Salvador, ou seja, irregularidades e pequenos buracos (Figura 2).

Figura 2 (esquerda acima): Placas de indicao histrico/tursticas na Rua do Alecrim; (centro acima): Totem informativo no Arco do Triunfo na Praa do Comrcio; (dire