Mineral Ogi A

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  • Mineralogia Geral

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    Curso Tcnico de Nvel Mdio Subseqente

    em Minerao

    Mineralogia

  • Mineralogia Geral

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    CENTRO FEDERAL DE EDUCAO TECNOLGICA DO RIO GRANDE DO NORTE

    APOSTILA DE MINERALOGIA

    2007

  • Mineralogia Geral

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    Apresentao da Disciplina Mineralogia

    Prezados Estudantes,

    Bem vindos disciplina Mineralogia.

    A Mineralogia a cincia que trata do estudo minerais, que so recursos naturais utilizados desde os

    primrdios da histria da humanidade, sendo importantes no desenvolvimento tecnolgico dos dias atuais e

    para o futuro.

    A assimilao adequada dos contedos apresentados em nosso curso depender do entendimento

    prvio dos assuntos abordados na disciplina Geologia Geral, j que os minerais so um dos constituintes mais

    importantes presentes na crosta terrestre e detentores de preciosas informaes sobre a origem e evoluo da

    Terra.

    Apesar de muitas vezes ignorados, os minerais esto presentes em nosso cotidiano, faltando apenas o

    despertar da percepo de cada um, sendo umas das metas que pretendemos alcanar ao final do curso pro-

    posto, abordando-se os seguintes temas gerais: breve histrico da utilizao dos minerais desde as primeiras

    descobertas, mostrando a evoluo da Mineralogia como cincia; os minerais (conceito, principais proprieda-

    des, identificao e importncia dos minerais mais comuns, classes mineralgicas, origem dos minerais, utili-

    zao de tabelas determinativas a partir de estudos macroscpicos dos minerais).

    Esperamos que todos possam desenvolver um excelente trabalho aproveitando a oportuni-

    dade para ampliar seus conhecimentos e que toda essa aprendizagem possa contribuir efetivamente para o

    desempenho de suas funes junto sociedade brasileira.

    EQUIPE DE ELABORAO

    Professoras Narla Sathler Musse de Oliveira Rosiney Arajo Martins

  • Mineralogia Geral

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    Plano de estudo

    Mineralogia

    Carga horria de dedicao:

    120 horas

    OBJETIVO GERAl Compreender a origem, formao, propriedades fsicas e qumicas, classificao e o uso dos minerais, bem como a distribuio na Terra e identificao macroscpica de minerais mais comuns.

    EMENTA:

    Principais conceitos Importncia econmica dos minerais e elementos qumicos; Noes de cristalografia e cristaloqumica; Propriedades fsicas e qumicas dos minerais; Classes mineralgicas; Mineralogia descritiva;

    OBJETIVOS ESPECFICOS

    Apresentar a Mineralogia como uma cincia e sua interligao com a Geologia; Reconhecer os principais minerais constituintes da crosta terrestre e a importncia econmica; Identificar minerais atravs de propriedades fsicas e tabelas de identificao; Classificar minerais a partir da frmula molecular; Reconhecer as principais assemblias mineralgicas de rochas gneas, sedimentares e metamrficas; AVALIAO DO MDULO

    Ao final das atividades desenvolvidas durante momento presencial, haver uma avaliao, individual, escrita, versando sobre questes abordadas nos contedos estudados.

  • Mineralogia Geral

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    1. INTRODUO

    1.1. CONCEITO DE MINERALOGIA

    Definio: A mineralogia pertence as cincias geolgicas e estudam a composio da crosta terrestre. O nome dessa cincia significa literalmente Cincia dos Minerais, que trata dos aspectos descritivos e genti-cos dos minerais e suas associaes.

    1.2. HISTRICO

    Para sobreviver, os homens primitivos tiveram de aprender muito sobre o planeta no qual viviam. Tiveram de encontrar cavernas para se refugiar e fontes de gua doce para beber. Precisaram de minerais e rochas para fabricar armas e ferramentas e terras (argilas) com diferentes cores para poder se enfeitar e deco-rar suas habitaes.

    fabricavam-se artigos de uso cotidiano (martelos, lanas, potes, etc.) feitos de quartzo, obsidiana, cal-cednia, slex e tremolita (Figura 1).

    No Rio Grande do Norte, existem vrios stios arqueolgicos com indicativos de ocupao pelos homens pr-histricos. Em Lajedo Soledade, Apodi, Carnaba dos Dantas, Parelhas e em todo o litoral do estado, podem ser observados pinturas rupestres e locais de escavao onde foram encontrados vrios mate-riais lticos (Figura 2).

    1.2.1. GRANDES CIVILIZAES DA ANTIGIDADE: Chinesa, Egpcia, Hindus, Mesopot-micos, Gregos, Romanos, etc., utilizavam a maleabilidade dos metais, exploravam e processavam depsitos de Au, Ag, Cu, Sn, Pb, Hg, Fe e pedras preciosas. Um destaque especial deve ser dado a Aristteles (384 382 a.C.), que ofereceu os primeiros escritos sobre os corpos naturais inorgnicos classificando-os em quatro elementos bsicos: Terra, gua, Fogo e Ar, a partir dos quais se originariam todas as substncias.

    1.2.2. IDADE MDIA: Grande avano na minerao no Oriente, Amrica Central e Europa; o conhecimento emprico dos minerais sintetizado pelo rabe Avicenna (980 1057), que props a seguin-te classificao: (1) pedras e solo; (2) metais substncias fundveis; (3) fsseis sulfricos combustveis; e por fim, (4) sais substncias solveis. Neste perodo os Alquimistas deram enormes contribuies ao desenvolvimento da Minera-logia; com a busca incessante pela Pedra Filosofal e o Elixir da longa Vida acabavam descobrindo novas substncias e novas fontes minerais. Alquimistas rabes foram responsveis pela descoberta dos lcalis (compostos de oxignio e metais alcalinos, como o sdio e o potssio) e de tcnicas de destilao. O alemo

    Figura 1 - Da esquerda para direita: Instrumento de "pedra" confecciona-dos atravs de percusso direta, per-cusso indireta e lascagem por presso Estes instrumentos eram usados para raspar, cortar e furar. Fonte: O homem fssil. Michael H. Day. 1993. Edio Melhoramentos.

    Figura 2 - esquerda, pintura rupestre de Lajedo Soledade - RN. Pintura sobre rocha carbontica. A cor predominante a vermelha (ferro?). Foto da autora. direita, machado lascado em arenito silici-ficado, comprimento aproximado de 11 cm com idade aproximada de 4.650 anos. Encontrado no Stio Camargo-Piraj-SP. (Fonte: Pr-Histria no Brasil. Revista Cincia Hoje. Vol.4. No 19. Julho/Agosto-1985. Pg. 35.

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    Theophrastus Philipus Aureolus von Hohenheim, mais conhecido como Paracelso, foi o primeiro na Europa a citar o zinco e a usar a palavra "lcool".

    1.2.3. RENASCENA: surge a urbanizao, a industrializao, inveno de armas de fogo, desen-volvimento das cincias naturais e a introduo do termo MINERALOGIA (latim MINERO = depsito e LOGIA = estudo) pelo italiano Bernard Cesi. Logo aps, Georgius Agrcola (1494 1555, Alemo) classifi-cou os minerais com base nas suas propriedades fsicas e morfolgicas como: dureza, densidade, cor, transparncia, odor e clivagem.

    1.2.4. MEADOS DO SCULO XVIII: Fundao da Academia de Minerao em Feiberg ( A. G.

    Werner, Alemo) e Academia de Cincias na Rssia (M. V. Lomonsov; V. M. Severgin e Steno, Rome de Lisle).

    1.2.5. SCULO XIX: A mineralogia atinge o status de cincia independente, favorecidas pelo grande avano da cristalografia ( Hally, Wollaston, Goldschmitdt). 1822 Mohs introduz a escada de dureza dos minerais. 1826 J. Berzelius acrescenta os grupos dos xidos, silicatos, sulfatos, haletos, carbonatos e sais. 1848 Bravais apresenta os 14 retculos cristalinos. 1858 H. Sorby (Ingls) inventa o microscpio de polarizao. 1895 W. K. Roentgen descobre os Raio X.

    1.2.6. SCULO XX: Desenvolvimento da Radiocristalografia ( Max Von Laue, W. H. Braag e W. L. Braag), com implicao direta no aperfeioamento da Cristalografia, qumica e Mineralogia.

    Atualmente existem mtodos refinados que permitem visualizar a estrutura tridimensional dos cris-tais/minerais alm da anlise de variaes qumicas em escala micromtrica.

    1.3. PRINCIPAIS CONCEITOS

    1.3.1. MINERAL: - "mineral um slido homogneo, de ocorrncia natural, formado inorgani-camente, com uma composio qumica definida e arranjo interno organizado" definio de Klein & Hurlbut (1993) SLIDO HOMOGNEO - formado por uma nica fase slida, no podendo ser separado em

    compostos mais simples por nenhum processo fsico, figura 3. NATURAL - No podem sofrer a ao direta ou indi-

    reta do homem, durante a sua formao. Nestes termos teremos que a halita (NaCl ou sal de cozinha) s ser mineral se cristalizado na natureza. Aquele cristalizado em casa ou nas salinas por ao do homem, apesar de ser idntico ao primeiro no mineral.

    Para saber mais! Por ser o lugar do planeta mais propcio extrao do sal marinho (NaCl, cloreto de sdio ou halita), com sol constante e dez meses sem chuva, o trecho do Rio Grande do Norte, que compreende Macau, Areia Branca, Grossos e Galinhos, se tornou o maior produtor de sal do Brasil. Destas cidades saem 90% da extrao Nacional. O mar des-te trecho tem guas verdes, calmas, mornas e a maior salinidade do planeta, s perdendo para o Mar Morto. 8.000 homens trabalham nestas salinas. A seqncia do sal at a nossa mesa a seguinte: A gua do mar represada em tanques chamados de baldes. Durante 6 meses esta gua passa de um balde para outro at evaporar. Forma-se uma crosta de 20 cm de sal que colhida por uma mquina semelhante aquelas que varrem as neves das ruas. O sal levado at as esteiras lavadoras. A seguir o sal curado em pilhas de at 12 m de altura. Escavadeiras tiram o sal da pilha e o levam para os navios ou caminhes.. O sal transformado em sal refinado. (Revista Terra,

    Abril de 1999). INORGNICO - No pode ter a ao de animais ou vegetais, ou seja de organismos vivos. Assim a

    prola, o mbar, o petrleo, etc.,