medresumos 2016 neuroanatomia 22 - ossos do crânio

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  • Arlindo Ugulino Netto MEDRESUMOS 2016 NEUROANATOMIA

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    OSSOS DO CRNIO

    Em memria do Professor Roberto Guimares Maia (1972 - 2012)

    O crnio, como um todo, representa o conjunto de estruturas que constituem o arcabouo sseo da cabea. Consiste, portanto, em uma srie de ossos que na sua maioria esto unidos entre si por articulaes imveis, com exceo feita apenas para a mandbula, que se articula com o osso temporal por articulao sinovial (mvel), a articulao tmporo-mandibular (ATM). O crnio est constitudo de 22 ossos (28 se contarmos com os ossculos do ouvido) e dividido para estudo anatmico em duas pores: (1) uma ntero-inferior, constituda por 14 ossos, denominada de viscerocrnio devido relao que mantm com a

    parte proximal de diversos sistemas viscerais; (2) e outra poro pstero-superior, responsvel por delimitar a cavidade craniana, a qual aloja o encfalo e o segmento proximal dos nervos cranianos, sendo denominada de neurocrnio devido relao que mantm

    com essas estruturas, constitudo, por sua vez, pela reunio de 8 ossos.

    Neurocrnio: o conjunto de ossos que delimitam a caixa craniana que envolve o encfalo, da o termo neurocrnio. Est

    constitudo de 8 ossos: 1 frontal, 2 temporais, 1 occipital, 2 parietais, 1 esfenoide e 1 etmoide.

    Viscerocrnio: o conjunto de ossos que formam o esqueleto da face. Esta denominao deve-se ao fato de esses ossos

    protegerem as partes iniciais dos sistemas viscerais. Est constitudo por 14 ossos: 2 zigomticos, 2 maxilas, 2 nasais, 2 lacrimais, 1 mandbula, 2 palatinos, 1 vmer e 2 conchas nasais inferiores.

    A maioria desses ossos est unida entre si por articulaes fibrosas do tipo sutura, as quais predominam principalmente na

    regio do neurocrnio, com mais importncia ainda na regio da calvria (parte superior do neurocrnio). Na base do neurocrnio, encontraremos, no ponto de fuso entre os ossos occipital, temporais e esfenoide, no suturas, mas sim, articulaes cartilagneas do tipo sincondroses: estas articulaes presentes na parte central da base do crnio, na verdade, representam um centro de crescimento sseo para a base do crnio a fim de que esta base possa acompanhar o desenvolvimento facial durante o desenvolvimento craniano (sabendo que ao nascimento, h uma desproporo crnio-facial: o crnio apresenta dimenses bem maiores com relao a face, porm, devido ao constante da musculatura mastigatria e facial, a face garante um acelerado desenvolvimento acompanhado pela base do crnio graas a essas sincondroses). NEUROCRNIO O neurocrnio dividido para estudo anatmico em duas pores: uma superior, denominada calvria e uma parte inferior, designada como base do crnio. A separao entre essas duas pores do neurocrnio se faz atravs de uma linha imaginria que

    circunda toda a circunferncia craniana, tendo como pontos de referncia a glabela, seguindo ao longo dos arcos superciliares, contornando o processo zigomtico do osso frontal, terminando, posteriormente, ao nvel da protuberncia occipital externa.

    A calvria constituda pela unio de 4 ossos: um anterior, o frontal; um posterior, o occipital; e dois laterais representados pelos parietais.

    Na base do crnio, identificamos o etmoide, esfenoide, os temporais e a parte basilar do occipital. Esta base, do ponto de

    vista anatomoclnico, mais importante quando comparada com a calvria devido a sua ntima relao com uma srie de estruturas que esto chegando ou abandonando o crnio a partir de seus diversos forames (ver OBS

    1, no final deste

    captulo).

    Arlindo Ugulino Netto.

    NEUROANATOMIA 2016

  • Arlindo Ugulino Netto MEDRESUMOS 2016 NEUROANATOMIA

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    OSSO FRONTAL

    o osso mais anterior da calvria, sendo ele mpar, mediano e simtrico, apresentando um aspecto morfolgico que lembra uma concha. Para estudo anatmico, apresenta-se constitudo por trs faces e duas pores.

    As faces so as seguintes: (1) face externa ou cutnea: voltada para adiante e para o couro cabeludo; (2) face interna ou cerebral: voltada para a cavidade craniana, mantendo relaes com o tecido nervoso; (3) face temporal: duas faces localizadas lateralmente que entram na composio na fossa temporal. As pores (ou partes) so as seguintes: (1) parte orbital do osso frontal: entra na constituio das rbitas; (2) parte nasal do osso frontal: se articula com os ossos nasais

    e, de certa forma, constitui uma parte da parede anterior da cavidade nasal. Separando as faces entre si, identificamos a presena de margens e de acidentes sseos: (1) margem coronal (ou

    parietal): separa a face interna da face externa; (2) linha temporal: separa a face externa da face temporal; (3) margem esfenoidal: articula-se com o osso esfenoide (por meio de suas asas menores), mas quando o osso frontal encontra-se isolado, separa a parte orbital deste osso de sua face interna; (4) margem supra-orbital: separa a face externa da parte

    orbitria e entra na composio do limite superior da rbita.

    Cada uma dessas faces e partes apresenta salincias e depresses que representam os elementos descritivos da superfcie ssea ou acidentes anatmicos.

    Na face externa, seguindo o plano mediando, entre a regio compreendida pelas sobrancelhas, identificamos uma elevao livre e plana que corresponde glabela. Partindo da glabela, em trajetria lateral, encontramos duas salincias com aspecto

    arqueado com concavidade voltada para baixo e convexidade para cima e, que no vivo, corresponde regio da sobrancelha, denominadas de arcos superciliares (sendo eles muito mais evidentes em indivduos do sexo masculino uma vez que o crnio

    feminino se caracteriza por contornos mais suaves e relevos mais delicados em funo de ser morfologicamente muito semelhante a um crnio de infantil). Veremos que muitos desses relevos descritivos do crnio se fazem presente devido presena de msculos faciais que se fixam em cada um deles. Porm, no caso especfico dos arcos superciliares, a relao se faz com o seio frontal: quanto maior o seio frontal, mais a salincia com relao aos arcos superciliares sero evidentes (e no caso do homem, estes seios frontais se fazem mais evidentes).

    A poro mais evidente do osso frontal (onde esto contidas as faces externa e interna) que se projeta superiormente a chamada escama frontal. A partir do arco superciliar, indo em direo a parte do osso a qual chamamos de escama frontal,

    encontramos duas salincias de aspecto arredondado que ocupam uma grande extenso da superfcie ssea da face externa, denominadas de tber do osso frontal. Este tber do osso frontal, ao contrrio do que foi dito para os arcos superciliares, ser mais

    evidente nos crnios femininos. O tber do osso frontal corresponde a duas escavaes encontradas na face interna do mesmo osso (as fossas frontais), que vo alojar exatamente os plos frontais dos lobos frontais dos hemisfrios cerebrais.

    A face interna do osso frontal dividida em duas pores: os 2/3 mais superiores so cncavos e o 1/3 inferior convexo. Este tero convexo corresponde s lminas orbitais do osso frontal, as quais entram na constituio do teto da rbita. Ao nvel das

    lminas orbitais, quando se tem uma viso interna do osso frontal, v-se a presena de salincias e depresses formadas, respectivamente, pela relao dessa regio do osso com os sulcos e giros orbitrios (anterior, posterior, medial e lateral). As depresses representam as impresses digitais (ou dos giros) e as salincias, eminncias mamilares. Na regio compreendida

    pelos 2/3 superiores e cncavos, seguindo o plano mediano, identificamos a crista do osso frontal, que

    se projeta at o osso occipital (terminando da protuberncia occipital externa), sendo ela a regio onde se fixa a foice do crebro. Percebe-se ainda que, a continuao da crista, quando em relao calvria, representada por uma escavao rasa que corresponde a um sulco: o sulco do seio sagital superior (encontrado no osso frontal, parietais e

    occipital), seguindo em paralelo a sutura sagital, at a protuberncia occipital interna, onde se termina na regio compreendida pela confluncia dos seios.

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    Na margem supra-orbital, limite superior da rbita, encontrado um pequeno recorte (ou um forame quando, geralmente, encontrado fechado e bem delimitado) chamado de incisura (ou forame) supra-orbital, por onde passa o ramo supra-orbital do

    nervo oftlmico (V1) do trigmeo, responsvel pela sensibilidade cutnea superciliar. Lateralmente, ainda do teto da rbita, encontramos a fossa lacrimal, onde fica alojada a glndula lacrimal. Na parte mais nasal do osso frontal, encontramos a incisura etmoidal, onde h a articulao entre o osso frontal e o etmoide. A margem elipsoide que delimita esta incisura constituda por inmeras cavidades chamadas de semi-clulas areas, que se unem a outras semi-clulas reas encontradas na face superior as massas laterais do osso etmoide para formar, a partir desta unio, as clulas reas etmoidais, que constituem o seio etmoidal. Na poro mais anterior da incisura etmoidal, fcil encontrar duas aberturas que representam o ponto de entrada do seio frontal. No

    plano mediano, encontramos ainda uma rugosidade onde h a promoo da articulao entre o osso frontal e os ossos nasais, formando a sutura frontonasal. A margem supraorbital, no seu limite lateral, se espessa para formar os robustos processos zigomticos do osso frontal, ponto onde ocorre a articulao entre os ossos frontais e os zigomticos.

    OSSO OCCIPITAL

    Seguindo o plano mediano, o osso occipital constitui o mais posterior do crnio. Tambm apresenta o aspecto morfolgico de uma concha, sendo ele mpar, mediano e simtrico. dividido para estudo anatmico pelo forame magno do osso occipital em duas po