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Nós e o Mundo Educação Moral e Religiosa Católica ano MANUAL DO ALUNO Apoio na internet www.emrcdigital.com

Author: palancar

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  • Ns e o MundoEducao Moral e Religiosa Catlica

    6ano

    MANUAL DO ALUNO

    Apoio na internet www.emrcdigital.com

  • Ns e o MuNdoMANuAL do ALuNo eMRC 6. ANo do eNsiNo BsiCo

    SUPERVISO E APROVAOCOMISSO EPISCOPAL DA EDUCAO CRISTD. Tomaz Pedro Barbosa Silva Nunes (Presidente), D. Antnio Francisco dos Santos, D. Anacleto Cordeiro Gonalves Oliveira e D. Antnio Baltasar Marcelino; Mons. Augusto Manuel Arruda Cabral (Secretrio)

    COORDENAO E REVISO GERALJorge Augusto Paulo Pereira

    EQUIPA DE REDACO Sara Gomes Andrade e Guardado da Silva (Coordenao de ciclo)Carla Maria Gomes de AndradeMnica Virgnia Paiva Rocha da Maia HenriquesSusana Isabel Santos Correia Pereira

    REVISO GRFICAMaria Helena Calado Pereira

    GESTO EXECUTIVA DO PROJECTO E DIRECO DE ARTEID BooksRicardo Santos

    CAPA Cludia Alves

    ILUSTRAOPedro Alves

    TIRAGEM

    ISBN978-972-8690-41-0

    DEPSITO LEGAL

    EDIO E PROPRIEDADEFundao Secretariado Nacional da Educao Crist Lisboa, 2009Quinta do Cabeo, Porta D; 1885-076 MoscavideTel.: 218 851 285; Fax: 218 851 355: E-mail: [email protected] os direitos reservados FSNEC

    IMPRESSOGrfica de Coimbra

  • APReseNTAoNs e o MuNdo

    Aos alunos e s alunas de Educao Moral e Religiosa Catlica

    Um livro o resultado de muito trabalho de quem o produziu: um ou mais

    autores. Por isso, deve ser acolhido com respeito e tratado com cuidado. Qualquer

    que seja o seu estilo, contm uma mensagem, interpela o leitor e desperta a sua

    imaginao.

    Um livro escolar um instrumento para a aprendizagem dos alunos. sempre

    educativo. Transmite informaes ligadas aos contedos dos programas de ensino,

    contm interrogaes e propostas de trabalho, e convida ao estudo. para se

    usar na aula e fora dela. um companheiro de viagem para o percurso anual de

    cada um na escola. S assim, tornando-se um objecto familiar, que se utiliza com

    frequncia, o livro escolar facilita o progresso na aquisio e desenvolvimento de

    competncias.

    Os manuais de Educao Moral e Religiosa Catlica, quer se revistam da forma

    de um volume por ano de escolaridade quer se apresentem como conjuntos de

    fascculos, tm todas estas caractersticas.

    Convido os alunos e as alunas a receberem-nos com interesse e entusiasmo,

    mas, sobretudo, a utilizarem-nos para proveito do seu crescimento humano e

    espiritual. Deste modo, e com a ajuda indispensvel dos vossos professores ou

    professoras de Educao Moral e Religiosa Catlica, podeis melhor fazer as vossas

    opes e elaborar um projecto de vida slido e com sentido.

    Que Deus vos ilumine e ajude na caminhada de ano escolar que ides iniciar.

    Bom trabalho!

    D. Tomaz Pedro Barbosa Silva NunesBispo Auxiliar de Lisboa

    Presidente da Comisso Episcopal da Educao Crist

  • APRESENTAO DOS CONTEDOS

    unidade 1

    40

    A Esttua da Liberdade encontra-se na Ilha da Liberdade, em Nova Iorque, desde 28 de Outubro de 1886. Comemora o centenrio da assinatura da Declarao da Independncia dos Estados Unidos da Amrica e foi oferecida pelo povo francs ao povo americano, em sinal de amizade. um dos mais universais smbolos da liberdade poltica e da democracia. O seu nome oficial Liberty Enlightening the World (A Liberdade Iluminando o Mundo).

    Foi projectada e construda pelo escultor alsaciano Frdric Auguste Bartholdi (1834-1904). Para a construo da estrutura metlica interna, Bartholdi contou com a assistncia do engenheiro francs Gustave Eiffel. A esttua mede 46,50 metros (92,99 metros incluindo o pedestal). S o nariz mede 1,37 metros. Pesa 158 toneladas repartidas pelo esqueleto de ao (127 toneladas) e pela esttua de cobre (31 toneladas). a escultura mais pesada do mundo.

    No seu pedestal, h uma placa de bronze, onde est gravado o final do poema da americana Emma Lazarus, intitulado The new Colossus:

    Give me your tired, your poor,

    Your huddled masses yearning to breathe free,

    The wretched refuse of your teeming shore.

    Send these, the homeless, tempest-tost, to me,

    I lift my lamp beside the golden door!

    Dem-me as vossas multides exaustas, pobres

    E confusas, ansiando por respirar liberdade,

    Os indigentes que recusam a vossa costa abundante.

    Conduzam a mim os sem-abrigo, os fustigados pela tempestade,

    Porque, junto porta dourada, ergo a minha tocha!

    Esta grandiosa obra de arte foi classificada como monumento nacional e, mais tarde, como patrimnio mundial da humanidade, pela Unesco.

    Esttua da Liberdade

    Para saberes mais

    Ser pessoa ser livre. Mas liberdade no significa cada um fazer o que quer, sem atender s consequncias das suas aces sobre os outros. Por este motivo, necessrio que o comportamento humano seja, em certa medida, objecto de legislao. As leis, se forem justas, limitam os actos que podem prejudicar os outros e salvaguardam o direito de interveno na sociedade. Cumprir a lei , em princpio, respeitar os direitos e os deveres individuais e colectivos. A vivncia da nossa liberdade exige o respeito pelo bem comum.

    unidade 4

    179

    A Organizao para a Alimentao e a Agricultura (FAO Food and Agriculture Organization) uma organizao das Naes Unidas cujo objectivo promover o desenvolvimento rural e elevar os nveis de nutrio dos povos.

    A FAO organiza programas para o aperfeioamento e eficincia da produo agrcola e criao de gado, transferindo as novas tecnologias para os pases em vias de desenvolvimento. No combate fome, fomenta a preservao dos recursos naturais, estimulando o desenvolvimento da regulao da pesca, a piscicultura e o investimento nas fontes de energia renovveis.

    A FAO, durante o encontro mundial da alimentao, em Roma, de 13 a 17 de Novembro de 1996, aprovou a Declarao de Roma que visa a diminuio da fome no mundo. Esta declarao contou com o apoio de 126 pases-membros e afirma o direito de todas as pessoas a um alimento seguro e nutritivo.

    A OrgAnizAO pArA A AgriculturA e A AlimentAO

    A FAO uma Agncia especializada e foi fundada a 16 de Outubro de 1945.

    Para saberes mais

    www.fao.org

    Consulta na Net

    As principais actividades da FAO

    1. Desenvolver programas de assistncia a pases subdesenvolvidos;2. Prestar informao sobre nutrio, alimentos, agricultura e pesca;3. Aconselhar os governos sobre matrias relacionadas com a agricultura e a

    alimentao;4. Servir de espao neutro para a discusso e formulao de polticas relacionadas

    com a agricultura e a alimentao.

    O dia mundial da alimentao celebrado, desde 1981, a 16 de Outubro. Pretende-se consciencializar a opinio pblica sobre as questes da alimentao e da nutrio.

    Para saberes mais

    D-te sugestes de

    aspectos que podes

    pesquisar na Internet sobre

    assuntos relacionados com

    a Unidade Lectiva.

    Para saberes mais

    Consulta na Net

    D-te informaes

    interessantes que te

    permitem aprofundar os

    assuntos abordados ou

    conhecer um pouco os

    autores dos diferentes

    textos.

    No teu manual, vais encontrar diferentes espaos e formas de organizar os

    textos e os documentos que te vo ajudar a caminhar e a interpretar melhor a

    sua mensagem.

  • unidade 2

    79

    JOO BAPTISTA

    Joo Baptista , de acordo com a interpretao crist, o precursor de Jesus. O nome Baptista deriva da sua actividade proftica, pois baptizava no rio Jordo todos os que se mostravam dispostos a converter--se a Deus. Joo interveio publicamente antes de Jesus, anunciando a vinda iminente do Messias.

    Joo convidou as pessoas do seu tempo a arrependerem-se dos seus pecados e a mudarem de vida, denunciando a hipocrisia que orientava a vida de determinados grupos sociais. A sua atitude frontal e desassombrada fez com que fosse preso e decapitado por ordem do rei.

    Lc 7, 26,28

    Lc 1, 76s

    Procura na Bblia

    Joo Baptista repreende Herodes, por Giuseppe Fattori

    So Joo Baptista, por Gian Lorenzo Bernini

    unidade 1

    54

    Santo Agostinho nasceu em 354, em Hipona (frica do Norte), e faleceu em 430. Filho de pai pago e de me crist, converteu-se ao Cristianismo, j em idade adulta, por influncia de Santo Ambrsio, bispo de Milo. Telogo e filsofo, escreveu vrias obras, destacando-se A Cidade de Deus e Confisses.

    Para saberes mais

    Cristo curando os doentes, por Laura James

    Nas coisas necessrias, a unidade; nas duvidosas, a liberdade; e em todas, o amor.

    Santo Agostinho de Hipona

    Texto bblico

    A f e as obras

    P rocedem bem se cumprirem o mandamento fundamental: Amars o teu semelhante como a ti mesmo. Mas se fizerem acepo de pessoas, isso est mal.

    Que importa, meus irmos, algum dizer que tem f, se a no pe em prtica? Imaginem que algum irmo ou irm no tem nada que vestir e lhe falta o necessrio para comer, cada dia. Vocs podem dizer-lhes: Vo em paz! Ho-de encontrar com que se aquecer e matar a fome! Mas se no lhes do aquilo de que eles precisam, de que valem essas boas palavras? Do mesmo modo a f, se no posta em prtica, est morta!

    Tg 2,8-9.14-17

    unidade 3

    117

    ocaso do dia seguinte. Impedidos pelo estrito dever de repousar, nenhum campons trabalhava o campo, nenhum artfice ia para o seu trabalho, nenhum comerciante ia para o mercado, nem as mulheres faziam os seus trabalhos em casa. Tudo deveria ficar pronto at sexta-feira tarde.

    Os jovens constituam famlia atravs do casamento. A escolha da noiva era normalmente feita pelo pai do noivo quando este atingia os dezassete anos. A seleco acontecia entre as jovens solteiras da aldeia que tivessem entre os treze e os dezassete anos. O pai do noivo negociava com o pai da noiva as condies do noivado, que eram declaradas por escrito ou transmitidas verbalmente, na presena de testemunhas, ficando os noivos prometidos um ao outro. O noivado durava doze meses e durante este perodo a noiva permanecia na casa dos seus pais, apenas coabitando com o noivo depois do casamento.

    Vocabulrio

    Ocaso: pr-do-sol.

    Coabitar: habitar na mesma casa.

    A fAmliA de Jesus de NAzAr

    Anunciao, por Ernst Deger

    Maria e Jos viviam em Nazar. Jos pertencia casa de David e exercia o ofcio de carpinteiro.

    Maria encontrava-se noiva de Jos quando o anjo Gabriel lhe anunciou que tinha sido escolhida para ser me do filho de Deus, cujo nome devia ser Jesus. Maria confiou nas palavras do anjo e aceitou a misso que este lhe props, embora tivesse ficado bastante assustada, uma vez que a sua gravidez no seria facilmente compreendida por Jos, de quem era apenas noiva, e pelas pessoas da aldeia.

    Cada aldeia tinha pelo menos um carpinteiro. A aldeia de Nazar era conhecida como a terra dos carpinteiros. Jos ter aprendido o ofcio com o seu pai.

    Para saberes mais

    Indica-te que o

    texto que vais ler uma

    passagem bblica.

    A lupa foca o livro da

    Bblia a que pertence

    o texto.

    Neste espao aparece

    a definio de algumas

    palavras mais difceis.

    Vocabulrio

    Procura na Bblia

    Texto bblico

    D-te informaes

    sobre passagens bblicas

    que poders consultar em

    cada Unidade Lectiva.

  • Unidade Lectiva 1 A Pessoa Humana

    DE REGRESSO ESCOLA...

    SOU PESSOA

    A AUTENTICIDADE

    AS DIMENSES DA PESSOA

    Dimenso Biolgica

    Dimenso Social

    A Comunicao

    Dimenso Espiritual

    Sexualidade Humana

    DEUS PESSOA

    A DIGNIDADE HUMANA

    Direitos e Deveres

    Quando os Direitos no esto Garantidos...

    Direitos da Criana

    Garantir Direitos s Crianas

    Atentados aos Direitos da Criana

    GARANTIR O DIREITO A SER PESSOA

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    NDICE

  • Unidade Lectiva 2 Advento e Natal

    CHEGA O NATAL!

    EMANUEL: O MESSIAS ESPERADO DE ISRAEL!

    JESUS, O MESSIAS PROMETIDO

    ADVENTO, TEMPO DE ESPERANA

    FIGURAS DO ADVENTO

    A Virgem Maria

    So Jos

    Joo Baptista

    O NATAL: REPRESENTAO ARTSTICA E TRADIES

    A PALESTINA NO TEMPO DE JESUS

    O RECENSEAMENTO

    JESUS, UM MARCO NA HISTRIA

    URGENTE CONSTRUIR UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA!

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  • Unidade Lectiva 3 A Famlia, Comunidade de Amor

    O QUE UMA FAMLIA?

    A Palavra Famlia

    Tipos de Organizao Familiar

    A FAMLIA: UMA INSTITUIO NA HISTRIA

    A Instituio Familiar, em Portugal

    A FAMLIA DE JESUS

    Caracterizao Social, Econmica e Poltica

    A Vida Familiar

    A Famlia de Jesus de Nazar

    FUNO SOCIALIZADORA DA FAMLIA

    CONDIES DE BEM-ESTAR FAMILIAR

    OS VALORES NA VIDA FAMILIAR

    TAREFAS FAMILIARES

    O LUGAR DOS MAIS VELHOS

    QUANDO A FAMLIA FALHA

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  • Unidade Lectiva 4 O Po de Cada Dia

    O PO DE CADA DIA...

    A ALIMENTAO NA PERSPECTIVA CULTURAL

    A ALIMENTAO NA EXPRESSO ARTSTICA

    Na Pintura

    Na Literatura

    Na Msica e na Dana

    A ALIMENTAO NA CULTURA BBLICA

    Simbologia Judaico-Crist

    A LTIMA CEIA

    ALIMENTAO EQUILIBRADA

    UM DIREITO DE TODOS

    CAUSAS DA FOME

    OBRAS DE PROMOO HUMANA

    PARTILHAR A RIQUEZA

    LUTA CONTRA A FOME NO MUNDO

    A Caritas

    A FAO

    Banco Alimentar Contra a Fome

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  • Unidade Lectiva 5 O Respeito pelos Animais

    A IMPORTNCIA DOS ANIMAIS

    ORIGEM DA VIDA E DIVERSIDADE DE ESPCIES

    OS ANIMAIS SO O RESULTADO DA VONTADE DE DEUS

    O DILVIO UNIVERSAL

    DIVERSIDADE BIOLGICA E EXTINO DAS ESPCIES

    RELAO DO SER HUMANO COM OS ANIMAIS

    OS ANIMAIS NA EXPRESSO ARTSTICA

    A SIMBOLOGIA JUDAICO-CRIST DOS ANIMAIS

    CRITRIOS TICOS NA RELAO COM OS ANIMAIS

    SO FRANCISCO DE ASSIS PATRONO DOS ANIMAIS

    ASSOCIAES DE DEFESA DOS ANIMAIS E ESCUTISMO

    BIBLIOGRAFIA

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  • UNIDADE LECTIVA 1

    A PessoA HuMANA

    UNIDADE LECTIVA 2

    AdVeNTo e NATAL

    UNIDADE LECTIVA 3

    A FAMLiA, CoMuNidAde de AMoR

    UNIDADE LECTIVA 4

    o Po de CAdA diA

    UNIDADE LECTIVA 5

    o ResPeiTo PeLos ANiMAis

    iNTRoduo

    Bem-vindo ao 6. ano!

    Chegou mais um novo ano escolar! As experincias de aprendizagem que

    fizeres vo ser teis para poderes continuar a crescer. A tua turma e os teus

    professores vo acompanhar-te nesta nova caminhada.

    A disciplina de Educao Moral e Religiosa Catlica oferece-te um universo

    de valores orientado para a relao com os outros. Proporciona-te tambm um

    conjunto de experincias orientadas para um melhor conhecimento de ti mesmo e

    para uma mais adequada compreenso e um melhor acolhimento dos outros. Vais

    contactar com aspectos culturais, histricos e religiosos vividos por diferentes

    culturas e civilizaes. Vais ainda contactar com diversas vivncias religiosas,

    atravs do estudo de documentos, da anlise de obras de arte e da interpretao

    de factos histricos. luz da mensagem crist que te propomos que reconheas

    a dignidade da vida humana e o valor da famlia, bem como de todos os recursos

    naturais que esto nossa disposio.

    De acordo com o Programa de Educao Moral e Religiosa Catlica para o 6.

    ano de escolaridade, propomos-te cinco Unidades Lectivas cujos temas esperamos

    sejam do teu agrado.

  • Unidade Lectiva 1

  • a Pessoa HUmana

  • unidade 1

    14

    De RegResso escola

    Estamos de regresso escola. Como passaram rapidamente as frias! Pensamos nas experincias e vivncias que estes meses nos proporcionaram, algumas das quais lembraremos ao longo das nossas vidas. Estamos cheios de curiosidade e queremos saber o que os nossos colegas tm para nos contar sobre os dias em que no estivemos juntos.

    Durante estes meses, conhecemos coisas novas e talvez tenhamos feito novos amigos; por isso que temos muitas novidades para partilhar. Alguns falam sobre as pessoas e os stios novos que conheceram, outros contam como aprenderam coisas diferentes nos livros que leram, nos programas de televiso que viram em todas as experincias por que passaram. Cada vez mais, os nossos amigos parecem ocupar um lugar especial na nossa vida.

    Crescemos! Pensamos de forma diferente sobre a realidade e reflectimos mais antes de decidirmos. Esta capacidade de questionar e pensar sobre as coisas que nos rodeiam parece aperfeioar-se. Somos cada vez mais curiosos e este esprito leva-nos a fazer novas descobertas. Subitamente, a vida j no parece to simples. Comeamos a tomar cada vez mais

  • unidade 1

    15

    conscincia da influncia que os nossos comportamentos tm sobre os outros e da maneira como nos afectam a ns. Sentimo-nos cada vez mais responsveis e disponveis para aprender coisas novas. Esta abertura, esta capacidade para aprender com todas as experincias que vivemos torna-nos intervenientes na construo da sociedade em que estamos inseridos.

    ser

    seja rudoseja beijoseja vooseja andorinhaseja lagoseja pacatez da rvoreseja aterragem de borboletaseja mrmore de elefanteseja alma de gaivotaseja luz num olharseja um cardume de tardese grite: J SOU.

    Ondjaki, 101 poetas: Iniciao poesia em lngua portuguesa

  • unidade 1

    16

    Cada ser humano nasce inserido numa determinada comunidade. Desenvolve-se na famlia, no grupo de amigos, na escola e nos vrios contextos com os quais contacta. Da comunidade recebemos saberes e valores, atravs das experincias que vivemos e da abertura realidade que nos rodeia. Temos conscincia da nossa existncia, das nossas experincias e aprendemos com elas. Afirmamo-nos atravs dos nossos pensamentos, sentimentos e afectos, os quais comunicamos aos outros atravs da linguagem, verbal ou corporal.

    Por intermdio da linguagem, conseguimos partilhar as nossas experincias, manifestando aos outros o que somos e aquilo em que acreditamos. De igual modo, revelamos a nossa intimidade, os nossos pensamentos e afectos atravs de palavras e comportamentos. Desenvolvemos a nossa experincia espiritual, exteriorizamos os sentimentos e manifestamos a nossa inteligncia, abrindo-nos aos outros e a Deus.

    sou Pessoa

  • unidade 1

    17

    santo e senha

    Deixem passar quem vai na sua estrada.Deixem passarQuem vai cheio de noite e de luar.Deixem passar e no lhe digam nada.

    Deixem, que vai apenasBeber gua de Sonho a qualquer fonte;Ou colher aucenasA um jardim que ele l sabe, ali defronte.

    Vem da terra de todos, onde moraE onde volta depois de amanhecer.Deixem-no pois passar, agora

    Que vai cheio de noite e solido.Que vai serUma estrela no cho

    Miguel Torga, Dirio I (Coimbra, 3 de Janeiro de 1932)

    exemplo

    Toda a tarde a pensar no meu destino,E o rio, com mais gua ou menos gua,Sossegado a correrNum areal que o nega!Que lhe importa que o cho do seu caminhoSeja seco e maninho,Se ele uma eterna fonte que se entrega?!

    Miguel Torga, Dirio VI (Coimbra, 21 de Maro de 1953)

    Aucena: Planta bolbosa da famlia das Liliceas, de flores brancas e perfumadas, tambm conhecida por lrio branco; a flor desta planta.

    Maninho: Estril, no cultivado.

    Miguel Torga, escritor portugus, nascido em S. Martinho de Anta (Trs-os-Montes), a 12 de Agosto de 1907, exerceu medicina em Coimbra, onde veio a falecer a 17 de Janeiro de 1995.

    Para saberes mais

    Vocabulrio

  • unidade 1

    18

    O Mrtir, por Auguste Rodin

    Acreditava-se, desde a Grcia antiga, que o ser humano era composto por duas dimenses: o corpo e a alma ou o esprito. Este pensamento integrou a filosofia de vrias culturas, tendo chegado ao Cristianismo. Para o pensamento cristo actual, estas duas realidades a corporal e a espiritual so inseparveis. O ser humano compreendido como uma unidade corpo-esprito.

    Deste modo, nem o esprito nem o corpo, isoladamente, expressam aquilo que o ser humano. Nenhum de ns simplesmente corpo, nem simplesmente esprito. Quando amamos, pensamos ou tomamos decises fazemo-lo simultaneamente de forma espiritual e fsica.

    Se o homem aspira a ser somente esprito e quer rejeitar a carne como uma herana apenas animalesca, ento esprito e corpo perdem a sua dignidade. E se ele, por outro lado, renega o esprito e consequentemente considera a matria, o corpo, como realidade exclusiva, perde igualmente a sua grandeza.

    Bento XVI, Encclica Deus Caritas Est

    As encclicas so cartas pastorais enviadas pelo bispo de Roma, o papa, Igreja. O nome das encclicas corresponde s primeiras palavras do texto, redigido em latim.

    Para saberes mais

  • unidade 1

    19

    Se no fssemos corpo, no seramos capazes de nos revelarmos aos outros, de com eles comunicarmos e, em geral, de estabelecermos relaes de comunho. atravs do corpo que ns exprimimos o que pensamos, o que sentimos ou as nossas decises. Sem corpo seramos seres virados para dentro de ns, como conchas fechadas que no comunicam com o exterior. O nosso corpo exprime as mensagens do nosso esprito. Observa as imagens que se seguem e procura captar, atravs das expresses corporais ou da maneira de se vestirem e arranjarem, os sentimentos, as emoes, os pensamentos ou a vontade que as personagens transmitem.

    A palavra pessoa, de origem latina, deriva de persona, mscara de teatro; por extenso, significa o papel atribudo a essa mscara, a personagem. Relacionado com o ser humano, o pensamento cristo e, sobretudo, Santo Agostinho, usou a palavra para se referir s trs pessoas (divinas) da Santssima Trindade: o Pai, o Filho e o Esprito Santo. A palavra pessoa designava a capacidade de estabelecer relao com os outros.

    Para saberes mais

    Azulejos representando Crianas a Brincar na Rua, por Francisque Poulbot

    Homem e mulher Masai, Tanznia

    Mulher com filho morto, por Kathe Schmidt

    O Mrtir, por Auguste Rodin

    Rua de Paris, por Andre Fougeron Me e criana em Holland Park, por Dora Holzhamdler

    A mulher grvida, por Pablo Picasso Mikado, Annimo

  • unidade 1

    20

    Auto-retrato com chapu de palha, por Vincent van Gogh

    Atravs dos meios de comunicao social, chega at ns um forte apelo ao consumo de determinados produtos e marcas, cujo valor se baseia no poder das imagens. Associada ao consumismo est uma determinada imagem aparente de ns mesmos, que procuramos transmitir aos outros, a qual se constri a partir de modelos que a sociedade cria, de que exemplo a moda.

    Por vezes, procuramos mostrar aos outros que somos aquilo que de facto no somos, vivendo uma vida de aparncia, ou seja, uma vida no autntica. Sermos genunos e autnticos, relacionando-nos com os outros a partir do que somos e daquilo em que acreditamos nem sempre fcil. Mas a verdadeira riqueza pessoal no se encontra nos bens que cada um possui, mas nos valores em que se acredita. Cada pessoa vale pelo que e no pelo que tem.

    importante estabelecer o equilbrio entre o nosso interior (o nosso mundo espiritual) e o aspecto exterior (o nosso mundo corporal).

    Por isso, zelamos pela sade do nosso corpo, mantendo cuidados de higiene dirios, bem como uma dieta alimentar equilibrada. O cuidado que temos com a forma como aparecemos perante os outros no significa falta de autenticidade. Desde que corresponda beleza interior (sentimentos positivos em relao aos outros), o facto de nos arranjarmos exteriormente faz com que nos sintamos bem connosco prprios e com

    Conhece-te a ti mesmo.

    Scrates, filsofo grego (sc. V)

    a autenticiDaDe

  • unidade 1

    21

    que os outros tenham uma ideia mais agradvel a nosso respeito. Isto no pode ser confundido com vaidade, porque ser vaidoso ser ftil, superficial e viver quase exclusivamente para a imagem exterior, sem atender aos aspectos mais importantes.

    Num mundo que vive para o culto da aparncia, onde a mentira um meio para se passar uma imagem de si que no corresponde realidade, cada vez mais premente que cada ser humano seja autntico, seja ele mesmo, sem procurar enganar os outros. A maior riqueza que possumos encontra-se na solidariedade e na entrega s outras pessoas, de forma desinteressada. Madre Teresa de Calcut, (1910-

    1997)

    Raoul Follereau, (1903 - 1977)

    O espao que nos rodeia influencia a maneira como nos sentimos. Por isso, procuramos harmonizar aquilo que somos com o espao onde habitamos ou trabalhamos.

    Uma das mais antigas artes que o ser humano desenvolveu para construir espaos onde se sinta bem foi a arquitectura. Utilizada desde a pr-histria, as suas primeiras funes foram a proteco e a habitao.

    Actualmente, a arquitectura preocupa-se tambm com o conforto, a esttica e a eficincia energtica. Seria bom que nos identificssemos com os locais que frequentamos e com a casa onde vivemos, dado serem relevantes para o nosso equilbrio. Infelizmente, isso nem sempre possvel, por falta e capacidade financeira.

    Existem investigaes sobre os ambientes e os locais onde habitamos. Uma delas chamada Feng Shui. uma tcnica oriental ancestral que permite compreender a influncia das cores, materiais, formas e elementos naturais que nos rodeiam tanto em casa como no trabalho.

    Para saberes mais

    O quarto de van Gogh, por Vincent van Gogh

  • unidade 1

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    A pessoa caracteriza-se por trs dimenses fundamentais, a biolgica, a social e a espiritual.

    A dimenso biolgica caracteriza todos os seres vivos, tornando-os, neste aspecto, semelhantes. A dimenso social encontra-se associada s espcies animais, sua capacidade de comunicao e de organizao em grupo; no entanto, no ser humano, esta dimenso muito mais complexa, como podemos verificar pela organizao das sociedades humanas.

    A dimenso espiritual a vida interior do ser humano: a sua capacidade racional (o pensamento), a vontade e a conscincia moral, a afectividade (sentimentos, emoes) e a relao com o transcendente. Todas estas capacidades espirituais esto na base da comunicao com os outros, que acontece a um nvel muito superior ao dos animais, especialmente atravs da complexa linguagem verbal.

    Um dos aspectos que distingue o ser humano de todas as outras espcies a sua capacidade de distinguir entre o bem e o mal, de tomar decises livres e responsveis, agindo assim sobre a realidade que o rodeia, orientado por valores ticos e pela capacidade de anlise da realidade. Somos, portanto, livres e capazes de tomar opes individuais.

    Mas as pessoas, embora partilhem muitos aspectos que tm em comum, no so iguais. Cada pessoa tem as suas particularidades e naturalmente irrepetvel.

    as Dimenses Da Pessoa

    Transcendente: Deus; o sagrado.

    Vocabulrio

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    dimenso BioLgica

    Cada ser humano apresenta caractersticas biolgicas nicas. Dos nossos pais recebemos a herana gentica, atravs da qual partilhamos traos fisionmicos com a nossa linhagem materna e paterna. Contudo, as nossas caractersticas fsicas no so apenas o somatrio da herana das caractersticas da me e do pai, pois tambm apresentamos traos distintos que fazem de cada um de ns um ser nico.

    A identidade sexual um aspecto importante da dimenso biolgica da pessoa. Do pai recebemos a informao gentica, que define a nossa identidade sexual. Esta caracteriza-se pela diferenciao dos rgos genitais masculino e feminino, ou seja, pela diferenciao do homem e da mulher. Os homens e as mulheres no so apenas diferentes do ponto de vista biolgico, tambm se diferenciam do ponto de vista psicolgico e comportamental.

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    A identidade sexual do beb definida pelos cromossomas da clula sexual masculina, o espermatozide. Estes cromossomas apresentam a denominao cientfica de cromossomas X e Y. o cromossoma Y que define o sexo masculino do beb. Os cromossomas sexuais dos vulos so sempre X. Se, no momento da fecundao, o espermatozide tiver cromossomas sexuais X, o beb fica com um par de cromossomas XX (do pai e da me) e uma menina. Se, pelo contrrio, o espermatozide tiver cromossomas sexuais Y, o beb fica com um par de cromossomas XY (da me e do pai) e um menino.

    Para saberes mais

    Fisiolgica: Que diz respeito s funes dos diferentes rgos dos seres vivos.

    Fisionmica: Que diz respeito aos traos do rosto, s feies.

    Informao gentica: Conjunto de informao, presente na cadeia de ADN (cido desoxirribonucleico), transmitida de pais para filhos atravs das clulas sexuais.

    As clulas dos seres humanos contm, cada uma, 23 pares de cromossomas, num total de 46 cromossomas. Cada cromossoma contm uma cadeia, em forma de hlice, de ADN com toda a informao gentica.

    Mas as clulas sexuais (o espermatozide e o vulo), ao contrrio das outras clulas, s tm 23 cromossomas. No momento da fecundao, o vulo e o espermatozide unem-se e juntam, em pares, os 23 cromossomas provenientes da me e os 23 cromossomas provenientes do pai, dando origem a um ser geneticamente diferente. Todavia, a diferena do novo ser em relao aos pais no se fica por aqui, uma vez que os cromossomas provenientes da me e do pai trocam pequenos fragmentos de informao gentica (ADN). As diferentes combinaes possveis de cromossomas e ADN so tantas que cada ser humano uma espcie de milagre: um ser nico e irrepetvel.

    Para saberes mais

    O crebro humano muito mais desenvolvido do que o das restantes espcies animais. Este desenvolvimento faz com que os seres humanos sejam dotados de inteligncia superior, que se manifesta na capacidade de resolver problemas complexos e elaborar raciocnios profundos. Esta inteligncia permite-lhes pensar e agir sobre o mundo que os rodeia e confere-lhes grande autonomia, liberdade e capacidade de deciso pessoal.

    Vocabulrio

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    A famlia tem uma importncia fundamental no desenvolvimento da pessoa. Nela fazemos a primeira experincia de sermos nicos. De igual modo, tomamos conscincia de que cada uma das pessoas com quem nos relacionamos nica.

    Quando os pais do o nome a um filho, esto, simbolicamente, a atribuir-lhe uma identidade prpria que o distingue como pessoa e o diferencia dos outros. Por isso, o profeta Isaas refere que Deus chama cada um pelo seu nome, pois o nome (a identidade) de cada pessoa sagrado. Assim se entende a origem crist do direito que cada pessoa tem ao bom nome, ou seja, o direito a ser respeitado na sua dignidade e na sua identidade.

    dimenso sociaLO ser humano afirma-se em sociedade atravs da famlia e dos

    diversos grupos sociais e culturais aos quais pertence. Nela, cada ser humano estrutura os seus conhecimentos e valores que influenciam as suas atitudes e os seus comportamentos, bem como as suas decises.

    Artigo 26.(Outros direitos pessoais)

    1. A todos so reconhecidos os direitos identidade pessoal, capacidade civil, cidadania, ao bom nome e reputao, imagem, palavra e reserva da intimidade da vida privada e familiar.

    Constituio da Repblica Portuguesa

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    As associaes culturais e recreativas, os clubes desportivos, assim como outras instituies favorecem a participao das pessoas na vida social. So formas de socializao que manifestam a tendncia natural das pessoas para cooperarem, procurando atingir objectivos que vo muito para alm das suas capacidades individuais. As associaes estimulam as aptides de cada pessoa, o seu esprito de iniciativa e de responsabilidade, contribuindo para o exerccio da cidadania.

    A vivncia em sociedade permite a realizao da vocao humana, uma vez que, em princpio, as sociedades esto orientadas para a realizao de cada indivduo e para o cumprimento do bem comum.

    Ao viver em sociedade, cada pessoa herdeira de um passado e a ele devedora. Dessa herana, cada um recebe tradies, crenas, formas de vida, leis, regulamentos, etc. Estes ltimos enquadram os direitos e os deveres das pessoas. Assim, cada membro da sociedade sabe quais so os direitos que pode reivindicar e os deveres a respeitar.

    A curiosidade natural e a procura de respostas para problemas levam o ser humano, individual e colectivamente, a progredir atravs de novas aprendizagens e descobertas, por forma a encontrar solues inovadoras. Alguns dos resultados concretizam-se no chamado avano tecnolgico, na inovao cientfica e no desenvolvimento material das sociedades. Tudo isto resulta da aco do ser humano, enquanto sujeito influente e corresponsvel pelas transformaes que ocorrem sua volta.

    Contudo, verificamos que, muitas vezes, as mudanas no respondem aos verdadeiros interesses da pessoa. Por exemplo, algumas aplicaes tecnolgicas, sendo aparentemente positivas, podem revelar-se prejudiciais para o ser humano. De facto, podemos usar a nossa inteligncia e liberdade tanto para o bem como para o mal.

    A pessoa humana , e deve ser, o princpio, o sujeito e o fim de todas as instituies sociais.

    Gaudium et Spes 25,1

    Exploso Nclear sobre Bikini AtollNave espacial Soyuz a descolar,

    Rssia

    Marie Curie no seu laboratrio,

    Escola Inglesa (sc. XX)

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    a comUnicao

    O ser humano tem a capacidade extraordinria de comunicar as suas experincias individuais aos outros, atravs da linguagem.

    Na comunicao, utilizamos a linguagem verbal recorrendo a pa-lavras e sons e a no verbal gestos, posturas do corpo. A linguagem no verbal pode reforar ou prejudicar a mensagem que pretendemos trans-mitir.

    Para saberes mais

    Indo-Europeu

    Cltico

    Germnico

    Grego

    Itlico Balto-eslvico

    Indo-irnico

    Snscrito

    Persa

    Servo-croata

    Checo

    Polaco

    Russo

    Ucraniano

    Romeno

    Italiano

    FrancsCastelhano

    Portugus

    Sueco

    Noruegus

    Ingls

    Holands

    Alemo

    Irlands

    Dinamarqus

    Latim

    rvore genealgica de algumas lnguas indo-europeias

  • unidade 1

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    Kanimanbo Calunga!

    Certo dia, ouvi contar, em lngua ronga, uma histria, junto s guas do grande mar ndico, e de imediato percebi que era desconhecida de todos os que a escutavam. Um velho e respeitado sbio contava que h muito, muito tempo, antes da chegada do mulungo, o Criador, viajando numa nuvem, lanou as sementes das lnguas que haveriam de crescer com a humanidade. O Pai proferia a palavra, pronunciava o nome e a lngua surgia. Recordo ainda as suas palavras finais: E Ele disse: Faa-se a lngua swahili. E fez-se a swahili. E depois Ele disse: Faa-se a lngua maconde. E fez-se a maconde. E depois Ele disse: Faa-se a lngua macua. E fez-se a macua. E por ltimo Ele disse: Faa-se a lngua ronga. E fez-se a ronga.

    Depois de percorrer o mundo e terminada a distribuio das lnguas, dizem que se retirou algures para os lados do Alto Molcue e por l se deixou ficar, de onde observa a Criao. Outros, porm, afirmam que descansa, mais a Norte, na regio de Niassa. No houve uma s semente que no tivesse germinado, o que parecia ser maningue bom para que os povos comunicassem. Mas as pessoas deixaram de se compreender. Deixaram de escutar o que os outros diziam. A obra de Calunga no foi compreendida pelos homens.

    Ento, os chefes das tribos reuniram-se prximo da baa das accias, para tentar resolver o problema. Todos reconheciam o problema, mas parecia difcil a soluo. Eis que um mwalimu do norte disse ter a soluo. O problema do conflito no era do cu, mas da terra! As lnguas jamais desapareceriam e o problema continuaria, enquanto um s homem no reconhecesse a grandeza da Criao. Ento, todos teriam de pronunciar Eh Oena Calunga! Kanimanbo, kanimanbo, kanimanbo! trs vezes kanimanbo.

    As tribos tinham-se reunido pela primeira vez e, trabalhando todos com o mesmo objectivo, atingiram o corao de Calunga. Dizia o sbio madala que cada um tinha alcanado no o corao de Calunga, mas o seu prprio corao. Desde ento, os povos no deixaram de comunicar, mesmo sem uma lngua comum, mas unidos pelo corao. Como forma de agradecimento, todos os anos, no mesmo dia, as tribos juntam-se e partem em peregrinao, em direco ao Norte. H quem procure todo o ano o lugar onde Calunga descansa, lugar onde, dizem, a luz brilha com mais intensidade. O velho madala, porm, recusa-se a fazer a peregrinao. Diz ter encontrado o Criador em casa, no seu prprio corao.

    Era a primeira vez que o madala contava a histria, tal como j a ouvira contar, uma s vez, ainda em criana. Certo que, ainda hoje, as pessoas agradecem do corao, em ronga, pronunciando a palavra mgica kanimanbo.

    Texto indito de Carlos Guardado da Silva

    Vocabulrio Ronga:

    Calunga: Deus

    Eh oena: Oh tu!

    Kanimanbo: Obrigado

    Madala: Pessoa idosa e respeitada

    Maningue: Muito

    Mwalimu: Sacerdote, professor (lngua maconde)

    Mulungo: Homem branco

    Niassa: Provncia moambicana

    Ronga: Dialecto mais meridional do grupo lingustico banto tsonga.

    Vocabulrio

  • unidade 1

    29

    A comunicao entre os seres humanos no se faz apenas atravs da linguagem verbal e corporal. Faz-se tambm atravs das produes artsticas, fruto da criatividade humana e da capacidade de o ser humano construir mundos que no existem. As artes so mltiplas: a msica, a dana, a pintura, a escultura, a literatura, o teatro, o cinema Aprender a captar as mensagens transmitidas pelas obras de arte faz parte do enriquecimento cultural de todas as pessoas.

  • unidade 1

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    dimenso esPiritUaLA pessoa realiza-se nas dimenses biolgica e social. Contudo, s se

    completa na dimenso espiritual. esta caracterstica que distingue o ser humano dos outros animais. Consiste na capacidade de pensar, de amar, de tomar decises livres e de agir sobre o mundo, participando na obra do Criador. Embora outras espcies animais tenham comportamentos que se aproximam dos comportamentos humanos, a maneira como o ser humano usa a sua dimenso espiritual qualitativamente diferente da maneira como as outras espcies se comportam.

    A inteligncia, impelida pela sabedoria, conduz a pessoa a uma permanente procura do bem, no relacionamento com os outros e consigo prpria. A conscincia moral um dos aspectos que torna o ser humano qualitativamente diferente de todos os outros seres.

    A capacidade de amar, aspecto central da vida espiritual, a marca da presena de Deus em cada um. Quem ama procura a verdade e o bem, em cada situao da vida quotidiana. Est, assim, aberto aos outros, seus irmos, e eventualmente a Deus. A dimenso espiritual tambm a capacidade de cada indivduo se relacionar com Deus, faculdade esta que s ocorre entre os humanos.

    So manifestaes da vida espiritual do ser humano, para alm das que j se apontaram, as descobertas cientficas, as realizaes tecnolgicas,

    J no sou eu que vivo; Cristo que vive em mim.

    Gl 2,20

    No devam nada a ningum, a no ser o amor de uns para com os outros. Quem ama o prximo cumpre a Lei.

    Rm 13, 8

  • unidade 1

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    as produes artsticas Enquanto imagem e semelhana de Deus, cada pessoa capaz de contribuir para a construo de um mundo mais rico, onde a beleza, a verdade, a justia e o amor orientam o comportamento humano e a vida das sociedades.

    A natureza espiritual da pessoa humana encontra a sua perfeio na sabedoria, que suavemente atrai o esprito do homem busca do amor da verdade e do bem.Mais do que nos sculos passados, o nosso tempo precisa de uma tal sabedoria, para que se humanizem as novas descobertas dos homens. Est ameaado, com efeito, o destino do mundo, se no surgirem homens cheios de sabedoria. E de notar que muitas naes, pobres em bens econmicos, mas ricas em sabedoria, podem trazer s outras incalculveis benefcios.

    Gaudium et Spes 15

    Ef 4,16

    Procura na Biblia

    Orao em Taiz

  • unidade 1

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    sexUaLidade HUmana

    A sexualidade afecta todos os aspectos referentes ao indivduo, tanto ao nvel da dimenso fsica, como da dimenso social e espiritual. Traduz-se na afectividade, que consiste na capacidade de amar e criar laos de comunho com o outro. A realizao plena da sexualidade humana concretiza-se na vocao para amar o prximo. Esta vocao pode realizar-se em qualquer circunstncia da vida pessoal, quer a pessoa tenha optado por partilhar a sua vida com algum, quer tenha optado por permanecer celibatria, dedicando-se, por exemplo, a uma profisso ou a uma actividade que interpreta como um servio ao prximo.

    As trs rvores

    Um dia, numa bela manh de sol, um sbio foi procurado pelo seu aprendiz, que lhe perguntou: Mestre, que significado tem a amizade?O mestre apontou para trs rvores e respondeu: Repara nestas trs rvores. So diferentes: numa h flores bonitas e perfumadas; noutra, notamos frutos que chegam a dobrar os seus galhos; e, na ltima, h somente folhas de muitas cores misturadas.Subiram ento a um penhasco de onde podiam ter uma viso panormica e o mestre perguntou ao seu aprendiz: O que vs aqui de cima? Vejo apenas que aquelas trs rvores cresceram prximas e independentes; porm, as suas copas fundem-se, produzindo uma nica sombra respondeu o aprendiz.O mestre concluiu, ento: Esse o verdadeiro significado da amizade: diferenas que crescem juntas, mas que, quanto maiores so, mais prximas ficam, produzindo na fora da unio uma nica sombra, um nico abrigo, onde possvel recuperar foras e encontrar conforto para os olhos, para a alma e para o corao. Os amigos so como rvores diferentes que crescem prximas; quanto mais crescem, mais se unem, formando uma nica fora e descobrindo coisas novas em cada encontro.

    Adaptado de http://tiojuliao.diabetes.org.br/Divino/Mensagem/msg04.php (12/02/2009)

    Celibatrio: Que no contraiu matrimnio; que vive solteiro.

    Vocao: A palavra vocao deriva do verbo latino uocare que significa chamar. Assim, a vocao consiste no facto de algum se sentir chamado a abraar um certo estilo de vida ou a dedicar-se a uma tarefa especfica.

    Vocabulrio

  • unidade 1

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    Conto do Amor

    Certa vez, um homem, cansado de ver tanta maldade na regio onde vivia, decidiu fazer uma peregrinao ao santurio de Deus, para lhe pedir que mudasse aquela situao.Ao entardecer, j cansado de tanto caminhar, parou debaixo de uma rvore e ali preparou o local para passar a noite.Quando j estava pronto para dormir, ouviu uma voz, vinda do nada, que lhe dizia: Homem, como te chamas?Ele, muito assustado, respondeu: Chamo-me Amor. De onde vens?Muito triste, Amor respondeu-lhe: Venho de uma terra desolada, onde s existe maldade. A paz e a esperana h muito findaram. Para onde te diriges com toda essa tristeza? Vou para o santurio de Deus, pedir-lhe que intervenha na minha regio, para que o bem volte a reinar.A voz cessou por um instante e, depois, voltou a dizer: No precisas de ir to longe. Eu sou aquele que tu procuras. Mas s posso conceder-te o teu desejo se pedires com muita f.E Amor pensou, entrou em orao e decidiu fazer o pedido: Quero que me transformes numa pedra e me coloques na boca daquele vulco.E Deus, confuso, disse: Pensei que fosses pedir-me para restabelecer o bem na tua regio. Por que me pedes isso? Eu fiz como me disseste. Pedi com f. Por isso, cumpre a tua promessa.E assim foi feito. Deus transformou-o numa pedra e colocou-o na boca do vulco.Logo o vulco entrou em erupo e, na primeira exploso, estilhaou Amor em milhes de pedaos que se espalharam por toda a Terra.Assim, em todos os lugares, passou a existir um pedao de Amor e na Terra voltou a haver esperana.

    Emerson Danda (adaptado de http://recantodasletras.uol.com.br/contos/35064 - 12/02/2009)

  • unidade 1

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    Na Bblia, Deus no uma fora impessoal, uma espcie de energia que se propaga pelo universo. A mensagem bblica afirma a convico de que Deus pessoa. Como j vimos, ser pessoa significa ser capaz de estabelecer relao com os outros. Nos vrios relatos bblicos, Deus manifesta-se ao ser humano, fala com ele, prope-lhe um estilo de vida, declara que o ama e que deseja a sua felicidade. Deus o amigo da humanidade. Indigna-se quando o ser humano vtima da injustia e do dio alheio, e reafirma a promessa da sua presena constante no meio das adversidades. Deus , portanto, um ser pessoal, inteligente e livre, que ama e quer estabelecer com cada ser humano uma relao especial, nica.

    O Salmo 139 uma confisso de f no Deus infinito, criador, omnisciente e pessoal: um verdadeiro louvor relao pessoal, ntima e nica entre cada crente e Deus.

    Trata-se de uma orao potica que foi redigida para ser cantada e acompanhada por um instrumento musical de cordas: o saltrio, a ctara, a lira ou a harpa. Os Salmos so utilizados no culto religioso, tanto por judeus como por cristos. Jesus, durante a sua vida pblica, tambm citou vrios trechos de salmos e, durante a orao nas sinagogas e no Templo de Jerusalm, cantou Salmos em louvor a Deus.

    Infinito: Que no tem princpio nem fim.

    Omnisciente: Que tudo sabe.

    Deus Pessoa

    Vocabulrio

  • unidade 1

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    Examinar: Analisar; investigar; observar.

    Moldar: Dar forma a; formar; criar.

    Perscrutar: Tratar de conhecer; investigar; explorar.

    Sondar: Tratar de conhecer; avaliar; investigar; explorar.

    Vereda: Caminho estreito e de terra batida.

    Vocabulrio

    Texto bblico

    Tu conheces, deus, a minha intimidade!

    Senhor, tu examinaste-me e conheces-me.2Conheces todos os meus movimentos; distncia, sabes os meus pensamentos.3Vs-me quando trabalho e quando descanso;conheces todas as minhas aces.4Mesmo antes de eu falar,j tu sabes o que vou dizer.5Tu ests em meu redor, por todo o lado;proteges-me com o teu poder.6O teu conhecimento a meu respeito muito profundo;est para alm da minha compreenso.

    7Onde poderia eu ir para me esconder de ti?Para onde poderia eu fugir da tua presena?8Se subisse aos cus, l estarias;se descesse ao mundo dos mortos, l estarias tambm.9Se eu voasse para alm do orienteou fosse habitar nos lugares mais distantes do ocidente,10tambm l a tua mo desceria sobre mim,l estarias para me segurar!11Se eu pedisse escurido para me esconderou luz para se transformar em noite minha volta,12a escurido no me havia de esconder de tie a noite seria para ti to brilhante como o dia.Para ti a escurido e a luz so a mesma coisa!

    13Foste tu que moldaste todo o meu ser;formaste-me no ventre de minha me.14Louvo-te, Altssimo, por to espantosas maravilhas;fico admirado com as tuas obras.Conheces intimamente o meu ser.15Quando o meu corpo estava a ser formado,sem que ningum o pudesse ver;quando eu me desenvolvia em segredo,nada disso te escapava.

    1

  • unidade 1

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    Neste Salmo, o autor dirige-se a Deus, interpelando-o. O crente vive na certeza de que Deus o conhece ainda melhor do que ele prprio se conhece.

    O autor refere-se a Deus atribuindo-lhe aces que so prprias da atitude relacional da pessoa: Deus examina, conhece, sabe, v, est presente, protege, faz descer a mo, molda, forma, assinala, pensa, sonda, perscruta, guia. Qualquer destes verbos exprime a ideia de que Deus est de tal forma presente na vida humana que nenhuma pessoa pode alguma vez estar inteiramente sozinha.

    16Antes de eu estar formado, j tu me havias visto.Tudo isso estava escrito no teu livro;tinhas assinalado todos os dias da minha vida,antes de qualquer deles existir.17Mas para mim, que profundos so os teus pensamentos, Deus!Que misterioso o seu contedo.

    23Examina-me, Deus, e sonda o meu corao;pe-me prova e perscruta os meus pensamentos.24V se eu sigo pelo caminho do male guia-me pela tua vereda, Deus eterno.

    Salmo 139(138),1-17.23-24

    Texto bblico

  • unidade 1

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    direitos e deveresPelo facto de sermos pessoas, todos somos portadores de direitos e

    de deveres. Tanto uns como outros so necessrios vida das sociedades humanas. O que seria uma comunidade em que aos membros no fossem reconhecidos direitos, nem eles assumissem deveres para com os outros? Na verdade, a defesa dos direitos individuais exige o respeito pelos direitos dos outros (deveres). As leis e os regulamentos servem para garantir esses direitos e clarificar os deveres.

    O estabelecimento e reconhecimento dos direitos humanos, tal como os conhecemos hoje, levou muito tempo a ser alcanado e ainda um processo que no est concludo. Na verdade, os direitos humanos no so cumpridos em todo o lado. Exige-se, pois, uma cultura de cidadania, de liberdade e de respeito pela dignidade de cada pessoa, para que cada uma possa realizar-se plenamente.

    A histria da humanidade tambm uma histria de libertao. O ser humano percorreu um longo caminho na busca da liberdade.

    a DigniDaDe Humana

    A opresso nunca conseguiu suprimir nas pessoas o desejo de viver em liberdade.

    Dalai Lama

  • unidade 1

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    Liber

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    iense

    Jesu

    s Cris

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    Moiss fechando o Mar Vermelho, por Siegfried Detler Bendixen

    Virgem com criana, cone Ortodoxo

    Nesta conquista pela liberdade, a Revoluo Francesa, com o lema liberdade, igualdade e fraternidade, foi um acontecimento marcante da histria recente da luta pela liberdade e igualdade entre as pessoas. Os valores da liberdade, igualdade e fraternidade tm a sua raiz na cultura grega e no Cristianismo. Mas foi a partir da Revoluo Francesa que comearam a ganhar contornos polticos e sociais mais vastos.

    A mais famosa representao da liberdade encontra-se na clebre Esttua da Liberdade, em Nova Iorque: uma mulher a liberdade vestida com uma toga, ergue, numa mo, uma tocha de luz (smbolo do fogo eterno da liberdade), na outra segura uma placa com a data da independncia dos Estados Unidos da Amrica (4 de Julho de 1776, em algarismos romanos). Sob os seus ps, esto cadeias quebradas, smbolo da libertao da tirania. Na cabea tem um diadema de sete espiges, que representam os setes oceanos (Atlntico Norte, Atlntico

    Diadema: Coroa.

    Tirania: Governo opressor e cruel; opresso; violncia.

    Proclamao da Emancipao, por A. A. Lamb

    Vocabulrio

  • unidade 1

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    Scu

    lo X

    X d

    .C.

    Scu

    lo X

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    .C.

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    Final

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    12

    Feve

    reiro

    199

    0

    Revoluo Francesa, (Escola Inglesa,

    (sculo XX))

    Rei Joo a assinar a Magna carta

    Escravatura, por Angus McBride

    Criana subrevivente do Holocausto

    Soldados Portugueses nas ruas aps o 25 de Abril

    Nelson Mandela a sair da priso

    Uma cavalgada pela liberdade - Os escravos fugitivos, por Eastman Johnson

    Sul, Pacfico Norte, Pacfico Sul, rctico, Antrctico, ndico) e os sete continentes (Amrica do Norte, Amrica do Sul, Europa, frica, sia, Ocenia, e Antrctica), sugerindo que a liberdade um direito de todos os povos da Terra.

    No sculo XIX comeou a batalha pela abolio da escravatura. Ao mesmo tempo, lutava-se pela defesa do sufrgio universal, ou seja, o direito de todas as pessoas participarem na eleio dos seus representantes. Estes direitos polticos foram essenciais para a afirmao da dignidade de todas as pessoas, independentemente da sua classe social, etnia, gnero, religio, etc.

    Portugal foi o primeiro pas do mundo a abolir a escravatura. Os primeiros escravos a serem libertados, em 1854, pertenciam ao Estado portugus.

    Para saberes mais

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    A Esttua da Liberdade encontra-se na Ilha da Liberdade, em Nova Iorque, desde 28 de Outubro de 1886. Comemora o centenrio da assinatura da Declarao da Independncia dos Estados Unidos da Amrica e foi oferecida pelo povo francs ao povo americano, em sinal de amizade. um dos mais universais smbolos da liberdade poltica e da democracia. O seu nome oficial Liberty Enlightening the World (A Liberdade Iluminando o Mundo).

    Foi projectada e construda pelo escultor alsaciano Frdric Auguste Bartholdi (1834-1904). Para a construo da estrutura metlica interna, Bartholdi contou com a assistncia do engenheiro francs Gustave Eiffel. A esttua mede 46,50 metros (92,99 metros incluindo o pedestal). S o nariz mede 1,37 metros. Pesa 158 toneladas repartidas pelo esqueleto de ao (127 toneladas) e pela esttua de cobre (31 toneladas). a escultura mais pesada do mundo.

    No seu pedestal, h uma placa de bronze, onde est gravado o final do poema da americana Emma Lazarus, intitulado The new Colossus:

    Give me your tired, your poor,

    Your huddled masses yearning to breathe free,

    The wretched refuse of your teeming shore.

    Send these, the homeless, tempest-tost, to me,

    I lift my lamp beside the golden door!

    Dem-me as vossas multides exaustas, pobres

    E confusas, ansiando por respirar liberdade,

    Os indigentes que recusam a vossa costa abundante.

    Conduzam a mim os sem-abrigo, os fustigados pela tempestade,

    Porque, junto porta dourada, ergo a minha tocha!

    Esta grandiosa obra de arte foi classificada como monumento nacional e, mais tarde, como patrimnio mundial da humanidade, pela Unesco.

    Esttua da Liberdade

    Para saberes mais

    Ser pessoa ser livre. Mas liberdade no significa cada um fazer o que quer, sem atender s consequncias das suas aces sobre os outros. Por este motivo, necessrio que o comportamento humano seja, em certa medida, objecto de legislao. As leis, se forem justas, limitam os actos que podem prejudicar os outros e salvaguardam o direito de interveno na sociedade. Cumprir a lei , em princpio, respeitar os direitos e os deveres individuais e colectivos. A vivncia da nossa liberdade exige o respeito pelo bem comum.

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    Pedacinhos de deus

    Se sentes dentro de ti a vontade de amarem gestos que criem fontes, a audcia de sonharmais longnquos horizontes e o apelo a escalarcada vez mais altos montes,cada vez mais altos montes,ento

    Tens em ti um pedacinho de Deus,tens rumos certos no corao.Desperta o sonho: tens em ti os cus,liberta a vida da palma da mo.Faz desses rumos os caminhos teus:de B. P. recebeste esta misso.

    Se sentes dentro de ti sempre a sede de gritaro nome da liberdade, a coragem de falara palavra da verdade e a servir participarna construo da cidade,na construo da cidade,ento

    Se sentes dentro de ti o silncio inspirara paz ao teu corao chamando-te a enfrentara vida com deciso e teimas acreditarna esperana de um mundo bom,na esperana de um mundo bom,ento

    Msica e letra: Alexandre Reis, Pe. Jos Nuno

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    QUando os direitos no esto garantidos...

    A humanidade j viveu perodos sombrios, mesmo na histria recente, nos quais morreram milhes de homens, mulheres e crianas. A primeira guerra mundial (1914-1918), por exemplo, provocou milhares de mortos e feriu de tal modo o corao das pessoas que o dio, o medo e a desconfiana tomaram conta das relaes entre alguns povos e pessoas. Quando a guerra terminou, ficaram muitas discrdias por resolver. No demorou muito a eclodir a segunda guerra mundial (1939-1945).

    Neste conflito blico, como em todos, foi notrio o desrespeito pelo ser humano, enquanto pessoa dotada de dignidade.

    No final da segunda guerra mundial, com o intuito de evitar novos conflitos, algumas naes uniram-se e criaram a Organizao das Naes Unidas (ONU), que ainda hoje uma organizao muito prestigiada. Os seus objectivos so: promover a paz no mundo, proteger os direitos humanos, fomentar o desenvolvimento econmico e social das naes, estimular a autonomia dos povos e reforar laos entre todas as naes. Actualmente, a ONU rene mais de 190 pases.

    Um dos marcos mais importantes da vida desta instituio foi a publicao, a 20 de Junho de 1948, da Declarao Universal dos Direitos Edifcio das Naes Unidas

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    Humanos (DUDH). Todos os membros tm a obrigao de respeitar e fazer respeitar os direitos que essa declarao proclama.

    Muitos dos pases membros da ONU continuam a desrespeitar os preceitos inscritos nesta declarao. A muitos povos, bem como a grupos especficos, ainda hoje vedado o exerccio dos seus direitos fundamentais. As crianas constituem, indiscutivelmente, um dos grupos mais vulnerveis.

    direitos da criana

    Os direitos das crianas so o resultado de uma conquista recente da histria da humanidade. Outrora, no se reconheciam direitos especficos s crianas, por isso no havia qualquer legislao sobre o assunto. A criana dependia totalmente da vontade dos adultos com quem vivia.

    Se observarmos factos da vida privada das pessoas, ao longo dos diferentes perodos da histria, podemos verificar que as crianas estavam inteiramente submetidas deliberao dos adultos, no lhes sendo garantidos quaisquer direitos pessoais.

    Entretanto, a conscincia dos povos foi evoluindo e hoje reconhece-se criana direitos prprios que no dependem da vontade dos adultos.

    Assim, os adultos que cuidam das crianas no tm sobre elas direitos de propriedade, como se se tratassem de objectos e no de pessoas. Bem pelo contrrio, esto obrigados a zelar pelo interesse das crianas, pelo seu bem-estar, pela sua felicidade, pelo seu crescimento harmonioso, bem como a ouvi-las e a permitir que tomem algumas decises. Quando os seus direitos bsicos no so respeitados pelos adultos, outras entidades podem e devem intervir para garantir a sua sade e bem-estar.

    Esta evoluo positiva tem a sua origem nos valores cristos. De facto, ao observarmos a maneira como Jesus se relacionava com as crianas, verificamos que era muito diferente da forma como era esperado que o fizesse. Alguns traziam as suas crianas at Jesus para ele as abenoar,

    Mt 18, 1-5

    Procura na Bblia

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    mas os discpulos zangavam-se com eles, provavelmente por acharem que Jesus devia dedicar-se a gente mais importante do que as crianas. No entanto, Jesus ficava indignado com os discpulos (Mc 10,14) e repreendia-os, dizendo-lhes que deixassem passar as crianas, porque elas eram o modelo de todo aquele que quisesse aceitar a sua mensagem de salvao.

    Esta maneira realmente inovadora de se relacionar com as crianas abriu as portas para o reconhecimento da sua dignidade pessoal e, portanto, dos seus direitos.

    Na Idade Mdia, o nascimento era olhado com algum desprendimento social, dada a incerteza da sobrevivncia de cada beb, nos primeiros tempos de vida. De facto, at muito recentemente, eram elevadssimas as taxas de mortalidade infantil.

    Ainda hoje, apesar de se reconhecerem direitos s crianas, nem todas os vem respeitados. Muitas crianas sofrem a indiferena ou at a violncia dos adultos.

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    Balada da Neve

    Batem leve, levemente,Como quem chama por mimSer chuva? Ser gente?Gente no certamenteE a chuva no bate assim

    talvez a ventania;Mas h pouco, h poucochinho,Nem uma agulha buliaNa quieta melancoliaDos pinheiros do caminho

    Quem bate assim levemente,Com to estranha levezaQue mal se ouve, mal se sente?No chuva, nem gente,Nem vento, com certeza.

    Fui ver. A neve caaDo azul cinzento do cu,Branca e leve, branca e fria H quanto tempo a no via!E que saudades, Deus meu!

    Olho-a atravs da vidraa.Ps tudo da cor do linho.Passa gente e, quando passa,Os passos imprime e traaNa brancura do caminho

    Fico olhando esses sinaisDa pobre gente que avanaE noto, por entre os mais,Os traos miniaturaisDuns pezitos de criana

    E descalcinhos, doridosA neve deixa inda v-los,Primeiro bem definidos, Depois em sulcos compridos,Porque no podia ergu-los!

    Que quem j pecadorSofra tormentos, enfim!Mas as crianas, Senhor,Porque lhes dais tanta dor?!Porque padecem assim?!

    E uma infinita tristeza,Uma funda turbaoEntra em mim, fica em mim presa.Cai neve na natureza E cai no meu corao.

    Augusto Gil, Luar de Janeiro

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    garantir direitos s crianas

    Dada a vulnerabilidade das crianas e o facto de tantas sofrerem atentados contra a sua dignidade, a sociedade foi desenvolvendo mecanismos legais e outros para a sua proteco e para o cumprimento efectivo dos seus direitos.

    Com este fim, a ONU criou, a 11 de Dezembro de 1946, um organismo dedicado exclusivamente a atender as necessidades bsicas das crianas no mundo e garantir o seu pleno desenvolvimento a UNICEF.

    A UNICEF United Nations International Childrens Emergency Fund dedica-se defesa e salvaguarda dos direitos das crianas em todo o mundo. O seu lema Para todas as crianas sade, educao, igualdade e proteco.

    Como indicado na Declarao dos Direitos da Criana, a criana, por motivo de falta de maturidade fsica e intelectual, tem necessidade de proteco e cuidados especiais, nomeadamente de proteco jurdica adequada, tanto antes como depois do nascimento.

    Prembulo da Conveno sobre os Direitos da Criana.

    Jogos de Crianas, por Pieter Bruegel, o Velho

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    Mas no bastava ter um organismo que se dedicasse s crianas, era preciso que todos os Estados e todas as pessoas do mundo soubessem quais so efectivamente os direitos das crianas. Por isso, a ONU promulgou, por unanimidade, a Conveno sobre os Direitos da Criana, a 20 de Novembro de 1989.

    Este documento procura clarificar quais so os direitos fundamentais das crianas e obriga os Estados que o adoptarem a garantir a sua aplicao.

    Quase todos os pases do mundo aceitaram esta Conveno, que assenta em quatro grandes pilares.

    1.: A no discriminao que determina que todas as crianas do mundo e em qualquer momento tm o direito de desenvolver todo o seu potencial.

    2.: O interesse superior da criana deve ser prioritrio em todas as aces e decises que envolvam a prpria criana.

    3.: A sobrevivncia e desenvolvimento que sublinha a importncia vital da garantia de acesso a servios bsicos e igualdade de oportunidades para que as crianas possam desenvolver-se plenamente.

    4.: A opinio da criana que significa que a voz das crianas deve ser ouvida e tida em conta em todos os assuntos que se relacionem com os seus direitos.

    Adaptado de UNICEF, A Conveno sobre os Direitos da Criana

    Datas importantes para a defesa dos direitos da criana:

    1924: Declarao de Genebra sobre os direitos da criana (Sociedade das Naes).

    1946: Fundao da UNICEF (ONU).

    1948: Declarao Universal dos Direitos Humanos (ONU).

    1959: Declarao dos Direitos da Criana (ONU).

    1976: A ONU proclama o ano de 1979 como Ano Internacional da Criana.

    1989: Conveno sobre os Direitos da Criana (ONU). Portugal ratificou esta conveno a 21 de Setembro de 1990.

    Para saberes mais

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    Os seus 54 artigos podem ser divididos em quatro subcategorias de direitos: direito sobrevivncia (ex.: cuidados mdicos adequados); direito ao desenvolvimento (ex.: educao); direito proteco (ex.: proteco de formas de explorao e trabalho infantil); direito de participao (ex.: participao da criana na sociedade e expresso das suas opinies).

    atentados aos direitos da crianaInfelizmente, h ainda muito por fazer para que todas as crianas

    vejam respeitados os seus direitos. Os atentados aos direitos das crianas assumem as mais variadas formas. O abandono uma delas.

    O seu abandono, sob a forma de venda, j acontecia na antiga Babilnia (sculos XVIII-XVII a.C.), como o atesta o Cdigo de Hamurabi.

    Na Idade Moderna, a criana indesejada e rejeitada era deixada na Roda. Seguidamente, lavrava-se um registo individual em que constavam normalmente a data, hora e local do enjeite, a idade aparente, o relato do vesturio, a cpia na ntegra dos bilhetes que, por vezes, acompanhavam o exposto, a referncia ao baptismo (se foi administrado por algum antes do abandono) e o nome, j indicado ou escolhido no momento. Mais

    117.: Se algum tem uma dvida e, para a pagar, vende a mulher, o filho e a filha, estes devero trabalhar trs anos na casa do comprador ou do senhor; no quarto ano este dever libert-los.

    Cdigo de Hamurabi.

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    tarde, acrescentava-se a ama a que o enjeitado fora entregue, apontando o respectivo nome, estado civil, nome do cnjuge e residncia. Em caso de bito, mencionava-se igualmente a data no mesmo registo.

    O enjeitamento acontecia sobretudo noite, depois do pr-do-sol, aumentando progressivamente at uma hora da manh, porque a noite encobria o segredo. Raramente se abandonavam crianas que j se exprimissem correctamente, uma vez que poderiam denunciar os familiares que as haviam desamparado.

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    Apesar de, actualmente, existir legislao que protege as crianas, existem locais no mundo onde elas continuam a no ser respeitadas e a ser exploradas das mais diferentes formas. Tal ocorre quer nos pases desenvolvidos quer nos pases em desenvolvimento.

    A muitas crianas negado o acesso aos cuidados bsicos de sade e higiene, apesar de haver tratamento adequado para algumas das doenas de que padecem. Por vezes, no existe solidariedade dos pases economicamente mais poderosos em relao a outros pases onde h carncia de medicamentos.

    Nunca existiu to elevada produo de alimentos como actualmente, no entanto continuam a morrer de fome milhares de crianas em todo o mundo, vtimas da escassez de alimentos ou da m nutrio. Este facto uma mancha no corao da humanidade!

    D. Beatriz, mulher de D. Afonso III, foi uma das fundadoras do primeiro hospital que recolhia crianas no reino de Portugal, com o nome de Ecclesiae Innocentum Hospitalis Puerorum (Hospital das Crianas Inocentes da Igreja), situado no Bairro da Mouraria, em Lisboa, nas imediaes da capela da Senhora da Sade.

    Para saberes mais

    A palavra progresso no ter qualquer sentido enquanto houver crianas infelizes.

    Albert Einstein

    A subnutrio uma das causas que contribui para mais de um tero dos 9,2 milhes de mortes de crianas com menos de cinco anos no mundo. Embora se tenham registado desde 1990 algumas melhorias relativamente percentagem de crianas desta faixa etria com baixo peso, estima-se que 148 milhes de crianas continuem a sofrer de subnutrio nos pases em desenvolvimento. Para que estas crianas tenham hipteses de sobreviver, preciso intensificar esforos a fim de satisfazer as necessidades nutricionais das mulheres, dos bebs e das crianas.

    Nova Iorque / Genebra, 12 de Setembro de 2008In http://www.unicef.pt (16/02/2009)

    Para saberes mais

    Mais de 600 detidos em operao contra prostituio infantil

    O FBI deteve 642 pessoas em vrios estados dos EUA numa operao que resultou no desmantelamento de uma rede que explorava pelo menos 47 menores, obrigados a prostituir-se.

    Notcia do Semanrio SOL, 28 de Outubro de 2008

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    H crianas que esto ainda sujeitas a gravssimos abusos psicolgicos e fsicos, que sofrem maus-tratos ou que so obrigadas a prostituir-se. So situaes de sofrimento extremo s quais, na maioria dos casos, as crianas no tm hiptese de fugir. Os maus-tratos podem ser de vria ordem: a simples ausncia de afecto, a violncia constante atravs de palavras, o espancamento, os abusos sexuais. Algumas crianas so vendidas pela prpria famlia ou por aqueles que as tm a seu cargo, normalmente para prostituio. H redes de delinquncia que raptam crianas para, depois, serem vendidas para adopo ou para prostituio.

    12 de Junho de 2008, Nova iorque

    A UNICEF estima que existam 158 milhes de crianas menores de 15 anos que esto presas nas malhas do trabalho infantil em todo o mundo. A vasta maioria dessas crianas tem pouca ou nenhuma esperana de conseguir acesso instruo, que quebraria o ciclo de pobreza e analfabetismo que lhes mina o futuro.

    Mais de 100 milhes de crianas, quase 70% da populao laboral infantil, trabalham na agricultura, em reas rurais onde o acesso escola, a disponibilidade de professores preparados e o material educativo muito limitado. Mesmo nas reas urbanas, as crianas pobres e marginalizadas no podem beneficiar de um acesso mais alargado s instalaes escolares devido ao custo, classe social e a questes culturais.

    Contudo, dados recentes vieram trazer esperana batalha contra o trabalho infantil. A Educao a melhor arma neste combate escala global, e o nmero de crianas que no frequentam a escola desceu de 115 milhes em 2002 para 93 milhes em 2005-2006.

    Mas como h mais de 150 milhes de crianas a trabalhar em vez de a aprender, os governos e a comunidade internacional podem fazer mais para ajudar essas crianas a regressarem escola. Nomeadamente, assegurando a educao gratuita para todas as crianas pelo menos at idade mnima para trabalhar; proporcionar programas educativos flexveis e com recursos adequados a crianas trabalhadoras e a outros grupos marginalizados, a fim de que as crianas possam aprender bem apesar de trabalharem; e proporcionar educao de qualidade e aces de formao que sejam amigas-das-crianas facultadas por professores com formao e recursos adequados.

    In http://www.unicef.pt (16/02/2009)

    Ningum deve deixar de denunciar casos semelhantes a estes, se os conhecer. A criana no propriedade das famlias ou das pessoas que as tm a seu cargo. Todos somos responsveis pelo seu bem-estar e pela sua integrao na sociedade, quer sejam da nossa famlia, quer no.

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    O ser humano naturalmente aberto, acolhedor e receptivo. A sua dimenso espiritual, de abertura ao outro e eventualmente a Deus, faz com que sinta uma natural inclinao para o acolhimento do prximo. Este acolhimento torna-se efectivo quando a pessoa, individual ou colectivamente, cria condies para que todos se realizem enquanto pessoas.

    O direito de realizao da vocao humana depende da proteco do direito liberdade de conscincia, livre manifestao de opinio e liberdade religiosa. Impe-se tambm a aceitao das diferenas, nomeadamente culturais, religiosas, sociais e fsicas.

    Por diferentes razes, em qualquer momento da nossa vida podemos tornar-nos portadores de deficincia.

    A Constituio da Repblica Portuguesa prev que os cidados portadores de deficincia gozem dos mesmos direitos dos demais cidados.

    gaRantiR o DiReito a seR Pessoa

    Ludwig van Beethoven nasceu em 1770 e faleceu em 1827. Foi um dos maiores compositores de msica clssica de todos os tempos e comps a sua nica pera j parcialmente surdo.

    Para saberes mais

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    Artigo 71. (Cidados portadores de deficincia)

    1. Os cidados portadores de deficincia fsica ou mental gozam plenamente dos direitos e esto sujeitos aos deveres consignados na Constituio, com ressalva do exerccio ou do cumprimento daqueles para os quais se encontrem incapacitados.

    2. O Estado obriga-se a realizar uma poltica nacional de preveno e de tratamento, reabilitao e integrao dos cidados portadores de deficincia e de apoio s suas famlias, a desenvolver uma pedagogia que sensibilize a sociedade quanto aos deveres de respeito e solidariedade para com eles e a assumir o encargo da efectiva realizao dos seus direitos, sem prejuzo dos direitos e deveres dos pais ou tutores.

    Constituio da Repblica Portuguesa

    Existem diversas organizaes que se dedicam promoo, integrao e desenvolvimento da pessoa portadora de deficincia. Estas organizaes so muito importantes, permitindo a valorizao, o desenvolvimento e a realizao pessoal de todos.

    Jesus, o amigo dos pobres, dos desamparados, dos discriminados, orientou a sua aco para a promoo dos mais desfavorecidos, porque via neles a presena de Deus. Assim, vemo-lo a curar os leprosos, os cegos, os paralticos e outras pessoas que, de alguma maneira, eram mais vulnerveis. Para Jesus, as pessoas com deficincia e os doentes so amados por Deus e dignos de toda a ateno.

    Tiago, o discpulo e parente de Jesus, escreveu uma carta a todos os cristos. Nela deixou claro que o amor deve ser a motivao para a aco dos crentes e que ter f no significa apenas dizer que se acredita em Deus, mas tambm agir em favor dos outros.

    A Associao Portuguesa de Pais e Amigos do Cidado Deficiente Mental APPACDM, congrega diferentes associaes com esta misso.

    Para saberes mais

    Mc 12,29-31.

    Procura na Bblia

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    Santo Agostinho nasceu em 354, em Hipona (frica do Norte), e faleceu em 430. Filho de pai pago e de me crist, converteu-se ao Cristianismo, j em idade adulta, por influncia de Santo Ambrsio, bispo de Milo. Telogo e filsofo, escreveu vrias obras, destacando-se A Cidade de Deus e Confisses.

    Para saberes mais

    Cristo curando os doentes, por Laura James

    Nas coisas necessrias, a unidade; nas duvidosas, a liberdade; e em todas, o amor.

    Santo Agostinho de Hipona

    Texto bblico

    A f e as obras

    P rocedem bem se cumprirem o mandamento fundamental: Amars o teu semelhante como a ti mesmo. Mas se fizerem acepo de pessoas, isso est mal.

    Que importa, meus irmos, algum dizer que tem f, se a no pe em prtica? Imaginem que algum irmo ou irm no tem nada que vestir e lhe falta o necessrio para comer, cada dia. Vocs podem dizer-lhes: Vo em paz! Ho-de encontrar com que se aquecer e matar a fome! Mas se no lhes do aquilo de que eles precisam, de que valem essas boas palavras? Do mesmo modo a f, se no posta em prtica, est morta!

    Tg 2,8-9.14-17

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    Para alm do aspecto exterior do outro, dou-me conta da sua expectativa interior de um gesto de amor, de ateno, que eu no lhe fao chegar somente atravs das organizaes que disso se ocupam, aceitando-o talvez por necessidade poltica. Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente necessrias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa.

    Bento XVI, Encclica Deus Caritas Est

    Na f e na esperana o mundo discordar, mas todo o interesse da humanidade est no amor.

    Alexandre, O Grande. Sculo IV a.C.

    Queridos avs,

    Aproveito o incio de mais este ano para mandar notcias. Este vai ser, com certeza, o melhor ano das nossas vidas. a me quem continua a dizer isso. Como dizia, alis, em relao ao ano passado. Eu estou certa, no entanto, de que ser mesmo este o melhor.Sabem, hoje, na estao dos comboios, passei por uma rapariga, uma mulher jovem, que tentava a muito custo carregar um carrinho de beb. Eu fiz o mesmo que fizeram todas as pessoas que corriam para c e para l e passei simplesmente ao lado. Reparei que algumas tinham a ousadia de olhar pelo canto do olho, outras nem reparavam. Todas, como eu, passavam e iam s suas vidas.Mas eu no era assim. Eu no era aquela rapariga que passou apenas. Por isso, voltei para trs e informei a mulher e o carrinho de que os ajudaria a subir as escadas. Impressionou-me, nos meus, s vezes cobardolas, 12 anos, a coragem de no ter, sequer, perguntado se precisavam de ajuda. No, fui logo dizendo Venha, eu ajudo-a!A ajuda ter sido preciosa, embora atrapalhada, por causa da mala que eu transportava a tiracolo e dos cadernos novos que trazia nas mos, o que tornou a viagem pelas escadas acima at um pouco mais divertida.No final da viagem, encontrmos um outro senhor, esse j mesmo idoso. Pelo menos, na dificuldade que aparentava ter em deslocar-se e pelas duas bengalas com que se fazia acompanhar.Senti-me confusa, porque no me dava mesmo jeito nenhum passar esse dia a ajudar pessoas a subir e a descer escadas. Isso foi, no entanto, desnecessrio, porque, quando eu me baixei para apanhar o caderno de Ingls que tinha cado no cho, ouvi uma voz que dizia Venha, eu ajudo-o!.Aquela, sim, era eu. E nem me importei muito por no ter entregado o trabalho de frias de Ingls, que, entretanto, insistiu em ter fugido pelas escadas abaixo.Esta sou eu, aqui. E senti-me to cheia de felicidade por ter sido eu nas escadas que tive esta vontade de partilhar convosco que este ano, tenho a certeza, ser o melhor da minha vida. Que, acima de tudo, as escadas dos meus dias me ajudem na descoberta de mim prpria.Os maiores beijinhos de saudades, queridos avs; adorei as frias a na terra.

    Ana Catarina

    P. S.: Beijinhos tambm no focinho do Lucas.

    Texto original de Jorge Andr Almeida

  • Unidade Lectiva 2

  • advento e nataL

  • unidade 2

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    Com o Inverno, chegam os dias cinzentos, curtos e chuvosos. O frio aproxima-se a passos largos, contrastando com o calor que emerge das lareiras. A paisagem transforma-se igualmente, desenhando os dias em tons escuros, onde se destaca a neve branca alcandorada na montanha que se veste para receber o Natal.

    Na cidade, as ruas comeam a ficar mais iluminadas, as montras ganham cores, as casas exibem o seu prespio e a sua rvore, a televiso multiplica a animao infantil. Os alimentos consomem-se mais quentes, os nossos familiares iniciam inquritos interminveis sobre aquilo de que mais gostamos, os nossos sonhos so invadidos por histrias de fantasia e imagens de fadas onde no falta a rena Rodolfo.

    Natal! Por esta altura, multiplicam-se as campanhas de solidariedade. Na escola, na parquia e no bairro aumenta o esprito de entreajuda. O amor e a fraternidade invadem os nossos coraes! Olhamos o mundo inteiro e somos chamados a reconhecer nos outros os nossos irmos.

    Sentimos, ento, o calor de um gesto ou de um sorriso, trazido pelas mos de uma criana. Natal!

    Chega o Natal!

    Alcandorada: Situada em ponto alto; elevada.

    Vocabulrio

  • unidade 2

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    Aproxima-se o Natal!

    Quando acordei, j a minha me e a minha av andavam muito atarefadas na cozinha. Na lareira, enormes labaredas aqueciam grandes panelas de ferro. Depois de almoar o leite e as sopas de po que a minha av ps dentro da malga com flores azuis, minha me mandou-me tratar da cabra Lourena. E eu fui. Pelo caminho reparei que todas as casas da Pedra de Hera tinham um chapu de fumo a cobri-las.No nosso lameiro, que ficava junto da ribeira, comecei a cortar a erva com uma foicinha muito bem afiada. Tinha j cortado um bom pedao quando me assustei. No meio da erva encontrei um ninho de ratos pequeninos, ainda sem plo, muito rosadinhos. Estive quase para os matar com a ponta da foicinha. Depois pensei no Menino Jesus e nas prendas de Natal e deixei-os viver. O Menino Jesus devia ter ficado muito contente por ver que eu tinha um bom corao.Ao regressar a casa, surpreendi-me com o cheiro diferente que envolvia toda a Pedra de Hera. Cheirava a acar queimado, a canela e a frituras. Nessa noite, que demorava tanto tempo a chegar, a nossa casa iria encher-se de gente. volta da mesa comprida estariam os meus tios e os meus primos, a minha av, a minha me e eu. Ao todo, ramos catorze. Quando entrei na cozinha, minha av enfeitava, com canela, grandes travessas de aletria. Minha me, com o rosto muito vermelho, transpirada, fritava as primeiras rabanadas. Em cima da mesa, estava um monte de pencas repolhudas, e no cho um balde cheio com as maiores batatas criadas no nosso quintal. Queres comer uma postinha de bacalhau assado? Perguntou a minha me.No cheguei a dizer que sim, que era muito capaz de comer uma bela posta de bacalhau assadinha nas brasas muito vivas da lareira, muito bem regada com azeite aquecido e temperada com um dente de alho partido em pedacinhos.

    Excertos de Antnio Mota, Sonhos de Natal

  • unidade 2

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    A expectativa da vinda do Emanuel (palavra que significa Deus connosco), referida no Livro de Isaas (Antigo Testamento), testemunha uma relao muito prxima entre o povo de Israel e o seu Deus, em quem depositava grande confiana. Esta confiana reforada nos momentos de maior dificuldade. O povo, sujeito ao jugo dos seus inimigos, isto , dos povos que os invadiam, espera a libertao desta opresso atravs da vinda de um Messias que o ir governar na paz e na justia, trazendo a alegria a Israel. O Messias esperado seria descendente da casa de David.

    Para os judeus, a f no era algo abstracto, concretizando-se na confiana que colocavam num Deus nico, com quem os seus antepassados tinham estabelecido uma aliana. neste contexto de esperana que no livro de Isaas (6-12) encontramos o anncio proftico da vinda do Messias: o Emanuel.

    Isaas 7, 1

    Procura na Bblia

    emaNuel: o messias esperado de israel!

    Na Bblia, a palavra Messias surge vrias vezes relacionada com a consagrao de profetas, sacerdotes e especialmente reis. O ttulo de Messias aplica-se, no Novo Testamento, a Jesus, o rei salvador anunciado pelos profetas do Antigo Testamento. A palavra Cristo era sinnima de Messias. No entanto, conforme foi sendo usada em conjunto com o nome Jesus, passou a constituir um nome prprio.

    Para saberes mais

    Rei David a tocar harpa, por autor annimo

    O Emanuel

    Pois bem, o prprio Senhor que vos vai dar um sinal: a jovem mulher est grvida e vai dar luz um filho e pr-lhe- o nome de Emanuel, Deus connosco.Is 9,2-6

    Texto bblico

  • unidade 2

    61

    Messias: uma palavra de origem hebraica que significa ungido, consagrado a Deus para transmitir a sua mensagem.

    Profeta: Aquele que anuncia os desgnios de Deus, transmitindo ao povo de Israel as suas promessas.

    Serafim: um arcanjo. Normalmente, aparece com a primeira posio na hierarquia celestial dos anjos, encontrando-se mais prximo de Deus.

    Prncipe da paz

    Acrescentaste a alegria, Senhor, aumentaste o jbilo. Rejubilam diante de ti como se alegram no tempo das ceifas, como rejubilam ao repartirem os despojos.3Tal como outrora, tambm agora quebras o jugo da opresso

    que pesa sobre o teu povo, a vara que lhes rasga os ombros e o basto do capataz de trabalhos forados.

    4A bota inimiga que pisa o solo com arrogncia e a capa enrolada, tingida de sangue, sero queimadas e pasto de fogo.

    5 que um menino nos nasceu, um filho nos foi dado. Deus colocou a sabedoria sobre os seus ombros. Os seus ttulos so: Conselheiro maravilhoso, Deus forte, Pai para sempre, Prncipe da paz.

    6Ele vai alargar o seu domnio e governar em paz total, sobre o trono de David e sobre o seu reino. Vai estabelec-lo e consolid-lo com a justia e o direito, desde agora e para sempre. isto mesmo o que vai realizar o Deus do universo, com todo o cuidado.

    Is 9,2-6

    2

    O Livro de Isaas o nico livro das Escrituras Hebraicas encontrado completo nos achados de Qumran. Aqui, foram descobertas vrias cpias do livro, testemunho da sua importncia para as comunidades de crentes que a viveram.

    Para saberes mais

    Texto bblico Vocabulrio

  • unidade 2

    62

    Os textos bblicos registam a confiana permanente do povo de Israel no seu Deus. Um Deus que nunca os abandonou e que eles sentem que est prximo. Por esse motivo esperam, mesmo nas maiores tribulaes, que Deus se manifeste. Esperam um novo tempo de libertao da dor e da opresso. Um tempo de liberdade e de justia trazida pelo poder de Deus, atravs do seu enviado, ao povo de Israel, o povo eleito.

    Jesus, o messias prometido

    Apresentao de Jesus no Templo, por James Tissot

  • unidade 2

    63

    O ramo do tronco de Jess

    Um novo ramo sair do tronco de Jess, e da sua raiz brotar um rebento.2Sobre ele repousar o esprito do Senhor: esprito de sabedoria e entendimento, esprito de conselho e valentia, esprito de conhecimento e de respeito pelo Senhor. 3Viver inteiramente para honrar o Senhor. No julgar segundo as aparncias, nem dar sentenas pelo que ouve dizer. 4Defender com justia os fracos e com rectido os pobres do pas. 5A justia e a lealdade sero a cintura com que ele se aperta continuamente.

    6Ento o lobo habitar com o cordeiro, o leopardo deitar-se- junto do cabrito, o vitelo e o leo pastaro juntos; at uma criana pequena os conduzir. 7A vaca pastar com o urso, as suas crias deitar-se-o juntas, e o leo comer erva com o boi. 8O beb brincar na toca da cobra e a criana meter a mo no buraco da vbora.

    9No haver mais mal nem destruio em toda a montanha santa do Senhor, porque o conhecimento do Senhor encher o pas, tal como as guas enchem o mar.

    Is 11, 1-9

    1

    O livro de Isaas ter sido o mais estudado, meditado e cristianiza-do. o livro da Bblia com maior nmero de captulos (66), sendo uma referncia para a Igreja crist primitiva.

    As comunidades crists primitivas leram e interpretaram as palavras de Isaas, compreendendo-as luz da vida de Jesus. No livro de Isaas, profetiza-se a vinda de um Messias e de um reino messinico, repleto de esperana. O evangelho de Mateus, que relata a vida de Jesus desde os acontecimentos relacionados com a sua infncia at sua morte, assume que as profecias de Isaas se cumpriram em Jesus.

    Jess o pai do rei David e integra a genealogia de Jesus. O texto de Isaas confirma-nos a espera do Messias, da linhagem de David.

    Para saberes maisTexto bblico

  • unidade 2

    64

    O ramo do tronco de Jess

    T udo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: 23A virgem ficar grvida e dar luz um filho que se h-de chamar Emanuel.

    Mt 1, 22-23

    22

    Texto bblico

    Prespio com os Profetas Isaas e Ezequiel, por Duccio di Buoninsegna

    Nossa Senhora, por William Early

  • unidade 2

    65

    adveNto, tempo de esperaNa

    Para os cristos, o Advento um tempo de preparao para a celebrao do nascimento de Jesus. por isso um tempo de esperana, de alegria e expectativa. Neste perodo, os fiis tomam conscincia da necessidade de promover a fraternidade e a paz.

    Advento: Do latim adventus, que significa chegada.

    Surdina de Natal para os meus netos

    David InsVamos ver o Meninoinda mais pequeninoque vocs

    Vamos v-lo tapadosob o cu do futurocom a sombra de um muroa seu lado

    Vamos v-lo ns trsnovamente a nascerVamos ver se vai serdesta vez

    David Mouro-Ferreira, 101 Poetas

    Vocabulrio

  • unidade 2

    66

    O Advento tem incio num domingo, prximo do final de Novembro, e termina na vspera de Natal. o primeiro tempo do ano litrgico, cor-respondendo aos quatro domingos que antecedem o Natal.

    A msica tambm um elemento muito importante nas celebraes litrgicas. Esta tem a finalidade de facilitar a interpretao, a compreenso e a interiorizao da mensagem. As celebraes litrgicas crists deram origem composio das mais belas e importantes obras musicais de todos os tempos.

    A celebrao do nascimento de Jesus motivou a composio de peas musicais muito populares e conhecidas em todo o mundo.

    O ano litrgico difere do ano civil. Na liturgia da Igreja Catlica, o ano divide-se em seis tempos. O primeiro o Advento, que antecede o tempo do Natal; o segundo o Tempo Comum; o terceiro a Quaresma, que corresponde aos quarenta dias antes da Pscoa; seguem-se o Trduo Pascal e o Tempo Pascal. Por fim, novamente o Tempo Comum.

    Liturgia: o conjunto das celebraes e festas religiosas.

    Fl 4,4Para saberes mais

    Procura na Bblia

    Ministro da liturgia: Quem administra o ofcio religioso.

    Paramento litrgico: Veste usada pelo sacerdote durante as celebraes litrgicas.

    As celebraes litrgicas inspiraram grandes compositores de todo o mundo. Bach, Haendel, Mozart, Beethoven, Schubert, Berlioz, Franck, Liszt, Migot, Penderecki, Perosi, Schutz e Gounod so alguns dos compositores que compuseram obras musicais para a celebrao de diferentes tempos litrgicos. A missa solene de Beethoven e o Ave Verum de Mozart so apenas dois exemplos.

    Para saberes mais

    Vocabulrio

    Vocabulrio

    Paramentos Litrgicos usados no Tempo Comum, Quaresma e Pscoa

  • unidade 2

    67

    As celebraes litrgicas e a preparao das Igrejas reflectem o significado do Advento: tempo de recolhimento, de penitncia e de converso. As leituras da missa, as cores dos