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  • semeando cultura de paz nas escolas

    L i a D i s k i n L a u r a G o r r e s i o R o i z m a n

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    Os autores são responsáveis pela escolha e apresentação dos fatos contidos neste livro, bem como pelas opiniões nele expressas, que não são necessariamente as da UNESCO, nem comprometem a Organização. As indicações de nomes e a apresentação do material ao longo deste livro não implicam a manifestação de qualquer opinião por parte da UNESCO a respeito da condição jurídica de qualquer país, território, cidade, região ou de suas autoridades, nem tampouco a delimitação de suas fronteiras ou limites.

  • semeando cultura de paz nas escolas

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    L i a D i s k i n L a u r a G o r r e s i o R o i z m a n

  • © UNESCO, 2002

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    Diskin, Lia Paz, como se faz?: semeando cultura de paz nas escolas / Lia Diskin e Laura Gorresio Roizman — Rio de Janeiro: Governo do Estado

    do Rio de Janeiro, UNESCO, Associação Palas Athena, 2002. 95p.

    1. Educação 2. Paz I. Roizman, Laura Gorresio II. UNESCO III. Título

    CDD 370

    GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

    Governador Anthony Wiliam Garotinho Matheus de Oliveira

    Secretária Estadual de Educação Darcília Aparecida da Silva Leite

    Secretário Executivo do Gabinete do Governador Luiz Rogério Gonçalves Magalhães

    Coordenador de Desenvolvimento Humano e do Programa Escolas de Paz Fernando Otávio de Freitas Peregrino

    UNESCO / Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura

    Conselho Editorial Jorge Werthein • Maria Dulce Almeida Borges • Célio da Cunha

    Comitê para a área de Ciências Sociais e Desenvolvimento Social Marlova Jovchelovitch Noleto • Júlio Jacobo Waiselfisz • Carlos Alberto dos Santos Vieira • Maria das Graças Rua

    Coordenação do Escritório no Rio de Janeiro Marta Porto

    Assessoria da Área de Educação Patrícia Lacerda

    Representação no Brasil SAS, Quadra 5 Bloco H, Lote 6, Ed. CNPq/IBICT/UNESCO, 9º Andar 70070-914 – Brasília – DF Tel: (55 61) 321-3525 • Fax: (55 61) 322-4261 UHBRZ@unesco.org

    Escritório Rio de Janeiro Rua Augusto Severo, 84 – 10º Andar Ed. Barão de Mauá – Glória 20021-040 – Rio de Janeiro – RJ Tel: (55 21) 2505-0076 • Fax: (55 21) 2505-0077

    ASSOCIAÇÃO PALAS ATHENA

    Conselho Deliberativo Ana Maria de Lisa Bragança Aparecida Elci Ferreira Daniela Maria Moreau Eduardo Natalino dos Santos George Hauach Barcat João Roberto Moris José Romão Trigo Aguiar Laura Gorresio Roizman Lucia Benfatti Marques Lúcia Brandão Saft Moufarrige Manuel Moreira da Silva Manuel Morgado Cutolo Mara Novello Gerbelli Maria José Sesti Neves Regina Fartos Terlizzi Therezinha Siqueira Campos

    Rua Leôncio de Carvalho, 99 04003-010 São Paulo - SP Tel: (55-11) 3266-6188 Fax: (55-11) 287-8941 sedepalasathena@uol.com.br

    mailto:UHBRZ@unesco.org mailto:sedepalasathena@uol.com.br

  • Coordenação e textos Lia Diskin e Laura Gorresio Roizman

    Coordenação de pesquisa Aparecida Elci Ferreira

    Edição Áurea Lopes

    Capa e projeto gráfico Luciano Pessoa

    Ilustrações Darci Arrais Campioti

    SÍlvio Paulo Ariente Filho

    Jogos cooperativos Fábio Otuzi Brotto

    Pesquisadores Alessandro de Oliveira Campos

    Eliane de Cássia Souza Fabíola Marono Zerbini

    Revisão Lucia Benfatti Marques

    Agradecemos aos amigos e colaboradores que nos auxiliaram na concretização deste trabalho

    Ana Maria de Lisa Bragança • Arnaldo Omair Bassoli • Beatriz Miranda • Cid Marcus Vasques • Cyntia Malaguti • Edith Ferraz Abreu • Erivan Moraes de Oliveira •

    Fernanda Saguas Presas • George Hauach Barcat • Isabel Marques • José Romão Trigo Aguiar • Luiz Carlos Andrade Santos • Maluh Barciotte • Maria Enid Mussolini • Maria Teresa Faria Micucci • Neusa Maria Valério • Paulina Berenstein • Raimunda de Assis Oliveira • Rita Mendonça • Rosa Itálica Miglionico •

    Sonia Maria Nice Granolla • Suely Alonso Prestes Correa • Thereza Cavalcanti Vasques • Vera Lúcia Paes de Almeida • Vera Lúcia Quartarola

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    De olhos abertos O século que acaba de findar, em que pesem os avanços em

    vários ramos do saber, foi marcado, infelizmente, por uma crescente onda de violência. No Brasil, e de resto em todo o planeta, a sociedade contemporânea viu caírem por terra muitos valores — como a solidariedade, o respeito, a tolerância, mesmo não sendo de forma generalizada.

    Mais do que nunca há um clamor por mudanças, mesmo que ele não se faça audível. Para onde caminhamos, se não houver uma reversão da intolerância e violência instaladas em nosso cotidiano? Não podemos simplesmente fechar os olhos e seguir submissos rumo à barbárie. Há que se construir uma cultura de paz!

    E neste propósito a Unesco e o Estado do Rio de Janeiro se unem para um projeto inovador, já experimentado e aprovado, e que tem servido de modelo para outros estados e países. O Estado do Rio é o nosso foco. Queremos de fato implantar aqui programas que influenciem os jovens no caminho da amizade e da paz. Acreditamos ser possível reverter a tendência instalada em muitas comunidades e regiões, com elevado número de mortes por causas externas entre os jovens e pelos motivos mais banais: ociosidade, que dá origem a muitos vícios; falta de opções em atividades esportivas, de cultura e lazer.

    Respeitar a vida, rejeitar a violência, ser generoso, ouvir para compreender, preservar o planeta e redescobrir a solidariedade são as palavras de ordem do nosso programa — Escolas de Paz. Evidente que há muito para se fazer em uma sociedade marcada pela injustiça e desigualdade como a nossa. Mas é preciso começar de algum ponto. E, cremos, a Escola de Paz foi um acerto. Os exemplos falam por si mesmos. Pesquisadores de campo comentam a história do garoto pichador que se tornou grafiteiro, teve sua auto-estima restaurada e passou a ensinar em várias escolas a arte do grafitismo. Outros exemplos se somam a este.

    E a escola redescobre o seu papel de educar no sentido mais amplo. Ela deixa de ser a mera repassadora dos conhecimentos curriculares e se abre à comunidade nos finais de semana, como fonte de lazer e inspiradora de valores mais nobres. Mesmo não sendo o seu objetivo final, algumas oficinas oferecidas pelo programa fornecem o aprendizado de um ofício.

    A amplitude do projeto Escolas de Paz é muito maior do que se poderia classificar simplesmente como um programa de governo e de um organismo internacional de cooperação técnica. É uma resposta a uma demanda específica da sociedade, que quer alternativas para suas mazelas e práticas efetivas contra seus males.

    Fernando Peregrino Presidente da Fundação Carlos Chagas Filho

    de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e Coordenador de Desenvolvimento Humano do Estado.

    A PAZ ESTÁ EM NOSSAS MÃOS

  • A paz no cotidiano Mesmo trabalhando em uma variedade de campos de

    atuação, a missão exclusiva da UNESCO é a construção da paz: “O propósito da Organização é contribuir para a paz e a segurança, promovendo cooperação entre as nações por meio da educação, da ciência e da cultura, visando a favorecer o respeito universal à justiça, ao estado de direito e aos direitos humanos e liberdades fundamentais afirmados aos povos do mundo”.

    Para atingir tal objetivo, a UNESCO trabalha cooperando com os governos em seus três níveis, com o poder legislativo e a sociedade civil, construindo uma imensa rede de parcerias, mobilizando a sociedade, aumentando a conscientização e educando para uma cultura de paz. No Rio de Janeiro, a UNESCO está desenvolvendo, em parceria com o Governo do Estado, o programa “Escolas de Paz”, cujo principal objetivo é dar oportunidades de acesso aos jovens, ao mesmo tempo que educa para valores, para a paz e para a construção da cidadania.

    Nosso maior desafio é transformar os valores da Cultura de Paz em realidade na vida cotidiana. Traduzir cada um dos desafios propostos pela Cultura de Paz em realidade, na vida das pessoas.

    Preparar a paz, portanto, significa: • respeitar a vida e a dignidade de cada pessoa, sem

    discriminar nem prejudicar; • praticar a não-violência ativa, repelindo a violência em

    todas suas formas: física, sexual, psicológica, econômica e social, em particular ante os mais fracos e vulneráveis, como as crianças e os adolescentes;

    • compartilhar o meu tempo e meus recursos materiais, cultivando a generosidade, a fim de terminar com a exclusão, a injustiça e a opressão política e econômica;

    • defender a liberdade de expressão e a diversidade cultural, privilegiando sempre a escuta e o diálogo, sem ceder ao fanatismo, nem à maledicência e ao rechaço ao próximo;

    • promover um consumo responsável e um modelo de desenvolvimento que tenha em conta a importância de todas as formas de vida e o equilíbrio dos recursos naturais do planeta;

    • contribuir com o desenvolvimento de minha comunidade, propiciando a plena participação das mulheres e o respeito dos princípios democráticos, para criar novas formas de solidariedade.

    A Cultura de Paz se insere em um marco de respeito aos direitos humanos e constitui terreno fértil para que se possam assegurar os valores fundamentais da vida democrática, como a igualdade e a justiça social. Essa evolução exige a participação de cada um de nós para dar aos jovens e às ger