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  • CorrespondenciaAdriana Cristina de Oliveira

    Escola de Enfermagem da UFMGAvenida Alfredo Balena, 190, Santa Efigncia, MG

    CEP: 30130-100

    Artigo recebido em 28/10/2014Aprovado para publicao em 12/02/2015

    ARTIGO ORIGINAL

    Medicina (Ribeiro Preto) 2015;48(5): 440-448

    1. Enfermeira. Professora Associada da Escola de Enfermagemda Universidade Federal de Minas Gerais. Pesquisador doCNPq. Lder do grupo de Pesquisa em Infeco Relacionadaao Cuidar em Sade (NEPIRCS/CNPq).

    2 Enfermeira. Mestranda do Programa de Ps-graduao emEnfermagem da Escola de Enfermagem da UFMG.

    JJJJJalecos de alecos de alecos de alecos de alecos de trtrtrtrtraaaaabalhadorbalhadorbalhadorbalhadorbalhadoreseseseses de sade: de sade: de sade: de sade: de sade:um potencial rum potencial rum potencial rum potencial rum potencial reseresereseresereservvvvvaaaaatrio detrio detrio detrio detrio demicrmicrmicrmicrmicrorororororggggganismosanismosanismosanismosanismosHealthcare workers coats: a potential reservoir of microorganisms

    Adriana C. de Oliveira1; Marlene das Dores M. Silva2

    RESUMO

    Objetivou-se determinar as caractersticas epidemiolgicas de microrganismos presentes nos jalecos detrabalhadores de sade em um hospital de grande porte. Tratou-se de um estudo transversal conduzidono perodo de janeiro a agosto de 2011. Realizou-se a rolagem de swabs no bolso e regio do abdmendo jaleco. Foi realizada estatstica descritiva e teste qui-quadrado de Pearson. Participaram do estudo100 profissionais. Foram obtidas 200 amostras dos jalecos. Dessas 47% foram positivas com crescimen-to microbiano, 73,6% apresentaram resistncia a um ou mais antimicrobiano sendo 55,7% nos bolsos e44,3% na regio abdominal. A recuperao do Staphylococcus ssp nas duas reas analisadas com resis-tncia a vrios antimicrobianos, dentre eles a oxacilina mereceu destaque. A maior contaminao foiverificada entre jalecos dos profissionais de enfermagem (p< 0,05). Os jalecos de trabalhadores de sa-de podem tornar-se contaminados por microrganismos de relevncia epidemiolgica, contribuindo, paraa possvel disseminao de patgenos entre diferentes pacientes e ambientes.

    Palavras-chave: Infeco Hospitalar. Vesturio. Trabalhadores de sade.

    ABSTRACT

    The objective was to determine the epidemiological characteristics of microorganisms present in thehealthcare workers coats in a large hospital. It was a cross-sectional study carried out from January toAugust 2011. The samples were obtained by swabs from the pocket and abdominal region of profession-als coats. Data were analyzed by descriptive statistics and chi-square test. The study included 100 pro-fessionals. We obtained 200 samples of coats. Of these 47% were positive with microbial growth, 73.6%showed resistance to one or more antimicrobials being 55.7% in the pockets and 44.3% in the abdominalregion. The most important was the recovery of Staphylococcus spp in the two analyzed areas with resist-ance to various antibiotics, including oxacillin. The highest contamination was observed between nursingprofessionals coats (p

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    Medicina (Ribeiro Preto) 2015;48(5): 440-8http://revista.fmrp.usp.br/

    IntrIntrIntrIntrIntroduooduooduooduooduo

    As infeces relacionadas assistncia sa-de (IRAS) so definidas como aquelas adquiridasdurante a prestao dos cuidados de sade, cuja dis-seminao frequentemente ocorre pela contaminaocruzada.1

    A Organizao Mundial de Sade (OMS) con-sidera que 5 a 15% de todos os pacientes hospitaliza-dos adquirem IRAS. Nos Estados Unidos, estima-seque cerca de dois milhes de casos de IRAS ocorramanualmente, ocasionando cerca de 60 a 90 mil mortese mais de cinco milhes de dlares gastos.1

    No Brasil, no se dispe de dados sistematiza-dos sobre a ocorrncia das IRAS e seu custo, apesarde 80% dos hospitais do pas possurem Comisso deControle de Infeco Hospitalar (CCIH), somente40% destes tem indicadores confiveis, possivelmentepela diversidade de metodologias utilizadas, interpre-tao e aplicao destas na coleta de dados.2

    As IRAS so consideradas em todo o mundocomo um importante problema de sade pblica, porcomprometerem a segurana e a qualidade assisten-cial dos pacientes em instituies de sade, sendo quequando relacionadas a microrganismos resistentesaumentam ainda mais os custos institucionais, o per-odo de internao e, sobretudo, as taxas de mortali-dade e morbidade.1,3

    O controle das IRAS e da disseminao demicrorganismos torna-se um desafio nas instituiesde sade devido s importantes complicaes rela-cionadas assistncia ao paciente.4

    A principal via de transmisso de microrganis-mos implicados na ocorrncia das IRAS ocorre pelasmos dos trabalhadores de sade e pacientes. No en-tanto, a possvel participao de fatores ambientaiscomo, superfcies, equipamentos e jalecos dos traba-lhadores como fonte de disseminao de microrga-nismos desperta a ateno de pesquisadores, da soci-edade e das agncias e associaes de controladoresde infeco.5,6

    A recuperao de microrganismos em jalecosutilizados pelos trabalhadores de sade tem constitu-do crescente fonte de preocupao, pela possibilida-de de contaminao cruzada discutida e questionadapelos prprios profissionais e at mesmo pela socie-dade.6,7

    Fundamentando esta preocupao estudosapontam a contaminao nos jalecos dos trabalhado-res de sade em diversas regies como bolsos, pu-

    nhos, regio do abdmen, o que pode ser associadaao contato direto destes locais com as mos dos pro-fissionais, com o paciente durante o cuidado e conta-to indireto com fmites (superfcies ambientais,estetoscpios entre outros). Adicionalmente, assina-lam a similaridade do perfil dos microrganismos depacientes colonizados internados nas instituies hos-pitalares obtida por meio de testes moleculares scepas isoladas de jalecos.8,9

    Diante da importncia do tema este estudo tevecom objetivo determinar as caractersticas epidemio-lgicas de microrganismos presentes nos jalecos detrabalhadores de sade em unidades de clnica mdi-co-cirrgica de um hospital de grande porte.

    MaMaMaMaMaterial e mtodosterial e mtodosterial e mtodosterial e mtodosterial e mtodos

    Tratou-se de um estudo transversal conduzidono perodo de janeiro a agosto de 2011, em unidadesde internao de clnica mdico-cirrgica de um hos-pital geral e filantrpico de grande porte localizadono interior de Minas Gerais.

    O hospital possui 403 leitos, com mdia de ocu-pao de 88%. referncia no sistema municipal eregio centro-oeste do estado de Minas Gerais para ocuidado de pacientes portadores de patologias de m-dia e alta complexidade como cirurgia cardaca, trans-plante renal, radioterapia e quimioterapia, entre ou-tros.

    As unidades de internao onde se realizou oestudo atendem pacientes das clnicas (ortopedia, on-cologia, cardiovascular, neurologia, transplante, gas-trintestinal, urologia e outros) provenientes da comu-nidade, pronto-socorro municipal e de outros hospi-tais da cidade e regio. Possuem 143 leitos distribu-dos em trs andares.

    Nas trs unidades de internao includas noestudo, a populao elegvel compreendeu todos osprofissionais de sade que realizavam assistncia di-reta a pacientes esto assim distribudos: 15 (13,0%)fisioterapeutas, 15 (13,0%) mdicos, 19 (16,0%) en-fermeiros e 67 (58,0%) tcnicos de enfermagem.

    Diante do total de 116 (N) indivduos, calcu-lou-se que para um nvel de 95% os possveis errosmximos de estimao (E) so iguais a 0,01 (1,0%),0,02 (2,0%), 0,03 (3,0%), 0,04 (4,0%) e 0,05 (5,0%).Utilizou-se uma amostra aleatria simples (AAS), cujoclculo amostral levou em considerao as diferentescategorias profissionais, calculando a representativi-dade de cada categoria profissional em relao po-

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    pulao, com o objetivo de manter as mesmas pro-pores na amostra. Realizou-se o clculo amostral apartir da determinao dos parmetros descritos paraa amostra aleatria simples e estratificada pela cate-goria profissional com poder de 80%, intervalo deconfiana de 95% e uma diferena estatstica de 5%.

    A partir deste clculo, teve-se como resultadoum n igual a 91. Este deveria ser o tamanho da amos-tra a ser coletada. O valor foi arredondado para 100,de forma a assegurar o resultado desejado. Finalmen-te, a amostra (populao estudada) ficou compostade 12 mdicos, 12 fisioterapeutas, 17 enfermeiros e59 tcnicos de enfermagem, totalizando 100 profis-sionais.

    Considerou-se como critrio para a inclusodos participantes: realizar assistncia direta a pacien-tes no perodo da coleta de dados. Excluram-se aque-les que se encontravam em frias ou licena mdicaou em perodo de experincia (data de admisso infe-rior a trs meses) durante o perodo da coleta de da-dos. Fonoaudilogo, psiclogo, tcnico de laborat-rio no fizeram parte da amostra por no prestaremassistncia direta a pacientes.

    Todos profissionais que atenderam os critriosde incluso foram convidados de forma individual everbal a participarem do estudo. Aps aceite destes,lhes foi apresentado o Termo de Consentimento Li-vre e Esclarecido (TCLE), explicitando os objetivos,a finalidade, a relevncia da temtica, alm dos as-pectos de confidencialidade, anonimato e da partici-pao voluntria. Ressalta-se que no houveram re-cusas em participar do trabalho.

    Para a coleta de dados foi elaborado um ques-tionrio para o momento da entrevista com os traba-lhadores de sade. O instrumento foi composto dequestes fechadas, abordando caractersticas demo-grficas (sexo, idade, formao profissional, tempode formao, tempo de trabalho na instituio, turnode trabalho no setor, nmero de empregos, demaislocais de trabalho).

    Aps a realizao da entrevista, procedeu-se acoleta das amostras microbiolgicas dos jalecos nobolso e regio do abdmen, por meio da tcnica derolagem de swabs (Swab Hast Plstico J.P). Estas reasdos jalecos foram selecionadas em razo da frequn-cia de toques pelas mos dos profissionais e contatodireto ou indireto com pacientes, conforme observa-do em estudos anteriores.6,8,9

    Assim, foi rolado um swab estril seco sobre obolso e regio do abdmen. Para os jalecos que apre-

    sentaram mais de um bolso definiu-se para a rolagemdo swab apenas um destes, sendo no momento dacoleta da amostra para anlise microbiolgica pergun-tado ao participante qual o bolso era mais utilizado.

    Na regio do abdmen delimitou-se a rea pr-xima ao fechamento de botes, na parte central doabdome a fim de favorecer a anlise da rea de maiorcontato com paciente durante realizao de procedi-mentos e com o ambiente/unidade do paciente.

    To logo a rolagem do swab foi realizada, es-tes foram transferidos para tubos com meio de trans-porte Stuart e encaminhados ao laboratrio de micro-biologia da instituio de estudo, que realizou os tes-tes necessrios para a recuperao e definio do per-fil de sensibilidade dos microrganismos quando pre-sentes nas amostras.

    As amostras foram obtidas no perodo diurnode 13:30 s 15:00 horas para profissionais que traba-lham de 7:00 as 19:00 horas, no perodo noturno 22:30s 24:00 horas para os profissionais que trabalham de19:00 as 7:00 horas.

    A semeadura de cada material coletado foi rea-lizada nos meios de cultura gar sangue de carneiro,gar MaCConkey, gar manitol salgado, garsabouraud e caldo de enriquecimento tioglicolato comindicador resarsurina. Todos os meios foram incuba-dos em estufas a 35C por 72 horas.10

    Os microrganismos isolados nestes meios fo-ram identificados quanto ao gnero e espcie, no sis-tema automatizado Vitek 2 (BioMrieux) e apsesta etapa foi realizado o antibiograma, pelo mtodode difuso de discos (Bauer-Kirby).

    Todos os procedimentos de cultura, identifica-o e antibiograma seguiram as recomendaes doClinical and Laboratory Standards Institute (CLSI).10

    Destaca-se que na instituio no havia arm-rios para guarda dos jalecos, sendo os mesmos leva-dos para casa pelos trabalhadores de sade. A trocados jalecos era realizada a critrio do usurio.

    Os dados foram analisados por meio da esta-tstica descritiva, clculo das frequncias absolutas erelativas, aplicao do teste qui-quadrado de Pearson,utilizando-se nvel de significncia de 5% (p < 0,05).Os dados coletados foram digitados no programa EPI-INFO verso 3.3.2. Toda a anlise foi realizada comauxlio do software Statistical Package for SocialScience (SPSS) verso 15.0 e Stata verso 9.0.

    O projeto fundamentou-se na Resoluo 196/96 do Conselho Nacional de Sade para pesquisasenvolvendo seres humanos, vigente poca do estu-

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    do, e foi submetido ao Comit de tica em Pesquisapara apreciao, sendo aprovado sob o nmero ETIC0430.0.203.000-09.

    RRRRResultadosesultadosesultadosesultadosesultados

    Perfil demogrfico dos trabalhadoresque utilizam o jaleco

    Os 100 profissionais que participaram do estu-do eram distribudos nas seguintes categorias: 76%da equipe de enfermagem (enfermeiros, tcnicos deenfermagem) e 24% mdicos e fisioterapeutas (24%).

    Observou-se um predomnio do sexo feminino(66%). A idade variou entre 19 e 65 anos com mdiaigual a 30,8 e mediana de 28,5 anos.

    Em relao ao tempo de formao profissio-nal, 53% tinham entre um e trs anos e 50% trabalha-vam na instituio a menos de 17 anos.

    O turno de trabalho da maioria dos entrevista-dos (57%) foi diurno seguido daqueles profissionaisque realizavam planto em ambos os turnos (43%).

    Quanto ao nmero de empregos, 83% da amos-tra estudada declararam trabalhar somente na referi-da instituio, 17% reportaram possuir dois ou maisempregos. Os mdicos foram os profissionais commaior nmero de empregos.

    Considerando o tipo de servio, a maioria(70,6%) declarou trabalhar em unidades de atenoprimria e pronto socorro e 29,4% em outros hospi-tais.

    Microrganismos presentes nas reasanalisadas dos jalecos detrabalhadores de sade

    Foram coletadas 100 amostras da regio dosbolsos do jaleco e 100 da regio abdominal. Das 200amostras coletadas, 94 (47%) foram positivas aps72 horas de incubao e das amostras positivas, obte-ve-se 144 isolados bacterianos.

    Na regio do bolso, do total de 100 amostras,51% apresentaram positividade, sendo os microrga-nismos isolados: Staphylococcus ssp (39,7%), Kocuriassp (8,4%), Micrococcus ssp (4,2%), Streptococcusssp (2,8%), Enterococcus faecalis (0,7%) Serratia ssp(0,7%), Acinetobacter baumannii (0,7%).

    Na rea do abdmen, do total de 100 amostras,43% foram positivas para os referidos microrganis-mos: Staphylococcus ssp (25,7%), Micrococcus ssp(10,4%), Kocuria ssp (2%), Enterococcus faecalis

    (2%), Acinetobacter baumannii (2%), Streptococcusssp (0,7%),

    O Staphylococcus ssp foi o gnero predomi-nante nas duas reas analisadas (bolso e abdmen),com recuperao de 57 (39,7%) cepas nos bolsos e37 (25,7%) cepas na regio do abdmen.

    Dentre as espcies de Staphylococcus isoladasdestacaram: Staphylococcus epidermidis (37,2%),Staphylococcus hominis (29,8%), Staphylococcuscapitis (14,9%), Staphylococcus haemolyticus(11,7%), Staphylococcus warneri (4,2%), Staphylo-coccus cohnii (1,1%) e Staphylococcus aureus (1,1%).

    Os Staphylococcus coagulase negativa (SCN),Kocuria ssp, Streptococcus ssp, e Serratia ssp apre-sentaram-se em maior proporo nos bolsos.

    Foi recuperada apenas uma cepa de Staphylo-coccus aureus no abdmen.

    Acinetobacter baumannii, Enterococcusfaecalis e Micrococcus ssp foram predominantes naregio do abdmen.

    A seguir, apresenta-se a distribuio dos pro-fissionais participantes do estudo de acordo com asvariveis demogrficas em relao presena de mi-crorganismos na rea do bolso e regio do abdmenem unidades de internao de clnica mdico-cirrgi-ca (Tabela 1).

    Observou-se diferena significativa (p< 0,05)para a varivel sexo e a maior contaminao na re-gio do abdmen.

    Perfil de susceptibilidade dos microrganis-mos isolados dos jalecos dos trabalhado-res de sade de unidades de internao

    aos antimicrobianos testados

    Dentre os isolados bacterianos, 106 (73,6%)apresentaram resistncia a um ou mais antimicrobia-nos testados.

    Quanto aos microrganismos resistentes, 59(55,7%) foram recuperados dos bolsos e 47 (44,3%)da regio do abdmen.

    Os Staphylococcus coagulase negativa (SCN)so frequentemente considerados contaminantes depele, neste estudo esto destacados devido a sua rela-o com a ocorrncia de infeces principalmente empacientes imunocomprometidos e ao perfil de resis-tncia clindamicina (30,7%), eritromicina (55,3%),oxacilina (36,2%), penicilina (70,2%), sulfametoxa-zol/trimetoprina (24,5%), sendo estes consideradosde primeira escolha para o tratamento das infecescausas pelos SCN.

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    Tabela 1: Distribuio dos trabalhadores participantes do estudo de acordo com as variveis demogrficasem relao contaminao por microrganismos na rea dos bolsos e regio do abdmen, (n=100), Divinpolis,2011.

    Presena de microrganismos Presena de microrganismosna regio do bolso na regio do abdmen

    Sim No Sim NoVariveis n (%) n (%) Valor p n (%) n (%) Valor p

    Sexo1 0,483 0,022

    Feminino 32 (62,7) 34 (69,4) 23 (53,5) 43 (75,4)

    Masculino 19 (37,3) 15 (30,6) 20 (46,5) 14 (24,6)

    Idade 0,514 0,746

    19 a 24 anos 18 (35,3) 13 (26,5) 17 (29,8) 14 (32,6)

    25 a 30 anos 14 (27,5) 18 (36,7) 20 (35,1) 12 (27,9)

    31 a 65 anos 19 (37,2) 18 (36,7) 20 (35,1) 17 (29,8)

    Profisso 0,196 0,748

    Equipe enf2 36 (70,6) 40 (81,6) 44 (77,2) 32 (74,4)

    Mdico/Fisio3 15 (29,4) 09 (18,4) 13 (22,8) 11 (25,6)

    Tempo de formao 0,234 0,749

    3 anos 30 (58,8) 23 (43,9) 31 (54,4) 22 (51,2)

    4 anos 21 (41,2) 26 (56,1) 26 (45,6) 21 (48,8)

    Tempo de trabalho na instituio 0,481 0,069

    03 a 17 meses 23 (45,1) 27 (55,1) 33 (57,9) 17 (39,5)

    18 meses 28 (54,9) 22 (44,9) 24 (42,1) 26 (60,5)

    Turno 0,418 0,310

    Diurno 32 (62,7) 25 (51,0) 30 (52,6) 27 (62,8)

    Outros4 19 (37,3) 24 (49,0) 27 (47,4) 16 (37,2)

    Outro emprego 0,374 0,148

    Sim 07 (13,7) 10 (20,4) 10 (23,3) 07 (12,3)

    No 44 (86,3) 39 (79,6) 33 (76,7) 50 (87,7)

    Nmero de outros empregos 0,486 0,486

    Dois 03 (42,8) 06 (60,0) 05 (50,0) 04(57,1)

    Trs 04 (57,2) 04 (40,0) 05 (50,0) 03(42,9)

    1 p

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    Tambm foi identificada resistncia ciprofo-laxina (25,6%), cloranfenicol (17,0%) e gentamicina(28,7%), sendo este grupo de antimicrobianos indi-cado para o tratamento de infeces causadas porSCN, como alternativos.10

    Os Streptococcus ssp recuperados nos bolsos eregio do abdmen no resistiram aos repiques para arealizao do antibiograma, possivelmente por neces-sitarem de condies especiais de cultivos, que po-dem variar entre as diferentes espcies do gnero,sendo considerados organismos anaerbicos.11

    Para a definio dos marcadores de resistnciabacteriana seguidos no presente estudo, adotou-se oprotocolo estabelecido pela CCIH da presente insti-tuio, em consonncia com o CLSI. Portanto, foramconsiderados Staphylococcus spp resistentes, aque-les com resistncia a oxacilina.10

    Na Tabela 2, apresenta-se a distribuio dosprofissionais participantes do estudo de acordo comas variveis demogrficas em relao contamina-o por Staphylococcus spp resistente a oxacilina.

    Tabela 2: Distribuio dos trabalhadores participantes do estudo de acordo com as variveis demogrficasem relao contaminao por Staphylococcus spp resistente a oxacilina nos jalecos de trabalhadores dasade em unidades de internao, Divinpolis, 2011.

    Staphylococcus spp resistente a oxacilina

    Sim NoVariveis n (%) n (%) Valor p1

    Sexo 0,935Feminino 14 (60,8) 26 (61,9)

    Masculino 09 (39,2) 16 (38,1)

    Idade 0,038 19 a 24 anos 09 (21,4) 12 (52,2) 25 a 30 anos 13 (31,0) 05 (21,7) 31 a 65 anos 20 (47,6) 06 (26,1)

    Profisso 0,035Equipe de Enfermagem2 34 (81,0) 13 (56,5)Mdico/Fisioterapeuta 08 (19,0) 10 (43,5)

    Tempo de formao 0,615 3 anos 21 (50,0) 13 (56,5) 4 anos 21 (50,0) 10 (43,5)

    Tempo de instituio 0,364 17 meses 17 (40,5) 12 (52,2) 18 meses 25 (59,5) 11 (47,8)

    Turno 0,785Diurno 27 (64,3) 14 (60,9)Outros3 15 (35,7) 09 (39,1)

    Outro emprego 0,537Sim 20 (86,9) 34 (80,9)No 03 (13,1) 08 (19,1)

    Nmero de outros empregos 0,621Dois 02 (66,6) 04 (50,0) 0,202

    Trs 01 (33,4) 04 (50,0)1 p

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    Os membros da equipe de enfermagem tive-ram seus jalecos mais contaminamos (p< 0,05) porStaphylococcus spp resistente a oxacilina em relaos demais categorias profissionais, assim como osparticipantes com idade igual ou superior a trinta eum anos.

    Dos microrganismos de importncia clnica re-cuperados dos jalecos de trabalhadores de sade des-taca-se o Acinetobacter baumannii resistente a ami-noglicosdeos, cefalosporinas e quinolonas, alm doEnterococcus faecalis tambm resistente aos amino-glicosdeos e quinolonas. Os Staphylococcus aureus,neste estudo, foram apenas resistentes penicilina.

    O isolado de Serratia ssp recuperado no bolso,apresentou resistncia ampicilina/sulbactam, aztreo-nam, cefalotina e ceftazidima.

    DiscussoDiscussoDiscussoDiscussoDiscusso

    O jaleco recomendado para o uso exclusivodos profissionais nas instituies de sade durante aassistncia a pacientes. O seu uso em ambientes p-blicos como restaurantes, bares, lanchonete, nibus,deve ser repensado de forma crtica por parte dos tra-balhadores de sade quanto possvel disseminaode microrganismos na comunidade.12

    Uneke et al. (2010) registraram em um estudorealizado sobre a possvel contaminao de jalecosde mdicos na Nigria que os jalecos de mdicos uti-lizados em locais extra-hospitalares como livrarias elanchonetes apresentaram maior nvel de contamina-o em relao a aqueles utilizados somente em lo-cais privativos de assistncia.8

    O uso de jalecos pelos trabalhadores de sadenas imediaes dos estabelecimentos de sade torna-se cada vez mais comum tambm no Brasil.

    Diante disso, tendo em vista a possvel partici-pao do vesturio dos trabalhadores de sade na dis-seminao de microrganismos, em alguns pases comoInglaterra, rgos governamentais impem restriespara o uso do jaleco fora dos ambientes hospitalares.13

    No Brasil, em So Paulo, os trabalhadores darea da sade esto proibidos de usar jalecos fora doambiente de trabalho. O desrespeito a lei estadual den 14.466/2011 pode ocasionar multa no valor de centoe setenta e quatro reais e cinquenta centavos (refe-rente a US$65.31) podendo o valor a ser cobrado du-plicar em caso de recorrncia. A finalidade da mesma impedir que jalecos sejam utilizados fora do ambi-ente hospitalar considerando a possibilidade de que

    os mesmos sirvam de reservatrio e veculo de trans-misso de microrganismos podendo acarretar maiorcontato social favorecendo tambm a disseminaodestes na comunidade. Em Minas Gerais, especifica-mente Belo Horizonte, foi aprovado lei municipalde n 10.136/2011, que probe o uso do jaleco nasruas da cidade, o estado do Mato Grosso do Sul,Macei e Paran tambm decretaram leis similar.14,15

    A fiscalizao destes decretos fica a cargo dasSecretarias de Sade de cada estado ou municpio,por enquanto, as infraes as legislaes no estotendo efeito punitivo, e, no tem sido cumprida pelostrabalhadores da rea da sade. As Secretarias de Sa-de ainda afirmam que campanhas educativas so ne-cessrias para uma melhor conscientizao e adesoa lei em cada regio do pas.

    Tais medidas se fundamentam nos achados deestudos que avaliaram a presena de microrganismosem jalecos dos trabalhadores de sade indicando queestes so frequentemente contaminados por micror-ganismos como os Staphylococcus aureus ,Acinetobacter baumannii, Klebsiela pneumoniae,Serratia rubidae, destacando-se ainda a importnciaclnica e epidemiolgica dos mesmos.11,14

    As reas dos jalecos com maior contaminaoapontadas em diversos estudos tm sido os bolsos,regio do abdmen pelo possvel contato direto des-tes locais com as mos dos profissionais, com os pa-cientes durante a assistncia ou contato indireto comsuperfcies ambientais, estetoscpios, equipamentos,instrumentos clnicos, entre outros.6,7,16

    Alm disso, jalecos submetidos a menor fre-quncia de troca e lavagem tendem a apresentar-semais contaminados, ou seja, o maior tempo de usopode apresentar uma relao direta com o aumentoda contaminao.6,7

    No presente estudo, a contaminao na regioo abdmen esteve associada ao sexo, os jalecos dosprofissionais do sexo feminino apresentaram-se maiscontaminados. Destaca-se que a maior parte dos tra-balhadores participantes eram tcnicos de enferma-gem, profisso esta conhecida como tendo maior n-mero de profissionais do sexo feminino.17

    Nos jalecos dos trabalhadores de sade da ins-tituio em questo, diversas espcies de Staphylo-coccus ssp foram isoladas.

    Dentre as espcies, o Staphylococcus aureus o mais importante patgeno podendo estar associadoa graves infeces em pacientes hospitalizados e tam-bm na comunidade.18,19 Em apenas um jaleco anali-

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    Oliveira AC, Silva MDM. Jalecos de trabalhadores desade: um potencial reservatrio de microrganismos

    Medicina (Ribeiro Preto) 2015;48(5): 440-8http://revista.fmrp.usp.br/

    sado nesta pesquisa, foi recuperado Staphylococcusaureus na regio do abdmen.

    Por outro lado, os Staphylococcus coagulase-negativa tm emergido como um dos principais agen-tes etiolgicos causadores das IRAS, sendo o Sta-phylococcus epidermidis o mais prevalente 19, encon-trado de forma predominante em 37,23% das 94 amos-tras positivas do presente estudo.

    At a dcada de 1970, os SCN eram reportadoscomo microrganismos, de importncia clnica secun-dria e raramente mencionados como agentes de in-feces graves. A partir da dcada de 80, esses pat-genos passaram a ser reconhecidos como causadoresde septicemia, especialmente em pacientes neonatale peditrico.20

    O aumento do uso de dispositivos intravascu-lares, assim como do nmero de pacientes imunocom-prometidos hospitalizados contribuem para a emer-gncia de infeces da corrente sangunea, sendo osSCN os principais microrganismos causadores.20

    Nos Estados Unidos o Staphylococcus epider-midis e outros SCN so responsveis por 31% dasinfeces de corrente sangunea respectivamente.No Brasil, este percentual muito prximo de 29%podendo variar de acordo com o estabelecimento desade, a especialidade e o tempo de internao dopaciente.19

    Uma caracterstica importante dos SCN a re-sistncia aos agentes antimicrobianos que favorece asua permanncia no ambiente hospitalar, seja pela suacapacidade de formao de biofilme, que se apresen-ta como uma barreira fsica impossibilitando a aodos antibiticos, ou pela sua sobrevivncia em ambi-entes e equipamentos por dias, semanas ou meses.21

    O biofilme consiste em colnias microbianasque aderidos a uma superfcie multiplicam-se. Nor-malmente, esto embebidos por uma matriz polimricaextracelular, sendo os polissacardeos principais com-ponentes.21 A formao de biofilme pelos microrga-nismos resulta em uma fonte continua de dissemina-o de patgenos.

    No estudo realizado o Staphylococcus epider-midis resistentes oxacilina apontado como o se-gundo microrganismo relacionado ocorrncia deIRAS.

    Cabe destacar ainda a resistncia a ciprofloxa-cina (25,53%), cloranfenical (17,03%) e gentamicina(28,73%). A ocorrncia de resistncia neste grupo deantimicrobianos merece ateno, uma vez que, estesesto recomendados para o tratamento de infeces

    causadas por SCN, como alternativos ou secudrios.A ocorrncia de resistncia neste grupo possivelmen-te esta relacionada ao uso indiscriminado para o tra-tamento das infeces.11

    Quanto aos fatores relacionados ocorrnciade contaminao por SCN resistentes oxacilina nasreas dos jalecos analisadas a varivel profisso e ida-de foi estatisticamente significativa (p < 0,05). Esseresultado permite inferir que a categoria de profissio-nais que tm maior contato com paciente, neste casoos da equipe de enfermagem, predispe a ocorrnciade contaminao.

    O predomnio de Acinetobacter baumannii naregio do abdmen pode estar relacionado com maiorcontato desta regio com superfcies e equipamentos.

    A recuperao de Enterococcus faecalis de ja-lecos de trabalhadores de sade na regio do abd-men sugere a provvel contaminao durante proce-dimento como banho, manipulao de excrees cor-porais, troca de roupa de cama, uma vez que estes sopatgenos que colonizam o trato gastrointestinal.

    Quanto s medidas de controle da dissemina-o de microrganismos e da resistncia bacteriana,destaca-se ainda a importncia da maior nfase nahigienizao das mos para os profissionais, consi-derando que esta a principal via de disseminao.4,5

    Geralmente as medidas de controle das infec-es tm como um dos focos principais os cuidadoscom procedimentos invasivos (no momento da reali-zao e manuteno dos mesmos) o longo perodo deinternao do paciente entre outros, podendo na maio-ria das vezes subestimar a participao do ambientehospitalar e dos jalecos utilizados pelos trabalhado-res de sade na cadeia de disseminao de microrga-nismos.

    Diante dos resultados obtidos, sugere-se maiorinvestimento em programas de educao permanente,voltadas para os aspectos de biossegurana, dissemi-nao de microrganismos, bem como o papel dos fa-tores ambientais sendo imprescindvel a incluso dojaleco como potencial reservatrio de microrganismos.

    ConcConcConcConcConclusolusolusolusoluso

    Foram obtidas 200 amostras de jalecos de tra-balhadores de sade, dos quais 94 (47%) apresenta-ram crescimento microbiano, sendo que 73,6% dosmicrorganismos isolados apresentaram resistncia aum ou mais antimicrobiano testado. As espcies deimportncia clnica isoladas foram Staphylococcus

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    Oliveira AC, Silva MDM. Jalecos de trabalhadores desade: um potencial reservatrio de microrganismos

    Medicina (Ribeiro Preto) 2015;48(5): 440-8http://revista.fmrp.usp.br/

    ssp, Enterococcus faecalis, Acinetobacter bauman-nii, Streptococcus ssp, Serratia ssp. Os bolsos apre-sentaram maior contaminao em relao regio doabdmen.

    Recomenda-se maior investimento em progra-mas de educao permanente voltadas para os aspec-tos de biossegurana, adeso a higienizao das mos,papel do ambiente e dos jalecos como potenciais re-servatrios de microrganismos susceptveis e resis-tentes. Alm disso, investir no treinamento dos traba-lhadores de sade apontando a indicao do uso, cui-dados com o armazenamento e frequncia de trocados jalecos.

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