inteligência, informação e conhecimento; 2006

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Author: ngodat

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  • BRASLIA, AGOSTO DE 2006

  • Instituto Brasileiro de Informao em Cincia e Tecnologia IBICT

    DiretorEmir Jos Suaiden

    Coordenador Geral de Projetos EspeciaisHlio Kuramoto

    Coordenao de Informao e DocumentaoRegina Coeli S. Fernandes

    Representao da UNESCO no Brasil

    Representante da UNESCO no Brasil a.i.Vincent Defourny

    Coordenador EditorialClio da Cunha

    Comit para a rea de Comunicao e InformaoAna Lcia GuimaresClio da CunhaMaria Ins Bastos

    Comit para a rea de Cincias NaturaisAry MergulhoBernardo BrummerCelso Schenkel

    Representao no BrasilSAS, Quadra 5, Bloco H, Lote 6,Ed. CNPq/IBICT/UNESCO, 9 andar70070-914 Braslia/DF BrasilTel.: (55 61) 2106-3500Fax: (55 61) 3322-4261E-mail: [email protected]

    Instituto Brasileiro de Informao emCincia e TecnologiaSAS, Quadra 5, Bloco H, Lote 6,Ed. CNPq/IBICT/UNESCO, 5 andar70070-912 Braslia/DF BrasilTel.: (61) 3217 6360CGC: 33.645.831/0023-41

    mailto:[email protected]

  • 2006 Instituto Brasileiro de Informao em Cincia e Tecnologia IBICT eOrganizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura UNESCO

    Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida, seja quais forem os meios empre-gados, a no ser conforme a permisso escrita dos autores e das editoras, conformea Lei n 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

    Elaborao do ndicePatricia Marie Jeanne Cormier e Rogrio Henrique de Arajo Jnior

    Reviso (IBICT)Francisco de Paula e Oliveira Filho e Margaret de Palermo Silva

    CapaEdson Fogaa

    Projeto Grfico e EditoraoPaulo Selveira

    ParceriaIBICT Instituto Brasileiro de Informao em Cincia e Tecnologia, Coordenaode Informao e Documentao e UNESCO

    I61Inteligncia, informao e conhecimento em corporaes / Kira Tarapanoff,organizadora. Braslia : IBICT, UNESCO, 2006.

    456 p.

    ISBN: 85-7652-063-x

    1. Cincia da informao. 2. Gesto da informao. 3. Gesto do conhe-cimento. 4. Inteligncia competitiva. 5. Sociedade da informao. 6. Sociedadedo conhecimento. I. Tarapanoff, Kira. II. Instituto Brasileiro de Informao emCincia e Tecnologia. III. UNESCO.

    CDU 65.01

    Os autores so responsveis pela escolha e apresentao dos fatos contidos nestelivro, bem como pelas opinies nele expressas, que no so necessariamente as daUNESCO, nem comprometem a Organizao.

  • Apresentao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7Prefcio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9Abstract . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .15

    PARTE I FUNDAMENTOS

    Informao, Conhecimento e Inteligncia em Corporaes:relaes e complementaridade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .19Kira Tarapanoff

    A Problemtica da Gesto do Conhecimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . .37Thomas Daniel Wilson

    Compartilhamento e Gesto do Conhecimento: profissionais da informao em um ambiente de confiana mtua . . . . .57Claire R. McInerney

    Inteligncia Competitiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .73Joachim Queyras e Luc Quoniam

    Dimenso Social do Conhecimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .99Emir Suaiden e Ceclia Leite

    PARTE II GESTO DA INFORMAO E DO CONHECIMENTOEM ORGANIZAES

    O Conhecimento e sua Gesto em Organizaes . . . . . . . . . . . . . . .117Mario Prez-Montoro Gutirrez

    As Organizaes diante da Evoluo das Tecnologias de Informaoe Comunicao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .139Oscar Csar Brando

    Gesto do Conhecimento Estratgico: proposta de modelo . . . . . . .157Roberto Campos da Rocha Miranda

    SUMRIO

  • Aprendizado Organizacional: panorama da educao corporativano contexto internacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .181Kira Tarapanoff e Jos Rincon Ferreira

    PARTE III MODELAGEM E ESTRUTURAO DEINFORMAES NA GESTO DO CONHECIMENTO

    Modelos e Conhecimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .211Claude Michaud

    Arquitetura da Informao: base para a gesto do conhecimento . . .241Mamede Lima-Marques e Flvia Lacerda Oliveira de Macedo

    Sistemas de Conhecimentos e as Relaes com a Gesto doConhecimento e com a Inteligncia Organizacional nas EmpresasPrivadas e nas Organizaes Pblicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .257Denis Alcides Rezende

    Memria Organizacional e Gesto do Conhecimento . . . . . . . . . . .277Eduardo Amadeu Dutra Moresi

    Redes de Informao e de Gesto do Conhecimento:modelagem e estrutura de informaes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .303Jaime Robredo

    PARTE IV MTODOS, TCNICAS E SOFTWARES

    A Bibliometria e os Softwares Matheo Analyzer e Matheo Patent . . .339Henri Dou

    Infotrans 4.0: diferencial na converso de dados . . . . . . . . . . . . . . . .379Roberto Penteado

    Tcnicas de Elicitao do Conhecimento Tcito:uma avaliao comparada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .391Jos Fernando Alves Gaspar e Roberto Campos da Rocha Miranda

    Marketing Inteligente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .417Patricia Marie Jeanne Cormier e Rogrio Henrique de Arajo Jnior

    Currculo dos colaboradores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .437

    ndice . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .445

  • 7

    So mltiplos os desafios de um mundo globalizado, sendo at mesmodifcil obter consenso sobre quais seriam os prioritrios. Todavia, um deles tornar o conhecimento acessvel a todos destaca-se como mais importantedevido aos seus efeitos estruturantes. Em nenhuma outra poca da histria, aproduo de conhecimentos foi to intensa como nos dias de hoje, comotambm em nenhuma outra poca a sua aplicao assumiu papel to pre-ponderante. Da a importncia da gesto do conhecimento, pois entre a suaproduo e a sua utilizao h uma cadeia de procedimentos complexos quepodem ou no determinar o seu xito operativo. Para alguns especialistascomo Manuel Castells, a aplicao do conhecimento est na centralidade darevoluo conceitual e operacional impulsionada pelos avanos da cincia eda tecnologia que se opera nas sociedades contemporneas, e que atinge emvelocidade sem precedentes todos os setores da vida humana. Importa assim,pensar a utilizao de conhecimentos, pavimentar caminhos para os seusdiversos usos e assegurar a sua dimenso social e tica.

    Este livro, reunindo artigos de vrios especialistas nacionais e interna-cionais, prope-se a esse objetivo. Procura discutir a amplitude do conheci-mento e da informao em organizaes pblicas ou privadas, com ou semfins lucrativos. A finalidade desta obra, como observou Kira Tarapanoff, quea organizou, oferecer um referencial conceitual e operativo, com uma abor-dagem interativa das vrias reas tratadas, com vistas a construir uma ponteentre a academia e a prtica, entre a universidade e a empresa, trazendo novaspropostas para reflexo e utilizao efetiva da informao, conhecimento einteligncia nas corporaes.

    Entre a universidade e o mundo das empresas deve existir uma crescenteinterao e dilogo, de forma a possibilitar que as pesquisas e os saberesproduzidos na academia possam, cada vez mais, concretizar-se em projetos etecnologias que sejam relevantes para a sociedade. Nesse sentido, nunca serdemais lembrar o que foi acordado na Declarao de Budapeste sobre ouso tico do conhecimento cientfico. Esse importante documento de orien-tao chama a ateno de que, se por um lado, o conhecimento cientfico

    APRESENTAO

  • 8

    beneficiou a humanidade com inovaes notveis, conduziu tambm degradao ambiental e a desastres tecnolgicos. Nessa direo, sublinha-sea importncia da gesto do conhecimento com o propsito de fazer dosavanos da cincia e da tecnologia instrumentos que promovam o bem-estarda humanidade.

    Assim sendo, a gesto da informao e do conhecimento em organizaeshaver sempre de harmonizar a racionalidade instrumental com a racionali-dade humana, de forma a assegurar o uso tico e social do conhecimento e,assim, evitar o seu uso indevido para fins que colocam em risco a sociedade.Nesse sentido, parece-me oportuno destacar o artigo de Emir Suaiden eCeclia Leite sobre a dimenso social do conhecimento, em que esses autoreschamam a ateno para a necessidade de integrao humana, tecnolgica esocial do conhecimento para assegurar a plenitude dos direitos humanos.

    Este livro insere-se plenamente no mandato da UNESCO. H vrios anos,a Organizao se preocupa de forma sistemtica com um dos maiores desafiosdeste milnio, que o de promover a insero de todas as pessoas no contextode uma sociedade do conhecimento. Essa possibilidade, embora distante, concreta. O avano da educao bsica na maioria dos pases, ao lado dasnovas tecnologias de veiculao do conhecimento, fortalece a esperanade que essa utopia de hoje possa tornar-se realidade em futuro no muitodistante.

    Por ltimo, quero ressaltar a importncia da parceria UNESCO/IBICT,que est no comeo, mas possui visvel potencial de expanso. Ambas asorganizaes possuem objetivos e ideais de repercusso e alcance coletivo.Estou convicto de que somar esforos amplia os nossos horizontes e o nossocompromisso com a sociedade.

    Vincent DefournyRepresentante da UNESCO no Brasil a.i

  • INTELIGNCIA, INFORMAO ECONHECIMENTO EM CORPORAES 1

    O contexto que se impe sobre as corporaes hoje o da sociedade dainformao e do conhecimento2. Esta nova sociedade, globalizada, apia-seem tecnologias de informao e comunicao, exigindo, para que esta ltimaocorra, uma estrutura em rede.

    Esta contextualizao traz consigo a nova forma de administrar, o entendi-mento tcito da adaptao contnua ao meio ambiente organizacional, a certezada mudana, da competitividade, da universalizao da concorrncia, do impera-tivo da criatividade e da inovao3. Baseadas em um clima de confiana4 mtua,as corporaes engajam-se no aprendizado contnuo.

    Os principais ativos desta nova forma de administrar so a informao5 e oconhecimento, que, acessados, compartilhados e trabalhados, geram o conheci-mento novo, a inovao e a inteligncia corporativa.

    Reconhecemos que toda informao e todo conhecimento tm um fortecomponente social, e, portanto, sua criao, acesso e compartilhamento contribuemsignificativamente para fortalecer o desenvolvimento sustentvel dos pases.

    Informao, conhecimento e inteligncia tm sido tratados extensamente naliteratura da administrao, em especial na Teoria das Organizaes. Entre

    9

    PREFCIO

    1. Entendida como toda a organizao ou empresa de carter pblico ou privado, com ou sem fins lucrativos.2. posio de alguns autores que a mudana terminolgica de sociedade da informao para sociedade do

    conhecimento assinala que o contedo, e no a tecnologia da informao, o principal desafio da economia, assimcomo para a sociedade em geral (CAPURRO, 2003, p.19 http://www.capurro.de/infoconcept.html).

    3. The creative imperative foi o termo utilizado durante o Frum Econmico Mundial realizado em Davos Sua,de 25 a 29 de janeiro de 2006, ressaltando a importncia da inovao e das solues criativas para o desenvolvi-mento (www.weforum.org).

    4. A construo da confiana nas instituies tambm foi um dos temas debatidos durante o Frum EconmicoMundial de 2006.

    5. O conceito de informao que utilizamos no sentido de conhecimento comunicado (knowledge communicated).Esta orientao inclui aspectos como novidade e relevncia, isto , refere-se ao processo de transformao doconhecimento, em especial seleo e interpretao dentro de um contexto especfico (CAPURRO, 2003, p.3 http://www.capurro.de/infoconcept.htm)

    http://www.capurro.de/infoconcept.htmlhttp://www.weforum.orghttp://www.capurro.de/infoconcept.htm

  • 10

    outros autores, Sunzi ou Sun Tzu (1910; 1963; 2004)6, Simon (1947; 58)7,Cyert e March (1963)8, Polanyi (1962)9, Argyris (1964:1965)10, Drucker(1974)11, Senge (1990)12, Handy (1994)13, Nonaka e Takeuchi (1997)14, DeGeus (1997; 1998)15 e Boisot (1998)16 lanaram os fundamentos do trabalhocom a informao e com o conhecimento nas corporaes mudando a cultura etambm a estratgia organizacional.

    A Teoria das Organizaes est presente tambm em outras reas doconhecimento que foram tratadas de modo intercambivel e complementarneste livro: a cincia da informao, a gesto da informao, a gesto doconhecimento, a inteligncia (competitiva) e a tecnologia da informao ecomunicao. Adotamos a posio de que todas estas reas convergem para facili-tar a gesto corporativa contempornea e para a sua organicidade sistmica17.

    A finalidade desta obra oferecer um referencial conceitual e prtico comuma abordagem interativa das vrias reas tratadas. Como proposta pode servista como uma obra de referncia a ser consultada em blocos (relacionados ssuas quatro Partes), ou ainda isoladamente (em relao aos seus captulos).

    Pretendeu-se construir a ponte entre a academia e a prtica, entre a universidadee a empresa, trazendo novas propostas para reflexo e utilizao efetivas deinformao, conhecimento e inteligncia nas corporaes.

    O pblico ao qual se destina o acadmico e o corporativo, tanto o aluno (degraduao e ps-graduao), quanto o professor, pesquisador, gestor, empresrio,empreendedor, consultor, gerente, prestador de servio e outros que necessitemde conhecimentos bsicos, tendncias e atualizao.

    6. GILES, L., ed. e trad. Sun Tzu on the Art of War. Londres, 1910.; GRIFITHS, S.B. The Art of War. Oxford:Oxford University Press, 1963; A Arte da Guerra. 33.ed. Rio de Janeiro: Record, 2004.

    7. SIMON, H. Administrative Behaviour. New York: McMillan, 1947; SIMON, H.; MARCH, G. & Guetzkow.Organizations. New York> Wiley, 1958.

    8. CYERT, R.M. & MARCH, J.G. Behavioural Theory of the Firm. New York: Prentice Hall, 1963.9. POLANYI, M. Personal Knowledge. Chicago: Chicago University Press, 1962.10. ARGYRIS, C. Integrating the Individual and the Organization. New York: Wiley, 1964. ARGYRIS, C. Organization

    and Innovation. Chicago: Wiley, 1965.11. DRUCKER, P Management: Tasks, Responsibilities, Practices. New York: Harper & Row, 1974.12. SENGE, P. M. The Fifth Discipline: The Art and Practice of Learning Organization. New York: Doubleday, 1990.13. HANDY, C. The empty Raincoat.London: Htchinson, 1994.14. NONAKA, I. & TAKEUCHI, H. Criao de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram dinmicas.

    So Paulo: Campus, 1997.15. DE GEUS, A. The Living Company: Habits of Survival in a Turbulent Environment. London: Nicholas Brealey,

    1997; DE GEUS, A. A Empresa Viva. So Paulo: Campus, 1998.16. BOISOT, M. Knowledge Assets. Oxford: Oxford University Press, 1998.17. Ver captulo 2 da Parte II.

  • Com estes propsitos, o livro estrutura-se em quatro partes e dezenovecaptulos, com o Prefcio. Ao final da obra, encontram-se ainda os currculosabreviados dos autores e o ndice.

    Parte I Fundamentos oferece um referencial conceitual trazendo asabordagens de vrias reas com foco em informao, conhecimento e inteligncia:cincia da informao; gesto da informao; gesto do conhecimento;inteligncia competitiva. A maioria dos captulos desenvolvidos fruto depesquisa de seus autores. Esta parte contm cinco captulos.

    O primeiro deles Informao, Conhecimento e Inteligncia nas Corporaes busca a sinergia entre as relaes de diversas disciplinas e abordagens a seremutilizadas no trabalho com informao e conhecimento gerando inteligncia.O segundo captulo A problemtica da Gesto do Conhecimento traz umadiscusso aprofundada sobre o escopo e pertinncia do termo gesto doconhecimento e sua relao imbricada com a gesto da informao. O terceirocaptulo Compartilhamento e Gesto do Conhecimento: profissionais da informaoem um ambiente de confiana mtua defende a tese do compartilhamento doconhecimento em organizaes em um ambiente de confiana. O quarto captulo Inteligncia Competitiva (IC) traz a viso francesa desta abordagemcontrapondo tambm a viso americana. Procura demonstrar como a utilizaoda IC pode mudar a capacidade competitiva e o posicionamento estratgico daempresa. O quinto e ltimo captulo desta parte A dimenso social do conheci-mento traz a abordagem do desenvolvimento do conhecimento individual esocial baseado no aprendizado contnuo, com o apoio de novas tecnologias, cujoacesso mediado por especialistas em informao. Contrapondo o conceito deincluso social e humana ao conceito de incluso digital, centrado apenas nodomnio das tecnologias e dos instrumentos para acessar a informao, refleteo posicionamento mais recente da Cpula Mundial sobre a Sociedade daInformao18.

    Parte II Gesto da Informao e do Conhecimento em Organizaes busca contextualizar as abordagens, descritas na primeira parte, no ambienteorganizacional. Traz quatro captulos. O primeiro deles O conhecimento e suagesto nas organizaes discute a abordagem da gesto do conhecimento,descreve a ocorrncia deste processo nas corporaes e como as gestes doconhecimento e da documentao/informao devem se complementar.

    11

    18. World Summit on the Information Society; Geneva 2003 Tunis 2005. Document WSIS-05/TUNIS/DOC/7-E 18 November 2005.

  • 12

    Descreve em detalhes a implementao da gesto do conhecimento emorganizaes. O segundo captulo A organizao diante da evoluo dasTecnologias de Informao e Comunicao trata das novas formas de organiza-o que surgiram e esto surgindo no cenrio atual, organizaes que superamas restries das dimenses espao e tempo, com novas estruturas caracterizadascomo redes orgnicas ou colaborativas, virtuais, temporrias ou de perenidaderelativa. O terceiro captulo desta parte Gesto do Conhecimento Estratgico:Proposta de Modelo resume os principais aspectos relacionados gesto doconhecimento estratgico, indicando as caractersticas dos modelos queintegram o modelo geral desta gesto. So indicadas suas caractersticas,a metodologia adotada para sua implantao, bem como uma proposta deaplicao no contexto empresarial. O quarto captulo Aprendizado Organizacional:Panorama da Educao Corporativa no Contexto Internacional apresenta umaviso internacional sobre o desenvolvimento da educao corporativa, focandoa experincia americana. Identifica as melhores prticas internacionais e traztambm a experincia brasileira. Aponta a tendncia da universidade corporativacomo foco catalisador de todas as iniciativas e atividades de alinhamentoestratgico e gesto do conhecimento institucional.

    Parte III Modelagem e Estruturao de Informaes na Gesto doConhecimento busca o como fazer da gesto da informao e do conheci-mento, em termos de concepo e modelagem dos dados, informaes e conhe-cimentos com o uso de tecnologias de informao. Contm cinco captulos. Oprimeiro Modelos e Conhecimento trata da percepo da realidade e suatransformao em conhecimento. Demonstra como possvel entender partesde realidades diversas, por meio de aes de modelagem, com o principalobjetivo de, compreendendo estas partes da realidade, construir modelos queprojetam novos contextos e realidades. O segundo captulo Arquitetura daInformao sustenta que o mbito da arquitetura da informao (AI) o dedesenhos de espaos de comunicao integrados a espaos de tecnologia dainformao representando novas relaes sociais, que, por meio de processoscentrados no usurio, so capazes de criar solues adequadas ao ambientehumano. Mostra ainda a sua relao com a gesto do conhecimento, qualcabe a definio de estratgias para transformar anlise dos dados fornecidos pelaestrutura de AI em ao em prol da organizao. O terceiro captulo Sistemasde Conhecimentos e as relaes com a Gesto do Conhecimento e com a IntelignciaOrganizacional nas empresas privadas e nas organizaes pblicas discute ossistemas de conhecimentos e as relaes com a gesto do conhecimento e com

  • a Inteligncia nessas organizaes. A concluso reitera a importncia de ummodelo integrado atuando como ferramenta de gesto para as organizaespreocupadas com sua competitividade e inteligncia. O quarto captulo Memria Organizacional e Gesto do Conhecimento trata dos registros doconhecimento corporativo e de sua gesto. Aborda a memria organizacional oucorporativa como ferramenta para apoiar o processo de compartilhamento ereuso do conhecimento individual e corporativo. O quinto captulo Redes deInformao e de Gesto do Conhecimento trabalha com a aplicao de con-ceitos novos da cincia da informao, das tecnologias e de ferramentas deinformtica (metadados, data warehouse, data mining, XML etc.) sobre asbibliotecas e os centros de documentao e de informao, oferecendo umaviso integrada da biblioteca virtual e dos servios de informao e documentaoque podem representar, de fato, um extraordinrio potencial na conceituao,implementao e operao dos dois elementos mais crticos dos sistemas degesto do conhecimento: a alimentao das bases de dados e de conhecimentoscom informaes adequadamente tratadas, e a recuperao de informaesestratgicas de alto valor agregado quando e onde se necessite.

    Parte IV Mtodos, Tcnicas e Softwares seleciona alguns exemplos demtodos, tcnicas e software para o trabalho com a informao e o conheci-mento. Traz quatro captulos. O primeiro deles A Bibliometria e os SoftwaresMatheo Analyzer e o Matheo Patent discorre sobre a anlise bibliomtrica einfomtrica, como importantes mtodos para extrao de conhecimento novo apartir de bases de dados bibliogrficas e de patentes, e introduz os softwaresMatheo Analyzer e Matheo Patent este utilizado como instrumento de anlisede patentes para a Inteligncia Competitiva. O segundo captulo Infotrans4.0: diferencial na converso de dados um software utilizado como umpoderoso instrumento para reformatao e reconverso de bases de dados emformato ASCII. O terceiro captulo Tcnicas de elicitao do conhecimentotcito; uma avaliao comparada descreve algumas tcnicas de elicitao deconhecimento tcito, estabelecendo as caractersticas mais significativas queapresentam. A base terica sustentou-se na teoria da criao do conhecimento.O quarto e ltimo captulo desta parte Marketing Inteligente refere-se a umprocesso que tem no cliente o seu principal foco de captao de informaoe conhecimento.

    Ao final da obra, apresentado um ndice.

    13

  • 14

    A organizadora agradece a todos os colaboradores, destacando o carterindito dos trabalhos e a meticulosa traduo dos captulos dos autores interna-cionais.

    A organizadora agradece a todos os colaboradores, destacando o carter inditodos trabalhos e a meticulosa traduo dos captulos dos autores internacionais.

    Agradecemos, tambm, ao suporte do Instituto Brasileiro de Informao emCincia e Tecnologia (Ibict) e da UNESCO para a edio desta obra.

    Braslia, julho de 2006.Kira Tarapanoff

    Organizadora

  • In the context of the Information and Knowledge Society, new paradigms ofcreation, access and sharing of informations and knowledge have been affectingthe management of corporations.

    The uncertainty and ambiguity of markets and of the specific environmentexert pressure on corporations that are forced to monitor these forces, in asystematic way, in search for informations, which must be immediatelytransferred to the corporate internal environment. To transform these informationsinto strategies, corporations engage in their analysis and share their resultsthrough continuous corporate learning.

    Adopting the Information Management, Knowledge Management, as wellas the Competitive Intelligences approaches this book offers diverse, alternativeand complementary approaches about processes, methods, techniques andinstruments, that will allow the information and knowledge processing incorporations. Its content represents the results, research and practice of authorsthat come from different academic and consultancy backgrounds representingstate, private and third sectors.

    15

    ABSTRACT

  • PARTE IFUNDAMENTOS

  • 19

    INFORMAO, CONHECIMENTO E INTELIGNCIA EM CORPORAES:RELAES E COMPLEMENTARIDADEKira Tarapanoff

    INFORMAO E CONHECIMENTO NO CONTEXTO CORPORATIVO

    Construir uma sociedade na qual todos possam criar, acessar, utilizar e compar-tilhar informao e conhecimento o desafio que se impe a todas as naes ecorporaes no mundo atual, intensamente baseado em tecnologias da informaoe do conhecimento, no qual os ativos intangveis19 adquirem importncia crescente.

    Neste captulo, sero tratadas algumas reas que provem as bases tericase prticas relacionadas criao, ao acesso, utilizao e ao compartilha-mento da informao20 e do conhecimento em organizaes. Sero consideradasas reas de cincia da informao, gesto da informao, gesto do conhe-cimento e inteligncia competitiva.

    Entende-se que, juntas, estas abordagens cobrem o espectro temtico pro-posto pela Cpula da Sociedade da Informao e do Conhecimento21.

    CINCIA DA INFORMAO

    Cincia da informao uma cincia de carter eminentemente interdis-ciplinar22, que tem por objeto o estudo das propriedades gerais da informao

    19. A competncia de seus empregados, processos e redes de relacionamentos so os ativos intangveis das organizaes,o seu capital intelectual. Disponvel em : .

    20. Informao um conceito interdisciplinar. Quase cada disciplina cientfica utiliza o conceito de informao dentrode seu prprio contexto e relacionado a um fenmeno especfico, em especial as cincia da computao, intelignciaartificial, biblioteconomia, lingstica, psicologia, fsica; e as cincias sociais (MACHLUP; MANSFIELD, 1983, p. 660).

    21. WORLD SUMMIT ON THE INFORMATION SOCIETY, op. cit., WSIS-03/GENEVA/DOC/4-E,December 2003; WSIS/05/TUNIS/DOC/7E, November 2005.

    22. A cincia da informao tambm vista como uma cincia multidisciplinar, criando um conjunto de subdisci-plinas que se fundem com disciplinas j existentes: informao fsica, informao qumica (computao molecular),informao biomdica, bioinformao (vida artificial), informao neurocincia (inteligncia artificial) esocioinformao (MARIJUAN, 1996, p. 91).

    http://www.sveiby.com.au/article/Brennan/ic_defined.htm

  • 20

    (natureza, gnese e efeitos). Assim, em pesquisas que abordam o tema dainformao, a cincia da informao contribui principalmente com estudosdas necessidades informacionais, do estudo do fluxo e uso da informao.

    uma cincia aplicada com possibilidades de ser utilizada nos mais diversoscontextos organizacionais, sociais e individuais. Em sua vertente social,identifica-se com o estudo da comunicao da informao na sociedade,facilitando o processo de transferncia da informao e, desta forma, efetiva-mente contribuindo para a construo da cidadania23.

    Os cientistas, ou profissionais da informao, podem ser consideradosmediadores, educadores e facilitadores do processo de acesso e disseminaoda informao, o que provoca mudanas na ordem social (FREHLICH,1989, p. 308).

    A interdisciplinaridade24 da cincia da informao um tema recorrentena literatura da rea. As duas relaes interdisciplinares mais fortes da cinciada informao so com a biblioteconomia e com a cincia da computao.De forma simplista, a distino no tratamento da informao entre estasdisciplinas reside em a computao tratar dos algoritmos relacionados informao e biblioteconomia da natureza da informao e de seu uso.

    A cincia da computao procura prover a base cientfica para o estudodo processamento da informao, a soluo de problemas com a aplicao dealgoritmos, a concepo e a programao de computadores25. A cincia dainformao busca a otimizao da utilizao do conhecimento contido emdocumentos, e objetivo principal das bibliotecas prover o acesso fsico eintelectual informao (HJRLAND, 2003).

    Outras reas com as quais a cincia da informao se relaciona incluem:

    Psicologia comportamentos de comunicao;

    Lingstica semitica, paratexto;

    Sociologia sociologia das cincias, comunidades cientficas, produtividadecientfica;

    23. A informao deve ser o reflexo social do sistema de informao (CAPURRO, 2003, p. 31. Disponvel em:.

    24. Interdisciplinaridade permite a transferncia de mtodos de uma disciplina para outra, podendo gerar apenas umacontribuio epistemolgica, o surgimento de uma nova aplicao e at mesmo de uma nova disciplina cientfica.

    25. At a primeira metade dos anos 80, equipamentos e profissionais de informtica preocupavam-se em modelar epadronizar informaes tratadas pelos sistemas.

    http://www.capurro.de/infoconcept.html

  • Informtica bases de dados, recuperao, sistemas especialistas,programa para hipertexto;

    Matemtica, lgica, estatstica algoritmos, lgica booleana e difusa;

    Eletrnica e telecomunicaes redes, correio eletrnico, videotexto;

    Filosofia, epistemologia, histria... (LE COADIC, 1996, p. 22).

    Este campo do saber tem trs caractersticas que so os seus temas recor-rentes e que tambm podem ser vistos como suas principais reas deproblematizao:

    interdisciplinaridade - as suas relaes com outras disciplinas mudamconstantemente. A evoluo da interdisciplinaridade est longe de acabar;

    ligao com a tecnologia da informao - que a compele e condiciona;

    Participao ativa na evoluo da sociedade da informao. Tem uma fortedimenso humana, acima e alm da tecnologia (SARACEVIC, 1999, p. 1052).

    uma disciplina que empresta importantes conceitos de um nmero dedisciplinas estreitamente relacionadas que se formam em um todo coesofocado em informao. Atualmente, entre suas reas de interesse, esto agesto da informao, a inteligncia competitiva e a gesto do conhecimento(HAWKINS, 2001, p. 51).

    No campo da cincia da informao, o conceito informao utilizadono sentido de conhecimento comunicado26. Esta perspectiva inclui conceitos denovidade e relevncia e refere-se ao processo de transformao do conhecimentoe, particularmente, sua seleo e interpretao em um contexto especfico.Nesta rea, aparecem bvias a superposio e a complementaridade de signifi-cado entre informao e conhecimento (CAPURRO ; HJRLAND, 2003, p. 3)27.

    GESTO DA INFORMAO E GESTO DE RECURSOS INFOR-MACIONAIS

    Gesto da informao define-se como a aplicao de princpios adminis-trativos aquisio, organizao controle, disseminao e uso da informaopara a operacionalizao efetiva de organizaes de todos os tipos (WILSON,

    21

    26. Este entendimento desenvolveu-se aps a II Guerra Mundial.27. Disponvel em: .

    http://www.capurro.de/infoconcept.html

  • 22

    1997), ou como o gerenciamento de todo o ambiente informacional deuma organizao (DAVENPORT, 1994, p.84).

    Decorrente da biblioteconomia especializada e da cincia da informao,o principal objetivo da gesto da informao identificar e potencializarrecursos informacionais de uma organizao ou empresa e sua capacidade deinformao, ensinando-a a aprender e adaptar-se a mudanas ambientais.

    Figura 1 - Ciclo da Gesto da Informao

    Fonte: Choo (1998).

    O ciclo de gesto da informao identifica-se, em grande parte, com ociclo informacional utilizado pela biblioteconomia e cincia da informao.

    De forma simples, pode-se definir a gesto da informao como a aplicaodo ciclo da informao (processo da Cincia da Informao) s organizaes,conforme figura 2.

    Figura 2 - Ciclo informacional

    Fonte: Ponjuan Dante (1998, p. 47).

    Organizao e armazenamento da informao

    Produtos e servios de informao

    Distribuio da Informao

    Uso dainformao

    Aquisio daInformao

    Necessidadede Informao

    Comportamentoadaptado

    GERAO

    USO

    DISTRIBUIO

    RECUPERAO ARMAZENAMENTO

    SELEO/AQUISIO

    REPRESENTAO

  • O ciclo informacional iniciado quando se detecta uma necessidadeinformacional, um problema a ser resolvido, uma rea ou assunto a seranalisado. um processo que se inicia com a busca da soluo a um problema,da necessidade de obter informaes sobre algo, e passa pela identificao dequem gera o tipo de informao necessria, as fontes e o acesso, a seleo eaquisio, registro, representao, recuperao, anlise e disseminao dainformao, que, quando usada, aumenta o conhecimento individual e coletivo.

    Em aplicaes da concepo, implementao e avaliao de sistemas deinformao, so enfatizados os domnios ou assuntos de conhecimentoespecfico, sobre os quais so aplicados os princpios da gesto da informao,como, por exemplo, o administrativo, o cientfico, o tecnolgico, ou outrarea. A gesto de recursos informacionais um recurso legtimo que vem danecessidade de integrar e coordenar a heterogeneidade dos recursos informa-cionais que existem em uma organizao (FREHLICH, 1989).

    O objeto da rea a informao e o trabalho com a informao, transfor-mando-a em produtos e servios de utilidade (com valor agregado) para ocliente/usurio.

    Informao, no contexto da gesto da informao, refere-se a todos os tiposde informao de valor, tanto de origem interna quanto externa organizao.Inclui recursos que se originam na produo de dados, tais como de registrose arquivos, que vm da gesto de pessoal, pesquisa de mercado, da observaoe anlise utilizando os princpios da inteligncia competitiva, de uma vastagama de fontes.

    Gesto da informao preocupa-se com o valor, qualidade, posse, usoe segurana da informao no contexto do desempenho organizacional(WILSON, 1997).

    A informao um fator determinante para a melhoria de processos,produtos e servios, tendo valor estratgico em organizaes. A idia dainformao como ferramenta estratgica evoluiu depois que a gesto dainformao mudou, de seu foco inicial de gesto de documentos e dados,para recursos informacionais, mostrando resultados em relao eficinciaoperacional, evitando desperdcio e automatizando processos. A nova viso seespalhou por grandes corporaes privadas, que passaram a instituir umaestrutura formal, em geral ligada ao alto escalo hierrquico, para cuidar dagesto dos recursos informacionais.

    23

  • 24

    Nesta nova perspectiva, o termo utilizado passa de gesto da informaopara gerncia dos recursos informacionais, cuja principal finalidade oacompanhamento eficiente de processos, o apoio tomada de decisesestratgicas e a obteno de vantagem competitiva em relao aos concor-rentes. Alm do gerenciamento de todo o ciclo da informao, inclui a ativi-dade de monitoramento ambiental28 (interno e externo). A responsabilidadepelo gerenciamento dessas informaes da competncia de altos executivos.

    As tarefas destes executivos incluem:

    estabelecimento de polticas de informao aplicveis a toda a empresa;

    criao e manuteno de estoques de informao;

    coordenao das informaes levantadas no mbito de toda a empresa;

    promoo de esforos para melhorar a qualidade das informaes;

    criao de centros de informao, bibliotecas ou centros de pesquisabaseados nas necessidades dos usurios;

    planejamento de produtos e servios de informao para toda a empresa;

    negociao da partilha de informaes entre os departamentos (DAVENPORT,1994, p. 103-104),

    Como objeto de investigao, a gesto de recursos informacionais seconfigura como rea de interesse de diferentes campos do conhecimento,entre eles a administrao de empresas e a cincia da computao. A primeirabuscou desenhar fluxos informacionais para o melhor funcionamento e possi-bilidade de interveno em unidades de produo, enquanto a ltima desen-volveu ferramentas em apoio tomada de deciso e planejamento estratgico,a saber: sistemas gerenciais, inteligncia artificial e sistemas especialistas.

    A gerncia de recursos informacionais enfatiza a anlise dos contedosdas informaes ambientais internas e externas gerando inteligncia para atomada de deciso nas organizaes, baseando-se fortemente nas tecnologiasde informao e comunicao.

    28. Processo de observar o ambiente e fornecer dados ambientais para os gerentes, possibilitando a identificaode oportunidades e deteco de problemas, e implementar adaptaes estratgicas ou estruturais na organizao(MORESI, 2001, p. 104).

  • INFORMAO ECONMICA E INTELIGNCIA COMPETITIVA

    O processo de instalao da inteligncia nas organizaes teve comomarco contextual a percepo da instabilidade e da incerteza na ambincia,obtida por meio da atividade de monitoramento ambiental, que mostroucaractersticas de impreciso e ambigidade em relao aos fatores exter-nos, tanto no ambiente nacional quanto no internacional. Estes fatosinduziram economistas e administradores a adotar a inteligncia econmicapara que organizaes e at pases pudessem antecipar-se ao enfrentaresses fatores.

    De forma independente, a Frana aparece como o primeiro pas quedecidiu elevar a inteligncia econmica categoria de objetivo nacional(COMISSARIAT GNRAL AU PLAN, 1994). No documento do planofrancs de 1994, a inteligncia econmica definida como o conjunto deaes coordenadas de busca, tratamento, distribuio e proteo de informaotil aos atores econmicos e obtida legalmente. Sua finalidade consiste emfornecer, aos responsveis pela tomada de decises nas empresas ou no Estado,os conhecimentos necessrios para a compreenso de seu meio ambiente e poderassim ajustar suas estratgias individuais ou coletivas. A inteligncia econmicaj traz em seu bojo os conceitos de inovao, informao e conhecimento.

    Em seus fundamentos operativos, a inteligncia econmica define-se tantocomo um produto quanto como um processo. O produto a informao e oconhecimento operacionais. O processo definido como o conjunto demeios usados sistematicamente na aquisio, avaliao e produo dessainformao e desse conhecimento operacionais.

    Quanto s suas funes e caractersticas, esta serve de base para quatrofunes principais:

    domnio (defesa e promoo) do know-how cientfico e tecnolgico;

    deteco dos riscos e das oportunidades no mercado interno e externo;

    capacidade de definir estratgias individuais e coletivas adequadas;

    definir as estratgias de influncia em apoio s aes (CLERC, 1997).

    Na interpretao das organizaes e empresas, a inteligncia econmicatornou-se inteligncia de negcios e, mais tarde, inteligncia competitiva.

    As primeiras a adotar a inteligncia de negcios foram as grandes empresasanglo-saxnicas, britnicas e, sobretudo, americanas, que, nos anos 60, criaram

    25

  • 26

    departamentos de inteligncia de marketing29, influenciadas pela experinciade informao militar, desenvolvida na II Guerra Mundial e durante a GuerraFria (entre a Unio Sovitica e os Estados Unidos). Na prtica militar, serviode informao sinnimo de inteligncia (intelligence).

    Definir a estratgia, a partir da informao, avaliando as oportunidades ouameaas existentes e a sua capacidade de acionar os seus ativos30 para responderaos novos desafios, tem sido a ocupao principal dos lderes e tomadores dedeciso (McGEE; PRUSAK, 1994).

    Progressivamente, a prtica da inteligncia competitiva e de negciosdesenvolveu-se, principalmente nos anos 1970/1980, em empresas como aMotorola, IBM, Hewlett-Packard e Dow Chemical. Os seus objetivos desdeo incio foram monitorao da concorrncia para auxiliar o processo detomada de deciso e o planejamento estratgico.

    A inteligncia competitiva pode se definir como um processo de apren-dizado motivado pela competio, fundado sobre a informao, permitindoesta ltima a otimizao da estratgia corporativa em curto e em longo prazo.

    Importantes autores contriburam para o desenvolvimento da inteligncianas corporaes. Charles Handy, em seu livro The Empty Raincoat (1994), tratados grandes dilemas ou paradoxos nas empresas ps-modernas, afirmandoque, no paradoxo da inteligncia, esta a maior fonte de riqueza, mas tambm a mais difcil de se possuir e controlar.

    Nas corporaes, a inteligncia vista como a habilidade em lidar com acomplexidade a habilidade de capturar, compartilhar e extrair significadode sinais da ambincia externa que as possam afetar de forma positiva ounegativa (HAECKEL; NOLAN, 1993).

    Na tradio americana, a inteligncia refere-se a como o conhecimento adquirido baseado em uma anlise lgica e integrada de informaodisponvel sobre competidores ou sobre o ambiente competitivo. A definio

    29. Instalaram-se os sistemas de inteligncia de marketing conjunto de procedimentos e fontes usadas pelosexecutivos para obter suas informaes dirias sobre os conhecimentos relacionados ao ambiente de marketing(KOTLER, 1995, p. 138)

    30. Embora a informao seja vista como ativo que precisa ser administrado, da mesma forma que os outrostipos de ativos representados pelos seres humanos, capital, propriedades e bens materiais, ela representa umaclasse particular entre esses outros tipos de ativos. A informao infinitamente reutilizvel, no se deterioranem se deprecia, e seu valor determinado exclusivamente pelo usurio. At certo ponto, a informao,como a beleza, est nos olhos e inteligncia do observador.

  • utilizada pela Sociedade (americana) dos Profissionais de IntelignciaCompetitiva (SCIP Society of Competitive Intelligence Professionals) programa sistemtico e tico de reunir, analisar e gerenciar informaoexterna, que pode afetar os planos, decises e operaes de uma organizao.Colocada de outra forma, o processo que permite o aumento da competitividadeda organizao no mercado, por meio de um entendimento maior, mas inequivo-camente tico, dos seus competidores e do seu ambiente competitivo31.

    Na tradio francesa, a inteligncia competitiva, desenvolvida a partir daveille technologique32, entendida de forma mais ampla, incluindo a busca de qualquerinformao na ambincia, de carter cientfico, tecnolgico, social ou poltico,sobre os seus competidores e tambm clientes, fornecedores e parceiros, quepossibilite melhor posicionamento da organizao na ambincia. Ela busca identi-ficar e conhecer aspectos que podem causar impacto nos pontos fortes e fracosda organizao, levantar o perfil dos concorrentes e, essencialmente, moni-torar o ambiente (interno e externo) objetivando captar sinais de mudana.

    Dentre outros objetivos, visa a conhecer a durabilidade da oportunidadede determinada tecnologia, de uma pesquisa em curso, da gerao e do desen-volvimento de uma idia. Utiliza-se fortemente de fontes de informaocomo patentes, novos softwares desenvolvidos, introduo de novos mtodose procedimentos. A oportunidade permanece em seu grau mximo enquantono aparecerem concorrentes ou competidores. Quando estes comeam aaparecer, o grau de oportunidade ir diminuindo. O sistema de monitora-mento consiste em extrair indicadores estratgicos que permitiro empresater uma idia do grau de oportunidade e de ameaa potencial a essas idias,tecnologias, pesquisas ou desenvolvimentos. Est ligada ao planejamentoestratgico da organizao, ao seu posicionamento na ambincia e estrat-gia33 (DOU, 1995, p. 70-71).

    O processo de inteligncia competitiva para ser implementado requercontnua utilizao de dados e informaes e, no processo de anlise eagregao de valor a esses dados e informaes, utiliza o know-how34 e oconhecimento individual e corporativo.

    27

    31. Disponvel em: .32. Monitoramento de fatores cientficos e tecnolgicos.33. Degent (1986, p. 78) sugere a existncia de trs tipos de inteligncia estratgica com diferentes orientaes

    na obteno de informaes: defensiva evitar surpresas; passiva parmetros para avaliar o desempenhoda organizao; ofensiva identificao de oportunidades de negcios.

    34. Tambm o know who e o know why.

    http://www.scip.org/ci/index.as

  • 28

    GESTO DO CONHECIMENTO

    Com a intensificao do uso da informao para fins estratgicos, percebeu-se que o valor da empresa, na percepo do usurio e do mercado, incorporaaspectos intangveis, tais como valor da marca, peso das patentes geradas,capacidade de inovao, talento dos funcionrios em especial dos executivose suas relaes com os clientes, software, processos nicos, desenhos organi-zacionais e outros (LEV, 2004).

    Percebeu-se que se esperavam das empresas novas e melhores prticas esolues, idias novas, processos de descoberta, novos insights, algo que ainformao, por mais bem administrada que seja, no pode fornecer(DAVENPORT; PRUSAK, 1998).

    Desta percepo, derivou a expresso gesto do conhecimento, umadisciplina que trabalha sistematicamente a informao e o conhecimentovisando ao aumento da capacidade de resposta da empresa ao meio ambientecom inovao e competncia, desenvolvendo a eficcia e o conhecimentocorporativo35.

    Dentre os autores pioneiros sobre gesto do conhecimento em corporaes,destaca-se Karl-Erik Sveiby, que introduziu conceitos fundamentais na rea36.Outros autores, como Chris Argyris, interessaram-se em saber como asempresas adquirem e usam o conhecimento (1993). Com Schn (1974),Argyris cunha o termo pesquisa da ao, procurando indicar um novo tipode investigao, conduzida de forma contnua pelos prprios gerentes etrabalhadores e constantemente realimentando seu trabalho. O objetivo dapesquisa da ao criar um conhecimento ativo. O mtodo de integraro conhecimento na organizao chamado de aprendizagem em duas etapas.A cincia da ao e o aprendizado em duas etapas resultam na geraocontnua de conhecimento e tambm sua difuso em toda a empresa(WITZEL, 2005, p. 18-19).

    No que tange ao conhecimento, o foco da gesto da informao voltadopara o gerenciamento do conhecimento explcito, enquanto a gesto doconhecimento preocupa-se com o gerenciamento do conhecimento tcito,

    35.ROBIN TREHAN. Knowledge Management: a business perspective. 2005. Disponvel em:.

    36. O primeiro livro publicado em gesto do conhecimento atribudo a Sveiby. Publicado em 1990, em suecoKunskapsledning. Disponvel em: .

    http://www.hospitalitynet.org/news/4024789.printhttp://www.sveiby.com

  • objetivando o desenvolvimento da capacidade das pessoas em explicitar ecompartilhar o seu conhecimento.

    No momento de sua explicitao, o conhecimento transforma-se eminformao. Desta forma, derivado da informao envolve o processo mentalda compreenso, entendimento e aprendizado que se processa na mente,apenas na mente, dos indivduos, incorporando-o s suas estruturas cognitivasnicas. Cada estrutura cognitiva determinada pela biografia do indivduo(SCHULTZ, 1967).

    Em uma organizao representa as habilidades, intuio e know-how queo indivduo adquire no contato dirio com as suas atividades. Este conhecimentotcito personalizado, difcil de ser formalizado ou articulado (POLANYI,1996; 1973).

    As organizaes devem usar a informao para criar significado, construirconhecimento e tomar decises. A criao do conhecimento representainovao e vantagem competitiva.

    Novos conhecimentos podem ser criados pela converso do conheci-mento, pela construo do conhecimento e pela conexo do conhecimento.

    Na converso do conhecimento, a organizao busca converter oconhecimento tcito de indivduos criativos em conhecimento explcito. Osconceitos criados so avaliados, testados e elaborados por meio de arqutipose prottipos, segundo sua adequao aos propsitos da organizao. Final-mente, so transferidos para outros nveis da empresa, para desencadearnovos ciclos de criao de conhecimento (NONAKA; TAKEUCHI, 1995).

    Entre as atividades capazes de construir conhecimento, est a de partilhara soluo de problemas circunstncia em que indivduos com atribuiesdiversas trabalham juntos: experimentam, implementam, integram novosprocessos e ferramentas, e importam conhecimentos.

    A experimentao permite organizao ampliar suas habilidades e crianovas capacidades para o futuro. Para ser bem-sucedida, a implantao denovos processos e ferramentas requer adaptao e complementao entreusurios e tecnologias. Informaes sobre novas tecnologias e sobre omercado so importadas e absorvidas pela organizao. Neste quesito, entrao processo de monitoramento ambiental, que uma atividade largamenteusada na gesto da informao e na inteligncia competitiva (LEONARD-BARTON, 1995).

    29

  • 30

    Na conexo do conhecimento, a organizao constitui parcerias deaprendizagem com outras empresas, de modo a transferir conhecimentoscompatveis com a cultura de trabalho e o estilo operacional da organizaoparceira (BADARACCO, 1991).

    A organizao que for capaz de integrar eficientemente os processos decriao de significado, construo do conhecimento e tomada de decisespode ser considerada uma organizao do conhecimento.

    ESTRATGIA, INFORMAO,CONHECIMENTO E INTELIGNCIA

    As pesquisas sobre teoria organizacional revelam que as empresas criam eutilizam a informao em trs arenas estratgicas. Primeiro, a empresa inter-preta a informao sobre o ambiente de modo a dar significado ao que estacontecendo organizao e ao que ela est fazendo (gesto da informao einteligncia competitiva). Em segundo lugar, cria novos conhecimentos,combinando a experincia de seus membros, de modo a aprender e inovar(gesto do conhecimento). Finalmente, processa e analisa a informao demodo a escolher e empreender cursos de ao apropriados (intelignciaestratgica).

    O processo de gesto do conhecimento, em si, uma atividade indepen-dente, mas, quando ligada ao processo decisrio, est fortemente ligado aoprocesso de gesto da informao e ao trabalho e anlise da informao.A inteligncia (estratgica) pode ser considerada sntese do processo de trabalhoda informao e do conhecimento, gerando conhecimento novo capaz de indicarnovos caminhos para a empresa, a inovao em si inteligncia tambm.

    Em uma organizao, informao, conhecimento e inteligncia estopresentes nos seus processos de gesto, que alimentam o processo de tomadade deciso e o planejamento estratgico.

    O planejamento estratgico visa a desenvolver e manter uma adequaorazovel entre os objetivos e recursos da empresa e tambm as mudanas deoportunidades de mercado. Por meio das estratgias, as empresam utilizam osseus pontos fortes para melhor aproveitar as oportunidades e implementaraes minimizando o impacto das ameaas sobre seus pontos fracos (gestoda informao).

    preciso inteligncia na fase de definio da estratgia, na sua execuo eintegrao. E, finalmente, as organizaes devem criar sistemas de avaliao e

  • feedback que aperfeioem o fluxo de informaes entre definio e a imple-mentao da estratgia, de forma a possibilitar o aprendizado a partir dosresultados de seus esforos de execuo como resultado, a estratgia podeser avaliada e redefinida de forma confivel, assim como o posicionamentoinstitucional (McGEE; PRUSAK, 1994, p. 19).

    No se chega inteligncia pelo acesso passivo informao. A intelignciadeve ser criada, e ao longo desse processo de criao, o processo da gesto dainformao e do conhecimento, que se vai elaborando um sistema til sorganizaes, integrado em sua cultura e em seus cenrios voltados ao futuro.

    O planejamento estratgico depende desses processos, e o resultado atomada de deciso. Estes elementos se integram e se realimentam. A uniodessas foras, interdependentes, constitui-se na inteligncia corporativa,representada na figura 3.

    Figura 3 Integrao de gesto da informao e gesto doconhecimento ao planejamento estratgico

    Nesta concepo, a inteligncia corporativa inclui tanto o conceito degesto da informao, quanto o de gesto do conhecimento, apoiada nomtodo/processo de monitoramento ambiental, para o planejamento e gestoda organizao/empresa e nas tecnologias de informao e comunicao.

    31

    MONITORAMENTO AMBIENTAL

    TECNOLOGIAS DE INFORMAO E COMUNICAO (TIC)

  • 32

    Gesto da informao, do conhecimento e inteligncia competitivasubsidiam a deciso estratgica.

    importante enfatizar que a inteligncia obtida por meio da gesto dainformao e do conhecimento s possvel quando esta se torna um ativo.Quando se cria uma ordem til a partir da capacidade intelectual gerada, ouseja, quando assume uma forma coerente (um sistema de informaesestratgicas, uma mala direta, um banco de dados, uma base de consultas, umcadastro de autores e/ou de especialistas...) e quando capturada de uma formaque seja descrita, compartilhada e explorada pela organizao. Este processos til quando pode ser aplicado a algo que no poderia ser realizado se con-tinuasse fragmentado. O capital intelectual nada mais do que o conheci-mento til em nova embalagem (STEWART, 1998, p. 61).

    CONCLUSES

    Para gerar, acessar, compartilhar e criar informao e conhecimentonovo, foram consideradas as diversas abordagens propostas na cincia dainformao, gesto da informao, gesto do conhecimento e intelignciacompetitiva. No que tange s corporaes, procurou-se sintetizar essas con-tribuies no processo do planejamento estratgico e de tomada de deciso.

    Foi visto que estas diversas abordagens so interdisciplinares e apiam-sefortemente nas tecnologias de informao e comunicao. Todas tm focoem informao e em conhecimento, interpenetram-se e enriquecem-semutuamente com a complementaridade e podem formar, com o desenvolvi-mento deste potencial de interdisciplinaridade, novo conjunto de conheci-mentos tericos, metodolgicos e aplicados.

    Nos captulos subseqentes desta primeira parte, so trazidos outrosenfoques sobre estas relaes, o primeiro dos quais discute a precedncia dadenominao gesto da informao sobre a gesto do conhecimento, e oltimo destaca que toda a informao, bem como todo o conhecimento, temcarter social e deve ser acessvel e compartilhado por todos.

    Nas partes subseqentes, o assunto tratado sob perspectiva maisoperacional, buscando trazer os pr-requisitos administrativos, tecnolgicose metodolgicos para o desenvolvimento das atividades de gesto dainformao, gesto do conhecimento e inteligncia competitiva emcorporaes.

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    _____. Information Management. In: INTERNATIONAL ENCYCLOPE-DIA OF INFORMATION AND LIBRARY SCIENCE. London: Rout-ledge, 1997. p. 187-196.

    WITZEL, M. 50 grandes estrategistas de administrao. So Paulo: Contexto,2005.

    35

  • INTRODUO

    Em 2002, publiquei um artigo para a revista eletrnica Informationresearch, intitulado The nonsense of knowledge management (WILSON,2002), que provocou muita polmica, veiculada por meio de listas de dis-cusso e Weblogs. O trabalho continua sendo o artigo mais acessado darevista mencionada. J foram mais de 40 mil acessos, uma mdia de quase 2mil por ms, levando-se em considerao a sua data de publicao. Parece queo debate sobre a natureza da gesto do conhecimento e sua prpria existnciacontinua a atrair o interesse. O presente trabalho rev o fenmeno paraexaminar o que se apresenta diferente, trs anos mais tarde.

    Os principais argumentos do trabalho de 2002 foram:

    1. os defensores da gesto do conhecimento no fazem uma distinooperacional clara entre conhecimento e informao. Mas esta distino absolutamente essencial, se os gestores do conhecimento quiserem demonstrarque esto fazendo algo que seja: a) diferente do que feito por gestores de infor-mao; b) diferente de outras especializaes organizacionais, tais como desen-volvimento organizacional e gerenciamento da comunicao organizacional;

    2. o movimento da gesto do conhecimento tem sua origem na intelignciaartificial e nos sistemas especialistas, dos quais emergiu a idia do sistemabaseado em conhecimento. Ele, entretanto, foi adotado e distorcido pelosvendedores de tecnologia informacional e escritrios de consultoria degesto, para servir suas operaes de marketing;

    3. no existe um ncleo na literatura de gesto do conhecimento. Ela,porm, encontra-se dispersa em grande diversidade de reas, desde a

    37

    A PROBLEMTICA DAGESTO DO CONHECIMENTO37Thomas Daniel Wilson

    37.Traduo de Ulf Gregor Baranow.

  • 38

    inteligncia artificial, passando por aplicaes de tecnologia informa-cional at o desenvolvimento organizacional;

    4. a distino feita por Nonaka e Takeuchi entre conhecimento tcito eexplcito uma corrupo ilegtima da idia de conhecimento tcito feitapor Polanyi (1958) e citada por Nonaka e Takeuchi. Para aquele autor,conhecimento tcito parte do que sabemos, mas sobre o que ainda nopodemos falar, por ser inacessvel nossa conscincia. Para Nonaka eTakeuchi, simplesmente aquela parte do que sabemos, mas sobre a qualainda no falamos. A distino crucial, porque revela que a distinofeita pelos autores falsa (NONAKA; TAKEUCHI, 1995);

    5. idias sobre comunidades de prtica dificilmente sero adotadas emgrande escala nas empresas e na indstria, porque so incompatveis comos valores que direcionam a gesto de curto prazo, orientada para omercado e para os acionistas e principais interessados dessas organizaes.

    INFORMAO E CONHECIMENTO

    A distino proposta no trabalho mencionado acima foi a seguinte:

    Conhecimento definido como aquilo que sabemos. Conhecimento envolveos processos mentais de compreenso, entendimento e aprendizado que sepassam na mente e apenas na mente, independentemente de interao como mundo exterior mente e a interao com outros. Sempre que desejamosexpressar o que sabemos, podemos somente faz-lo por meio de mensagensde um tipo ou outro oral, escrita, grfica, gestual ou at por meio da linguagemcorporal. Mensagens deste tipo no levam conhecimento, pois elas constitueminformaes que uma mente preparada pode assimilar, entender, compreendere incorporar s suas prprias estruturas de conhecimento. Estas estruturasno so idnticas para a pessoa que emite a mensagem e o receptor, porquecada pessoa tem a sua prpria estrutura de conhecimento, na colocaode Schutz, determinada biograficamente (SCHUTZ, 1967). Portanto, oconhecimento construdo a partir de mensagens nunca poder ser exata-mente o mesmo que aquele vindo da base do conhecimento que emitiu amensagem (WILSON, 2002).

    A comunidade de gesto do conhecimento parece tratar conhecimentocomo uma coisa ou mercadoria, mas conhecimento no uma coisa, e simum processo complexo e dinmico. Aquilo que sabemos est constantemente

  • mudando, medida que adquirimos ou estamos expostos a novas infor-maes sobre o mundo. As associaes entre os elementos do que conhecemostambm esto continuamente mudando pela mesma razo, e o que sabemossobre algo costuma decair atravs do tempo, a menos que coloquemos oconhecimento em uso repetidamente.

    O corolrio disto que conhecimento nunca pode ser capturado38 nemcompartilhado: tudo que capturado ou compartilhado so informaessobre o que sabemos. bastante improvvel que possamos alguma vez relatara totalidade do que sabemos, em razo da multiplicidade de associaes quequalquer coisa que sabemos tem com tudo o mais que conhecemos.

    Muitos autores, no entanto, continuam a usar os termos conhecimento einformao como se fossem sinnimos. Parece que so incapazes de entenderque gesto do conhecimento possa ser diferente de informao e de recursosinformacionais. Ao descrever a biblioteca como um repositrio de conheci-mento, ela no ser transformada em outra coisa do que uma biblioteca.A seguir, temos, por exemplo, a descrio de um repositrio dinmico doconhecimento (Dynamic Knowledge Repository DKR):

    Um DKR uma base de conhecimento que cobre toda a informaorelevante de um projeto especfico. Inclui dilogo gravado (conhecimentointerno), coleta de inteligncia (conhecimento externo) e conhecimento pro-duzido (um instantneo do conhecimento organizacional, com ligaes como dilogo gravado e a coleta de inteligncia) (eekim.com. Disponvel em:).

    Aqui temos conhecimento, informao e inteligncia, tudo confluindopara o que evidentemente uma base de dados. Este DKR contm:

    contedo HTML enderevel de forma granular (usando nmeros emvermelho);

    arquivo de discusses eletrnicas (e-mail e PurpleWiki39);

    trabalhos publicados e cdigo de fonte;

    resumos semanais e trabalhos de discusso;

    mapa tpico de todo o contedo do DKR;

    39

    38. A partir do ingls capturate, atribuiu-se um novo significado ao verbo capturar (observao do tradutor)39. Disponvel em:

    http://www.eekim.com/ohs/lc/dkr.htmlhttp://www.blueoxen.org./tools/purplewikihttp://www.blueoxen.net/support/wiki.html

  • 40

    uma ontologia e um glossrio para o nosso DKR (eekim.com. Disponvelem: ).

    Isto parecer ser nada mais nada menos do que um sistema de arquiva-mento eletrnico, com um sistema de classificao.

    O ESCOPO DA GESTO DO CONHECIMENTO

    Meu trabalho de 2002 mostrou a distribuio de peridicos contendo tra-balhos sobre gesto do conhecimento, na tabela 1:

    Tabela 1 Peridicos por reas do conhecimento

    Para este trabalho, examinei os peridicos nos quais foram publicados artigosem 2003, usando a base de dados Web of Science. Os 75 artigos estavam distri-budos em mais de 38 ttulos de peridicos e em 7 compilaes das sries Lecturenotes in artificial intelligence e Lecture notes in computer science. A tabela 2 mostraos ttulos com mais de um artigo; os ttulos em itlico so da srie Lecture notes.

    Naturalmente, h peridicos na rea de gesto do conhecimento noincludos nos ndices de citao da ISI, mas isto freqentemente aconteceporque as revistas em geral no operam com base na opinio de pareceristaspara exame dos artigos submetidos. Dadas as dificuldades de obter bons artigospara os peridicos, depender somente da reviso editorial, sob presso decompletar o nmero de pginas requerido, no parece uma boa alternativa.

    A concluso a que cheguei no meu trabalho de 2002 confirmada aqui: aliteratura sobre gesto do conhecimento fragmentada em uma variedade dediferentes reas, muitas vezes tendo pouco em comum.

    rea do conhecimento N. de ttulos

    Computao e sistemas de informao 26

    Cincia da informao, gesto da informao e biblioteconomia 18

    Administrao 13

    Inteligncia artificial 10

    Engenharia 8

    Medicina 4

    http://www.eekim.com/ohs/lc/dkr.html

  • Tabela 2 Cobertura em peridicos - Gesto do Conhecimento 2003

    Esta concluso tambm reforada utilizando-se uma ferramenta disponvel,relativamente nova, o RefViz, um visualizador de informao desenhado paratrabalhar com o pacote de gesto de referncias bibliogrficas EndNote40.O RefViz usa medidas associativas termo a termo para agrupar trabalhoscom base em resumos e palavras-chave no arquivo. O grupo total de refernciasfoi analisado com a ferramenta RefViz, com os resultados demonstrados nafigura 1. Nota-se que um grupo est faltando ele consistiu em apenas umnico documento sobre desenvolvimento de produto e teve uma colocaoto longe de outros grupos que no pode ser incorporado no diagrama.

    O conjunto de referncias foi automaticamente estruturado em oitogrupos, com variado nmero de documentos as medidas associativas determo a termo determinam quo prximo esto localizados os documentosentre si. Observamos, a partir do diagrama, que h grande disperso detpicos no espao disponvel e que o maior agrupamento de documentos (26)encontra-se relacionado a aplicaes de tecnologia informacional.

    Constata-se facilmente a falta de coeso no campo, a partir da distribuiodos grupos no espao dos documentos. Mas podemos tambm comparar asrevistas nos diferentes grupos. Por exemplo, os dois maiores grupos so osnmeros 3 e 4: o grupo 3 consistiu de 21 trabalhos, distribudos em 12

    41

    40. Disponvel em: .

    Knowledge Management in Electronic Government 14

    Journal of the Operational Research Society 5

    Knowledge-Based Intelligent Information and Engineering Systems, Pt 1,Proceedings

    5

    International Journal of Technology Management 3

    Annals of Mathematics and Artificial Intelligence 2

    Automation in Construction 2

    Computers in Industry 2

    Decision Sciences 2

    Information Systems Management 2

    Journal of Computer Information Systems 2

    Total Quality Management 2

    http://www.endonote.com

  • fontes, enquanto o grupo 4 consistiu de 26 trabalhos, distribudos em 19fontes. Somente trs fontes foram encontradas em ambos os grupos:

    lecture notes in artificial intelligence (notas de palestras sobre intelignciaartificial)

    computers inIindustry (computadores na indstria)

    decision sciences (cincias de deciso).

    Figura 1 Anlise de referncias com o RefViz

    As nicas revistas da rea de gesto da informao (information management)ou da cincia da informao (information science) que aparecem so encontradasno grupo 4 (com trabalhos orientados para tecnologia): Aslib proceedings,International journal of information management e o Journal of the AmericanSociety for Information Science (com um trabalho cada).

    Podemos tambm fazer uma anlise textual dos resumos, usando um programade contagem de freqncia simples chamado TextStat41, chegando aos resul-tados mostrados na tabela 3. Aps remover os termos knowledge da lista,

    42

    41.Disponvel em: .

    http://www.niederlandistik.fu-berlin.de/textstat/software-en.htmlhttp://www.lunerouge.org/gnu/textstat_f.htm

  • chegamos concluso de que os trabalhos de 2003 tratam, na realidade, dodesenvolvimento de sistemas de informao organizacional.

    Tabela 3 Freqncia dos termos em ingls usados nos abstracts

    Esta anlise de trabalhos publicados em 2003 parece corroborar a con-cluso qual se chegou no meu trabalho anterior, ou seja, que no h umncleo para gesto do conhecimento. Em vez disto, temos uma srie degrupos dispersos sem conexo, todos usando o conceito em foco para, essen-cialmente, lanar trabalhos na rea do desenvolvimento de sistemas de infor-mao.

    43

    Termo Freq.

    knowledge/km 274

    management/km 175

    organiz-ed-ing-ation-s-al 84

    Information 63

    system-s 60

    Development 41

    technology-ie-ies-ical 40

    project-s 37

    Support 36

    Process 31

    new-ly 25

    tool-s 24

    ontolog-y-ies-ists-ical 24

    Model 24

    work-ing 22

    user-s 21

    require-s-ed-ments 21

    Decision 21

    operat-ion-s-ing-ional-ors 20

    Design 19

  • 44

    CONSULTORIAS EM ADMINISTRAO E GESTO DOCONHECIMENTO

    Gesto do conhecimento faz parte de uma srie de estratgias datadas dapoca da administrao cientfica de Taylor na primeira parte do sculopassado (TAYLOR, 1911). Na segunda metade do sculo XX, o ritmo dasnovas tecnologias acelerou-se consideravelmente, vimos numerosas soluespara problemas de gesto organizacional, desde gesto por objetivos e desen-volvimento organizacional, passando por oramento em base-zero e a teoriaX e teoria Y, at o balanced scorecard, reengenharia de processos (businessprocess re-engineering, BPR) e organizao voltada para o aprendizado. Estesmovimentos aparecem em cena, desabrocham por algum tempo e, depois,desaparecem na surdina.

    O problema com alguns desses movimentos seu carter utpico. Reivin-dicam que somente com sua aplicao na organizao como um todo possvel alcanar o sucesso. Este foi o caso da administrao por objetivos, dosistema de planejamento, programao e oramento (planning, programmingbudgeting system PPBS) e o caso da reengenharia de processos. Natural-mente, os custos para as organizaes que tentaram, de modo abrangente,implementar qualquer uma dessas solues foram enormes, e muitas, seno amaioria, acabaram por desistir da idia.

    Tambm a gesto do conhecimento est sendo promovida como soluoutpica para os problemas organizacionais: o conhecimento veiculado hojecomo o principal mecanismo para o crescimento corporativo, portanto deve-mos gerenciar o conhecimento e precisamos faz-lo em toda a organizao.Curiosamente, alguns protagonistas do movimento da gesto do conheci-mento esto trabalhando hoje em organizaes que abandonaram o departamentode gesto do conhecimento.

    Os stios na rede das seguintes consultorias foram visitados em 2002 eagora foram novamente examinados:

    Accenture

    Cap Gemini Ernst and Young

    Deloitte and Touche

    Ernst and Young

    KPMG Consulting

  • McKinsey and Company

    Pricewaterhouse Coopers

    A posio da Accenture sobre gesto do conhecimento no parece sermuito bvia a partir de seu principal endereo na rede. Mas uma pesquisautilizando a expresso gesto do conhecimento revelou muitos links princi-palmente dos vrios parceiros da Accenture, que vendem servios de vriostipos. Conforme j sugerido no meu trabalho anterior, o uso do termo gestodo conhecimento , na maioria dos casos, sinnimo de gesto da informao,como mostram as citaes a seguir:

    Informao para o entendimento dos clientes, aumentando a eficinciainterna, acompanhando a cadeia de fornecimento e, finalmente, possibili-tando ficar frente da concorrncia. Ns ajudamos as companhias a fazer omelhor uso da informao, desvendando seu valor de negcio. (Disponvelem: ).

    A Cap Gemini Ernst and Young se apresenta hoje simplesmente comoCapgemini, e o seu endereo eletrnico destaca principalmente planejamentode recursos empresariais (enterprise resource planning) e a integrao dearquiteturas computacionais. A gesto do conhecimento no aparece emdestaque em nenhum dos menus de abertura no topo da sua pgina, e apesquisa pela expresso gesto do conhecimento revelou pouco interesse, j queo termo de busca mais importante parece ser gesto. A pesquisa por conheci-mento, no entanto, revelou efetivamente algum interesse no tpico. Tambmaqui, o termo foi utilizado principalmente como sinnimo de informao, ouexpresses como fontes de informao e do conhecimento, sendo usadas semexplicao sobre a diferena entre ambas. Em parte, o termo usado paravender o desenvolvimento do software de portais e servios e, em parte, paravender aos clientes o prprio conhecimento da companhia.

    Deloitte Touche Tohmatsu um nome novo para um conglomerado,tambm conhecido simplesmente como Deloitte. Novamente, gesto doconhecimento no destaque em nenhuma das principais pginas dacompanhia e, como o mecanismo de busca, parecia no estar funcionando,no encontrei nenhum documento especfico. No entanto, um novo servio venda trata de dinmica informacional:

    45

    http://www.accenture.com/xd/xd.asp?it=enweb&xd=services%5Chp%5Ccapabilities%5Cinformation_accessible.xmlhttp://www.accenture.com/xd/xd.asp?it=enweb&xd=services%5Chp%5Ccapabilities%5Cinformation_accessible.xml

  • 46

    A informao criada por sua companhia um de seus ativos mais valiosos.Nossos servios de dinmica informacional podem assisti-lo no planejamento,desenvolvimento e implementao de tecnologia e processos que criam,com eficincia, captura de informaes, arquivos, anlises e distribuiona organizao e entre diferentes organizaes. A abrangncia de servioscobre as reas de estratgias e arquiteturas de informao empresarial,data warehousing, inteligncia de negcios, gesto de contedoempresarial e portais empresariais (Disponvel em: ).

    Este anncio faz lembrar, curiosamente, o que outras firmas chamam degesto do conhecimento!

    Ernst and Young no apresentaram informaes sobre o assunto em 2002e atualmente tambm no. A pesquisa por gesto do conhecimento resultou emapenas um s documento sobre o desenvolvimento de estratgia informa-cional corporativa.

    A KPMG no demonstra mais nenhum sinal de interesse em gestodo conhecimento o seu servio de consultoria sobre riscos mencionagesto de informao de risco (que parece preocupar - se com a infra-estruturade sistemas de negcio) e servios de propriedade intelectual, visando com oobjetivo:

    melhor gesto de contratos e licenas, que levam a melhores relaesde negcios; melhor realizao de caixa e gerao de recursos, alm deposicionamento competitivo mais forte por meio de melhor proteoda propriedade intelectual (Disponvel em: ).

    No caso de McKinsey and Company, minha concluso em 2002 foi que,nesta companhia, a gesto do conhecimento estava sendo usada como sinnimode gesto da informao, o que no mudou at hoje. Nenhum setor do seustio na rede se destina especificamente gesto do conhecimento. A pesquisarevela principalmente informaes sobre as prticas de gesto de informaoda prpria empresa e trabalhos da sua revista McKinsey quarterly

    PricewaterhouseCoopers atualmente de propriedade da IBM. Dado ocomprometimento da companhia com a idia (ainda que esteja principal-mente preocupada com a venda de hardware e software para o processamentode dados e informaes), no surpreende que alguma ateno seja dada ao

    http://www.deloitte.com/dtt/section_node/0,2332http://www.deloitte.com/dtt/section_node/0,2332http://www.kpmg.co.uk/services/ras/ips/index.cfmhttp://www.kpmg.co.uk/services/ras/ips/index.cfm

  • assunto no stio da PwC. No entanto, o mapa do stio no revela nenhumadiviso da companhia voltada ao assunto. Em uma pesquisa por gesto doconhecimento, muitos de seus links referem-se a material mais antigo, comoa publicao, de 1999, The Knowledge Management Fieldbook e a publicaoconjunta com a British Standards Institution, de 2001, The KM Guide to GoodPractice. De fato, a maioria dos itens parece ser mais antiga. No entanto, umapgina recente ilustra a confuso que persiste, dando-se um bom passo aoestabelecer que conhecimento um fenmeno pessoal:

    Conhecimento informao processada, interpretada e ligada a outraspeas relevantes de informao por uma pessoa, baseando-se em seuconjunto particular de experincias. Mesmo quando duas pessoas comformao semelhante acessam a mesma informao, o conhecimento quecada uma delas retira dessa informao nico. Quando algum usa ainformao para chegar a um objetivo de negcios, esta pessoa estarcriando valor, ao colocar o seu prprio conhecimento para trabalhar(DEGAGNE et al., 2003, p. 16)

    Aqui, destaca-se a distino feita na primeira parte de nosso trabalho e,implicitamente, reconhece-se o argumento de Miller, de que informao notem significado at encontrar uma mente conhecedora (MILLER, 2002).

    No entanto, na continuao complica-se a posio, ao confundir infor-mao, dado e conhecimento ainda que tenha sido feito um esforo inicialpara distinguir estes conceitos. Assim, aps constatar que informao sodados colocados em um contexto de significado, os autores afirmam que acausa principal do excesso de informao consiste no fato de que a maiorparte da informao hoje recolhida no ambiente complexo de negciosapresenta-se sob forma bruta e desestruturada. Neste caso, esto claramentefalando sobre dados. Como pode a informao ser bruta e desestruturada,quando se trata de dados j colocados em um contexto de significado?

    De forma geral, permanece a impresso de que a gesto do conhecimentono possui um perfil muito alto na PwC.

    Para as consultorias como um todo, o interesse inicial em gesto doconhecimento, manifestado em torno de 1997, parece ter diminudo, ou, namelhor das hipteses, est diminuindo. Talvez isto no seja surpreendente,pois a economia global parece estar saindo da recesso do post-ponto-com e asconsultorias podem, novamente, voltar a trabalhar nos negcios queconstituem, de fato, sua especialidade.

    47

  • 48

    A PERSPECTIVA DE PESSOAS

    A literatura de gesto do conhecimento reivindica que a dimenso de pessoas mais importante do que a dimenso tecnolgica, apesar de a maior parte damesma literatura estar muito mais orientada para o uso da tecnologia propria-mente dita. Sveiby sustenta que gesto de pessoas um dos dois caminhos dagesto do conhecimento, e pareceu-nos til explorar a literatura para desco-brir at que ponto esta dimenso estaria representada. Obviamente, pode-seargumentar que a gesto de pessoas no um conceito muito til, j que aspessoas so extremamente difceis de serem gerenciadas e a autogesto ter-semostrado mais efetiva para as organizaes. Sveiby refere-se ao modo comoos processos organizacionais, as prticas de trabalho e os sistemas de recompensaso concebidos para encorajar o compartilhamento da informao (SVEIBY,2001a). No meu trabalho de 2002, referi-me a esta expresso simplesmentecomo gesto de prticas de trabalho.

    Um conceito-chave nesta rea a comunidade de prtica, e fiz outrapesquisa na Web of Science para descobrir o que foi publicado sobre estetpico. A pesquisa resultou em 24 trabalhos em ingls, publicados em 2003.Os peridicos esto listados na tabela 4.

    Tabela 4 Cobertura em peridicos sobre comunidades de prtica

    Observa-se que os 24 trabalhos estavam distribudos entre 23 peridicos.Somente o peridico Information society incluiu mais de um trabalho. Isto

    Adult Education Quarterly Journal of Philosophy of Education

    Ambulatory Pediatrics Journal of Strategic Information Systems

    American Journal of Medical Quality Journal of Urology

    Asist 2002: Proceedings of the 65th Asist AnnualMeeting

    Management Learning

    British Journal of Educational Studies Organization Studies

    Discourse & Society Patient Education and Counseling

    Exceptional Children Production Planning & Control

    Health Public Administration

    IEEE Intelligent Systems Science Education

    Information Society (2) Teaching and Teacher Education

    Journal of Architectural and Planning Research Womens Studies International Forum

    Journal of Asthma

  • sugere, como no caso da gesto do conhecimento, que no existe umperidico cobrindo principalmente esta rea.

    Tambm interessante observar que peridicos sobre educao e cinciasda sade dominam nesta rea, e seria til encontrar as causas disso. Pareceque a resposta mais ou menos evidente, pois ambas as reas envolvem orga-nizaes do setor pblico, e no da rea de empresarial (embora isto no seaplique a alguns pases que no dispem de servio mdico pblico). E, nasorganizaes de setor pblico, h comunidades de prtica naturais. As orga-nizaes em ambos os setores geralmente se dividem em departamentosbaseados em disciplinas, por exemplo, departamentos de ingls, histria ecincia nas escolas, alm de departamentos de cardiologia, dermatologia,diabete, neurologia etc. em hospitais. As especialidades mdicas geralmentetm associaes nacionais e internacionais das quais os profissionais somembros. No Reino Unido, por exemplo, existem os royal colleges, organismosprofissionais que estabelecem padres e realizam exames para assegurar queos mdicos e cirurgies atinjam os padres exigidos. H, tambm, grupos detrabalho naturais, tanto nas escolas quanto nos hospitais, onde as pessoascolaboram na preparao de apostilas e programas de ensino em educao, ouno tratamento de pacientes, no caso de hospitais.

    Seria surpreendente, portanto, se as comunidades de prtica no prevale-cessem nestas organizaes. Mas muito diferente tentar transplantar esteconceito para organizaes onde o ethos predominante, freqentemente,encoraja a competio, em vez da colaborao, e onde um indivduo quefora o seu caminho em detrimento de outros tem mais chances de serpromovido do que um indivduo mais tmido que o apia. Dependendo dacircunstncia, em organizaes de todo o tipo podem existir condies queencorajam a formao de comunidades de prtica. Neste caso, as observaesacima sobre as condies naturais em hospitais e escolas poderiam ofereceruma chave para o entendimento de como seriam essas condies. Pode-seimaginar, por exemplo, que os diretores financeiros de companhias-membrode uma grande corporao multinacional tenham muito em comum na reade gesto financeira e que seja possvel criar uma comunidade de prticaenvolvendo estas pessoas em sesses regulares de troca de informaes sejaem uma interao tanto face a face, quanto em videoconferncias ou outrosfruns eletrnicos. Estas pessoas compartilhariam de interesses comuns,operando de acordo com normas de prtica financeira conhecidas, conformediretrizes nacionais e internacionais, e podem ter sido treinadas de forma

    49

  • 50

    bastante semelhante, a ponto de se utilizarem de uma linguagem comum.Elas tambm estariam em um nvel organizacional tal, que tirariam maisbenefcios ao compartilhar informaes do que guardando-as para si prprias.

    GESTO DO CONHECIMENTO COMO GESTO DE ATIVOS INTELECTUAIS

    Finalmente, nesta reviso da situao da gesto do conhecimento, voltei-mepara uma outra rea, etiquetada como capital intelectual ou ativosintangveis. Recentemente, Sveiby tem dedicado muito mais do seu tempo aodesenvolvimento de idias nesta rea, desenvolvendo, por exemplo, o moni-tor de ativos intangveis (SVEIBY, 2003), alm de mtodos para medir ativosintangveis (SVEIBY, 2004). Trata-se de propostas altamente desejveis, porrelacionarem-se diretamente obteno de uma estimativa melhor referenteao verdadeiro valor de uma companhia. Entretanto, questionvel se taispropostas podem ser consideradas gesto do conhecimento.

    Em 2003, apenas 34 documentos foram encontrados com expresso debusca capital intelectual ou ativos intangveis ou ativo intangvel. A pesquisarestringiu-se a artigos em lngua inglesa. A tabela 5 mostra as 28 revistas quepublicaram os artigos, evidenciando-se novamente a falta de um peridicobsico destinado ao relato da pesquisa desenvolvida nesta rea. Somente ostrs peridicos a seguir apresentaram mais de um trabalho: InternationalJournal of Information Management, International Journal of TechnologyManagement e Journal of the Operational Research Society.

    Tabela 5 Peridicos que tratam de capital intelectual ou ativos intangveis

    Academy of Management Journal JComputers in Industry

    Contemporary Accounting Research Ecology

    Expert Systems with Applications Harvard Business Review

    International Journal of Information Management (2) International Journal of Technology Management (2)

    International Statistical Review Journal of Accounting Research

    Journal of Educational and PsychologicalConsultation

    Journal of Evolutionary Economics

    Journal of Financial and Quantitative Analysis Journal of Information Science

    Journal of International Economics Journal of Petroleum Technology

    Journal of Product Innovation Management Journal of Research and Practice in InformationTechnology

    continua

  • Novamente, as referncias recuperadas foram analisadas por meio doRefVIz, que permite selecionar e anular as palavras utilizadas para produzir avisualizao. Quando as palavras-chave capital intelectual e ativos intangveisforam removidas da anlise, os grupos que emergiram aps aplicao doRefViz so aqueles expressos na figura 2. Foram omitidos dois pequenosgrupos, consistindo de um nico trabalho cada, quase fora do mapa.

    Figura 2 - Capital intelectual e ativos intangveis

    Um dos pontos interessantes que emergiram desta anlise que os grupos2 e 3 na figura 2 tm apenas um peridico em comum: Journal of theOperational Research Society. Os 13 trabalhos do grupo 2 foram encontradosem 13 peridicos diferentes, enquanto os 15 trabalhos do grupo 3 foramencontrados em 11 diferentes peridicos.

    51

    Journal of Small Business Management Journal of Strategic Information Systems

    Journal of the Operational Research Society (3) Lecture Notes in Artificial Intelligence

    Lecture Notes in Computer Science Organization Science

    Public Administration Review R & D Management

    Research-Technology Management Stahl und Eisen

    Tabela 5 concluso

  • 52

    Novamente, somos levados a concluir que estes assuntos no dispem deum peridico bsico. Pelo contrrio, o interesse neste assunto, expresso sobdiferentes abordagens, evidencia-se na separao dos grupos, sendo encon-trado em diversas reas.

    CONCLUSO

    Em 2002, eu escrevia:

    A nica concluso possvel desta anlise que a idia da gesto doconhecimento , em grande parte, um modismo administrativo, pro-movido principalmente por certas companhias de consultoria, sendoprovvel que desaparecer como modismos anteriores. Ela se apia emduas frentes, a saber, na gesto da informao, na qual se instalou grandeparte deste modismo (juntamente com o fenmeno do marketing) e asprticas efetivas da administrao (WILSON, 2002).

    Reanalisando a literatura da rea, assim como os sites das consultorias,simplesmente chega-se a confirmar esta viso. De um lado, torna-se evidenteque as consultorias esto se retraindo. De outro lado, observa-se que o desen-volvimento da literatura bsica da rea no corresponde s expectativas.

    Obviamente, continua a existir forte nfase da literatura em aspectos dainteligncia artificial e no desenvolvimento de sistemas de informao devrios tipos. At agora, nada emergiu que me pudesse convencer de quegesto do conhecimento no seja outra coisa que uma expresso da moda,concebida sobretudo para vender hardware e software para gerncias corpora-tivas difceis de convencer.

    Isto nos deixa com o seguinte questionamento: por que esse conceito foiaceito de forma to entusiasmada rea de gesto da informao? Parte daresposta, naturalmente, deve-se ao fato de que estas reas no so imunes amodismos de um tipo ou outro, especialmente ao tratar-se da gesto. Noentanto, a outra parte da resposta se deve posio muito fraca ocupada pelosservios de biblioteca e i