Inovação na Prática Pedagógica

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Universidade Portucalense Mestrado em Tecnologias de Informao e Comunicao na Educao 2009/2010 Inovao da Prtica Pedaggica

A matria-objecto que se encontra em anexo, desenvolve uma sntese programtica sobre um Mestrado em Ensino Experimental de Cincias no 1 e 2 CEB, procurando compreender esta rea de formao, e de conhecimento, na sua especificidade e na sua diversidade. Focaliza em primeiro plano a realidade po rtuguesa, analisando as racionalidades e as prticas presentes nos nveis de formao inicial, contnua e ps graduada. Contendo uma componente diacrnica, presta particular ateno ao perodo mais recente, a actualidade, correspondendo sensivelmente lt ima dcada, e procura fazer uma caracterizao da situao actual neste campo, nas suas ambiguidades, mas tambm nos seus desafios e projectos de futuro. Fazendo um levantamento mais detalhado da matria -objecto e analisando determinados tpicos, vai tornando-se cada mais evidente que nos envia para uma dimenso mecanicista, tecno-sistmica, racional e tecnolgica. Mesmo dando centralidade matria -objecto e inseri-la na realidade da escola portuguesa, nota -se um esforo, ainda que comparativo, em colocar este Mestrado a nvel internacional, quando se entende como vantajoso e exequvel, no sentido de diversificar o olhar e aprofundar a anlise sobres a rea das cincias, para uma sociedade altamente economicista e industrial. Na matria-objecto tambm se procura reconstituir, num enquadramento de interpretao terica, o processo de construo de um Mestrado em Ensino Experimental de Cincias no 1 e 2 CEB, inscrito no campo das Cincias da Educao, onde se nota, perfeitamente, no seu processo de constru o uma tentativa evidente de abordar um processo sistemtico e intrinsecamente um paradigma econmico . Actualmente, um dos processos mais vantajosos de observar as ligaes da escola e a sociedade dado por um processo sistemtico. As escolas, enquanto estruturas organizadas, e beneficiando de uma certa autonomia, no podem ser separadas de um

universo mais vasto chamado sociedade que lhes estabelece os devidos objectivos e regula os seus procedimentos de mudana. Na realidade este conceito de autonomia, um pouco relativo, na medida em que esta autonomia condicionada. Se a autonomia condicionada, deixa ser autonomia, indo de encontro a uma autonomia utpica. Filosoficamente, o conceito de autonomia confunde-se com o de liberdade, consistindo na qualidade de um indivduo de tomar suas prprias decises, com base em sua razo individual. Autonomia do grego, autos, por si s, mais noms que pode ser duas coisas, lei, e ao mesmo tempo, territrio. Em Cincia poltica, a qualidade de um territrio ou organizao de estabelecer com liberdade suas prprias leis ou normas. O conceito difere da soberania, uma vez que um Estado soberano tem plenos poderes sobre si prprio, em termos de representao diplomtica internacional, enquanto na autonomia os poderes no so plenos. Claro est, se as prprias organizaes educativas esto logo cabea, condicionadas, mais difcil se torna a tentativa de implementar uma inovao, qualquer que ela seja. Primeiramente e para se aplicar um modelo sistmico s nossas escolas, temos de ter em conta algumas noes, a noo paradigmtica, a noo poltica e a noo organizacional. E o prprio paradigma, visto luz de uma ideia socio-cultural, pode dirigir as organizaes educativas. Por outro lado, n uma perspectiva sociolgica, o paradigma, pode ser compreendido como um agrupado de ideias, snteses e mais-valias que renem uma ideia de conhecimento, uma concepo das relaes entre as pessoas, que podem definir a actividade de um determinado grupo. neste campo, que so decretadas as regras da sociedade. Num determinado grupo social existe sempre um paradigma dominante, mas este nunca totalmente dominante, pois devemos ter em conta a tal noo poltica e organizacional , dessa mesma sociedade, e atravs deste s dois ltimos que a inovao tem de passar. Esta noo poltica e organizacional, muitas vezes um entrave ao nascimento da inovao. na rea poltica que se trabalha a mudana das regras que foram definidas no campo paradigmtico, concretizando-as sob a forma de normas e leis. tambm nesta rea que se agitam as relaes sempre dspares de interesses para decidir o que legtimo e ilegtimo, o aceitvel e o inaceitvel, a norma e o desvio.

Por outro lado, na rea organizacional que se encai xam as organizaes concretas, onde no apena s as normas e as leis so postas em prticas, mas tambm, onde se concretizam um dos paradigmas educativos. Esta execuo contribuir para alterar ou no a preponderncia do paradigma dominante. E os paradigmas educativos, que actualmente se encontram nas nossas escolas podem resumir-se a quatro: Paradigma Industrial; Paradigma Humanista; Paradigma da Dialctica Social e o Paradigma da Simbiosinrgico . E atravs destes paradigmas, que a inovao didctica das TIC no ensino-aprendizagem tem o seu ponto partida. Na verdade o Paradigma Industrial o mais dominante nas nossas escolas e encaminha para a retratao da sociedade tal como existe. Dando uma maior importncia transmisso dos conhecimentos e dos valores tradicionais autenticados pela sociedade . sem dvida o paradigma da educao , com vista para uma economia de uma sociedade moderna, racional e materialista. E mais, est orientando todos os meios tecnolgicos para garantir essa transmisso de conhecime ntos. A escola est a ficar submissa economia, mas no devemos ver esta ideia como um futuro condicionante da inovao tecnolgica e de uma forma to estreita . Devemos levar em conta a prpria finalidade do sistema educativo, pois, este deve ter por fina lidade a reproduo da prpria estrutura social, gerar sistemas sociais estveis e hierarquizados e incutir aos valores que transmite , uma dimenso histrica e temporal. Por outro lado o sistema educativo deve ajudar o sistema econmico, auxiliando a sociedade adaptar -se s mudanas pensadas pela soberania dominante como obrigatrias ou imprescindveis. por este caminho que os sistemas educativos obram modificaes internas em linha com as modificaes tecnolgicas lanadas num tecido social. Mais uma vez a escola trabalha neste campo no apenas na multiplicao da estrutura social , mas tambm na elaborao das modificaes sociais que o sistema econmico predominante precisa. Muitas vezes, o sistema educativo pode por si s ser um paradigma educacional primando por uma norma cujas funes so cumpridas com a finalidade de obter um objectivo especfico. E o seu campo de trabalho e numa abordagem pedaggica o seu objecto fundamental a comun icao educativa. Enquanto que o paradigma industrial, mesmo com uma vertente educacional, rege -se por uma norma racional e tecnolgica e o seu campo de trabalho mecanicista e tecno -sistmico. Fica claro que este modo de transmisso de conhecimentos racional, tendo por base a aplicao do mtodo cientfico, valorizando a objectividade. As prprias relaes entre as pessoas, a sociedade e a nature za, esto cada vez mais a ser de ndole individualista,

onde existe uma subordinao da pessoa sociedade e uma explorao e domnio da natureza. Os valores e interesses do indivduo esto a ser dominados pelos interesses econmicos, pela procura do lucro. Muitas vezes o indivduo pressionado a conformar -se e a ter uma ausncia de crtica. O trabalho visto como condio de sucesso, valorizando-se a autodisciplina, a competio, o individualismo, a meritocracia. A igualdade de oportunidades est a tornar -se uma iluso. O paradigma industrial sem margens para duvidas, o paradigma dominante na nossa sociedade. E isso fica claro na sua forma de execuo, utilizando uma estratgia de mercado que permite a acumulao e optimizao da prpria industrializao. Visa o utilitarismo, incitamento ao trabalho por meio de recompensas financeiras . Globalmente significa uma crena no progresso material e no desenvolvimento econmico e tecnolgico . Em resumo, o ensino envolve sempre uma preferncia de um dado paradigma, e qualquer preferncia envolve sempre a eleio de um dado modelo de sociedade. Todos estes elementos permitem caracterizar a situao actual da Formao Educacional em Portugal, e equaciona alguns dos desafios que se colocam no presente e que se antevem para um futuro prximo, tendo como base a informao que foi recolhida e analisada luz das perspectiv as tericas fundamentais do trabalho.