hans joachim - emanu · hans joachim koellreutter as revoluções musicais de um mestre zen emanuel

Download hans joachim - Emanu · Hans Joachim Koellreutter as revoluções musicais de um mestre Zen emanuel

Post on 29-Jul-2018

217 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • hansjoachimkoellreutteras revoluesmusicaisde um mestre Zen

    emanuel dimas de melo pimenta

  • Hans Joachim Koellreutteras revolues musicais de um mestre Zenemanuel dimas de melo pimenta

    2010Primeira edio, 2010

    www.emanuelpimenta.netwww.asa-art.com

    Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicao pode ser reproduzida ou transmitida, em qualquer forma, sem prvia autorizao escrita dos detentores dos direitos autorais. Copyrights das imagens: dos seus autores. Direitos reservados.

  • em memria de Roti Nielba Turin

    A filosofia no um jantar de gala. Nem um guia de boas maneiras. Nem uma panaceia antidepressiva. A filosofia uma batalha, um face-a-cara com os nossos desafios ntimos e ltimos: a preocupao com a verdade e com a mentira, o teste de moralidade, o fogo do amor, o desafio de sobreviver. No ringue, dois pesos pesados do pensamento: Scrates, o inventor de uma sa-bedoria Ocidental e desenraizante, (...). Heidegger, filsofo e nazi, e, paradox-almente, reverenciado em todas as universidades do mundo, morreu na sua cama. Duas maneiras de existir e pensar, dois compromissos inconciliveis.

    Andr Glucksmann

  • Introduo 5Manifesto Oswad de Andrade 71 382 783 1144 1465 1776 2217 2468 2699 30510 32811 34812 38713 41414 43515 46916 49317 537Esttica 555Msica do Sculo XX 605Brevebibliografia 629ndiceonomstico 631Brevebiografiadoautor 637copyrights 641

  • Eutinhapoucomaisdevinteanosde idadequandocomecei a estudar com Hans Joachim Koellreutter.Rapidamenteficamosamigosparatodaavida.

    Em1983prometiaelequeescreveriaumlivrosobrea sua vida mas isso apenas poderia ser feito depois da sua morte, obrigou-me a prometer.

    Hcincoanos,Koellreutterdesaparecia.Elecompletarianoventa e cinco anos de idade neste ano de 2010.

    Este livro comea com um manifesto do grande escritor epensadorBrasileiroOswalddeAndradeque,emboratenhasidoescritodezanosantesda chegadadeKoellreutteraoBrasil, ilustrao ambiente intelectualque tantoo fascinou.TerminacomumpensamentodofilsofoSuoRenBerger,escritonoinciodosculoXXI.Cercadeumsculoseparamos dois pensamentos.

  • Depois, h dois dos seus cursos anotados por mim no ano de 1981 Introduo Esttica e Panorama da Msica do Sculo XX.Aquelescursoseramestruturadosempensamentos, elementos pontuais, que desencadeavamdebatesereflexes.Assim,nosetratadeumtextodescritivoe linear.

    EstelivrodedicadomemriadeRotiNielbaTurin,genialmestra,importantepersonagemnomundosemiticoeparaalmdele,minhaprofessoraedetantosmais,combatidapelosseuspares,tambmelasempreinesquecvel.

    Trata-sedeumlivroescritoapartirdeanotaesedememria.Assim,ele tambmacontecepor saltos.Apenasum pequeno sinal de amor a um grande e inesquecvelmestre e amigo.

    Emanuel Dimas de Melo PimentaNova York 2010

  • Oswald de AndradeManifesto Antropofgico

    1928

    S a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

    nica lei do mundo. Expresso mascarada de todos os individualismos, de todos os colectivismos. De todas as religies. De todos os tratados de paz.

    Tupi*, or not tupi that is the question.

    Contra todas as catequeses. E contra a me dos Gracos.

    S me interessa o que no meu. Lei do homem. Lei do antropfago.

    Estamos fatigados de todos os maridos catlicos

  • suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.

    O que atropelava a verdade era a roupa, o impermevel entre o mundo interior e o mundo exterior. A reaco contra o homem vestido. O cinema Americano informar.

    Filhos do sol, me dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No pas da cobra grande*.

    Foi porque nunca tivemos gramticas, nem coleces de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteirio e continental. Preguiosos no mapa-mndi do Brasil.

    Uma conscincia participante, uma rtmica religiosa.

    Contra todos os importadores de conscincia enlatada.

  • A existncia palpvel da vida. E a mentalidade pr-lgica para o Sr. Lvy-Bruhl estudar.

    Queremos a Revoluo Caraba*. Maior que a Revoluo Francesa. A unificao de todas as revoltas eficazes na direco do homem. Sem ns a Europa no teria sequer a sua pobre declarao dos direitos do homem.

    A idade de ouro anunciada pela Amrica. A idade de ouro. E todas as girls.

    Filiao. O contacto com o Brasil Caraba. O Villegaignon print terre. Montaigne. O homem natural. Rousseau. Da Revoluo Francesa ao Romantismo, Revoluo Bolchevista, Revoluo Surrealista e ao brbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos.

    Nunca fomos catequizados. Vivemos atravs de um direito sonmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belm do Par.

  • Mas nunca admitimos o nascimento da lgica entre ns.

    Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro emprstimo, para ganhar comisso. O rei-analfabeto dissera-lhe: ponha isso no papel mas sem muita lbia. Fez-se o emprstimo. Gravou-se o acar Brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lbia.

    O esprito recusa-se a conceber o esprito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofgica. Para o equilbrio contra as religies de meridiano. E as inquisies exteriores.

    S podemos atender ao mundo orecular.

    Tnhamos a justia codificao da vingana. A cincia codificao da Magia. Antropofagia. A transformao permanente do Tabu em totem.

  • Contra o mundo reversvel e as ideias objectivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que dinmico. O indivduo vtima do sistema. Fonte das injustias clssicas. Das injustias romnticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

    Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

    O instinto Caraba.

    Morte e vida das hipteses. Da equao eu parte do Kosmos ao axioma Kosmos parte do eu. Subsistncia. Conhecimento. Antropofagia.

    Contra as elites vegetais. Em comunicao com o solo.

    Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O ndio vestido de senador do Imprio. Fingindo de Pitt. Ou

  • figurando nas peras de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.

    J tnhamos o comunismo. J tnhamos a lngua surrealista. A idade de ouro.

    Catiti Catiti.

    Imara Noti.

    Noti Imara.

    Ipej*.

    A magia e a vida. Tnhamos a relao e a distribuio dos bens fsicos, dos bens morais, dos bens dignrios. E sabamos transpor o mistrio e a morte com o auxlio de algumas formas gramaticais.

    Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me

  • respondeu que era a garantia do exerccio da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comi-o.

    S no h determinismo onde h mistrio. Mas que temos ns com isso?

    Contra as histrias do homem que comeam no Cabo Finisterra. O mundo no datado. No rubricado. Sem Napoleo. Sem Csar.

    A fixao do progresso por meio de catlogos e aparelhos de televiso. S a maquinaria. E os transfusores de sangue.

    Contra as sublimaes antagnicas. Trazidas nas caravelas.

    Contra a verdade dos povos missionrios, definida pela sagacidade de um antropfago, o Visconde de Cairu: - mentira muitas vezes repetida.

  • Mas no foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilizao que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti*.

    Se Deus a conscincia do Universo Incriado, Guaraci* a me dos viventes. Jaci* a me dos vegetais.

    No tivemos especulao. Mas tnhamos adivinhao. Tnhamos Poltica que a cincia da distribuio. E um sistema social-planetrio.

    As migraes. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatrios e o tdio especulativo.

    De William James e Voronoff. A transfigurao do Tabu em totem. Antropofagia.

    O pater famlias e a criao da Moral da Cegonha: Ignorncia real das coisas + falta de imaginao + sentimento

  • de autoridade ante a prole curiosa.

    preciso partir de um profundo atesmo para se chegar ideia de Deus. Mas a caraba no precisava. Porque tinha Guaraci.

    O objectivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moiss divaga. Que temos ns com isso?

    Antes dos Portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

    Contra o ndio de tocheiro. O ndio filho de Maria, afilhado de Catarina de Mdicis e genro de D. Antnio de Mariz.

    A alegria a prova dos nove.

    No matriarcado de Pindorama.

  • Contra a Memria fonte do costume. A experincia pessoal renovada.

    Somos concretistas. As ideias tomam conta, reagem, queimam gente nas praas pblicas. Suprimamos as ideias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

    Contra Goethe, a me dos Gracos, e a Corte de D. Joo VI.

    A alegria a prova dos nove.

    A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura ilustrada pela contradio permanente do homem e o seu Tabu. O amor quotidiano e o modus vivendi capitalista. Antropofagia. Absoro do inimigo sacro. Para transform-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porm, s as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males

  • identificados por Freud, males catequistas. O que se d no uma sublimao do instinto sexual. a escala termomtrica do instinto antropofgico. De carnal, ele se torna electivo e cria a amizade. Afectivo, o amor. Especulativo, a cincia. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo a inveja, a usura, a calnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, contra ela que estamos ag

Recommended

View more >