gestão educacional e prática docente na realidade escolar

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<ul><li><p>ENCICLOPDIA BIOSFERA, Centro Cientfico Conhecer, Goinia, v.8, n.15; p. 2012 </p><p>2346 </p><p>GESTO EDUCACIONAL E PRTICA DOCENTE NA REALIDADE ESCOLAR </p><p>Vernica Martins Moreira Professora especialista da rede estadual de educao do estado de Gois. </p><p>Graduada em Histria (UEG - Unidade Universitria de Cincias Socioeconmicas e Humanas). E-mail: velocamor@hotmail.com </p><p>Recebido em: 06/10/2012 Aprovado em: 15/11/2012 Publicado em: 30/11/2012 </p><p>RESUMO </p><p>Democratizao e descentralizao de poder so palavras-chaves tanto no que diz respeito ao aparelho de organizao educacional, quanto o espao escolar na ntegra. A gesto educacional se entende como principal caracterstica do reconhecimento merecidamente dada importncia da participao efetiva e consciente de todos aqueles que compem a estrutura da organizao escolar. Com efeito, a gesto no descarta a relevncia da administrao escolar, apenas a redimensiona, no sentido de personificar os aspectos polticos, filosficos e pedaggicos no cenrio escolar. Nesta perspectiva, a gesto educacional trabalha com conceitos que serviro de pr-requisito para envolvimento da administrao enquanto transformadora da realidade (tradicional) existente. PALAVRAS CHAVES: Democratizao, descentralizao, participao, organizao escolar, gesto, docncia e conscientizao. </p><p>EDUCATIONAL MANAGEMENT AND TEACHING IN SCHOOL REALITY </p><p>ABSTRACT Democratization and decentralization of power are key words both with regard to educational organization, as the school space in full. The educational management is meant as a main feature of the recognition given to the importance of enhanced effective participation and conscious of all those who make up the structure of the school organization. In fact, the Administration does not rule out the relevance of school administration, just resize it to impersonate political, philosophical and educational in the school setting. In this perspective, the educational management works with concepts that will serve as a prerequisite for involvement of the administration while transforming existing (traditional) reality. KEYWORDS: Democratization, decentralization, participation, school organization, management and awareness. </p><p> INTRODUO </p><p> A educao um processo de aprendizagem que inclui diversas nuances e </p><p>concomitantemente est relacionada a uma srie de fatores. A escola o espao </p></li><li><p>ENCICLOPDIA BIOSFERA, Centro Cientfico Conhecer, Goinia, v.8, n.15; p. 2012 </p><p>2347 </p><p>onde alm de acontecer a aquisio-percepo do conhecimento, ocorre a reproduo das relaes sociais com suas contradies e semelhanas, assinalando assim, o processo de circulao de ideologias, ora protagonizado pela classe dominante, ora sufocado, reprimido e controlado por esta ltima. Partindo desse pressuposto, a gesto educacional apresenta-se como a principal caracterstica do reconhecimento merecidamente dado a importncia da participao efetiva e consciente de todos aqueles que compem o esqueleto da organizao escolar. Quando tratamos de gesto escolar, democratizao e descentralizao de poder so palavras-chaves tanto no que diz respeito ao aparelho de organizao educacional, quanto o espao escolar na ntegra. Com efeito, a gesto no descarta a relevncia da administrao escolar, apenas a redimensiona, no sentido de personificar os aspectos polticos, filosficos e pedaggicos no cenrio escolar, tornando-os mais slidos, concisos e coerentes. A lgica da gesto educacional trabalha com conceitos que serviro de pr-requisito para o envolvimento da administrao enquanto transformadora da realidade (tradicional) existente. </p><p> Os sistemas educativos dos pases em desenvolvimento enfrentam atualmente no s o desafio de responder demanda de acesso universal educao sem importar o tamanho, a condio econmica ou a situao geogrfica das comunidades a que estendem seus servios, mas tambm de oferecer uma educao que considere a diversidade cultural e, em alguns casos, as necessidades de desenvolvimento das comunidades. (MARTNEZ, 2004, pg. 95). </p><p> Para assinalar o conceito de administrao, o principal precursor da </p><p>administrao cientfica, que muito influencia o conceito que temos hoje de administrar as coisas foi Frederic Winslow Taylor. A partir de seu famoso estudo de Tempos e Movimentos, Frederic buscou desenvolver novas ferramentas que tivessem por finalidade aumentar a produtividade do trabalhador. Dessa forma, traou objetivos para uma nova administrao, incentivando a burocracia em excesso, a competitividade entre os operrios, a diviso na organizao e produo social do trabalho, tendo como finalidades principais reduzir os custos unitrios de produo e evitar a preguia e a cera por parte dos trabalhadores. Nesse sentido, RAGO (1997), enumera que o processo de produo, na viso taylorista, no deveria ser deixado nas mos dos prprios trabalhadores que procuravam retardar o ritmo de trabalho, sendo que o ponto de partida da formulao da teoria dele se baseava na lassido sistemtica do trabalhador; Taylor via na indolncia voluntria dos trabalhadores a origem de todos os problemas da sociedade americana. </p><p>No obstante, diferentemente do que Taylor pensava, a administrao participativa, tal como a gesto, baseia-se no desenvolvimento de aes ligadas a descentralizao de poder e o engajamento no trabalho ligado ao desenvolvimento da escola. Dessa forma, a gesto da escola passa a ser o resultado do exerccio de todos os componentes da comunidade escolar, sempre na busca do alcance das metas estabelecidas pelo tambm projeto poltico-pedaggico construdo de forma coletiva. No tocante a essa participao concisa de suma importncia que os professores, formadores de opinio e os colaboradores da escola (secretaria, portaria, merendeiras, etc.) precisam ter conscincia das determinaes polticas e </p></li><li><p>ENCICLOPDIA BIOSFERA, Centro Cientfico Conhecer, Goinia, v.8, n.15; p. 2012 </p><p>2348 </p><p>relaes de poder implcitas nas decises administrativas, agindo de forma a transformar esta realidade. </p><p>A prtica uma atividade inescapvel ao conhecimento ao qual possumos por Gesto Educacional. Logo, so prioritrios os objetivos de se refletir sobre a articulao existente entre gesto, conhecimento, escola, sociedade e discutir a necessidade, as possibilidades e os conceitos da gesto educacional por meio de uma perspectiva scio pedaggica. Entre as modalidades mais conhecidas da realizao da gesto no mbito escolar esto os Conselhos de classe que acontecem com a presena do corpo docente e do corpo discente. Vianna (1986) discute acerca dessa participao abordando direcionamentos aos alunos, para ela a maior preocupao das instituies escolares deve ser o desenvolvimento do processo educativo centrado no aluno, assim como sua realidade social e contextual, para que se efetive a participao da comunidade no s na execuo, mas em decises, acompanhamento e controle das aes. E para isso, os membros que participam desse processo, precisam acreditar na dignidade do ser humano, na capacidade do educador e finalmente na escola como um importante agente promovedor de mudanas. A compreenso da complexidade do trabalho pedaggico, s acontece com a percepo da importncia da contribuio individual e da organizao coletiva, sendo este o grande desafio da gesto educacional, lembrando que mudar apenas a denominao, nada significa. necessria uma mudana estrutural que envolva efetivamente a escola como um todo. </p><p>Entre as modalidades mais conhecidas da realizao da gesto no mbito escolar esto os Conselhos de classe que acontecem com a presena do corpo docente e do corpo discente. Vianna (1986) discute acerca dessa participao abordando direcionamentos aos alunos, para ela a maior preocupao das instituies escolares deve ser o desenvolvimento do processo educativo centrado no aluno, assim como sua realidade social e contextual, para que se efetive a participao da comunidade no s na execuo, mas em decises, acompanhamento e controle das aes. E para isso, os membros que participam desse processo, precisam acreditar na dignidade do ser humano, na capacidade do educador e finalmente na escola como um importante agente promovedor de mudanas. Luck (2006) complementa ao dizer que a promoo da participao deve ser orientada e se justifica na medida em que seja voltada para a realizao de objetivos educacionais claros e determinados, relacionados transformao da prpria prtica pedaggica da escola e de sua estrutura social. </p><p>A melhoria da qualidade da educao proporcionada por uma gesto democrtica com autonomia, onde considera-se como inseparveis mtodo e contedo e a convivncia humana fazendo parte do contedo educacional, chega-se a melhor forma para a concretizao de uma escola pblica de qualidade. Para que a gesto esteja aliada a prtica do professor a anlise do PPP confrontando-o com a prtica defendida pelo corpo docente faz-se de suma importncia, pois somente apontando maneiras e selecionando-as previamente, que a escola pode caminhar para novas formas de se pensar em uma administrao de cunho democrtico e na integrao da comunidade como grupo participativo dentro da prpria escola. </p></li><li><p>ENCICLOPDIA BIOSFERA, Centro Cientfico Conhecer, Goinia, v.8, n.15; p. 2012 </p><p>2349 </p><p>ADMINISTRAO EDUCACIONAL: PRESSUPOSTOS HISTRICOS, TERICOS </p><p>E CARACTERSTICAS </p><p>O Taylorismo e a administrao escolar </p><p> Desde a modernidade, a administrao se mostra como uma pea </p><p>fundamental na vida das pessoas, j que a sociedade formada pelas mais diversas e multifacetadas organizaes. O principal precursor da administrao cientfica, que muito influencia o conceito que temos hoje de administrar as coisas foi Frederic Winslow Taylor, que a partir de seu famoso estudo de Tempos e Movimentos, desenvolveu novas ferramentas que aumentassem a produtividade do trabalhador. Dessa forma, traou objetivos para a uma nova administrao, incentivado a burocracia em excesso, a competitividade entre os operrios, a diviso na organizao e produo social do trabalho, tendo como finalidades principais reduzir custos unitrios de produo e evitar a cera por parte dos trabalhadores. 1 </p><p>Segundo RAGO (1997) o processo de produo, na viso taylorista, no deveria ser deixado nas mos dos prprios trabalhadores que procuravam retardar o ritmo de trabalho, sendo que o ponto de partida da formulao da teoria dele se baseava na indolncia sistemtica do trabalhador. TAYLOR via na indolncia voluntria dos trabalhadores a origem de todos os problemas da sociedade americana, inclusive a misria do proletariado2. </p><p>O mtodo Taylor no se resume a constatar que a cera no processo de trabalho era uma das causa do desperdcio. O que notabilizou o taylorismo foi o fato de mostrar uma fonte muito maior cuja causa era anarquia das formas de produo, introduzindo a separao entre trabalho manual e intelectual no processo de trabalho; cada operrio era uma cincia dotados de saber e de fazer profissional, que se deveria saber escolher solues apresentadas pela criatividade operria apegados sua tradio, deveria ser estudada, classificadas e sistematizados por cientistas do trabalho tratado de separar as fases de planejamento, concepo e direo. Na administrao cientfica, a iniciativa do trabalhador (que seu esforo, sua boa vontade, seu engenho) obtida com absoluta uniformidade e grau muito maior do que possvel [...] (TAYLOR, 2009). </p><p> Taylor elaborou alguns princpios bsicos amplamente difundidos nos ramos </p><p>industriais: 1 princpio - Reduzir o saber complexo do operrio a seus elementos </p><p>simples, estudar o tempo de cada tarefa para chegar ao tempo necessrio de cada operao introduzindo cronmetro nas oficinas. Desta forma, desenvolveria junto com o trabalhador a melhor maneira de executar cada operao. Este primeiro </p><p> 1 Taylor acreditava que cada operrio produzia um tero do que poderia produzir chamando o processo de vadiagem sistemtica (LLATAS, 2009). 2 Para Marx o desenvolvimento da burguesia acontece somente atravs do capital que segundo ele corresponde ao desenvolvimento do proletariado, estes que [...] s sobrevivem medida que encontram trabalho, e s encontram trabalho medida que seu trabalho aumenta o capital (2002, p. 35). Desta feita, o proletariado no passa de mercadoria como qualquer outra, por este fato esto sujeitos [...] a todas as flutuaes do mercado (MARX, 2002, p. 35). </p></li><li><p>ENCICLOPDIA BIOSFERA, Centro Cientfico Conhecer, Goinia, v.8, n.15; p. 2012 </p><p>2350 </p><p>princpio se resumiu em separar as especialidades do trabalhador no processo de trabalho. </p><p> 2 princpio - Selecionar cientificamente e em seguida treinar, ensinar e aperfeioar o trabalhador. Este princpio ficou conhecido como a separao do trabalho entre a concepo e a execuo. Segundo Taylor, o trabalhador entraria somente com sua formao de trabalho. </p><p> 3 princpio - Explicar a cincia do trabalho e controlar at os mnimos detalhes de sua execuo, visando estabelecer uma relao ntima e cordial entre os operrios e a hierarquia da fbrica. </p><p>4 princpio - Manter a diviso do trabalho e das responsabilidades entre a direo e o operrio, centralizando o poder nas mos da direo e excluindo os produtores. Dessa forma, Taylor acreditava assegurar, com a nova direo do trabalho, a supresso das lutas operrias. </p><p> Das diversas caractersticas do sistema taylorista, duas devem ser destacadas: a primeira o aparecimento da funo hoje conhecida como analista de tempos e movimentos, que foram acompanhadas pela avaliao da produtividade materializada pelo cronmetro. A segunda a individualizao dos salrios, forma explcita de introduzir a competio entre os trabalhadores, uma vez que mensura a produo de cada funcionrio. </p><p>O taylorismo enquanto tcnica de produo esboa um conjunto de gestos e comportamentos que visam o processo produtivo, configurando-se tambm como uma forma de olhar o mundo completamente compartimentado e controlado. Esse foi um efeito que fugiu aos limites das fbricas e alcanou as mais diferentes esferas sociais, inclusive aquelas mais recolhidas e ntimas como o lar. claro que nem mesmo a Instituio Escolar passou ilesa por esse fenmeno. </p><p> Os princpios bsicos da Administrao Cientfica propostos por Frederic Taylor estabelecem uma relao com os pressupostos da administrao escolar que, na tentativa de atender os requisitos cientficos, acabou esfacelando o que deveria ser visto como corpo; o escolar. Vejamos alguns aspectos: </p><p>a) A escola precisou lanar mo dos saberes que vinculam entre as pessoas para poder instituir quais seriam seus objetos e uma metodologia mais eficaz. </p><p> b) De certa forma, a concepo e o planejamento dos procedimentos escolares ficaram nas mos de uma administrao que define o que os demais devem fazer. Aos administradores cabe elaborar currculos, horrios, livros didticos etc; aos demais cabe executar. </p><p> c) Mesmo diante dessa diviso de concepo e execuo do trabalho, necessrio criar o efeito de que os envolvidos esto participando de todas as etapas do trabalho. </p><p>d) Na escola, o trabalho sempre foi bem dividido, esclarecendo a seus executores o que deve ensinar, como se deve ensinar e quanto tempo lhe concedido para t...</p></li></ul>