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  • ENCICLOPDIA BIOSFERA, Centro Cientfico Conhecer, Goinia, v.8, n.15; p. 2012

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    GESTO EDUCACIONAL E PRTICA DOCENTE NA REALIDADE ESCOLAR

    Vernica Martins Moreira Professora especialista da rede estadual de educao do estado de Gois.

    Graduada em Histria (UEG - Unidade Universitria de Cincias Socioeconmicas e Humanas). E-mail: velocamor@hotmail.com

    Recebido em: 06/10/2012 Aprovado em: 15/11/2012 Publicado em: 30/11/2012

    RESUMO

    Democratizao e descentralizao de poder so palavras-chaves tanto no que diz respeito ao aparelho de organizao educacional, quanto o espao escolar na ntegra. A gesto educacional se entende como principal caracterstica do reconhecimento merecidamente dada importncia da participao efetiva e consciente de todos aqueles que compem a estrutura da organizao escolar. Com efeito, a gesto no descarta a relevncia da administrao escolar, apenas a redimensiona, no sentido de personificar os aspectos polticos, filosficos e pedaggicos no cenrio escolar. Nesta perspectiva, a gesto educacional trabalha com conceitos que serviro de pr-requisito para envolvimento da administrao enquanto transformadora da realidade (tradicional) existente. PALAVRAS CHAVES: Democratizao, descentralizao, participao, organizao escolar, gesto, docncia e conscientizao.

    EDUCATIONAL MANAGEMENT AND TEACHING IN SCHOOL REALITY

    ABSTRACT Democratization and decentralization of power are key words both with regard to educational organization, as the school space in full. The educational management is meant as a main feature of the recognition given to the importance of enhanced effective participation and conscious of all those who make up the structure of the school organization. In fact, the Administration does not rule out the relevance of school administration, just resize it to impersonate political, philosophical and educational in the school setting. In this perspective, the educational management works with concepts that will serve as a prerequisite for involvement of the administration while transforming existing (traditional) reality. KEYWORDS: Democratization, decentralization, participation, school organization, management and awareness.

    INTRODUO

    A educao um processo de aprendizagem que inclui diversas nuances e

    concomitantemente est relacionada a uma srie de fatores. A escola o espao

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    onde alm de acontecer a aquisio-percepo do conhecimento, ocorre a reproduo das relaes sociais com suas contradies e semelhanas, assinalando assim, o processo de circulao de ideologias, ora protagonizado pela classe dominante, ora sufocado, reprimido e controlado por esta ltima. Partindo desse pressuposto, a gesto educacional apresenta-se como a principal caracterstica do reconhecimento merecidamente dado a importncia da participao efetiva e consciente de todos aqueles que compem o esqueleto da organizao escolar. Quando tratamos de gesto escolar, democratizao e descentralizao de poder so palavras-chaves tanto no que diz respeito ao aparelho de organizao educacional, quanto o espao escolar na ntegra. Com efeito, a gesto no descarta a relevncia da administrao escolar, apenas a redimensiona, no sentido de personificar os aspectos polticos, filosficos e pedaggicos no cenrio escolar, tornando-os mais slidos, concisos e coerentes. A lgica da gesto educacional trabalha com conceitos que serviro de pr-requisito para o envolvimento da administrao enquanto transformadora da realidade (tradicional) existente.

    Os sistemas educativos dos pases em desenvolvimento enfrentam atualmente no s o desafio de responder demanda de acesso universal educao sem importar o tamanho, a condio econmica ou a situao geogrfica das comunidades a que estendem seus servios, mas tambm de oferecer uma educao que considere a diversidade cultural e, em alguns casos, as necessidades de desenvolvimento das comunidades. (MARTNEZ, 2004, pg. 95).

    Para assinalar o conceito de administrao, o principal precursor da

    administrao cientfica, que muito influencia o conceito que temos hoje de administrar as coisas foi Frederic Winslow Taylor. A partir de seu famoso estudo de Tempos e Movimentos, Frederic buscou desenvolver novas ferramentas que tivessem por finalidade aumentar a produtividade do trabalhador. Dessa forma, traou objetivos para uma nova administrao, incentivando a burocracia em excesso, a competitividade entre os operrios, a diviso na organizao e produo social do trabalho, tendo como finalidades principais reduzir os custos unitrios de produo e evitar a preguia e a cera por parte dos trabalhadores. Nesse sentido, RAGO (1997), enumera que o processo de produo, na viso taylorista, no deveria ser deixado nas mos dos prprios trabalhadores que procuravam retardar o ritmo de trabalho, sendo que o ponto de partida da formulao da teoria dele se baseava na lassido sistemtica do trabalhador; Taylor via na indolncia voluntria dos trabalhadores a origem de todos os problemas da sociedade americana.

    No obstante, diferentemente do que Taylor pensava, a administrao participativa, tal como a gesto, baseia-se no desenvolvimento de aes ligadas a descentralizao de poder e o engajamento no trabalho ligado ao desenvolvimento da escola. Dessa forma, a gesto da escola passa a ser o resultado do exerccio de todos os componentes da comunidade escolar, sempre na busca do alcance das metas estabelecidas pelo tambm projeto poltico-pedaggico construdo de forma coletiva. No tocante a essa participao concisa de suma importncia que os professores, formadores de opinio e os colaboradores da escola (secretaria, portaria, merendeiras, etc.) precisam ter conscincia das determinaes polticas e

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    relaes de poder implcitas nas decises administrativas, agindo de forma a transformar esta realidade.

    A prtica uma atividade inescapvel ao conhecimento ao qual possumos por Gesto Educacional. Logo, so prioritrios os objetivos de se refletir sobre a articulao existente entre gesto, conhecimento, escola, sociedade e discutir a necessidade, as possibilidades e os conceitos da gesto educacional por meio de uma perspectiva scio pedaggica. Entre as modalidades mais conhecidas da realizao da gesto no mbito escolar esto os Conselhos de classe que acontecem com a presena do corpo docente e do corpo discente. Vianna (1986) discute acerca dessa participao abordando direcionamentos aos alunos, para ela a maior preocupao das instituies escolares deve ser o desenvolvimento do processo educativo centrado no aluno, assim como sua realidade social e contextual, para que se efetive a participao da comunidade no s na execuo, mas em decises, acompanhamento e controle das aes. E para isso, os membros que participam desse processo, precisam acreditar na dignidade do ser humano, na capacidade do educador e finalmente na escola como um importante agente promovedor de mudanas. A compreenso da complexidade do trabalho pedaggico, s acontece com a percepo da importncia da contribuio individual e da organizao coletiva, sendo este o grande desafio da gesto educacional, lembrando que mudar apenas a denominao, nada significa. necessria uma mudana estrutural que envolva efetivamente a escola como um todo.

    Entre as modalidades mais conhecidas da realizao da gesto no mbito escolar esto os Conselhos de classe que acontecem com a presena do corpo docente e do corpo discente. Vianna (1986) discute acerca dessa participao abordando direcionamentos aos alunos, para ela a maior preocupao das instituies escolares deve ser o desenvolvimento do processo educativo centrado no aluno, assim como sua realidade social e contextual, para que se efetive a participao da comunidade no s na execuo, mas em decises, acompanhamento e controle das aes. E para isso, os membros que participam desse processo, precisam acreditar na dignidade do ser humano, na capacidade do educador e finalmente na escola como um importante agente promovedor de mudanas. Luck (2006) complementa ao dizer que a promoo da participao deve ser orientada e se justifica na medida em que seja voltada para a realizao de objetivos educacionais claros e determinados, relacionados transformao da prpria prtica pedaggica da escola e de sua estrutura social.

    A melhoria da qualidade da educao proporcionada por uma gesto democrtica com autonomia, onde considera-se como inseparveis mtodo e contedo e a convivncia humana fazendo parte do contedo educacional, chega-se a melhor forma para a concretizao de uma escola pblica de qualidade. Para que a gesto esteja aliada a prtica do professor a anlise do PPP confrontando-o com a prtica defendida pelo corpo docente faz-se de suma importncia, pois somente apontando maneiras e selecionando-as previamente, que a escola pode caminhar para novas formas de se pensar em uma administrao de cunho democrtico e na integrao da comunidade como grupo participativo dentro da prpria escola.

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    ADMINISTRAO EDUCACIONAL: PRESSUPOSTOS HISTRICOS, TERICOS

    E CARACTERSTICAS

    O Taylorismo e a administrao escolar

    Desde a modernidade, a administrao se mostra como uma pea

    fundamental na vida das pessoas, j que a sociedade formada pelas mais diversas e multifacetadas organizaes. O principal precursor da administrao cientfica, que muito influencia o conceito que temos hoje de administrar as coisas foi Frederic Winslow Taylor, que a partir de seu famoso estudo de Tempos e Movimentos, desenvolveu novas ferramentas que aumentassem a produtividade do trabalhador. Dessa forma, traou objetivos para a uma nova administrao, incentivado a burocracia em excesso, a competitividade entre os operrios, a diviso na organizao e produo social do trabalho, tendo como finalidades principais reduzir custos unitrios de produo e evitar a cera por parte dos trabalhadores. 1

    Segundo RAGO (1997) o processo de produo, na viso taylorista, no deveria ser deixado nas mos dos prprios trabalhadores que procuravam retardar o ritmo de trabalho, sendo que o ponto de partida da formulao da teoria dele se baseava na indolncia sistemtica do trabalhador. TAYLOR via na indolncia voluntria dos trabalhadores a origem de todos os problemas da sociedade americana, inclusive a misria do proletariado2.

    O mtodo Taylor no se resume a constatar que a cera no processo de trabalho era uma das causa do desperdcio. O que notabilizou o taylorismo foi o fato de mostrar uma fonte muito maior cuja causa era anarquia das formas de produo, introduzindo a separao entre trabalho manual e intelectual no processo de trabalho; cada operrio era uma cincia dotados de saber e de fazer profissional, que se deveria saber escolher solues apresentadas pela criatividade operria apegados sua tradio, deveria ser estudada, classificadas e sistematizados por cientistas do trabalho tratado de separar as fases de planejamento, concepo e direo. Na administrao cientfica, a iniciativa do trabalhador (que seu esforo, sua boa vontade, seu engenho) obtida com absoluta uniformidade e grau muito maior do que possvel [...] (TAYLOR, 2009).

    Taylor elaborou alguns princpios bsicos amplamente difundidos nos ramos

    industriais: 1 princpio - Reduzir o saber complexo do operrio a seus elementos

    simples, estudar o tempo de cada tarefa para chegar ao tempo necessrio de cada operao introduzindo cronmetro nas oficinas. Desta forma, desenvolveria junto com o trabalhador a melhor maneira de executar cada operao. Este primeiro

    1 Taylor acreditava que cada operrio produzia um tero do que poderia produzir chamando o processo de vadiagem sistemtica (LLATAS, 2009). 2 Para Marx o desenvolvimento da burguesia acontece somente atravs do capital que segundo ele corresponde ao desenvolvimento do proletariado, estes que [...] s sobrevivem medida que encontram trabalho, e s encontram trabalho medida que seu trabalho aumenta o capital (2002, p. 35). Desta feita, o proletariado no passa de mercadoria como qualquer outra, por este fato esto sujeitos [...] a todas as flutuaes do mercado (MARX, 2002, p. 35).

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    princpio se resumiu em separar as especialidades do trabalhador no processo de trabalho.

    2 princpio - Selecionar cientificamente e em seguida treinar, ensinar e aperfeioar o trabalhador. Este princpio ficou conhecido como a separao do trabalho entre a concepo e a execuo. Segundo Taylor, o trabalhador entraria somente com sua formao de trabalho.

    3 princpio - Explicar a cincia do trabalho e controlar at os mnimos detalhes de sua execuo, visando estabelecer uma relao ntima e cordial entre os operrios e a hierarquia da fbrica.

    4 princpio - Manter a diviso do trabalho e das responsabilidades entre a direo e o operrio, centralizando o poder nas mos da direo e excluindo os produtores. Dessa forma, Taylor acreditava assegurar, com a nova direo do trabalho, a supresso das lutas operrias.

    Das diversas caractersticas do sistema taylorista, duas devem ser destacadas: a primeira o aparecimento da funo hoje conhecida como analista de tempos e movimentos, que foram acompanhadas pela avaliao da produtividade materializada pelo cronmetro. A segunda a individualizao dos salrios, forma explcita de introduzir a competio entre os trabalhadores, uma vez que mensura a produo de cada funcionrio.

    O taylorismo enquanto tcnica de produo esboa um conjunto de gestos e comportamentos que visam o processo produtivo, configurando-se tambm como uma forma de olhar o mundo completamente compartimentado e controlado. Esse foi um efeito que fugiu aos limites das fbricas e alcanou as mais diferentes esferas sociais, inclusive aquelas mais recolhidas e ntimas como o lar. claro que nem mesmo a Instituio Escolar passou ilesa por esse fenmeno.

    Os princpios bsicos da Administrao Cientfica propostos por Frederic Taylor estabelecem uma relao com os pressupostos da administrao escolar que, na tentativa de atender os requisitos cientficos, acabou esfacelando o que deveria ser visto como corpo; o escolar. Vejamos alguns aspectos:

    a) A escola precisou lanar mo dos saberes que vinculam entre as pessoas para poder instituir quais seriam seus objetos e uma metodologia mais eficaz.

    b) De certa forma, a concepo e o planejamento dos procedimentos escolares ficaram nas mos de uma administrao que define o que os demais devem fazer. Aos administradores cabe elaborar currculos, horrios, livros didticos etc; aos demais cabe executar.

    c) Mesmo diante dessa diviso de concepo e execuo do trabalho, necessrio criar o efeito de que os envolvidos esto participando de todas as etapas do trabalho.

    d) Na escola, o trabalho sempre foi bem dividido, esclarecendo a seus executores o que deve ensinar, como se deve ensinar e quanto tempo lhe concedido para tal.

    Essa aproximao dos princpios da Administrao Cientfica com a atividade de Administrao Escolar e suas transformaes aponta para a substituio da diviso taylorista de tarefas por atividades integradas, realizadas em equipes ou individualmente, que exigem viso do conjunto, autonomia, iniciativa, capacidade de resolver problemas e flexibilidade. Esse o desafio que compete gesto. Como se pode perceber, as mudanas so considerveis e afetam no apenas a sociedade de um modo geral, como a nossa vida cotidiana (LIBNEO, 2003). A gesto deve isentar o ambiente escolar da competitividade que envolve as relaes capitalistas

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    de produo e proporcionar-lhe uma maior autonomia, para que a escola possa gerir-se sem reproduzir tendncias de correntes poltico-ideolgicas, ou mesmo formas de discriminao, excluso, opresso e violncia.

    GESTO EDUCACIONAL

    O conceito de gesto participativa

    H bem pouco tempo, sabemos que dirigir uma escola era considerado uma tarefa rotineira, cabvel a qualquer profissional de qualquer rea de conhecimento. Cabia ao diretor zelar pelo bom funcionamento da escola, centralizando em si todas as decises em administrar com prudncia os eventuais imprevistos. Entretanto, a dinamicidade da sociedade ligada s grandes e contnuas transformaes sociais, cientficas e tecnolgicas passaram a exigir um novo modelo de escola e, consequentemente, um novo perfil de dirigente com formao e conhecimento especficos para o cargo e a funo de diretor-gestor.

    De acordo com LIBNEO (2004) importante mostrar que o principal meio de se assegurar a gesto democrtica da escola a participao, e que a autonomia um dos princpios mais importantes nessa construo. Nesse sentido, a participao primordial na busca de resultados.

    [...] o conceito de participao se fundamenta no de autonomia que significa a capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinao de si prprios, isto , de conduzirem sua prpria vida. Como autonomia se ope s formas autoritrias de tomada de deciso, sua realizao concreta nas instituies a participao. (LIBNEO, 2004, p.80).

    A instituio que permite que seus colaboradores alm de participarem na construo do processo poltico e cultural da escola o faam com autonomia e liberdade estar contribuindo para que a gesto compartilhada se concretize. Neste sentido que a gesto deve dar seus primeiros passos, buscando formas diversas de articular e aproximar escola e comunidade. Trata-se de uma forma de administr-la com competncia, objetivando atingir suas finalidades essenciais e suas metas, ou seja, a de promover um ensino de qualidade para todos. A partir do momento que muda as relaes no interior da escola e as relaes com a comunidade, inicia-se a construo da educao que realmente est comprometida com os anseios da comunidade. Essa reflexo chama a ateno para uma gesto democrtica facilitadora do aprendizado do aluno, capaz de proporcionar oportunidades que permitam a ele prprio construir sua caminhada ao longo da vida. preciso, que o formando, desde o principio mesmo de sua experincia formadora, assuma-se tambm como sujeito da produo do saber e se convena definitivamente de que ensinar no transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produo ou a sua construo. (FREIRE, 2002).

    Acredita-se que o sentido geral da administrao saber usar os recursos com racionalidade para atingir os fins, conforme se planejou. Para PARO (2003), planejar

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    estabelecer objetivo, uma peculiaridade do ser humano, que se diferencia no animal, pois o homem pela sua liberdade de ser busca realizar e administrar aquilo a que se prope. O referido autor coloca ainda que o homem se interpe entre si e a natureza com o intuito de domin-la para seu proveito. A relao do homem com a natureza e os homens no so vistos independentes uma da outra, mas, sim, dependentes entre si. Em outra reflexo, Paro constata que:

    Os recursos de que estou falando envolvem, por um lado, os elementos materiais e conceptuais que o homem coloca entre si e a natureza para domin-la em seu proveito; por outro, os esforos despendidos pelos homens e que precisam ser coordenados com vistas a um propsito comum. Tm a ver por um lado, com as relaes do homem com a natureza, por outro, com as relaes do homem entre si. (PARO, 2003, p.20)

    Salienta-se, portanto, que administrao no um trabalho que acontece isoladamente, mas sim, um trabalho coletivo, onde todos participam e cooperam uns com os outros para que os fins sejam alcanados.

    Dessa forma, um dos grandes desafios est em compreender, na atualidade, o verdadeiro sentido dos termos gesto e administrao. Infelizmente ainda no a um consenso e muitos especialistas, PARO (2003), por exemplo, identificam a expresso organizao escolar com administrao escolar, que consequentemente caracterizariam a ao de planejar, organizar, dirigir e controlar o trabalho da escola, o que igualmente acontece com o termo gesto e administrao, que muitas vezes so utilizados ora como sinnimos (LIBNEO, 2004) ora como antnimos (LUCK, 2000). Segundo LUCK (2000) o termo administrao educacional, concebido enquanto paradigma de organizao da educao faz parte da literatura nacional a partir das dcadas de 1960 e 1970, antes disso pouco ou quase nada se ouvia falar em administrao voltada para o espao da escola.

    A gesto educacional uma expresso que ganhou evidncia na literatura e aceitao no contexto educacional, sobretudo a partir de dcada de 1990, e vem se constituindo em um conceito comum no discurso de orientao das aes de sistemas de ensino e de escolas. [...] O conceito de gesto resulta de um novo entendimento a respeito da conduo dos destinos das organizaes, que leva em considerao o todo em relao com as partes e destas entre si, de modo a promover maior efetividade do conjunto (LUCK, 2006, p. 33-34).

    A dinmica intensa da realidade e seus movimentos fazem com que os fatos e fenmenos mudem de significado ao longo do tempo e consequentemente as palavras usadas para represent-los deixam de expressar toda a riqueza da nova significao. Da porque a mudana de designao da nomenclatura administrao para gesto educacional.

    Pode-se citar, dentre outros aspectos: a democratizao do processo de determinao dos destinos do estabelecimento de ensino e seu projeto poltico-pedaggico; a compreenso da questo dinmica e conflitiva das relaes interpessoais da organizao, o entendimento dessa organizao como uma

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    entidade viva e dinmica, demandando uma atuao especial de liderana; o entendimento de que a mudana dos processos pedaggicos envolve alteraes nas relaes sociais da organizao; a compreenso de que os avanos das organizaes se assentam muito mais em seus processos sociais, sinergia e competncia, do que sobre insumos ou recursos. A promoo de uma gesto democrtica e participativa delega autonomia escola (sistema educacional) para buscar solues prprias para seus problemas, suas necessidades e propostas. Dessa forma, gesto educacional preserva relaes democrticas e fortalece princpios de orientao e construo da autonomia. Gesto democrtica a participao da comunidade na gesto das unidades escolares, no entanto para que a gesto ocorra no mbito da prtica, h necessidade de que se tenha uma escola com maior autonomia. MACHADO (2000, p.80)

    Durante um longo perodo, a administrao da educao em nvel fundamental constituiu-se em uma tarefa bastante rudimentar. O diretor era encarregado de zelar pelo bom funcionamento da escola, seja ele estrutural ou administrativo. Hoje, tal perspectiva est ultrapassada, pelo menos teoricamente, pois as transformaes que surgiram tanto no interior do sistema de ensino quanto no meio social provocaram mudanas fundamentais no campo da educao e, consequentemente, no papel que a escola exerce na sociedade e, tambm, no papel do professor no processo de aprendizagem. Uma dessas mudanas pode ser ilustrada pelo apelo que se faz democracia e participao da famlia e da sociedade no processo de tomada de deciso no ambiente escolar, que podem ser percebidas como vinculadas a duas formas bsicas de conduo de uma instituio de ensino: uma democrtica e outra autoritria.

    A educao atravessa momentos difceis, por ter se mantido por muito tempo estagnada, no acompanhando certas evolues, dentre elas a tecnolgica, que acabaram por definir novos valores sociais. A sociedade encontra-se em crise diante de tantas mudanas e avanos, e sem perceber vai incorporando-os em suas atividades, estando ou no preparada para receb-las. Diante da complexidade imposta pela modernidade, os olhares se voltam para a educao e consequentemente para a escola, que se v ante um novo papel e novas exigncias, inclusive no que se refere ao bom funcionamento sob os novos conceitos de administrao e gesto. Gesto educacional tornou-se importante no contexto educacional e reconhecida pela importncia da participao consciente das pessoas nas decises sobre a orientao de seu trabalho. A gesto est ligada a defesa de mecanismos mais coletivos e participativos de planejamento e administrao escolar representando a luta pelo reconhecimento da escola como espao de poltica e trabalho. OLIVEIRA (2002, p.136). Dessa forma, gesto est ligada ao fortalecimento da ideia de democratizao do processo pedaggico entendida como participao de todos nas decises e na sua efetivao.

    Neste sentido, a mudana de paradigma de administrao para gesto educacional como de grande importncia para a mobilizao dos sistemas de ensino e de suas instituies, sentindo a necessidade de revitalizao da educao brasileira. A democracia conduz as pessoas que esto inseridas na escola maior participao e implicao nas tomadas de deciso. Os antigos fundamentos de administrao educacional seriam insuficientes, mas no perderiam a importncia, na orientao do trabalho do dirigente educacional com essa nova dimenso. Para compartilhar responsabilidades de forma democrtica necessrio que se promova a discusso coletiva, deciso, participao e definio de metas e aes, e ainda, o

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    acompanhamento, a socializao dos resultados entre toda a comunidade escolar. s vezes, a realidade das escolas ainda de isolamento dos professores, que ainda manifestam a crena de que suas responsabilidades comeam e terminam na sala de aula, privando-se de compartilhar com os demais membros da escola. Nesses casos, o grande desafio a interao entre as partes. A desconsiderao total pela formao integral do ser humano, a sua reduo a puro treino fortalecem a maneira autoritria de falar de cima para baixo a que falta, por isso mesmo, a inteno de sua democratizao no falar com. (FREIRE, 2002, p. 72).

    A gesto de uma escola, por menor que esta seja, no apenas uma funo pedaggica, assim como ser professor tambm no o . O que diferencia no apenas a natureza do trabalho, mas o seu grau. Tanto o professor quanto o diretor tm uma funo administrativa muito importante, mais enquanto aquele administra a sala de aula, este se responsabiliza pela escola como um todo. O gestor precisa ter um posicionamento claro e objetivo frente aos problemas educacionais, para o desenvolvimento de um trabalho pedaggico competente, visando melhoria da qualidade do ensino.

    Em termos gerais, a gesto autoritria defende a centralizao de processos decisrios na pessoa do diretor, do professor em sala de aula ou, ainda, de outros grupos hierarquizados dentro do ambiente escolar. Por outro lado, a gesto democrtica se caracteriza por possibilitar que as decises na escola sejam tomadas em conjunto, ou seja, coletivamente, onde todos estejam diretamente envolvidos no processo de formao social, poltica e por que no salientar, emocional do aluno. As instituies educacionais bem sucedidas tem um equilbrio permanente entre o pedaggico e o administrativo, e esta harmonia decorre da compreenso de que a escola um sistema, ou seja, um conjunto de partes coordenadas entre si. A formao do gestor requer uma concepo comprometida com o processo social, visando um profissional com capacidade no plano cientfico e tcnico. Por isso, espera-se que sua formao lhe oferea subsdios de sensibilidade tica, poltica e social, com carter inovador e consciente de um processo que tenha por objetivo formar com qualificao, cidados intelectuais, tcnicos, eticamente desenvolvidos e politicamente comprometidos com uma educao de qualidade. O gestor deve, cotidianamente, dar conta de diferentes "gestes": do espao, dos recursos financeiros, de questes legais, da interao com a comunidade do entorno e com a Secretaria de Educao e das relaes interpessoais com funcionrios, professores, famlias. (Priolli, 2008).

    A qualidade da escola condio essencial de incluso e democratizao, no obstante, o desafio de oferecer uma educao de qualidade para a insero do aluno e consequentemente a consolidao da democracia tarefa de todo o corpo social. Contudo, o conhecimento de que a escola um sistema, nem sempre permeia o dia-a-dia das instituies educacionais e as perdas que da decorrem so enormes, sendo assim, Colombo (2004) acrescenta que "um sistema de gesto de qualidade um conjunto de atividades coordenadas, usadas para dirigir e controlar uma organizao com base na poltica e diretrizes estabelecidas para alcanar os objetivos determinados do planejamento estratgico" (COLOMBO, 2004, p.51).

    Para que a instituio seja um sistema funcional, necessrio que o gestor saiba definir com bastante preciso o objetivo da escola; se no h clareza em relao ao que se pretende, surgem muitos conflitos desnecessrios. Em muitos casos, a incoerncia entre o que ficou no papel e o que se vive no cotidiano da escola. necessrio considerar, em todas as decises, a interdependncia entre os

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    mltiplos componentes do sistema, pois quase impossvel mexer uma pea s. Cada soluo origina outros problemas. Outro passo reconhecer que as falhas de um sistema decorrem fundamentalmente das aes administrativas. Quanto o poder de uma pessoa maior a sua responsabilidade pelos resultados. "... para uma instituio de ensino funcionar de maneira eficaz e eficiente tem de ter viso. Em segundo lugar, a instituio de ensino deve ser vista como um sistema." (COLOMBO, 2004, p.52).

    Desta feita, a misso a razo de ser, a finalidade da instituio realizar um trabalho de qualidade, e assumir sua responsabilidade social, garantindo a formao de pessoas que tenham tambm essa responsabilidade. Considerar a pessoa e respeitar a sua dignidade compreender que toda soluo sempre de dentro para fora, entender que s a interao o caminho para a promoo humana. Teoria e prtica gestionria na escola

    As instituies escolares vem sendo pressionadas a repensar o seu papel diante das transformaes que ocorrem na sociedade e tais transformaes ocorrem em escala mundial, decorrentes de um conjunto de acontecimentos e processos como: avanos tecnolgicos, paradigmas produtivos, excluso social, crise moral e tica, despolitizao da sociedade. diante destes desafios que podemos levantar uma pergunta chave: qual o papel da escola hoje? E a partir da, uma srie de outras dvidas e questionamentos que nos levam a refletir e repensar as funcionalidades da instituio escolar. A gesto escolar representa um paradigma que chega a escola como uma soluo para a sua problemtica.

    Os sistemas educativos dos pases em desenvolvimento enfrentam atualmente no s o desafio de responder demanda de acesso universal educao sem importar o tamanho, a condio econmica ou a situao geogrfica das comunidades a que estendem seus servios, mas tambm de oferecer uma educao que considere a diversidade cultural e, em alguns casos, as necessidades de desenvolvimento das comunidades. (MARTNEZ, 2004, pg. 95).

    A organizao e os processos de gesto, incluindo a direo, assumem

    diferentes significados conforme a concepo que se tenha dos objetivos da educao em relao sociedade e a formao dos alunos. Por exemplo, numa concepo tecnicista de escola, a direo centralizada numa nica pessoa, com as decises vindo de cima para baixo, sem a participao dos professores, alunos e pais, com um plano previamente elaborado. J numa concepo progressista, [...] partindo de uma anlise crtica das realidades sociais que [...] sustentam implicitamente as finalidades scio-polticas da educao (LIBNEO, 1993, p. 32), o processo de tomada de decises se d coletivamente com a ampliao da participao de professores, alunos e pais.

    A gesto educacional est ligada a quatro componentes que lhe so praticamente indissociveis: participao, democracia, autonomia e autocontrole. A participao a melhor maneira de assegurar a democratizao da escola, possibilitando o envolvimento de toda a comunidade escolar na tomada de decises e no funcionamento da organizao escolar, proporcionando assim um maior

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    conhecimento dos objetivos e metas, da estrutura organizacional e das relaes da escola com a comunidade. Mas necessrio que essa participao exija de fato, tendo o envolvimento de todos ou de muitos de maneira consciente, no apenas de corpo presente para assinaturas, prevalecendo o processo e no o produto. S h participao quando os envolvidos se sentem integrados, isto , partcipes do processo, capazes de opinarem, interferirem e realizarem.

    O termo gesto tem sido utilizado de forma equivocada para substituir o que se denominava administrao. Entretanto, este termo no deve ser entendido como uma substituio de terminologia de como se deve conduzir uma organizao de ensino. A ideia de gesto educacional desenvolve outras ideias globalizantes e dinmicas em educao, como a dimenso poltica e social. Pela crescente complexidade das organizaes sociais que envolvem a dinmica das interaes, no se pode conceber que estas organizaes sejam administradas pelo antigo enfoque conceitual da administrao cientfica, pelo qual tanto a organizao como as pessoas que nela atuam, passam ser uma mquina manejada e controlada de fora para dentro. A gesto educacional tenta responder a um novo enfoque de organizao nos sistemas educacionais, mas no se trata de uma mera substituio terminolgica, mas da proposio de um novo conceito de organizao educacional. A gesto prope a depreciao da administrao, mas a superao de suas limitaes redimensionando-as.

    A administrao escolar pensada e organizada com foco no processo pedaggico e administrativo constri uma identidade educacional integrada. A prtica pedaggica e a administrativa, quando voltadas para o processo de ensino-aprendizagem supera a fragmentao da formao do ser humano. (MAIA e COSTA, 2011, pg. 77).

    A palavra gesto tem sido erroneamente, comparada ao termo de administrao. Comparando o que se propunha sob a denominao de administrao e o que se prope sob a denominao de gesto e ainda, a alterao geral de orientaes e posturas que vm ocorrendo em todos os mbitos e que contextualizam as alteraes no mbito da educao e da sua gesto, conclui-se que a mudana radical. A expresso gesto educacional, utilizada para designar a ao dos dirigentes, surge, por conseguinte, em substituio a administrao educacional, para representar no apenas novas ideias, mas sim um novo paradigma, que busca estabelecer na instituio uma orientao transformadora, a partir da dinamizao de rede de relaes que ocorrem, dialeticamente, no seu contexto interno e externo.

    Conforme afirmado em trabalho conjunto entre Organizao das Naes Unidas para a Educao, Cincia e Cultura (UNESCO) e Ministrio da Educao e Cultura (MEC):

    O diretor cada vez mais consciente a levar em considerao a evoluo da ideia de democracia, que conduz o conjunto de professores, e mesmo os agentes locais, maior participao, maior implicao nas tomadas de deciso (VALERIEN, 1993, p. 15).

    LUCK (2000) defende a capacitao do gestor como condio prvia sua funo:

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    No se pode esperar mais que os dirigentes escolares aprendam em servio, pelo ensaio e erro, sobre como resolver conflitos e atuar convenientemente em situaes de tenso, como desenvolver trabalho em equipe, como monitorar resultados, como planejar e implementar o projeto poltico pedaggico da escola, como promover a integrao escola-comunidade, como criar novas alternativas de gesto, como realizar negociaes, como mobilizar e manter mobilizados atores na realizao das aes educacionais, como manter um processo de comunicao e dilogo abertos, como estabelecer unidade na diversidade, como planejar e coordenar reunies eficazes, como articular interesses diferentes, etc. Os resultados da ineficcia dessa ao so to srios em termos individuais, organizacionais e sociais, que no se pode continuar com essa prtica. A responsabilidade educacional exige profissionalismo. (LUCK, 2000, p. 29)

    A essa conscientizao estaria vinculada a necessidade de interpretao da

    dimenso pedaggica, administrativa e financeira, na questo administrativa. Em consequncia, os antigos fundamentos de administrao educacional seriam insuficientes - embora importantes - para orientar o trabalho do dirigente educacional com essa nova dimenso. Na prtica, as instituies necessitam de um novo regime de gesto que v alm do simples discurso. Exige-se que os conhecimentos aumentem para uma viso autnoma de modo estrutural individual e coletiva. Prope-se ento uma formao crtica e reflexiva sobre o sistema educacional baseada na diversidade e flexibilidade dos modelos de gesto escolar, relacionados a cada estabelecimento de ensino, permitindo ajustes nas prticas de gesto. Desta forma, uma formao de qualidade supe que os futuros gestores sejam conscientes de que necessria uma formao contnua.

    Para Vianna (1986) existe um problema que antecede e implica nessa dificuldade de aplicar a gesto educacional, que conforme o objetivo geral proposto pelo Artigo 1. da Lei Federal n 5.692/71, que o de proporcionar ao educando uma formao necessria ao desenvolvimento de seus potenciais como elemento de auto realizao, capacidade para o trabalho e preparo consciente de cidadania. Outro problema que a autora levanta sobre a queda da Lei 5.692/71, em que a escola atendia:

    [...] exclusivamente a uma minoria privilegiada, com a proposta de ampliar o nmero de vagas, passou a atender tambm s classes menos favorecidas da nossa sociedade. Ocorreu, ento, o que chamamos de massificao do ensino: a quantidade de brasileiros, na escola, passa a ser a maior preocupao da nossa poltica educacional. A respeito da qualidade do que ensinado dentro dela, infelizmente, porm, no se questiona no se indaga. Antes restrita a uma clientela privilegiada, mnima, a escola precisa, agora abrir suas portas para receber um grande contingente humano, dos 7 aos 14 anos, com todos os problemas decorrentes de sua condio econmico-scio-cultural de vida (VIANNA, 1986, p. 02).

    Frequentemente no h uma distino entre autonomia e democratizao, que diversas vezes se confundem quando se referem gesto. A autonomia revela

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    a possibilidade de uma escola criar ou definir o seu projeto pedaggico, do professor selecionar contedos prximos da realidade sociocultural de seus alunos, de optar por este ou aquele livro (por mais que sejam, ainda, livros de uma lista definida por rgos como a Secretaria de Educao) e a democratizao, a descentralizao no campo da administrao educacional, expressa um movimento no sentido de atribuir maior mobilidade administrativa s unidades escolares, uma vez que retira certas responsabilidades da Unio, dos Estados e/ou Municpios e as repassam s escolas diretamente.

    Paro (2002) observa que o impasse proposto pelo neoliberalismo enfatiza que a escola deve funcionar nos moldes empresariais, no obstante, a produo escolar no deve acontecer fiel aos mtodos empresariais, sendo uma mera produtora de objetos. Para ele a administrao escolar deve ser tratada como o conjunto de atividades mediadoras na busca de fins educativos, ou seja, primordial o desenvolvimento de estratgias, formas e projetos (meios) para se chegar a formao de um cidado capacitado e crtico (fins). 3

    democratizao entende-se tambm ao que Vianna (1986) levanta como mais uma mudana que emergente no seio escolar: De um modo geral, a administrao escolar realizada atravs de ordens, regulamentos, impostos de cima para baixo, sem nenhum questionamento, acentuando o comportamento de submisso, sem crticas nem discusses por medo de possveis conflitos e punies (VIANNA, 1986, p. 07), isto , uma falta de liberdade para se criar e despreparados para grandes inovaes, frustrados e profissionalmente ameaados. Com a gesto as hierarquizaes das funes so minimizadas por no existir a possibilidade de seu desaparecimento, se no estaramos falando em anarquia escolar, o dilogo entre professor-aluno, professor-diretor passa a ser fundamental para as melhorias do ensino, agora todos sujeitos envolvidos no processo escolar podem opinar e interferir.

    Segundo Hora (1994) a organizao escolar estruturada pela sociedade capitalista procura a manuteno das relaes sociais com tendncia a perpetu-las, enfatizando a manuteno do poder da classe dominante. A escola no apenas reproduz as relaes sociais, mas se concebe por um espao em que a sociedade produz os elementos de sua prpria contradio, sendo a educao dialtica, a escola a arena em que os grupos sociais lutam por legitimidade e poder.

    [...] desse modo, quanto mais participativo, solidrio e democrtico for o processo administrativo maiores as possibilidades de que seja relevante para indivduos e grupos e tambm maiores as probabilidades para explicar e promover a qualidade de vida humana, necessria. O papel da administrao da educao ser o de coordenar a ao dos diferentes componentes do sistema educacional, sem perder de vista a especificidade de suas caractersticas e de seus valores que a plena realizao de indivduos e grupos sejam efetivadas. (HORA, 1994, p. 41)

    Outro autor que questiona alguns posicionamentos da instituio escolar Carlos Libneo (2004), enfatizando a necessidade de se criar no aluno uma 3 Se os membros das camadas populares no dominam os contedos culturais, eles no podem fazer valer os seus interesses, porque ficam desarmados contra os dominadores, que se servem exatamente desses contedos culturais para legitimar e consolidar a sua dominao. (SAVIANI, 2000, pg.60)

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    conscincia crtica que no seja dominada: "[...] a educao libertadora, ao contrrio, questiona concretamente a realidade das relaes do homem com a natureza e com os outros homens, visando a uma transformao da ser uma educao crtica". Pode-se afirmar que a Gesto Educacional s acontece com sujeitos compromissados com uma educao cujo objetivo a construo da cidadania e a transformao da sociedade, numa tentativa de responder a pergunta: "qual o papel da escola hoje?".

    Os conselhos de classe e o planejamento como aliados da gesto escolar

    Entre as modalidades mais conhecidas da realizao da gesto no mbito escolar esto os Conselhos de classe que acontecem com a presena do corpo docente e do corpo discente. Vianna (1986) discute acerca dessa participao abordando direcionamentos aos alunos, para ela a maior preocupao das instituies escolares deve ser o desenvolvimento do processo educativo centrado no aluno, assim como sua realidade social e contextual, para que se efetive a participao da comunidade no s na execuo, mas em decises, acompanhamento e controle das aes. E para isso, os membros que participam desse processo, precisam acreditar na dignidade do ser humano, na capacidade do educador e finalmente na escola como um importante agente promovedor de mudanas. Luck (2006) complementa ao dizer que a promoo da participao deve ser orientada e se justifica na medida em que seja voltada para a realizao de objetivos educacionais claros e determinados, relacionados transformao da prpria prtica pedaggica da escola e de sua estrutura social.

    A compreenso da complexidade do trabalho pedaggico, s acontece com a percepo da importncia da contribuio individual e da organizao coletiva, sendo este o grande desafio da gesto educacional, lembrando que mudar apenas a denominao, nada significa. necessrio que a nova forma de representao denote originalidade e efetiva atuao. A gesto compartilhada na escola tem sido alvo de muitos estudos na tentativa de inovar e democratizar a instituio educacional. A escola s ser democrtica a partir do momento em que estabelecer novas relaes sociais, partilhar ideias e decises, e principalmente ter como objetivo o trabalho coletivo, pois o homem isolado no constri nem transforma realidade.

    O trabalho coletivo tem sido valorizado e buscado em todas as reas, uma vez que imprescindvel que os profissionais saibam trabalhar, dialogar, conviver com o outro, requisitos indispensveis para a educao do novo sculo. Estes aspectos so mais evidenciados quando se fala em gesto democrtica da educao, pois esta uma gesto nova que se precisa ser construda.

    De acordo com a definio de gesto democrtica prevista pela LDB em seu artigo 12, inciso VI, a mesma entendida como uma possibilidade de nova perspectiva de Planejamento Participativo, permitindo a participao e o compromisso de toda a comunidade escolar nas deliberaes e decises, para que todos possam participar coletivamente sem se eximir das responsabilidades ticas de todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.

    Partindo desse pressuposto, o Conselho de Classe funciona como um rgo colegiado, interno unidade escolar, de natureza consultiva e deliberativa em relao a avaliao do aluno, norteado pelos pareceres da legislao educacional vigente, as polticas curriculares implantadas, as resolues e as propostas dos

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    conselhos federal e estadual de educao. No entanto, o conselho no engessado, tampouco rgido que no possa receber sugestes ligadas realidade da escola e da comunidade nela inserida.

    A escola o primeiro espao de convvio em grupos numerosos, onde se aprende a respeitar diferenas, resolver conflitos e tomar decises em conjunto, saberes essenciais para exercer a cidadania. Em conselhos de classe ou de escola, e na escolha de seus membros, a vivncia poltica ainda mais explcita ao se assumir e ao se delegar responsabilidade coletiva (MENEZES, 2012).

    A forma de trabalho adotada no conselho de classe consiste na reunio de todo o corpo docente responsvel pelas diversas disciplinas que compem a matriz curricular, da srie e turma por ele atendida. Geralmente tambm esto presentes a representao estudantil da turma, o coordenador pedaggico responsvel pela fase de ensino em que a srie est inserida e a participao do coordenador da escola somada observao do diretor.

    Espera-se do Conselho que seu objetivo maior seja a concretizao do diagnstico do sucesso ou no do projeto pedaggico, verificando se o nvel de desenvolvimento e aprendizagem dos discentes, em cada disciplina trabalhada pelos professores garante a eficcia e a qualidade do projeto. Dessa forma, de suma importncia a verificao do desempenho dos alunos, como o envolvimento deles, seu comportamento em relao s normas prescritas no regimento escolar e, com base na legislao, a anlise das reprovaes e das aprovaes e outras medidas necessrias melhoria da qualidade da aprendizagem dos estudantes. Conforme orientao da Resoluo CEE n 194/2005:

    [...] ao final de cada semestre letivo, o Conselho Escolar deve promover a anlise global sobre o desenvolvimento de cada aluno, durante o ano letivo, tendo como parmetros o processo de avaliao da aprendizagem que deve considerar, cotidianamente, a efetiva presena e a participao do aluno nas atividades escolares, sua sociabilidade, sua capacidade de tomar iniciativa, de criar e apropriar-se dos contedos disciplinares inerentes sua idade e srie, visando a aquisio de conhecimentos, o desenvolvimento das habilidades de ler, escrever e interpretar, de atitudes e valores indispensveis ao pleno exerccio da cidadania.

    Isto posto, para se chegar a uma concluso do Conselho de Classe, necessrio estabelecer seus objetivos claros e em um segundo momento, a anotao de seu inteiro contedo, geralmente em ata prpria ou na ficha individual do aluno que deve constar, tambm de forma concisa e coerente, no histrico escolar e nos dirios de classe. Como o processo de aprendizagem tem por objetivo contribuir para o pleno desenvolvimento do aluno no interessante, no sentido de contribuir para o sucesso da escola, que o Conselho de Classe, analise de forma global e genrica, por exemplo, as notas ou conceitos gerais dos discentes ao longo do ano letivo.

    Nesse sentido, importante frisar que o principal objetivo do Conselho Escolar , portanto, o de refletir sobre o projeto pedaggico pensado coletivamente

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    com a participao direta de todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. As discusses e a construo de propostas de aes que tenham como parmetro a legislao em vigor, as normas dos Conselhos Federal e Estadual de Educao, alm da nfase na construo da identidade da escola e da srie/turma, levando em conta a realidade vivenciada pelo grupo, para a superao das barreiras e problemas pedaggicos de forma inovadora, responsvel e comprometida com a meta estabelecida para a melhoria do desempenho dos estudantes e, por consequncia da unidade escolar, so considerados, tambm objetivos a serem alcanados pelo Conselho.

    Assim, o Conselho de Classe, ento, torna-se um espao de reflexo pedaggica, servindo para reorientar a ao pedaggica, a partir de fatos apresentados e metas traadas no Projeto Poltico Pedaggico. Dessa forma, o Conselho deve apreciar-se tambm do processo de avaliao, salientando aqui que a palavra processo est sendo utilizada para significar e representar todos os planejamentos, metodologias, aes e atitudes que cada professor, em particular, usa para avaliar o estudante em sua individualidade.

    funo do Conselho de Classe entender o planejamento de cada professor da turma sobre o processo de avaliar. tambm sua funo, tomar as providncias necessrias quando, tal planejamento estiver em desacordo com as resolues dos Conselhos Federal e Estadual de educao, ou seja, conforme a Resoluo CNE n 194/2005,

    ... as decises do Conselho de Classe so soberanas e s podem ser revisadas e ou modificadas por ele mesmo, mediante recurso interposto pelo interessado ou por seu representante legal, no prazo estabelecido pelo Regimento Escolar, que no pode ser inferior a cinco dias, ficando vedada toda e qualquer ingerncia e interferncia em sua autonomia e soberania.

    Portanto, as decises do Conselho de Classe no so engessadas e/ou definitivas, pois, elas podem passar por revises, no momento em que o estudante, ou o seu representante legal propor uma reviso. Se, no momento de discusso do Conselho de Classe, todos os coordenadores pedaggicos, inclusive o coordenador pedaggico geral (vice-diretor) e a direo acompanharem, passo a passo, todo o processo de aprendizagem, no haveria a necessidade de recursos, pois o acompanhamento contnuo implica as intervenes contnuas necessrias para que se superem as barreiras encontradas na construo da aprendizagem do estudante. O conselho no deve mais ser entendido como um momento de fechamento de notas e decises acerca da aprovao ou reprovao de alunos, ao contrrio, deve ser entendido como um espao privilegiado para o resgate da dimenso coletiva do trabalho docente. Alm das reunies bimestrais, previstas no calendrio escolar, o Conselho Escolar possui autonomia para se reunir, extraordinariamente, sempre que houver necessidade, no entanto, para ser convocado pelo diretor, o mesmo deve acatar a uma antecedncia de, no mnimo, vinte e quatro horas e para efeito legal, ter a presena de no mnimo 75% dos membros. Nesse sentido, fundamental que os Gestores Escolares (direo, vice-direo e secretaria geral), valorizem esse momento importante em que todas as

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    reas do conhecimento se renem para avaliar o estudante, nas suas diversas perspectivas de participao, motivao, dedicao, envolvimento e produo; colocando na pauta qual o papel de cada um dos integrantes do Conselho de Classe, na construo do resultado, e principalmente na reflexo de todo o processo ensino-aprendizagem do educando.

    O planejamento educacional significa para o professor a transformao de suas ideias em prtica, um processo de reflexo e tomada de decises sobre a ao. E mais, o ato de planejar segundo Gadotti (1986), um processo que visa uma superao que aponta para o futuro, mas considerando as condies do presente. Para isso, necessrio que o processo de planejamento esteja cada vez mais voltado para o aluno, visando assim uma significativa melhoria no aprendizado, como defende Vianna: [...] o aluno nunca consultado sobre como, quando, o que aprender e por que aprender, com papel claramente definido pelo calar, ouvir, obedecer, ser julgado, devolver mecanicamente o que aprendido, competir individualmente e submeter-se a uma ordem preestabelecida, alheia sua realidade (VIANNA, 1986, p. 02).

    O planejamento, enquanto ferramenta de trabalho deve comtemplar o exerccio dirio de compreenso do prprio trabalho docente, visando um posicionamento critico em relao realidade do espao escolar e o que lhe exigido enquanto prtica. Nesse sentido, o docente deve resgatar, revisar, transformar e inovar seu trabalho de acordo com as demandas de cada contexto ou atuao, mediante a atualizao e a anlise terica. Nessa perspectiva, v-se que planejamento : um processo de previso de necessidades e racionalizao de emprego dos meios materiais e dos recursos humanos disponveis, a fim de alcanar objetivos concretos, em prazos determinados e em etapas definidas, a partir do conhecimento e avaliao cientfica da situao original.4

    Atravs da importncia do planejamento, o alunado, em toda sua diversidade e pluralidade, precisa ser considerado como unidade e consequentemente atendido em suas dificuldades. O professor deve estar atento a esse fato. Como profissional inserido dentro da sala de aula, ou seja, o nico dentro do espao escolar que possui uma relao mais direta com os discentes, o professor, precisa perceber em seu planejamento, seja dirio, seja semanal, quinzenal, etc, os objetivos a serem atingidos e a metodologia usada para envolver os discentes em sua disciplina/contedo. importante que o professor compartilhe suas observaes com os estudantes, com a inteno de sinalizar e diagnosticar avanos e possibilidades de superao de possveis dificuldades. A efetivao da aprendizagem, dessa forma, implica a adoo de estratgias que facilitem o entendimento do aluno, dando-lhes condies para compreender, reconhecer, denominar, generalizar, etc. Um contedo deve ser estudo e planejado pelo professor ao estudante de forma articulada a outros saberes interdisciplinares, por exemplo e ao conhecimento prvio do aluno acerca do assunto, por isso a necessidade e a emergncia da ressignificao do planejamento como uma teorizao que busca uma ao, uma prtica, sobretudo, concisa e coerente:

    Toda tentativa de sistematizar uma prtica certamente frustrante: o ato educativo no sistematizvel. A prtica educativa outra coisa alm da cincia e das metodologias. um complexo de atos e de conhecimentos, de decises e de ateno que ultrapassam as

    4 MARTINEZ, M. J. & LAHORE, C. Oliveira. Planejamento escolar. So Paulo: Saraiva, 1997.

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    possibilidades de uma teorizao global [...] Falar e escrever o que observamos e praticamos e achamos que deve ser dito, isso talvez valha a pena. (GADOTTI, 2001, p. 08)

    GESTO COMPARTILHADA E ADMINISTRAO COLETIVA

    Horizontalizao de saberes e o papel do professor

    Muitas das vezes, a viso do professor como o detentor do conhecimento e por isso a justificativa para o mesmo sustentar e legitimar o poder de dominar deve ser abandonado, para que o aluno compreenda que seu papel essencial na escola, j que o binmio definido por Vianna (1986) professor-aluno so o maior recurso para o trabalho educativo e que a sua posio como incompetente do saber falsa. A reestruturao do ensino emergente, urgente e prioritria, cabendo ao Estado/Municpio prop-la e fornece-lhe condies para sua realizao, atravs do trabalho participativo da escola-famlia-comunidade.

    Assim, a educao entendida como discurso social e, nesta perspectiva, busca-se sensibilizar os estudantes quanto necessidade de reflexo em relao aos dados/contedos com os quais esto trabalhando e em relao ao prprio conhecimento que esto produzindo. Os homens se educam entre si mediados pelo mundo.5 Discusses sobre os processos de construo do conhecimento dentro da escola permite aos professores demonstrar que as inmeras interpretaes so sempre feitas a posteriori e que dependem dos valores, dos problemas, das condies materiais, dos embates polticos, das perspectivas culturais, das representaes construdas sobre as formas de viver e sobre as maneiras de pensar de cada poca. A educao constitui, pois, uma fora homogeneizadora que tem por funo reforar os laos sociais, promover a coeso e garantir a integrao de todos os indivduos no corpo social. (SAVIANI, 2000).

    A finalidade mais geral do ensino e do papel do professor contribuir para a formao de um cidado crtico e reflexivo, que se reconhea como agente de sua histria individual e coletiva e que atue na sociedade de forma transformadora. Objetiva-se ainda fornecer aos alunos um mtodo de anlise da realidade social que lhes permitam refletir sobre as vrias realidades com o objetivo de transform-las.

    O ensino exclusivamente verbalista, a mera transmisso de informaes, a aprendizagem entendida somente como acumulao de conhecimentos, no subsistem mais. Isso no quer dizer abandono dos conhecimentos sistematizados da disciplina nem da exposio de um assunto. O que se afirma que o professor medeia a relao ativa do aluno coma matria, inclusive com os contedos prprios de sua disciplina, mas considerando os conhecimentos, a experincia e os significados que os alunos trazem sala de aula, seu potencial cognitivo, suas capacidades e interesses, seus procedimentos de pensar, seu modo de trabalhar.

    5 Revista Escola. Paulo Freire: o mentor da educao para a conscincia. Coleo grandes pensadores

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    Ao mesmo tempo, o professor ajuda no questionamento dessas experincias e significados, prov condies e meios cognitivos para sua modificao por parte dos alunos e orienta-os, intencionalmente, para objetivos educativos. Est embutida a a ajuda do professor para o desenvolvimento das competncias do pensar, em funo do que coloca problemas, pergunta, dialoga, ouve os alunos, ensina-os a argumentar, abre espao para expressarem seus pensamentos, sentimentos, desejos, de modo que tragam para a aula sua realidade vivida. (LIBNEO, 2003, pg. 13).

    Partindo desse pressuposto, a escola precisa ter como meta um ensino e consequentemente uma aprendizagem que levem o aluno a aprender a aprender, aprender a pensar 6, saber construir a sua prpria linguagem, saber se comunicar, saber usar a informao e o conhecimento para ser capaz de viver num mundo em transformao. Para que isso acontea, necessrio que a formao do educador seja necessariamente direcionada para um novo paradigma de educao. Por esta razo, a LDB dedicou uma ateno especial formao do professor. A profissionalizao um dos principais desafios que a gesto educacional enfrenta no momento, pois exige-se profissionais com um perfil de liderana. Para uma gesto democrtica, necessrio se faz o estabelecimento de critrio de competncia profissional, como capacidade de dilogo para mediar conflitos e facilitar a interao entre os diferentes segmentos da comunidade escolar. Enfim, deve-se efetivar o modelo de gesto participativa que a constituio federal e a LDB consolida.

    A contribuio do professor fundamental em preparar/orientar os alunos. Esse profissional precisa ter uma cultura geral slida, agir com eficincia na sala de aula, conhecer e dominar as novas tecnologias e sua linguagem, se capaz de utiliz-las de forma bem com o contedo e a metodologia de suas aulas. Assim, o professor torna-se um articulador de um processo educativo que responda as exigncias do mundo atual. Diante dessa problemtica, o professor deve estar atento para realizar a construo do conhecimento, procurando utilizar os j dantes adquiridos e somando a estes os que se tornam realidade no dia-a-dia, levando em considerao todas as dimenses humanas do aprendiz, ou seja, o corpo, a mente, o individual, o social e o aspecto afetivo. Como prtica estritamente humana jamais pude entender a educao como uma experincia fria, sem alma, em que os sentimentos e as emoes, os desejos, os sonhos devessem ser reprimidos por uma espcie de ditadura reacionalista. (Freire, 2002, pg 92).

    Tal professor ser um mediador no aprendizado do educando, ajudando-o a interpretar e reinterpretar as ideias e as informaes que este possui transformando-as em real conhecimento. Sendo que este tipo de conhecimento dever ter sempre por princpio, a verdadeira racionalidade, ou seja, a disposio para uma constante crtica e autocrtica, distanciando-se o mximo possvel da racionalizao, pois esta pose nos conduzir a formulao de ideias fechadas sobre si mesmos. Dessa maneira o professor deve priorizar a busca de novos conhecimentos (paradigmas) conduzindo seus alunos a realizarem a construo de seu prprio conhecimento,

    6 A ideia do "ensinar a pensar" ou do "ensinar a aprender a aprender" est associada aos esforos dos educadores em prover os meios da auto-scioconstruo do conhecimento pelos alunos. (LIBNEO, 2003, pg. 15).

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    aprendendo a contextualizar cada informao recebida para que esta se torne elemento til em sua vida prtica.

    Quanto prtica docente e necessariamente ao que compreende avaliao, preciso observar um dos problemas que a antecedem, que o contedo do ensino. A seleo do contedo pela autoridade do mestre, que normalmente transmite qualquer significado de forma fragmentada, sem elos que facilitem o aprendizado do aluno, alm claro de temas em sua maioria distantes da realidade do aprendiz, no facilitam, ou melhor, dificultam consideravelmente o sucesso do discente. Para Vianna (1986) [...] as diferenas individuais e culturais no so respeitadas, mantendo-se o contedo esttico, apesar do progresso, crises e mudanas sociais (p. 05), conceituando-se assim como um bloqueio a uma aprendizagem mais prtica e criativa. Normalmente, o trabalho educacional est impregnado de tcnicas dissociadas de fundamentos, apontando para uma transmisso de conhecimentos verticais, que desvalorizam as contribuies e a prpria figura do aluno, alm da repetio e mtodos decorativos que afastam o aluno do aprendizado mais global e amplo, que leve o aluno a "aprender a aprender", a levantar questes-problemas, discusses essas que so bases no discurso da gesto educacional.

    A grosso modo, alguns membros da instituio escolar parecem estar organizados em dois tipos: os que no tm responsabilidades de acompanhamento de algumas metas de projetos e os que so totalmente alheios ao que acontece em seu ambiente de trabalho. Em suma, ao PPP (Plano Poltico Pedaggico) confere o planejamento, metas comuns gesto educacional como sendo um propsito do ensino dinmico, coletivo, participativo, que devem ocorrer no decorrer do ano letivo. J o PDE (Plano de Desenvolvimento Escolar), tem por finalidade planejar os custos anuais da unidade escolar, apresentando o que se pode chamar vulgarmente por gasto (instrumentos de uso imediato) e investimentos (instrumentos de longa durao). O PDE (Plano de Desenvolvimento Escolar) traz um modelo de gesto da escola, dentro dos moldes da organizao empresarial, e as escolas que fizeram adeso ao plano, planejaram nos moldes determinados, recebem os recursos financeiros para o desenvolvimento das aes preestabelecidas no PPP (Plano Poltico Pedaggico); o uso do PDE (Plano de Desenvolvimento Escolar) interessante justamente por isso, por trazer recursos para as escolas, permitindo que sejam executadas as tarefas presente no PPP (Plano Poltico Pedaggico). Toda organizao social carece de processos administrativos e a administrao em sua forma geral, refere-se utilizao racional dos recursos para a obteno de fins determinados e a definio desses fins o mais fundamental nos projetos. Paro (2002).

    Diante das transformaes ocorridas no mundo do trabalho, as polticas de educao se voltam para uma proposta de formao rpida, mesmo que precria, obedecendo a uma lgica capitalista. justamente neste momento que se percebe um discurso de palavras vazias e formaes deficitrias, no visando gestores capacitados, especialistas, crticos, criativos e bem sucedidos, mas, somente pessoas condicionadas a um desejo ingnuo de construo de uma sociedade comprometida com os excludos, ou com as classes trabalhadoras. Na prtica, necessrio entender uma nova viso de educao onde haja participao dos envolvidos da comunidade nos processos e tomadas de decises e produo do conhecimento; via uma implementao da cidadania onde todos tendem a perceber e conhecer o outro, a partir de cada especificidade. FREITAS (2004) afirma que "A

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    pea chave na questo da avaliao institucional o Projeto Poltico- Pedaggico da escola e suas relaes com a gesto escolar." Espera-se que nos cursos de formadores tenham-se professores com qualificao e perspectiva de anlise para ajudar os educandos a compreenderem o contexto no qual se daro as gestes. importante exercer liderana pedaggica e intelectual, tendo desta forma, capacidade de trabalho em equipe e de fato acontea a interdisciplinaridade, desenvolvendo ento, princpios de construo do conhecimento no processo formativo. CARAPETO (2000, p.186), afirma que: preciso superar essa ideia reducionista de que a funo educativa da universidade se exaure na formao de mo-de-obra, como mera preparao para o mercado de trabalho, por mais qualificada que fosse essa preparao. Espera-se que os cursos formadores percebam que as transformaes que operam mudanas constituem competncias, habilidades, participao formal ou informal no desenvolvimento da sociedade, partindo do ponto em que a sociedade a maior forma de transformar. Este saber vasto e variado importante para que se busque qualidade na escola e transformaes na educao. O compromisso com a totalidade do processo escolar no deve se restringir somente sala de aula, mas, sobretudo a dimenso poltica pedaggica do trabalho docente e da sua responsabilidade diante do projeto pedaggico assumido pela instituio escolar. Nesse sentido, se reafirma a importncia da construo compartilhada do projeto pedaggico, envolvendo os colaboradores internos e externos compromissados com uma educao de qualidade, menos individualista, capaz de garantir a permanncia do aluno na instituio escolar.

    Chamamos de poltico porque reflete as opes e escolhas de caminhos e prioridades na formao do cidado, como membro transformador da sociedade em que vive. Chamamos de pedaggico porque expressa as atividades pedaggicas e didticas que levam a escola a alcanar os seus objetivos educacionais. (VEIGA, 2002,p.13-14)

    Compartilhar as aes importante para garantir o envolvimento de todos os

    agentes no cotidiano escolar. Desse modo, o gestor indica uma concepo ampla de gesto e participao na medida em que se entende que as questes pedaggicas, administrativas, financeiras e de organizao e conservao da unidade escolar devem envolver o maior nmero possvel de agentes. Muitas aes so compartilhadas por pessoas que atuam em cargos e funes diferentes. Criar condies para a discusso mtua dessas pessoas fortalece o sentimento de grupo de interao e vivncia democrtica. A organizao da gesto de uma escola melhor quando o trabalho acontece em equipe.

    Perspectivas da Melhoria da Qualidade de Ensino

    Vivem-se momentos de grandes transformaes e estas sem dvida, tm atingido diretamente a educao. A economia, o avano tecnolgico, a participao dos diversos segmentos da sociedade, interferem no processo educativo e fazem novas exigncias quanto forma de administrar e gerir uma instituio escolar. As empresas se modernizam buscando novas estratgias para se adequarem s novas

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    propostas neoliberais. Estas faro exigncias quanto constatao de seus gerenciadores e quanto qualidade de seu produto. No discurso neoliberal a educao deixa de ser parte do campo social e poltico para ingressar no mercado e funcionar a sua semelhana. (MARRACH, 1996). No mundo acadmico contemporneo perceptvel uma abissal indiferena no que tange a anlise de pressupostos como a reflexo e discusso do real papel da educao, abordando suas deficincias e mazelas, voltadas para a efetivao de uma mudana de fato. V-se muita teoria e pouca prtica.

    talvez ingnuo salientar que a educao atravessa todas as esferas da nossa vida, e, no entanto, o que temos assistido uma indiferena explcita do poder pblico e da sociedade enquanto conjunto trabalhando com o objetivo de estancar as dificuldades. A escola enquanto instituio, na maioria das vezes reflete os anseios da classe dominante, tornando sua dimenso retalhada, diminuda, quando na verdade sua verdadeira essncia mltipla, plural e no homognea, pois por se tratar de um mecanismo intrnseco ao indivduo capacidade de aprender algo e ensinar o papel da escola sofre vrias interpretaes e nomeaes simplistas que no comtemplam sua totalidade. Marx (1978) trata acerca dessa heterogeneidade abordando que os conflitos e as lutas entre as camadas sociais so condicionados pelo grau de desenvolvimento de sua situao econmica, pelo seu modo de produo e pelo seu modo de troca, assim como sua realidade social e contextual.

    No obstante, o mesmo fenmeno est acontecendo com as escolas, exige-se eficincia, qualidade, maior participao dos seus envolvidos na organizao e gesto das instituies de ensino. Ortiz enumera que:

    Para a rea educativa a cobrana cada vez maior para que a escola e a universidade formem um profissional generalista, capaz de localizar, acessar, analisar criticamente e usar a informao, assim como de adaptar-se s mudanas rapidamente e tambm gerar, sozinho ou em grupo, essas mudanas positivas ou as inovaes que se fizerem necessrias. (ORTIZ 1999, p.30)

    Nesse sentido, necessrio que as escolas tenham uma viso mais aberta, global e multifacetada para atender s necessidades dos alunos e as exigncias do mercado. A prpria Lei de Diretrizes e Bases da Educao (LDB) sob o n 9394/96, prope que estas mudanas e estratgias sejam feitas no interior das escolas.

    A administrao escolar tem como objetivos essenciais planejar, organizar e administrar o desenvolvimento necessrio educao. Ela inclui, portanto, no seu mbito de ao, a organizao escolar (LIBNEO, 2004, p.76). Observa-se, portanto, que os termos organizao e administrao no so novos e sim, largamente utilizados desde 1930, porm, aps os anos de 1980, ambos passaram a ser conhecidos com uma nova nomenclatura: Organizao do Trabalho Pedaggico ou Organizao do Trabalho Escolar.

    H uma distino entre organizao e gesto da escola: a primeira executa um trabalho mais racional e verticalizado, valorizando a hierarquia das funes, onde as decises so centralizadas e os envolvidos pouco participam; a segunda, valoriza a relao entre as pessoas, e a organizao escolar vista como construo realizada por todos os envolvidos no contexto, permitindo que o processo democrtico realmente acontea. A administrao como entendida e

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    realizada hoje produto de longa evoluo histrica e traz as marcas das contradies sociais e dos interesses polticos em jogo na sociedade (PARO, 2003, p.28).

    Segundo LUCK (2000), a expresso gesto escolar, em substituio administrao, no apenas uma questo semntica. Ela representa uma mudana radical de postura, um novo enfoque de organizao, um novo paradigma de encaminhamento das questes escolares, ancorado nos princpios de participao, de autonomia, de autocontrole e de responsabilidade. Ainda segundo a autora, (idem, p.06) "a gesto no deprecia a administrao, mas supera as suas limitaes de enfoque simplificado e reduzido, para atender s exigncias de uma realidade cada vez mais complexa e dinmica". Esse novo enfoque traz tona o conceito de liderana educacional, indispensvel a um bom diretor escolar. O diretor lder desperta o potencial de cada pessoa da instituio, transformando a escola em oficina de trabalho, onde todos cooperam, aprendem e ensinam o tempo todo. Assim como a essncia da gesto fazer a instituio operar com eficincia, a eficcia da gesto depende, em grande parte, do exerccio efetivo da liderana.

    A noo de qualidade de ensino tem se difundido bastante, e retirada da concepo neoliberal da economia e aplicada ao sistema escolar e s escolas. Essa qualidade tem como objetivo o treinamento de pessoas competentes no que fazem, dentro da gesto. Tais Tavares, professora do Ncleo de Polticas Educacionais da Universidade Federal do Paran (UFPR) ressalta que, se compararmos os ndices da dcada de 1980 aos atuais, os anteriores so bem menores, mas isso no reflete uma melhor qualidade de ensino: a evaso era bem maior do que a repetncia, relao que se inverteu hoje. "A evaso vai caindo, mas a reprovao est aumentando, o que significa que o sistema est retendo as pessoas por mais tempo", afirma. (GUERREIRO, 2012).

    Os esforos da rea de educao concentraram em aes de natureza estrutural e institucional com a finalidade de propiciar a elevao global do nvel de escolaridade da populao, a melhoria geral da qualidade do ensino e a reduo das desigualdades sociais e regionais. dever da escola desenvolver o sentido da cidadania e da identidade individual, que se faz por meio da participao social, na assimilao cultural e no desenvolvimento de valores e atitudes.

    A escola deve promover uma educao universal que provoque nos estudantes de todos os nveis e de todas as idades, a motivao para um aprendizado permanente. Isso requer convvio democrtico, para que haja troca incessante de experincias entre todos os envolvidos nesse processo, dentro e fora da escola. A questo que est intimamente ligada qualidade do ensino que a escola deve oferecer comunidade a qualificao de professores e demais servidores, tanto do magistrio quanto do pessoal tcnico-administrativo. Sabe-se que vrios fatores contribuem para a qualidade de ensino: um bom projeto pedaggico, valorizao do profissional por meio do seu plano de carreira e remunerao. Porm um dos mais importantes entre esses fatores a qualificao dos profissionais que compem a escola, profissionais competentes, cuja formao os torne capazes de criar novos ambientes de aprendizagem, que colaborem para o desenvolvimento de cidados autnomos, de indivduos que pensam por si mesmos e que estabelecem relaes de reciprocidade e interao.

    Nesse ponto, fundamental ressaltar tambm a importncia da articulao da poltica educacional com outras polticas

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    sociais (como sade, assistncia social, desenvolvimento agrrio, entre outras), visando criao e manuteno de condies para que crianas, jovens e adultos no s entrem na escola, mas consigam permanecer nela at a concluso de seus estudos. (CARREIRA, 2007).

    Pensando no perfil que se deseja de um gestor da educao, o governo de

    Gois lanou em 1999, o primeiro curso de capacitao para candidatos a gestores educacionais, com o intuito de capacitar o diretor em exerccio e aqueles que aspiram a essa funo, que estejam comprometidos com a tica da responsabilidade, da cidadania, da participao democrtica e para que sejam capazes de administrar o processo de modernizao do ensino pblico.

    Essa conscincia sobre gesto, superando de administrao - resultado de movimento social, associado democratizao das organizaes - demanda a participao ativa de todos que atuam na sociedade para a tomada de deciso, pelo planejamento participativo, e a capacidade de resposta urgente aos problemas da existncia e da funcionalidade das organizaes. Quanto qualidade da educao oferecida, Paro afirma:

    [...] se parte de uma compreenso da educao escolar como um processo que no se desenvolve apenas nas salas de aula, nem se reduz a aquisio de contedos, mas que, mais do que isso, perpassa todas as relaes sociais que se do na escola e inclui a apropriao de valores de cidadania e o desenvolvimento de comportamentos compatveis com a colaborao recproca dos homens, ento parece inquestionvel que a adoo das eleies de diretores, contribui para a melhoria da qualidade do ensino na escola pblica. (PARO, 2002, p. 125).

    A melhoria da qualidade da educao proporcionada por uma gesto democrtica com autonomia, onde se considera como inseparveis mtodo e contedo e a convivncia humana fazendo parte do contedo educacional, chega-se a melhor forma para a concretizao de uma escola pblica de qualidade. A escola no comporta mais a rigidez imposta na diviso das cincias, a inflexibilidade adotada nas aulas e a severidade nas concepes j formuladas, pois essas atitudes, ao longo do tempo conduziram a um empobrecimento de ideias que contriburam para fomentar a excluso social. Morim (2000):

    [...] para a educao do futuro, necessrio promover grande desmembramento dos conhecimentos reunidos das cincias naturais, a fim de situar a condio humana para colocar em evidncia a multidimensionalidade e a complexidade humana, bem integrar (na educao do futuro) a contribuio inestimvel das humanidades, no somente a filosofia e a histria, mas tambm a literatura, a poesia, as artes. (MORIN, 2000, p. 48).

    Os resultados de uma organizao so obtidos por meio de processos por pessoas, sendo que qualquer mudana trata de colocar em prtica uma teoria de mudar vises e modificar velhos padres, e, sobretudo, obter conhecimentos para

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    tanto. O conhecimento, apesar de necessrio, no suficiente para mudar as mazelas sociais. Mudanas de comportamento exigem tempo e as dificuldades para tais mudanas crescem medida da profundidade em que deve ocorrer.

    CONSIDERAES FINAIS

    Nos ltimos anos, a Gesto Educacional e o conceito de Administrao participativa, sobretudo a sua aplicabilidade nas escolas, comporta-se como um paradigma de ampla discusso, visto que essa nova prtica de compreenso do espao escolar como um ambiente transformador e direcionado a formao de um cidado capacitado, chega escola como uma soluo para a sua problemtica e no consegue ser realizada de fato. O envolvimento da administrao em termos como a participao, democracia, autocontrole e autonomia, ou seja, Gesto Educacional, ainda est mais presente no papel como no caso do Projeto Poltico Pedaggico, visto que Gesto Educacional visionada como objetivo e prtica do que na realidade das instituies escolares.

    lamentvel que ainda hoje haja uma inverso de valores nas unidades escolares, no tocante que a mesma no consegue conectar teoria e prtica e que a pergunta qual o papel da escola hoje? difcil de ser respondida, porque nem mesmo ela (a escola) consegue se posicionar com preciso; e se consegue, costuma falhar na execuo de suas propostas.

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