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Intercom Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicao XXXV Congresso Brasileiro de Cincias da Comunicao Fortaleza, CE 3 a 7/9/2012

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Fundamentos peirceanos: a dimenso diagramtica do faneron1

Cndida ALMEIDA2 Anhnanguera, So Paulo, SP3 SENAC-SP, So Paulo, SP

RESUMO O presente artigo tem por objetivo apresentar e defender uma representao visual

diagramtica das trs categorias fenomenolgicas peirceanas, conceitos partcipes da principal teoria que fundamenta o pensamento da obra do semioticista norte-americano, Charles Sanders Peirce: a fenomenologia. Nesse sentido, buscamos atravs do design - mais precisamente da ilustrao - desenvolver um diagrama que revele as peculiaridades de cada categoria e denote o modo como as trs categorias se engendram nos processos fenomnicos. Objetiva-se, assim, auxiliar a comunidade acadmica no entendimento e aplicao da complexa teoria Semitica, buscando para isso suporte da linguagem visual.

PALAVRAS-CHAVE: Semitica Peirceana; fenomenologia; diagrama; categorias

fenomenolgicas.

Introduo

Cada vez mais, a teoria Semitica vem sedimentando seu terreno na rea das

Cincias da Comunicao como ferramenta conceitual para anlise de objetos e processos

de comunicao independentemente das mdias e meios em que ocorrem. Mais do que

ferramenta analtica, esse terreno frtil do pensamento vem se tornando fundamental no

desenvolvimento seguro de mensagens, peas e toda a sorte de informaes que estejam

sendo criadas com o intuito de estabelecer processos comunicacionais mediados.

Essa fora da Semitica reside no fato de ela ser uma teoria que d conta de elucidar

o papel de cada signo (informao, atores, meios, mdias, interfaces, suportes, rudos...) 1 a) Trabalho apresentado no GP Semitica da Comunicao do XII Encontro dos Grupos de Pesquisa em Comunicao, b) Artigo fruto dos estudos de doutoramento da autora (2005-2009) no programa de Comunicao e Semitica da PUC-SP e do trabalho de pesquisa no projeto Mdias sociais: tendncias e desafios da comunicao em rede. 2 Maria Cndida de Almeida Castro. Doutora em Comunicao e Semitica, site: www.candidaalmeida.com.br , email: candidaalmeida@yahoo.com.br; prof@candidaalmeida.com.br. 3 Professora universitria, pesquisadora doutora e coordenadora do projeto de pesquisa Mdias sociais: tendncias e desafios da comunicao em rede do qual participam os pesquisadores Prof. Dr. Adolpho Queiroz; Prof Dr Adriana Azzolino; Prof Dr MonicaCarniello e Prof. Dr. Trcio Paparoto. Pesquisa financiada pela FUNADESP (Fundao Nacional de Desenvolvimento do Ensino SuperiorParticular). http://midiassociais.pesquisa.blog.br

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nesse processo, bem como tornar claros os modos de apreenso e efeitos contguos que se

arrolam nos interpretadores das informaes, outrora, receptores das mensagens. Enfim, a

Semitica vem se consolidando (principalmente no campo da Comunicao Social) como

uma ferramenta metodolgica para os estudos e processos criativos, de modo que cada vez

mais cresce a demanda pelo seu claro entendimento e suas formas de aplicao.

Por se tratar de uma cincia que habita em muitos momentos o campo da

subjetividade e por seu entendimento exigir uma postura crtica e um modo de raciocnio

metodolgico especfico, muitos estudiosos, alunos e professores, acabam encontrando

dificuldade em entender os meandros dessa cincia. Tendo em vista a demanda sobre o uso

da Semitica como ferramenta metodolgica e a importncia de deixarmos cada vez mais

claros os fundamentos dessa teoria que entendemos a necessidade de apontar caminhos

alternativos para apreenso de seus fundamentos conceituais. Nesse sentido, encontramos

na linguagem visual grfica uma extenso saudvel para esse processo de compreenso.

Antes de seguir, de suma importncia deixar claro que faz-se, aqui, referncia

especfica ao estudo da Semitica Peirceana e, mais especificamente, da Fenomenologia

Peirceana. Teoria desenvolvida e defendida pelo filsofo e cientista norte-americano,

Charles Sanders Peirce (*1839 - 1914) no final do sculo XIX e incio do sculo XX.

Munidos de experincia no campo do design4 e criao grfica, apresentamos

comunidade, um diagrama visual que representa as trs categorias fenomenolgicas e seus

modos de relao/inter-relao da essncia de todo e qualquer fenmeno. Categorias estas,

que do todo fundamento conceitual para a Semitica de Peirce.

A Semitica e a classificao das cincias em Peirce

Cincia dos signos: essa a definio mais geral para o termo Semitica. Cabe

Semitica o estudo do que o signo, o que o compe, o que representa e como se

relacionam. atravs dos signos (estudo de suas partes e dos tipos e classes existentes) que

podemos analisar o modo de ocorrncia de todos e quaisquer fenmenos, sejam eles,

objetos, organismos, espaos, pensamentos, qualidades, atitudes, sentimentos, etc., tornando

claro seu processo de representao e produo de sentido. A Semitica uma disciplina de

4 Como designer, Cndida Almeida desenvolveu (e desenvolve) diversos projetos criativos, incluindo diagramas cientficos complexos para os projetos Cognitus e Labcog (PETROBRAS) e outras representaes diagramticas de estudos diversos j publicados. Alm do caso especfico dos diagramas, como designer desenvolve projetos em design grfico, web design e vdeo em carter autoral e atravs do estdio de criao REMA de-sign, da qual foi social-fundadora. Parte desse projetos podem ser conferidos em http://www.remadesign.com.br

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importante destaque na filosofia peirceana, tendo o autor desenvolvido, ainda, profundos

estudos nas reas de qumica, fsica, matemtica, astronomia, entre outras reas no campo

das cincias exatas, naturais e culturais.

Foi suportado por tamanho conhecimento cientfico que Peirce organizou as cincias

e suas disciplinas dentro de uma arquitetura diagramtica, classificando-as e posicionando-

as conforme nveis de generalidade e abstrao. Isso significa dizer que na classificao

peirceana das cincias, Quanto mais abstrata a cincia, mais ela capaz de fornecer

princpios para as menos abstratas. Do mesmo modo que a filosofia extrai da matemtica

muitos dos seus princpios, da filosofia que as cincias especiais recebem seus

princpios. (Santaella, 2001, p.34)

Entender a classificao das cincias fundamental para que possamos reconhecer o

papel que a Semitica ocupa no pensamento de Peirce. Entendida por ele como sinnimo de

Lgica, a Semitica um tipo de Cincia Normativa (segunda ramificao da Filosofia) que

tem toda sua base fundamentada pela Fenomenologia (primeira ramificao da Filosofia). A

organizao esquemtica proposta pelo autor pressupe um raciocnio diagramtico que

recorrentemente apresentado conforme o quadro abaixo.

Reproduo do diagram

a de classificao das cincias de Peirce. 1

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A classificao das cincias, bem como o prprio pensamento cientfico de Peirce,

tem suas bases na Fenomenologia, cincia responsvel pela apresentao das trs categorias

universais que guiam a ocorrncia dos fenmenos. As cincias desenvolvem suas hipteses

atravs da observao fenomenolgica em seus sistemas especficos (natureza, sociedade,

organismos, energia, entre outros tantos ambientes), ou seja, a Fenomenologia base para a

descoberta cientfica.

A Semitica, como possvel notar no diagrama acima, uma derivao da

Fenomenologia. Para Peirce, Semitica sinnimo de Lgica e desdobra-se em trs ramos

de estudo, como fica claro na passagem a seguir: A Lgica a cincia das leis necessrias dos Signos e, especialmente, dos Smbolos. Como tal, tem trs departamentos. Lgica obsistente, lgica em sentido estrito, ou Lgica Crtica, a teoria das condies gerais da referncia dos Smbolos e outros Signos aos seus Objetos manifestos, ou seja, a teoria das condies da verdade. Lgica Originaliana, ou Gramtica Especulativa, a doutrina das condies gerais dos smbolos e outros signos que tm o carter significante. deste departamento da lgica geral que nos estamos agora ocupando. Lgica Transuacional, que denomino Retrica Especulativa , substancialmente, aquilo que conhecido pelo nome de metodologia ou, melhor, metodutica. a doutrina das condies gerais das referncias dos Smbolos e outros Signos aos Interpretantes que pretendem determinar. (Peirce, 1999, p. 29)

Resumidamente esses ramos tm as seguintes atribuies cientficas:

Gramtica Especulativa (Lgica Originaliana) = trata-se da base dos estudos da

Lgica. Lgica Originaliana, justamente, por estar na origem do que se entende amplamente

como Lgica ou Semitica. A Gramtica Especulativa oferece-nos um estudo do que

compe o signo, como suas partes se interconectam, quais os tipos sgnicos e classes

existentes. Ela funciona como uma gramtica para o raciocnio lgico, fornecendo a

identidade e o modo de arranjo dos elementos de um dado pensame