Fórum Caririense de Economia Solidária - Relato de Prática

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Os Fruns de Economia Solidria se caracterizam como um dos modos de autoorganizaopoltica do movimento de economia solidria, que geralmente funcionamcomo um espao para o debate poltico sobre o lugar de cada modo de autoorganizao,sobre as relaes que mantm entre si e com os poderes pblicos, umespao para a reivindicao de direitos, de discusso de polticas pblicas existentes ede ideias/elaborao de outras. (FRANA FILHO, 2007). O Frum Caririense deEconomia Solidria vem, ento, com a proposta de integrao e dilogo entre umavariedade de atores sociais, buscando congregar os empreendimentos que trabalhamcom economia solidria (atividades de artesanato, produo de agricultura familiar,costura, eventos culturais, cooperativas e outros) na regio e que esto comprometidosem participar ativamente das reunies e decises do mesmo, as entidades de apoio efomento tais como universidade, faculdades, empresas privadas e estatais e outros e opoder pblico local.

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<ul><li><p>________________________________________________________________________________________ </p><p>Revista NAU Social - v.3, n.5, p. 33-39 Nov 2012/Abr 2013 </p><p>O Frum Caririense de Economia </p><p>Solidria como Possibilidade de </p><p>Integrao Entre Empreendimentos </p><p>de Economia Solidria, Entidades </p><p>de Apoio e Fomento e Poder </p><p>Pblico Local no Cariri Cearense </p><p>THE FORUM OF SOLIDARITY ECONOMY AS CARIRIENSE INTEGRATION BETWEEN THE POSSIBILITY OF SOLIDARITY ECONOMY ENTERPRISES, ITS SUPPORT AND DEVELOPMENT AND LOCAL PUBLIC POWER IN CARIRI CEARENSE </p><p>Maria Las dos Santos Leite 1 </p><p>Danilo Ivo Feitosa 2 </p><p>Kecya Nayane Lucena Brasil 3 </p><p>Eduardo Vivian da Cunha 4 </p><p>RESUMO </p><p>Os Fruns de Economia Solidria se caracterizam como um dos modos de auto-organizao poltica do movimento de economia solidria, que geralmente funcionam como um espao para o debate poltico sobre o lugar de cada modo de auto-organizao, sobre as relaes que mantm entre si e com os poderes pblicos, um espao para a reivindicao de direitos, de discusso de polticas pblicas existentes e de ideias/elaborao de outras. (FRANA FILHO, 2007). O Frum Caririense de Economia Solidria vem, ento, com a proposta de integrao e dilogo entre uma variedade de atores sociais, buscando congregar os empreendimentos que trabalham com economia solidria (atividades de artesanato, produo de agricultura familiar, costura, eventos culturais, cooperativas e outros) na regio e que esto comprometidos em participar ativamente das reunies e decises do mesmo, as entidades de apoio e fomento tais como universidade, faculdades, empresas privadas e estatais e outros e o poder pblico local. </p><p>Palavras-chave: Frum Caririense de Economia Solidria, auto-organizao poltica do movimento de economia solidria, diversidade de atores. </p><p>ABSTRACT </p><p>The Forum for Solidarity Economy is characterized as one of the modes of self-organization of political solidarity economy movement, which often function as a space for political debate on the place of each mode of self-organization on the relationships between them and public authorities, a space for the assertion of rights of existing public policy discussion and ideas / development of others. (FRANA FILHO, 2007). The Forum for Solidarity Economy Caririense, then comes to the proposed integration and </p><p> 1 Graduanda em Psicologia pela Faculdade Leo Sampaio/Juazeiro do Norte-CE. Colaboradora do Laboratrio Interdisciplinar de Estudos em Gesto Social - LIEGS/UFC-Cariri e da Incubadora Tecnolgica de Empreendimentos Populares e Solidrios do Cariri- ITEPS/UFC-Cariri. E-mail: maria.lais@yahoo.com.br. 2 Graduando em Administrao pela Universidade Federal do Cear - Campus Cariri. Bolsista da </p><p>Incubadora Tecnolgica de Empreendimentos Populares e Solidrios do Cariri- ITEPS/UFC-Cariri. E-mail: danilo_ivo@hotmail.com. 3 Graduanda em Psicologia pela Faculdade Leo Sampaio/Juazeiro do Norte-CE. Bolsista da </p><p>Incubadora Tecnolgica de Empreendimentos Populares e Solidrios do Cariri- ITEPS/UFC-Cariri. E-mail: kecyannyejesus@hotmail.com. 4 Doutor em Administrao pela Universidade Federal da Bahia-UFBA. Professor da Universidade </p><p>Federal do Cear - Campus Cariri. Coordenador da Incubadora Tecnolgica de Empreendimentos Populares e Solidrios do Cariri- ITEPS/UFC-Cariri. E-mail: eduardo@cariri.ufc.br. </p><p>Di</p><p>rio</p><p>s d</p><p>e B</p><p>ord</p><p>o </p><p>N A U U U </p></li><li><p>Maria Las dos Santos Leite, Danilo Ivo Feitosa, Kecya Nayane Lucena Brasil, </p><p>Eduardo Vivian da Cunha | 34 </p><p>________________________________________________________________________________________ </p><p>Revista NAU Social - v.3, n.5, p. 33-39 Nov 2012/Abr 2013 </p><p>dialogue between a variety of social actors, seeking to bring together the businesses that work with social economy (crafts activities, production of family farming, sewing, cultural events, cooperatives and other ) in the region and are committed to actively participate in meetings and decisions of the same, the support and promotion entities such as universities, colleges, businesses and other private and state and local government. </p><p>Key Words: Caririense Forum for Solidarity Economy, self-organization of the movement of political solidarity economy, diversity of actors. </p><p>A Experincia do Frum Caririense de Economia Solidria </p><p>Caracterizados como um dos modos de auto-organizao poltica do </p><p>movimento de economia solidria, os fruns, surgem a partir da necessidade </p><p>de superar o desafio da sustentabilidade, que necessita no s de incentivos </p><p>nas iniciativas econmicas, mas da atuao em outras frentes, como a unio </p><p>de atores em busca de reconhecimento institucional. (FRANA FILHO, 2007). </p><p>Os fruns, geralmente funcionam como um espao para o debate poltico sobre </p><p>o lugar de cada modo de auto-organizao, sobre as relaes que mantm </p><p>entre si e com os poderes pblicos, um espao para a reivindicao de direitos, </p><p>de discusso de polticas pblicas existentes e de ideias/elaborao de outras. </p><p>(FRANA FILHO, 2007). </p><p>Conforme nos esclarece Frana Filho (2007), os fruns so espaos de </p><p>reunio de atores, numa dimenso ampla, pois alm dos participantes de </p><p>empreendimentos, supe a participao de representantes de instituies </p><p>pblicas e entidades de apoio e fomento, se impondo, como interlocutores </p><p>privilegiados do movimento de economia solidria junto ao Estado, </p><p>especialmente junto Secretaria Nacional para Economia Solidria (SENAES). </p><p>Sobre as funes de um Frum de Economia Solidria, tem-se que, alm de </p><p>aes pontuais, relativas organizao do movimento de atores com origens </p><p>bastante diversificadas, a tarefa principal dos fruns parece ser a de intervir na </p><p>definio de polticas pblicas, atravs do encaminhamento de proposies. </p><p>Sendo assim, os fruns desempenham um papel decisivo na mudana </p><p>institucional necessria para a consolidao deste campo: a instituio de um </p><p>quadro de regulao jurdico-poltico, de um marco legal que permita legitimar </p><p>e fortalecer a especificidade das prticas de economia solidria. As tentativas </p><p>de fortalecer o seu desenvolvimento tm como objetivo tornar mais legtimo o </p><p>campo da economia solidria. Por isto a relao com os poderes pblicos </p><p>torna-se importante. Ao mesmo tempo em que reivindicam sua autonomia </p><p>enquanto espao de atores da sociedade civil, os fruns se abrem para uma </p><p>relao de interdependncia em relao aos poderes pblicos. (FRANA </p><p>FILHO, 2007). </p><p>Pela possibilidade de promover um processo de interlocuo poltica, os fruns </p><p>apresentam maior grau de institucionalizao no campo da economia solidria. </p><p>Porm, destaca-se a difcil pretenso dos fruns, reunindo e tentando unificar </p><p>atores com caractersticas e origens distintas e prticas tambm diferentes. </p><p>Trata-se de um processo muito difcil, doloroso s vezes. A histria ainda muito </p><p>recente dos fruns estaduais revela nveis de conflito e de desgastes </p><p>importantes, porm tal dinmica parte constitutiva do processo de </p><p>organizao social e poltica do movimento, acabando por funcionar como um </p><p>processo de aprendizado da democracia para os diversos atores. (FRANA </p><p>FILHO, 2007). </p><p>E podemos ver que a histria do Frum Caririense de Economia Solidria, </p><p>tambm traz dificuldades de comunicao, agregao e apoio, porm marcada </p><p>pela fora dos participantes na busca de integrar em um espao de discusso </p></li><li><p>Maria Las dos Santos Leite, Danilo Ivo Feitosa, Kecya Nayane Lucena Brasil, </p><p>Eduardo Vivian da Cunha | 35 </p><p>________________________________________________________________________________________ </p><p>Revista NAU Social - v.3, n.5, p. 33-39 Nov 2012/Abr 2013 </p><p>atores interessados(as) e engajados(as) no movimento de Economia Solidria </p><p>na Regio do Cariri, pertencentes aos empreendimentos econmicos </p><p>solidrios, as entidades de apoio e fomento e o poder pblico local, fortalecer </p><p>os empreendimentos solidrios, difundir o conceito e a prtica da Economia </p><p>Solidria na Regio do Cariri e representar o movimento frente sociedade e </p><p>aos Poderes Pblicos. </p><p>O Frum Caririense de Economia Solidria, surge como um dos </p><p>encaminhamentos do Seminrio de Integrao Teoria e Prtica em </p><p>Desenvolvimento Local/Territorial e Economia Solidria, realizado no dia </p><p>13/03/2010 no SESC de Juazeiro do Norte-CE, promovido pela Universidade </p><p>Federal do Cear com apoio do Banco do Nordeste. </p><p>Buscando contato com aqueles que se disponibilizaram num primeiro momento </p><p>a integrar o Frum, realizou-se dia 26 de junho de 2010, na Universidade </p><p>Federal do Cear- Campus Cariri, o primeiro encontro do Comit Pr-frum </p><p>Caririense de Economia Solidria, chegando a um total de 13 encontros </p><p>realizados at Fevereiro/2011, contando com a participao de mais 138 </p><p>pessoas, residentes de onze municpios cearenses: Altaneira, Araripe, </p><p>Barbalha, Caririau, Crato, Fortaleza, Ic, Juazeiro do Norte, Milagres, Misso </p><p>Velha e Tarrafas, representando mais de 60 entidades entre associaes, </p><p>cooperativas, instituies do poder pblico, ONGs, sindicatos e instituies de </p><p>ensino superior, que validam o trip: empreendimentos de economia solidria, </p><p>entidades de apoio e fomento e poder pblico local, estrutura sugerida para a </p><p>composio de Fruns de Economia Solidria, tal qual o Frum Brasileiro e os </p><p>Estaduais. </p><p>Contexto Social, Cultural, Ambiental e Econmico </p><p>A Regio Metropolitana do Cariri (RMC) criada pela Lei Complementar </p><p>Estadual n 78 sancionada em 29 de Junho de 2009 composta por nove </p><p>municpios (Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Misso Velha, Caririau, Farias </p><p>Brito, Nova Olinda, Santana do Cariri e Jardim), tem como cidades-sede </p><p>Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha que possuem localizao geogrfica </p><p>privilegiada e fcil acessibilidade em relao aos principais centros </p><p>consumidores do estado do Cear e regio Nordeste, tendo seu eixo </p><p>econmico central localizado a uma distncia mdia de 700 km das principais </p><p>capitais do nordeste, esta posio estratgica da regio contribuiu para que o </p><p>Cariri se tomasse um polo comercial do Nordeste, com fcil acesso a um </p><p>mercado consumidor estimado em 40 milhes. </p><p>A RMC constitui um grande conjunto urbano encravado numa ilha </p><p>demograficamente perceptvel no vazio sertanejo do Nordeste. Insere-se nas </p><p>terras frteis do Cariri, que caracterizam o osis do serto, e est cercada pela </p><p>Chapada do Araripe, constituindo um ponto de convergncia de correntes </p><p>migratrias. Possui um comrcio bastante diversificado, tanto atacadista como </p><p>varejista, principalmente na comercializao de automveis e autopeas, </p><p>produtos para agropecuria, ourivesaria, txteis e confeces, materiais de </p><p>construo, mveis e eletrodomsticos, bem como centro de abastecimento </p><p>alimentar e de convergncia da produo agrcola da regio, principalmente de </p><p>produtos como mandioca, cana-de-acar, arroz, milho e feijo. </p><p>Nesse contexto, as cidades-sede do tringulo urbano Crato, Juazeiro do Norte </p><p>e Barbalha (Crajubar) assumem certa especializao, exercendo funes </p><p>complementares. A interao entre os trs nem sempre equilibrada, pois a </p><p>maior fora econmica de Juazeiro do Norte, a tradio cultural do Crato e a </p><p>agroindstria e cultura canavieira de Barbalha ainda caminham isoladas rumo </p><p>ao desenvolvimento. </p></li><li><p>Maria Las dos Santos Leite, Danilo Ivo Feitosa, Kecya Nayane Lucena Brasil, </p><p>Eduardo Vivian da Cunha | 36 </p><p>________________________________________________________________________________________ </p><p>Revista NAU Social - v.3, n.5, p. 33-39 Nov 2012/Abr 2013 </p><p>O que tambm se reflete em participao no Frum, onde grande parte dos </p><p>participantes, 119 dos 138 participantes, ou seja, mais de 85% dos atores, so </p><p>das cidades de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha. </p><p>O setor turstico polarizado basicamente pelo Crajubar, principalmente </p><p>ecoturismo, pois a regio possui recursos naturais de grande potencial, alm </p><p>do clima ameno e da presena da rea de Preservao Ambiental (APA) e da </p><p>Floresta Nacional do Araripe. Barbalha e Crato oferecem prestao de servios </p><p>mais especializada na rea de sade e lazer, e de apoio agricultura e </p><p>agroindstria, possuem o peso de uma tradio e arquitetura histrica e </p><p>identidade cultural, o que aumenta as potencialidades tursticas da regio como </p><p>um todo. No conjunto das trs cidades, Barbalha tambm tem presena </p><p>marcante no setor de agroindstria e agricultura, com destaque para o setor </p><p>canavieiro. </p><p>A presena imponente da Chapada do Araripe, emoldurando o aglomerado </p><p>urbano dos demais municpios, reflete um grande potencial de explorao e </p><p>crescimento econmico, com vistas ao turismo ecolgico e equipamentos de </p><p>lazer. A existncia da APA do Araripe dever encorajar parcerias institucionais </p><p>e financeiras para a realizao de roteiros, circuitos e trilhas no ambiente da </p><p>chapada, inclusive, envolvendo outros Estados (Piau e Pernambuco). Nessa </p><p>chapada est situado o Parque Nacional do Araripe, gerenciado pelo Instituto </p><p>Brasileiro de Meio ambiente IBAMA. </p><p>O desequilbrio da estrutura urbana no Estado do Cear se faz notar pela </p><p>concentrao populacional na Regio Metropolitana de Fortaleza, destacando </p><p>os municpios de Fortaleza, Caucaia e Maracana. Em segundo plano, tm-se </p><p>Juazeiro do Norte e Sobral, localizadas respectivamente nas regies ao Sul e </p><p>Noroeste do estado. </p><p>Ao longo dos prximos cinco anos, segundo Joaquim Cartaxo Secretrio de </p><p>Estado das Cidades do Governo do Cear, sero investidos US$ 65 milhes </p><p>para a implantao do projeto Cidades do Cear/Regio Metropolitana do </p><p>Cariri, dos quais 70% so emprstimos tomados junto ao Banco Mundial cuja </p><p>negociao j foi finalizada. Uma parcela desses recursos est destinada ao </p><p>fomento e fortalecimento do setor turstico por meio, por exemplo, da </p><p>construo do Centro de Cultura e Eventos do Cariri no Crato; do projeto </p><p>Roteiro da F que requalificar o centro comercial de Juazeiro; e a implantao </p><p>no stio Tupinamb em Barbalha do Museu do Engenho. Ainda segundo </p><p>Joaquim Cartaxo, projetos e aes tursticas voltadas para a gesto, </p><p>construo de centros de interpretao do patrimnio geolgico, e melhorias </p><p>ambientais dos geosstios do Geopark Araripe que iro receber um aporte de </p><p>US$ 6 milhes dentro dos recursos previstos. Este conjunto de obras teve </p><p>incio previsto para o primeiro semestre de 2009. </p><p>Com esse volume de investimentos e o aprofundamento das relaes </p><p>institucionais Sociedade-Governo a Secretaria das Cidades do Cear busca </p><p>criar condies culturais, polticas, socioeconmicas e socioambientais </p><p>necessrias gerao de oportunidades que contribuam para o </p><p>desenvolvimento da regio e, consequentemente, para a diminuio do </p><p>desequilbrio e a desigualdade entre o interior do Cear e Fortaleza. </p><p>Pblico Alvo </p><p>O Frum Caririense de Economia Solidria, com a proposta de integrao e </p><p>dilogo entre uma variedade de atores sociais, busca congregar os </p><p>empreendimentos que trabalham com economia solidria (atividades de </p><p>artesanato, produo de agricultura familiar, costura, eventos culturais, </p><p>cooperativas e outros) na regio e que esto comprometidos em participar </p></li><li><p>Maria Las dos Santos Leite, Danilo Ivo Feitosa, Kecya Nayane Lucena Brasil, </p><p>Eduardo Vivian da Cunha | 37 </p><p>________________________________________________________________________________________ </p><p>Revista NAU Social - v.3, n.5, p. 33-39 Nov 2012/Abr 2013 </p><p>ativamente das reunies e decises do mesmo, as entidades de apoio e </p><p>fomento tais como univers...</p></li></ul>

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