filosofia e religiao

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  • EDITORIAL

    Voc tem em mos a Revista Hermenutica 2003. Nesta edio,

    Joaquim Azevedo, faz um estudo lingstico, contextual e teolgico sobre

    Gnesis 4:7, com nfase na sentena porta do Paraso, em ligao com

    a obra redentora de Deus. O autor mostra indcios da correspondncia entre

    elementos com a cultura do Antigo Oriente Prximo e com o Santurio

    israelita.

    O artigo de William H. Shea, Quem sucedeu Xerxes no trono

    da Prsia?, aborda o tema do ano de ascenso de Artaxerxes, que de

    importncia crucial para a interpretao dos elementos temporais das

    profecias de Daniel 9:24-27e 8:14.

    A seguir, um importante aspecto de Malaquias 3:8-10 explorado por

    Demstenes Neves, onde analisa, entre outras coisas, se o texto tem uma

    nfase congregacional ou aplica-se a uma instituio mais ampla. Este

    tema controvertido ser analisado luz do contexto da passagem, levando-

    se tambm em conta o legado de Ellen G White, escritora e pioneira da

    Igreja Adventista do Stimo Dia.

    Evandro Luiz da Cunha, versando sobre a afi nidade entre Religio

    e Filosofi a, demonstra que a realidade abarcada pela Cincia, Religio e

    Filosofi a. Analisa como um modelo holstico e ecltico mostra as facetas

    da verdade ao invs do modelo dicotmico

    Adiante, Ozeas Moura discorre sobre o discipulado exemplar de

    Bartimeu no que diz respeito ao reconhecimento das prerrogativas de

    Jesus, a sua f e prontido em seguir aps Ele. Finalizando, Luiz Nunes

    analisa os mtodos evangelsticos mais usados para implantao de uma

    nova igreja e para o crescimento dela, com base em amostragens do

    evangelismo levado a cabo nas regies Norte e Nordeste do Brasil. Estes

    mtodos so avaliados pelos resultados em igrejas com alto, mdio e baixo

    crescimento.

    O Editor

  • PORTA DO PARASO.

    UMA INTERPRETAAO CONTEXTUAL DE GEN 4:71

    Joaquim Azevedo2

    al{ ~aiw> taef. byjiyTe-~ai aAlh]

    `AB-lv'm.Ti hT'a;w> Atq'WvT. ^yl,aew> #bero taJ'x; xt;P,l; byjiyte

    Resumo

    Alguns problemas lingsticos parecem obscurecer a compreenso de Gn 4:7, tais como: o lugar de Gn 4:7 no restante da narrativa, a m compreenso da Concordncia de gnero concernente relao dos sufixos pronominais com seus antecedentes, os significados da palavra taJ'x; geralmente traduzida como pecado em Gn 4:7, o particpio masculino do verbo #bero - deitar estirado, descansar - em relao ao substantivo feminino taJ'x;, e a importncia da expresso xt;P,l; porta para o restante da narrativa. O propsito deste artigo tomar fazer uma boa traduo de Gn 4:7 baseada neste cenrio contextual e comparada com o pano de fundo do Antigo Oriente Prximo (AOP).

    Abstract

    Some linguistic problems seem to obscure the understanding of Gn 4:7, such as: the place of Gn 4:7 in the rest of the narrative, the misunderstanding of the gender regarding the relationship of the pronominals suffixes with its antecedents, the meanings of the word taJ'x; generally translated as sin in Gn 4: 7, the masculine participle of the verb #bero to lie stretched, to rest in relation to the feminine noun taJ'x; and the importance of the expression xt;P,l; at the door for the rest of the narrative. The purpose of this article is to try to do a good

    1 Esta uma traduo do artigo At the Door of Paradise. A Contextual Interpre-tation Of Gen 4:7, publicado em Biblische Notizen l00 (2000): 45-59.

    2 Joaquim Azevedo, ex-professor do Salt Iaene, Ph. D. em Religio pela An-drews University.

  • 4 Hermenutica 3, 2003

    translation of Gn 4:7 based on this contextual scenery and compared with fl ue Ancient Near East (ANE) background.

    Introduo

    A compreenso das difi culdades listadas no resumo acima crucial para traduzir Gn 4:7. O dados-base so a forma literria fi nal do texto hebraico ao invs de discusses contestveis da alta crtica e transmisso do texto. Embora tenha examinado todo o material que conheo sobre esse assunto, no pretendo apresentar um resumo da histria da interpretao desta passagem.3

    Dividi este artigo em trs sees. A primeira trata do discurso lingstico do texto, que o primeiro problema lingstico da lista acima; a segunda lida com os demais problemas lingsticos da mesma e a terceira apresenta um paralelo da descrio do Paraso (Gn 1-3) com o posterior Santurio Levtico e com o fundo mitolgico do AOP.

    1. A Relao de Gn 4:7 com o Restante da Narrativa

    Um discurso lingstico do texto apropriado neste ponto para esclarecer a relao literria de Gil 4:7 para a percope inteira. Esta seo foi divida em duas partes: a primeira est no nvel do texto, delineando a histria de acordo com o modelo tagmmico, a segunda est ao nvel da sentena de acordo com

    3 Para posterior discusso deste assunto, ver: M. Ben Yashar Sin Lies for the Firstborn, (Heb) Beschwerde-Management in Kreditinstituten (BMik) 7(1963): 166-119; G R. Castellino, Gen 4:7, Vetus Testamenti (VT)10 (1960): 442-445; M. S. Enslin, Cain and Prometheus,Journal of Biblical Literature (JBL) 886 (1966): 88-90; S. Levin, The More Savoring Offering: A Key to the Problem of Gn 4:1-16, VT26 (1976): 70-78: L. Ramoroson, A Proposed Gen 4:7, Bib 499 (1968): 233-237;B. K. Waltke, Cain and H is Offering, The Westminster Theological Journal (WTJ) 48.(1986): 363-372; E. A. Mangan, A Discussion of Gen 4:7, CBQ 6 (1944): 91-93; A. Dillmann, Genesis (Edinburgh:T. & T. Clark, 1897); John Skinner, Genesis, in International Critical Com-mentary, vol. 1 (New York.: Charles Seribners Sons, 1910); E. A. Speiser, Genesis, in Anchor Bible, vol. 1 (Garden City, New York: Doubleday & Company, 1987).

  • Porta do Paraso. Uma Interpretao Contextual de Gn 4:7 5

    a gramtica funcional de Buth.

    A. Nvel do Texto

    Ao nvel superfi cial da estrutura do texto pode-se observar onde este verso pode ser colocado no contexto da percope inteira (4:1-16). Esquematizarei isto como segue:

    (1) A percope est sem a abertura tagmeme.

    (2) Estgio: (Gn 4:1-2) A orao inicial w [x] qatal4 no fundo da formao de Gn 4:1 ([d:y" ~d'a'h'w>, e o homem conheceu...) marca o limiar de um novo pargrafo com uma nova cena e novos personagens em vez da construo mais-que-perfeita.5 Neste caso, ainda que ~d'a'h' - o homem- esteja na posio pragmtica (P1), no um fator contextualizante, pois o autor prossegue escrevendo sobre Eva e seus dois fi lhos, em vez de Ado, o homem. A implicao aqui : quem era o primognito? E nenhuma dvida foi deixada sobre esse assunto (ver 4: 1). Portanto, neste caso a formao w [x] qatal (Gn 4:1) marca o comeo de um novo pargrafo, alm de indicar o tempo mais-

    4 O smbolo [x] est a por causa de urna orao constituinte como um sujeito, complemento, ou algum modifi cador na posio inicial.

    5 Rnall Buth, Functional Grammar, Hebrew and Aramaic: An Integrated, Tex-tlinguistic Approach to Syntax, em Discourse Analysis of Biblical Literature: What It Is and What It Ofers, ed Walter R. Bodine (Atlanta Scholars Press, 1995), 89; de acordo com Buth, bastante freqente na narrativa hebraica algum encontrar substantivos na posio P1 [pragmtica] que no prov organizao temtica especfi ca para as oraes subseqentes, mas simplesmente serve para desligar a orao da seqncia principal de oraes. Elas so usadas como uma estrutura descontnua para quebrar e marcar o fi m do tempo, pargrafo, ou divises de episdios; Pedro J. Gentry, The System of the Finite Verb in Classical Biblical Hebrew, Hebrew Studies 38 (1997). Em relao ao discurso gramatical e pragmtico, Gentry argumenta que as formas consecutivas, wayyiqtol e weqatal, so empregadas para codifi car ou para priorizar a informao no discurso. Por defi nio, as formas requerem inicial posio do verbo; por isso o primeiro plano de uma narrativa a cadeia de eventos. Sinais no-seqnciais so uma quebra na linha do evento indicada tanto por uma orao coordenada sindtica e um par diferente de verbos deter-minando tempo e qualidade, isto , [x] qatal e [x] yiqtol, 13p.

  • 6 Hermenutica 3, 2003

    que-perfeito (Buth, p. 89). Ele tambm distingue esta funo da formao w [x] qatal em Gn 4:1.

    Com relao ao trabalho de Abel e Caim, Gn 4:2 afi rma que hm'd'a] dbe[o h"yh' !yIq;w> !aco h[ero lb,h,-yhiy>w:, e Abel foi pastor, mas Caim fora um agricultor. Aqui, o uso da formao w [x] qatal (perfeita, de acordo com Zevit, p. 22) indica que Caim fora agricultor muito antes de Abel ter ingressado no pastoreio.6 De acordo com Niccacci, se o autor tivesse continuado [em Gn 4:2] a srie de WAYYQTOLs, os dois personagens teriam sido introduzidos prximos um do outro, como links do mesmo canal.7 O caso aqui diferente. A nfase aqui est no contraste deles. O tipo de profi sso dos personagens tem um papel importante na histria, pois disto eles trouxeram suas ofertas.

    (3) Evento: (Gn 4:3-7) introduzido pela sentena ~ymiy" #QEmi yhiy>w: e aconteceu no decorrer do tempo...8 O contraste entre Abel e Caim,

    6 Ziony Zevit, The Anterior Construction in Classical Hebrew, The Society of Biblical Literature, Monographic Series vol. 50 (Atlanta: Scholars Press, 1998). 15. Quando o autor da narrativa em prosa quis determinar inconfundivelmente 1) mais que perfeito, i.e., que uma ao dada no passado tinha comeado e terminado antes de outra ao no passado, ou 2) perfeito, i.e., que uma dada ao no passado tinha comeado mas no necessariamente terminado no passado antes do comeo de outra ao, eles empre-garam urna particular formao para expressar esta seqncia, um tipo de orao cir-cunstancial... A estrutura destas oraes ns + S (sujeito) + gatal. Portanto, a condio necessria um verbo no passado, (w)yqtl ou qtl, na narrativa da orao anterior.

    7 Alviero Niccacci, The Syntax of the Verb in Classical Hebrew Prose, supplement series vol. 86 (Sheffi eld:JSOT Press, 1990), 31.

    8 R. E. Longacre, Joseph, A Story os Divine Providence: A Text Theoretical and Textlinguistic Analysis of Gn 37 e 39-48 (Winona Lake: Eisenbrauns, 1989), 70, 71: Lon-gacre afi rmou que em geral [impessoal] wayhi com frase temporal marca um lapso de episdio na narrativa em prosa e a introduo de tal expresso temporal no fl uxo do passado pode indicar um lapso de pargrafo ou do evento.... A. F. den Exter Blokland, In Search of Text Syntax: Towards a Syntactic Text-Segmentation Model for Biblical He-brew (Amsterda: VU Uitgeverij, 1995), 47: De acordo com Blokland expresses como hL,aeh' ~yrIb'D.h; rx;a; ~ymiy" #QEmi yhiy>w: so marcos de acontecimentos, porque eles esto mais regu-larmente envolvidos na formao de quebra de pargrafo ou fatos do que outros casos de yhiy>w: com expresses temporais.

  • Porta do Paraso. Uma Interpretao Contextual de Gn 4:7 7

    iniciado no tagmeme inicial, continua aqui ligando e desenvolvendo ambos tagmemes - estgio e evento - em uma construo de eventos sucessivos que culminaro no clmax do enredo.

    Note que Gn 4:3-5 hw"hyl; hx'n>mi hm'd'a]h' yrIP.mi !yIq; abeY"w: ~ymiy" #QEmi yhiy>w:aWh-~g: aybihe lb,h,w>

    e aconteceu no decorrer do tempo, que Caim trouxe uma ddiva para Yahwev dos frutos da terra, mas Abel trouxera (formao w [x] qatal, com o tempo perfeito) das primcias do seu rebanho.... Neste caso, Abel foi quem trouxe a oferta primeiro e ento Caim trouxe a sua. Assim a amargura de Caim fi cou ainda pior quando ele viu a oferta do seu irmo mais novo sendo aceita e a sua sendo rejeitada, mesmo tendo mais experincia (em seu trabalho), sendo mais velho e, sobretudo, sendo o primognito (o futuro patriarca de direito). Estas formaes w [x] qatal contrastantes apresentam uma informao bsica deixando mostra o clmax iminente.

    Gn 4:6-7 pode ser classifi cado como o antepice. um discurso direto, um monlogo envolvendo Yahweh e Caim. O verso sete introduz a soluo para a perda de autoridade e status quo hierrquico de Caim. Caim silencia, porm, mostra sua determinao que consumada no pice da trama, a saber, fratricdio (ver 4:8).

    (3) pice: Gn 4:8 introduz o pico ou clmax. Caim coloca um fi m na vida de seu rival em prol do seu direito de primognito.

    (4) Ps-pice (do evento): Gn 4:9-10 introduz fatos descendentes fi nais da histria. Somente aqui o silncio de Caim quebrado por palavras carregadas de ira, eludindo a si mesmo como o criminoso.

    (5) Fechamento: Gn 4:11-15 contm um discurso de admoestao (moral) descrevendo a conseqncia do ato de Caim.

    (6) Fim: A percope de Gil 4:16 termina com a partida de Caim

  • 8 Hermenutica 3, 2003

    para longe da porta do Paraso.

    O discurso lingstico da narrativa inteira indica que Gn 4:7 pode ser classifi cado como um pargrafo comportamental (pr-pice).9 Como tal, Caim recebeu exortao para corrigir suas aes. Isto implica que ele, Caim, deveria voltar atrs e fazer como seu irmo mais novo, o que, aos olhos dele, era muito humilhante.

    B. Nvel de Orao

    Agora, focando a ateno no verso sete, vrios elementos do discurso lingstico podem ser analisados ao nvel de orao a fi m de lanar luz sobre a compreenso desta passagem: (1) Desde Cm 4:7 h um monlogo envolvendo dois personagens, ambos - o que fala e o ouvinte - esto vivendo o ocorrido, conseqentemente alguns elementos da sintaxe podem ser considerados informados, ou, em outras palavras, conhecidos por ambos, i.e., o assunto e usualmente conhecido e o predicado o que contm a nova informao desconhecida por um dos dois personagens.10 Em Gn 4:7 o substantivo taJx; conhecido ou acessvel para Yahweh e Caim. Este nome traz lembrana de Caim o que tinha acabado de acontecer algum tempo atrs (seu descumprimento com o ritual do sacrifcio prescrevido e a perda do seu direito de primogenitura), assim no existe necessidade para outra especifi cao do assunto.11 O particpio #bero introduz

    9 O modelo tagmmico defi ne oito tipos de texto nacionais: NARRATIVA (pro-fecia e histria), PROCESSUAL(como-fazer e como-foi-feito), COMPORTAMENTAL (exortao e elogio) e EXPOSITRIO (ensaio futurista e papel cientfi co). Ver David Allan Dawson, Text-Linguistics and Biblical Hebrew, JSOT Supp. Series 177 (Sheffi eld: Sheffi eld Academic Press, 1994), 98.

    10 Wallace Chafe, Discourse, Consciousness, and Time (Chicago: The University of Chicago Press, 1994), 6:85,108 e 145.

    11 Jacob Neusner, Introduction to Rabbinic Literature (New York: Doubleday, 1994), 36: Um dispositivo lingstico comum usado no Mishnah, que um texto transmi-tido por tradio oral, referente unidade cognitiva como afi rmao completa do pensa-mento aquele no qual o assunto da sentena est cortado do verbo, que se refere a seu prprio assunto, e no aquele com o qual a sentena comea, e.g., ele que faz assim e assim ..., isto [as coisas que fez) tal e tal. Neste caso Gn 4:7 pode ser traduzido como uma oferta de purifi cao, ...isto jaz porta [do Paraso].

  • Porta do Paraso. Uma Interpretao Contextual de Gn 4:7 9

    algo do que possivelmente Caim no estava ciente ou algo que eleestava recusando-se a reconhecer. (2) Por defi nio, em uma orao condicional, a conjuno (protasis) introduza condio (ou negativa ou positiva) e a conseqncia (apodosis) a conseqncia da sua protasis.12 Em Gn 4:7 esta seqncia normal quebrada. A protasis (negativa) encontrada na abertura esperada, mas uma orao nominal (#b;ro taJ'x; xt;P,l;) introduzida entre ela (a protasis, byjiyte al{ ~aiw>, mas se voc no agir corretamente) e sua apodosis (AB-lv'm.Ti hT'a;w> Atq'WvT. ^yl,aew>, ento seu desejo ser para voc e voc o dominar). Funcionalmente, a quebra (a sentena nominal) implica num imperativo indireto.13 Em outras palavras, se voc no faz o que certo, corrija--se com a oferta do sacrifcio que est porta do Paraso, ento seu desejo ser para voc e voc o dominar novamente. Assim, a apodosis a conseqncia do imperativo indireto implcito ao invs da sua protasis, que seria o normal. (3) A respeito da prpria estrutura interna da orao nominal, a frase preposicional (xt;P,l; porta) ocupa a posio inicial pragmtica. A formao desta frase preposicional pode indicar um componente contextualizante, ligando a sentena condicional inteira ao tpico de sua percope, a saber, descumprimento com o dever do ritual porta do Paraso e como conseqncia a perda do seu direito de primogenitura.14 O substantivo feminino taJ'x;, porm, parece ser o enfoque da orao e no o componente contextualizante. Isto devido ao fato de que taJ'x; implica numa correo do procedimento do ritual, que o foco da orao condicional inteira (ou do pr-

    12 Para outros tipos de oraes condicionais, em relao ao discurso lingstico, ver Niccacci, The Syntax of the Verb, 138.

    13 Com relao gramtica pragmtica e funcional, Buth diz que uma afi rmao como Its could here poderia funcionar como um imperativo Turn on the heater. Buth, 79.

    14 Na GF [Gramtica Funcional] um tpico um constituinte de uma sentena que recebeu uma formao especial (ou por ordem de palavras, uma partcula especial, ou entonao, dependendo da linguagem) a fi m de dar indcio da perspectiva pretendida na relao da sentena com o contexto maior. Um tpico (Constituinte Contextualizante - C.C.) no precisa ser o assunto de uma orao, e um tpico (C.C.) est funcionalmente com enfoque to distinto quanto o dia da noite. Sua proposta ajudar o ouvinte a entender como e em qual base algumas oraes esto agrupadas (Buth, 84).

  • 10 Hermenutica 3, 2003

    pice inteiro).

    Estes elementos do discurso lingstico mostram a concordncia do verso sete com a narrativa inteira e fornecem um sentido sacrifi cal a taJ'x;, ao invs de um demnio ou pecado pronto para devorar sua vtima.15

    2. Anlise Gramatical e Sinttica de Gn 4:7

    Vrios elementos gramaticais do verso sete e suas funes sintticas so de extrema importncia para a compreenso de Gn 4:7. Eles esto enumerados na introduo deste artigo.

    A. Os Sufi xos Pronominais e Seus Antecedentes Comuns

    O antecedente comum dos sufi xos pronominais acoplados a Atq'WvT.,seu desejo, e AB-lv'm.Ti, voc dominar sobre ele, no encontrado em Gn 4:7.16 Os sufi xos pronominais so masculinos e o nico antecedente provvel, omitido em algumas tradues da Bblia Hebraica,17 o substantivo

    15 Se o foco deve ser traduzido como pecado ou demnio, ento no se de-veria ajustar ao desenvolvimento do ocorrido que monta o clmax com o tpico do no cumprimento com o ritual prescrevido e a perda de autoridade (direito de primogenitu-ra).

    16 Todas as tradues foram feitas para o Ingls pelo autor, a no ser que a fonte seja indicada.

    17 Veja por exemplo: NRSV, If you do well, vill you not be accepted? And if you do not do well, sin is lurking ar the door; its desire is for you, but you must master it; NKJV Aif you do well, will you not be accepted? And if you do not do well, sin lies at the door. And its desire is for you, but you should ruler over it, Joo Ferreira de Almeida, Se bem fi zeres, no haver aceitao para ti? E se no fi zeres bem, o pecado jaz porta, e para ti ser o seu desejo, e sobre ele dominars; L. Alonso Schkel and Juan Mateos Por qu te enfureces y andas cabizbajo? Cierto, si obraras bien, seguro que andaras con la cabeza alta; pero si no obras bien, el pecado acecha a la puerta. Y aunque viene por ti, t puedes dominarlo; Cipriano de Valera Como, no sers ensalzado si bien hicieres: y si no hicieres bien, no estars echado por tu pecado la puerta? Con todo esto, ti ser su deseo; y t te enseorears de el.

  • Porta do Paraso. Uma Interpretao Contextual de Gn 4:7 11

    taJ'x;.18 Este substantivo, porm, feminino e conseqentemente no concorda com os dois sufi xos pronominais masculinos.

    O lugar mais provvel para se encontrar o antecedente dos sufi xos pronominais no contexto de Gn 4. Uma avaliao da primeira parte deste captulo (vv. 1-7) mostra que Caim era o primognito. Ele supostamente deveria ser o sacerdote, lder e o futuro patriarca, por assim dizer, do cl de Ado. Por no efetivar o ritual do sacrifcio, ele pode ter perdido seu direito de primogenitura,19 causando nele ira para com seu irmo Abel. Portanto, o antecedente mais provvel para ambos os sufi xos, o e seu, seria o nico substantivo masculino que se encaixa no fl uxo literrio do tpico de Gn 4:1-16, a saber, Abel.20

    B. taJ'x;

    O segundo problema lingstico a palavra ambgua taJ'x;, que tem sido traduzida como pecado em Gn 4:7. Ela tem, porm, dois signifi cados

    18 Francis Brown, The New Brown-Driver-Briggs-Gesenius Hebrew and English Lexicon [BDB](Peabody, Massachusetts: Hendrickson, 1979), 308.

    19 Gordon J. Venham, Genesis 1-15, in Word Biblical Commentary, vol. 1, ed. David A. Hubbard (Waco, Texas: Word Books, 1987): Embora o fi lho mais velho tendo certos privilgios legais (ver, e.g., 25:32; 27:1-40; Dt 21:15-17), a narrativa bblica re-gularmente mostra Deus escolhendo o irmo mais novo (e.g., Isaque e no Ismael; Jac, no Esa; Efraim, no Manasss; Davi, o mais novo de Jess). J neste verso, existem indicaes de que Abel o escolhido, p. 102.

    20 J. Oscar Boyd, The Octateuch in Ethiopic, in Bibliotheca Abessinica (Leiden: E. J. Brill, 1909), 10: Averso Etipica tem dois MSS, C e G, com uma palavra adicional para o texto, que no encontrada na LXX ou no Texto Massortico. A palavra adicional laehuka de seu irmo aps megehu retorno dele. Isto pode implicar que eles - os escribas do MSS C e G - compreendiam que os pronomes masculinos sufi xados se refe-rem a Abel; John W. Wevers, Notes on the Greek Text of Genesis, Septuagint and Cognate Studies n. 35 (Atlanta: Scholars Press,1993), 55: Weves diz, concernente ao texto da LXX (Wevers usa Gnesis para a LXX), que o antecedente singular masculino (ou neutro) mais aceitvel seria Abel. Se isto o que Gn [LXX] quer dizer, ento esta uma promessa de reconciliao; Abel acuar e voc (uma vez mais) exercer autoridade sobre ele.

  • 12 Hermenutica 3, 2003

    bsicos, que so pecado e pecado-purifi cao-sacrifcio.21 A aplicao de um ou de outro signifi cado depender exclusivamente do contexto da passagem especfi ca onde a palavra est localizada.

    Vrios pontos no texto indicam que taJ'x; carrega um sentido de sacrifcio. De acordo com Jacob Milgrom, taJ'x; deveria ser traduzida como sacrifcio-purifi cao em vez de sacrifcio-pecado, em passagens relacionadas com o ritual do sacrifcio. Ele assevera que,

    morfologicamente, aparece como um Piel derivado. E mais, sua forma verbal correspondente no o Qal pecar, errar mas sempre o Piel (e.g. Lv 8:15), que no leva outro signifi cado alm de limpar, expurgar, desinfectar (e.g. Ez 43:22, 26; Sl 51:9). Finalmente, as guas de attat(Nm 8:7) servem exclusivamente para uma purifi cao (Nm 19:19; ver Ez 26:25). Purifi cao-oferta certamente a traduo mais acurada. De fato, o breve comentrio de Rashi (em Nm 19:19) tudo o que preciso para dizer que attat pertence literalmente linguagem de purifi cao.22

    Milgrom discute sobre dois tipos de taJ'x; com relao ao ritual de purgao. Um para impurezas em geral e outro para pecados por ignorncia.23 Ele distingue esses dois tipos pelas seguintes caractersticas:

    O ofensor inadvertido nunca chamado de impuro e por isso no requerido ablues. Neste caso, a frmula conclusiva diz, ... o sacerdote far o rito da expiao ... e este poder ser perdoado (Lv 4:20, 26, 31, 35), enquanto que para a pessoa impura a frmula diz, ... o sacerdote far o rito da purifi cao ... e ele ser purifi cado (12:6,8; 14:9,20). Assim o impuro precisa de purifi cao e o pecador precisa

    21 Para os vrios signifi cados de taJx;, ver David J. A. Clines; ed., The Dictionary of Classical Hebrew, vol. 3 (Sheffi eld: Sheffi eld Academic Press, 1996), 198.

    22 Jacob Milgrom, Leviticus 1-16, in Anchor Bible vol. 3 (New York: Doubleday, 1991), 253; ver tambm idem, A Sin-offering or Purifi cation-offering, VT21 (1971): 237- 239.

    23 Ibid., Two Kinds of Haat, VT26 (1976): 333-337.

  • Porta do Paraso. Uma Interpretao Contextual de Gn 4:7 13

    de perdo.24

    O escritor desta narrativa (Gn 4:1-16) parece saber muito bem os regulamentos levticos do ritual do sacrifcios. Portanto, ele poderia muito bem classifi car a falta de Caim como pecado por ignorncia, embora em um estgio embrionrio em relao ao elaborado sistema levtico. Conseqentemente, Caim precisava de um taJ'x; para ser perdoado, como implcito no v. 7.

    Uma evidncia a mais de um signifi cado sacrifi cal que o contexto da primeira parte do captulo quatro (vv. 1-7) pinta uma cena de ritual indicando que o sentido mais provvel de taJ'x; purifi cao-oferta, ao invs de pecado. A LXX parece seguir esta linha de pensamento:

    J que o contexto geral de oferecimento de sacrifcios, Gn [LXX] d uma interpretao cultual na primeira parte do verso. Tomando taef. no sentido de alar um sacrifcio e byjiyte adverbialmente, o tradutor resulta em se tu sacrifi casse corretamente. Este contraste com overqw/j de. mh. die,lh|j mas no deverias dividir corretamente, i.e., dividir ou esquartejar o sacrifcio. O autor de Gnesis considerou inaceitvel diante de Deus o sacrifcio de Caim, porque ele no tinha realizado o sacrifcio corretamente.25

    Assim, o verso sete apresenta a soluo para o erro de Caim. Ele poderia oferecer um taJ'x; com o objetivo de obter perdo para sua falha, e ento o desejo do seu irmo seria para ele e, novamente, teria a preeminncia como primognito.

    C. #bero

    O particpio masculino de #bero, signifi ca jazendo, repousando, descansando.26 uma evidncia extra para considerar taJ'x; como

    24 Milgrom, Leviticus 1-16, 256.25 Wevers, 55.26 BDB 818; Koehler, Ludwig, and Walter Baumgartner, Hebrisches und

    Aramisches Lexikon zum Alter Testament, ed. by Johann Jakob Stamm (Leiden: J. E.

  • 14 Hermenutica 3, 2003

    sacrifcio. Ela uma forma cognata da palavra acadiana jazer, deitar, da palavra ugartica trb- estbulo, cocheira, aprisco de ovelhas.27 Alguns eruditos, porm, tm identifi cado este particpio como o croucher ou demnio, baseado no particpio acadiano rbiu.28

    No uso deste particpio no Pentateuco no cabe a interpretao como demnio (Gn 49:14, Ex 23:5, Dt 22:6). O particpio #bero usado em relao ovelha (Gn 29:2), leopardo e cabra vivendo juntos pacifi camente (Is 11:6), e usado como para referir-se fi guradamente para uma pessoa sendo comparada com uma ovelha (S1 23:2); ou ao povo como ovelha (Ez 34:14); em outro caso aplicado a um rebanho ou aprisco de ovelhas (Is 13:20). Somente uma vez fora das trinta passagens no AT, esta palavra usada no sentido de besta feroz (Gn 49:9). Isto pode signifi car que um sacrifcio-purifi cao; quer um carneiro, cabra, ou algum animal macho for empregado para sacrifcio estava jazendo ou descansando porta do Paraso. Assim, o gnero masculino do particpio #bero, se refere diretamente ao gnero do animal macho para o sacrifcio-purifi cao ao invs do substantivo feminino taJ'x; (Lv 4:4; 4:23). Isto pode resolver o problema do discordncia de gnero.

    Brill,1990), 1102: Adie Snde ist ein Lauerer, die Snde lauret.27 Kehler-Baumgartner 1958, 871; DBD 918; Wolfram von Soden, Akkadisches

    Hanwrterbuch, band 2 M-S (Wiesbadeen: Otto Harrassovitz, 1972), 933,935: Para robu ele tem sich largem, e para rbiu der lagert, lauert; John Huehnergard, Ugaritic Vo-cabulary in Syllabic Transcription (Atlanta: Scholar Press, 1987), 176: Ele lana algumas dvidas na palavra robsu como originria de uma palavra Acadiana emprestada. Pam ele isto seria uma palavra nativa ugartica (trb)sinniticando estbulo ou aprisco de ovelhas encontrada em alguns documentos legais e.g. -tu

    4: ta-ar-b-s u -tu

    4 GUDme

    a-na a-u-ma the stable and the cattle-pen are likewise his, (PRU 3 91f.:17).28 Speiser, Genesis: Aqui o termo rb em hebraico signifi ca expressar. Um

    substantivo, relacionado, que ao contrrio, no usado nesta linguagem, mas bem co-nhecido cm Acadiano como rbiu, um termo usado como demnio. Estes seres foram descritos respectivamente como benigno e maligno, geralmente espreitando entrada de uma construo para proteger ou ameaar seus ocupantes, p.33; Koehler-Baumgartner, 1958, 871; sobre a mesma opinio ver tambm Hermann Gunkel, Genesis, trad. Mark E. Biddle (Macon: Mercer University Press, 1997), 44.

  • Porta do Paraso. Uma Interpretao Contextual de Gn 4:7 15

    Alm do mais, o verso sete apresenta uma repreenso e uma prescrio para a correo da falta de Caim na realizao do ritual requerido. Ele deveria oferecer um animal macho das primcias do seu rebanho das suas pores como Abel fez (!h

  • 16 Hermenutica 3, 2003

    Enquanto Gn 4:16 menciona a direo que Caim tomou aps ter matado seu irmo, baseada na localizao geogrfi ca do Paraso Caim saiu da presena do Senhor e viveu na terra de Node, ao leste do den (4:16, NIV). Entre as duas citaes do Paraso, introduzida a percope de Caim e Abel, surgindo o lance de suspense a esta altura da narrativa; porque a desobedincia de Caim tomou lugar entrada do Paraso.

    Outra evidncia da presena do Paraso na percope de Caim e Abel que Gn 4:1-16 apresenta uma estrutura literria paralela a Gn 2:4-3:24:31

    Caps. 2:24-25 (no Paraso) 4:1-2 ( porta do Paraso)

    Caps. 3:1-22 (desobedincia)4:3-15 (desobedincia porta do Paraso)

    Caps. 3: 23-24 (partida do Paraso)

    4:16 (partida para longe da porta do Paraso)

    Por esta razo, o Paraso tem seu papel na histria de Gn 4:1-16. Isto claramente implcito pela meno do jardim do den como o limite literrio que indica o comeo e o fi m dos eventos narrados em Gn 3:24-4:1-16, e pela estrutura paralela entre as narrativas da desobedincia de Ado e Eva no Paraso e a desobedincia de Caim porta do Paraso.

    3. Pano de Fundo do AOP em Gn 4:1-16

    Se o AT no foi escrito num vcuo cultural, o paralelo evidente entre

    31 Wenham, Gnesis 1-15: Wenham reconhece esta estrutura literria paralela em seu comentrio; ele afi rma determinando o carter das histrias no captulo [4: 1 -16], uma comparao com Gn 2-3 mais instrutiva. Estruturalmente, tematicamente, e ver-balmente existem paralelos ntimos entre a percope de Caim e Abel (4:2b-16 e a histria do jardim do den em Gn 2-3, p. 99; A. J. Hauser, Linguistic and Thematic Links between Gn 4:1-16 e Gn, 2-3, Journal of me EvangelicalTheological Spciety (JETS)23 (1980):297-305: Hauser tambm reconhece a existncia deste paralelo entre Gn 4:1-16 e Gn 2-3.

  • Porta do Paraso. Uma Interpretao Contextual de Gn 4:7 17

    o relato do Paraso e o posterior Santurio Levtico se encaixa na religio e mitologia do AOP. Esta comparao apresentada abaixo seguida pela sua relao com as crenas mitolgicas e religio do AOP que so anlogas s de Gn 1-3 (e 4). A nica inteno desta seo conscientizar o leitor da existncia da analogia entre ambas tradies, ao invs de um estudo per se destas afi nidades.

    A. Paraso e Posterior Santurio Levtico

    No minha inteno proporcionar um estudo exaustivo da analogia entre Paraso e santurio levtico, pois isso j foi observado por muitos.32 Minha nica preocupao mostrar que esta analogia existiu, e que isto importante para a compreenso da narrativa de Gn 4.

    O vocabulrio e a exposio dos fatos em Gn 4:1-7 indicam que o escritor estava ciente do ritual levtico. Evidncias do texto ratifi cam esta afi rmao.

    (a)A narrativa apresenta Caim e Abel como conhecedores dos requisitos do sacrifcio: o que trazer, corno agir e onde faz-lo.

    (b) O vocabulrio de Gn 4:1- 1 6 alude a um futuro ritual de culto.

    32 The Book of Jubilees identifi ca o jardim do den com o lugar do templo, a casa de Deus (Jz 8:19); Gordon J. Wenham, Sanctuary Symbolism in the Garden o Eden Story, em Studied Inscriptions from Before the Flood, Ancient Near Eastern, Literary, and Linguistic Approaches to Genesis 1-11, eds. Richard S. Hess and David Toshio Tsu-mura (Winona Lake: Eisenbrauns, 1994): De acordo com Wenham o jardim do den no visto pelo autor de Gnesis simplesmente como um lugar da terra cultivvel da Mesopotmia, mas um arqutipo do santurio, isto , um lugar onde Deus habita e onde o homem deveria ador-Lo. Muitas das caractersticas do jardim do den podem tambm ser encontradas em santurios posteriores, particularmente no Tabernculo ou no Templo de Jerusalm. Estas comparaes sugerem que o prprio jardim tido como um tipo de santurio, p. 399: Para posterior comparao do jardim com o santurio, veja Gary Anderson, Celibacy or Consummation in the Garden? Refl ection on Early Jewish and Christian Interpretations of the Garden of Eden, HTR 82:2 (1989)121-148; and Phyllis Trible, God and the Rhetoric of Sexuality (Philadelphia: Fortress Press, 1978)144-164.

  • 18 Hermenutica 3, 2003

    Por exemplo, o verbo trazer (abeY"w:, ele trouxe, Gn 4:3) usado em passagens cultuais para o oferecimento de sacrifcios (Lv 2:2, 8) a palavra hx'n>mi (Gn 4:3, 4), de acordo Milgrom, indica usualmente oferta de cereais (Lv 2:7),33 mas em alguns casos raros hx'n>m i pode se compor de animais (Gn 4:7; 33:10; I Sm 2:17,29); a nomenclatura primcias/primognito do seu rebanho (Anaco tArkoB.mi, Gn 4:4) tambm usada no contexto levtico (Lv 27:26, Nm 18:17); o fato de um sacrifcio animal ser queimado no altar e com sua gordura (!h

  • Porta do Paraso. Uma Interpretao Contextual de Gn 4:7 19

    entrada do tabernculo levtico de frente para o oriente (Ex 38:13).36 Vrias passagens em xodo indicam uma presena sobrenatural porta do santurio. O autor ressalta que37 (Ex 33:9): Quando Moiss entrava na tenda, a coluna de nuvem desceria e permaneceria entrada da tenda, e o SENHOR falaria com Moiss; Ex 33:10, Quando o povo via a coluna de nuvem permanecendo entrada da tenda, todo o povo levantava e se prostrava de joelhos, todos eles, entrada das suas tendas; Nm 12:5, Quando o SENHOR desceu em uma coluna de nuvem, e permaneceu entrada da tenda, e chamou Aro e Mdia, ambos vieram frente (NRSV).

    A entrada do santurio era o lugar para onde o ofertante traria sua oferta de sacrifcio diante do Senhor para ser colocada sobre o altar, que estava localizado na frente da porta da tenda do encontro.38 A. M. Cooper e B. R. Goldstein reconhecem os nveis progressivos da importncia que a entrada da tenda do encontro (d[eAm lh,ao) tinha na histria de Israel. Os dois primeiros nveis bastam para nosso desgnio no panorama pr-literrio a entrada da tenda do chefe da tribo o local de teofania ocasional e das deidades ancestrais da tribo; na era mosaica a entrada para o mosaico

    36 David Chilton, Paradise Restared (Tyler: Reconstruction Press, 1985), 29: Chilton tambm notou o paralelo existente entre os santurios vindouros e o Jardim do den com respeito orientao da sua entrada.

    37 Wenham, Sanctuary Symbolism: Acerca do querubim ele diz: que o fato de a entrada do Jardim ser guardada por um querubim outra indicao de que visto como um santurio, pois k r bm, kuribu acadiano, eram os tradicionais guardies dos lugares santos no Antigo Oriente Prximo, p. 401.

    38 Milgrom, Leviticus 1-16, 147: A palavra peta da casa (14.38; Gn 19:11; Dt 22:21; 2 Sm 11:9) e o peta do porto ( I Kgs 22:10; 2 Kgs 7:3; Ez 46:3) designam - nes-tes casos citados - a rea imediatamente frontal entrada (N.B. I Kgs 22:10, onde o peta do porto designado como o gren o cho batido). Assim, o ptio inteiro, desde a sua entrada at a entrada da tenda era acessvel para o pecador. Para l ele era conduzido para a realizao dos atos vitais corretos com o sacrifcio do animal, em preparao para o ritual do altar feito pelo sacerdote.

  • 20 Hermenutica 3, 2003

    d[eAm lh,ao o local para uma possvel teofania.39 Embora parcialmente aceite seus argumentos acerca do desenvolvimento da religio de Israel, eles no deveriam ter avaliado o estgio que precede a histria de Israel como nao. Se for considerado a narrativa inteira do Pentateuco, ento um estgio primitivo deve ser colocado antes do panorama pr-literrio. Este estgio remoto seria encontrado no relato antediluviano onde a entrada para o Jardim era considerada como o local de uma eventual teofania.

    Assim o vocabulrio de Gnesis quatro e a narrativa descritiva dos eventos apiam conclusivamente a existncia de um paralelo entre a descrio do Paraso e Santurios vindouros. Conseqentemente, a porta do Paraso era considerada, nas crnicas antediluvianas, como o lugar mais sagrado para o oferecimento de um sacrifcio, a porta sagrada que levava ao lugar onde Yahweh habitava na Terra, e o centro de atividades religiosas descritas nesta comparao com a mitologia do AOP.

    B. Fundo do Antigo Oriente Prximo

    De acordo com o pico sumrio do Paraso, a Sumria descrita como uma regio onde havia um jardim chamado kr-dilmun que pode ser interpretado como Montanha de Dilmun, onde animais e homens viviam juntos pacifi camente.40 Os sumrios referiam-se terra de Dilmun como o jardim do Paraso e o centro das atividades religiosas da Sumria, de onde o deus-gua Enki governou a humanidade e em cujo templo revelava seus segredos.41 Assim, na mitologia do AOP o Paraso associado com a casa

    39 Alan M. Cooper and Bernard R. Goldtein, At the Entrance to the Tent: More Cultic Resonances in Biblical Narrative, JBL 166(1997): 212.

    40 James B. Pritchard, Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament (Princeton: Princeton University Press, 1969), 37-41.

    41 S. Langdon, Sumerian Spic of Paradise, the Flood and the Fall of Man, The University Museum Publication of the Babylonian Section, vol. 10, n. 1 (Philadelphia: University Museum, 1915), 14: E. A. Speiser, The Rivers of Paradise, in Oriental and Biblical Studies: Collected Writings of E. A. Speiser, ed. J. J. Finkelstein an M. Greenberg (Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1967): Com relao ao lugar geogrfi co do Paraso, Speiser afi rma que: o prprio texto bblico contm duas pistas semticas que apontam inconfundivelmente para a terra e tradio da Sumria. Uma o limite geogrfi -co do den, que difi cilmente pode ser separada da plancie sumria. Acoita o d of Gn

  • Porta do Paraso. Uma Interpretao Contextual de Gn 4:7 21

    ou santurio da divindade.

    Uma analogia com esta crena vista no AT no uso da expresso Montanha de Deus, que encontrada em Is 2:3, muitas pessoas viro e diro, Vinde, subamos Montanha do SENHOR, casa do Deus de Jac... (veja tambm 2 Sm 21:6; Mq 4:2; Zc 8:3, NRSV). A expresso Montanha de Deus claramente anloga casa de Yahweh, sua casa-templo, como a Montanha de Dilmun a equivalente para a casa do deus-gua, Enki.42 Portanto, em ambas tradies AT e pico sumrio do Paraso - os termos paraso, montanha e santurio se referem s mesmas instituies respectivas, a saber, a casa das suas divindades. Assim, o enredo de Gnesis sobre o Paraso encontra eco na religio e mitologia do AOP.

    4. Concluso

    Por conseguinte, o panorama literrio de Gn 4:7 de um ambiente de um ritual que encontra paralelo na futura imagem do santurio e tambm na mitologia do AOP. O verso sete se encaixa perfeitamente no desenvolvimento literrio da narrativa (Gn 4:1-16) e sua traduo contextual pode ser feita colocando juntas todas as peas do quebra-cabea lingstico acima: ... uma oferta de purifi cao [um sacrifcio de animal macho] jaz porta [do Paraso], e para voc ser o seu [de Abel] desejo e voc dominar [novamente como o primognito] sobre ele [seu irmo].

    2:6, o termo para a gua da terra que irrigava a terra. Se algum deriva a palavra, como W. F. Albright, de id river, ou de a.de.a (AKK. ed) terra de correntes, sua origem deveria ser sumria de algum modo. Prximo ao inicio do Golfo Prsico jaz o celebrado Dilmun que, como Kramer mostrou, era a terra do que vive, um lugar onde no se conhecia o pecado nem a morte, uni jardim dos deuses - ou numa palavra, o Paraso (p. 26).

    42 Wenham, Sanctuary Symbolism: Concerning the verb hithallek A to walk to and from (Gn 3:8) Wenham afi rmou que: o mesmo termo usado para descrever a presena divina nos futuros santurios em Lv 26:12, Dt 23:15, 2 Sm 7:6-7. O Senhor caminhou no den como ele subseqentemente caminhou no tabernculo (p. 401).

  • QUEM SUCEDEU XERXES NO TRONO

    DA PRSIA1

    Willian H. Shea2

    Resumo

    Este artigo discute as evidncias histricas para se considerar Dario, o fi lho mais velho de Xerxes e herdeiro do trono, com tendo sido o sucessor de seu pai por um curto perodo de tempo, at ser assassinado por um compl arquitetado por seu irmo mais novo, Artaxerxes, e um ofi cial da corte, Artabanus.

    Abstract

    This article discusses the historical evidences to be considered Darius, the oldest son of Xerxes and heir of the throne, having been its fathers successor for a short period of time, until to be murdered by a plot made by his youngcst brother, Artaxerxes, and an offi cial of the court, Artabanus.

    Introduo

    Uma interpretao padro da histria da antiga Prsia em meados do quinto sculo a.C. que Artaxerxes I seguiu seu pai no trono aps o

    1 Traduzido do original: Who Succeeded Xerxes on the Throne of Prsia?, pub-licado no Journal of the Adventist Theological Society, 12/1 (Spring, 2001: 83-88).

    2 Aposentado recentemente de uma posio assumida por muito tempo com dire-tor associado do Biblical Research Institute at the General Conference of the Seventh-day Adventists. Anteriormente, ensinou no Old Testament Department od the SDA Theologi-cal Seminary at Andrews University e foi um missionrio na Amrica Latina. Ele recebeu o ttulo de M. D. pela Loma Linda University e um Ph.D. em Estudos do Oriente Prximo da University of Michigan. Shea tem produzido duzentos artigos e quatro livros, com aten-o especial para o livro de Daniel. Um festschrift em sua honra foi publicado em 1997.

  • 24 Hermenutica 3, 2003

    assassinato de Xerxes. Esta interpretao tem sido desenvolvida partir de escritores clssicos, de lista de reis, e das linhas de tempo em tabletes de contratos em Babilnia que seguem esta ordem. Desde que existem textos astronmicos helenistas que datam o assassinato de Xerxes no quinto ms persa-babilnico, ou seja agosto, a transio entre os dois reis tm sido datados no vero de 465 a.C., cerca de quarenta dias antes do ano novo judeu em 1 de Tishri.

    Se os Judeus como Esdras, usaram um calendrio de outono a outono e contaram o ano de ascenso, aqueles quarenta dias devem ter servido como o perodo da ascenso de Artaxerxes ou ano zero, e seu primeiro ano completo deve ter comeado no 1 dia do ms de Tishri em 465 a.C. Isto deveria fazer tambm seu stimo ano de reinado se estender do fi nal de 459 ao fi nal de 458, no do fi nal de 458 ao fi nal de 457, como intrpretes adventistas tm sustentado.

    Mas este problema complicado por dois fatores. Primeiro, houve um tumulto poltico aps o assassinato de Xerxes. Segundo, inexistem fontes datadas para Artaxerxes no segundo semestre de 465 a.C.

    As fontes de Artaxerxes podem ser reexaminadas como seguem:

    1. Fontes persas. Antigos tabletes de Perspolis datam o terceiro e quarto ms do primeiro ano de Xerxes, isto , Junho e Julho de 464 a.C.3

    2. Fontes babilnicas. Antigos textos pertencentes ao perodo de Artaxerxes em Babilnia vieram de Nipur e Borsippa, e ambos datam do stimo ms do seu primeiro ano: outubro de 464 a.C.4

    3. Fortes egpcias. O problema ainda mais difcil no Egito, onde um papiro aramaico escrito em 2 de janeiro de 464 a.C. est duplamente datado para o ano de ascenso de Artaxerxes e ano 21 de Xerxes.5 Neste

    3 Parker and Dubbestern, Babylonian Cronology 626 B.C.-A.D. 75 (Providence: Brown U, 1956), 17.

    4 Ibid., 18. S. H. Hom e L.11. Wood, 77w Chronology of Ezra 7 (Vvrashinton, D.C.: Review and Hera1c1), 135-138.

    5 S. H. Horn e L.H. Wood, The Chronology of Ezra 7 (Washinton, D.C.: Review and Herald), 135-138.

  • Quem Sucedeu Xerxes no Trono da Prsia? 25

    caso, o ano de reinado de Xerxes foi artifi cialmente prolongado aps sua morte em agosto por causa de irregularidades na sua sucesso. Desde que Horn documentou que os judeus em Elefantina estavam usando um calendrio de outono a outono, interessante que a data do reinado de Artaxerxes seu ano de ascenso, e no seu primeiro ano, como deveria ter sido o caso, se ele chegou ao trono antes de 1 de Tishri.

    Esta datao incomum confi rmada por Maneto, o cronologista egpcio do segundo sculo a.C., que coloca um stimo ms de reinado para Artabanus entre Xerxes e Artaxerxes.6

    4. Sumrio das fontes cronolgicas. Destas consideraes das fontes egpcias, persas e babilnicas evidente que no existem textos datados para a ascenso de Artaxerxes da ltima metade de 465 a.C., aps o assassinato de Xerxes Antigos textos datados destas trs reas vieram do Egito, onde seu ano de ascenso mencionado em Janeiro de 464 a.C. Este primeiro ano de reinado ento mencionado na Prsia no vero de 464 a.C., e seu primeiro ano tambm mencionado no outono de 464 em Babilnia

    Existem duas explanaes possveis para este fenmeno. Primeiro, pode ser simplesmente um acidente de preservao (ou no-preservao). Aps a represso da revolta em Babilnia por Xerxes, textos desta regio tomaram-se menos freqentes.

    Por outro lado, essa ausncia pode ter-se originado do curso dos eventos polticos no Imprio Persa aps o assassinato de Xerxes. Aqueles eventos requerem uma explicao mais detalhada.

    Antigas Fontes dos Eventos do Final de 465 a.C.

    Nossa principal fonte para os eventos desse perodo Ctesius. Ele foi um mdico grego que serviu na corte de Artaxerxes II, o neto de Artaxerxes I. Viveu na Prsia, falava a lngua, e tinha acesso aos registros

    6 Neuffer, 68.

  • 26 Hermenutica 3, 2003

    ofi ciais do palcio. Sua narrao est como segue.7

    Com a ajuda de um camareiro do palcio, Artabanus, um poderoso

    corteso, assassinou Xerxes. Xerxes tinha um fi lho mais velho chamado

    Dario. Artabanus acusou Dario do assassinato do seu pai a Artaxerxes, o

    fi lho mais novo, e com seu apoio, ele executou Dario. Ele intentou fazer a

    mesma coisa com Artaxerxes ... Informado por Megabyzus do compl de

    Artabanus, Artaxerxes matou Artabanus, depois, trs dos seus fi lhos foram

    mortos numa batalha, aps seu pai ser executado. A provncia de Bactria

    revoltou-se ento contra Artaxerxes, mas aps duas vitrias em batalha, o

    rei sufocou a revolta.8

    Diodorus da Siclia (primeiro sculo a.C.) conta-nos praticamente

    a mesma histria: Xerxes foi assassinado por Artabanus, que ento

    responsabilizou Dario pelo assassinato e ofereceu a ajuda da guarda do rei

    para Artaxerxes punir seu irmo. Aps matar o irmo mais velho, Artabanus

    colocou seus olhos no irmo mais jovem quando ele viu que seu plano

    estava prosperando. Artaxerxes, porm, o puniu com um golpe fatal e

    tomou o controle do reinado. Diodorus data estes eventos de acordo com

    o sistema romano na segunda metade do ano 464 a.C.9

    O terceiro historiador clssico que se refere a esses dois eventos

    Trogus Pompeius (1 sc. a.C. a 1 sc. d.C.). Ele diz que Artaxerxes

    ouvindo da traio de Artabanus, ordenou que suas tropas sassem para uma

    revista. O jovem rei pediu para Artabanus trocar de roupa com ele nesta

    ocasio, e ele o fez, e quando estava desarmado, Artaxerxes o apunhalou

    para a morte.10

    Em grande medida, Diodorus e Trogus Pompeius devem suas

    narraes Ctesius ou fontes similares; mas eles tambm adicionam seus

    prprios detalhes.

    7 Reviewed by Neuffer, 64-65.8 Ctesius, Persica (resumo por Photius, Brussels, 1947), 33-35.9 Diodorus Siculus, xi.69.1-6, xi.71.1 (Leob Classical Library), IV, 304-307, 308-309.10 Transmitido por Sculus Frontinus, History of World Extracted From Trogus

    Pompeius, xiii.1 em John Selby Watson, trans., Justin Cornelius Nepos, e Entropius (Lon-

    don, 1876), 37-38. Eu devo as duas referncias anteriores a Neuffer, 64-66.

  • Quem Sucedeu Xerxes no Trono da Prsia? 27

    Propalao Tendenciosa da Nobreza Persa

    Deveria ser notado cuidadosamente que Ctesius no era uma testemunha ocular daqueles eventos, mas ouviu como relatado a ele duas geraes depois, fi ltrado atravs da famlia de Artaxerxes. Eles no eram observadores imparciais, eles queriam fazer Artaxerxes ser to bem visto quanto possvel e Artabanus e Dario serem vistos to maus quanto possvel. Isto era um padro tcnico empregado por muitos reis antigos, incluindo persas. Note por exemplo, a justifi cao de Dario I na inscrio de Behistun por dominar o reino persa aps a morte de Cambyses, e a justifi cao de Ciro para a conquista da Babilnia em sua inscrio num cilindro de argila.11 Assim, enquanto h indubitavelmente, um cerne de uma verdade histrica naquilo em que cada um desses escritores relata, seus registros tem sido colhidos atravs de uma viso favorvel a Artaxerxes. Precisamos descer a um nvel mais profundo do acontecimento para detectar o que realmente aconteceu.

    Maiores discrepncias

    As trs fontes concordam que Artabanus foi quem assassinou Xerxes. Isto o ponto de partida dos eventos descritos acima. A questo ento : quem ocupou o trono aps a morte de Xerxes? A resposta bvia: foi o primognito Dario que era o prncipe herdeiro do trono. Artaxerxes era o fi lho mais novo e no estava em linha sucessria. As fontes de Ctesius procuram minimizar este ponto, mas na realidade este o curso que eventos naturalmente teriam tomado e certamente tomaram. As fontes de Ctesius no queriam admitir que Dario tornou-se rei antes de Artaxerxes, porque teriam que refl etir negativamente sobre Artaxerxes.

    O fato seguinte foi que Artabanus acusou o primognito do assassinato do pai deles ante o fi lho mais novo, o que ele, Artabanus, realmente havia

    11 Esta propenso para propaganda entre os primeiros reis persas tem sido vista recente e acuradamente por S. Doutas Whaterhouse em seu excelente artigo Why Was Darius the Mede Expunged of History? em To Understand the Scriptures, ed. D. Merling (Berrien Springs, MI: Horn Archaelogical Museun of Andrews U, 1997), 173-190.

  • 28 Hermenutica 3, 2003

    feito. A posio dos dois fi lhos deveria ser cuidadosamente notada. Dario era o primognito que tinha ocupado o trono. Artaxerxes era o fi lho mais novo cujo status como prncipe no tinha ainda mudado.

    Isto no era o caso de acusar um irmo contra outro irmo. Isto era um caso de acusao ao rei vigente por seu irmo mais novo, que era ainda um prncipe. O que estava realmente fazendo aqui era um compl para assassinar o rei ento governante. A trama foi urdida por Artabanus e prontamente aceita por Artaxerxes, pois assim ele pde ver como tomar o reinado do seu irmo. Isso no foi uma prtica legtima do reinado por Artaxerxes, mas uma traio qual deliberadamente anuiu com a inteno de tomar o reinado do seu irmo. Dario, no Artaxerxes, era o legtimo rei que veio ao trono aps Xerxes.

    Do ponto de vista de Artabanus, a trama falhou. Ele tinha matado Xerxes. Ele tinha matado Dario. Ele planejou assassinar Artaxerxes. Artaxerxes pde ver a direo em que os eventos estavam indo. Ele era somente um obstculo que restava para Artabanus colocar a si mesmo no trono, o que claramente era o intento de Artabanus. Nesta batalha de matar ou ser morto, Artaxerxes saiu vitorioso.

    Um Novo Rei Dario

    Sabe-se que, os seguintes reis de nome Dario so conhecidos que ocuparam o trono do Imprio Persa.

    1. Dario I Hystaspes (522-486 a.C.);

    2. Dario II Northus (423-404 a.C.) e

    3. Dario III Codomanus (336-330 a.C.).

    No incluindo Dario, o Medo, do livro de Daniel, agora precisamos adicionar um quarto linha dos governantes persas: Dario, o fi lho de Xerxes. Desde que os Darios II e III governaram depois dele, suas designaes precisam ser mudadas para III e IV.

  • Quem Sucedeu Xerxes no Trono da Prsia? 29

    Quanto tempo este fi lho mais velho de Xerxes governou aps a morte do seu pai em agosto de 464? Dois ou trs meses seria uma proveitosa estimativa. Ele certamente governou menos de cinco meses, desde que Artaxerxes foi reconhecido rei do Egito em Janeiro de 464 a.C. Se ele no viveu ao tempo de ultrapassar o ano novo em 464 a.C., ele deve ter tido somente um ano de ascenso pelo reconhecimento persa-babilnico e no viveu para completar o primeiro ano de reinado.

    Pode ser objetado que ns no temos evidncia escriturstica direta do seu reinado. baseado somente numa inferncia das dedues de Celsius, Deodoro, e Trogus Pompeius. Mas o mesmo tambm tambm verdade de algum perodo de ascenso de Artaxerxes I, no fi nal de em 465 a.C. A deduo dos escritores clssicos tambm mais direta para Dario do que para Artaxerxes, porque os autores reconhecem Dario como o primognito de Xerxes e herdeiro do trono. Uma vez que ele viveu depois da morte de Xerxes, at ser assassinado por Artabanus, ele, e no Artaxerxes, deveria ter sido rei por pelo menos uma parte do segundo semestre de 465 a.C.

    Evidncias Potenciais de Documentos em Tabletes

    Uma objeo notada aqui que no existe, no presente, evidncias escritursticas contemporneas de Dario, o fi lho de Xerxes, como rei. Pode ter existido alguma, mas deve ter sido suprimida por Artabanus ou Artaxerxes, ou ambos. Devido ao fato de ter governado por um breve tempo, no deve ter sido difcil esconder aquelas pistas. Por outro lado, evidncias desse reinado podem existir entre os tabletes de contratos da Babilnia. Eles podem ser classifi cados do seguinte modo Aqueles documentos comuns de negcios no fazem distino entre os Darios neles mencionados: Dario I,II ou III; Hystaspes, Northus ou Codomanus. Estas designaes adicionais no eram usadas nas linhas daqueles tabletes, eles somente mencionam o dia, o ms, o ano de reinado com o nome Dario e o ttulo real Reis da Terras.

    Tabletes do reinado de Dario III, o rei conquistado por Alexandre,

  • 30 Hermenutica 3, 2003

    virtualmente no existem. trabalho do historiador, portanto, classifi car os tabletes que informam de Dario Rei das Terras, para ver se eles pertencem a Dario I, II, ou agora, ao fi lho de Xerxes. necessrio somente checar o ano de ascenso para achar este Dario adicional, pois ele foi assassinado antes de seu primeiro ano de reinado. Vrias colees desses tabletes e seus catlogos tm sido publicados. Eu listei uma poo deles nos dois primeiros estudos.12

    Uma vez que uma apropriada datao dos tabletes feita, eles precisam ser atribudas ao Dario certo por um estudo dos nomes pessoais no texto. partir dos anos de ascenso desses trs governantes nomeados Dario que foram, respectivamente, 522,465 e423 a.C., no deve haver signifi cante sobreposio entre o pessoal deles, e eles podem estar relacionados a pessoas em outros textos daqueles tempos.

    Pode ser que mesmo seguindo este procedimento nenhum texto correspondente a Dario, o fi lho de Xerxes, seja encontrado, porque este curso de eventos pode ter sido conhecido apenas na Prsia e a narrao deles pode no ter alcanado Babilnia. Por outro lado, a evidncia pode estar ali, mas ainda no foi reconhecida. Fora os tabletes da Fortaleza de Perspolis, textos da Prsia Antiga no so to comuns quanto so os da Babilnia.

    Sumrio

    O modo prefervel para ler Ctesius, Diodorus, e Trogus Pompeius, tomar Dario, o primognito e herdeiro do trono de Xerxes, como tendo realmente ascendido posio de rei aps a morte de seu pai. Contudo, Seu breve reinado foi interrompido por um compl urdido contra ele por Artabanus e seu irmo mais novo, Artaxerxes. Na luta pelo poder aps a morte de Dario, Artaxerxes venceu e Artabanus foi derrotado. Artaxerxes, um jovem rei, ocupou o trono pelos prximos quarenta anos, at 423 a.C.

    12 An Unrecognized Vassal King of Babylon in the Achaemenid Period, partes I e II, AUSS9 (1971):51-67,100-128.

  • Quem Sucedeu Xerxes no Trono da Prsia? 31

    Quanto tempo Dado reinou entre Xerxes e Artaxerxes? Sem dvida, no por muito tempo, mas se seu breve reinado durou s to pouco quanto seis semanas, em agosto ou setembro, isto deveria colocar a ascenso de Artaxerxes aps 1 de Tishri de acordo com o calendrio de outono a outono. De acordo com este tipo de clculo, seu primeiro ano completo de reinado deveria ter se estendido do fi nal de 464 ao fi nal de 463, e seu stimo ano do fi nal de 458 ao fi nal de 457. Qualquer que seja o curso preciso que ocorreu durante este tempo problemtico, razovel estimar o curso cronolgico descrito aqui. A falta de documentao entre os meses de 465 a.C. pode no ser justamente um acidente de (no-) descoberta, mas pode ter ocorrido por causa da supresso real feita por Artaxerxes. Este foi o ponto de vista que Ctesius e outros escritores clssicos receberam daquelas histrias.

  • MALAQUIAS 3:10 NO CONTEXTO BBLICO E NOS ESCRITOS DE ELLEN G. WHITE

    Demstenes Neves da Silva1

    Resumo

    A expresso casa do tesouro, em Malaquias 3:8-10, d margem para, no mnimo, duas interpretaes: seria uma referncia congregao local ou a uma instituio mais ampla? Para o leitor consciente de suas responsabilidades para com Deus, com relao ao uso do dzimo, importante compreender qual das duas propostas est mais de acordo com o contexto da passagem bblica em questo. Neste trabalho, pretende-se analisar qual a idia que se encontra por trs da referida expresso no Antigo Testamento, como tambm qual a aplicao da frase nos escritos de Ellen G. White - pioneira e co-fundadora da Igreja Adventista do Stimo Dia.

    Abstract

    The expression storehouse, in Malachi 3:8-10, gives margin for, in the minimum, two interpretations: it would be a reference to the local congregation or a major institution? For the conscious reader of his responsibilities to God regarding the use of the tithe, it is important to understand which is more faithful with the context of the biblical passage of the two proposals. In this article, we intend to analyze which idea is behind the referred expression in the Old Testament, as well as which application of the sentence in the writings of Ellen G. White - pioneer and co-founder of the Seventh Day Adventist Church.

    Introduo

    Neste artigo, analisaremos trs aspectos que consideramos ligados

    1 Demstenes Neves da Silva, Mestre em Teologia, atualmente professor do SALT/ IAENE

  • 34 Hermenutica 3, 2003

    expresso casa do tesouro.2 O primeiro deles o conceito de organizao religiosa que est por trs dessa expresso; o segundo a defi nio de quem custodiava e administrava o tesouro da casa e, fi nalmente, o terceiro, como se aplicava esse tesouro.

    Aceitando-se que o dzimo e as ofertas, como naqueles tempos, devam ser devolvidas pelo adorador igreja hoje, conforme Malaquias 3:10,3 e, considerando o seu contexto e o do pensamento pioneiro de E. G. White, este artigo pretende demonstrar, onde devem fi nalmente ser custodiados, quem deve administrar e em que devem ser aplicados os dzimos e as ofertas.

    O Conceito de Organizao

    Em Israel

    O ministrio de Malaquias est localizado por volta do ano 432-424 AC. Seu livro descreve os problemas de infi delidade entre os israelitas para com os servios da casa de Deus. Contemporneo de Neemias (444 AC), e tendo desenvolvido seu ministrio durante ou imediatamente aps este, Malaquias, evidentemente, est se referindo casa do tesouro como deixada aps a organizao e reforma do sistema do Templo, feita por Neemias, logo depois do retomo do Cativeiro. para esse sistema restaurado por Neemias (Ne 12:44-47; 13:10-13), que o pesquisador deve se voltar para entender para onde, segundo o profeta, deveriam ser trazidos

    2 HARRIS, R. Laird, Gleason L. Archer & Bruce K. Waltke. Dicionrio Interna-cional de Teologia do Antigo Testamento. SP, Vida Nova, 1998. 113. A expresso usada para defi nir casa do tesouro em Malaquias 3:10 beth tsar e signifi ca tesouro, estoque, depsito, aparece cerca de 80 vezes no AT e literalmente refere-se ao tesouro do rei, do templo ou mesmo um tesouro particular. Outras nove palavras so utilizadas no AT alm de tsar.

    3 BARKER, Kenneth L. and John Kohlenberger III. NVI Bible Commentary. Vol I. Grand Rapids, Michigan, Zondervan Publishing House, 1994, 1547-1548. Malaquias refere-se ao dcimo de toda a produo bem como dos rebanhos e gado, que pertenciam ao Senhor e foi por Ele destinado para o servio dos levitas.

  • Malaquias 3:10 no Contexto Bbllico... 35

    os dzimos e as ofertas.

    importante lembrar que os livros de I, II Crnicas, Esdras e Neemias formam um todo, evidenciando uma obra e um autor comum. Assim, Malaquias 3:10 poder ser melhor compreendido atravs do contexto da casa do tesouro (tsar) apresentado principalmente nesses livros e revelando que eles lidavam com a mesma situao:4

    possvel que a desobedincia do povo induziu algumas das queixas dos sacerdotes s quais Malaquias j havia se referido. Neemias lida com o mesmo problema (Ne 10:32-39; 13:10). Se Malaquias anterior aos eventos de Neemias 13, talvez as palavras de Malaquias no verso 8 tenham sido atendidas.5 (grifo suprido)

    Naquele sistema organizado por Neemias, segundo as informaes bblicas, acontecia o seguinte:

    1. A distribuio era centralizada6 e controlada a partir de Jerusalm

    4 Para uma abordagem da localizao histrica do livro de Malaquias e sua relao com I e II Crnicas, Esdras e Neemias veja Seventh-Day Adventist Bible Commentary. Vol. IV. Whashington DC, Review and Herald Publishing Association, 1976. 1121. Tam-bm Vol. III,73-79.

    5 BARKER, Kenneth L and John Kohlenberger III. NIV Bible Commentary. Vol I., 1547-1548. Que Malaquias e Neemias lidavam com o mesmo problema tambm concor-da: SMITH, Ralph L. in Wrod Biblical Commentary. Vol. 32. Waco, Texas, Word Books Publishers, 1984. 333.

    6 VANGEMEREN, Willem A., ed. New International Dictionary of Old Testa-ment Theology and Exegesis (NIDOTTE). Vol.1. Grand Rapids, Michigan, Sodervan Publishing House, 1997, 448. tsar [tesouro] Est especialmente em conexo com o segundo templo para o qual o povo era exortado a trazer todo o dizimo casa do tesouro(Ml 3:10). Para outras referncias sobre o colocao dos dzimos nos depsitos do Templo, veja Neemias 10:37-40; 12:44; 13:12-13. Neemias usa trs palavras hebraicas para depsitos: liska (10:37-39) conf. II Cr 31:11 ;Niska (12:44); e Otsera (13:12, 13). O dzimo aqui referido o destinado aos levitas conforme Nm 18, diferente do segundo dzimo mencionado em Dt 12, 14, 26 que era retido pelo adorador e usado para festas religiosas e para atendimento especial aos pobres e os que no tinham herana na terra como era o caso do estrangeiro e dos levitas (uma referncia partilha dos territrios das tribos). Sobre este segundo dzimo veja Demstenes, Origem e Propsito do Dzimo, Revista Teolgica do SAL/IAENE, vol n 2 Julho-Dezembro de 1997.

  • 36 Hermenutica 3, 2003

    e de l os recursos eram repartidos por todos os levitas do pas (2Cr 31:4-6; Ne 12:44).

    2. Uma equipe era encarregada da distribuio para Jerusalm e outra equipe para o resto do pas (Ne. 13:13).

    3. Havia cmaras para nelas ajuntarem das cidades, as pores designadas pela lei para os sacerdotes e para os levitas (Ne 12:44).

    4. Havia cuidadosa separao entre os dzimos e as ofertas (12:44)

    5. Havia tesoureiros especfi cos para cada depsito como nos dias de Ezequias (2Cr 31:19).

    6. Os encarregados eram representantes dos prprios levitas,7 assim no seriam vtima do jogo de interesses alheios funo. Se eram dignos de serem ministros do santurio tambm o seriam para administrar os fundos para seu prprio sustento com fi delidade (2Cr 31:12-15)

    7. Havia necessidade de evitar que os levitas fugissem para atividades seculares. Deviam dedicar-se especialmente ao ministrio (Ne 13:10-11).

    8. Como os levitas eram assistidos conforme o registro de suas famlias, mulheres e crianas (2Cr 31:18, 19), a assistncia fi nanceira e material no considerava como prioridade os lugares que eram os maiores doadores, para que ali fi cassem retidos os dzimos, mas as necessidades de manuteno dos indivduos e da obra em Israel como um todo. Assim que, todos os levitas recebiam sua manuteno de acordo com as necessidades de suas famlias (2Cr 31:17-19).

    7 VANGEMEREN, Willem A., ed. (NIDOTTE). Vol.I, 448. H apenas uma ima-ginria contradio entre vasos como Neemias 10:38-39 que declaram que os levitas de-vem trazer os dzimos aos depsitos e os versos 12:44; 13:12 e Malaquias 3:10, os quais falam dos leigos trazendo os dzimos aos depsitos. o povo quem faz as contribuies enquanto o pessoal do templo quem as transporta para dentro das cmaras, uma prtica apoiada pela tradio rabnica. (grifo suprido)

  • Malaquias 3:10 no Contexto Bbllico... 37

    9. O tesouro de Deus envolvia no somente dzimo mas tambm ofertas (2Cr 31:12; Ml 3:8). Estes eram entregues em produtos ou dinheiro conforme o doador.8

    O mesmo padro e outros detalhes adicionais podem se encontrados nas grandes reformas espirituais do povo de Deus sob Jos (835-796 AC); em 2Cr 24:1-14 e 2Rs 12:4,5; sob Ezequias (729-686 AC), 2Cr 31:2-21; e no tempo de Josias (640-609 AC), 2Rs 22:1-7 e 2Cr 24:8-10 e 31:14. Em todas elas as construes e reformas do Templo eram feitas exclusivamente com outras ofertas e jamais com os dzimos.

    Pode-se depreender dos registros bblicos que essa unifi cao do sistema gerido pelos prprios levitas: 1) proporcionava igualdade de tratamento e proporcionalidade na manuteno do ministrio; 2) concedia uma viso global unifi cada gerando um senso nacional de misso e unidade entre os sacerdotes; 3) Procurava evitar ambies fi nanceiras na liderana espiritual da igreja israelita.

    Portanto, na Bblia, os dzimos e ofertas dos sacerdotes no fi cavam

    8 No h motivo para se entender que os dzimos e ofertas eram devolvidos apenas em produtos devido cultura agro-pastoril no antigo Israel. Basta lembrar que as moedas ou seu equivalente antecedem o cativeiro egpcio e que Moiss j recomendava que o imposto do templo fosse pago com um shekel que era uma moeda de prata pura que cada um pagava para as despesas de manuteno do templo e para sacrifcios para perdo do povo (Conf. Aurlio Buarque de Holanda Ferreira. In Novo dicionrio brasi-leiro da lngua portuguesa. RJ, Nova Fronteira, 1986. 1582; tambm Hugo Schlesinger. In Pequeno vocabulrio do judasmo. SP, Paulinas, 1987 (verbete shekel). Referncias a dinheiro so comuns ao longo da Bblia e mesmo nos dias de Jos (2Cr 24:1-14) e em diante uma caixa foi posta para recolher ofertas em dinheiro. O dinheiro era comum em Israel nos tempos de Neemias e Malaquias havendo, inclusive, referncias relacionadas ao tesouro do templo no NT entre as quais est a da famosa moedinha da viva, ofertada em contraste com as grandes somas de dinheiro lanadas no tesouro pelos ricos. Outro exemplo so as moedas de prata da traio de Jesus que no puderam ser postas no te-souro. (Mc 12:41,43; Lc 21:1; Jo 8:20; Mt 27:6)

  • 38 Hermenutica 3, 2003

    em cada vila ou cidade, ou na posse do prprio adorador.9 Os relatos bblicos disponveis indicam que tanto no perodo pr como ps-exlio, sempre que o sistema de manuteno dos sacerdotes foi reformado, sob direo proftica, a casa do tesouro foi uma tesouraria centralizada em Jerusalm e administrada pelos prprios levitas. Para esta casa do tesouro Malaquias apelava para que fossem conduzidas todas as ddivas. A partir desse centro administrativo todos os levitas recebiam auxilio conforme o registro de suas famlias (2Cr 31:17-19).

    A casa do tesouro, portanto, segundo os relatos das Escrituras, um centro organizado c estruturado como sede da ao religiosa em Israel. Um centro de unidade dentro de um conceito amplo de organizao religiosa no qual no se concebe aes independentes ou separadas. Tudo converge para o templo e dele para as partes. A obra entendida com um todo unido.

    Em E. G White

    Nos escritos de E. G. White a expresso usada para as tesourarias locais, de instituies e das associaes, unies e Associao Geral, indistintamente. Adicionado a isso est, em seus ensinos, a idia de que a obra uma unidade e no uma disperso congregacional. A unidade das igrejas em associaes por ela reconhecida. Essas associaes, em vrios nveis, so consideradas as responsveis pela promoo e gerncia dos dzimos, atravs dos presidentes eleitos pelas igrejas. Segue-se algumas dessas mensagens que reproduzem os mesmos princpios bblicos j apresentados anteriormente. Os anos das declaraes ao fi nal de algumas declaraes ajudaro a perceber a persistncia desses princpios ao longo dos anos atravs dos quais ela escreveu:

    1. A obra de Deus deve ser considerada como uma unidade mundial

    9 A aplicao do texto de Malaquias na descrio histrica feita por E. G. White de que os dzimos e ofertas deveriam ser dados com Interesse altrustica na edifi cao de Sua obra em todas as partes do mundo (WHITE, E. G. Profetas e Reis. 708).

  • Malaquias 3:10 no Contexto Bbllico... 39

    e no como unidades independentes.10

    Deve-se considerar a obra em todo o mundo.11 Sua obra um grande todo,12 que deve estar unido em todas as frentes com as escolas, ministrio e o trabalho mdico.13 Deus clama por uma ao unida.14 Uma frente unida contra o inimigo,15 o mundo16 e para a vitria).17

    10 Alguns tm apresentado a idia de que, ao aproximarmo-nos do m do tempo, cada lho de Deus agir independentemente de qualquer organizao religiosa. Mas fui instruda pelo Senhor de que nesta obra no h isso de cada qual ser independente. WHI-TE, E. G. Obreiros Evanglicos, 487.

    11 Ibid., 454. Deve-se considerar a obra em todo o mundo. Novos campos tm de ser penetrados. Lembrem-se nossos irmos de que se exigem muitos meios e muito trabalho rduo para levar a obra avante em novos campos.

    12 Ibid., 456. (grifo suprido). O Senhor no faz acepo de pessoas nem de luga-res. Sua obra um grande todo.

    13 WHITE, E. G. Testimonies for the Church, Vol. 9, 169, I 70. ...O Senhor tem falado a mim. Ele fala quando eu digo que os obreiros engajados nas frentes educacionais, nas frentes do ministrio e no ministrio mdico missionrio, devem permanecer como uma unidade, todos trabalhando sob a superviso de Deus.

    14 WHITE, E. G. Testemunhos para Ministros, 399,27 O Senhor exige uma ao unida. Devem-se fazer esforos bem organizados para conseguir obreiros... Ningum acaricie o pensamento de que podemos dispensar a organizao. A construo dessa es-trutura custou-nos muito estudo e oraes, em que rogvamos, sabedoria e as quais sabe-mos que Deus ouviu.

    15 WHITE, E. G. Evangelismo, 693. O povo de Deus unir-se-, apresentando frente unida ao inimigo. ... O amor de Cristo, o amor de nossos irmos, testi car ao mundo que estivemos com Jesus e dEle aprendemos. Ento, a mensagem do terceiro anjo se avolumar num alto clamor, e a Terra inteira ser iluminada com a glria do Senhor.

    16 WHITE, E. G. Atos dos Apstolos, 91 Somente enquanto estivessem unidos com Cristo podiam os discpulos esperar possuir o poder acompanhante do Esprito Santo e a cooperao dos anjos do Cu. Com o auxlio desses divinos instrumentos, apresen-tariam ao mundo uma frente unida, e seriam vencedores no con ito que eram forados a manter incessantemente contra os poderes das trevas.

    17 WHITE, E. G. Testemunhos para Ministros, 505 Quo importante , ento, que nos guardemos cuidadosamente de tudo que possa desanimar ou enfraquecer a in un-cia de uma alma que est fazendo uma obra que Deus quer que seja feita! H vitrias a ganhar, se apresentarmos uma frente unida e individualmente buscarmos ao Senhor para obter fora e orientao.

  • 40 Hermenutica 3, 2003

    Ou seja, a igreja deve ser um grande organismo.18 Esse organismo est estruturado em associaes, estaduais que houve necessidade de serem estabelecidas19 e precisam ter meios para sustentar novos campos.20 Essas associaes existem para unir-nos e revelar o poder de Deus produzindo frutos.21

    medida que nossos membros foram aumentando em nmero, cou evidente que sem alguma forma de organizao haveria grande confuso e a obra no se realizaria com xito. A organizao era indispensvel para proporcionar o sustento do ministrio, para dirigir a obra a novos territrios, para proteger tanto a igreja como os ministros dos membros indignos, para o registro das propriedades da igreja, para a publicao da verdade por meio da imprensa, e para muitos outros objetivos.22

    A participao de cada membro, nas diversas instncias, desde a igreja local passando pelas associaes, unies e associao geral o plano de Deus.23

    18 WHITE, E.G. Testimonies for the Church, Vol. 8, 174. Todos devem ser unidos como parte de um grande organismo. A igreja do Senhor composta de agentes traba-lhadores, que derivam de Seu poder para agir partindo do Autor e Consumador de nossa f.

    19 WHITE, E. G. Testimonies for the Church, Vol. 1, 715. ... mesmo ainda aps este passo, havia permanecido com alguns, uma relutncia em adentrar com relao a organizao da Igreja, e o assunto continuou sendo discutido. Contudo com a exteno da maioria favorecendo a organizao, o movimento procedeu primeiro pela organizao das igrejas , ento a associao estadual, e nalmente em 1863, a Conferncia Geral.

    20 WHITE, E. G. Testimonies for the Church, Vol. 9, 76 Os presidentes de nossas Associaes e outros em posio de responsabilidades tm um dever a cumprir em seus negcios; que os diferentes ramos de nossa obra precisam receber igual ateno

    21 WHITE, E. G. Life and Sketshes, 387. As Associaes que so formadas so para apegar-se poderosamente no Senhor; atravs delas Ele pode revelar o seu poder fa-zendo deles excelentes representaes na produo de frutos.

    22 WHITE, E. G. Testemunhos para Ministros, 2623 WHITE, E. G. Testimonies for the Church Vol. 8, 236, 237. Deus sabe o futuro.

    Ele o nico a quem ns devemos nos guiar. A diviso da conferncia Geral em Distritos e Associaes - Unies foi Plano de Deus.

  • Malaquias 3:10 no Contexto Bbllico... 41

    A organizao da igreja em unies foi um arranjo de Deus.24 E atravs

    delas Deus seria acessvel para realizar a Sua obra.25

    A obra uma causa, incluindo nossas vrias instituies e os

    numerosos outros departamentos (1886).26

    Escolas, instituies e igrejas so parte desse todo que a igreja

    (1899).27

    2. O tesouro, segundo ela, envolve dzimos e ofertas. O desejo de

    se apropriar do dzimo para uso no recomendado o resultado de no

    haver igual delidade nas ofertas.28

    3. Referindo-se s associaes, ela menciona a tarefa da sede da obra para o direcionamento dos recursos em benefcio de uma causa uni cada:

    Aqueles que se encontram testa dos negcios na sede da causa, tm de examinar detidamente as necessidades dos vrios campos; pois

    eles so os mordomos de Deus, destinados a estender a verdade, a todas as parte do mundo. Eles so inescusveis, se permanecerem em ignorncia com respeito s necessidades da obra.... So esses

    mordomos que tm que destinar s necessidades da obra do Senhor

    24 Ibidem, 232, 233.25 WHITE, E. G. Testemunhos para Ministros, 375. O Senhor o nico em quem

    podemos con ar com segurana; e Ele acessvel em todo o lugar e a cada igreja da

    Unio.26 WHITE, E. G. Mensagens Escolhidas, vol.2, 190. De quando em quando te-

    nho-me sentido impelida pelo Esprito do Senhor a apresentar um testemunho aos nos-

    sos irmos, a respeito da necessidade de conseguir o melhor de todos os talentos para

    trabalhar em nossas vrias instituies e nos numerosos outros departamentos de nossa

    causa.27 Ibid., 196. Este o mal que hoje ameaa nossas escolas, nossas instituies,

    nossas igrejas. A menos que seja corrigido, por em perigo a alma de muitos... A abnega-

    o deve caracterizar os homens empregados em posies de responsabilidade no escri-

    trio, e devem ser um exemplo a todos os obreiros...28 WHITE, E. G. Conselhos sobre Mordomia. 198-200. Quanto mais ansioso

    deve-ria estar cada el mordomo quanto a aumentar a proporo das ddivas a serem co-

    locadas no tesouro do Senhor, do que de diminuir suas ofertas um jota ou um til que seja.

  • 42 Hermenutica 3, 2003

    os meios de Seu tesouro...29

    Dirigindo-se aos administradores da organizao, E. G White declara que: Devemos compreender mais e mais que os meios trazidos ao tesouro do Senhor nos dzimos e ofertas de nosso povo, devem ser empregados para a manuteno da obra, no somente na ptria, mas nos campos estrangeiros.30

    s associaes do seu tempo que, na administrao do dzimo e ofertas, na poca, no adotavam a partilha dos recursos com outros campos, afi rma: Em algumas associaes tem-se considerado louvvel o economizarem-se meios, e apresentar um grande excesso no tesouro. Deus no tem sido honrado com isso.31 Mesmo o tesouro das instituies para ajudar os campos missionrios tambm.32

    Portanto, para E. G. White, a igreja um grande todo, uma unidade que deve manter-se em apoio mtuo das partes. Essa unidade se d atravs do sistema de associaes sobre quem recai, como veremos mais detidamente, a responsabilidade gerencial dos dzimos e parte das ofertas da igreja. Essa organizao essencial para que a igreja no se fragmente,

    29 WHITE, E. G. Obreiros Evanglicos, 455. (grifo suprido). Aqueles que se encontram testa dos negcios na sede da causa, tm de examinar detidamente as neces-sidades dos vrios campos; pois eles so os mordomos de Deus, destinados a estender a verdade, a todas as partes do mundo.

    30 Ibid. Devemos compreender mais e mais que os meios trazidos ao tesouro do Senhor nos dzimos e ofertas de nosso povo, devem ser empregados para a manuteno da obra, no somente na ptria, mas nos campos estrangeiros.

    31 Ibid., 456,. (grifo suprido) Em algumas associaes tem-se considerado louv-vel o economizarem-se meios, e apresentar um grande excesso no tesouro. Deus, porm, no tem sido honrado com isso.

    32 Ibid., 457 ...Teria sido prefervel que o dinheiro assim depositado houvesse sido sabiamente empregado em manter obreiros diligentes e capazes em campos necessi-tados.

  • Malaquias 3:10 no Contexto Bbllico... 43

    e no deve ser dispensada ao nos aproximarmos do fi m dos tempos.33

    Os Administradores do Dzimo e das Ofertas

    Nesta parte veremos mais algumas citaes de E. G. White nas quais as expresses tesouro e casa do tesouro associadas direta ou indiretamente a Malaquias 3:10 so aplicadas igreja.

    Segundo ela, Deus, no que diz respeito aos dzimos e ofertas, nunca mudou os planos que Ele prprio ideou.34 Por outro lado, os ancio e ofi ciais so desafi ados a cumprir a misso que Deus lhes deu de levar o povo a ser fi el nos dzimos, ofertas e votos.35 Enfaticamente, ela declara que a casa do tesouro de Ml. 3:8 a 10 est sob a responsabilidade dos presidentes de Associaes que precisam orientar os ancios e diconos a trazerem os dzimos ao tesouro para a sua obra em todo o mundo.

    33 WHITE, E. G. Obreiros Evanglicos, 487 Alguns tm apresentado a idia de que, ao aproximarmo-nos do fi m do tempo, cada fi lho de Deus agir independentemente de qualquer organizao religiosa. Mas fui instruda pelo Senhor de que nesta obra no h isso de cada qual ser independente. As estrelas do cu esto todas sujeitas a leis, cada uma infl uenciando a outra a fazer a vontade de Deus, prestando obedincia comum lei que lhes dirige a ao. E, para que a obra do Senhor possa avanar sadia e solidamente, Seu povo deve unir-se.

    34 WHITE, E.G. Testemunhos para Ministros. 3a ed. Tatu: Casa Publicadora Bra-sileira, (1993), 305, 306. O Senhor sempre exigiu essa resposta em Seus arranjos para levar avante Sua obra em nosso mundo. Ele nunca mudou os planos que Ele prprio ideou.

    35 WHITE, E. G. Conselhos Sobre Mordomia, 106, 107. Nomeie a igreja pastores ou ancios que sejam dedicados ao Senhor Jesus, e cuidem esses homens de que se esco-lham ofi ciais que se encarreguem fi elmente do trabalho de recolher o dzimo... Devemos mensageiros do Senhor cuidar de que os membros da igreja Lhe cumpram fi elmente as ordens... o dever dos ancios e ofi ciais da igreja instruir o povo nessa importante ques-to, e pr as coisas em ordem. Como coobreiros de Deus, devem os ofi ciais da igreja ser corretos nesse assunto claramente revelado. Devem os prprios pastores ser estritos quanto a executar ao p da letra os preceitos da Palavra de Deus.

  • 44 Hermenutica 3, 2003

    Seu apelo, no contexto de Malaquias 3:10, para que os presidentes de associao cumpram o dever de ensinar ao povo a ser fi el nos dzimos. Por outro lado dever dos ancios de igreja trabalhar para que o dzimo e as ofertas sejam trazidas igreja e em seguida repassados associao.36

    Segundo Ellen White os presidentes de Associao devem estar atentos s fi nanas dos campos e tem como responsabilidade: ...ver que ancios e dicono das igrejas nelas realizem seu trabalho, cuidando de que um fi el dzimo seja trazido para o tesouro.37

    O dzimo no uma propriedade egosta de alguma igreja local mas o recurso para enviar mensageiros de Deus s partes mais distantes da Terra.38 E que, atravs da associao, cada ramo da obra receba igual ateno.39

    36 WHITE, E. G. Testemunhos para Ministros. 306. Ancios de igrejas, cumpri vosso dever. Trabalhai de casa em casa a fi m de que o rebanho de Deus no seja remisso neste magno assunto, o qual envolve to grande bno ou maldio.

    37 Ibidem, 305. Muitos presidentes de Associaes do Estado no cuidam daquilo que seu trabalho - ver que os ancios e diconos das igrejas nelas realizem seu trabalho, cuidando de que um fi el dzimo seja trazido para o tesouro.

    38 WHITE, E. G. Conselhos Sobre Mordomia, 71; Testemunhos para Ministros, 306. Reclama o dzimo como Seu, e este deve ser sempre considerado uma reserva sa-grada, a ser colocada no Seu tesouro para o bem de Sua causa, para o avano de Sua obra, para enviar Seus mensageiros s partes mais distantes da Terra (CSM,71). ...O Senhor sempre exigiu essa resposta em Seus arranjos para levar avante Sua obra em nosso mun-do (Testemunhos para Ministros, 306).

    39 WHITE, E. G. Testimonies for the Church. Vol. 6, 329 Cada membro tem uma voz na escolha dos ofi ciais da igreja. A Igreja escolhe os ofi ciais da Associao Estadu-al. Delegados escolhidos pela Associao Estadual escolhem os ofi ciais da Associao - Unio; e delegados da Associao - Unio escolhem os ofi ciais da conferncia Geral. Por este modo cada associao, instituio de cada, igreja de cada, e cada indivduo; dire-tamente ou atravs de representantes, tem uma voz na eleio dos homens que conduziro o chefi ar das responsabilidades na conferncia Geral.

  • Malaquias 3:10 no Contexto Bbllico... 45

    dever dos presidentes de associao e dos pastores educar o povo a ser fi el e, nas palavras de E. G. White, no roubar a Deus, a fi m de haver recursos no tesouro da obra.40

    Os membros devem cuidar das igrejas e liberar os pastores para desenvolverem a pregao em novos campos e ainda, segundo ela, mandar ofertas e dzimos para obreiros nos campos mais necessitados.41 A oposio organizao para impedir que o dzimo seja trazido, conforme Malaquias, ao tesouro, contraria os meios ordenados por Deus, e obra do inimigo.42 O dzimo deve ser devolvido igreja, conforme Malaquias.43

    40 WHITE, E. G. Testimonies for the Church, Vol. 5, 372, 376. WRITE, E. G. As Igrejas precisam ser impressionadas com o fato que seu dever proceder honestamente com a causa de Deus; no consentindo que a culpa do roubar descanse sobre eles; rouban-do a Deus nos dzimos e nas ofertas. Se os meios entrassem no tesouro exatamente de acordo com o plano de Deus - um dcimo de toda renda - haveria abundncia para levar avante a Sua obra Evangelismo, 252.

    41 WHITE, E. G. Evangelismo, 381 382. Devem ser ensinados a dar fi elmente o dzimo a Deus, para que os possa fortalecer e abenoar. Devem ser postos em ordem de trabalho... Em vez de conservar os pastores trabalhando pelas igrejas que j conhecem a verdade, digam os membros das igrejas a esses obreiros: Ide trabalhar pelas almas que perecem nas trevas. Ns mesmos levaremos avante os trabalhos da igreja. Ns realizare-mos as reunies, e, estando em Cristo, manteremos vida espiritual. Trabalharemos pelas almas que esto ao nosso redor, e elevaremos nossas oraes e mandaremos nossas ofer-tas para manter os obreiros nos campos mais necessitados e destitudos de auxlio.

    42 WHITE, E. G. Testemunhos para Ministros, 53. Os que esto levando esta mensagem errada, ... opem-se clara ordem de Deus pronunciada por Malaquias com relao a trazer todos os dzimos ao tesouro da casa de Deus, e imaginam ter uma obra a fazer no sentido de advertir aqueles a quem Deus escolheu para levar avante Sua men-sagem de verdade. Esses obreiros no esto trazendo maior efi cincia causa e ao reino de Deus, mas esto empenhados numa obra idntica quela em que o inimigo de toda a justia se empenha.

    43 WHITE, E. G. Testemunhos para Ministros, 59, 60. Compreendo que tambm estai; proclamando que no devemos dar o dzimo. Meu irmo, tirai o sapato de vossos ps, pois o lugar em que estais terra santa.

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    Portanto, a gerncia dos dzimos, de acordo com Ellen White, deve estar sob a administrao das associaes. Estas recebem os recursos dos membros atravs das igrejas locais para uma ao organizada de evangelizao do campo. Os presidentes como representantes dos campos devem agir junto aos pastores e ancios a fi m de que os dzimos e ofertas sejam entregues para o trabalho da associao e abertura de novos campos.

    A Aplicao do Dzimo e das Ofertas

    O dzimo um fundo que, dentro da fi losofi a da Igreja Adventista do Stimo Dia, deve ser aplicado para a manuteno do ministrio pastoral como indicado nos princpios encontrados na Bblia e nas diretrizes dadas por E. G. White, que so consideradas inspiradas no mbito da Igreja Adventista do Stimo Dia. Os dzimos devem ser aplicados como segue:

    1. Pastores.44 No pagamento de salrios e despesas diretamente ligadas sua atividade pastoral.

    2. Missionrios em campos estrangeiros.45

    3. Mdicos missionrios.46

    44 WHITE, E. G. Testimonies for the Church, vol. 9, 52; Obreiros Evanglicos, 226. O dzimo sagrado, reservado por Deus para Si mesmo. Tem de ser trazido ao Seu tesouro, para ser empregado em manter os obreiros evanglicos em seu trabalho.

    45 WHITE, E. G. Testemunhos para Ministros, vol. 9,52; Conselhos Sobre Mor-domia, 71; Obreiros Evanglicos, 455. Manifeste-se uma desinteressada igualdade no tratar com o corpo de obreiros na ptria e no estrangeiro. Devemos compreender mais e mais que os meios trazidos ao tesouro do Senhor nos dzimos e ofertas de nosso povo, de-vem ser empregados para a manuteno da obra, no somente na ptria, mas nos campos estrangeiros.

    46 WHITE, E. G. Medical Ministry. (Moutain View, California: Pacifi c Press Pub-lishling Association, 1932), 245. Eu desejo falar acerca da relao existente entre o mis-sionrio mdico e o ministro do evangelho... no h diviso entre o ministrio e o trabalho mdico.

  • Malaquias 3:10 no Contexto Bbllico... 47

    4. Professores de Bblia.47

    5. Irms que sejam obreiras bblicas.48

    6. Um fundo de aposentadoria para pastores.49

    7. Assistncia em eventual invalidez de obreiros.50

    8. Um plano de sade para obreiros.51

    47 WHITE, E. G. Conselhos Sobre Mordomia, 103.48 WHITE, E. G. Evangelismo. 2a ed. (Santo Andr: Casa Publicadora Brasileira,

    1978), 492. Os adventistas do stimo dia no devem, de forma alguma, amesquinhar a obra da mulher. Se esta entrega seu servio domstico nas mos de uma auxiliar fi el e pru-dente, e deixa seus fi lhos em boa guarda ao passo que ela se ocupa na obra, a associao deve ter a sabedoria de compreender a justia de remuner-la.

    49 WHITE, E. G. Obreiros Evanglicos, 430. Deve-se instituir um fundo para os obreiros que no podem mais trabalhar. No podemos estar livres de culpa diante de Deus, a menos que faamos todo esforo que justo a esse respeito, e isso sem demora. Nos dias de Jesus os trabalhadores do Templo deveriam ter suas necessidades supridas em caso de desemprego. Veja Joachim Jeremias, Jerusalm no Tempo de Jesus. (So Paulo: Edies Paulina, 1983), 4.

    50 Ibid., 426. Deve-se tomar alguma providncia quanto ao cuidado para com os pastores e outros fi is servos de Deus, que, devido a se exporem ou a trabalharem em excesso em Sua causa, adoeceram e necessitam de repouso e restaurao, ou que, devido idade e perda de sade no so mais capazes de levar encargos e suportar o calor do dia.

    51 Ibid., 427 Esses fi is obreiros de Deus que, por amor de Cristo renunciaram s perspectivas oferecidas pelo mundo, preferindo a pobreza aos prazeres ou fortuna; que, esquecidos de si mesmos, trabalharam ativamente para atrair almas a Cristo; que deram liberalmente para fazer avanar vrios empreendimentos na causa de Deus, tombando na baralha, fatigados e doentes, e sem meios de subsistncia, no devem ser deixados a lutar na pobreza e no sofrimento, ou sentir-se como pobres. Ao sobrevir-lhes doena ou enfermidade, no se deixem nossos obreiros sentir-se sobrecarregados com a ansiosa interrogao: Que ser de minha esposa, de meus fi lhos, agora que no posso mais tra-balhar e suprir-lhes as necessidades? simplesmente justo que se tomem providncias para satisfazer s necessidades desses obreiro