Filipa Ines Rod ... - ULHT - FMV - Lisbo~1.pdf

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<p>FILIPA INS RODRIGUES GONALVES </p> <p>NEUROREABILITAO FUNCIONAL EM CES </p> <p>COM LESO NEUROLGICA CERVICAL </p> <p>Orientadora: Doutora Maria Margarida Ferreira Alves </p> <p>Coorientadora: Dra. ngela Paula Neves Rocha Martins </p> <p>Universidade Lusfona de Humanidades e Tecnologias </p> <p>Faculdade de Medicina Veterinria </p> <p>Lisboa </p> <p>2016</p> <p>1 </p> <p>FILIPA INS RODRIGUES GONALVES </p> <p>NEUROREABILITAO FUNCIONAL EM CES </p> <p>COM LESO NEUROLGICA CERVICAL </p> <p>Universidade Lusfona de Humanidades e Tecnologias </p> <p>Faculdade de Medicina Veterinria </p> <p>Lisboa </p> <p>2016 </p> <p>Dissertao de Mestrado apresentada para a obteno do </p> <p>Grau de Mestre em Medicina Veterinria no Curso de </p> <p>Mestrado Integrado em Medicina Veterinria, conferido pela </p> <p>Universidade Lusfona de Humanidades e Tecnologias </p> <p>Membros do Jri: </p> <p>Presidente: Professor Doutor Daniel de Moura Murta </p> <p>Arguente: Professor Doutor Nuno Gonalo Ferreira Cardoso </p> <p>Orientadora: Maria Margarida Ferreira Alves </p> <p>2 </p> <p>Dedicatria </p> <p> Lady e ao Simba. </p> <p>3 </p> <p>Agradecimentos </p> <p> minha orientadora, Doutora Maria Margarida Ferreira Alves, por sempre acreditar </p> <p>em mim desde o incio. Por me incutir valores de responsabilidade e brio. Por todo o tempo </p> <p>disponvel, conhecimento partilhado, respeito e carinho. </p> <p> Dra ngela Paula Neves Rocha Martins por ser extraordinria, quer como pessoa, </p> <p>quer como profissional. Um exemplo personificado de luta e ao mesmo tempo um sem fim de </p> <p>vida e alegria. Obrigada pelo conhecimento, orientao e incentivos constantes. Acima de </p> <p>tudo obrigada pela franqueza, carinho e respeito. </p> <p> equipa e estagirios do Hospital Veterinrio da Arrbida e Centro de Reabilitao </p> <p>Animal da Arrbida por me acolherem de braos abertos, sempre animados e cheios de </p> <p>vontade de partilhar e me fazerem crescer. </p> <p> Aos meus pais, Jos e Cndida Gonalves, porque vos amo. Porque sem vocs este </p> <p>sonho no passaria disso. Por me ensinarem na escola da vida o melhor que sabem. Obrigada </p> <p>por todos os momentos de alegria e de tristeza. Obrigada por estarem sempre l e no me </p> <p>falharem. Obrigada por me fazerem e deixarem crescer. </p> <p> minha irm, Patrcia Gonalves, porque s a mais linda e perfeita. Porque precisarei </p> <p>sempre de ti para me sentir segura e completa. Obrigada por seres um exemplo e um orgulho. </p> <p> Ao meu sobrinho, Miguel Pereira, pela tua pacincia. Pelo teu riso fcil e boa </p> <p>disposio. Vais ser sempre o meu menino pequenino e o meu mais precioso tesouro. </p> <p> Ao meu namorado, Pedro Cordeiro, por todo o amor ao longo destes anos. Por seres </p> <p>mais que um simples companheiro. Pela pacincia, pelo apoio fulcral. Por seres incansvel. </p> <p>Obrigada por partilhares a tua vida comigo e por caminhares a meu lado. Obrigada por me </p> <p>guiares, quando perco o rumo, e por acreditares sempre em mim. </p> <p> Por fim, mas no menos importante, aos meus amigos e colegas Ana Rita Lucas, </p> <p>Andr Quelhas, Bruno Almeida, Joo Mendes, Luna Andersen, Paula Martins, Sara Alves e </p> <p>Snia Carvalho. Por serem excelentes. Por me terem acompanhado nesta jornada e aventura. </p> <p>Por darem e partilharem tudo de si. Porque so um exemplo que guardo no corao, mesmo </p> <p>aos que agora esto longe. </p> <p>4 </p> <p>Resumo </p> <p> As leses neurolgicas em ces podem ter inmeras causas e ocorrer, por exemplo, na </p> <p>regio cervical. Deste modo, podem ser afetados dois sistemas motores distintos e, qualquer </p> <p>um deles, pode comprometer gravemente a autonomia do animal Em ambos os casos, a </p> <p>neuroreabilitao funcional tem vindo a ser includa nos seus planos de tratamento. </p> <p> Com a presente dissertao de mestrado pretendeu-se avaliar como que o sucesso na </p> <p>reabilitao destes ces pode ser influenciado pelas caractersticas do animal doente, da </p> <p>doena que apresenta, do tipo de tratamento institudo e do tempo decorrido entre a leso </p> <p>inicial e o incio do plano de neuroreabilitao funcional. </p> <p>Perante os objetivos definidos, foi realizado um estudo clnico onde figuraram 22 ces </p> <p>com leso neurolgica cervical diagnosticada. Estes animais realizaram tratamento </p> <p>conservativo ou cirrgico e foram, de seguida, sujeitos a um protocolo de neuroreabilitao </p> <p>funcional elaborado pelo Centro de Reabilitao Animal da Arrbida, tendo sido avaliados o </p> <p>tipo de leso apresentada, as caractersticas dos doentes, os dfices apresentados entrada e </p> <p>sada do Centro e o tempo decorrido entre a leso e a entrada e sada do Centro. </p> <p> Os resultados obtidos mostraram no existirem diferenas significativas entre o tipo de </p> <p>sistema motor afetado e os dfices apresentados ou o tempo de recuperao. Todavia, foi </p> <p>possvel relacionar o tipo de tratamento com a etiologia, em que, genericamente, os casos </p> <p>congnitos e traumticos foram maioritariamente sujeitos a tratamento conservativo, enquanto </p> <p>o tratamento cirrgico foi preferido nos casos degenerativos e multifatoriais. Em relao aos </p> <p>dfices entrada do Centro e ao tipo de tratamento, verificou-se que a abordagem cirrgica </p> <p>foi realizada na maioria dos doentes tetraparsicos no-ambulatrios, enquanto a abordagem </p> <p>conservativa foi realizada maioria dos animais tetraplgicos ou com outros dfices </p> <p>neurolgicos, aquando a sua entrada no Centro. </p> <p> Concluiu-se, assim, que a NRF teve um papel primordial na recuperao destes </p> <p>doentes, permitindo, a 72,8%, o retorno funcionalidade e devolvendo-lhe a autonomia, </p> <p>evitando-se um desfecho mais radical. </p> <p> Palavras-chave: Leso neurolgica cervical; Neuromodulao; Neuroplasticidade; </p> <p>Neuroreabilitao funcional; Treino locomotor </p> <p>5 </p> <p>Abstract </p> <p> Neurologic lesions in dogs may have countless causes and can occur, for example, in </p> <p>cervical region. Two different motor systems can be affected and, either one, can seriously </p> <p>compromise the animals autonomy. In both cases, functional neurorehabilitation has been </p> <p>included in these cases treatment plan. </p> <p>In the present master dissertation, we aimed to evaluate how the success in the </p> <p>rehabilitation of these animals can be influenced by the dogs characteristics, the disease, the </p> <p>type of treatment and the time elapsed between the initial lesion and the start of the functional </p> <p>neurorehabilitation. </p> <p>A clinical study was performed, with 22 dogs with diagnosed cervical neurologic </p> <p>lesion. Conservative or surgical treatment was performed and the dogs were subjected to a </p> <p>functional neurorehabilitation protocol, elaborated at the Centro de Reabilitao Animal da </p> <p>Arrbida, where the type of lesion, patient characteristics, deficits presented at the entrance </p> <p>and exit from the Center and time elapsed between the lesion and the entrance and the exit of </p> <p>the Center, were evaluated. </p> <p> There were no significant differences between the affected motor systems and the </p> <p>deficits presented or recovery time. Still, the type of treatment was related with etiology, </p> <p>where, generally, congenital and traumatic cases have been submitted to conservative </p> <p>treatment, while surgical treatment was mostly performed in degenerative and multifactorial </p> <p>cases. In concerning to deficits at the entrance of the Center and the type of treatment, </p> <p>surgical management was mostly applied in non-ambulatory tetraparesic patients, while </p> <p>conservative management was mostly performed in tetraplegic dogs or with other neurologic </p> <p>deficits. </p> <p> We conclude that functional neurorehabilitation had a primary role in this patients </p> <p>recovery, allowing 72,8% returning to functionality and regain autonomy, avoiding a more </p> <p>radical outcome. </p> <p> Keywords: Cervical neurologic lesion; Neuromodulation; Neuroplasticity; Functional </p> <p>neurorehabilitation; Locomotor training </p> <p>6 </p> <p>Abreviaturas, Siglas e Smbolos </p> <p>AAROM Amplitude Articular Ativa Assistida, do ingls Active Assisted Range of Motion </p> <p>AEC Almofada de Estimulao Central </p> <p>AROM Amplitude Articular Ativa, do ingls Active Range of Motion </p> <p>AIES Anti-inflamatrios Esteroides </p> <p>AINES Anti-inflamatrios No-Esteroides </p> <p>BID Duas Vezes Por Dia, da locuo latina Bis In Die </p> <p>C1-C7 Vrtebras ou Segmentos Cervicais </p> <p>C8 Segmento Cervical </p> <p>COX Ciclo-Oxigenase </p> <p>CRAA Centro de Reabilitao Animal da Arrbida </p> <p>CRI Taxa de Infuso Contnua, do ingls Continuous Rate Infusion </p> <p>DIV Disco Intervertebral </p> <p>et al. E outros, da locuo latina et alli </p> <p>GPC Geradores de Padro Central </p> <p>IM - Intramuscular </p> <p>IV Intravenoso </p> <p>km/h Quilmetros por hora </p> <p>L1-L7 Vrtebras ou Segmentos Lombares </p> <p>LL Latero-Lateral </p> <p>LOX - Lipoxigenase </p> <p>g/kg Microgramas por quilograma </p> <p>g/kg/h Microgramas por quilograma por hora </p> <p>mg/kg Miligramas por quilograma </p> <p>MP Membros Plvicos </p> <p>MT Membros torcicos </p> <p>MV Movimento Voluntrio </p> <p>mW - Miliwatt </p> <p>NMES Estimulao Eltrica Neuromuscular, do ingls Neuromuscular Electrical </p> <p>Stimulation </p> <p>NMI Neurnio Motor Inferior </p> <p>NMI Neurnio Motor Inferior Alfa </p> <p>NMS Neurnio Motor Superior </p> <p>7 </p> <p>NRF Neuroreabilitao Funcional </p> <p>PD - Polidipsia </p> <p>PO Por Via Oral, da locuo latina Per Os </p> <p>PROM Amplitude Articular Passiva, do ingls Passive Range of Motion </p> <p>PU Poliria </p> <p>QID Quatro Vezes Por Dia, da locuo latina Quater In Die </p> <p> - Marca Registada </p> <p>RM Ressonncia Magntica </p> <p>ROM Amplitude Articular, do ingls Range of Motion </p> <p>S1-S3 Vrtebras ou Segmentos Sagrados </p> <p>SC Subcutneo </p> <p>SID Uma Vez Por Dia, da locuo latina Semel In Die </p> <p>SNC Sistema Nervoso Central </p> <p>SNP Sistema Nervoso Perifrico </p> <p>SRD Sem Raa Definida </p> <p>T1-T13 Vrtebras ou Segmentos Torcicos </p> <p>TC Tomografia Computorizada </p> <p>TENS Estimulao Eltrica Nervosa Transcutnea, do ingls Transcutaneous Electrical </p> <p>Nerve Stimulation </p> <p>TID Trs Vezes Por Dia, da locuo latina Ter In Die </p> <p> - Trademark </p> <p>TRANSD - Transdrmica </p> <p>US - Ultrassons </p> <p>W Watt </p> <p>8 </p> <p>ndice Geral </p> <p>1. Introduo .................................................................................................................... 13 </p> <p>1.1. A Avaliao do Doente com Leso Neurolgica Cervical ......................................... 13 </p> <p>1.1.1. A Anamnese e o Exame de Estado Geral ............................................................ 13 </p> <p>1.1.2. O Exame Ortopdico para Neuroreabilitao Funcional ...................................... 14 </p> <p>1.1.3. O Exame Neurolgico para Neuroreabilitao Funcional .................................... 15 </p> <p>1.1.3.1. O Movimento .............................................................................................. 15 </p> <p>1.1.3.2. A Postura e a Marcha .................................................................................. 16 </p> <p>1.1.4. Sinais Clnicos em Casos de Leso Neurolgica Cervical ................................... 17 </p> <p>1.1.4.1. Leso Neurolgica Cervical entre os Segmentos C1 a C5 ............................ 18 </p> <p>1.1.4.2. Leso Neurolgica Cervical entre os Segmentos C6 a T2 ............................ 19 </p> <p>1.1.5. O Exame de Reabilitao.................................................................................... 20 </p> <p>1.2. Principais Doenas que Afetam o Sistema Nervoso da Regio Cervical do Co ........ 21 </p> <p>1.2.1. Doenas Congnitas ........................................................................................... 22 </p> <p>1.2.1.1. Subluxao Atlantoaxial .............................................................................. 22 </p> <p>1.2.2. Doenas Degenerativas do Disco Intervertebral .................................................. 24 </p> <p>1.2.2.1. Hrnia de Hansen Tipo II ............................................................................ 25 </p> <p>1.2.3. Trauma ............................................................................................................... 27 </p> <p>1.2.3.1. Fraturas, Luxaes e Subluxaes Vertebrais .............................................. 28 </p> <p>1.2.3.2. Extruso de Ncleo Pulposo Aguda No-Compressiva ................................ 30 </p> <p>1.2.3.3. Avulso do Plexo Braquial .......................................................................... 32 </p> <p>1.2.4. Doenas multifatoriais ........................................................................................ 34 </p> <p>1.2.4.1. Espondilomielopatia Cervical ...................................................................... 34 </p> <p>1.3. Maneio do Doente com Leso Neurolgica Cervical ................................................ 38 </p> <p>1.3.1. O Maneio da Dor na Neuroreabilitao Funcional .............................................. 38 </p> <p>1.3.1.1. O Maneio Farmacolgico da Dor................................................................. 38 </p> <p>1.3.1.2. A Reabilitao no Maneio da Dor ................................................................ 40 </p> <p>9 </p> <p>1.3.1.3. Outros Mtodos no Maneio da Dor .............................................................. 42 </p> <p>1.3.2. O Maneio das Leses Dermatolgicas ................................................................ 42 </p> <p>1.3.3. O Maneio Urinrio ............................................................................................. 43 </p> <p>1.4. Reabilitao do Doente com Leso Neurolgica Cervical ......................................... 44 </p> <p>1.4.1. O Conceito de Neuroreabilitao Funcional ........................................................ 44 </p> <p>1.4.1.1. O Treino Locomotor na Neuroreabilitao Funcional .................................. 46 </p> <p>1.4.2. As Fases da Neuroreabilitao Funcional ........................................................... 46 </p> <p>1.4.2.1. Fase 1 da Neuroreabilitao Funcional ........................................................ 46 </p> <p>1.4.2.2. Fase 2 da Neuroreabilitao Funcional ........................................................ 47 </p> <p>1.4.2.3. Fase 3 da Neuroreabilitao Funcional ........................................................ 48 </p> <p>1.4.2.4. Fase 4 da Neuroreabilitao Funcional ........................................................ 49 </p> <p>2. Material e Mtodos....................................................................................................... 51 </p> <p>2.1. Critrios de Incluso .............................................................................................. 51 </p> <p>2.2. Critrios de excluso .............................................................................................. 51 </p> <p>2.3. Apresentao dos Doentes Inclusos no Estudo Clnico ........................................... 51 </p> <p>2.4. Protocolo de NRF do CRAA para Ces com Leso Neurolgica Cervical .............. 52 </p> <p>2.4.1. Protocolo de NRF para Doentes com Sinais de NMS ...................................... 52 </p> <p>2.4.2. Protocolo de NRF para Doentes com Sinais de NMI ....................................... 54 </p> <p>2.4.3. Particularidades dos Protocolos de NRF .......................................................... 55 </p> <p>2.5. Anlise Estatstica .................................................................................................. 55 </p> <p>3. Res...</p>